O PSD ganhou as autárquicas. Não terá sido uma vitória tão expressiva como ambicionavam nas capitais de distrito mas ganharam os distritos mais populosos que provavelmente não pensavam ganhar.
O José Luís Carneiro após três meses à frente do PS e tendo, na minha opinião, feito um trabalho sério e persistente, conseguiu, ao contrário do que desejariam alguns grupinhos do PS e certamente pretendiam alguns comentadores encartados, repor o bipartidarismo e recolocar o PS como um partido de alternativa de poder à AD. Foi uma derrota mais doce do que amarga e foi também a consolidação da liderança que eu espero que tenha bastante sucesso do José Luís Carneiro.
A derrota da Alexandra Leitão em Lisboa deve ser a derrota final do Pedro-Nunismo. Se olharmos para os resultados freguesia a freguesia percebe-se que as freguesias onde tendencialmente residem os mais abastados tiveram medo do "radicalismo" da Alexandra e das companhias mortáguas com que se rodeou.
O Moedas que nunca quis discutir Lisboa, apostou sempre na mensagem do radicalismo e isso, como se constata, fez o seu caminho. Uma coisa é certa: fui recentemente passear no Chiado, na Baixa e na zona ribeirinha e fiquei chocado com o estado da cidade. Estive também em Alvalade e a quantidade de lixo no chão é uma vergonha. No entanto, parece ser este estado de coisas que os lisboetas preferem. É o que é!
O Ventura ganhou dez por cento do número mínimo de câmaras que tinha como objetivo ganhar e ficou atrás da CDU e do CDS, coisa que ele tinha declarado impensável aqui há dias. Como populista que é, veio cantar vitória quando na verdade teve uma derrota estrondosa só (relativamente) comparável à da IL que ontem tentou passar por entre os pingos da chuva e parece-me que nem falou à malta.
Sobre a CDU já aqui escrevi ontem, não atingiu os mínimos mas ainda não foi totalmente corrida. Percebi ontem, depois da intervenção do Raimundo, que são como a ministra da saúde, definem estratégias que só dão porcaria mas insistem no erro para fazerem ainda mais porcaria. Um apontamento, a esquerda unida, incluindo a CDU, tinha ganho Lisboa e Porto.
Quanto ao CDS alguém tem que dizer ao Nuno Melo que já basta de dizer tanta parvoíce.
Há uma outra conclusão, o pessoal está-se nas tintas para questões éticas e para comportamentos eventualmente duvidosos. Que o digam o Montenegro, a Maria das Dores Meira e o rapaz de Braga.
E viva o Isaltino! Espero que tenha comido um belo lavagante.
Pior ainda quando Alexandra Leitão, com o apoio do PS da altura, resolveu ressuscitar parte da Geringonça, atracando-se à tóxica Mariana Mortágua. Com isso, não foi um tiro, foram dois tiros. A vitória do insignificante e pantomineiro Carlos Moedas conseguiu ser expressiva quando, com o desastre que foi o seu primeiro mandato, facilmente qualquer outra pessoa -- que não Alexandra Leitão (com a Mortágua à ilharga) --, o bateria.
Aliás, basta ter ouvido a nulidade do discurso de derrota da palavrosa Alexandra Leitão para perceber a vacuidade e a inconsistência daquela pessoa. Uma nulidade de discurso que envergonha. Por comparação, atente-se no brilhante, embora humilde, comovente até, discurso de Pizarro, um grande democrata.
Tenho a certeza de que fosse José Luís Carneiro a ter feito a escolha e outro teria sido o resultado de Lisboa.
Mas agora foco-me no PS. O PS tem gente muito boa. Duarte Cordeiro ou Mariana Vieira da Silva, por exemplo, tirariam a Câmara de Lisboa de letra. E reconquistar a Câmara de Lisboa era importantíssimo pois Carlos Moedas, para além de um caguinchas e um oportunista, é uma lástima como presidente da maior autarquia do país.
O que me anima é pensar que o Pedro Nuno Santos já não fará mais disparates em nome do PS. Felizmente agora temos um pragmático, um determinado, um assertivo, um lutador, um trabalhador incansável, uma pessoa decente, um líder muito capaz. Sempre defendi que com José Luís Carneiro outro galo cantaria no PS, e a sua actuação enquanto líder tem vindo a comprová-lo. O PS voltou a erguer a cabeça e acredito que o País só tem a ganhar com pessoas sérias e competentes como ele.
Quanto a outras autarquias tenho ainda a dizer que algumas vitórias que não apreciei foram mais demérito de alternativas de fraquíssima qualidade do que mérito dos fracos autarcas que ganharam. Há ainda um caminho de maturidade democrática por alcançar, desde logo na conquista de prestígio ao exercer cargos autárquicos. Não faz sentido que em algumas listas, um partido grande como o PS, que tem gente altamente qualificada, avance com gente pouco convincente, fraquíssima.
Finalmente o Porto. Teria ficado contente se Manuel Pizarro tivesse ganho. Gosto dele. É um verdadeiro democrata, humanista, republicano de gema. E simpaticíssimo. Mas acredito que o Pedro Duarte vai ser um bom presidente de Câmara. Pelo seu discurso de vitória e pela forma como se referiu a Manuel Pizarro confirmou ser um tipo decente. E tenho-o em conta de um tipo capaz, enérgico. Por isso, acredito que o Porto vai ficar bem. Foi uma boa escolha de Montenegro. E desejo-lhe boa sorte.
De resto, claro que o PSD ganhou inequivocamente. E não há dúvida que Montenegro, apesar das suas trapalhices spinunvívicas e das grandes debilidades em algumas áreas relevantes da governação, tem conseguido sobrevoar os escolhos e seguir adiante. É resiliente e dúctil e isso são qualidades físicas que conferem resistência e durabilidade a qualquer material. Disso não tenhamos dúvidas. Portanto, chapeau.
Quanto aos derrotados destas eleições são, de forma muito clara:
a CDU, que, de derrota em derrota, caminha cega e resolutamente para a absoluta irrelevância,
o BE, que me parece que já não existe,
o simpático Livre que, autarquicamente, se dilui e desaparece,
a IL, que autarquicamente é invisível,
e o Chega, o partido que alavanca a fanfarronice do Ventura e que, sem a lábia dele, vale menos do que um .... (ai a palavra que me ia saindo...)
Às vezes penso que há gente estúpida que parece que só lá ia ao estalo. Sou uma pacifista e está longe de mim ser apologista de andar à bofetada seja com quem for. Mas, sinceramente, há burrices tão grosseiras que não sei se vão lá pelo entendimento.
O tipo perdeu à grande, um derrotado absoluto, o bluff que é o Chega exposto sem sombra de dúvida. E a malta da comunicação social, nomeadamente agora os da TVI, em vez de o tratarem com o desprezo que ele merece, vão a acompanhar o carro?
Estou a escrever o post sem saber quais são os resultados finais das autárquicas. A esta hora parece podermos concluir que não houve a hecatombe eleitoral do PS que tantos previam e desejavam e que a almejada e sonhada conquista pelo Chega de câmaras com muita importância populacional também não vai acontecer. Mas uma coisa é certa: o João Ferreira fez mais uma vez o papel de idiota útil. Tenho para mim que este tipo é inteligente e que conhece os assuntos -- como provou nos debates sobre Lisboa em que foi quem se saiu melhor. No entanto, presta-se a este papel de idiota útil seguindo a política absolutamente suicida do PCP e apresentando-se sozinho a eleições sem qualquer perspetiva de vitória. Parece que objetivo do PCP e do João Ferreira é, sobretudo, derrotarem o PS nem que para isso tenham tacitamente que apoiar o PSD.
Com esta política, acabarão por perder a pouca influência que ainda têm na política portuguesa.
Ontem falava com um ex-militante comunista e ainda apoiante do PCP que me recordava as enormes traições que o PS tinha feito há cinquenta anos. Este discurso, que é comum nos comunistas que ainda não percebem que muito mudou em cinquenta anos, é uma das principais razões pela quais não conseguem atrair simpatizantes e cada vez perdem mais votos. Receio que, no fim da noite, mesmo com todos os artifícios que costuma usar na noite da campanha eleitoral, o PCP tenha que meter a viola no saco e nem meia vitória consiga gritar. Apetece-me dizer-lhes que qualquer dia nem servem para beber um vodka com laranja.
O Luís desceu mais uns degraus na decência política. Um tipo que vem apelar ao voto, referindo que têm que votar nos candidatos do PSD porque, "naturalmente", as câmaras PSD vão ter mais benesses do governo do que as outras câmaras, não merece ser PM de um País democrático. Este tipo de afirmações envergonha quem as faz, devia envergonhar quem as ouve e devia alertar os eleitores quando votam e podem ajudar a eleger "Luíses" que só se preocupam em ganhar votos e que revelam a sua verdadeira persona nestas situações. No caso do Montenegro, a situação vai em crescendo. Começou com as promessas da campanha eleitoral, passou pela Spinunviva e veremos como acaba.
Só mais um ponto. Já chega de tanta imbecilidade por parte da ministra da saúde, parece que vai fazer mais um plano para que não se percam cerca de 300.000 chamadas por mês no SNS. E que tal se ela própria, fazendo jus à sua imbecilidade, fizesse um plano para se demitir?
Tenho para mim que, por natureza, tenho a curiosidade e a capacidade de encantamento de uma criança. Talvez isso resulte de um misto de genuína inocência e de esforçada ignorância. Isso permite-me deslizar pela vida com aquela leveza de quem passa ao lado das pingas da chuva, das ameaças existenciais e dos olhares gordos. Seja o que vier por mal, bate na trave, faz ricochete.
Só que sou assim, mas, podendo parecer que não, tenho em mim alguma reserva de cepticismo que me permite, de quando em quando, dar um passo atrás e, antes de me entregar ao desfrute, questionar das boas intenções da situação.
Por exemplo, perante algo que me parece extraordinário, antes de me pôr, embasbacada, a tecer loas, interrogo-me: 'Será que não é fake?'. Ponho-me a ver. 'Parece mesmo de verdade...' mas, ao mesmo tempo, 'isto, na realidade, não pode acontecer...'. E assim fico, desejosa de acreditar, de louvar, de sair a correr a partilhar com todos a coisa fantástica que vi, e, ao mesmo tempo, com a amígdala a carregar no travão emocional, 'não vás, ainda fazes papel de parvinha, já viste se vais mostrar que acreditaste numa piroseira que se vê a milhas que é obra de inteligência artificial....'
E a questão é que esta exacerbação se vai expandindo e, às tantas, já desacredito de tudo.
Por exemplo, vi nas notícias que uma mulher em trabalho de parto foi mandada para casa, que aquilo não era nada, ora essa. Passadas três horas, apenas três!, estava de volta, aflita, a criança já entrepernas. Dito assim, imagina-se que meio mundo teria desatado a correr, a pôr a senhora numa maca, levando a maca, todos a correr pelos corredores em direcção ao bloco de partos. Só que afinal não. Pelos vistos, naquele hospital é gente que atua num outro comprimento de onda, mais naquela base do tudo bem, a senhora já está a desovar mas nada de pressas, que tire a senha e vá inscrever-se que as coisas não são assim, à la Gardère, muito menos à vontadinha. A senhora, coitada -- nem quero pensar na aflição, se eu já fico aflita quando tenho vontade de fazer chichi e tenho que aguentar --, imagino bem o que é a sentir a criança a escorregar à força toda e ter que fazer força para ela não sair. Caraças. Só que, disseram nas notícias, a senhora não conseguiu reter e, ali mesmo na recepção, a criança caiu-lhe aos pés, uma queda a pique, a cabeça da criança a bater no chão.
Ora, perante isto, fico naquela... Isto só pode ser fake... Nem com o polígrafo a pôr-lhe o carimbo de verdadeiro eu engulo esta. Pode lá ser... Estarão os hospitais e o pessoal médico-tarefeiro (leia-se, fugitivos ao fisco) tão desatinados que uma coisa destas pode mesmo ter acontecido? Ná, não papo esta. Vão enganar outro.
Também li que, mais uma vez, os Bombeiros da Moita fizeram um parto na ambulância. Já vão em 15 só este ano. Desculpem mas também não manjo. Alguém acredita que a falta de Urgências Obstétricas em Portugal esteja a atingir números tão sétimo-mundistas que a mulherada, em especial as pobre coitadas da margem sul, agora parem nas ambulâncias? Não. Não pode ser. Na volta, os tipos (ie, os Bombeiros da Moita) têm alguma pancada e é tudo a fingir, na volta não são bebés de verdade, são reborns, fingem que estão a fazer partos e fingem que sacam reborns de dentro das mulheres. Só pode, não é?
E mais outra. Ando sem saber em quem votar nas Autárquicas. Quero comparar programas eleitorais, quero avaliar o CV dos candidatos. E não descubro isso em lado nenhum. Já pesquisei de todas as maneiras e apenas descobri de um deles. De todos, encontro o facebook que contém as fotografias e toda a espécie de palha. Programas, nada. Não sei se sou só eu que quero informar-me antes de votar. Se calhar sou. Se calhar, é isso: ando desconfiada, não quero ir em conversas ou em sondagens. Quero conhecer os compromissos dos candidatos. Mas os candidatos ou não têm compromissos ou estão-se nas tintas para os dar a conhecer.
Acontece que hoje à noite, ao irmos dar a nossa volta higiénica com o cão, vimos, no larguinho, um pequeno grupo de pessoas silenciosas com papéis na mão. O meu marido disse: 'Deve ser a campanha.'. Não acreditei: 'Campanha? Em ruas desertas? À noite? Ná...'. Mas, pelo sim, pelo não, dirigi-me a eles: 'Desculpem... Tem a ver com as eleições?'. Olharam para mim, admiradíssimos, como se tivessem sido apanhados em flagrante. Depois, vencido o espanto, uma senhora fez que sim com a cabeça e deu-me um papel. Eu disse: 'É que estou farta de tentar encontrar o programa eleitoral dos partidos e não encontro.'. A senhora disse: 'Agora já aí tem. Vamos distribuir nos próximos dias...'. Ri-me: 'Já não vai dar muito tempo, as eleições são dentro de dias... E podiam pôr no site, ficava acessível a toda a gente...'. Olharam para mim, espantados e em silêncio, como se eu estivesse a sugerir que se montassem num foguetão para distribuírem propaganda política a partir de Marte.
Quando cheguei ao pé de um candeeiro, espreitei o papel para ver de que partido era. Pois, lá está, do partido em que, de certeza, não vou votar.
Portanto, já se vê. Estou desenquadrada disto tudo. Desconfiada. Céptica. Céptica mas não cínica. Ser-se cínico é outra coisa, é ter uma desconfiança moral a propósito de tudo e de todos. Ser céptico é diferente, é alimentar uma permanente dúvida racional. Só que o drama é que, depois, não tenho como encontrar as provas de que necessito. Uma frustração.
Por exemplo:
Este vídeo é real? Estes bichos existem assim, fazem isto, isto tal e qual? Estes saltos? Estas guerras malucas? Posso acreditar que não é fake? Não será coisa de IA? Pode ser, não é?
E este aqui abaixo? É real? Já vi tantas vezes a Música no Coração. Conheço esta canção, claro que conheço. Quem a não conhece? Ou seja, posso jurar que não tem nada de fake. Real, real, real. Ou não?
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Já agora, o 1º vídeo tem por título:
Bullfrog Battle Royale | The Mating Game | BBC Earth.
The pond is their boxing ring, and the centre is where you want to be. Being at the centre proves you are the dominant male and therefore more likely to get a mate – you’ve just got to fight off the competition first…
O 2º dá pelo nome de:
Edelweiss for Today: Epstein Files; A Sound of Music Challenge for Trump.
Conheço relativamente bem o município de Oeiras, pelo menos uma parte. E, do que vejo, reconheço que o Isaltino tem sido um bom Presidente de Câmara. Conheço também quem lá viva e que, com toda a naturalidade, votam nele, não querem outro.
Percebo que os munícipes votem nele. Desde que tenho o Instagram, volta e meia aparece-me ele a divulgar tudo e mais alguma coisa e, por mais polémico ou divertido que seja, não escondo que gosto do que vejo: vê-se que é pessoa que se dedica de corpo e alma a Oeiras, vê-se que conhece e que enaltece tudo, cada canto e esquina, cada rotunda, cada viaduto, cada leitaria, cada restaurante, cada árvore. Não se refugia no gabinete, não é um fosquinhas como o Moedas que tudo o que diz é para se enaltecer a ele próprio, não é um caguinchas que, quando a coisa aperta, se vai esconder debaixo da saia do Montenegro ou do Marcelo. Pelo contrário, se há sarilho, pega nas pernas e põe-se a caminho. Dá o corpo às balas e é isso que se espera de um munícipe.
Bem sei que já foi condenado, mas já cumpriu pena, e, portanto, admitindo que aprendeu a lição, o que posso dizer é que o que lá vai, lá vai.
Mas hoje trago-o aqui pois a minha filha enviou este vídeo para o grupo da família e, em minha opinião, é uma resposta notável ao Ventura. Todos os líderes partidários, todos os jornalistas e todos os que têm alguma influência tratassem assim o André Ventura e a ver se ele ainda andaria a levantar cabelo, a falar grosso e a posicionar-se como o líder da oposição (que, desgraçadamente, de facto é).
Por isso, nunca me imaginaria a dizer isto mas a ocasião a isso me obriga: Ganda Isaltino!
Isaltino de Morais deixa mensagem a André Ventura, aka André Tutti-Frutti, líder do partido Chega
É certo que tem aquele pequeno problema de ser do PCP. É sabido que sinto sempre alguma perplexidade quando vejo uma pessoa que parece ser lúcida e racional manter-se no PCP. Provavelmente há questões psicológicas que o justificam mas a mim, que não as conheço, faz-me confusão.
Contudo, a nível autárquico, o que em minha opinião deve prevalecer é a capacidade de fazer, a visão de ver ao perto e ao longe, a sabedoria para vencer obstáculos, a paciência para ultrapassar as chachadas da pequena política (que a nível autárquica parece tender a ser coisa muito rasa), a energia para se dedicar de corpo e alma ao bem estar dos habitantes ou dos visitantes da cidade. E, do que vi, pareceu-me que o mais estruturado, o mais assertivo e talvez competente, seria o João Ferreira.
Claro que é também o mais bonito e isso, parecendo que não, também conta.
O Moedas, na entrevista à SIC, esquecendo-se que estava a fazer-se de coitadinho, e após dizer que nem pensava nas eleições, atirou-se com ignomínia ao PS, chegando, entre outros "mimos", a chamar a quem o atacava, sicário da Alexandra Leitão.
Seguindo essa analogia, será que o Moedas também considera que quem tem tentado salvar a sua pele -- com argumentos estapafúrdios, é certo --, como, por exemplo, o Paulo Portas e a Mariana Leitão, são seus sicários, certo?
O Moedas tem demonstrado ser reles e ignorante, mas, como já deve, entretanto, ter sido esclarecido, sicários são criminosos contratados que, no início, usavam adagas escondidas debaixo das togas com as quais perpetravam os assassínios. É óbvio que não são os métodos usados em democracia mas vê-se bem o calibre do personagem quando é capaz de fazer este tipo de afirmações. Pior ainda e de uma baixeza insuportável é o que afirmou sobre a demissão do Jorge Coelho quando ocorreu o acidente em Entre Rios. Um tipo que mente descaradamente e que mostra ser tão reles não é confiável e não merece qualquer tipo de consideração ou respeito. Não vale tudo, certo?
Vi, estarrecida, imagens horríveis de barracas a serem destruídas sem que qualquer solução fosse apresentada aos seus habitantes e destruído ficou o meu coração ao pensar na aflição daquelas pessoas.
Hoje disse aos meus netos que se me saísse muito dinheiro no euromilhões, pegaria em parte do dinheiro e estudaria em conjunto com algumas das autarquias em que o drama é maior qual a forma mais expedita de dar casas com conforto e dignidade às pessoas que vivem em condições miseráveis.
Custa-me conceber que, por exemplo, se arranje dinheiro a rodos para a Defesa ou dinheiro para jorrar sobre os médicos do SNS (médicos ditos 'tarefeiros' num daqueles expedientes para fugirem ao fisco e a todo o tipo de controlo -- enquanto estupidamente se continua sem se perceber que o tema da Saúde tem que ser 'agarrado' a sério por gente competente) ou dinheiro aos montes para fazer cartazes que poluem as estradas e as rotundas de cada vez que há eleições ou, nas autarquias, dinheiro a perder de vista com assessores e parasitas partidários e, depois, não há dinheiro para encontrar uma solução para estes pobres coitados que não conseguem um tecto seguro e legal para se acolherem.
Não há muito vi fotografias de um parque de campismo gigantesco na Costa da Caparica. Não parecem tendas, parecem casinhas, ou tendas de campanha, não sei bem, todas iguais. Disseram-me que muitas pessoas vivem ali todo o ano. Perguntei se não poderia ser uma solução para instalar com um mínimo de conforto e dignidade as pessoas que hoje vivem em bairros clandestinos. Responderam que o problema destas soluções é que, em vez de provisórias, soluções assim tendem a ser definitivas. Claro que não sei qual a melhor solução mas parece-me que qualquer solução é melhor do que a indiferença perante a aflição de quem não tem onde viver, de quem não tem uma morada, de quem não tem onde se lavar ou de quem não tem um mínimo de condições decentes para ter filhos.
Não sei se o PRR previu verbas para alojar as muitas pessoas que, tantas vezes vindas de longe, tantas vezes completamente desenraizadas, desaculturadas, vulneráveis, e, ainda assim, trabalhadoras, não têm outra solução senão juntas chapas, cartões e o que encontram para fazer um abrigo mais do que frágil, mais do que impróprio para um ser humano. Se previu, previu pouco e virá tarde de mais. Se não previu, os irresponsáveis que não pensaram nisso deveriam ser corridos.
Há tempos vi uma reportagem com prédios devolutos que pertencem ás Forças Armadas. De que se está à espera para lá instalar pessoas? E quem diz isso diz muitas outras casas do Estado. Ou da Igreja.
Marcelo, que tanto falava dos sem-abrigo, já se esqueceu? Ou só se lembra quando as televisões o filmam a distribuir a sopa dos pobres? Quanta hipocrisia.
E já nem falo no cagalhoças do Moedas, essa anedota que para aí anda a armar-se em bom. Mete-me nervos de cada vez que o vejo: um saquito cheio de nada, um daqueles sacos pequenos para apanhar o cocó de cão. Obra feita, zero. Real sensibilidade e capacidade de acção para o que é preciso, zero. Só conversa fiada, só, só.
E o de Loures, com aquela vereadora, insensível, empedernida, gente desalmada, que nervos que também me dão. Caraças.
Enfim. Fico-me por aqui. Sinto-me verdadeiramente impotente perante a desgraça desta pobre gente que precisa urgentemente de habitação social. Estão a trabalhar para nós. Não podemos ignorá-los nem deixar que vivam como animais. Neste caso o tema não é o arrendamento acessível nem sem ser acessível pois estamos a falar de pessoas que primeiro precisam de se organizar, de se estabelecerem decentemente, só depois se pensa em como poderão pagar alguma coisa -- neste caso o tema é mesmo alojamento social, urgente, dar tecto e meios de higiene, dar uma morada e uma ajuda àquelas pessoas, permitir que sejam cidadãos de pleno direito.
Não percebo. Que eu saiba, antes disso, ainda há as autárquicas.
Ora, a este nível, há objectivos relevantes a ter em atenção. Por exemplo, há que correr com o cagalhoças papagaio que anda a dar cabo da reputação da cidade em vez de trabalhar. Em Setúbal, há que voltar a ter Maria de Dores Meira que, enquanto lá esteve, fez ressuscitar a cidade. Por exemplo.
No entanto, em Lisboa, tomara que venha a verificar-se que Pedro Nuno Santos teve razão ao apontar Alexandra Leitão. Como já referi, tenho muiiiitas dúvidas. Do que lhe conheço, é coisa para a qual não terá um perfil por aí além. Palradora como é, uma palração redonda em que tudo começa e acaba no mesmo sítio, dando várias voltas in between, duvido que os eleitores a vejam como a 'fazedora' que se impõe quer para a função em geral, quer para Lisboa em particular.
Mas não é só nas autárquicas que o Pedro Nuno anda a navegar na maionese. Para as presidenciais, para além do chupa-chupa que deu ao Seguro e que o fez embandeirar em arco achando que a malta ainda não se esqueceu do zero à esquerda que é, continua a dar tiros para o ar como se não tivesse ideia nenhuma do que quer.
Não sei o que vai na cabeça de quem diz que o Vitorino será um bom candidato. A sério... Acreditam no que dizem ou estão apenas a querer parecer-se com ele, dizendo piadas secas atrás de piadas secas?
Não quero saber de sondagens nesta altura do campeonato mas vou já avisando (e já o disse algumas vezes): no Seguro obviamente não votarei, no Marques Mendes obviamente não votarei, no Vitorino obviamente não votarei, no Ventura, escusaria até de dizer: jamais votarei. A única circunstância em que votaria em qualquer dos três primeiros seria se estivessem a ir a jogo contra o Ventura. Aí, entre o diabo e os nhec-nhecs, taparia o nariz e engoliria as minhas convicções, e, pronto, lá votaria neles.
Volto a perguntar: a Elisa Ferreira não teria um bom perfil? Diria que sim. Se for o caso, não haverá quem a convença a sacrificar-se por mais uns anitos? Eu percebo que a ela lhe apeteça sopas e descanso mas, face à exiguidade de candidatos, não seria de alguém lhe falar ao coração? É que seria uma candidata digna, forte, vencedora.
A não avançar e a termos o Vitorino, o Marques Mendes ou o Ventura na corrida, obviamente terei que averiguar qual é a do Almirante pois, por exclusão de partes, pode acontecer que seja a única hipótese razoável.
Tenho a reconfessar que estas eleições não mexeram comigo. Do pouco que vi na televisão ou do que li, nomeadamente em alguns programas eleitorais, foi o que referi há dias: mais do mesmo.
No entanto, acredito que a vitalidade da democracia se mede também através da qualidade de vida nas cidades (ou vilas) e, para isso, é relevante a competência, a dedicação, o profissionalismo e a visão estratégica das equipas que conduzem os destinos autárquicos. E, talvez por isso, ouço o que dizem os candidatos e acho que deveriam ser todos (ou quase todos) rifados.
No que se refere ao Porto, não vivo dentro nem tenho acompanhado: não me pronuncio, pois.
Mas sobre Lisboa tenho opinião. Lisboa está magnífica. Pode ter pontos de imperfeição ou pode ter coisas que não funcionam bem. Mas, no cômputo geral, está magnífica. É magnífica.
A reviravolta no bom sentido começou antes do Medina. Vem de Sampaio, vem do Costa. Mas o Medina executou a estratégia e não desgraçou tudo. Pelo contrário, continuou a melhorar a cidade. Não falo dos bairros históricos transformados em alojamento local. Foi tendência geral, cá e em todo o lado onde o turista gosta de andar. Chama-se gentrificação e é fenómeno global. Não vale a pena armarmo-nos em beatos, querendo ver culpa no vizinho do lado, neste caso no Medina. Não. Voo barato e, portanto, muita procura tem esta implicação: aumenta a oferta. É o mercado, nada a fazer.
Para mim, o pior mesmo, o que o fez perder as eleições, foi a colagem excessiva à imagem do aparelhista bem comportado, o socialista linha soft, menino apertadinho, que vai à televisão falar em nome do PS. Mas quem fala assim, sem garra, fugindo assustado de problema, desfazendo-se em desculpas e mais desculpas mesmo do que não tem culpas, renegando o que for preciso para continuar na primeira fila, dedinho no ar, não pega. Junto do público feminino, então, não pega mesmo. Mulher não gosta de homem com espírito fraco. Ainda por cima, imagem televisiva semanal e monocordicamente gasta a desfiar comentário morno sobre tudo e sobre nada, cansa. A gente quer pensar que na autarquia está um gestor eficiente, um executivo incansável e não um principezinho bem comportado que se dedica ao comentário e ao falatório político.
E depois tem aquilo das ciclovias. A Penélope explica tudo muito bem. Concordo. Ciclovia é, obviamente, uma boa ideia. Cidade limpa, ecológica, toda a gente gosta. Mas uma coisa é haver avenida larga, passeio largo, coisa planeada ab initio: o peão ou a bicicleta ser quase o rei ou a rainha e os carros um acessório. Isso é bom. O pior é quando o carro está por todo o lado, na estrada, no estacionamento (quando não no próprio passeio), e a estrada é reduzida ou o passeio é cortado ou cruzado por ciclovia e a gente nem saber bem se pode pôr o pé ou deixar criança andar à vontade.
E há mais: do que se comenta por aí, subsiste na Câmara o que de pior existe da velha escola dos boys socialistas, as assessorias pagas a peso de ouro que mais não fazem do que alimentar a intrigalhada partidária e a manha e a amizade ao trabalho de faz-de-conta. Ora isso já não está com nada. Isso e as mordomias que a Guida gorda gosta de ter. O eleitorado já não tem pachorra para isso. O eleitorado castiga.
Pode tudo isto não ser extraordinariamente significativo mas foi o suficiente para Medina ter perdido a Câmara. Como ele disse, por um voto se ganha, por um voto se perde.
A vitória caiu de bandeja no colo do Moedas. Uma ave-rara que promete aos lisboetas, em tempos de paz e de progresso, "sangue, suor e lágrimas", em condições normais levaria uma corrida em osso. Só um wanna be desfasado do realidade se lembrava de tal disparate.
Dizem que foi um bom Comissário e até acredito. Mas foi também um fiel homem de mão de um inqualificável Láparo e disso eu não posso esquecer-me. Pode não ser totalmente incompetente, pode não ser gatuno, corrupto ou analfabeto. Menos mal. Mas parte do seu passado é negro e o seu presente não revela golpe de asa, visão fora da caixa ou sentido de modernidade. Tomara que consiga fazer um trabalho que não desmereça o legado dos seus antecessores na Câmara. A bem dos lisboetas e de todos quantos cá trabalham ou cá estão de visita, é bom que faça um bom trabalho e, nesse sentido, só posso desejar-lhe boa sorte.
Tirando isso, tenho pena pelo Bernardino. Não sei como foi a sua gestão mas tenho-o em boa conta.
O mundo vai andando, umas vezes para a frente, outras para os lados, a maior parte das vezes aos tropeções. Mas ninguém suportaria que andasse para trás. E o PCP tem isso: quer ficar preso ao passado, à conversa do já era, aos ideais que já tombaram faz tempo. Pode até ser gente honrada e bem intencionada -- aliás, não tenho dúvida que o é. Mas são sectários ao porem-se do lado errado da trincheira, e errada porque a guerra já é outra. A população já não quer ouvir falar de coisas que já não lhes dizem nada. Aqueles a quem a conversa do PCP ainda diz alguma coisa já estão velhos e em minoria. O eleitorado, na sua maioria, já está noutra. Tenho pena, em especial pelo Jerónimo, o último dos moicanos, um homem digno e sério. Mas é a vida.
As grandes lutas agora já não são as sindicais, com os sindicatos da função pública à cabeça, a luta agrária, esses temas de antigamente. As grandes lutas agora são as do ambiente, as da luta pela felicidade, pela qualidade de vida, as da demografia, as da diversidade e da inclusão. O PCP não sabe estar nessas lutas. Mesmo quando quer estar, usa um vocabulário de tempos passados. O PCP e essa abstracção chamada CDU voltaram a perder e o pior é que não sabem interpretar as derrotas. Para eles, as derrotas são sempre por culpa alheia. Aos poucos vão caminhando para o próprio fim.
O Bloco de Esquerda também perdeu e é natural que tenha perdido. Com o viço com que apareceram há uns anos anunciando a diferença, atraíram os que estavam cansados de partidos velhos. Sol de pouca dura. Com esta direcção, Catarina & Manas Mortáguas, o BE vem revelando à saciedade que é sangue populista o que lhes corre nas veias. Num local, não sei onde, perderam um vereador e o Chega ganhou um. Um populista substituiu outro populista. É natural: populismo é populismo, vista-se de esquerda ou vista-se de direita. Não vão acabar bem.
Do CDS não vale a pena falar. Aliás, não há nada a dizer. O perfeito nulo.
Quanto ao PSD, o que tenho a dizer é que as hostes laranjas sabem mexer os cordelinhos autárquicos. Ou não fosse o burocrata Rio um homem do aparelho. Mas o aparelhismo tem perna curta e o ar de quem está permanentemente fornicado com qualquer coisa, seja lá o que for, faz com que a malta queira é vê-lo pelas costas. O ambiente fica pesado com o Rio por perto. Portanto, este balão de oxigénio é coisa que não cura o estertor, apenas o adia.
Mas adia o tempo suficiente para que a galinha cacarejante tivesse cacarejado, uma vez mais, antes de tempo. Numa campanha de relançamento em que valeu tudo, até sair mediaticamente do armário, Rangel deixou-se embalar pelos que anteviam uma demissão de Rio na noite das autárquicas e, destravado como só ele sabe ser, atirou-se para a frente das luzes da ribalta. Correu-lhe mal. Portanto, dupla sensação de vitória para o sempre aziado Rio.
Mas vai ser coisa efémera.
Não sei se sobra alguém mas acho que não. Mas, mesmo que sobre, não teria mais nada a dizer.
Faz falta sangue novo, um olhar novo, um pensamento novo. Enquanto isso não aparecer, isto das autárquicas é uma grande seca.
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Volto para responder ao comentário sobre o Santana Lopes. Não sei bem que diga. Vida mais errática não há. O que ele já fez e desfez, a forma como se lança e depois se cansa, tornam-no não apenas imprevisível como pouco confiável. Há funções para as quais a determinação e persistência são fundamentais e a de presidente de uma câmara (ou de um governo) é uma delas. Ora, determinação e persistência são coisas que a ele não lhe assistem lá muito. Dá ideia que se move pela adrenalina, pelo prazer da novidade.
Contudo, apesar de toda a aleatoriedade no seu percurso, ao chegar aos sessenta e cinco e continuar a ser assim, abalançando-se para estas coisas, voltando a percorrer uma etapa que já tinha ficado lá para trás no percurso da sua vida, há que lhe reconhecer algum mérito. Mostra que é sobretudo um personagem literário de que um dia alguém fará um filme. É um romântico. Deve ser respeitado enquanto tal. Um dos últimos românticos.
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Para ver se conseguia amenizar a aridez do texto, usei fotografias de Niki Colemont
e trouxe Birdy com Evergreen para nos fazer companhia
Depois do momento religioso e do momento de aconselhamento conjugal, já não sei com que mais encher o chouriço da espera pelos resultados finais. Por isso, venho só aqui para dizer que façam lá o favor de me desculpar mas vou dormir sem me pronunciar.
Falta saber Lisboa. E creio que também, já agora, Setúbal. Os resultados devem estar enguiçados pois nunca mais é sábado. Mas, de tudo o que se sabe, que é quase tudo, todos perderam um niquinho de coisa nenhuma mas ganharam muito mais em todo o lado. Como sempre, todos ganharam. Ainda bem.
TAgora uma coisa devo dizer. Toda a gente apareceu tranquila com excepção para o maluco do Rio que anda sempre fornicado, vá lá a gente saber porquê. É um enjoado e um mal disposto. Mas, apesar disso, podia disfarçar e mostrar-se contido e decente. Mas não. Está sempre furioso. Vá lá a gente saber porquê.
Enquanto escrevo, vejo sinais de festa na sede do Moedas com a Madame Cristas da Coxa Grossa mais o seu devoto marido a andarem a espalhar sorrisos pelo pedaço. Mas de oficial não sei de nada. Provavelmente ganhou. Mas, seja o que for, dá no mesmo. Apertadinho por apertadinho, venha o diabo e escolha. O que posso dizer é que, se o Medina perdeu, perdeu bem, fez por isso. Se ganhar, é sorte.
Quanto às conclusões nacionais não as retiro. O voto autárquico tem pouco a ver com o legislativo.
Quanto aos líderes dos partidos só posso dizer que o único que se aproveita continua a ser o Costa. De longe, muito longe. É um líder para todas as ocasiões.
A seguir, pela dignidade, o Jerónimo. Mas o Jerónimo anda num filme que já não tem nada a ver com nada.
Quem leva o troféu do pior líder é o Rio. Um totó. Insuportável. Totó e chato, uma mistura do mais desagradável que há.
O Ventura é uma nódoa mas engana bem os incautos. Portanto, é um perigo. Levaria o troféu do líder mais perigoso se eu estivesse para dar troféus a nódoas. Não estou. Era o que faltava.
O troféu para o líder mais populista vai para a Catarina Martins. Em qualquer situação, pula-lhe o pezinho para o populismo.
O troféu para o mais irrelevante vai para o Chicão. Um zero. Aproveitam-se os olhinhos azuis que são bonitos e os poucos apoios que obtém vêm certamente daí. Só pode.
E agora vou dormir que daqui a nada tenho que estar a pé. Devia escolher umas imagens e uma música para acompanhar isto mas o quê? Só se for a Rosinha mas a esta hora já não tenho saco para as pirolitices da Rosinha.
Há vários dias que praticamente não vejo televisão. Cansa-me a televisão. Quando não estou nas minhas lides profissionais ou nas minhas coisas de casa ou de família, e antes de vir aqui cumprir o vício do dia, vejo Homeland (a extraordinária série que em português dá pelo nome de Segurança Nacional). De cada vez que abro a netflix aparece-me anúncio de outras séries e várias delas me parecem tentadoras. Como o tempo escasseia, cinjo-me à Carrie e ao Quinn e ao Saul e ao Brodie e a todos aqueles fantásticos personagens que me trazem presa à intriga internacional e ao jogo mais do que duplo e tantas vezes sujo da espionagem e da contra-espionagem.
E, se aqui à noite espreito as notícias nos onlines, nada me convoca. Cá pelo burgo tudo gira em torno das autárquicas. Em termos de notícia, é tudo coisa de interesse nulo. Identicamente, de cada vez que vejo um cartaz ou um folheto, tendo a achar que é quase tudo de uma tremenda falta de imaginação.
No outro dia, quando andávamos a caminhar, vimos dois homens a andar junto às vedações das moradias. Achei aquilo intrigante. Tinham bom ar, é um facto. Não era gente de que se suspeitasse que andasse a ver se dava para assaltar alguma casa. Nada disso. Reparei que tinham qualquer coisa na mão. Pensei que, quando nos cruzássemos, nos dissessem qualquer coisa ou dessem um papel. Isto se andassem a distribuir papéis. Poderiam ser Testemunhas de Jeová, que andam sempre aos pares. Mas os das Testemunhas têm um ar menos urbano e andam todos mais arranjadinhos. Estes tinham um ar desempoeirado. Bom ar, já o disse. O meu marido disse que deviam ser de alguma imobiliária. Cruzámo-nos com eles sem lhes darmos atenção e eles também não nos deram. Nem atenção nem qualquer papel.
Mais à frente, noutra rua, junto a uma outra moradia, vimos uma mulher muito vistosa, ampla melena platinada. Foi deixar um papel na caixa de correio. O meu marido disse: ''Vês? Não te disse? Acho que esta é da remax'. Não fiquei convencida que os outros também andassem ao mesmo.
Hoje fui ver a caixa de correio e, para além das cartas, tinha vários papéis. Remexi os papéis para ver o que ali havia. De agências imobiliárias, de empresas de obras e reparações e, vários, de partidos. E, de repente, ao ver as fotografias de um dos papéis, juraria que eram os dois que tínhamos visto. Pelos vistos andam por aí, pelas casas, a distribuir folhetos.
Dei-me ao trabalho de ler alguns: uma ou outra ideia vagamente interessante mas, em geral, mais do mesmo.
(As ideias que eu teria para o meu município... Caraças, as ideias que eu teria.)
Esta gente é muito virada para o passado: 'o que nós fizemos', a 'obra feita'. Ou, se é para a frente, nada mais é do que replicar a dita 'obra feita'. Mais do mesmo. Não há um golpe de asa, não há uma disrupção para partir para outra. Não há uma verdadeira visão de cidadania, de conhecimento, de partilha, de modernidade. Ora, sem modernidade não há futuro que valha a pena.
Não vejo escolas abertas para gente de todas as idades, espaços de arte e de investigação, bibliotecas e museus abertos e livres, creches e residências seniores abertas, voluntariado a sério, mobilização dos cidadãos para o arranjo e limpeza das casas e das ruas e dos jardins, a natureza dentro dos espaços urbanos -- mas com uma visão moderna, a começar na arquitectura de todos os espaços (que é determinante para abrir mentalidades). Não vejo propostas arrojadas, daquelas que nos deixam de boca aberta, daquelas que nos fazem ficar a pensar. Não vejo.
A cidadania constrói-se caminhando nos caminhos da democracia. Mas constrói-se sem peias, sem ditames, sem preconceitos, sem amarras a feudos ou preceitos partidários, sem a disciplina das casas burocráticas em que nas concelhias ou nas distritais se cozinham os tachos, os favores, os amiguismos.
Estive a pesquisar na net alguns programas partidários de autarquias que não a capital: tretas. Só de olhar para as caras de parte das listas, logo se vê que é gente arregimentada nos partidos não por terem uma visão de futuro para as autarquias mas por serem disciplinados e acéfalos. Não vamos longe assim.
Não vou referir nem autarquias nem listas (até porque numa delas concorre um meu sobrinho) mas direi que, salvo uma ou outra honrosa excepção, é tudo o nosso portugalzinho a marcar passo.
Não nego que o país está mil vezes melhor agora do que estava há vinte anos. Mas o que digo é que, salvo algumas modificações verdadeiramente diferenciadoras (do que conheço, grande parte delas em Lisboa e grande parte relacionadas com urbanismo -- honra seja feita a Manuel Salgado), o resto é um mero melhorzinho na continuidade.
O país pode e deve dar um salto qualitativo: temos uma geografia e um clima extraordinários, uma beleza natural ímpar, temos mão de obra bastante qualificada. Temos tudo para atrair imigrantes que nos façam abrir os olhos à diferença e à inclusão, temos tudo para lançar programas de apoio à natalidade, temos tudo para atrair e fixar jovens, temos tudo para nos tornarmos um lugar de futuro -- em vez de continuarmos a ser um país envelhecido, em que quase não nascem crianças, em que grande parte do país ainda parece que vive no século passado, em que ainda há demasiados guetos de pobreza e marginalidade.
Hoje soube de um jovem que acho muito promissor e cuja selecção passou por mim há cerca de um ano: tenciona ir-se embora daqui por uns meses. Terá dito que já pouca coisa o prende cá. Senti uma enorme tristeza. Disse para o desafiarem a ficar connosco, em teletrabalho a partir do outro país para onde quer ir para se juntar à namorada. Não me interessa onde é que ele viva nem a partir de onde trabalha. Gostava era que continuássemos a contar com ele. Olharam-me com estupefacção mas depois deram-me razão. O mundo mudou. E as nossas mentes também têm que mudar. O mundo pode e deve organizar-se de outra maneira. E as cidades, as vilas e as aldeias têm que saber acolher estas novas formas de viver.
Foi a minha filha que, no outro dia, in heaven, se lembrou de que ali seria bom para fazerem paintball. Claro que isso desencadeou logo um movimento a favor. E até que a coisa se concretizasse foi um ápice. O meu filho, antes fervoroso praticante, ocupou-se do procurement.
Hoje juntaram-se todos aqui para jogar na zona da horta. Não há a largueza que há lá no campo mas dá para principiantes. Antes, o meu filho enviou as regras para que todos os guerrilheiros as soubessem de cor e salteado. Enviou também instruções para o dress code (calas de ganga, blusas de manga comprida, ténis).
Portanto, todos vestidos a rigor e na posse da sua arma, com a máscara posta e sabendo já as regras, deu-se início à refrega. O meu marido esteve de árbitro. Num lugar mais elevado zelou para que não houvesse batotas nem lesões desnecessárias. A minha filha ficou a cronometrar os ataques. Eu a fazer a reportagem. Os demais participaram, alinhando-se em equipas adversárias. O mais pequeno, que estava de máscara mas como mero acompanhante do pai, aborreceu-se fortemente, também queria uma arma. Como tal não é possível, desatou a chorar, desgostoso. Melhor: furioso. Felizmente a tia tinha no carro uma arma de água, usada na praia. E assim foi que, no meio daquela guerrilha, o mais pequeno desestabilizou toda a gente, guerrilheiros, árbitro e repórter, encharcando-os a todos. Creio que apenas poupou a tia, vá lá saber-se porquê.
Durante os raids, com disparos, gritos e corridas, o que se ouvia mais eram os gritos contra o jovem aguadeiro.
E, no final, no rescaldo, ninguém se tinha lesionado ou ficado especialmente magoado mas quase toda a gente estava um pinto.
A maior vítima foi a irmã, jovem guerrilheira que evidenciou ter, sobretudo, espírito pacifista. Ao invés dos demais que se perseguiam, atacavam ou armavam emboscadas, ela ficava escondida, esperando que ninguém desse por ela. De vez em quando disparava umas balas (para quem não saiba, as balas aqui são umas bolinhas biodegradáveis, de gelatina com tinta no meio), sem se perceber qual o objectivo pois, aparentemente, não visava nenhum alvo. Foi, pois, vítima fácil do irmão que a deixou a pingar.
Entretanto, eu tinha encomendado pizas. Por razões que devem ter tido a ver com a elevada procura, apenas chegaram cerca de hora e tal depois, já tudo estava cheio de fome e o meu marido impaciente e, como é seu costume, a atirar-me as culpas, no caso por não as ter encomendado logo às seis da tarde.
Jantámos já noite, de luz acesa -- na rua, claro -- e toda a gente conversou enquanto devorava as ditas.
Quando aqui cheguei ao sofá pensei que não ia conseguir escrever nada, de tal forma estava cheia de sono. É que hoje, para mal dos meus pecados, a alvorada tinha sido, uma vez mais, com as galinhas. E, também para mal dos meus pecados, não apenas, de véspera, tinha ido para a cama a horas inconfessáveis como tinha ido sem sono. Portanto, foi mais uma noite de descanso insucedido. Enquanto eles cá estão, estou bem, sem sono ou cansaço. A alegria de os ter juntos e alegres na companhia uns dos outros é tanta que qualquer vestígio de cansaço se dissipa na íntegra. Mal viram costas e chego ao sofá, volta em força. Chama-se a isto falta de férias. E, para esse padecimento, só há um tratamento possível: férias.
No meio destas minhas azáfamas e little afazeres ainda nem prestei atenção às autárquicas. Os cartazes já por aí andam mas parece que o espírito da coisa ainda não baixou em mim. Acho que já tenho claro em quem vou votar mas, ainda assim, gostava de conhecer as alternativas.
Mas há com cada cartaz... Em alguns casos é o mau gosto da pose ou o ridículo excesso de photoshop tirando vinte anos aos visados, noutros é o próprio fácies dos próprios que não ajuda.
Sei que não o devia revelar pois há coisas que, a priori, se sabe que não são especialmente bem comportadas ou politicamente correctas. Mas ninguém aqui é perfeito nem tenta fazer-se passar por isso. Portanto, vou contar.
É que o máximo de atenção que temos prestado às autárquicas é quando, indo de carro, nos deparamos com os cartazes. De um, o meu marido disse: 'Não deviam ter feito um cartaz com esta gaja. Com uma cara destas, haverá alguém que vá votar nela...?' e eu dou-lhe razão. Há caras que não enganam. Pior foi o comentário quando viu um cartaz com três mulheres. Disse: 'Deixem passar, deixem passar, nós somos fufas e o mundo vamos mudar'.
Parafraseava, como é óbvio, os ditos da célebre manif abaixo reportada e da qual tive conhecimento através de Mestre Plúvio ao partilhar tão preciosa pérola:
E, de facto, olhando aquelas três naquele cartaz, a ideia de participarem numa manif com aquele maravilhoso grito de ordem parece-me muito possível. Não que a orientação sexual dos candidatos tenha alguma coisa a ver com a orientação política de quem neles vota mas, ainda assim, não sei se aquele cartaz, com aquelas três, com as expressões e, sobretudo, os penteados que têm, faz muito sentido.
Apenas acrescento que o meu marido tem uma característica: pega na letra de uma canção e mantendo a métrica e o tom, troca-lhe as voltas, vira-a do avesso, torna-a absurda ou maliciosa. Felizmente só exercita esse seu dom ao pé de mim pois, geralmente, é altamente inconveniente. Desta vez, trocou parte do slogan e tornou-o absolutamente impróprio para salão. Mas, lá está, manteve a métrica e o sentido. Levou-o foi ainda mais longe. Tanto que obviamente não o posso aqui revelar. Private, private jokes.
E, para já, sobre autárquicas, é o que me apraz dizer. E, sobre qualquer outra coisa, para já, é a mesma coisa: aos costumes digo nada.
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Pinturas de Hsiao Chin ao som de Catrin Finch que interpreta Clear Sky
Durante anos alimentei a ideia de que trabalharia em ambiente empresarial durante metade ou um pouco mais da minha vida activa profissional, altura em que me dedicaria a uma actividade autárquica sendo que, aqui, não fazia por menos: queria ser presidente de uma grande câmara.
Acho que já contei: um dia o meu marido, que apoiava esta ideia, comentou isto com um amigo que, por acaso, na altura, era presidente de um partido que tinha, na altura, relevante peso autárquico. E ele disse-lhe: 'Ela que fale comigo'.
E eu, ao ouvir isto, captei a essência do que, até então, queria escamotear: para se abrir caminho na via sacra autárquica teria que ter o respaldo de um partido. Ora isso era e é coisa que me longínqua. O mundo partidário é uma realidade que não me assiste.
Na minha cabeça, ou melhor, na minha santa ingenuidade, uma ingenuidade completamente alienada, eu apresentava-me a votos apenas com as minhas ideias e os autarcas dar-me-iam o seu voto de confiança.
Quando desisti da ideia, porque o meu objectivo não era outro senão ajudar a dar forma a uma cidade saudável, inclusiva e feliz, resolvi contribuir com ideias junto de quem presidia à minha autarquia. Escrevi, dei numerosas ideias. Eu via a cidade a tornar-se uma cidade das artes e da natureza, com esculturas e demais arte pública, residências de artistas, galerias e zonas de convívio, parques, jardins, lagos, hortas colectivas, bosques, zonas pedonais, ciclovias. E escolas abertas, para qualquer idade: escolas de artes, de danças, de literatura, de história, de política e cidadania, de saúde, de agronomia e jardinagem, coisas assim. Escolas para qualquer idade. E residências e escolas para imigrantes. E mais. E colocava-se à disposição para ajudar da forma que melhor entendessem.
Nunca tive qualquer resposta nem nunca vi qualquer das minhas sugestões passada à prática.
É uma pena que me fica, a de não poder contribuir para mudar substancialmente uma pequena parcela do meu país.
Há tanto para fazer...
Agora, ao abrir o Youtube, tinha a sugestão de um vídeo da BBC Earth com locução de David Attenborough e, claro, tive que ir ver e, claro, gostei muito. Partilho-o convosco.
Cities That Are Saving The Planet
It is all too easy for us to lose our connection with the natural world, but some cities are beginning to shape themselves around it.
E, já agora, não uma cidade mas um país. É certo que é país pequeno, com umas características muito próprias. Mas tenhamos a abertura de espírito para o vermos como um exemplo e não como uma distante excepção.
This country isn't just carbon neutral — it's carbon negative
Deep in the Himalayas, on the border between China and India, lies the Kingdom of Bhutan, which has pledged to remain carbon neutral for all time. In this illuminating talk, Bhutan's Prime Minister Tshering Tobgay shares his country's mission to put happiness before economic growth and set a world standard for environmental preservation.
Enquanto nas televisões e nos jornais todos se afobam a ver quem aparece com o comentário mais inteligente e todos têm explicações elaboradas para tudo o que aconteceu, eu, moça simplória, para tudo o que acontece tenho explicações simples.
A saber.
Setúbal.
Vitória do PCP coisa nenhuma. Vitória da Maria das Dores, isso sim. Por acaso, a Maria das Dores é do PCP mas podia ser do PS, do BE ou ser independente. Algures no tempo deu-lhe para ali e por ali se foi deixando ficar. Mas, cá para mim, é tão comunista como eu. Mas também não é grave porque, para o efeito, não faz grande diferença.
O que ela é é trabalhadora, empática, gosta de ter a cidade arranjada, vê-se obra.
Em tempos passou por lá, por Setúbal, um burgesso, qualquer coisa Cáceres, não me lembro do nome do homem. Toda a gente abominava tal pessoa. Uma coisa na base do pato-bravo desqualificado que descaracterizou a cidade e deixou má memória.
Setúbal assolada por crises de desemprego, as fábricas a despejar gente para as ruas e, na autarquia, um matrafão que arrancava árvores, que empedrava tudo, que atafulhava a cidade do que a cidade não precisava.
Foi-se embora mas a fasquia inferior ficou bem definida. Uma coisa assim, jamais. De facto, a preocupação, ao votar, é que seja em alguém que seja o oposto dele. Depois dele, a malta só quer gente civilizada, de boas contas e boas maneiras, e capaz de sorrir.
Acontece que a Maria das Dores, pelo que se tem visto, é assim mesmo -- e, portanto, a milhas do tal bicho de má memória. E é bonita, bem arranjada, sorridente. Não sei como consegue ter sempre o cabelo tão bonito e ter tempo para aparecer sempre bem maquilhada e bem vestida. É agradável para a população ter uma presidente assim. E a cidade está bonita, cuidada, tem sido valorizada, e há eventos culturais, e ela tem sabido promovê-la e os turistas enchem a cidade, tornando-a vívida, alegre.
Portanto, sem pestanejar, as pessoas votam nela. E votariam se ela fosse de outro partido qualquer pois votam é nela. E era bom que o PCP percebesse isto.
É o reverso do que aconteceu em Almada. As pessoas votavam no PCP porque, em regra, se admite que os comunistas são autarcas geralmente competentes e porque nunca tinha surgido candidatura alternativa com boa cara. De facto, os outros partidos sempre olharam para Almada como uma coutada comunista. Por isso, nunca lá punham ninguém de jeito.
Desta vez o PS pôs a Inês de Medeiros. E ela é simpática, fala bem, olha-se para ela e espera-se que se porte bem, que traga uma maneira diferente de fazer política -- e o PS apresentou um bom programa. Portanto, uns eleitores, talvez aqueles mais conservadores, ainda se deixaram ficar -- mas os outros resolveram ver se é desta que aparece uma boa lufada de ar fresco. Tão simples quanto isto.
E era bom que o PCP também o percebesse. Nem tanto a ver especialmente com o PS, nem com o efeito da Geringonça (que esvazie o papel do PCP) ou com qualquer outra razão metafísica. Almada votou na Inês de Medeiros sobretudo porque existe saturação da pasmaceira comunista e uma vontade de ter orgulho na cidade em que se vive e de ver acontecer coisas novas (como a Isabela explica no seu blog).
A velha guarda que votava no PCP por razões ideológicas, recordando os duros tempos do fascismo, é cada vez menor. Agora, para quem não é dos tempos da 'longa noite fascista', das torturas de sono, das vidas clandestinas, etc, os comunistas são vistos como os da CGTP... e pouco mais. E, nas autarquias, são vistos como gente competente e honesta mas sem grande rasgo, sem asas, sem serem capazes de abrir caminhos de modernidade.
A minha mãe hoje dizia-me: 'Antes do 25 de Abril, o PCP ainda se justificava. Agora hoje...? Não. Já não se justifica'. E, no entanto, votou na Maria das Dores. Chamei-lhe a atenção para a contradição. Mas ela confirmou o que eu já sabia: 'Não. Não votei no PCP. Votei foi nela'. Tal como em Almada votaram na Inês de Medeiros.
Enquanto vejo a hecatombe dos resultados do PSD nas grandes autarquias -- um valente pontapé nos autarcas laranjas e um humilhante rombo no seu já escasso orgulho partidário -- e começo a ouvir os comentadores, alguns do próprio PSD (Manuela Ferreira Leite, por exemplo), a indicar o caminho da porta ao incompetente Passos Coelho, interrogo-me: será possível que a lápara criatura continue alapada à presidência do partido ou terá a hombridade de nos aparecer de corda ao pescoço a anunciar que finalmente percebeu que os portugueses não o querem ver nem pintado?
Estou para ver. Eu, se fosse às televisões, arranjava uma daquelas apps que junta adereços às imagens e, quando o nefasto líder do PSD aparecesse nas imagens, juntava-lhe umas orelhas de burro e um rabo a sair-lhe das calças.
Uma aberração destas, que durante anos deu cabo do País e prejudicou a vida de grande parte dos portugueses, tem que sair do palco político debaixo de pateada geral, debaixo de uma saraivada de apupos -- para que perceba de vez que queremos que nunca mais nos apareça pela frente. Imagino que os sociais-democratas lhe estejam com um pó muito superior ao do resto da população mas, seja como for, o que tenho a dizer em relação ao láparo, na prática já um ex-líder, é: Vade retro satana.
Claro que a Madama Cristas canta de galo. Como não? Uma bigodaça das valentes no PSD lisboeta... Claro que até o rato Mickey ganharia à Leal ao Coelho mas é um facto: a Sãozinha andou a bater perna por aí, com peixeirada populista e pouco mais (nada do que diz, espremido, deita sumo) -- mas, reconheça-se, esforçou-se, saíu-lhe do pêlo e, o eleitorado de direita, não tendo melhor alternativa, entregou-lhe o voto. Está de parabéns, claro, tanto quanto o PSD está de luto.
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Entretanto, vejo o senhor do PSD Porto, Álvaro Almeida (acho eu), a assumir a banhada, outra banhada das antigas, e, no meio do desastre, a congratular-se por ter ganho a Junta de Freguesia de Paranhos. E todos os que lá tinha com ele bateram palmas. E eu, que tenho bom coração, até me senti condoída. Ao que o PSD chegou para ficar contente por ter ganho Paranhos.
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Fotografia pequenina a condizer com a pequenez do discurso de vitória
O discurso de Rui Moreira foi uma vergonha, uma coisa ao estilo Cavaco: ressabiado, a ajustar contas. Nem se percebeu aquela conversa. Quem não sabe ganhar, revela que não é de fiar. Ganhou hoje mas não vai longe. Gente com maus fígados acaba corroída pelo seu próprio fel.
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Estou a ouvir Isaltino e estou intrigada com um senhor com um corte de cabelo muito curioso e meia barba que está atrás dele, com uns olhos muito abertos, e que não pára de abanar a cabeça, para cima e para baixo, com um ar vagamente vingativo. Bate palmas como se estivesse a ajustar contas. Medo...
De resto, dizer o quê? Os Oeirenses quiseram de volta aquele que os tribunais provaram que se abotoou; mas desculpam-no, dizem que, pelo menos, fez obra. Os Oeirenses são assim, gente inclusiva, que acolhe de coração aberto os ex-presidiários Um exemplo para a sociedade, os Oeirenses (e, claro, as minhas mãos tentam encobrir a ironia -- e a mal digerida perplexidade -- que me vai na alma). Quando se quiser perceber bem como são os portugueses, este caso deverá ser tido em consideração.
Isaltino de novo à frente de Oeiras -- ou a prova provada do bom coração dos Oeirenses
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E agora foi Jerónimo de Sousa. Pela primeira vez a conversa não foi de vitória. Acho que foi a primeira vez. Antes, apesar da linha ser descendente, arranjavam sempre maneira de se comparar com qualquer coisa que fosse mais abaixo para poder cantar vitória. Desta vez não.
Jerónimo reconheceu que perdeu. Só que, ó céus, veio dizer que os eleitores se enganaram e que, daqui por 4 anos, reconhecerão que se enganaram e voltarão a dar-lhes o voto. Surreal. Há qualquer coisa de trágico no destino do PCP. De facto, em tempos o PCP foi importante. De facto, ainda é um partido a que se associa uma matriz de honestidade e defesa pelos interesses dos trabalhadores. Só que, em muito da sua actuação, anquilosou. Sei do que falo. Há nas pessoas do PCP a sensação que adquiriram direitos. De certa forma, há neles atitudes caciquistas, de donos do pedaço. Movimentam-se em função de interesses partidários. Todos os partidos são assim mas no PCP isso é mais visível (talvez porque sendo mais disciplinados, levam isso mais a sério). Mas os tempos mudam. O passado vai ficando ara trás e, ao votar, os eleitores não estão a atribuir medalhas de mérito pelo feito mas a passar um aval para os próximos anos. E o PCP está, de forma geral, pouco aberto ao futuro. Claro que há excepções. Há autarquias em que o PCP é ainda uma lufada de ar fresco. Mas não são a generalidade e os resultados mostram-no. Jerónimo de Sousa deveria perceber que não foram os eleitores que se enganaram.
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E pronto, Passos Coelho falou.
E, como acabou de comentar Manuela Ferreira Leite, o pior cego é o que não quer ver. Bem falante como sempre, o Láparo assumiu a derrota mas quanto ao que se esperava, está bem, está: disse que não se demite hoje, não se demite amanhã nem depois de amanhã. Diz que vai reflectir (e assumiu que não é veloz a raciocinar) e que, na melhor das hipóteses, vai pensar na sua recandidatura nas próximas eleições internas.
Portanto, é o Láparo no seu melhor. Alapado ao partido, pior do que estivesse com ventosas nos pés. O PSD furioso com ele, desejoso de ajustar contas com o passado recente e não vendo a hora de começar a limpar-se do sarro sarnento dele -- e ele sem se ir embora. Faço ideia a raiva que a malta do partido está, a esta hora, a sentir. Um pesadelo para as hostes laranjas. Quase me sinto solidária com eles... ninguém merece... Mas, ao mesmo tempo, é bem feito: puseram-no onde ele está e aplaudiram as sacanices que fez e tornou a fazer. Portanto, agora não se queixem.
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Falou António Costa e agora fala Fernando Medina. Estão felizes. Compreende-se. São ambos pessoas boa onda, gente de bem, olham de frente, sorriem, falam de cor, mostrando conhecimento do que falam e mostram prezar o trabalho de equipa. Falam de futuro, apontam caminhos, estendem a mão. Espero que assim se mantenham, motivados, confiantes, com sentido de dever e com alguma humildade. E que nunca deixem de ser transparentes e probos.
Foi uma grande vitória do PS. Os eleitores mostraram que estão a acreditar nos programas e nas pessoas do PS. É, no fundo, uma responsabilidade grande para o PS.
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Acabo de saber o resultado de Almada, velho bastião do PCP, um forte até agora inexpugnável por parte de qualquer outra força política. As votações estiveram muito tremidas e acabaram por traduzir-se na sua conquista por parte do Partido Socialista. O PCP vai abanar. Para o PCP, a queda de Almada é marcante, é pesada, pois Almada é, para os comunistas, um símbolo. E, para os socialistas, a conquista de Almada, mais do que uma inesperada vitória, é uma responsabilidade de monta. Tomara que Inês de Medeiros tenha unhas para tocar esta extraordinária viola que lhe caíu no colo. Daqui lhe desejo muito boa sorte.
Vejo também que Beja caíu. Outro desgosto para as hostes vermelhas.
Pode ser que o PCP acorde e veja que os eleitores quando votam não o fazem com um sentido de recompensa por feitos passados mas como uma aposta numa estratégia de futuro. E não tem nada a ver com a Geringonça nem com nada disso, tem apenas a ver com a atitude e os valores do PCP que se encontram frequentemente desfasados da realidade.
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Para acompanhar a evolução das contagens, clicar aqui:
Imagens provenientes, uma vez mais, da arca do tesouro: We have kaos in the garden excepto a primeira que é do Bordoada, a galinha que não sei de que capoeira saíu e a do putativo baronete do Norte.