O ano passado, o meu filho andou a passar a férias numa caravana. Foram do centro do país até ao Algarve e, pelo caminho, pernoitaram em São Martinho do Porto. Digo que pernoitaram mas não sei se ficaram mais tempo. Nem eu nem o meu filho conhecíamos. Pela descrição parecia ser lugar bonito mas, apesar de ser tão perto de Lisboa, nunca nos tinha calhado ir até lá.
Fomos no sábado. Bonito, sem dúvida. Quando se está num sítio assim, a primeira coisa que nos ocorre é na qualidade de vida que se deve ter. Não há trânsito, não há falta de lugar para estacionar, não há barulho ou confusão. O meu marido fez notar que, se calhar, se em vez de Janeiro, estivéssemos no verão, já não diríamos isso. Pois não sei.
A praia é ampla, as casas distribuem-se ao longo da baía e monte acima e tudo é tranquilo e luminoso. Mas o meu marido também fez notar que um colega dele tem lá casa e se queixa do nevoeiro. Pois também não sei.
Subimos até ao miradouro e, de lá, vimos melhor a paisagem, a passagem para o mar aberto, a amplitude do horizonte, o azul das águas e do céu.
Lá em baixo a árvore de Natal que, se o Francisco não me tivesse falado nela, vendo-a assim apagada, à luz do dia, nem me teria apercebido. De noite deve ser bem bonita, as luzinhas sobre o mar.
Do passeio que demos pela Vila, chamou-me a atenção um belíssimo edifício ao abandono. Trata-se do Hotel do Parque. Fui, entretanto, informar-me e li que estará para ser reabilitado mas aparentemente o tempo vai passando, a degradação avançando -- e nada acontece. Parece impossível. Não sei como é por dentro mas li que os quartos são grandes. Com uma arquitectura apelativa, rodeado por um bonito jardim e a dois metros da praia, daqui poderia fazer-se um fantástico hotel de charme. Não faço ideia dos planos concretos, se é que existem, mas alguém deveria olhar para o potencial de um hotel assim, junto das praias, ao lado de Óbidos -- já para não falar das Caldas da Rainha, de Peniche, da Nazaré e, claro, de Alcobaça. E perto de Lisboa, para quem venha de fora e aterre na Portela.
Quando não há investidores privados que se cheguem à frente, perante a possibilidade de se vir a perder um património com beleza e potencial turístico, as autarquias deveriam chegar-se à frente e garantir que se encontra uma boa solução para todos.
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E queiram, por favor, continuar a descer para comprovarem como os portugueses se destacam entre todos os outros.



