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terça-feira, fevereiro 04, 2025

Quanto tempo o tempo tem

 

Ontem e hoje dias de reencontros, daqueles em que as pessoas se lamentam dizendo que é pena é que seja nestas alturas que a gente se encontra. Pois. E despedimo-nos a dizer que 'temos que combinar qualquer coisa.' Mas depois o tempo passa.

Em pequenos grupos, vai-se conversando. Onde eu estava, conversas de médicos, vários, racionalizando, descrevendo as maleitas que vão aparecendo com o tempo, constatando o óbvio: chega a uma altura em que, se a pessoa vive, é apenas para morrer mais devagar.

E, ao mesmo tempo, duas jovens mamãs, cada uma com os seus dois filhos, idades variáveis entre os 4 anos e os 4 meses. As crianças não sossegam e as mães tentam que os filhos não se magoem. O bebé, agasalhado, no carrinho. Entraram há pouco para a passadeira rolante que é a vida. Correm, brincam e riem ao mesmo tempo que outros choram quem acabou de sair dela, alguém para quem a linha do tempo se extinguiu.

Revi também uma 'rapariga' que apenas reconheci pela mãe. A mãe manteve as feições mas ela está muito diferente. Devia ter cinco, seis, não sei, devo ter-me encontrado com ela até ela ter uns nove ou dez anos. Agora, se calhar uns quarenta e tal anos depois, quando a abracei tratei-a pelo diminutivo com que a tratava. Espantaram-se. 'Ah, ainda te lembras...'. Claro que me lembro. Sorrimos: continuamos a tratar-nos assim. Não faz sentido tratarmo-nos de outra maneira, o afecto que nos une é o mesmo de quando éramos pequenas.

Mas o tempo passa. 

Disseram-me: 'Há um ano passaste tu por isto.'. Pois foi. E desatei a chorar. 

As flores que a minha filha lá pôs há um ano, ainda estavam boas e deixei-as ficar. Juntei-lhes outras. Com carinho, ajeitei-as. Mas, na verdade, é um gesto simbólico. Mais flor, menos flor. Para mim, a minha mãe não está ali, nunca esteve. O que ela era, a nível material, o que sobrou, diluiu-se na terra (e ainda bem que assim é). O que ela era, imaterial, vive ainda em nós. E está ainda bem vivo.

Mas, enfim. É o que é. É a vida. É o tempo que passa. Nada a fazer. São as circunstâncias da nossa condição humana, finita, efémera.

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Por isso, adiante. Para a frente é que é caminho.

Para que não me fique um travo a uma certa tristeza, talvez a uma certa impotência, se não levarem a mal, a ver se espaireço, vou ter com a Philomena CunK que tem aquela maluquice irreverente que me agrada.

Philomena Cunk on Time – A Deeply Confusing Investigation | Moments of Wonder

What is time? Can we see it? Can we touch it? And if we stop all the clocks, does time stop too? In this hilarious episode of Moments of Wonder*, Philomena Cunk takes a *very serious (but mostly wrong) look at the concept of time.  

Join Philomena as she visits the Greenwich Clock Museum to investigate what clocks actually do, asks experts deeply confusing questions, and delivers her trademark deadpan wisdom on one of life’s biggest mysteries.  

⏳ Prepare for an educational experience like no other—because after watching this, you might know even less about time than you did before.  


Desejo-vos dias felizes

segunda-feira, fevereiro 03, 2025

Benefícios de um bocadinho de solidão

 

Desde que me lembro, sou de entrar pela noite.

Era eu miúda, o meu quarto ainda era aquele de que eu tanto gostava e do qual não há uma única fotografia (uma mobília toda ela funcional, construída à medida, de madeira clara, linhas direitas e percursora das linhas actuais, lineares, nórdicas) e apontava o candeeiro bem para a cama para que não se visse a luz por debaixo da porta, até que a minha mãe, lá para a uma ou duas da manhã vinha zangar-se por eu ainda estar a ler àquela hora.

E sempre assim foi. Mesmo quando os meus filhos eram pequenos e eu andava esgotada de tanto trabalhar e por tanto me esforçar por conciliar tudo, precisava de ficar levantada a fazer o que quer que fosse depois de todos estarem a dormir. 

Preciso de um tempo meu. Os meus dias não se cumprem se eu não conseguir estar sozinha. Junta-se o facto de ser noctívaga à necessidade imperiosa de ter um tempo meu, em que ninguém fala comigo e eu não falo com ninguém, em que faço o que me apetece.

Quando estava em serviço, deslocada, a ter que estar enturmada de manhã à noite, tantas vezes com 'programa' até às tantas e tendo que estar no efectivo às primeiríssimas da manhã, mesmo assim levava o computador e estava acordada no quarto entretida a ler ou, desde que comecei o blog, a escrever aqui.

Pois bem.

O meu dia hoje foi preenchidíssimo: porque entrámos na era aquariana, levantei-me cedo para irmos caminhar e depois ir buscar comidas diversas a vários sítios e estar em casa, com a mesa posta, a salada feita, as frutas preparadas e tudo a postos para quando as tropas chegassem. Ainda por cima, quando agora ponho despertador, acontece-me acordar horas antes e já não conseguir dormir até o dito tocar. Portanto, dormi muito pouco.

E aí foi a alegria de sempre, a movimentação e animação de sempre.

Mas, depois, ao fim do dia, o registo foi outro, já não foi cá em casa, e aí já não houve alegria, pelo contrário. 

Portanto, com um dia assim, teria razões mais que muitas para já estar na cama, ferrada, a recuperar energias. Ainda por cima, esta segunda vou outra vez ter que acordar cedo e seria bom que estivesse bem dormida para me aguentar, pelo menos na medida do possível. Mas não senhor, aqui estou.

Mas vi agora um vídeo que me consola: afinal isto de ter um bocado só para mim até é bom. Claro que se calhar seria preferível que não fosse às quinhentas... Mas isso são outros quinhentos...

Why being a 'loner' could be good for you | BBC Global

Many of us make an effort to surround ourselves with others, but we don't need to do this all the time.

Emerging research suggests there are some potential benefits to being alone.

These benefits range from improving our creativity, mental health, and even leadership skills.


Desejo-vos uma boa semana