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segunda-feira, julho 20, 2026

Mário Centeno, português de gema -- em entrevista com Miguel Nabinho

 

Gosto de Mário Centeno. Parece-me uma pessoa de bem. Com ele, eu aprendo sempre qualquer coisa. E confio nele.

Penso muitas vezes como Portugal poderia estar muito melhor se Marcelo Rebelo de Sousa não tivesse cometido o erro disparatado e imperdoável de não o aceitar como Primeiro-Ministro. 

Mas não vou falar, vou partilhar a interessante conversa dele com Miguel Nabinho, que me tem surpreendido com entrevistas muito boas.

QUE PAÍS É ESTE - Entrevista a MÁRIO CENTENO conduzida por Miguel Nabinho


Desejo-vos uma boa semana

quinta-feira, novembro 14, 2024

Cada cavadela sua minhoca: afinal os jovens licenciados ficam em Portugal
-- A palavra ao meu marido --

 

Ontem o Mário Centeno, numa intervenção que fez na conferência do Banco de Portugal dedicada à educação e qualificações, proferiu afirmações que, pela sua relevância, espero que sejam devidamente apreendidas e comentadas: afinal, a percentagem de retenção de jovens portugueses licenciados em Portugal é superior à que se verifica em vários outros países europeus

Deu o exemplo de uns quantos países na Europa em que a taxa de retenção é inferior ao que acontece em Portugal e recordo-me que referiu que a taxa de retenção em Portugal era mais do dobro do que na Alemanha, na Dinamarca ou nos Países Baixos. Também a taxa de atração de jovens estrangeiros licenciados é bastante grande. Afirmou ainda Portugal tem conseguido ser um receptor líquido de diplomados com o ensino superior.

Referiu concretamente que o país vive focado numa realidade que é descrita com números enganadores.

Assim sendo, neste contexto, uma das grandes bandeiras eleitorais da AD e agora do Governo prende-se com políticas públicas baseadas em dados incorretos. Logo, são políticas públicas que não se justificam.

Tendo a direita, em conluio com a comunicação social, feito uma lavagem ao cérebro à malta com a, afinal, pseudodesgraça que era a saída de jovens licenciados do País, conclui-se que, mais uma vez, se enganaram.

Assim se esfuma um dos pilares da campanha eleitoral da AD e da politica do governo. Se a primeira formulação do IRS Jovem apresentada pelo Governo AD não tinha ponta por onde se pegasse também a nova versão do mesmo não se justifica. Por isso, não deve ser aprovada no debate na especialidade do orçamento. 

Como não é provável que o Mentenegro & Companhia assumam o logro em que suportam as  medidas do IRS Jovem, espera-se que os deputados da oposição atentem na realidade do País e chumbem a proposta do governo. 

Aliás, as políticas do governo para os jovens, nomeadamente, para  a habitação têm atingido os "objetivos" a que se propunham: o preço das casas aumentou, os empreendedores têm mais lucro e os jovens com mais rendimentos compram casas mais caras, isentos das contribuições, enquanto os que têm mais idade têm que pagá-las. Tudo ao lado. É aquilo que  se chama equidade de direita!

O Leitor Américo Costa escreveu um comentário que agradeço e com o qual estou inteiramente de acordo. As responsabilidades da ministra da saúde centram-se em dar cabo do SNS e ela vai tentar cumprir estas responsabilidades integralmente, custe o que custar. Naturalmente, os meus agradecimentos são extensíveis  a todos os leitores que fazem comentários sobre os textos publicados. Obrigado.

terça-feira, setembro 24, 2024

Conversa entre Mário Centeno e António Costa na NOW -- rigorosamente a não perder

 

A boa informação e o conhecimento deve ser adquirido, em primeiro lugar, junto de fontes primárias e credíveis. Ou seja, não de fontes secundárias (comentadores, redes sociais, etc) mas de quem tem e 'maneja' directamente a informação e junto de quem é sério, conhecedor, competente e honesto.

Quem puder, veja. Quem não puder, ponha a box para trás.


sexta-feira, junho 30, 2023

O Presidente Marcelo não vê a Grande Entrevista?

 

Conforme referi no post anterior sobre a felicidade, segue-se um texto da autoria do meu marido.


Vejo com alguma frequência a "Grande Entrevista" com Vítor Gonçalves na RTP3. O entrevistador prepara as entrevistas com cuidado, a maioria das vezes deixa os entrevistados falarem sem os interromper e os entrevistados são geralmente personalidades interessantes.

Vi as entrevistas do Ministro da Economia, do novo CEO da Delta, da Joana Vasconcelos e, ontem, do Governador do Banco de Portugal. 

Certamente que o sr. Presidente Marcelo teria aprendido algumas coisas com estes quatro entrevistados se as tivesse visto. 

Sobre economia teria aprendido que, afinal, há sectores industriais em Portugal em forte progressão, que afinal os salários médios têm aumentado, que existem politicas económicas suportadas no PRR e com objetivos definidos. 

Com o CEO da Delta aprenderia que o bom senso, o ouvir os outros. o criar grupos coesos com objetivos comuns deve fazer parte da ética do dia a dia de quem dirige e deve ser exemplo para a sua "equipa". 

Com a Joana Vasconcelos podia aprender que para se ser reconhecido e respeitado em muitos Países de vários Continentes não resulta de estar sempre nos media a dizer não importa o quê. 

Finalmente, com o Governador do Banco de Portugal poderia ter aprendido que afinal os salários disponíveis para os 20% mais pobres da população entre 2019 e 2022 cresceram 21% e que nos mesmo período a percentagem de crescimento do salário dos 20% mais ricos foi significativamente menor (6%). Também devia saber que, julgo, no mesmo período o número de empregos criados com salários bastante superiores ao salário médio foi praticamente o triplo (122 mil) dos salários criados no turismo cujo valor é bastante inferior ao salário médio, e que, felizmente, o incumprimento relativamente aos bancos não disparou, situando-se o crédito mal parado próximo da média europeia.

Teria feito bem ao Sr. Presidente assistir a estes programas e atentar na forma de estar destes quatro entrevistados, naturalmente, cada um com as suas ideias mas todos eles sensatos e merecedores do nosso respeito. O Sr. Presidente também poderia retirar das entrevistas assuntos importantes que vale a pena divulgar para que tenhamos orgulho naquilo que fazemos bem e seria um contributo para que os media revelassem este sucessos em vez de nos massacrarem com os dizeres sem relevância de muitos dos nossos políticos (incluindo o Sr. Presidente).

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Duas pequenas notas


1. Nos media somos matraqueados com a crise. Sugiro que investiguem se existe um grupo de pessoas que migra de festival para festival, de concerto para concerto, de arraial para arraial, de jogo de futebol para jogo de futebol, de restaurante para restaurante. Como está tudo sempre cheio/esgotado ou são sempre os mesmos que passam por lá ou então a crise não será tão abrangente como nos querem fazer crer.

Isto já para não falar no que as agências de turismo dizem que nunca se viajou tanto, para tão longe, para destinos tão caros.  

2. Ouvi hoje o noticiário das 20:00 da TSF. Falaram do incidente no aeroporto do Porto em que foi dada autorização para aterrar a um avião numa pista em que um outro avião se preparava para levantar. Podia ter sido uma tragédia. Pasme-se: o relevo que a Senhora que estava a ler as notícias deu não foi ao potencial acidente. Salientou, isso sim, que as conversas com os controladores são gravadas e, assim, se poderia esclarecer as causas do incidente. Até neste tipo de notícias a comunicação social toma  a nuvem por Juno. É triste e trágico!

quarta-feira, junho 10, 2020

Mário Centeno, Mariana Mortágua, Cecília Meireles, Duarte Pacheco, etc.
E Chaplin, António Silva, Duarte Pacheco, Beatriz Costa.


Um dia que tudo isto se resolva talvez eu possa contar o que têm sido estes meus dias. São tempos de mudança. Mudanças a vários níveis. Só me apetece mudar e assalta-me uma vontade quase incontrolável de desapego. Não é fácil explicar-me nem é fácil, sem ser descritiva, transmitir até que ponto estou nesta disposição de virar costas a coisas que, dir-se-ia, me são intrínsecas. 

Mas isto para dizer que são tão preenchidos e intensos estes meus dias que chego a esta hora avançada, a sentir-me cansada, incapaz de me pronunciar a sério sobre o que quer que seja. 

O pior é que, tarde e más horas, quando sossego, ligo a televisão a ver se me distraio e vejo meio mundo a comentar, a dar palpites, a agourar, a sentenciar, a arengar sobre uma coisa que deveria ser a mais normal do mundo -- a saída de Centeno do Governo. E ouço que agora querem impedi-lo de poder vir a ser governador do Banco de Portugal. Arranjam mil razões, inventam argumento, dão testemunho, põem ar de doutores. Sabem tudo. Se alguém se distingue por ser competente logo há quem salte para os balcões da televisão com uma infinita e repetitiva converseta da treta. Circulam entre telejornais, noticiários, programas de debate de pechisbeque, repetem o que já disseram e escreveram noutros lugares -- e mostram que isto é uma terrinha de vizinhas, de comadres, de intriguistas, de gente de olho gordo. Em vez de quererem que gente competente esteja em lugar onde a inteligência seja uma mais valia, parece que querem é que o lugar seja ocupado por morto-vivo, múmia cega e surda, carlos costas de rabos pelados que deixam que tudo aconteça debaixo do nariz sem nada verem, sem que de nada saibam e elencando argumento para desfiar desculpas. 

São deputados e ex-deputados, advogados, ex-directores de jornais. Sempre os mesmos, sempre os mesmos trejeitos superiores, sempre aquela pseudo-sabedoria encardida a armar ao pingarelho. Não quero já nem saber se são competentes ou o escambau. É a atitude. Quando entrevisto candidatos para virem trabalhar para as minhas equipas o que eu quero perceber é se são gente boa, gente com boa atitude, gente franca, gente humilde, bem formada, gente que goste de trabalhar em equipa, que seja tolerante. Não quero gente cagona, de nariz empinado, gente com o reizinho na barriga, gente que pensa que sempre estará por cima da carne seca, gentinha armada ao pingarelho.

Mas esses não são os critérios de quem escolhe comentadores e comentadeiras. A televisão está cheia de gente que eu não queria nas minhas equipas nem pintada. A Mariana Mortágua, por exemplo. Não há pachorra. Arma-se em sabichona, em putativa madre superiora disfarçada de vingadora dominatrix. Ou a Drago. Versão délicatesse da Mortágua. Ou o cardeal, o Louçã. Acha-se superior. Mas superior a quem? Em quê? Não sei. Não aguento arrogância. Não digo que por vezes não tenham razão. Digo que são insuportáveis. Uma sociedade em que intragáveis destes estivessem em maioria haveria de ser pior que viver num convento de freiras do século passado, com castigos, maus tratos, sevícias de toda a espécie.

Ou a Meireles na Assembleia, porta-voz. Sempre com cara de má, sempre roída de azia. Ou aquele super-músculos que, para além dos músculos, só tem cabeça mas, infelizmente, oca, o Duarte Pacheco. O que ele diz, senhores. Parece daqueles pintas de província que se encostam à porta da taberna, armados em bons, faço e aconteço, mas que não passam de uns coitadinhos.

Mesmo dos outros, dos que são supostamente não políticos, na televisão, já não os aguento, um enxame de comentadores que só mastigam e remastigam o regurgitado uns dos outros. Nenhum quer ficar atrás dos outros. Inventam desgraças, antevêem desaires, antecipam litígios. Cada um vê mais problemas, vê antes dos outros, adivinha-lhes, antes dos outros, a gravidade. Aves agoirentas, urubus, papagaios. Não tenho paciência. Espremido é zero.

Só desejo é que o Governo tenha arrojo, visão e arte para dar um piparote em velhos hábitos e para levar o país para melhores caminhos. Para mim, ao contrário do joker pintarolas, Portugal está bem quando os Portugueses também o estão. E é isso que tem que acontecer durante o período que aí vem. E que Centeno continue a ser bem sucedido por todo o lado por onde ande e que continue a ser útil ao País.


Tirando isso, depois dar nomes a alguns bois, pena tenho é que não possa mesmo pegá-los pelos cornos. E agora apetece-me é ver vídeos como estes aqui abaixo. Com vossa licença, deixe que os partilhe convosco.








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As fotografias são de Patrick Demarchelier

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E um bom dia de Camões, da Língua e de Portugal.

sexta-feira, maio 15, 2020

E sobre esta pseudo coisa entre o Marcelo e o Centeno não há nada a dizer?
Pouco. Muito pouco. Tenho mais que fazer. Por exemplo, escolher o tipo de máscara mais indicado para mim.
Ou ouvir o que Arthur C. Clarke previu em 1964.
Mas, entretanto, daqui lanço um desafio: bora lá tratar de coisas sérias, Senhor Presidente...?


Há problemas e o que está a acontecer é uma fractura na linha do tempo. O mundo está a mudar e, se não está, devia. Há reflexões a fazer e elas têm que ser feitas. Se não as fizermos revelaremos menos inteligência que o corona, esse merdinhas que nem gente nem bicho é. 

Do que há a pensar ou a equacionar não faz parte as abelhudices do Marcelo, as birras do Marcelo ou os chiliques que envolvem uns tantos quantos ou as tesões do mijo de uns e umas comentadoras que vivem de chafurdar no que está a dar. 

Não há pachorra para andar por aí a querer fazer ao Novo Banco o que os de má memória fizeram ao BES. Não há pachorra para conversas da treta, ainda por cima por motivos estúpidos e fúteis. Os tempos em que uma zinha qualquer ligava à miga para que ela assinasse de cruz o fim de um banco já lá deviam ir. Rebentar com um banco não é só dar um tiro no meio da testa de uns quantos privilegiados: não, é mais, é muito mais, é dar um tiro na testa de muitos milhares de pessoas que lá têm as economias de uma vida, é dar cabo de muitas pequenas e micro empresas que lá têm os seus bens, é dar cabo de uma instituição onde trabalham muitas pessoas. Só gente irresponsável, ignorante ou populista é que o defende sem sequer avaliar as consequências do que está a defender.

Que um banco, muito mais um banco que esteja a ser apoiado, deve ser auditado, disso não restam dúvidas. Deve ser auditado e espera-se que o zombie Carlos Costa esteja, por uma vez, a assumir a sua responsabilidade, garantindo que a entidade a que preside esteja a fazer o seu trabalho. Admitindo que isso está a ser cumprido, então resta aos demais cumprirem com as suas obrigações. Se a obrigação, aceite e aprovada em sede de OE, passa por fazer o que agora anda por aí nas bocas de uns e outros, então não é tema.

E o Marcelo, uma vez mais, anda a ceder à sua veia de comentador e à sua atração fatal pelo mediatismo. Fica-lhe mal. Zinhices não ficam bem a um presidente.

O que eu gostava mesmo de o ver a patrocinar era outra coisa: era discutir o futuro. 
Os nossos hábitos de consumo, a nossa forma de viver, viajando como doidos, poluindo, consumindo absurdamente, dependendo em absoluto do que vem de fora, passando a maior parte do dia fora de casa, no trânsito, longe da família, sem tempo para nós.  
E, por outro lado, meio mundo trabalhando na sombra, anjos invisíveis, trabalhadores provisórios, precários, mal pagos, trabalhando horas e horas na sombra, nos bastidores do mundo, de madrugada ou durante a noite, incógnitos e esquecidos. 
Este é o mundo que queremos?

Era para discutir isto que Marcelo deveria convocar a sociedade.

Organize debates, organize grupos de trabalho, dê visibilidade às suas discussões, Professor Marcelo.

Escolha os melhores. Cientistas de todas as áreas, sociólogos, urbanistas, humanistas, artistas, estrategas de verdade, filósofos, gente de bem, jovens, gente madura, gente velha. Gente que seja inteligente. Burros não fazem falta numa discussão deste tipo. Chame-os. Desafie-os. Peça-lhes propostas. Garanta que as melhores propostas são testadas e, se provarem, que sejam passadas à prática.

Se o fizer, já sabe, cá estarei para lhe enviar daqui a minha força.

NB: O João Miguel Tavares não encaixa em nenhum destes grupos, ouviu, Prof. Marcelo? Não o chame para isto que isto é areia demais para a camioneta dele. OK?

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Mas, entretanto, convido-vos a ouvirem o que o Arthur C. Clarke disse vai para um montão de anos. Há gente que vê ao longe.


Será que isto era mesmo ele a falar ou é tanga, alguém agora a fazer lip sync?

Sei lá, já não digo nada.


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Matthias Kretschmer anda a inventar máscaras à maneira, á razão de uma por dia.
Sarah Cooper também se tornou viral: misturou o corona com o Trump e deu nisto.
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E uma feliz friday!

quinta-feira, maio 14, 2020

Lentidões, chuvas, azuis, um quarto com vista, um sonho dentro do sonho






Na volta, a chuva desfaz as ondas espaciais e o que aqui chega já vem deslassado, uma rede desmanchada. Mal consigo fazer alguma coisa no blog. Esta lentidão também me deslassa a vontade e o pensamento. Chove que deus a dá. Todo o santo dia. Escuro chuvoso, frio. A net, que é móvel, está empanada, sem mexer.

Há bocado, depois de um dia de trabalho e estando a janta despachada, sentei-me no sofá a ver se via as notícias, o meu marido ao meu lado. Ao fim de cinco minutos estava perdida de sono. Encostei a cabeça e foi tiro e queda. Passados uns minutos, ouvi os meninos e a minha filha a rirem. Admirados, como é que consigo dormir assim, sentada, a cabeça para trás. Elucido: quando me sinto cansada, basta encostar a cabeça, adormeço instantaneamente. Dormi uns dez ou quinze minutos e foi pena que fossem tão poucos. Mas soube-me bem.

Agora aqui, passa da meia noite e nada aqui mexe. O blogger está mudado e, até para escrever um post, me vejo à nora sem descobrir onde foi parar o lugar disso. Tenho que arranjar um turn around. Temo que um dia também desapareça esse subterfúgio e que fique sem ter como continuar a escrever. Coisas esquisitas que acontecem. Em cima disso, volta e meia fica tudo branco, a bolinha pensadora a andar è roda. Impaciento-me com isto tudo. 


Chove com força. Sei que houve para aí cena armada em volta do Centeno mas nada disso me assiste. Apanhei as parangonas mas com desinteresse. Cá em casa ninguém liga a nada disso. Frioleiras, vizinhices, futileiras, cagadinhas em três actos. Não sei de que se trata mas entre o Centeno, com o seu ar de bom algarvio, com mil provas mais do que dadas, e a Mortágua com ar de dominatrix, a Drago, histérica a cansativa, ou outras que tais dou o meu voto ao Centeno. E isto sem saber de razões. A competência a e honorabilidade de um homem (ou de uma mulher) está muito acima do mediatismo, do imediatismo, do populismo, das cegadas que animam os media e pagam avenças a comentadeiros a metro mas pouco esclarecem. Nisto do BES ou Novo Banco quem fez porcaria, e porcaria da grossa, quem agiu levianamente (e, cá para mim, até ilegítima e a ver se não criminosaente) foi aquela maltosa dos PàFs com o beneplácito dessa alforreca que dá pelo nome de Carlos Costa. Tirando isso pouco mais tenho a dizer. Que Rios, Louçãs e demais acólitos se catem.


Tenho ainda a dizer outra coisa: não há pingo de pachorra para o ar e tom do rodrigo Guedes de Carvalho. Deu em pastor evangélico do reino de são covid. Sermões por tudo e por nada. Mal se percebe que vai começar com o sermão, fugimos a sete pés. Não sei o que lhe deu mas é insuportável. Beato, sentimentalista, padrecas, catequista, mestre escola do tempo da outra senhora. Nem sei. Não consigo aturar mais do que um minuto.

De resto, tenho a dizer que, a nível profissional, se prepara o regresso mas tudo na base do devagar-devagarinho, da prudência. Não consigo imaginar bem como vai ser a nossa vida. Nem quero pensar bem nisso.

Nesta vida protegida, consolo-me a ver como os meninos andam felizes, rosadinhos, bem dispostos. Vejo-os nas aulas, vejo-os brincalhões, queridos. E recebo fotografias de desenhos do bebé e encho-me de saudades dos que não estão aqui comigo. Essa é que é essa.


O meu marido foi ao supermercado à hora de almoço. Não trouxe metade do que pedi e, do que trouxe, trouxe em dose dupla. Pedi uma pá de porco, por exemplo. Trouxe duas, ambas gigantes. Para quê? Para andarmos a comer coisas repetidas? Não faz sentido. Fiz logo uma para o jantar. Assei no forno com batatas normais e doces, também assadinhas. Ficou um tabuleirozão quase a deitar por fora. Quando apareceu na mesa, cheiroso e dourado, despertou a gula. Mas acharam um exagero de muito. Pensei o de sempre, na minha inocência: a ver se dá para o almocinho de amanhã. Mas comeram de dar gosto. Sobrou mas não que dê para todos. Só depois me lembrei que eu devia era ter jantado chá. Por isso, amanhã ao almoço não digo que chá mas talvez kefir com fruta fresca e frutos secos. Se bem que os frutos secos também me insuflem. Se, ao menos, eu pudesse fazer big caminhadas sempre ia derretendo. Mas, com esta chuva, nem isso. Como é possível que este ano chova tanto...? A nossa terra vai ficar limpinha, despoluída, lavadinha. Está coberta de um musgo dourado, macio e bonito. As árvores e os muros têm líquenes. Os pássaros cantam de dar gosto. Só não é bom o frio e que fique tudo tão escuro. Faz-me muita falta o sol, a luz, o calor.

Tenho muito trabalho. O meu marido e a minha filha dizem que não faz sentido eu trabalhar tanto. Talvez. O meu filho também acha que não deveríamos trabalhar tanto, há tanto tempo. E, por vezes, sinto-me exausta, sem tempo para mim. Repito-me, não é? Passo a vida a dizer o mesmo. Mas a minha vida agora é isto e pouco mais tenho para dizer. Acho que mal me apanhe mais à solta e com bom tempo vou ter muita dificuldade em não mandar o corona à fava.


Isto está tudo desconexo. Uma mantinha de retalhos. Mas não dá para  mais. Duas e tal da manhã. A net mais do que a pedal, quase não consigo mexer nisto. O editor do blogger todo desaparafusado. Uma lástima.

Vou mas é preparar-me para ter um sonho bom, a dream within a dream do Edgar Allan Poe. Rodeei-me do azul do Klein e, por causa das coisas, do Room with a view do menino Yiruma. Bem acompanhada estive. 


E  um bom dia.

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

E então agora, ó sô Dona Santa Mana Joana, não vem pedir desculpa ao Ministro Centeno?
E não vem explicar aos portugueses porque é que se prestou, uma vez mais, ao papelão de pôr o MP a servir de arma de arremesso a favor dos ex-PàFs, Observador, Correio da Manhã e demais baderneiros?
Não vem explicar-se junto dos portugueses por desperdiçar recursos e gastar dinheiro para andar a brincar aos polícias atrás de gente de bem?


Transcrevo:
O Ministério Público (MP) arquivou o inquérito que envolvia o ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre alegados benefícios em troca de bilhetes para um jogo de futebol do Benfica, revela hoje a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).
Numa nota divulgada na sua página da internet, a PGDL justifica que o MP determinou o arquivamento do inquérito por inexistência de crime.
"Realizado o inquérito, recolhida a prova documental e pessoal necessária ao apuramento dos factos, o MP concluiu pela não verificação do crime de obtenção de vantagem indevida ou qualquer outro, (...)"
"O MP no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa ordenou a instauração de processo-crime na sequência da publicação nos órgãos de comunicação social de notícias sobre a solicitação de bilhetes para assistência a jogo de futebol no dia 1.04.2017 em tribuna presidencial"
Mais uma vergonha para a Santa Mana que, na verdade, tal a anedota a que se prestou, desta vez se estampou contra o muro da realidade em menos de um foguete. Uma vergonha.

E eu pergunto se esta gentinha que se prestou ao papelão de andar a invadir gabinetes do ministério à procura sabe-se lá de quê só porque lixeiras a céu aberto travestidas de jornais resolvem enlamear o bom nome de um homem de bem, não é punida. Não?! Podem, sem razões válidas, gastar dinheiro que é público ou alocar recursos que deveriam andar a impedir homicídios de mulheres ou a descobrir quem é que os alemães corromperam lá no tal negócio dos submarinos... e nada lhes acontece?

E os comentadores que as televisões contratam para andarem a farejar o lixo que baderneiros lançam na opinião pública e que a Santa Mana Joana amplia, prestando-se ao papelão de armar barraquinhas mediáticas com a comunicação social avisada em tempo real das buscas e das respectivas razões, vão continuar a poluir o espaço público?

E os Paf's que apareceram a dizer que estes escândalos afectavam o prestígio de Centeno e do Governo não vão aparecer de corda ao pescoço a confessar a sua monstruosa burrice? E as galinhas sem cabeça que queriam ir para o Parlamento Europeu lavar roupa suja não nos aparecem agora a pedir a sua própria demissão? Vão continuar a viver à custa do erário público para andarem feitas bichas de rabiar a poluir o ambiente político?

Bem.
(Farta desta cambada. Farta. Farta. Farta.)
Descredibilizam a política, descredibilizam a justiça, descredibilizam o jornalismo. E, aparentemente, podem fazê-lo porque, por mais que enlameiem aquilo em que tocam ou de quem não gostam, nada lhes acontece.

E Marcelo Rebelo de Sousa, que tão lesto é a comentar tudo e todos, a distribuir abracinhos e beijinhos, não nos aparece agora a dar um murro na mesa e a criticar os pseudo jornalistas, os pseudo políticos, os pseudo juristas?

Devia.

Bem que fazia falta o seu poder de influência para dar um chega para lá nesses verdadeiros agentes do populismo e da anti-democracia. E quem diz um chega para lá, diz uma ensaboadela ou um tabefe pedagógico. Ou isso ou arranjar maneira de alguém colocar um par de patins nessa gentinha -- qualquer coisa que deixe pela rua da amargura perante os portugueses esses poluidores da sanidade democrática do País.

PS: E já nem falo na sistemática e vergonhosa fuga de informação e violação do segredo de justiça que o Ministério Público continua a permitir (ou a favorecer?) incentivando os julgamentos prévios na praça pública. 
O que se está agora a passar com o que envolve o Juiz Rangel, a ex-mulher e mais meio mundo é uma vergonha. O MP desconfia e, ainda não sendo eles sequer formalmente acusados de nada, já os jornais, rádios e televisões não fazem outra coisa senão espalhar as desconfianças que resultam das espiolhações meditático-investigativas (exemplo: onde guardava o dinheiro, que quantidade, em notas de quanto, o que disse, quem lhe pediu, o que ele terá feito). Crucificados na praça pública antes de se saber, sequer, se há fundamento. E isto, claro, sob o muito pouco diáfano manto do dito """""""segredo de justiça""""""" (e ponham-se muitas aspas na coisa!).
Não deveria Marcelo Rebelo de Sousa dizer publicamente que esta pestilenta actuação do MP que enlameia e desacredita tudo e todos (e, em especial, a Justiça) merece forte repúdio por parte dele e dos portugueses e que deve acabar -- e é já? Eu acho que deveria. Aliás, estou à espera disso.
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E, por ora, nada mais a dizer.

Só duas sugestões.

Primeira: da próxima vez que quaisquer dos intervenientes (directos ou indirectos) na palhaçada dos bilhetes da bola do Centeno resolva fazer nova gracinha, se apresente ao público devidamente fantasiado como os dois grandes líderes que aqui mostro. Assim, a gente via logo que lhes estava a dar, uma vez mais, para o cómico-burlesco.

Trump by Scott Scheidly
Putin by Scott Scheidly

Segunda: em vez de maçarem a malta com investigações fajutas, com comentários abstrusos ou politiquices da treta, dediquem-se mas é à dança, mas uma dança a preceito. Para aprenderem uma coreografia a preceito, partilho o vídeo da Apple Angel, uma madama que, ao contrário deles, é muito aberta na sua forma de actuar.

E, então, agora avança tu, Apple Angel, mostra-lhes como é


Calma: não estou a sugerir esta coreografia à mais competente P-G de que há memória. Nada disso. Alguém imagina a Santa Mana Joana com tatuagens e fio dental? Nop, né? Portanto, nada de ideias peregrinas. Para a Santa Mana Joana tenho que descobrir outra coreografia.

Esta da freira vampira? 


Nop. Esta é feia, mete medo, nada que se pareça com a nossa competente e diligente Santa Mana Joana. 

Tenho que procurar outra. 

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E até já.
Vou escrever uma coisa de resposta a umas Leitoras.
Se não conseguir acabar (fotografias ou música, por exemplo) tentarei acabar de manhã cedo ou à hora de almoço.

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terça-feira, janeiro 30, 2018

Três acidentes de percurso e quatro manas olharapas




Se me recordo de tudo o que aqui já recordei fico a pensar que, na volta, sou um cromo (cromo no feminino, bem entendido). No entanto, se me vir ao espelho, acho-me normal. E, dizendo isto, não sei qual a imagem que melhor me representa. Não quero induzir os meus leitores em erro nem vender gato por lebre mas, na verdade, não sei bem como me caracterizar. Maluca, excêntrica, normal - ou talvez um misto, de tudo um pouco.

Portanto, ficamos assim (que não interessa aprofundar muito mais até porque muito mais abaixo apenas há núsculo, tendões, ossos, vísceras, coisecas nessa base -- ou seja, miudezas sem nada de especial).

Isto porque, no meio de tudo o que já fiz, disparate que até ferve, há alguns que podem parecer coisa de cabeça no ar. E, na volta, é isso mesmo.

Conto. Tinha uns sapatos em bordeaux escuro, salto bem alto, corte clássico; e tinha outros, num tom parecido, a pele numa textura um pouco diferente, com um corte mais elegante e salto igualmente alto.

Um dia, estava eu a falar no corredor com um colega, já depois de duas reuniões, calha olhar para os pés, pensativa, e... caneco!, um sapato de cada nação. Quando me viu estupefacta a olhar para os pés desatou a rir. 'Não acredito...', gemi eu. Consolou-me: 'Deixe, ninguém vai dar por nada.'. Ai não... Fui ao gabinete, peguei nas chaves do carro e aí vai ela, direitinha a casa a trocar um dos sapatos pelo par do outro.

Moral da história?

Um desatino. Volta e meia vou no carro, no pára-arranca, e dá-me uma daquelas dúvidas assassinas: 'Será que não venho com sapatos trocados?'. Tento espreitar e não consigo: os pés estão lá em baixo, fora do meu ângulo de visão. A minha vontade é ligar os quatro piscas, situação de emergência, encostar para sair e inspeccionar bem a coisa. Mas não sou maluca a esse ponto e, portanto, lá vou toda a viagem a pensar no que me espera. O que vale é que, mal me distraio, me esqueço porque, quando digo 'toda a viagem' não é bem 'toda a viagem', é só enquanto os meus neurónios não partem para outra.

Mas a quem nunca aconteceu, posso afiançar: é traumatizante.

Claro que nada tão angustiante como deve ser a de um homem que esteja em público e verifique que tem a braguilha aberta -- e fique na aflição de ter que escolher entre dar o flanco e atirar-se impudicamene ao fecho das calças ou fazer-se de lelé, fingir que não está a dar por nada, e continuar airosamente de cueca ao léu.


Já contei a cena do meu colega que passou por uma cena do além e de que ainda hoje, sempre que me lembro, me desato a rir. Estavamos quatro sentados em volta de uma pequena mesa. Ele enorme, de pernas abertas, afastado da mesa. Chega-se uma ilustre desconhecida, segreda-lhe qualquer coisa bem no ouvido e deixa-lhe um papelinho.
Ah... não conto mais, não quero ser repetitiva. (Que cena mais hilária, aquela...).
Todos: 'O que é que diz o papel...?'. 'Diz lá, pá. O que é que diz o papel?'. E ele nada, mudo a olhar para o papel.
Pronto. Calo-me já. Não vou estar a contar as mesmas coisas.
Bem.

Há coisas piores. Há sempre coisas piores. Pode ser fraco consolo mas ajuda: há coisas piores, pode ser um mantra para uma hora difícil.

A deste escultor aqui abaixo que deixou cair a obra e a esborrachou toda deve tê-lo deixado mais desconfortável do que eu fiquei com um sapato de cada nação ou que o outro com a braguilha wide open.


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Claro que podia ainda falar daquele acidente no prestígio do País: a última macacada da Santa Mana Joana que, em vez de apadrinhar a investigação em coisas sérias, como para tal lhe falta o engenho e a arte, resolve derivar para a palhaçada e pôr-se a brincar às telenovelas mexicanas, agora envolvendo como suspeitos dois perigosos bilhetes da bola. Mas para esse peditório eu já dei e, de facto, na verdade só gabo a resiliência e o estoicismo de Centeno. Havia de ser comigo. Acho que até ia buscar, como assessora comunicacional, a minha cunhada que, quando está inspirada é mais apimentada que as peixeiras do Bolhão. A ver se não haveríamos de abater, com a pontaria da nossa língua afiada, muito comentador descerebrado e muito ex-paf que por aí ande perdido já a questionar se o prestígio do governo não está abalado. Tristeza, caraças. Por episódios como este, se conclui que há ainda um longo caminho a percorrer para sermos, de facto, gente grande.
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Mas pronto, para não me despedir só com acidentes, acabo com uma obra de arte. Melhor: com quatro obras de arte. Da imaginação de Alexandra Dillon saíram quatro manas olharapas com franjas artísticas a embelezar os sofisticados penteados.


Contudo, note-se que, quais ovelha Dolly ou macaquinhos Zhong Zhong e Hua Hua, há manas olharapas aos montes, todas almas gémeas, clones quase perfeitos


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E queiram continuar a descer que, já a seguir, temos Porto à moda dos bifes. Sempre bom. Seja qual a receita, é sempre bom já que a matéria prima é do melhor que há.

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segunda-feira, janeiro 29, 2018

Centeno e os dois bilhetes da bola.
Nuno Artur Silva e as incompatibilidades televisivas.
[E, quanto a submarinos ou Tecnoforma (ou mesmo violência doméstica), nada a declarar...?]


A verdade é que quase nada tenho a dizer sobre isto. Há alturas em que o ridículo cobre como sarna quem toma decisões que são tão estúpidas que custa a acreditar a quem as ouve.

Não sei quem é que teve a brilhante ideia no primeiro caso. Talvez tenha sido mais uma das ideias avançadas da Santa Mana Joana, essa sumidade de rigor, isenção e boa gestão. Se foi, é mais uma medalhinha que poderá ostentar na lapela, a juntar a todas as outras relativas a fiascos, passos em falso e palermices que apadrinhou.
Buscas no Ministério das Finanças, uma farronca justiceira e esdrúxula que não lembra ao diabo: como se ali alguém tivesse roubado alguma coisa, como se Centeno ou a sua equipa fossem vulgares meliantes. E os jornais, as rádios e as televisões, tudo na brocanlhice, a notiviar a baderna. Se o ridículo matasse, a Santa Mana já se tinha finado há que tempos.

A propósito da ida de Centeno à bola com o filho o que posso dizer é que não conheço os contornos já que foi tema que nunca me interessou -- mas, caraças, nem preciso de conhecê-los. Algum animal pensante acredita que Centeno se deixou corromper com dois bilhetes de futebol? Tenho cá para mim que só um néscio muito néscio acredita numa dessas. Estou em crer que nem a Santa Mana Joana ou o Super-Judge Alex acreditam em tal (e isto só para evocar duas sumidades na arte de bem avaliar situações). 

Ainda a semana passada, numa reunião, estive com uns colegas que foram a uns dados jogos a convite de uma certa empresa. Não fui porque ir ao futebol é coisa que não me assiste. Mas se fosse um concerto dos bons e estivesse para aí virada, era bem capaz de ir. E estaria eu a ser favorecida, corrompida ou comprada ou whatever por aceitar um bilhete...? Se alguém achar isso o melhor é que vá dar banho ao cão e, de caminho, se encha do mesmo shampoo e se enfie no mesmo alguidar a ver se a estupidez e as pulgas lhe saem de cima. 
Acredito que quem não costuma receber coisas destas ache muito mal e acredite que é favor que acabará por, de uma maneira ou de outra, ser pago. Pois façam fé no que vos digo: nem pensar. Quem se corrompe a sério, vende-se por muito mais do que uns bilhetes para a bola. Por muito mais, meus Caros. E fará as coisas bem feitas. Ninguém saberá de nada, não existirão provas. 

Agora ir à bola e estar ali à frente de todos? Isso é corrupção...? Caraças é que é. Por muito injusto que possa ser para quem tem menos rendimentos e nunca recebe facilidades ou prebendas que tais, a vida é mesmo assim, carregadinha de injustiças.

Convites para isto, aquilo e o outro...? A toda a hora. Read my lips: a toda a hora.

Já o expliquei e explico outra vez: há uma coisa que são os patrocínios. Quem patrocima um evento ou um clube tem direito a bilhetes. Melhor: muitas vezes o patrocínio traduz-me justamente em comprar antecipadamente parte dos bilhetes daquilo que patrocina. Depois obviamente não ficam com eles na gaveta. Distribuem-nos por amigos, clientes, etc. Imagine se um cliente, ao receber um convite para um espectáculo, reage: 'Não aceito. Sou um puro. Não quero ser corrompido'. Era a gargalhada geral no mundo do trabalho. Quem pensa assim, que vá para um convento ou que ponha a cabeça de molho.

Já o disse anteriormente: convites para cenas dessas, para viagens, almoços, pequenos-almoços executivos, conferências e o que quiserem recebo dia sim, dia sim. Geralmente nunca aceito. Aliás: raramente aceito (e ponham raramente nisso). Mas não é para não ser corrompida porque não sou de me corromper. Acredito que um dia ficarei muito rica -- mas será porque me há-de sair um jackpot chorudo no euromilhões. Não é, pois, por receio de ceder à tentação e vir a favorecer de alguma forma o ofertante: é simplesmente porque gosto de ser eu a escolher as minhas companhias e os meus programas e nas minhas horas vagas prefiro larear a pevide e não ter que fazer sala ou conversa de circunstância ou simplesmente dar de caras com colegas ou conhecidos do mundo profissional.

Quanto a terem despachado o Nuno Artur Silva depois do que ele fez na RTP e com o pretexto esfarrapado que usaram só tenho a dizer que decisões dessas são próprias de gente cobarde. De gente assim sempe ouvi dizer que não valem um caracol furado, que é como quem diz que dos pequeninos e cobardolas não se faz a história. 


Não vou dizer mais nada mas recomendo a leitura do artigo de Pedro Marques Lopes: O Nuno Artur, o CGI e a vitória da calúnia e do nojo



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Não gosto de viver numa sociedade em que se governa ou decide em função da vox populi da carneiragem ou em que se governa ou decide em função do medo da opinião das lavadeiras de roupa suja, das alcoviteiras de serviço os das virgens ofendidas que pululam nas redes sociais. Não gosto mesmo nada.
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Vou mas é escrever mais um post para a minha fofa mais doce. Quero mostrar-lhe uma coisa. Se não conseguir acabar agora de noite (estou com muito sono), tentarei acabá-lo de manhã.

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terça-feira, dezembro 05, 2017

A célebre expedição das cabeleireiras pafinhas ao Everest
que, como é sabido, levou Mário Centeno a presidente do Eurogrupo


Sobre a nomeação de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo e a propósito de certas reacções, podia limitar-me a dizer:


Mas vou dizer algo mais.

Com vossa licença, claro está.

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Quando, há un meses, Schäuble elogiou Mário Centeno fartei-me aqui de rir. Escrevi então O elogio, pela boca de Schäuble, de que Centeno é o Cristiano Ronaldo do Eurofin é a pimenta que faltava no cu de Passos Coelho.


Contudo, no dia seguinte, ao ler a opinião de gente sábia -- desde embaixadores a comentadores com pedigree, passando pela fina flor dos PàFs -- fiquei a achar-me uma eterna ingénua encartada.

Onde eu tinha percebido uma mudança de ventos, estes outros viram gozação -- obviamente o Schäuble está a gozar com o Centeno e só os totós é que acreditam em tamanha patranha, decretaram. Onde eu tinha visto motivo para me rir do Láparo, outros viram razão para se rirem, uma vez mais, do Centeno, esse pobre risonho com carinha de enjeitado.

A minha intuição fazia-me sentir que a Europa estava a querer começar a virar a agulha, rendendo-se à evidência dos factos e predispondo-se a arrepiar caminho depois de uma errática deriva austeritária, pressentindo que ou era isto ou acabaria devorada por dentro, pelo populismo, essa gangrena que se alimenta do descontentamento legítimo mas mal informado. 

Mas, onde eu via isso, outros, os inteligentes, sabiam que não, que a Europa de Schäuble e Dijsselbloem não cedia um milímetro nem descia do seu pedestal dourado para elogiar um pobre patareco vindo dos escafundós, do portugal dos pobrezinhos.

Pensei: que reacção mais naïf a tua, oh UJM, sua santinha desmiolada. Fosses tu mais esperta e terias percebido também que o Schäuble estava a gozar. Para a próxima, benze-te três vezes antes de acreditares no pai natal.

Entretanto, o tempo foi passando.
  • E depois de uma irrisória cruzada pàfienta, em que os direitolas-unidos tentaram derrubar o pobre Centeno com base em inocentes sms, sms essas que o próprio rei do big reality show se sentiu no direito de inspeccionar, 
  • depois do Láparo ir às lágrimas com as intervenções parlamentares do dito ministro-alvo-a-abater, 
  • depois da estonteante Teodora ter botado várias das suas prescientes faladuras ao alertar para os potenciais perigos das contas risonhas do ministro-risonho, 
  • depois da pinókia albuquerca ter demonstrado a sua veia de vendedora de banha da cobra dizendo, com ar doutoral, banalidades de pernas para o ar
  • e da Cristas da coxa grossa ter expelido mais uns quantos dejectos em forma de sound bites
a comunicação social começou a dar, finalmente, algumas tréguas a Centeno. Na verdade, não sabiam por onde pegar.
A dívida a dar sinais de querer baixar, o défice baixinho, baixinho como jamais se esperaria (ler jamé, se faz favor), o desemprego a baixar estupidamente, a confiança a subir... e cada vez menos por onde pegar.


E, na Europa, a possibilidade de Centeno ir para a frente do Eurogrupo ia ganhando terreno.


Mas Portugal não é amigo dos seus. Está na massa do sangue dos portugueses. Não sei se é dor de cotovelo, se é fatalismo. Seja por que for, a verdade é que logo, logo, saltaram as velhas do Restelo. 



Até o omnipresente rei do big reality belém show veio a terreiro dizer que, se a eleição acontecesse mesmo, não se esquecesse o ministro Centeno de fazer o trabalhinho de casa nem de quem é que lhe paga o ordenadinho e coiso e tal -- e que não viesse alguém dizer que ele, a omnipresente Voz, não tinha alertado.


E os das so called esquerdas-unidas também saltaram a pés juntos -- que não fosse o zé povo acreditar que ir o Centeno para a frente do Eurogrupo ia ser boa coisa, que não ia, que aquilo lá quer-se é nas mãos dos mais estafermos de entre os estafermos para haver quem corporize o mal dos males e eles, os das esquerdas-unidas, terem a quem apontar o dedo. 

E os mais catastrofistas, de cabeça perdida, já falavam como se ele, Centeno-o-risonho, caso fosse eleito, se preparasse para  largar o ministério das finanças português, não passando, pois, do novo durão, a alforreca nº 2. 


Mas, enfim, o caminho faz-se caminhando e o impensável aconteceu. 
Claro que, colateralmente, foi-nos dado observar o costume: o pequeno Cambalhotas fez mais um flic-flac à rectaguarda, os comentadores avençados afinal sempre acreditaram e sempre souberam que sim e já todos conhecem a história de trás para a frente. Os avençados têm que continuar a ganhar o deles. Fazer o quê?

Mário Centeno foi eleito e vai ser o próximo presidente do Eurogrupo. E eu, a simplória de sempre, apenas posso dar-lhe os meus parabéns, desejar-lhe boa sorte e esperar que aguente as pressões e os trabalhos acrescidos e que se aguente igual ao que é, simples, lúcido, equilibrado. E fiel ao seu ideário. Será bom para a Europa e, claro, também para Portugal. Não tenho reservas. Ter Mário Centeno à frente do Eurogrupo é melhor que ter o Dijsselbloem ou qualquer outro da mesma linha. Centeno, ao longo da sua vida profissional tem sabido provar -- e é isso que espero que continue a acontecer.



Enquanto isso, Costa soma e segue. Inteligente e determinado como poucos, pode faltar-lhe alguma queda para os perdoa-me e para os beijinhos, abracinhos e selfies mas parece decidido a continuar a mostrar à Europa que há uma alternativa à austeridade-custe-o-que-custar. E isso é bom. 

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Portanto, quase a terminar, aos incrédulos, aos cépticos, aos catastrofistas, aos velhos do restelo e a tuti quanti só tenho a dizer:


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E aos Pàfs, ex-PàFs e candidatos a PàFs que acham que a eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo se deve também ao lindo trabalhinho que Passos Coelho, o ex-irrevogável Portas, a Pinókia, a Cristas da Coxa Grossa e restante trupe fizeram antes, o que tenho a dizer é que só me fazem a lembrar a expedição de cabeleireiras ao Everest. É ver.


Monty Python e a expedição de cabeleireiras ao Everest



Muito boas, as meninas pafinhas...

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E um dia muito feliz a todos quantos por aqui passam.

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terça-feira, setembro 19, 2017

Casais improváveis
[Com um número extra em pós post: o casal maravilha cuja missão seria, nada mais, nada menos, que a procriação]


(diz-se ter fixação em ou fixação com? -- volta e meia tenho destas ocorrências, fico sem saber; e é que a gente a falar é mais ou menos na base do 'olha, já foi' e bola para a frente, a asneira fica para trás. Aqui não, aqui, se a gente diz um disparate, fica escrito saecula saeculorum, uma responsabilidade), 
lembrei-me, dizia eu, que, se tivesse um meio televisivo à minha disposição, inventava um programa daqueles em que se colocam pessoas em situações que induzem o romance. Podia ser daqueles em que fazem perguntinhas pessoais, e eles tête a tête, e às tantas a coisa já começa a ficar morninha, depois quentinha, e a gente a ver que a intimidade já se abeira e que, a bem dizer, já estão capazes de sair dali e ir fazer um cafuné um no outro, beijinho aqui, beijinho acolá e, pumba, truca-truca, coisinha mai boa.


E até aí tudo bem. Déjà-vu. A net cheia disso. O picante da coisa estaria nos parzinhos que eu ia arranjar. 

E é aí que entra a conversa do Valupi. 

Dois que eu poria numa de a ver se rola seriam o Sócrates e a Helena Matos. Haveriam de começar numa de arrogância para aqui, arrogância para acolá, chispas a tordo e a direito, desprezo, cada um mil vezes superior ao outro, cada um a cuspir para o chão, ódio e mais ódio. Mas depois, não sei cá porquê, a ver se não saíam de lá os dois com sorrisinhos cúmplices, tímidos e malandros e a gente a ver onde é que aquilo ia dar. Até um livro a meias haveriam de publicar. E a ver se ele não fazia um restyling naquele ar pingão dela. Haveria de ficar uma giraça, toda bué produzida, toda ela chameguinhos bons no Zé.



Outro casalinho: o Láparo e a Catarina Martins. Ele armado em superior, sensaborão, boca retorcida, a fazer perguntas parvas. Ela, ao princípio, sem ter jeito, furiosa, incapaz de se articular com aquele coiso. Depois, lembrando-se do objectivo do programa, artista, olhinho sorridente, boquinha marota, a dar-lhe a volta. Daqueles apanha-os ela à mão. No fim, quando ele estivesse a piar fininho e a vir , de facto, já comer-lhe à mão, aposto que ela desatava a rir pela ratoeira que lhe tinha armado. Querias, não querias, ó láparo...? Pois é, querias... Mas não vais ter. E a ver se desta não vais, no futuro, aparecer a gabares-te de que, se quisesses, tinhas feito e acontecido... Tinhas uma ova, ó láparo. Como diz a Constança Cunha e Sá, 'se cá nevasse, fazia-se cá ski'. Ahahahaha. Ganda asinino, este láparo. Haveria até de chamar as manas Mortágua para, as três, rebolarem a rir da partida que ela tinha pregado ao láparo.

Mais um: o Centeno e a Pinóquia Albuquerka. 

Ela a começar feita cagona e ele todo pacholas, com uma paciência danada, ela toda peixeira e ele professor, ela a dizer cavaladas e ele, didáctico, a explicar-lhe que não, nada disso, ora pense lá melhor. E, no fim, ela já toda derretida, já até esquecida do sarrafeiro que lá tem em casa. E o Centeno, apesar de tímido e com aquela carinha de anjolas, a lembrar-se da macaca que é ela -- e a mandá-la bugiar. Olhe, Drª, porque não vai antes dar banho ao cão do Schäuble?


Mais um casaleco: João Miguel Tavares e Fernanda Câncio. Bem. O que haveria de ser. Faíscas, raios e coriscos. Cá para mim, aqui não havia química possível, a coisa haveria de acabar ao estalo. Ela nele, claro. E ele, feito parvo, a tentar fazer trocadilhos. Trocadilhos pirosos, de mau gosto, a ver se se fazia engraçado. E ela, furibunda, a começar por lhe atirar água a cara para acabar a tentar agredi-lo, a produção do programa a agarrá-la, a chamá-la à razão. E o outro, todo totó, cheio de medo, a inventar desculpas, todo tantã, o tatibitate do costume.


E ainda mais um: o Mexia, Pedro Mexia, com a Cristina Ferreira. Ela a querer pô-lo a dançar, ele a querer falar de literatura, ela a rir escaganifada e ele, atrapalhado, sem saber se rir, se chorar, ela a fazer-lhe perguntas inconvenientes e ele sem saber como limpar tal nódoa do seu exemplar cv sem ser rude, e ela a piscar-lhe o olho, depois a descalçar-se e a enviar o pé pela perna das calças e ele, a fazer de conta que não estava a dar por nada, e a perguntar-lhe qual o autor preferido. No fim...? Pois, neste caso, não arrisco palpites.


E, para terminar, o casal que se impõe: Valter Hugo Mãe e Cátia Palhinha. Sabido é que o Valtinho tem um problema: não consegue ter um filho. Presumo que tenha tentado. Contudo, como penso que o seu clube de fãs seja constituído maioritariamente por senhoras menopáusicas, a coisa não lhe tem corrido de feição. Vai daí, mandaria vir uma fogosa mulher, e até a poria vestida de agente da Cruz Vermelha que o tema é de cariz quase social tantos os lancinantes apelos que o nosso bardo tem lançado. Diria mesmo que aconselharia a que a célebre Palhinha fizesse uso do seu golpe de magia que, como se sabe, se traduz em, do nada, mostrar uma passarinha. Penso também que é o tipo de mulher que deixaria o Valtinho inspirado em todos os sentidos, incluindo no bíblico. Cá para mim nem seriam precisas as trinta e tal perguntinhas da praxe nem os olhos nos olhos do costume. Capaz até da coisa pintar e rolar logo ali. Um pico de audiências nesse dia.



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Podia continuar. Bloggers. Também arranjava uns casalinhos improváveis. Estou aqui danadinha para lançar uns quantos à liça. Mas pronto, fico-me por aqui. Um dia que me reforme e que crie um canal de youtube logo ponho as minhas ideias em prática.


A imagem de abertura do programa -- que se chamaria Love is the air -- poderia ser, por exemplo, qualquer coisa romântica deste género:


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