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quinta-feira, julho 04, 2024

Sabem quando é que eu verdadeiramente percebo que não estou a ir para nova...?

 

Quando vejo fulanos que conhecia novos, e acho que não assim há tanto tempo, e que agora me aparecem como tipos já entrados, fico parva a olhar para eles, a tentar perceber o que é que me escapou....

Por exemplo, agora na RTP 1, está a Fátima Campos Ferreira, com aquela sua voz que parece que quer disfarçar cumplicidades ou afectos proibidos (isto quando não fala como se estivesse a lidar com crianças), a falar com o Pauleta.

Ora, alguém me explique... o Pauleta não era um rapaz novo? Estou equivocada?

Agora está ali um que podia ser o pai dele mas que, pela conversa, se percebe que obviamente é ele.

Fui agora consultar os astros e vejo que tem 51 anos. Ora se ele deu um tal salto quântico, passando quase de súbito de jovem futebolista a um belo homem grisalho, cheio de patine, como posso eu continuar a ser a alegre e inconsciente teenager que por vezes julgo que sou...? Não posso, não é...?

Só visto. Há coisas que não se percebem. 

Enfim, nada a fazer. É o que é.

quinta-feira, janeiro 18, 2024

Só para saber se ele sempre teve olhos azuis

 

Numa operação de zapping, comecei pela 1. E passei pela Fátima Campos Ferreira, naquele seu tom repuxado, quase gongórico, a entrevistar o José Luís Peixoto. Sei que é escritor renomado, um dos mais publicados e, se calhar, até lido. 

Quem por aqui me acompanha saberá que, nesta como em muitas outras coisas, não sou flor que se cheire. Não é por mal nem para chatear nem para mostrar que sou diferente mas a verdade é que tendo a não gostar do que é consensual para a maioria das pessoas. Não gosto nem deste fofinho nem do fofinho Valter Hugo Mãe nem do fofinho em versão tentativamente alternativa Gonçalo M. Tavares. Não fazem o meu género nem como escritores nem como pessoas. 

Mas, lá está, posso ser eu que vou em contramão na autoestrada. Se calhar estes fofos, simpáticos, que gostam de se fazer passar por simples, quase simplórios (e, se calhar, estão a ser genuínos), são como é suposto os escritores fofos serem e eu é que não atino pois toda a gente, menos eu, sabe que os escritores se querem fofos e que, os homens em geral, se querem também muito fofos. E se há algum Editor aí desse lado que não concorda pois que faça o favor de o dizer.

O que aconteceu é que o meu marido quase saltou da cadeira quando viu aquele dueto: 'Não vais pôr-te a ver estes dois pois não?'. Sosseguei-o, que não, mas que pacientasse durante dois minutos só para eu aferir a minha opinião. Não precisei de dois minutos. Mudei. Aquela pessoa que ganha a vida a ser escritor não faz o meu género. Agora com uma coisa fiquei eu estupefacta: apareceu de olhinhos azuis clarinhos. Ora juraria que é moreno de olho castanho. Ou não? Sempre foi fofinho de olho azul ou, para reforçar a fofura, resolveu aplicar lentes cor de olho de boneca?

Só isso. A quem puder esclarecer, agradeço.

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Aqui neste vídeo não se vê bem mas, no plano que calhei apanhar, eram azulinhos, azulinhos sem tirar nem pôr.

Fátima Campos Ferreira em Primeira Pessoa com José Luís Peixoto


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PS: Mas não sou só niquenta com os nossos fofos escritores-estrela. Tenho muito mais opiniões assim que fazem com que frequentemente me sinta carta fora do baralho. Quando meio mundo gaba a última obra ou a qualidade da escrita ou a honestidade da narrativa de vários outros eu salto fora, assumo-me como freak, digo logo que o mal é certamente meu. Por exemplo: Lídia Jorge. Prémios e mais prémios. E, no entanto, como escritora não tenho paciência para ela, acho-a uma maçadora. Portanto, estão a ver. 

terça-feira, março 17, 2020

De um lado, Fátima Campos Ferreira e os ventiladores, Jorge Buescu e as previsões e Marcelo e a self-quarentena.
Do outro, Pedro Simas e a inteligência (e o garbo), Patrícia Gaspar e a lucidez, Marta Temido e Graça Freitas e a sabedoria e firmeza, António Costa e a liderança e Rodrigo Guedes de Carvalho e o jornalismo como serviço público.
Tudo isto em tempos de COVID-19, essa besta invisível de mil patas.





Nem consigo descrever o meu dia de teletrabalho. Não sei em que mundo é que eu vivia quando imaginei que estando em teletrabalho in heaven, ia conseguir ter tempo para limpar a casa, para dar umas voltas pelo arvoredo, quiçá estar ao computador enquanto, estendida na espreguiçadeira, apanhava uns retemperadores banhos de sol. Não sei mesmo. 

Trabalhei de manhã à noite, quase sem tempo para pôr o almoço ao lume, quase sem tempo para confraternizar com o meu roommate. E limpar a casa, claro, nem pó. Estes dias têm estado a ser muito difíceis. As empresas não estavam preparadas para isto e de uma semana para a outra pô-las a funcionar com cada um em sua casa e, na frente de batalha, as baixas a começarem a acontecer, dia após dia, e a gente a querer que as tropas se mantenham no terreno, não é fácil. E, pelo meio, articular tudo, assegurar a comunicação entre todos. E a toda a hora a receber mails de outras empresas a informar que vão deixar de prestar os serviços, e as coisas que estavam encomendadas a nunca mais chegarem e a gente a pensar que, um dia que as coisas cheguem, pode não estar ninguém nos locais para as receber. 

E todo o dia, de manhã cedo à noite, mails, telefonemas, videoconferências.


E os meus filhos em casa com os miúdos e a preocupação que tenho por eles e eu aqui longe deles, que pena, que saudades. E os meus pais, que tripla preocupação. E a minha mãe que não era capaz de me encaminhar uma receita e toda ela, enervada, a suspirar, com vontade de não tentar mais com medo de a apagar. E eu aqui com medo de lá ir não vá contagiá-los, eu que até sexta-feira andei em elevadores, em salas de reunião sem janelas e com alcatifas, em restaurantes, em toda a espécie de locais públicos frequentados por gente das mais variadas proveniências. 

Mal vi televisão mas vi a excelente entrevista de António Costa: firme, transparente, lúcido, directo, consciente. Portugal deve confiar na sua mão forte na condução desta tragédia.

E o Rodrigo Guedes de Carvalho: perfeito.

E vi os Prós e Contras. Uns nervos. Aquela Fátima Campos Ferreira esteve do princípio ao fim obcecada com os ventiladores. Qualquer coisa que qualquer dos convidados dissesse ela rematava com uma pergunta ou uma observação sobre os ventiladores. Que isso é um nó górdio é. Mas antes de nos preocuparmos que não há ventiladores para todos os que precisam, temos é que nos preocupar em que não haja muita gente a precisar. Para programas destes, sobre matérias complexas, tem que haver moderadores que percebam o que os outros dizem.


Outro que parece que levou uma paulada na tola é o tal de Buescu. Não sei para que números é que ele está a olhar que o levam a extrapolar que a meio de Abril já iremos com 12 milhões de infectados em Portugal. Juro: não percebo. A ser assim, em Itália, a esta hora, uma vez que já levam um bom avanço temporal em relação a nós, já iriam com setenta e tal milhões de infectados -- e vão com vinte e oito mil. É muito infectado, claro, mas, caraças, nada que se compare com as maluqueira do Buescu. Portanto, please, percebam que em todas as profissões há profissionais que etc. e tal e este é um desses. Não é por se ser matemático que se pode levar a sério. Isto do covid é uma desgraça que se abateu sobre o mundo mas, no que se refere a nós, não é nada da catástrofe que aquele senhor para aí anda a espalhar. Começou por desvalorixar para agora andar a empolar. Não é para levar a sério.


Bem, bem esteve Pedro Simas. Por tudo o que disse e por outra coisa: é um giraço. Não sei se ainda se diz mas eu digo: um pão. Um borracho. Façam o favor de o levar à televisão mais vezes e de avisar antes para eu não o perder. Um consolo. Gente inteligente e bem apessoada daquela boa maneira são um suplemento de alma para a gente resistir ao covid.

Outra que esteve muito bem foi a Patrícia Gaspar. Serena, forte, confiante, sabedora. A forma como acabou o programa deu-me vontade de a abraçar, de lhe oferecer flores, de lhe agradecer. Grande mulher.


Saindo do Prós e Contras, outro que também já mostrou que não se pode levar a sério é o Marcelo. Depois de andar a desobedecer a todas as recomendações da DGS e, publicamente, a incentivar ao desacato, parece que caíu na real. Mas não apenas caíu na real como parece ter ficado acagaçado perante a perspectiva de poder ter infectado meio Portugal, parece ter caído num estado de estupor catatónico. Isolou-se. Mas isolou-se mais do que a conta pois parece que desertou. Não estava doente, não tinha indicações para deixar de exercer a sua função. Apareceu a falar aos portugueses como se não atinasse com o computador, quase às cabeçadas ao monitor. Um som e uma imagem inexplicáveis. Parecia que estava a falar do meio da selva, sem condições. Caraças. Alguma coisa impede que alguém contacte com ele e lhe coloque uma câmara e um microfone à frente? Passou dos banhos de multidão com beijinhos e selfies para o isolamento monástico, esquecendo-se que é Presidente da República, esquecendo-se do momento assustador que atravessamos. Parece que sem a muleta dos beijinhos e o andarilho das selfies ficou com medo de andar.


A quem eu tiro o chapéu é a Marta Temido e a Graça Freitas. Mulheres trabalhadoras, inteligentes, bem preparadas, dedicadas, fortes. Temos que lhes agradecer por todo o esforço, por toda a entrega, por toda a lucidez, por toda a angústia e stress a que certamente estão sujeitas ao longo de tantos dias consecutivos. Não sei como aguentam, devem andar arrasadas, mal dormidas, sujeitas a todo o tipo de pressões. Confio nelas e agradeço-lhes. Nelas e na Patrícia Gaspar. E no António Costa.

Vamos sair desta. Vamos mesmo. Temos é que nos aguentar. Com muita disciplina, com isolamento, com sensatez, sem pânico. Mantendo-nos em funções se o pudermos (mesmo que remotamente), garantindo que o mundo volte ao normal logo que possível. E pode ser que surja rapidamente o tratamento e que nos reinventemos em melhor. Acredito nisto. Acredito mesmo. Ainda que agora esteja muito preocupada pois não consigo avaliar a dimensão do que nos espera.


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Não tento explicar o que me ocorre pelo que não sei porque é que me apeteceu ter aqui pinturas de Lucien Freud ao som do Cálice pela Maria Bethania.

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Desejo-vos uma boa terça-feira e, vá lá, descubram lá uma receita de coisa para sairmos desta: 
seja vacina, seja tratamento, seja bolo, seja mezinha, seja reza, seja o que for. 
Ou uma mistura disso tudo.

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terça-feira, outubro 16, 2018

Manuela Moura Guedes, uma procuradora que está a tornar a SIC uma bandalheira.
Do caraças também a zaragata entre a Raquel Varela e a Isabel Moreira nos Prós e Contras em torno do #MeToo.
E até lá vi um artista a insinuar que quando quero dar um beijinho a um dos meus pimentinhas estou a assediá-lo e a abrir a porta a futuras violências domésticas.
Foge. A televisão está a tornar-se um verdadeiro manicómio.


Isto, depois dos flamingos, é dose. Mas acho que tem que ser. Eu não queria. Mas sinto que é uma questão de dever. É que estava eu escrevendo sobre aqueles passarinhos cor-de-rosa armados em bailarinas de can-can de perninha de canivete e, na televisão, um pesadelo.

Já antes, ao jantar, querendo paz e sossego, sem querer, fomos dar com uma procuradora a fingir, uma jararaca armada em populista, pré-candidata a qualquer coisa. E atenção ao sinónimo de jararaca porque isto não foi metáfora, não, foi mesmo alerta. Já avisei antes: quando se traz um ovo de serpente para o ninho e se aceita chocá-lo é só esperar a hora em que o bicho vai partir a casca e desatar a sair por aí espalhando veneno, mordendo incautos, fazendo vítimas.

Foi uma luta, incluindo comigo mesma. Queria perceber a dimensão da porcaria que estava a ser aquele espaço de comentário mas, por outro, fui incapaz de suportar tão nauseabundo espectáculo. Não se consegue ver uma coisa assim: é mau demais. Não são apenas os trejeitos, a desbragada desbocagem, os olhares de doninha matreira: é o linguajar, o querer ter a fala do povo, é o avacalhamento da análise política. Se daqui por algum tempo se apresentar a votos, vai ter votos. Haverá sempre gente ignorante que vai achar que ela é frontal, que não tem medo, que vai pôr os safados na linha. E, sabido é, gente ignorante não sabe votar, só sabe é dar tiro no pé. A base eleitoral dos populistas é a gente que eles vão 'fornicar' em primeiro lugar. Cordeiros inocentes.

Vejo o ar apatetado do Rodrigo Guedes de Carvalho e tenho pena. Aposto o que quiserem em como deve interrogar-se mil vezes se tem mesmo que aturar aquilo. Estar ali a fazer o triste número de compère com aquela mulherzinha mal informada e, do que se percebe, mal formada é coisa que uma pessoa decente como o Rodrigo não deveria ser obrigada a fazer. Se alguém da concorrência quer ir buscá-lo é agora a altura certa. Estar ali, no jornal da noite, a dar palco a uma pessoa como a Moura Guedes suja qualquer carreira pelo que acredito que ele esteja mais do que disponível para se mudar para ambientes menos poluídos.

A SIC acha que contratando gentinha como a que tem vindo a contratar -- gente que diz mal gratuitamente de tudo, mesmo das coisas boas, gente que manipula, distorce, 'abandalha' a conversa por tudo e por nada -- vai ganhar audiências, mas daqui aviso: engana-se. Para bandalheiras já há outros canais e, mal por mal, quem gosta mesmo de bocas javardolas, prefere atascar-se na lama a sério. É que, parecendo que não, ter ali o Rodrigo Guedes de Carvalho de ar acabrunhado ainda nos faz perceber que aquilo ainda não bateu completamente no fundo e ainda nos dá alguma esperança que ele, em directo, um dia ainda se levante, atire com os papéis ao chão (os papéis ou o iPad) e diga alto e bom som: 'Bardamerda para o populismo'.

Não consegui ver toda a intervenção da dita procuradora. Não aguentámos. Aquilo é mesmo abaixo da linha de água, aquilo é mesmo uma vergonha.

E, tendo feito zapping à Bocas Moura Guedes, eis que, passado um bocado, chego à sala e dou com um duelo de titãzitas: Raquel Varela e Isabel Moreira em animada zaragata por causa do #MeToo. 

Na assistência, uma criatura do sexo masculino de longa e lisa cabeleira, óculos redondinhos e ar a atirar para o alucinado saíu-se com uma de que a violência começa logo com a família a fazer com que as crianças sejam vergadas a ponto de darem beijinhos às avós. Se estivesse ao pé dele dava-lhe logo um puxão de cabelos. Criatura mais doida. Ou teve uma avó com bigode à escovinha e verruga cabeluda cujos beijos o deixaram traumatizado até hoje ou foi assediado por alguma velha que lhe fazia lembrar a avó. Só pode. 

No balcão, uma senhora loura, vestida de branco e uma rosa encarnada e espumante ao peito, mostrou-se logo insurgida. Béu, béu, não sei quê. Não sei quem era nem ao que ia mas, pelo ar e pelo tom de voz, palpita-me que seja do movimento Pró-Vida. Se bem que não sei o que é que o Pró-Vida tem a ver com o MeToo. Na volta são movimentos rivais e aquilo ali era mas era um campeonato.

No meio disto a Isabel Moreira, irritada com a Varela, já mal escondia a raivinha estrepitosa que subia dentro dela. E a Raquel Varela, com aquela pose superior, mal disfarçando que dentro dela existe uma feroz fräulein, uma dominatrix de bota de tacão e chicote na mão, levantava o queixo e lançava farpas venenosas às virgens ofendidas encabeçadas pela Moreira.

Não sei quem ganhou porque fugi dali a sete pés. 

No meio daquela luta de galinhas -- rapaz de longa melena incluído -- não faço ideia quem ganhou nem sei bem qual a causa que aquelas ali defendiam. Penso que a Raquel é mais da linha ajoelhou tem que rezar e a Moreira é mais na base do querido foi tão bom até aqui mas agora já chega, faz favor de sair

Também estava lá um senhor com alguma idade e uns papos nos olhos que percebi que devia ser psiquiatra e que, do que vi, atirou algumas ao lado. Mas, lá está, no meio daquela confusão, não sei se a ideia não era mesmo atirar bolas para o pinhal. Só sei que, às tantas, um jovem, não sei se cientista, mostrou umas folhas, uma por cada assediador: um cientista rodeado de mulheres que me pareceu que tinham pouca roupa e um glaciar ou nem sei bem o quê que até mudou de nome para evitar conotações assediantes. Parece que o padrinho que lhe tinha dado o nome tinha tentado meter o bedelho onde não devia. 

Uma maluqueira pegada.

Também reparei na Fátima Campos Ferreira: estava atónita e sem conseguir ter mão naquele cri-cri todo que para ali ia. Dá para perceber. Eu ainda tinha um comando para fazer zapping mas ela, coitada, teve que gramar aquele descabelamento até ao fim. 

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Salvou-me a noite o Zé de Abreu. Anda a dar um belo abre-olhos à tonta da Regina Duarte -- que deve estar toldada das ideias para apoiar o palhaço Bolsonaro -- e não se deixa papar pela safada da Carola e pelo inútil do Remy. 

E disse.

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E queiram deslizar e ir de visita até a um exército de flamands roses. Uns verdadeiros galãs que sabem ter graça na forma como se exibem. 

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segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Quem julga a actuação do Ministério Público? -- É o Dâmaso.
Quem julga os casos de justiça em Portugal? Os juízes? -- Não, é o Dâmaso.
Quem descreve a história dos últimos anos em Portugal, a da corrupção e penso que não só? -- É o Dâmaso.
Quem é o mais poderoso do País? É o nosso ubíquo Marcelo? -- Não! Nem pensar. É o Dâmaso.
Viva o Dâmaso! Viva!
Pim!


E pouco mais tenho a dizer depois o ouvir o Eduardo Dâmaso a monopolizar (com a sua presciência, assertividade e auto-segurança) o Prós e Contras. Já calou a Fátima Campos Ferreira, já calou a Maria José Morgado. o Juíz, o Advogado e o Professor que ali estão -- e todos quantos na plateia pensem que têm uma palavra a dizer sobre o tema. 


Arrasem o Ministério Público, arrasem os tribunais, arrasem o Parlamento, arrasem até a Presidência da República. Não fazem falta. Não acrescentam. Não têm a necessária coragem. Não sabem. Em representação de todos e acima de todos basta o Dâmaso.

O Dâmaso sabe que Pinto Monteiro não exerceu as suas funções ou exerceu-a de conluio com obscuros interesses. O Dâmaso sabe, no País, em cada ano, quem subornou, quem roubou, quem manipulou, quem escondeu. O Dâmaso sabe tudo.


O processo foi liquidado? O Dâmaso sabe que o foi a partir de cima. O Dâmaso sabe. O Dâmaso conta como foi.

Jornais à porta das casas onde vão decorrer buscas? -- Ora, ora, diz o Dâmaso, isso sempre aconteceu. Mesmo antes de elas acontecerem? -- Ora, ora, sorri o Dâmaso. E no seu sorriso a gente percebe a superioridade de quem sabe. 

O silêncio segredo de justiça foi violado? O Dâmaso sabe por quem. O Dâmaso sabe porquê.


Alguns jornais nunca trazem algumas notícias nas primeiras páginas? -- Vão acabar, vaticina o Dâmaso. Ele sabe.

O Dâmaso conhece os podres e as intimidades do país. Quem, como, quande, onde. O Dâmaso sabe tudo.

O Dâmaso não tem dúvidas. De nada. O Dâmaso não tem medo. De nada. O Dâmaso sabe muito. De tudo.

Acabe-se tudo o que vive do erário público (juízes, procuradores, deputados, etc, e demais agentes de despesismo e entropia) e deixe-se brilhar o Sábado e o Correio da Manhã que aí, sim, se pratica a verdadeira justiça. Deixe-se brilhar o grande líder Eduardo Dâmaso. Viva o Dâmaso. Viva! 

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E sobre o tema é isto que me ocorre. Como referi, pouco tinha a dizer. 
E menos ainda depois de ouvir o Dâmaso.

Ah, sim, já se sente o cheiro do Carnaval.


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terça-feira, março 21, 2017

Doidas, doidas, doidas andam as galinhas
para tirar a Caixa lá do buraquinho.
[E ainda o fatalismo da Ana Lourenço, a prostituição da Fátima Campos Ferreira (salvo seja, claro) e o apicultor na rua da minha mãe].





Não tenho novidades do Stephen Hawking. A verdade é que, mal acabei de escrever o post sobre quem parece fadado para não conseguir experimentar a felicidade, caí para o lado. Deve ter sido a profundidade do tema que me deixou arrasada.
(e eu devia agora incluir aqui um smile, três eheehehe e mais um lol para ter a certeza que todos percebem que estou a gozar -- senão ainda ficam a pensar que sou parva, como se acreditasse mesmo que aquilo que escrevi tivesse alguma profundidade). 
Adiante.

Acordei com o meu marido a levantar-se do sofá, meio a dormir, e a ir para a cama. Mas ele tem razão em estar assim pois madrugou e, antes, ainda foi fazer uma caminhada. (Não estou eu já farta de confessar que gosto de malucos?) Mas, portanto, lá acordei. Arrastei-me até aos comentários para agradecer e agora, ainda patati-patata, apeteceu-me voltar a abrir uma página em branco.

Não que tenha alguma coisa para dizer porque não tenho. 

Não tenho paciência para as cenas da CGD. Parece que fica tudo maluco quando o tema é CGD. Como é que é possível que alguém consiga gerir uma empresa, que é coisa que se rege por princípios racionais, com meio mundo a meter o bedelho? Era a mesma coisa que eu, lá no meu estaminé, fazer as contas para ver como manter lá uma cena qualquer equilibrada e saltarem-me em cima as temíveis manas Mortágua, o walking dead Láparo, a Cristas enxertada em kiwis, o Carlos César a reboque, e, pasme-se, até o ubíquo Marcelo -- todos a alvitrarem isto, aquilo e o outro. Havia de ser giro.


Está tudo mas é passado, oh caraças.


Manter um banco vivo e de boa saúde passa por geri-lo com seriedade, com sentido de inovação, e com os pés na terra (e as mãos, que se querem limpas, sempre à vista). Não passa por sujeitar cada decisão a plenário nacional. 

Se há actividade que maior reconversão sofreu e há-de ainda sofrer é a da banca. De negócio de proximidade passou, sobretudo, a negócio virtual. E isto tem que ser encarado com pragmatismo. É assim e cada vez há-de ser mais.

Claro que nas aldeias, nas vilas, em lugares de população envelhecida, isso não existe, o que existe é o balcão e a pessoa que se conhece e em quem se confia. Então não vejo pela minha mãe? Ou somos nós que tratamos de alguns assuntos pela net ou é ela que vai ter lá com a amiga da CGD. 

Só que a verdade é que não faz sentido manter um balcão em cada canto e esquina só para movimentar meia dúzia de contas e atender uma pessoa de vez em quando. Mais vale haver lojas de cidadão com pessoas disponíveis para ajudar na utilização de meios informáticos e que apoiem na consulta a saldos ou a fazer levantamentos ou depósitos.

E o que faz ainda menos sentido é esta histeria colectiva em que mergulham os políticos (de A a Z) de cada vez que o tema é Caixa.


Tirando isso não sei de mais nada. No telejornal, durante o bocado que vimos, só se falava de mortos, quer de mortos por acidente, por briga ou por doença. Depois ouvi a Ana Lourenço a perguntar sobre o aumento de capital já nem sei de quê, devia ser da CGD: 'e o que é que pode correr mal?. Parece que toda a gente se viciou na desgraça. Sobre um tema destes, um aumento de capital, a pergunta que lhe ocorreu foi aquela. Se eu estivesse lá e a pergunta me fosse dirigida acho que poria o meu ar mais sério e diria: 'pode vir uma onda maior e levá-lo' ou outra parvoíce qualquer que cheirasse a tragédia.


Mudámos logo de canal. Depois passei para a prostituição na RTP 1 mas, ou porque já estivesse com sono ou quiçá até mesmo a dormir, pareceu-me que a única que disse coisas interessantes foi a profissional do sexo. Os outros nem percebi bem quem eram. Isto do sexo ser discutido por gente que parece que nem sabe bem o que isso é nunca pode dar grande coisa. 


Depois a televisão desligou-se e, embora tenha o comando ao meu lado, não me apetece ligar. Gosto é de ver programas sobre bichos raros do fundo do mar, ou expedições a aldeias perdidas no meio de inóspitas montanhas, ou entrevistas a pianistas ou pintores. Coisas assim.

Uma coisa engraçada que tenho para contar é esta: ontem, quando estava à porta a despedir-me da minha mãe, vi um vulto do além a fazer-lhe adeus e a dizer-lhe 'tudo resolvido, já as tenho aqui comigo, vou levá-las à serra' e apontou para qualquer coisa dentro de um jeep.

A minha mãe contou-me, então, que de tarde, um vizinho tinha visto vir pelos ares uma nuvem escura, uma coisa estranha, e que essa nuvem tinha ido para dentro do quintal duma outra vizinha. A medo e já suspeitando, o vizinho foi espreitar. Eram milhares de abelhas. Por sorte, sabia de um apicultor. E era esse apicultor, todo coberto, que eu ali tinha visto. Só tinha visto antes na televisão e nunca esperaria ver um ali, na rua da minha mãe. Chapéu, máscara, colete, mangas, luvas. Achei graça a ele dizer que as tinha apanhado a todas e ia levá-las de volta para a serra. As malucas tinham vindo dar uma volta à cidade.


E agora calo-me. Tenho em carteira mais uma coisa sobre a inteligência artificial e uma coisa qualquer que me ocorra sobre casamentos porque vi umas fotografias com uns vestidos de noiva mesmo ao meu gosto e estou até capaz de fazer uma dieta que me ponha com dez quilos a menos para caber dentro de um modelito assim para depois convencer o meu marido a renovar os votos, e isto só para o ouvir disparatar, até porque isso dos votos deve ser só para quem casou por igreja, o que não foi o nosso caso, e porque ele não tem o mínimo de pachorra para essas coisas (e eu ainda menos que ele).

Mas fica para outro dia. A ver é se no dia em que estiver para virada para esses temas esotéricos não me aparece o Marcelo a opinar sobre a pessoa que querem substituir no balcão da CGD de Alguidares de Baixo, coisa que, justamente, nem a dona leal ao coelho nem a dona galinha nem as manas amazonas acharão nada bem e isto para já não falar nas pessoas que serão interpeladas na rua por uma chusma de jornalistas exorbitantes e que dirão, para as câmaras, que fulano de tal é muito boa pessoa, sorri para toda a gente e que nunca antes ninguém tinha desconfiado que batesse na avó.

Mas, pronto, partindo do princípio que isso não vai acontecer, pode ser que eu, para a próxima, arranje oportunidade para falar de temas relevantes.


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As fotografias claro que não têm nada a ver com o assunto, estão aqui só porque gosto delas. Fazem parte das selecções das Fotos do Dia do The Guardian

Lá em cima Benjamim Clementine interpreta I Won’t Complain.

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E, caso queiram conhecer três casos verídicos de quem nunca conseguiu relacionar-se bem com a felicidade, é só descerem um pouco mais.

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terça-feira, maio 17, 2016

Rodrigo Queiroz e Melo e Nilza de Sena versus Alexandra Leitão e Daniel Oliveira no Prós e Contras
- Ou seja, Ensino com Contrato de Associação versus Ensino Público



Passei por acaso pela RTP 1 e vejo uma senhora com carinha de bonequinha-pafinha, com lábios debruados a cor de betinha, a dizer, com ar grandiloquente, umas coisas muito arrebitadinhas. Vi-lhe o nome. Nilza de Sena. Pela conversa percebo que é PSD. Condiz. Se calhar é deputada na especialidade ensino privado.


Não sei quem é a Nilzinha, nunca tinha visto, não sei a que propósito apareceu ali. Talvez seja a única deputada do PSD que consegue dizer duas palavras de seguida e, agitando-as guturalmente, dar-lhes o ar de conversa articulada.

Depois vi um senhor com ar atarantado e cujo fácies não deixa lugar a muitas ilusões. Vejo que se chama Rodrigo Queiroz e Melo e que é director da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. Procurava arranjar um argumentário como quem anda, de cabeça perdida, à pesca à linha e só lhe aparecem botas da tropa arrombadas. Quase tive pena do senhor. 


Do que aquelas duas almas disseram não se aproveitou uma mas, porque apelaram ao sentimento e ao lado mais primário da raça humana, arrancaram saraivadas de palmas à assistência.

Vi, então, a brava Alexandra Leitão, a Secretária de Estado do Ensino de quem já aqui falei com admiração. Segura, combativa, uma mulher de armas. Fico, de novo, rendida. Esta, sim, é uma mulher que qualquer governo gostaria de ter nas suas hostes. Inteligente, certeira, uma guerreira. Tudo o que ela diz faz sentido e, depois do ministério do C-rato, sabemos bem a bênção que isso é.


Também ali estava Daniel Oliveira. Habituado ao debate, facilmente meteu no chinelo os pobres do balcão da frente. Enquanto ele falava, o outro rodopiava mentalmente à sua frente e a nilzinha alvoroçava-se na ânsia de poder ripostar com ti-ti-tis.

Mas, uma vez mais, concluí como é difícil, perante a opinião pública, desmontar o discurso direitolas. É que aquilo é gente que nunca se ensaia nada de ser pouco escorreita na escolha de argumentos: vale tudo, sobretudo tirar olhos - e quanto mais sound bites, falácias matrafonas, populices que facilmente caiam na boca dos papagaios ou façam soltar lágrima às senhoras dos programas da Fátima Lopes, melhor. 

Regra geral, parece que a malta de esquerda é intelectualmente mais honesta: documenta-se, é séria na esgrima, é caridosa na aplicação de golpes, não vai aos golpes baixos, tenta não magoar os olhos dos adversários, estuda a lição, sabe aritmética, usa de um verbo mais elaborado -- ou seja, nem toda a gente consegue acompanhar.

E, assim sendo, tenho cá para mim que a gente de esquerda deveria receber um banho de marketing e comunicação para aprender a fazer passar a sua mensagem junto de quem não deve muito à inteligência, já que esse parece ser o nicho-alvo dos direitolas de quinta categoria que hoje gravitam em torno dos ex-PàFs.

Quanto ao tema em debate, se eu tivesse filhos em idade escolar, depois de ter visto aquela fraca ave queirozeana, aquele desagradável rodrigoto, só se não houvesse alternativa à superfície da terra é que eu os deixava nalgum colégio que estivesse sob influência daquele senhor cuja inteligência deu ideia que escorregar do tripé de cada vez que a enérgica Alexandra lhe abria os olhos. Que coisa.

E pronto. Não falo mais nisto que é um tema meio parvo.

Faz sentido para alguém financiar o ensino privado em lugares em que existe oferta pública? 

Caraças.
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E agora vou ver se adivinho qual a continuação da minha primeira noite de amor (salvo seja, claro). 

Se não a publicar ainda esta noite, talvez saia durante o dia, quiçá lá para a hora do almoço, que volta e meio me perco na escolha das imagens)

(Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

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Entretanto, a quem queira conhecer os hits de momento, as notícias fantásticas que inundam as capas das revistas e primeiras páginas da actualidade -- tragédias, cenas secretas, paixões, mulheres peitudas e maridos de mulheres com histórias clandestinas -- convido a descer até ao post já a seguir.

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domingo, setembro 13, 2015

Passos Coelho vai organizar um crowd funding, quiçá mesmo uma caixa de esmolas, para os pobrezinhos dos lesados do BES
[E uma palavra de desagrado pelas lágrimas de Paulo Portas numa entrevista concedida a Fátima Campos Ferreira, apelando ao sentimentalismo primário em época de campanha eleitoral. Não gostei mesmo nada.]



Ouvi na rádio e julguei que tinha ouvido mal. Não podia ser. Agora vi no telejornal. O homem afinal, ó P.Rufino, não tem o cérebro do tamanho de uma laranja... tem mesmo é do tamanhinho de uma castanhinha. Inha, inha. Uma desgraça.

Alguém faça a caridade de remover o homem da campanha. A seguir que faça a caridade de o remover do PSD. E os portugueses todos façam a caridade de o ignorar, não votando nele.

Daquele ali é que se pode dizer que, sempre que o láparo fala, ou entra mosca ou sai asneira.

Diz ele que vai organizar uma campanha para angariar dinheiro para ajudar os lesados do BES a porem acções contra o banco. E que ele vai ser o primeiro a dar esmola. Ou seja, ele como Primeiro-Ministro lava as mãos e ele, Láparo massamaense, entra com um dinheirinho do seu próprio bolso.

Esta campanha eleitoral não está a correr mesmo nada bem aos pafientos,
toda a gente lhes chama mentirosos e gatunos na cara

Ouve-se tamanha aberração e não se acredita.

O banco e os reguladores também devem ficar de cabelos em pé com isto do Primeiro-Ministro incitar os indignados a avançarem para os tribunais contra o banco. Resta saber se é contra o BES ou o Novo Banco (que é daqueles ovos que ele pôs e que agora ninguém quer chocar)

O que sei é que, enquanto a castanha do Novo Banco não rebenta nas mãos dos bancos que lá meteram dinheiro e dos contribuintes, a malta vai-se rebolando a rir com as propostas desta criatura que vai para além de tudo o que é razoável. 


Crowd funding para os pobrezinhos do BES avançarem para os tribunais...? Ahahahahahahahahah!



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Entretanto, só mais uma coisinha. Não sei a que propósito, vi, creio que na RTP1, um excerto de uma entrevista de Paulo Portas concedida a Fátima Campos Ferreira. Não sei se o que vi era um resumo ou se um anúncio. Eu, se fosse candidata e estivesse em campanha, e fosse conceder uma entrevista, combinaria que não queria usar questões pessoais em proveito da minha imagem política e que, portanto, nada de perguntas que apelassem à emoção, nomeadamente as que se referissem a entes familiares falecidos, enfraquecidos ou, de alguma forma diminuídos.

Pois bem: não foi o caso de Paulo Portas pois, para meu espanto, vi uma sentimental Fátima Campos Ferreira a perguntar-lhe pelo irmão, ele a chorar, a falar da sua morte, etc. Fiquei chocada. Tendo eu imensa simpatia por Miguel Portas, acho que merecia mais do irmão do que ele prestar-se ao sentimentalismo primário frente às câmaras de televisão em época de campanha eleitoral. Coisa feia de que os eleitores não gostam nem um bocadinho - ainda por cima quando as lágrimas caem dos olhos de um artista profissional que, ao que parece, anda em campanha enfiado no bolso do dito láparo.

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O cartoon do láparo é da autoria de Andy Riley.

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sexta-feira, agosto 29, 2014

Fátima Campos Ferreira entrevistou António Costa: foi uma seca ou sou eu que ando a achar tudo uma seca?


O local não podia ser melhor. O Jardim Botânico de Lisboa é idílico, tens árvores majestosas, e não deve haver recanto no qual eu não tenha estado já a namorar.

De um varandim ao fundo, quando se entra pela Escola Politécnica, tem-se uma bela vista cobre a cidade. Depois o Jardim desnivela-se e vai-se desdobrando em pequenos jardins, lagos, esconderijos por ali abaixo até quase à Praça da Alegria, a dois passos da Avenida da Liberdade. Foi uma escolha inteligente: o Jardim Botânico é um locais mais belos de Lisboa.

Mas qualquer coisa naquela entrevista falhou. Não sei se foi o ritmo, entrecortado por apontamentos de reportagem ou fotográficos, se foram as perguntas, banais, hesitando entre o intimista e o político. António Costa esteve bem como sempre está, directo, sem rodriguinhos, mas a entrevistadora não puxou por ele, não foi consistente, a entrevista patinou em seco.

Do que António Costa disse não retive nada como sendo novo ou marcante. Já o conheço razoavelmente e as perguntas de Fátima Campos Ferreira também não saíram do terreno da banalidade. 

Acredito que, de entre as alternativas que se conhecem, António Costa é a pessoa mais apta para governar Portugal e acredito que introduza um registo de honestidade intelectual, de cosmopolitismo, de humanismo na política portuguesa que, nos últimos anos, tem estado entregue à bicharada - mas a minha opinião não se alterou nem se formou melhor a partir desta entrevista. Foi uma entrevista neutra, é isso.

De resto, achei graça ao termo que António Costa repetiu quando se referiu à actuação de António José Seguro: infantilidade. É o que eu acho. Há qualquer coisa de pueril, de patético, na forma como o Tozé Piu-Piu faz biquinho e faz queixinhas de Antónia Costa. De cada vez que fala, tentando armar-se em bom, mais o Tó-Zero se apouca, a gente acaba a ter pena da falta de estatura dele. Parece que o Totó encaixa bem é numa política à medida do Portugal dos Pequenitos, um país fragmentado em distritais e concelhias, um país em que as senhoras de idade o estreitam nos braços, em que ele ouve com ar pio as lamentações dos que se acercam dele. Podia ser um pároco de aldeia, um mestre escola de antigamente, o presidente da Junta. Pensava que o lugar de primeiro-Ministro lhe era devido e agora não aceita que alguém dispute a liderança. Ainda não percebeu que a vida é assim mesmo, um caminho em que os escolhos aparecem quando menos se espera, em que o destino não é o que as fadas anunciaram em sonhos. 


Temos pena.

E mais nada tenho a dizer a não ser que tomara que o Tozé passe à história e que o António Costa, o Babush de seu pai, não me desiluda.