Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, agosto 02, 2019

Ler a mente em dia do caneco e de noite povoada por quimeras




Talvez em todas as eras tenha havido isto de se achar que se está a caminhar para o fim dos tempos, tudo a degradar-se, tudo a entrar num processo de decadência acelerada. Pior: uma desintegração pouco digna. Mas talvez isto aconteça desde sempre. Talvez seja da natureza humana cavar o próprio túmulo. 

Ou, então, sou eu que, como acho de um pacovismo insuportável acharmos que somos melhores ou diferentes do que outros, prefiro pensar que somos iguais desde que nos pusémos de pé e começámos a perceber que pensamos: frágeis, incoerentes, mais irracionais do que os outros animais.

Mas enfim, isto era a introdução. Estou dada a intróitos e nem sei porquê já que, na verdade, estou até em dia pouco dado a frescura.

Estou a tentar pôr para trás das costas tudo o que hoje me caíu em cima. A começar, uma reunião em que algumas coisas ditas de forma ligeira por outros que não eu se prestaram a interpretações ao lado, conduzindo a conclusões erradas e perigosas. Depois, um conjunto de situações que me parecem pouco transparentes para o meu gosto e às quais não quero estar ligada levaram-me a desafiar quem prefere estar instalado, e a expor factos que toda a gente acha que deviam permanecer no limbo opaco onde é suposto habitarem. Acontece que eu, quando desencabresto, sou difícil de agarrar. Agora mesmo disparei dois mails que presumo que, a esta hora, estejam espetados na garganta de quem os recebeu.
Como sempre, não sei quais as consequências disto e podem ser radicais para mim mas, se nunca pactuei com coisas que não me agradam, agora, então, não me limito a afastar-me ou a dizer discretamente porque me afasto. Agora é à bruta, às claras e a bola chutada para o lado de lá e outro que não eu que se atravesse e assuma a responsabilidade por dar cobertura a situações que comigo não, violão.
E, portanto, foi neste desencabrestado estado de espírito que fui à procura de notícias boas que me trouxessem bons auspícios, boa energia, boa onda, coisa cheia de smiles e emojis saltitões. 

Mas está bem, está. Só notícias do caraças, sendo que aqui o caraças é mesmo sinónimo de caneco, de cacete (e, aqui, refiro-me ao cacete mal conotado) -- ou seja, porcaria e da grossa.

Tenho ideia que o nosso estado de espírito atrai. Se estamos numa boa, só nos chega coisa boa, radiosa. Se estamos com as candeias às avessas, só damos com meia rota, jararaca, lâmpada fundida, cocó de cão debaixo do sapato, peixe de olho baço e arremelgado, côdea dura e bolorenta. Coisas assim.

Para atestar, passo a enunciar as trastes de notícias que vieram até mim:

Cientistas cruzaram macaco com pessoa. Chamaram quimera ao ser e, quando viram que tinha vingado, supostamente não o deixaram ver a luz do dia. Supostamente, repito. A coisa deu-se na China onde estas coisas da ética não colhem lá muito. Entretanto, o Japão já deu o ok a que se avance com o mesmo, dizem que é promissor, que vai ser do melhor, que desses híbridos se vão poder sacar órgãos que é um mimo. Se a dita quimera, meio macaco, meio gente, tem ou não raciocínio ou sentimentos isso não interessa para nada. Mas eu, talvez por estar num estado a modos que meio irritadiço, acho que isto é daquelas ideias peregrinas que não pode acabar bem. Parece até pesadelo pronto a virar realidade cabeluda e malvada.

E outra que também é do mesmo calibre é aquela de haver implantes tecnológicos que lêem pensamentos e os traduzem em palavras. Mind reading they say. A Google e o Facebook na competição, anunciando para breve notícia de estalar o mundo. Que pode ser bom para dar voz a quem não a tem, pode, mas que também pode ser diabólico e descontrolado, pode. Diz que é para, num mundo dominado pela inteligência artificial, os humanos poderem alinhar. Diz. Mas pode também ser o caminho aberto para a manipulação absoluta, para a ficção megérica virar realidade, coisa mil vezes pior que filme de terror. Não quero nem pensar. Um precipício negro a desenhar-se à frente dos pés dos estúpidos humanos.

E já nem falo nos robots que falam de uma maneira que parece humana, respondendo a perguntas, na maior das calmas. Ou, como desde hoje em Espanha, drones que nos sobrevoam e multam se nos esticarmos, carregando demais no pedal. Ou câmaras de vigilância que nos filmam e fotografam mesmo em ruas sem luz, reconstruindo a nossa imagem a partir do know how que entretanto adquiriram, machine learning e coiso e tal.

E, portanto, eu que andava à procura de notícia boa -- campo de flores, borboleta multicor a rodopiar em volta, mavioso canto de passarinho, poeminha bom segredado ao ouvido, fotografia de coisa nenhuma, história brava de princesa guerreira, filme de bailarino alado, árvores majestosas cheias de esconderijo dentro, planta do bosque com propriedade mágica e efeito benfazejo -- dei com os burrinhos na água, ou melhor, com a tromba na porta. Dito de outra forma: dei foi com coisa perversa, prenúncio de monstro, nuvem carregada de tempos pesados, caminhos estreitos que vão dar a becos que não auguram nada de bom. Uma chatice, em suma.





E isto aqui abaixo não será novidade. Mas mostro porque não gosto.

Aliás, Alexa, Siri ou Google Home, tanto dá, tudo a dar no mesmo.


 Trouxe aqui pintores mexicanos porque me apeteceu ter cor. Ao menos cor.
Penso que é tudo ou quase tudo de Lourdes Villagómez excepto a do macaco que é do Jose Santos


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E uma happy friday a todos, tá?

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Mais uma prova provada de que Glenn Close é uma excelentésima actriz


Gosto muito de Glenn Close. Óptima nos seus orgulhosos 71 anos, volta a ser candidata a um Oscar, desta vez com The Wife. É indubitavelmente uma das grandes actrizes de sempre. 

Poderia aqui enunciar, de rajada, uma série de grandes desempenhos mas vou limitar-me a partilhar este pequeno vídeo no qual, há dois dias, com Stephen Colbert, mostra como o seu carismático rosto espelha bem a plasticidade emotiva de que é capaz. Vejam, por favor, até ao fim. Muito bom.



quinta-feira, setembro 06, 2018

Olha o espertinho do algoritmo do YouTube com indirectas, insinuando que careço de um lifting...




Já estou de volta ao campo. Hoje o dia foi um pouco mais tranquilo mas, como sempre, cheio de cenas. Num momento em que tudo parecia sereno -- o bebé a dormir, os mais crescidos estranhamente aquietados -- aparece o meu marido que, tenho ideia, tinha acabado de se deitar no sofá, a dizer: 'Acho que uma gaivota se enfiou outra vez na varanda' e, todo irritado, foi buscar uma vassoura.

Ouvia-se o barulho de alguma coisa a bater contra o estore da porta de vidro que dá para a varanda. Fui levantar a persiana no canto onde se ouvia e lá estava ela: grande, branca e assustada. Mas havia mais: um monte escuro, penugento. Aí a coisa perturbou-me. 'Não sei se não está lá um pombo morto'. Entretanto, toda a gente veio a correr. Gritos. 'Que horror! Um pombo morto!'. Depois o meu filho: 'Um ovo'. Fui ver. De facto, um ovo. Depois reparei: não sei se terá havido um ninho. Uma confusão de palhas. Foi agora nas férias que aconteceu. O meu filho enojado com a cena do pombo morto. Eu que, na outra vez, consegui acalmar a gaivota e, com uma vassoura a servir de alavanca, a elevei até voar., desta vez não me afoitei. Aquele monte de penas ali repeliu-me um bocado. Teve que ser o meu marido. Só que ele não leva jeito como encantador de gaivotas. Portanto, aquilo foi uma refrega, basicamente uma luta à vassourada, ele a querer que ela saisse do canto e a pobre da gaivota completamente assarapantada. A varanda é estreita e não tem largueza para uma gaivora abrir as asas e ganhar balanço para voar. Tentava mas as asas batiam de lado e gritava de dar dó. O meu filho foi, então, à loja do chinês ali perto para ver se arranjava uma pá de lavoura ou outra coisa que desse para tentar passar por baixo dela e levantá-la. Não havia. Regressou com uma pá do lixo de chapa e cabo alto e outra coisa que não percebi o que era, uma espécie de vassoura. E luvas e sacos pretos grandes. Então o meu marido começou por apanhar o pombo morto e o lixo que havia em volta. As crianças, do lado de dentro, observavam, excitadas. No entretanto, apanharam um pacote de bolachas e, enquanto gritavam de susto, comiam bolachas. Por fim, não sei como, ele lá conseguiu que a gaivota se empoleirasse na pá e lá a atirou para voar por cima da varanda, com toda a gente a gritar de susto e alegria. A seguir foi pôr o saco com o pombo lá abaixo, ao lixo, depois pôs a roupa para lavar e foi tomar banho. Enfim. É o que dá morar num andar muito alto perto do rio.

Bem.


Entretanto, as crianças mais crescidas foram pôr-se a brincar aos presos e aos ladrões e polícias. E ela era a polícia e mandava prender os ladrões. Mas faziam uma barulheira incrível. E eu, que não queria que acordassem o bebé, ameacei: 'Se continuam neste chinfrim, ponho-os mas é no isolamento'. Pois bem. Instantaneamente, desataram a gritar ainda mais, a rir, e a reivindicar: 'I-so-la-men-to! I-so-la-men-to!'. E, acto contínuo, pegaram nas mantinhas e nas almofadas que encontraram e ela foi pôr-se atrás de uma estante e eles na casinha de banho de apoio à sala. E eu, aparvalhada com aquilo: 'Mas esperem lá. Não desarrumem ainda mais a sala! Isolamento não é acampamento!'. Mas já ela tinha ido buscar um telemóvel e eles outro, para ficarem a ouvir música. Depois ela foi buscar o coelho de peluche que tinha sido do pai: 'Já fui buscar um animal de estimação!'. E eles foram buscar o telefone fixo. E ela quis um cofre. E de repente ali estavam a ouvir músicas no youtube, a cantar. E eu a tentar explicar: 'O isolamento na prisão não é isto... Caluda. Acordam o bebé..'.

E acordaram mesmo.


E pronto, eles ainda jogaram à bola e o bebé, de cada vez que dá um pontapé, levanta os dois braços e grita 'Golo....!' e depois brincaram às lutas e ela, no meio da confusão, fingiu que estava a dormir e que era sonâmbula. Depois o irmão irritou-a e ela irritou-se com o irmão e gritou com ele e eu: 'Schiuuuu... Mas que é isso? Parece que estás histérica...' E ela, 'Não estou nada! E quem diz é quem é!'. E pronto.

A seguir foram lanchar. E depois o bebé pôs um chapéu meu e ficou a parecer um mexicano -- e lá se foram na maior alegria. E nós fomos levar o outro pimentinha a casa da minha filha. Mal entrou no carro, deixou-se dormir. Quando chegámos, já lá estava o mais velho que teve o seu primeiro dia de escola. 'Muito mais liberdade...' disse ele, orgulhoso. E eu lembrei-o: 'Mais liberdade, mais responsabilidade'. Estava feliz. Crescido, ar já de rapazinho.

E depois da conversa em dia com a minha filha, pusemo-nos a caminho. Novo carregamento no supermercado e cá estamos. Claro que, no percurso para cá, foi tiro e queda: dormi o sono dos justos. Mesmo bom. 


Agora aqui, sossegada da vida, vendo a televisão (quatro canais e mais o canal parlamento, a rtp3 e o canal memória), estou a ver a nova telenovela da sic e é sempre aquela coisa agradável de ver. Não me lembro como se chama mas, apesar de estar no começo, já vai se apegando. Agorinha mesmo um casal se formando: a cozinheira Cacau com o negão-todo-o-serviço. Embeiçaram-se e logo ali mesmo a coisa pintou e rolou. Nada de perder tempo. E, enquanto vejo, espreito se há novidades que se aproveitem e, ao abrir o youtube, desta vez uma novidade: conselhos de massagem facial, ioga facial e outros conselhos para tirar os vestígios de stress da cara. Não sei onde foi ele achar que estou precisada de um trato facial mas a verdade é que, pelo sim, pelo não, já me levantei e já fui observar-me ao espelho. Será...? Na volta... Voltei a pôr um video e, enquanto a Deborah Secco tenta dar o golpe da barriga num bonitão que nunca vi antes e que está a fazer de um tal ex-cantor cuja família está a facturar à conta de o mundo pensar que morreu, fui fazendo os movimentos de lifting que a senhora exemplificava.

Daqui por uns dias, quanto fizer a minha gloriosa rentrée no trabalho, vou estar vinte anos mais nova, sem uma ruguinha, sem um papinho, toda esticadinha, toda descansadinha. E isto com zero botox, só com os conselhos de mon ami algoritmo.

Só não digo a referência dos vídeos para os meus Leitores -- em especial os mais ingénuos, os que ainda acreditam que esta que aqui vos escreve talvez seja a modos que um bocadinhozinho intelectual -- não ficarem decepcionados demais. Telenovelas da Globo ainda vá que não vá... agora vídeos de massagem facial... puxa vida, essa não.


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As imagens mostram algumas caras conhecidas no Festival di Venezia 2018 

A última mostra uma cria de leão das montanhas descoberta em Santa Monica 

A música lá em cima é Maksim interpretando Somewhere in time de John Barry.

Não sei se dizer se há alguma relação entre as imagens, entre elas e a música ou entre qualquer delas e o texto -- mas isso também não me parece preocupante. 

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Esperem!
Parem tudo!
Afinal há outra?
É a Agata que se 'inspira' na nossa Joana... ou é vice-versa....?
Alguém me esclareça, se faz favor.


Há uns anos, um conhecido meu falou-me que tinha estado em casa de um empresário endinheirado que tinha contratado uma artista plástica para lhe fazer uma peça artística com gravatas. Segundo me contou, era uma coisa com as muitas gravatas dele e com uma ventoinha por trás. As gravatas ondulavam com o ventinho. A autora de tão inspirada peça de arte chamava-se Joana Vasconcelos. Foi a primeira vez que ouvi falar dela.

Tempos depois começou a ser conhecida. O sapato alto com os tachos, o candelabro com tampões, o coração com talheres de plástico. Alguma graça. Depois viciou-se no género e tudo passou a ser espalhafatoso. A seguir o crochet. Muitas mulheres a fazerem crochet com lãs, os bocados unidos, coisas cobertas de crochet.

Para mim a obra dela tornou-se algo repetitiva e parecia-me que, às tantas, já só estava a trabalhar para a espectacularidade -- mas, enfim, era o que era. E se escrevo no passado é porque deixei de prestar atenção, não sei o que tem ela andado a fazer.


Pois bem. Agora, para meu espanto, sei de uma outra artista que desde há muitos anos faz coisas assim. Fui conferir e ainda mais pasmada fiquei. Se não estivesse a ver que era a tal Agata Oleksiak (aka Olek) a autora, juraria que era coisa da Joana Vasconcelos.

Caneco. Sou leiga e mais do que leiga nestas coisas mas, na minha mais pura leiguice, diria que uma plagia a outra. Ou então é daquelas coincidências do caraças. Até o processo é o mesmo: junta mulheres de uma comunidade e põe-nas a crochetar e depois, todas felizes, orgulham-se da sua obra. 
Touro coberto de crochet de Agata Oleksiak (aka Olek)
Crochet is not generally viewed as a fine art, nor is it commonly used as a vehicle for social change. But New York-based artist Agata Oleksiak (aka Olek) is challenging those assumptions by elevating the craft and using it as a force for community building. With the streets as her canvas, Olek uses the help of local volunteers to crochet her large-scale crochet masterpieces. For her latest project, “Love Across the USA,” she will travel to every state in the United States to produce crocheted murals that celebrate prominent women in US history. With each unique installation, she’s developed an art form that truly belongs to everyone.
Por estas imagens que aqui escolhi talvez não reconheçam grandes parecenças mas vejam, por favor, o vídeo.

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Touro coberto de crochet de Joana Vasconcelos

Trabalhos de Joana Vasconcelos
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terça-feira, maio 02, 2017

Outra coisa que tenho em comum com Michelle Pfeiffer, Jodie Foster, Kate Winslet ou Emma Watson:
o síndroma do impostor





E digo outra coisa em comum porque uma tenho à partida e é óbvia: tal como elas, sou mulher. De qualquer maneira, embora os exemplos conhecidos sejam de mulheres, penso que isso se deve a que as mulheres têm a coragem de confessar as suas inseguranças enquanto os homens padecem do síndroma do macho man e sentem que têm que se mostrar sempre seguros e fortalhaços. Tirando, claro, alguns mais ousados e corajosos.

Mas, e reportando-me agora ao tema que aqui me traz, há uma coisa que sempre tive e sempre achei que era uma coisa cá minha, sem nome, uma coisinha ruim a roer-me a alma.

Já o disse muitas vezes: sempre fui aluna razoável, notas assim-assim no que fosse de 'empinar' e notas muito altas no que fosse de raciocinar. Contudo, sempre tive tantas solicitações na minha vida que estudar não era propriamente a minha primeira prioridade.

Ainda agora, de vez em quando, felizmente cada vez mais raramente, sonho com isto: chego à escola e há exame, todos preparados e eu apanhada desprevenida, sem ter estudado nada, sem saber sequer qual a matéria que entrava. Por vezes, falta-me mesmo o material -- compasso, régua, esquadro -- e aí a aflição é ainda maior. Ninguém mais se tinha esquecido, só eu. E, sem material, nem sequer poderei fazer o exame. Uma angústia pela minha irresponsabilidade.


Penso que estes sonhos resultam dos sustos que frequentemente apanhava. Nas ante-vésperas de testes ou exames, ouvia os colegas falarem de directas, de andarem a fazer cábulas para um just in case, de terem lido várias vezes a matéria e ainda estarem a milhas -- e eu, na levezinha, praticamente sem me ter preparado, a achar que sabia o que havia para saber e confiante que uma lambuzadela seria mais do que suficiente para refrescar ideias, mas, de súbito, a assustar-me: e se a matéria era mesmo difícil? Ou tanta que não teria tempo para lhe passar os olhos por cima, nem mesmo em diagonal? 

Furiosa leitora de tudo o que apanhava, devorava livros lá de casa, da biblioteca, emprestados em especial de uma amiga da minha mãe, o que calhava. Aliado a isso, os namoros fogosos que sempre alimentei e que me ocupavam grande parte das horas livres. O período de concentração para o estudo era reduzido. Os meus pais chegavam a casa lá para as seis e só a essa hora é que eu me dedicava à minha condição de estudante, depois lá para as oito jantávamos e supostamente não poderia deitar-me muito tarde porque no dia seguinte as aulas começavam às oito e meia da manhã. Na faculdade ainda pior. Durante algum tempo, andei com dois ao mesmo tempo o que me ocupava a agenda por completo já que embora eu estivesse no mesmo dia com os dois, eles não podiam encontrar-se. No dia em que se cruzaram, o namorado a sério quis bater no outro. Portanto, sendo maluca, eu não era parva a ponto de me meter no meio de fogo cruzado. Ora, para estar com um das tantas às tantas, com o outro tinha que ser depois disso e até às tantas.

Acontece que tinha alguma facilidade para a aprendizagem e boa memória e, o mais importante, sorte e, portanto, aparecia com notas altas.

Claro que isto fazia com que parte dos meus colegas achasse que eu me armava, dizendo que não estudava, quando, na volta era mas era uma marrona encapotada. Mas não me armava, era mesmo como vos contei.

O que eu não lhes confessava era que achava que as boas notas eram sobretudo, obra do acaso, da sorte. Não mérito meu.


Já o contei aqui. Uma vez tive um primeiro vinte (depois voltei a ter mas o fuzuê armou-se apenas na primeira vez). Foi um escândalo. Por causa disso, desencadeou-se uma celeuma entre os professores, tendo havido até uma reunião de professores das várias escolas da cidade para discutirem em que circunstâncias se poderia dar um vinte a um aluno. Houve também alguns pais que pediram reuniões com o reitor para manifestarem preocupação pela saúde mental daquele professor ou para saberem se a escola tinha entrado numa perigosa deriva facilitista. 

Assisti a isso com incredulidade, como se aquilo não tivesse nada a ver comigo, esperando que passasse depressa a confusão, não fosse ainda lembrarem-se de me sujeitar a um exame e eu estampar-me ao comprido. 

Na faculdade aconteceu-me várias vezes essa desconfortável sensação. Acima de uma certa nota nos exames (creio que 16), tinha que haver defesa de nota, isto é, uma espécie de prova oral, por vezes com júri. Com excepção da primeira vez em que fui sem saber ao que ia, das outras vezes ia uma pilha de nervos. Achava sempre que podia muito bem acontecer que fosse desmascarada, que se provasse que aquilo das notas altas nos exames era coisa do acaso, roleta, sorte ao jogo, coisa nessa base.


Uma vez participei num programa de televisão, coisa entre escolas. Fui escolhida, em votação de alunos com validação de professores, para ir representar o liceu em determinada matéria. Essa foi uma outra altura conturbada da minha vida. Tinha-me zangado com um namorado e, para lhe provar que ele era parvo, comecei a namorar com aquele de quem ele tinha ciúmes e por causa de quem nos tínhamos zangado. Portanto, a minha cabeça andava ocupada com o começo de um namoro com alguém que me amava de paixão e a quem eu tinha vergonha de confessar que tinha começado a namorar para atazanar a cabeça do outro e, ao mesmo tempo, ainda perdida de amor pelo primeiro mas incapaz de dar o braço a torcer apesar do que me custava vê-lo a descarrilar a toda a brida.

Portanto, praticamente sem tempo para estudar para as aulas, muito menos tempo eu tinha para me preparar para o programa de televisão.

De resto, aquilo era, sobretudo, uma festa, conhecer gente de outros liceus, uma animação, o ambiente das gravações, a malta da assistência a gritar o meu nome, uma coisa quase feérica.

E, então, no meio de tudo aquilo (e já o contei, desculpem, mas vou voltar a contar), acontecia qualquer coisa de inexplicável: quando chegava a minha vez de responder, tirando uma ou duas vezes em que chegava ao fim da formulação da questão e não tinha registado uma única palavra, tendo que pedir que repetissem, das outras vezes respondia ao fim de segundos, não sei como, ao calhas, e por mais elaborada que fosse a questão, respondia certo. A plateia quase vinha abaixo, com gritos e palmas.

Por vezes, na segunda feira, os professores, admirados com a minha rapidez nas respostas, perguntavam que linha de raciocínio tinha eu seguido e, para minha aflição, quase era incapaz de explicar, sobretudo porque a explicação correcta demorava algum tempo, não os segundos em que eu tinha chegado à resposta. 

Para quem assistia lá em directo e, depois, na televisão, eu passava por ser a modos que um pequeno génio. Para mim, era sorte, acaso, um tiro no escuro que, por mera ventura, acertava no alvo. Quando na rua as pessoas me felicitavam, eu sentia-me atrapalhada e só pensava que tomara que nunca descobrissem que aquilo nada tinha a ver com inteligência ou trabalho, era tudo fruto de uma sorte do caraças pois, muito sinceramente, a sensação que tinha era que respondia sem pensar, completamente ao acaso.


Esta sensação tem-me acompanhado a vida inteira. Também já o contei: vou para as reuniões sem pastas, dossiers, tablets, blocos de notas. Nada. Se vou eu fazer uma apresentação, enquanto os meus colegas que também vão faze,r frequentemente a levam em papel para, antes, darem uma leitura preparativa, eu nunca me lembro de tal coisa. Só à chegada, quando vejo toda a gente a sacar do seu arsenal e eu nada, muitas vezes nem a caneta encontro na carteira, é que me dá aquele tal velho medo: será que deveria ter-me preparado? será que melhor teria sido se tivesse trazido documentação de suporte? E daí ao medo de que, quando chegue a minha vez, não me lembre do que devia, não saiba responder a questões que me ponham, é um ar que lhe dá.

Pois bem.

Li que Michelle Pfeiffer, que agora está de volta ao cinema -- como há dias aqui referi (no caso Madoff) -- confessou que toda a vida o síndroma do impostor a acompanhou: o receio de que descobrissem que é uma fraude e lhe peçam de volta todos os prémios que recebeu.

Ao procurar algo mais sobre este síndroma vi que várias super estrelas dele padecem e que, pasme-se, também um número significativo de gestoras de topo, o sentem. No outro dia, ao ver uma entrevista com a Jane Fonda, ela contou que a Marilyn Monroe lhe tinha contado que andava a estudar (no Actors Studio) porque tinha pânico que descobrissem que ela não tinha qualquer talento. Imagine-se. 


E eu, lendo os seus testemunhos, fico (a modos que) mais tranquila: afinal não é pancada só minha. E não é que eu, nem de perto nem de longe, me queira comparar com as virtuosas figuras citadas, mas se com elas acontece isto, fará comigo, poor, poor me.  Posso achar que estão completamente enganadas algumas almas mais caridosas que ainda pensam que tenho alguma little quelque chose, posso achar que na minha vida, mais do que mérito, tenho tido é sorte, mas, enfim, há afinal gente verdadeiramente talentosa que padece do mesmo mal que eu. 

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E não se esqueçam de descer para verem uma coisa que se não é do além por lá anda perto: uma serpente crucificada.

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sexta-feira, julho 31, 2015

Como é que uma pessoa tem a resposta na ponta da língua perante uma rajada de 73 perguntas? Não sei. Vejo Nicole Kidman e espanto-me. (A menos que o vídeo resulte de montagens)


É actriz, vive na Austrália, tem 48 anos, dois filhos adoptados (de quando era casada com Tom Cruise) e dois biológicos do actual marido, Keith Urban, e vive numa casa no campo que impõe respeito. É elegante e bonita, rosto de marcas, e mantém a jovialidade apesar da vida agitada que tem. Por acaso, não é que simpatize especialmente com ela - parece-me muito perfeitinha - mas não interessa: é inteligente e bem sucedida e, a julgar pelo que tem feito e obtido na vida, certamente bem mais inteligente do que eu e do que muitos que andam para aí convencidos que têm cabeça.

73 Questions with Nicole Kidman
para a Vogue



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segunda-feira, maio 18, 2015

Sou mãe de um benfiquista convicto* mas a verdade é que não nutro especial simpatia pelo Benfica. Nem especial nem sem ser especial. Para dizer a verdade, nem sou de vibrar com clube nenhum. Por isso, não é disso que vou falar. Vou antes falar de uma coisa muito diferente: de um fazedor de nuvens


Há quem pegue em tintas e espalhe a cor sobre as telas, inventando flores, corpos, sombras, pontos de luz. Há quem trabalhe a pedra, a madeira, o metal e deles extraia formas abstractas, expressivos rostos, movimentos inventados. Há quem adivinhe acordes, reinterprete antigas sonoridades, traga melodia, ritmos e harmonia ou provocação à vida dos outros.

E há os que absorvem a vida que os rodeia, que interpretam os olhares dos outros, as palavras não ditas, que sonham formas diferentes de tecer frases e, com elas, constroem histórias, crónicas, poemas.

E tantos, tantos artistas de tantas artes. A dança, a fotografia, o teatro, o cinema, etc - tantos.

De Berndnaut Smilde não sei dizer se é um escultor, se é sequer um artista - os mais entendidos que o digam, que o cataloguem, que o julguem. Eu, na minha santa ignorância, acho que sim; artista de uma arte do efémero, do intangível, do imprevisto. Faz nuvens.





Eu vejo e acho lindo, acho o género de coisa que seria capaz de me comover se visse acontecer perto de mim. E, vendo as imagens, não olho para as nuvens que ele cria como algo de triste, aquele peso e negrume que tantas vezes se associa à nuvem. A mim parece-me uma impossibilidade sedosa, macia, branca - que se materializa. E que, depois, desaparece. 




Pode parecer aos mais puristas da coisa - e eu reconheço que, em tudo o que se prenda com arte, sou impura, ímpia, mas que me perdoem os entendidos, percebam que é aquela inocência própria dos ignorantes - que fazer figuras improváveis que se movem com o vento ou fazer nuvens dentro de uma sala é mais técnica e habilidade do que outra coisa. Talvez, mas poderia dar-lhes para fazer motores ou produtos químicos e não para fazer coisas belas, irreais, coisas que nos levam para uma dimensão incomum.

- É tão bom ser nuvem,
ter um corpo leve,
e passar, passar.

- Leva-me contigo.
Quero ver Granada.
Quero ver o mar.

- Granada é longe,
o mar é distante,
não podes voar.

- Para que te serve
ser nuvem, se não
me podes levar?

- Serve para te ver.
E passar, passar.


[de Eugénio de Andrade]


A Vanity Fair dá-lhe destaque e, para quem sinta curiosidade, pode ver aqui o que lá é dito. 


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* - No título, refiro apenas o meu filho como benfiquista quando originalmente a minha filha também foi manipulada para o ser. O meu cunhado, na altura ainda solteiro e bom rapaz, sempre foi benfiquista convicto, mesmo daqueles tinhosos. E então, quando apanhava o irmão de costas (sportinguista igualmente convicto), ensinava os sobrinhos, crianças de colo que ainda mal falavam, a responder à pergunta 'quem é o glorioso?' com 'benfica' levantando, ao mesmo tempo, a mão para fazer o V de Vitória. E, assim, cresceram os meus ricos filhos, sendo instruídos no misterioso culto do Benfica. Ela, pouco dada a futebóis, mais tarde tornou-se agnóstica, ao passo que ele se manteve fiel aos primeiros ensinamentos e festeja e vibra com ardor, como se uma vitória do seu glorioso fosse coisa importante na sua vida. (Que há-de uma mãe fazer...?)

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Bem, mas que venha a nuvem de Berndnaut Smilde
uma escultura feita de chuva imaterial - como que feita de luar, de lágrimas invisíveis e felizes.


 

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Estava a apetecer-me terminar com bailado. Aqui está.

Moon water

- numa interpretação do Cloud Gate Dance Theatre of Taiwan



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Desejo-vos, meus Caros leitores, uma semana muito boa a começar já por esta segunda-feira.
Saúde, sorte e amor é o que vos desejo a todos. 
(E dinheiro para os gastos, claro.)

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domingo, maio 17, 2015

Confissões dentro do carro antes de chegar à passadeira vermelha - Cannes 2015


Vão calmas? Sentem-se poderosas? Têm sede? Nervoso miudinho?

À chegada os fotógrafos, os elogios, os olhares de surpresa. E, para elas, tão bonitas, tão bem arranjadas, o quê? A sensação de imortalidade ou de que tudo é tão passageiro?

Ou apenas a vontade de se verem ao espelho, de rectificarem o bâton? Ou a vontade de fugirem dali?

A estrelas de cinema ou da moda contam-nos tudo.


Cannes 2015 - Last minute cars confessions



 

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quinta-feira, abril 02, 2015

A base de dados dos contribuintes está escancarada? A Autoridade Tributária é a casa da mãe Joana, entra quem quer e faz o que quer? Pois. Mas eu prefiro falar da Dame Helen Mirren, de novo brilhante como Queen Elizabeth II em The Audience. E na paródia com Jimmy Fallon.


No post abaixo divulguei uma curiosa e sugestiva campanha publicitária alertando para os riscos do sexo inseguro. Tem graça, alguma malícia e é muito útil.

Agora, aqui, estava com vontade de falar da bandalheira que para ali vai pela Autoridade Tributária que, de resto, é a imagem de marca deste governo indigente. Parece que ninguém sabe o que se passa em lado nenhum, mais parece que não passam todos de uma cambada que se abancou sem fazer ideia de a quantas anda, os serviços aparentemente sem rei nem roque, uma vergonha (ou melhor, uma falta de vergonha). Funcionários da Novabase, da Accenture, tarefeiros, estagiários, todo o mundo e mais alguém com via verde para acesso franco aos dados dos contribuintes. E ninguém consegue perceber se tudo se passa à revelia do Secretário de Estado, da Ministra e do Primeiro-Ministro ou se é tudo também uma cambada de mentirosos. 


Mas já nada disto me interessa, é tudo já demasiado pífio, um clima de fim de festa sem honra.

O desemprego está a aumentar e o Láparo diz que isso não o embaraça. Só tontices em que uma pessoa não sabe se são as palavras que ele usa que são mal escolhidas ou se é mesmo aquilo que ele quer dizer. 


E depois também a bandalheira do que se passou nas eleições da Madeira: parece que nada funciona e que ninguém é responsável, nem sequer consegue explicar o que se passa.


Por isso, vou dizer o quê? Pôr-me a remexer nesta bagunça? Não me apetece. Não gosto de mexer no lixo. 

Portanto, se não se importam, dou antes o palco a uma mulher de muito talento, Dame Helen Mirren.




No âmbito da promoção de The Audience na Broadway foi ao programa de Jimmy Fallon, The Tonight Show. E foi um show. O sentido de humor, a malandrice desempoeirada, o sotaque so posh (acentuado pelo hélio que aspirou), a capacidade de improviso são uma delícia, chegando a simular um discurso de aceitação do Oscar. 




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Já agora:


Helen Mirren em The Audience


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A campanha do pirilau graffitado é já aqui abaixo.

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quinta-feira, março 26, 2015

Cate Blanchett, a propósito da sua intervenção no filme Cinderela, mostra como se deve lidar com entrevistadores que fazem perguntas estúpidas: 'É essa a sua pergunta?', 'That’s your question? That’s your fucking question?' Então, 'nice to meet you'. Nem mais.


A bela Cinderela e a sua malvada madrasta
Lily James e Cate Blanchett


Vai uma mulher como Cate Blanchett prestar-se a conceder uma entrevista a propósito da sua intervenção no novo Cinderela, quando o entrevistador lhe faz uma perguntinha sobre o gato. 


Talvez uma qualquer princesinha se derretesse em sorrisinhos, contando, com pormenor, como se tinha dado com o doce felino e tal e coisa. Mas Cate Blanchett não é uma princesinha, nem uma pipoquinha saltitona. Cate Blanchett sabe ao que anda e tem mais que fazer do que aturar gente idiota. E, então, vai daí, com educação e deixando o entrevistador sem saber bem o que lhe tinha acontecido, espantou-se, riu-se e despediu-se. Nem mais.

Um exemplo a seguir por cá já que o que mais se vê são entrevistadores a cansarem a nossa inteligência com perguntas parvas umas atrás de outras.



Mais sobre o assunto na Vanity Fair.


E, já agora, let's look at the trailer do Cinderela (que tem um guarda-roupa sumptuoso).



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Sobre a beleza pura das imagens perfeitas, do bailado, da poesia e da voz que a diz, é descer, por favor, até ao post já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira.

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terça-feira, fevereiro 24, 2015

Toilettes e estilos para todas as idades nas festas que se seguiram aos Oscares 2015. Vestidos, penteados, maquilhagens. Uma inspiração. Cá por mim já escolhi: no próximo encontro de empresa visto-me de Irina (é que com um vestidinho preto nunca me comprometo). E, vá lá, uma mesa redonda especial com uma rapaziada deveras talentosa e divertida.


No post abaixo já vos mostrei como é fácil deslocar um edifício enormérrimo e pesado para burro e já lancei um apelo aos engenheiros civis do meu país, a ver se aplicam a mesma técnica para mover um certo edifício e depois mais outro e outro e outro: tudo de carrinho para longe da nossa vista. Xô!

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou dar largas ao meu lado de gaja, de pipoca (doce ou salgada), de palmier (encoberto ou descoberto), de uva (passa ou passada), de princesa (a dias ou a termo), de mãe de quatro (com ou sem cocó na fralda), de tirititi, de linda porcalhota. Oscares: vestidos, toilettes, maquilhagens, looks, whatever. Também sou filha de deus, ora essa. 


Podia escolher mais uns quantos outfits mas isto ficaria um lençol comprido até mais não e, portanto, vou comedir-me.


Cate Blanchett, sempre requintada. Vestido preto liso (John Galliano para a Maison Margiela) com colar de turquesas.
Também gosto de me vestir assim embora as minhas vestimentas não sejam Margiela e os meus colares sejam da Parfois


Mr Moustafa: da banda sonora de The Grand Budapest Hotel 



Marion Cotillard, elegante em branco. Dior. O vestido era invulgar e perfeito de tão inesperado.
Não necessita de se descascar para ser uma mulher sexy
Maquilhagem perfeita (ou não fosse ela um rosto Dior). 


Meryl Streep, sempre com muito style. 
Não precisa de inventar vestidos com cauda, sem cauda, com transparência sou de gola alta: veste qualquer coisinha e fica sempre bem. 
Ia de Lanvin.


Jennifer Lopez no vestido after-oscar, a verdadeira sexy girl (com 45 anos). 
Transparente e sem nada na manga. 
Se eu um dia reencarnar, quero ter um corpinho e um descaramento que me permitam vestir uma transparência destas (Zuhair Murad Couture)


Gigi Hadid, que não sei quem seja, num vestido com muita pinta mas, claro, é do tipo de vestido que é para quem pode (com ou sem h, à escolha).


Irina Shayk, ex-Aveiro, apesar de não ser artista de cinema não perde uma festa destas.
Não sei se será pelos croquetes, se é porque faz presenças.
O que sei é que o vestido não devia proteger muito do frio e parece que ali em baixo, no pé, já tem uma malha. E na coxa parece que também já fez um pegão. Um problema.
Não percebo é que habilidades terá ela que fazer quando precisar de fazer chi-chi: terá que se despir de alto a baixo?
A D. Dolores, ao ver estas fotografias, até deve deitar as mãos ao alto: de perdições destas já o seu Ronaldo se livrou.


Duas charmosas num momento de ternura: Jennifer Aniston, toda maternal, a ver se pode com a Emma Stone


Amy Adams, Kylie Minogue e Sofia Vergara - as fabulosas mulheres de azul


Jane Fonda, elegantésima como sempre. 77 anos cheios de estilo e carisma


Bem...! E esta...? 81 anos e com um look de alface acabada de colher. 
Toda fresca e bem conservada. Nem dá para acreditar. Deve estar esticadinha por dentro e por fora, já nem deve conseguir abrir a boca. Mas não interessa, está giraça, essa é que é essa.


Em contrapartida, a Melanie Griffith, aos 57, parece mais velha que a outra, a Collins, que tem mais do que idade para ser mãe dela. 
Tanto se implantou (as poitrines, então, estão um exagero), tanto se enxertou e injectou de botox que acabou toda artificial. E, coitada, não se livrou das rugas. tanta mão de obra para isto.
Aqui com a sua filha Dakota Johnson, a menina que gosta de apanhar tau-tau nas 50 Sombras de Grey. 
A maquilhagem da Dakota foi considerada, muito justamente, a melhor dos Oscares 2015

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Dos homens não tenho grande coisa a dizer, não vi nenhum com toilette que me desse no olho. 

O outro pôs-se de cuecas mas, enfim, joga noutro campeonato e, de resto, não faz o meu género. Mas pronto, para não dizerem que, só a pôr aqui mulheres, às tantas também eu jogo noutro campeonato, cá vai elezinho.

Neil Patrick Harris, o apresentador dos Oscares 2015 - que falta de imaginação!
De cuecas? De cuecas... e meias? E sapatos...? Bahhhh!
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E o Oscar para melhor interpretação feminina foi para Julianne Moore, como seria de esperar.


Julianne Moore, 54 anos, dentro de uma obra prima - Chanel, claro

O meu nome é Alice


E um tema que temo.




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E, já agora, uma mesa redonda com os nomeados masculinos, na qual Eddie Redmayne, o vencedor da melhor interpretação masculina, relata o seu encontro com Stephen Hawkins





Eddie Redmayne (The Theory of Everything) descreve o seu encontro com Stephen Hawking e o facto de ambos serem Capricórnios

Também Ethan Hawke (Boyhood), Timothy Spall (Mr. Turner), Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Channing Tatum (Foxcatcher) e Michael Keaton (Birdman)

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Depois das artes, a ciência e a técnica: um extraordinário feito de engenharia civil vem já a seguir.

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E hoje, com as vossas desculpas, fico-me por aqui porque tenho que me levantar com as galinhas e temo bem que tenha à minha espera um verdadeiro dia de cão.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.
Boa sorte para todos (e para mim também, se faz favor).
A ver se acabamos todos o dia a rir, na boa. Ok?

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quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Uma Thurman plástica. Ou deverei dizer Uma Thurman transformou-se em mulher de plástico? Ou Uma Thurman quitou-se de tal maneira que desapareceu o modelo original?


Estava eu de manhã a começar uma reunião quando recebo um sms da minha filha. Tinha o telemóvel no silêncio mas aquilo acende-se quando recebe qualquer coisa. Geralmente não atendo nem leio, fica para depois - excepto se for da família ou, em especial, dos meus filhos. Fui logo ver. Mandava-me um link e dizia 'olha, mais outra'. Pela descrição do link percebi que a Uma Thurman teria feito uma plástica. Nessa altura uma colaboradora minha deu-me um toque no braço e vi que estavam todos em suspenso à espera que eu fizesse a introdução da reunião. Bolas. Lá cumpri com o meu dever e todo o santo dia estive ocupada, incluindo ao almoço e só agora, tarde e más horas, chegada ao hotel e ligando o computador, é que vi o disparate a que a minha filha se referia .

De facto, o que é que dá na cabeça destas mulheres para darem cabo da expressão, das feições, para se desfazerem da cara com que nasceram?

Vejo pelas notícias que tem 44 anos. Com 44 anos uma mulher desgosta tanto de si própria que desfaz a cara para fazer outra? Não percebo. Olho para ela e acho que perdeu a graça, perdeu a identidade.

Estive há pouco a retirar o rímel e a sombra ligeira que tinha nas pálpebras superiores. Olhei-me ao espelho. Noto que o tempo e o riso frequente já fizeram alguns estragos mas, benevolente e optimista como sou, não me vejo a precisar de me esticar. Sobretudo, não me vejo a correr o risco de fazer alguma que fizesse ainda mais estragos. Só o medo de me olhar ao espelho e não me conhecer.... deve ser o horror dos horrores.




E, no entanto, parece que cada vez mais mulheres optam por fazer parvoíces destas. Não ficam mais jovens, não ficam mais bonitas nem sequer ficam com um ar mais feliz. Gostava de perceber mas não percebo.

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Demi Moore, 52 anos, com a filha
Gwyneth Paltrow, 42 anos, toda beiçuda
Volto aqui, Já estava eu a preparar-me para outro post quando recebi agora um sms da minha filha a dizer que me enviou um mail para ver mais duas que, segundo ela, também se passaram. 

Cá estão elas, a Demi Moore quase irreconhecível e a Gwyneth Paltrow que não é que esteja feia mas está lisa e preenchida como uma boneca insuflada. 


Botox, plásticas, esticamento, não sei, só sei que ficam muito estranhas.



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sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Os Brits declaram guerra a Hollywood. São muitos e são muito bons, do melhor que o cinema tem. Temos o Benedict Cumberbatch a desnudar-se para entrar no lago, temos o orgasmo de Keira Knightley, temos a Mary de Downton Abbey a perguntar ao namorado se sabe assobiar - e muito mais. Um excesso de dar gosto.


Havia a Família Forsyte e havia uma série sobre a vida na Índia de que agora não me lembro o nome mas que tinha aquele charme requintado e discreto da burguesia que dava gosto. E outras. As séries britânicas sempre boas. 

E os actores ingleses também sempre fantásticos, uma espécie de exemplares únicos. 

Mas eis que agora se faz a contabilidade e se vê que, apesar de únicos, são mais do que as mães, tantos que já se fala de uma invasão. Os ingleses a invadirem Hollywood.


O orgasmo de Keira Knightley



Hollywood’s British Invasion. O bouquet não poderia ser melhor: Benedict Cumberbatch, Natalie Dormer, Jeremy Irons, Terence Stamp, James Corden, Jude Law, Jack Huston, James McAvoy, Sally Hawkins, Clive Owen, Michael Caine, Eddie Redmayne, Ruth Wilson, Dominic West, James Corden, Kenneth Branagh, Orlando Bloom, Chiwetel Ejiofor, Keira Knightley, Tom Hiddleston, Judi Dench, Jamie Dornan, Sienna Miller, Matthew Goode, Jack Huston Ruth, Wilson Michelle Dockery, Damian Lewis, Felicity Jones, Sam Claflin, Sophie Turner, Lily James, Richard Madden, Luke Evans, Carmen Ejogo, Annabelle Wallis, Dev Patel, Imogen Poots, David Oyelowo, Gugu Mbatha-Raw, e James Corden.


Os vídeos realizados por Jason Bell, com o selo de qualidade Vanity Fair, são surpreendentes e plenos de humor, mostrando os actores britânicos em bem humorada homenagem aos americanos, seja a filmes seja a deixas célebres.

Preparing for war

Benedict Cumberbatch with Bloodhounds



Coming to America

Eddie Redmayne Frolics on a Bike 



Preparing for war

Don't miss Keira Knightley's fake orgasm (a la "When Harry Met Sally") 


Quando o glamour e o humour andam juntos é um pleasure.
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Allow me: no post abaixo falo de como estar na boca dos tubarões não é, à partida, sinónimo de medo e de submissão e de como um gato se pode mostrar destemido face a um jacaré. E, claro, falo da Grécia. E de Portugal também.

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sábado, janeiro 17, 2015

Eu, Cumberbitch confessa, não escondo: acho o Benedict Cumberbatch um actor do caraças. O Jogo da Imitação é um belo filme pela vida do fabuloso matemático Alan Turing mas também (e sobretudo) pelo desempenho dele que é extraordinário.


No post abaixo falei de liberdade de expressão, de terrorismo, de fanatismo religioso e do sururu que por aí vai sobre as inesperadas palavras do Papa Francisco que disse que, se chamarem um palavrão à mãe, é bem capaz de dar um murro a quem o fez. Ou seja, em vez de pedir que chamem mais um, é bem capaz de ter uma reacção emocional e isso, como seria de esperar, fez cair o Carmo e a Trindade. Afinal o Papa defende ou desculpa o terrorismo? Ui....!

Mas, enfim, sobre isso falo no post seguinte. Aqui, agora, a conversa é outra.


Cheguei a casa tarde e más horas e, cheia de sono, vinha a jurar a mim própria falar do filme e ala moça que se faz tarde: cama! 

Mas não sou de cumprir com as minhas determinações quando elas são atiladas e, portanto, já fiz de tudo, incluindo mudar o look ao blogue. Já andava farta daquele décor em cor de vinho, estava a apetecer-me ir para a rua, laurear, sentar-me encostada a uma árvore, desfrutar de uma natureza mais verdejante, ser cortejada.

Por isso, já num ambiente mais campestre, vou, então, falar do filme que fui ver esta sexta-feira à noite: O Jogo da Imitação. Para começar, uma surpresa. A maior sala do Cinema, uma sala mesmo enorme, cheia, cheia, cheia e, grande parte, jovens. O que os levou lá? Estávamos espantados com aquela enchente e o meu marido já temia o pior, barulho, agitação. Mas qual quê. Caladinhos durante todo o filme, acompanhando-o com atenção - uma coisa surpreendente.




Da vida de Alan Turing se poderia dizer que daria um filme - e deu já mais do que um. Este que hoje fui ver tem como actores principais Benedict Cumberbatch e Keira Knightley e só por eles já o filme valeria a pena. Mas vale por muito mais que isso, incluindo pela vida de Alan Turing.


Eu, que amo a matemática (e que, enquanto a estudei sempre tirei notas altas que incluiram duas vezes 20 e umas quantas outras 18 e 19, tendo até ganho prémios por causa disso), nunca fui de saber fazer habilidades. Pelo contrário, o meu interesse nunca foi despertado por enigmas, charadas, jogos sequenciais e coisas que sempre considerei perda de tempo. A mim sempre me interessou mais a lógica e a relação pura entre as coisas. Mas tudo o que sejam filmes que metam matemáticos me atrai. Geralmente são seres um bocado à parte, com alguma dose de autismo ou de excentricidade mas que têm em comum um despojamento face ao supérfluo e uma relutância em lidar com o artifício. É que há na matemática uma verdade e uma beleza que só quem as sente o percebe. É como gostar de poesia. Tem que se gostar de contemplar o efeito da luz sobre as palavras, o ângulo que a sombra desenha nas frases. É um deslumbramento idêntico a gostar de decantar a verdade que existe nas expressões algébricas, encontrar-lhes a raiz, sentir a seiva que liga os números, as variáveis.

Alan Turing ia para além disso, Alan Turing era daquelas pessoas tocadas pela genialidade. Ele viu para além dos tempos. 

E, por ser homossexual num tempo em que as diferenças eram ilegais, sofreu a humilhação de uma condenação e de uma castração que o debilitou até ao fim dos seus dias. 

Morreu novo e não é fácil imaginar o quanto a história teria sido acelerada se tivesse vivido mais e em liberdade para poder oferecer ao mundo o fruto da sua prodigiosa visão. A sua máquina, a que chamou Cristopher em memória do seu primeiro amor, era, de facto, um computador, uma coisa extraordinária que reproduzia os mecanismos da sua mente.




Dado o adiantado da hora, sobre Alan Turing fico-me por aqui e falo agora de Benedict Timothy Carlton Cumberbatch, esse fabuloso actor inglês de 38 anos, ou melhor da fama que se vai construindo à sua volta.


Às suas fãs chamam Cumberbitches e dizem que, para se ser uma verdadeira Cumberbitch, tem que se obedecer a oito condições:


1 - Tem que se ter um elevado QI
2 - Tem que se mexer bem na internet
3 - Tem que se gostar de filmes obscuros
4 - Tem que se gostar de multidões
5 - Tem que ter interesse por História e por Política
6 - Tem que ter sentido de humor
7 - Tem que ser paciente
8 - Tem que ter obsessão por pormenores

Não sei se cumprirei todos os requisitos e seguramente não gosto de multidões mas quero lá saber, sou completamente fã desta criatura.


E se às fãs chamam Cumberbitch, ao bebé que está para nascer já chamam o Cumberbaby. Benedict está noivo e o noivado foi anunciado num jornal, à moda antiga - nada de facebooks cheios de likes. O bebé chega dentro de pouco tempo e imagino o pasto que isso vai ser para as revistas e para as redes sociais.




Não é propriamente a beleza física que mais atrai neste actor já que Benedict não é propriamente bonito, tem umas feições exóticas. Mas tem um charme, um sentido de humor, uma inteligência e uma voz que o tornam único. 

A sua representação neste filme é qualquer coisa e eu gostava muito que ele viesse a arrebatar um Óscar.

Quanto ao filme em si, transcrevo do Cinecartaz do Público:

O criptoanalista, matemático e filósofo britânico Alan Mathison Turing (1912-1954) é hoje considerado um dos precursores da computação moderna. Durante a Segunda Grande Guerra, ele e a sua equipa deram uma ajuda fundamental aos Aliados na descodificação do código Enigma, que os nazis utilizavam para comunicar secretamente os planos de ataque. Já durante o pós-guerra, Turing projectou um dos primeiros computadores programáveis no laboratório nacional de física do Reino Unido. Entre muitas outras coisas, os seus estudos serviram ainda para abrir portas a uma das questões mais pertinentes da tecnologia da actualidade: a possibilidade teórica da inteligência artificial.
Apesar de todo o reconhecimento, a sua carreira terminou abruptamente em 1952, depois de ter sido processado por atentado ao pudor, acusação que culminou numa condenação por homossexualidade, à época ilegal no Reino Unido. A 8 de Junho de 1954, dois anos depois de iniciar um tratamento com injecções de hormonas femininas que provocam castração química (que preferiu à prisão), Turing foi encontrado morto na sua própria casa. A morte foi classificada como suicídio, embora muitos, começando pela sua mãe, refutem a conclusão.
Em Setembro de 2009, depois de uma campanha liderada por John Graham-Cumming, o primeiro-ministro Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público em nome do Governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado. Finalmente, a 24 de Dezembro de 2013, o matemático recebeu o perdão da rainha Isabel II.
Realizado pelo norueguês Morten Tyldum ("Headhunters - Caçadores de Cabeças"), um filme dramático sobre a vida de Alan Turing, o lendário génio da matemática que decifrou códigos nazis e que acabou perseguido pela sua orientação sexual. O elenco conta com os actores Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode e Mark Strong, entre outros. Escolhido pelo público como o melhor filme em competição no prestigiado Festival de Cinema de Toronto (Canadá), "O Jogo da Imitação" recebeu ainda cinco nomeações para os Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Actor (Cumberbatch), Melhor Actriz Secundária (Knightley), Melhor Argumento (Graham Moore) e Melhor Banda Sonora Original (Alexandre Desplat). PÚBLICO

O JOGO DA IMITAÇÃO - trailer






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Relembro que no post a seguir falo das palavras do Papa Francisco a propósito do atentado terrorista no Charlie Hebdo. 

Estou a escrever praticamente a dormir pelo que não apenas não consigo rever o que escrevi como antevejo uma chusma de gralhas. Peço o favor da vossa tolerância.

Nota: Acabada de chegar da minha caminhada e com o Expresso em meu poder, vi que saíu um grande artigo sobre Benedict Cumberbatch, sobre O Jogo da Imitação e sobre as Cumberbitches. Como é fácil perceber pela leitura do que escrevi, não tinha visto o Expresso quando o fiz (já que acabei de escrever por volta das 3 da manhã) mas fico satisfeita por ver confirmada, por entendidos, a minha modesta opinião.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado. 

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