De quando em vez um ou outro comentador de direita da nossa televisão diz mal do Pedro Sánchez. Não conheço o suficiente da politica espanhola para me pronunciar mas há pelo menos duas coisas que sei. A economia espanhola é das que mais cresce na UE e o PM espanhol, ao contrário do que acontece com o governo português, não faz fretes ao Trump e não verga a espinha à administração americana. Eu sei que é difícil a Europa falar a uma só voz e que há líderes europeus que não aprendem, mas as declarações que têm sido feitas por estes lados são verdadeiramente irritantes e diminuem o papel que UE devia ter na cena internacional.
Não aprenderam que a única vez que a Europa mostrou alguma união e fez frente ao Trump, refiro-me á Gronelândia, o tipo TACO (Trump always chickens out). Não percebem ou não querem perceber que estes actos da administração americana, que toma medidas despóticas, irracionais, que não respeitam o direito internacional e fortalecem objetivamente as posições dos russos e dos chineses têm que ser criticados e a que UE não pode ser complacente com eles. O que vale é a lei do mais forte e, se a UE fosse firme, poderia fazer das fraquezas forças e começar a contar na política mundial.
Na realidade, a Europa dividida e minada por duas ou três toupeiras, não é suficientemente forte e muitos dos países da UE não contam para este campeonato. O Macron, de vez em quando, tenta pôr-se em bicos dos pés e o Merz dá mais no cravo que na ferradura. Por exemplo, na terça-feira, na Casa Branca, quase fez figura de urso.
No caso português, ninguém os tem no sítio. A entrevista do Paulo Rangel na CNN para justificar o injustificável relativamente às Lajes foi ridícula. Nem coragem têm para assumir o que aconteceu. Estou convencido que, se o Pedro Sanchez fizesse alguma escola, a Europa era mais respeitada e o eixo transatlântico não ia ao fundo, antes pelo contrário. Felizmente, esta quarta-feira, o Costa mostrou solidariedade com Espanha o que é relevante.
Tenhamos esperança, mas não estou suficientemente confiante que as midterms tragam grandes mudanças nos Estados Unidos. O Trump é tão nocivo como o Putin e a sua eleição foi uma verdadeira catástrofe planetária.
O Trump é um grande problema, mas, o problema enorme são aqueles que o rodeiam e que tudo manobram para conseguirem os votos dos grunhos e demais acéfalos. Será que vão conseguir continuar a manobrar a esta gente em Novembro?
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Uma nota final: A conferência de imprensa do Peter Hegseth e a forma como falou do afundamento do navio iraniano revelam bem a boçalidade da administração americana. Ao elogiar empolgadamente a forma como, com um torpedo, o navio foi afundado, esquecendo-se que a bordo estavam quase duzentas pessoas, revela a crueldade e a falta de respeito pela vida humana da administração Trump.
Está uma pessoa todo o dia a trabucar, envolta em avaliações e em planeamentos, pontos de situação, qui-pi-ais e outras coisas que tais quando, no final da jornada, ao espreitar as notícias, dá de caras com uma peitaça peluda, coisa só vista nos épicos tempos do Tony Ramos.
Uma pessoa pisca e catrapisca os olhos, incrédula, dizendo para com os seus botões: Uóta-faque?
E, então, constata que não é alucinação, não senhor, está mesmo diante da mais improvável das situações: a peitaça é do Emmanuel e a frondosa pelagem preta também.
De perna aberta, todo sorridente, o manganão mostra-se assim ao mundo: jovial, quase informal, bonito, pronto para ofuscar, sem hesitação, a amiga do Putin.
Depois desta fotografia não sei de que é os franceses, em especial as francesas, vão falar: se da idade da reforma se da inesperadamente cabeluda campanha de Macron.
Ia dizer que a máquina de guerra tem os motores a aquecer na expectativa de encomendas das valentes mas que a malta não é maluca a ponto de desencadear uma guerra só para fazer a vontade aos mesmos de sempre. Eles e os do petróleo. Ia dizer... mas já não digo nada.
Não hei-de esquecer-me de estar numa reunião daquelas que juntava umas quinze pessoas em volta de uma magnífica mesa ovalada em nogueira e de se falar na previsível queda do BPP e de 'a ver se um dia destes não vai o BES' e eu dizer e insistir que o BPP ainda vá que não vá embora me custasse a crer mas que o BES e o GES eram too big to fail: impossível, as quebras haveriam de ser brutais, impossíveis de acomodar, que o risco da queda era maior do que as chatices de limpar o que houvesse a limpar. Insistiam que a coisa estava a ficar feia, que cuidado com o que andava a passar-se, que algumas guerras intestinas às vezes acabavam mal e eu que aquilo era uma daquelas conversas fatalistas que podiam resultar mal, que começa um a dizer isso, outro repete, um terceiro ouve dois e faz-se eco e que, às tantas, o que não era nada passava a ser um big buraco. Por fim, estávamos dois em posições bem definidas: ele a a dizer que eu não me fiasse na sensatez dos políticos e de alguns decisores e eu a dar a entender que ele era um conservador fatalista, um pessimista daqueles que ajuda a espalhar o medo, um descrente da democracia.
Algum tempo depois andava a fazer-se as contas às imparidades, à dimensão do risco, a avaliar protecções e salvaguardas, a analisar os colaterais, a encarar a forte probabilidade de encaixar vultuosas perdas, os advogados e consultores e auditores a trabalharem a todo o gás, todos atordoados com o que estava a acontecer.
Nunca ele me lembrou: então? quem é que tinha razão? Mas eu, que sou humilde, várias vezes o referi: tinha razão e eu não, enganei-me redondamente, nunca pude sequer imaginar tal coisa.
Depois disso ainda mais incerta fiquei nas minhas certezas. Juraria que não vai haver guerra coisíssima nenhuma. Os russos e os americanos podem parecer parvos mas burros não são. Ou o contrário: podem parecer burros mas parvos não são.
A gente vê aqueles tipos, um com cara de pero saloio, a pares, numa mesa com vários metros de comprido, um em cada ponta, numa sala com uma decoração à Monty Python e fica à espera que apareça um conselheiro a andar com passo maluco ou um psiquiatra alucinado a recolher um dos que ali está, feito parvo, a dizer coisas sem qualquer sentido.
Mas isto sou eu, tolhida pela lembrança de todos os meus muitos anteriores juízos errados, cheia de incertezas.
E se, apesar de tudo, estou uma vez mais enganada e um destes dias acordamos com guerra às portas de casa?
Não dá para acreditar, temos todos mais que fazer, certo....?
Mas, com tanto doido varrido por aí à solta, às tantas estou eu aqui no maior cepticismo, armada em engraçadinha, achando que anda por aí muita histeria, os media todos empolgados, a acharem que não precisam de inventar assunto, com os comentadores do corona e da vacina e do estado de emergência, os mesmos das eleições e da seca e das alterações climáticas, agora já especialistas em geopolítica... e já por aí anda a tropa em treinos, os campos de tiro todos numa efervescência, tiro aos pratos a doer, todos a marcharem para aprenderem a disciplina de marcar passo para o mesmo lado...
Na volta até já aqui, pelo burgo, anda malta em exercício. O nosso charmoso Vice-Almirante capaz até de já andar a treinar task-forces para desentupirem os canhões, a malta dos paióis, Tancos included, a fazer contagem de munições (e, se não houver balas, que se usem supositórios) e o nosso ubíquo Marcelo já a mandar recados motivacionais aos soldados e, todo enciumado, a mandar bocas ao Putin por não o ter recebido na big mesa oval.
Vamos lá a ver. Não há pachorra para palhaçadas, invasões, tretas que já só encaixam em cenas para rir. Era só mesmo o que faltava.
Só para dizer que neste momento não posso estar concentrada no que estou a escrever. Tenho os olhos e os ouvidos noutra coisa. Ou seja, a minha cabeça está tomada pela atenção a uma coisa de que não posso falar aqui e, portanto, os meus dedos, que dançam sobre o teclado, estão por sua conta e risco. Não respondo por eles.
E isto para dizer que estava para falar daquele Marta Soares que acha que isto da Protecção Civil é a mesma coisa que o Sporting nos bons velhos tempos do outro maluco -- guerras intestinas, esquemas, bocas foleiras e ameaças feitas à cara-podre, badernas e tareias encomendadas. Ouvindo-o a incendiar os bombeiros, com total ausência de sentido de responsabilidade, só me ocorre que ele está bem é como líder das claques. Líder da Juve-Bombeys, por exemplo. Mas não tenho cabeça para isso pois estou noutra. Gente corporativista como este Marta Soares não interessa nem ao mais pintado.
Também tinha pensado falar na patareca da May, essa pobre desengonçada mental que desde o início mostrou não ter cabeça, pulso, fibra, pedalada ou endurance para levar a cabo um dos maiores disparates de que há memória. Qual brexit qual carapuça: os ingleses enfiaram um barrete até ao queixo votando numa coisa que nem sabiam o que era e, agora que os que se meteram nisto fugiram todos, ficou ela com o abacaxi nas mãos. Se fosse esperta já tinha tido tempo de tirar a malta deste beco sem saída, desta saia mais do que justa. Mas não: para ali anda, atarantada, sempre a pôr-se a jeito para que o Reino Unido seja motivo de galhofa geral. Mas, enfim, não falta muito para que esta pobre coitada da Theresa May passe à história -- pelo que não vou desconcentrar-me do que hoje me tem presa.
Também me ocorreu falar do Macron, armado em Papai Noël, a distribuir dinheiro limpinho ao pessoal, a pedir aos patrões que também sejam o Santa Claus e paguem um prémio limpinho de impostos aos coletes, aos amarelos e aos outros. Mas não vou dizer nada. Que a malta precisa de dinheiro limpinho não se questiona. O que me deixa sem palavras é a coerência de tal bodo, rendimentos não tributados, na sequência do vandalismo nas ruas. Jingle bells, jingle bells, tudo bem, é o clima natalício, black friday para todos -- mas agora vai ser assim? A malta não gosta de uma coisa, vai para a rua partir montras e incendiar carros e vem ele, cara de anjinho ou de menino jesus, e, para ver se eles se portam bem, dá-lhes dinheiro limpinho? É que nem sei o que dizer. Só isto: Macron is coming to town. Binga, binga, jinga, jinga.
E há bocado também ouvi o Vara na TVI a dar a entender que foi vítima de uma cabala, de uma vingança mórbida e que os jornalistas deveriam analisar o processo a ver se encontram matéria de facto. E também deu a entender que isto foi tramóia do Super-Judge Alex, fornicado (pardon my french) por não ter sido ajudado -- ao que percebi para ser chefe das secretas. Que aquele so called Saloio de Mação não é flor que se cheire e que tresanda a ressabiamentos e invejinhas pouco brancas, isso já o próprio nos deu a saber através de entrevistas em que, querendo basofiar-se, deu uma data de tiros em cada pé. Mas chegar a ponto de sacanear os que não o levaram ao colo para onde ele queria isso parece coisa suculenta demais para ser deixada passar em claro. O Miguel Sousa Tavares que anda outra vez com o bichinho da informação que agarre o pitéu, se faz favor. E, portanto, fico-me por aqui à espera que a coisa se esclareça. Agora uma coisa é certa: mais depressa compraria um carro em 2ª mão ao Vara do que ao Saloio.
E pronto. É isto. Também já despachei o tema no qual estava focada. Agora vou pôr creme nas mãos, vou fazer o tapete e vou ver se, entretanto, me ocorre algum tema interessante.
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As fotografias mostram o que abaixo descrevo e que retirei do The Guardian:
In her elaborate self-portraits, Cecilia Paredes hides within colourful, patterned fabrics. Based in Philadelphia, the Peruvian-born artist started the series in 2005, when she moved to the US from Costa Rica and was trying to “blend in”. “I wanted to really get along in my new environment and literally become part of the landscape,” she says. The materials she chooses have a personal connection: a pattern involving orchids, for example, the national flower of Costa Rica, symbolises her past life there. Paredes is then painstakingly painted by her assistants. “The day of the shoot is very precise,” she says. “You don’t want any disturbances. I cannot move, and the painting can be from 7am to 3pm, so it’s a very long process.” Portfolio Series: Cecilia Paredes is at the Museum of Latin American Art, Long Beach, California, until 30 December
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PS: Volto aqui, depois de ter dado o post por encerrado, só para confessar a minha desatenção. Então não é que tenho estado aqui no maior esforço a puxar a agulha e ela sempre a escorregar-me? Isto de ter posto creme nas mãos antes de me atirar ao tapete foi mesmo mal alembrado. Que destreino, este meu.
Já ontem tinha tido vontade de aqui partilhar alguns momentos mimosos e bizarros da visita do casal Macron na sua recente visita aos States e ao peculiar casal Trump. Mas sendo que o assunto que me motivava era o 25 de Abril, não quis misturar fenómenos do Entroncamento com uma data tão especial.
Pois bem, não consigo esperar mais. Sem que consiga dizer alguma coisa sobre o tema já que, perante acontecimentos do além, tendo a ficar muda e queda, deixo aqui ficar algumas imagens que demostram o bom clima entre os dois fantásticos casais que, pelo que parece perceber-se, disputam entre si quem faz a pose mais inesperada (ou amalucada, como se queira).
Os jornalistas e blogueiros que defendem que é importante que a transmissão televisiva dos interrogatórios judiciais aconteça -- para que nós, jurados do povo, através da sua linguagem corporal dos inquiridos, possamos julgá-los ajuizando se o que dizem é verdade -- talvez saibam interpretar as pernas abertas da Brigitte, as inacreditáveis poses da Melania, os beijinhos e as mãos dadas do Donald e do Emmanuel ou o beija-mão deste último à dúbia primeira-dama americana. Eu não sei. Limito-me a achar que tudo aquilo me parece um filme cómico.
E mais não digo pois não sei mesmo o que dizer. Macron ter aparecido ao lado do palhaço Trump e da taralhouca May na fantochada do pseudo ataque aos depósitos de armas químicas da Síria deixou-me intrigada e agora este climinha de amor entre ele e Trump é o corolário da minha incompreensão. E não são as aparentes críticas de Macron a Trump no Congresso que me ajudam a esclarecer qual a verdadeira relação institucional entre os dois estados. Ou Macron é mais esperto do que possa parecer ou é mais parvo do que se julga. Por isso, deixo as especulações sobre o tema para quem perceba alguma coisa de jogos de xadrez com peças de fabrico incerto.
Não gosto de falar sobre o que não sei. E a verdade, verdadinha, é que não percebo boi do que se passa na Síria. Só sei que o que lá se passa não é coisa boa, nada, nada boa. Melhor: uma desgraça de todo o tamanho e, pior, sem contornos. Se quisesse remeter-me para o léxico topológico nem saberia enquadrar o que lá se passa, na melhor hipótese diria que se trata de um qualquer espaço homeomórfico que se transmuta consoante quem o olha.
Do nada que sei, não consigo apontar um dedo convicto ao suposto facínora Bashar al-Assad como sendo o único mau da fita tal como não consigo fazê-lo em relação a qualquer um dos outros, terroristas, extremistas, aliados ou bandidos.
Mas uma coisa eu sei e tem a ver comigo: não embarco no que me dizem quando a coisa não é óbvia e quando não têm provas para mostrar (excepto se for gente credível a toda a prova -- o que, convenhamos, está longe de ser o caso).
Uns quantos resolveram atacar um país e fizeram-no por sua alta recriação; acontece que, ainda por cima, se trata de gente de índole mais do que duvidosa, gente doida, gente parva, gente a quem não se conhecem grandes escrúpulos, -- e isso a mim não me inspira qualquer confiança.
O espaço político (ou palco de guerra, como se diz) é mais do que conturbado e de lá nunca a informação nos chega escorreita; do palhaço do Trump já mais do que conhecemos do que a casa gasta; sobre o Reino Unido sabemos também bem como aquela tropa anda a deitar a mão a qualquer farsa para afastar o mau olhado do Brexit e a baixíssima popularidade da desajeitada May. Portanto, desculpem mas não vou na cantiga disto de ter sido uma boa coisa terem atacado o arsenal químico da Síria. E não vou por todos os motivos e mais um, sendo que esse um é que podem ter atacado muita coisa mas um arsenal químico não atacaram de certezinha absoluta. Não sou a única a dizê-lo e estou bem acompanhada nisso: não apenas o Pata Negra como várias testemunhas, cientistas e vozes informadas.
Horse market, Syria -- Alberto Pasini, 1893
Portanto, havendo na minha mente a dúvida não esclarecida sobre se este ataque tem alguma coisa a ver com alguma coisa do que é dita ou se é mais uma patranha como a das armas de destruição maciça que justificaram a invasão do Iraque -- e, nessa altura, também com meio mundo a acreditar nos aldrabões que se juntaram nas Lajes pela mão do faxineiro Durão Barroso -- deixo-me ficar calada. Que fale quem souber do que fala.
Outra coisa que eu também não percebo bem é que ideia é a do Macron para meter a França nisto, ao lado do anormal do Trump e do caso-perdido da May. Mas, enfim, nestes tabuleiros tudo se joga e, portanto, alguma é -- e, provavelmente, não é boa.
[Nem por coincidência acabei de receber, por mail, um vídeo desmontando imagens e notícias, tentando demonstrar a manipulação pegada que dali nos chega. Mas como também não sei se é verdade ou não, agradeço a quem mo enviou mas, por via das dúvidas, não o mostro].
No meio disto tudo o que lamento, mas lamento de coração, é a destruição de tantas vidas e de tantas cidades. Houvesse maneira segura de interromper este ciclo de loucura e restaurar uma vida digna e feliz naquele país e era isso que eu apoiaria. Agora isto...?
Syria — Ruins by the Sea
Frederic Edwin Church, 1873/1874
Agora está a dar-me a fome. Ao fim do dia fomos petiscar. Comi caracóis como se não houvesse amanhã e não quis mais nada. Apenas comi o rabinho que sobrou de um dos pregos que aqueles esfaimados devoraram. Como, ao almoço, tinha tripudiado outra vez em cima da dieta e, inclusivamente, tinha comido uma generosa fatia de chocolatíssimo e os restos da da minha filha, resolvi que devia tentar contrabalançar. No espaço de três semanas já vamos na terceira festa. Quando os caranguejos começam a atacar é de seguida. E, ainda por cima, poucos dias antes de termos entrado na era caranguejeana, uma gémea também em festa. Portanto não há linha que aguente tamanhas tentações. Um autêntico festival gourmet que dura mais de um mês. Claro que, logo de seguida, sem dar tréguas, avançarão os leões. Uns poucos. Mas os caranguejos não se ficam por aqui. Aliás, de tarde, para desmoer, fomos uns quantos para a Decathlon para escolher presentes a pedido para o caranguejinho da semana que vem. Um filme. Um de trotineta, o outro a fazer do cesto com rodas um carrinho, o outro à cata de chuteiras e ela a falar muito alto, sempre com muitas coisas para dizer. E eu sempre a tentar contá-los, não vá algum tresmalhar-se. É certo que éramos quatro adultos para quatro crianças mas no meio daquela parafrenália de corredores, com tanta gente, é uma canseira. Além disso, um dos adultos também andava à procura de uma coisa e, portanto, para o efeito não contou. É que as crianças encaram a Decathlon como um gigante parque de diversões. E a tentação maior é irem para o sítio das bolas, tudo a jogar à bola. Verdade seja dita que até eu tentei encestar mas, talvez devido à desconcentração, atirei foi a bola para o corredor.
Quando estávamos na caixa, eu exausta e o meu marido a queixar-se, 'estou estafado', a minha filha disse: 'pior será quando também vier o outro...'. Nem percebi: 'Qual outro?!'. Ora, pois claro, o bebé. Foi um dos que ficou em casa mas, do que dá para perceber, também vai ser fresco. Só quer andar ao alto, de preferência virado para a frente. No outro dia estava numa birra e eu, já sem conseguir calá-lo, perguntei à mana: 'O que é que a mãe faz quando ele está assim?'. Diz ela: 'Leva-o a ver as vistas'. Mas é mesmo. Quer estar à janela ou a cirandar, para ver tudo, mas não gosta de andar ao colo normalmente, só ao alto, com as costas encostadas a nós, para ver tudo de frente. Ou gosta de estar a ver de perto as brincadeiras dos outros. Ri-se como se estivesse a participar.
Bem.
Com isto, chegámos outra vez a casa já tarde. O meu marido queixa-se: 'Por isto ou por aquilo, um gajo nunca descansa'. É verdade.
Há bocado chamou-me. Ia comer alguma coisa, não queria eu também qualquer coisa? Não quis. Pensei que me aguentaria. Agora já foi deitar-se. Também, acorda cedíssimo. Mas a verdade é que está a dar-me a fome e acho que não me aguento sem ir à cozinha desforrar-me. Talvez fruta e umas amêndoas.
Estou para aqui com esta conversa que não vos deve interessar para nada mas não tenho disposição para me pôr a falar de coisas espertas. De resto, nem sei o que são coisas espertas. Só as reconheço quando as vejo escritas em blogs alheios. Tanta gente sempre com vontade de dizer coisas inteligentes ou profundas -- espanto-me com isso.
Adiante. A minha filha enviou-me um sms, quer ver fotografias de hoje e do outro dia.
Já lhe enviei.
Mexem-se muito, vejo-me aflita para os apanhar sossegados. Quando estão na rua, luz com fartura, não há problema. Hoje, o almoço foi no quintal mas depois fomos para casa, em casa estava mais fresco. Além disso, encostaram as portadas para não dar o sol. Por isso, com pouca luz, não é fácil captar aquele revirote permanente. Mas fica o registo. E fica o testemunho de como crescem a olhos vistos. Ela também me enviou umas que me tirou com o bebé ao colo. Gosto, eu toda derretida e ele todo sorridente. Gosto muito de ter fotografias minhas com as crianças. Estou sempre a rir, a olhar para um, para outro.
Bem. Vou interromper para ir morfar. Noutros tempos, comeria queijo com fruta, talvez um iogurte. Agora, os produtos lácteos estão interditos. Claro que volta e meia, rompo a interdição. Ainda hoje. Para levar, fiz uma espécie de tiropitas. Massa folhada. Ricotta e salmão fumado, um pouco de coentros picados -- isto para o recheio. Enrolo. Por cima, mel e sementes de sésamo e papoila. Vai ao forno. Fica uma delícia. Corto aos bocados. Ia lá eu fazer boquinha desinteressada a um petisco destes... eu não. Comi uns bocados, então não...? (E foi apenas um dos pecados, esse; outro o do chocolatíssimo; e fossem só esses...).
Pronto. Agora é que vou. Não sei se ainda volto porque também estou um pouco 'estafada'.
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A música é Julia dream dos Pink Floyd
As fotografias mostram os filhos de Alex Sumner que as fotografou
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Regresso para aqui partilhar convosco uma coisa que já tinha visto ontem e que, por se ter metido a série de posts sobre a praia ao fim do dia, ficou no deixa para lá. Agora já estou mais composta, uma vez que já me banqueteei com dois suculentos alperces e com uns miolos de noz e de amêndoa. Voltei à sala e liguei a televisão. Estava a acabar o Eixo do Mal e referiam a maravilhosa 'cena' que podem ver abaixo: Trump com cara de quem não percebia tamanha maluqueira e Macron todo divertido. Pela parte que me toca acho o máximo que no dia de França, num local onde também evocavam a chacina do ano anterior e na presença de uma alta (embora anormal) individualidade, a Banda da Armada Francesa tivesse escolhido tão divertida e desconcertante performance. De vez em quando percebe-se que a malta, apesar de poder parecer que não, ainda está viva. Só me apetece dizer: Vive la Republique!
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E um belo dia de domingo a todos quantos aqui me acompanham
Claro que Macron ganharia pois, embora a Europa esteja pelos cabelos, nomeadamente a França que já mostrou não aguentar mais os galaruchos pimpões que lhes calharam na rifa nas últimas eleições, ainda não se atingiu o grau zero em que vale tudo -- tal como aconteceu nos EUA, ao elegerem a mais estúpida das criaturas.
Portanto, embora os partidos 'normais', 'históricos' e 'sérios' tenham desaparecido do radar eleitoral, entre a xenófoba Marine le Pen e o civilizado Macron, claro que a França iria optar por Macron.
Terão votado, sobretudo, na maman Marine aqueles que mais teriam a sofrer com ela. O populismo tem destas coisas: sabendo dizer o que as pessoas mais vulneráveis querem escutar, chega-se à perversidade suprema que é ter o antigo eleitorado de esquerda, os mais pobres, os mais desamparados, os mais explorados e indefesos a votar naquela que, se eleita, representaria para eles o maior perigo.
Contudo, não há qualquer garantia de que Macron seja antídoto para o marasmo em que a Europa se encontra ou que consiga levantar o orgulho francês, que anda de rastos. Embora pouco saiba dele, temo que não tenha estaleca cultural e política para mobilizar um país como a França para conseguir dar um pontapé no feudo burocrático em que a Europa se tornou.
Os chefes de secção de antanho, prepotentes, mangas de alpaca, burocratas empedernidos que, na prática, quase controlavam as organizações, parece terem-se travestidos em eurocratas, tiranetes obscuros que se têm mostrado surdos e cegos aos anseios do povo e, com arrogância e em roda livre, têm imposto verdadeiras torturas a quem mais precisaria de apoio. Sem líderes políticos fortes, sem visionários humanistas e cultos, a Europa tem andado a reboque dos interesses alemães (onde Merkel reina como a governanta insubstituível) e a toque de caixa das cinzentas figuras que ocupam infinitos edifícios em auto-gestão.
Que os povos europeus se querem ver livres disto e de quem lhes cheire a gente fraca que se vergue e se deixe ir na onda e anseiam por ter à frente dos destinos da nação alguém com coluna vertebral, com pulso firme, com a cabeça no lugar, com algum coração e que saiba estar à mesa, isso é mais do que óbvio.
Portanto, sem ousar pedir muito mais (porque não há muito mais), os franceses escolheram Macron.
O que se irá seguir, é uma incógnita. Pior do que Hollande não deve ser. Portanto, é desempenho a observar com atenção. Optimista como sou, ainda espero que venha dali algum sopro de modernidade. Sendo formado em filosofia, espera-se que saiba pensar, ver as diferentes perspectivas, Também já mostrou ser pessoa determinada e respeitar os valores sagrados da França livre. Portanto, aguardemos, façamos figas. Pode ser.
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E este domingo não foi só dia das eleições em França. Enquando num corredor, o mais largo, vai desfilando a grande História, nos outros corredores, mais estreitos, vão desfilando muitas outras pequenas histórias. E há ainda os corredores só nossos, que mais ninguém vê, onde vai andando a nossa vida.
Este domingo foi dia da mãe. Não ligo nada a ser dia da mãe. Mal fora. Um dia da mãe para mim que sou mãe-galinha todos os dias? Mãe e filha. Todos os dias ligo duas vezes à minha mãe para saber se está tudo bem. E todas as semanas lá vou a casa. E, com os meus filhos, se passa uma semana em que não lhes ponha os olhos em cima já eu ando numa saudade que só vista. E falo todos os dias com eles. Todos. Ou eles me ligam ou eu lhes ligo. E se estou muito ligada a eles, estou-o também à família que eles formaram e, em especial, aos meus cinco lindos pimentinhas, sangue do meu sangue, amores lindos do meu coração.
Calhou hoje podermos estar, outra vez, todos juntos. Dia de piquenique num pinhal com campo de futebol por perto, parque infantil, terreno atapetado de caruma, espaço à larga, bom tempo, sem pressa. Depois, juntaram-se-nos outros muito queridos a todos.
De manhã, foi a correria habitual nestes dias pois o catering ficou a nosso cargo.
Levámos duas pizzas gigantes que comprámos numa pizzaria de forno de lenha: uma com frango, queijo de cabra e nozes e outra com salmão fumado, mozzarela, sumo de limão e manjerição.
Depois levei dois tabuleiros de massa
(massa de desenhos diversos cozida à qual misturei bifes de frango e perú, que antes tinha assado no forno a 160º com tomate, alecrim e azeite, cortados finos, juntando também os tomates assados, mais presunto fatiado desfiado, e tomate cherry, tudo regado com o caldo de assar a carne e um pouco de azeite fresco, e, no fim, polvilhei com orégãos)
e empadas fofas, umas de espinafres e presunto e outras de salmão
(leite com ovos e farinha com uns grãos de sal batidos até fazer um líquido homogéneo e espesso, depois o recheio -- espinafres salteados com presunto ou, então, apenas, salmão -- depois natas light batidas com ovos e, por cima, queijo ralado e polvilhadas com sementes. Posto em forminhas antes lambuzadas com Planta e farinha e para o forno a 180º até estarem com ar dourado e saboroso)
E, no fim, morangos frescos (sem açúcar)
Mas, depois disso, queixaram-se que não havia nada doce e o meu filho foi comprar gelados para todos.
Claro que, para mim, levei comida separada. Afinal a dieta ainda vai no início, não ia já prevaricar à descarada. Mas como não nasci para obediente, muito menos para santa, não resisti e tasquinhei para lá umas quantas coisas. Azarinho.
E foi o de sempre. Conversa, cantorias, brincadeira de miúdos e graúdos, futebolada da grossa, uns descalços, outros preparados para marcar golos, luvas de guarda-redes e tudo, o bebé todo palrador e a dar às pernas e aos braços dando mostras de querer avançar para o meio dos outros, ela a brincar com a tia, e tudo tranquilo e em paz.
Quando me vi de regresso, mal o carro arrancou, caí num sono profundo. O meu marido não conseguiu fazer o mesmo, teve que esperar até chegar ao sofá,
Cá em casa, tratei do que tinha a tratar e, depois de roupas e comidas despachadas, vim passar as fotografias para o computador. 178. Depois a minha filha pediu que mandasse as melhores e então fiz uma selecção e enviei para os piqueniqueiros.
E, portanto, para mim foi isto. Antes tinha estado a falar ao telefone com a minha mãe com quem tinha estado no sábado. Estava tudo bem. Tirando isso, mais uma ou outra coisa, e nada de mais. Concluindo: um dia bom.
Tem razão o Leitor P. Rufino ao admitir que eu não teria gostado que a minha filha, quando tinha 15 anos, se tivesse embeiçado por um professor de 39. De facto, não, nem um bocadinho. Acho que ficaria passada, furiosa, danada da vida com ela e capaz de ir à cara ao prof. E, se soubesse que a coisa ia um milímetro para além de platónica, apresentaria queixa na polícia. Logo. E queixa na escola e no ministério, E sentir-me-ia tentada em mantê-la, a ela, presa em casa, sem telefones nem acesso ao correio em papel, sem poder assomar à janela, não fosse o marmanjão pôr-se especado na rua para ela o ver. Um problema gravíssimo.
Se se passasse com o meu filho, o mais provável é que não soubesse de nada pois, enquanto a irmã era de paixões avassaladoras que não podiam passar despercebidas -- que tinham que ser vividas a 150% sem intervalos para respirar e sem qualquer hipótese de serem contrariadas, nem que isso gerasse guerra fracturante em casa -- ele sempre foi de fazê-la pela calada, sem ondas. Quando eu sabia de alguma coisa, o facto estava mais do que consumado, era público, se calhar até já pertencia ao passado. Mas, admitindo que eu sabia, então ficaria furiosa e ele ficaria furioso comigo por achar que eu não tinha que me meter nas coisas dele e eu ficaria receosa que ele ficasse a fazer o mesmo que fazia antes mas com mais cuidado para eu não descobrir. E eu ameaçá-lo-ia e tentaria dar-lhe uma valente bofetada e ele, mais alto que eu um bom par de palmos bem aviados, faria aquilo que fez toda a vida: defender-se-ia com as técnicas de defesa que tinha aprendido no judo, no karate e mais não sei em quê e eu, nem que tentasse apanhá-lo sentado e à traição, nunca conseguiria assentar-lhe a mão em cima. Um problema grave.
Contudo, o amor tem destas coisas. Recebi um mail onde alguém diz que ela o violou quando ele era menor e que deveria era ter ido presa. Não sei se é verdade. Sei, isso sim, que Emmanuel e Brigitte esperaram vários anos até que ficasse claro para ambos que estavam perante uma inevitabilidade. Para ela, então, não deve ter sido nada fácil. Com três filhos e um marido, ao que consta, estimado, uma vida confortável e uma situação familiarmente estável e, certamente, enfrentando a censura social e a preocupação familiar, acredito que Brigitte tenha passado uns anos complicados até se divorciar e assumir um relacionamento com Emmanuel.
E agora parece que continuam a gostar um do outro e que formam um casal que mutuamente se apoia e, portanto, face aos factos actuais conhecidos, o que desejo é que assim continuem, solidários e amantes.
Mas, não sejamos ingénuos: a diferença de idades entre eles será sempre motivo de conversa, quando não de chacota. Presumo que já estejam calejados mas, ainda assim, por muitos anos que passem, alguém aparecerá sempre a recordar o início do romance e o facto dela ter idade para ser mão dele.
Faz agora um ano, o casal foi passear para a praia de Biarrtiz e a coisa, no Paris Match, saíu curiosa pois as fotografias mostram o casal, timidamente vestido, a passar ao lado de um denodado nudista.
E, claro está, as gracinhas não se terão feito esperar. Uma dessas imagens chegou-me hoje e aqui a partilho convosco e, como se vê, mostra a primeira vez que o amoroso casal Macron se passeou na praia, desta feita em Saint Tropez.
A bon entendeur, salut!
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Ter Marine le Pen e Macron na última volta das presidenciais francesas é qualquer coisa de assaz perturbador mas, uma vez que a mediocridade dos últimos anos a isto levou, pois que ganhe o mais sensato e o menos bronco e perigoso dos dois: o petit garçon de Madame Brigitte.
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Já agora, imagens do debate que, ao que parece, não correu lá muito bem à Marine.
Marine le Pen (21.7%) e Emmanuel Macron (23,9%), agora é com eles. 2ª volta das eleições em França
Não tenho muito a dizer sobre o resultado das eleições em França. Apenas um breve apontamento e só para aqui deixar o registo do momento. Pouco sei sobre o tema que me leve a achar que devo aqui botar faladura.
Sei apenas que compreendo a grande percentagem de votos em Marine le Pen.
Hollande foi uma lástima, um frangote que não consegiu afirmar o orgulho francês, a quem não se conhecem ideias que fiquem para a história, que deixou que a França andasse a reboque das vontades de Merkel. Com ele, o PS esvaziou-se. A falta de liderança dá nisto, desgasta as forças dos que os circundam. Uma abulia que alastra.
Do lado conservador, depois do carisma de Sarkozy que se foi diluindo entre o charme da mulher e as acusações em que anda envolvido, nada sobreveio. Fillon foi um tiro de pólvora seca que, ainda por cima, se viu desgastado com as situações de favor à família.
Depois Mélenchon. Pouco sei dele. À esquerda dos socialistas, foi uma surpresa. Fui sabendo das sondagens mas, mea culpa, não tive vontade de saber mais. Qualquer coisa nele me pareceu torná-lo pouco credível para a função.
Para além de outros não relevantes em termos de expressão, fica Emmanuel Macron e Marine le Pen.
Quando as pessoas vão votar em alturas de perturbação social, insegurança e medos querem natural mente alguém que lhes inspire confiança.
E, do pouco que conheço, estes dois eram os que inspiravam mais confiança.
Para as comunidades rurais ou mal informadas, Marine é a maman, a mãezinha que afirma querer restabelecer o orgulho francês, repôr as fronteiras, abolir a baderna europeia, lutar contra imigrantes e terroristas. Marine é a figura que se apresenta firme, peito feito, sorriso protector. E, para além da imagem de lutadora destemida, adoça o conjunto, mostrando-se em fotografias em casa, num ambiente simples e acolhedor, com gatos passeando na secretária onde escreve ou com ternurentos gatinhos ao colo, Para quem vota escolhendo quem se lhe afigura mais capaz de domar os medos e ser a maezinha protectora, Marine aparece como a escolha certa.
Depois há Macron.
Para quem quer mudar mas mantendo os valores europeus da liberdade, do humanismo inclusivo e de uma certa acalmia social, Macron aparece como uma escolha sensata. Acresce o lado romântico que, diz-me a minha intuição, influenciará o eleitorado feminino. O facto de Emmanuel, aos 15 anos, ter caído de amores por Brigitte, uma professora de 40, casada, com 3 filhos, e de ambos terem escondido o amor até ele ter 18, e o facto de ela se ter divorciado para se casar, anos depois, com o seu ex-aluno, sendo um casal inseparável, orgulhoso e elegante, de certeza toca, digo eu, o coração de muita gente.
Portanto, para resumir. Os partidos, essa massa amorfa que se mantém unida à custa de interesses tantas vezes desarticulados e egoístas, deveriam ter a inteligência de saber repensar-se, reorientar-se, aproximar-se e perceber os anseios populares. Da forma como estão, máquinas anquilosadas, os partidos mantêm-se a marcar passo sem sair do mesmo lugar enquanto o eleitorado evolui ao sabor das crises económicas, das ameaças externas, das preocupações pessoais e sociais. E, assim sendo, a condução dos países vai caindo, cada vez mais, nas mãos daqueles que, de uma forma ou de outra, conseguem perceber a linguagem que diz alguma coisa aos eleitores. Terreno fértil, pois, para a demagogia. Com alguma sorte, aparecerá alguém minimamente equilibrado que não dê cabo do país. Parece que, pelo menos por agora, França conseguirá livrar da populista chauvinista Le Pen. Mas, enfim, reconheçamos que o consolo não é extraordinário.
E, sobre galos, queiram descer até ao post seguinte.
Não é do coq gaulois mas de galos jeitosos que ali se trata mas saibam que é com garbo que eles se apresentam.