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domingo, outubro 12, 2025

Friends & Co.

 

Como naqueles filmes, assim eu na vida real. Ao fim de muitos anos, aos poucos vamo-nos reencontrando. Algumas vezes todos, outras vezes em grupos mais reduzidos. Hoje foi assim: envoltos em sol, como se o tempo não tivesse passado, um grupo de amigos encontra-se. 

Em volta da mesa, conversamos como se sempre tivéssemos mantido o contacto assíduo. As expressões são as mesmas, os risos os mesmos. Os truculentos continuam truculentos, as serenas continuam serenas, as rebeldes e fora da caixa continuam assim só que, como dizem, agora sem filtro. E vai risada. E a nossa artista continua artista, mas agora com obra feita, cotada. E, aliás, de uma maneira ou de outra, todos temos obra feita nem que com obra feita estejamos a referir-nos, sobretudo, à família que constituímos.

Há novos personagens, claro: o marido de uma, a mulher de outro, a namorada de um outro. E todos conversam e riem. Recordamos episódios, muitas vezes esquecidos ou nem apercebidos por alguns. 

Contam coisas de mim ao meu marido. 'Não nos ligava nenhuma', confessam os rapazes. (Não lhe contam que não ligava a eles mas havia um e depois outro a quem ligava). E falam-lhe dos meus feitos académicos e, nesse capítulo, como sempre, não consigo dizer nada. É como se dissessem: 'Tinha o nariz grande.'. Que poderia dizer? Nada. A ser verdade, não teria feito nada por isso. Tento mudar o rumo da conversa. 

Falamos das eleições. Há interpretações distintas, visões diferenciadas sobre o trabalho realizado. Há quem invoque situações pessoais, há quem se insurja porque tem que se pensar na cidade e não na sua situação pessoal. Os ânimos ficam acalorados. A política, ainda por cima em véspera de eleições, ainda incendeia. Uns desentendem-se e a mulher de um dos assanhados põe água na fervura: 'Isto é só uma tertúlia', ou seja, não um combate de box. Mas o sangue na guelra dos intervenientes mantém-se vivo. Passado um bocado, os dois amigos atiram-se num mergulho e põem-se a nadar, amigos somo sempre.

Fazemos um brinde, dois brindes. Desejamos todos que nos mantenhamos assim, de boa saúde, amigos, com vontade de partilhar o dia, a companhia uns dos outros.

Nunca tinha estado naquele lugar. Dir-se-ia um lugar quase no fim do nada. E, no entanto, uma maravilha. Muito verde, muito amplo, muito iluminado. E com peças de arte, umas adquiridas, outras feitas, que acrescentam beleza àquele espaço.

Chegámos a casa já noite. Fomos passear o cão que, coitado, tinha ficado em casa sozinho. Mas ficou no jardim e isso mantém-no sempre atento e ocupado, sempre em guarda do território.

Por isso não vimos notícias nem sabemos de novidades. Ou seja, nem eu nem o meu marido temos alguma coisa a dizer. Acresce que a noite passada praticamente não dormi, tossi, tossi, tossi, toda a santa noite até às sete e tal da manhã, uma daquelas tosses que resultam de uma comichão na garganta que não passa. Depois ainda dormi um pouco mas, claro, pouco demais. Agora estou melhor mas carregada de sono. Só que, entretanto, peguei ao meu marido, agora está ele. Pôs avamys no nariz e tomou paracetamol e foi enfiar-se na cama. Não arriscou na ceterizina pois viu como eu fiquei (passaram-me os espirros e o pingo mas no dia seguinte fiquei completamente KO).

Concluindo: o dia foi muito bom, adorei, mas se, enquanto lá estive, estive razoável, agora, aqui chegada, estou capaz é de ir para a cama.

Mas, antes de ir, uma nota: ao ligar o computador e espreitar as notícias, vi que morreu a Diane Keaton e isso deixou-me em choque. 

Diane Keaton, by Pablo Lobato

Há pessoas assim, que, saberemos lá dizer exactamente porquê, nos tocam de uma maneira especial, parece que queremos tê-las a partilhar o nosso tempo, enquanto o nosso tempo existir. 

Mais uma estrelinha que foi brilhar para mais longe.

Contudo, a vida continua, a vida sempre continua. E que seja boa para os que cá estão.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

E não se esqueçam de votar pois votar é mais do que um dever, é uma obrigação, é mesmo, ok?

segunda-feira, setembro 17, 2018

No dia dos U2 em Lisboa,
optei pelo Book Club e fui ver como as Sombras de Grey mudaram a vida de quatro mulheres danadas para a brincadeira




Passo, então, a dar uma breve nota deste meu dia de despedida de umas tão preciosas três semanas de férias. 

Para começo, a parte mais chata: arrumações e compras no supermercado, incluindo legumes para a sopa -- coisa que, a não ser para as crianças, já não fazia vai para cima de um mês.


Depois, caminhada à beira-rio. Estranhando tanta gente, aproximámo-nos do ajuntamento. Camiões gigantes todos iguais. Muita gente com tshirt U2. Claro: é o hoje o concerto no pavilhão Atlântico (ainda me horroriza dizer Altice Arena). De facto, tínhamos vistos uma reportagem com a Ana Moura, que ia cantar com eles. Muito bem. U2 em Portugal e nós, noutro planeta, sem darmos por isso. Não sei se o Bono já tem voz. Deve ter senão não mantinha o concerto.

Gosto dos U2 mas devo dizer que aquele Bono já me parece um franchising dele próprio. E desde aquilo da evasão fiscal fiquei a olhá-lo de lado. Bem prega Frei Tomás -- e parece que é sempre isto, quanto mais pregam mais se desenfiam. Bem pode andar a fazer merchandising de causas mediáticas que para peditórios desses não contam comigo: fico-me apenas pelo lado musical da coisa. 


Fizemos a nossa caminhada na mesma. O rio estava chão, um espelho. No entanto, não cheirava muito bem. A maré vaza hoje não estava especialmente perfumada. Fotografei na mesma. 

A seguir fomos aos nossos petiscos cantoneses, incluindo crepes vietnamitas que, para o efeito, não querem saber de geografias e são deliciosos.


Depois de uns afazeres intermédios, ala para o cinema. O meu marido é quezilento quanto a filmes chatos e mais ainda em relação a salas com mastigantes pipoquentos -- coisa que a mim também me maça mas não tão radicalmente quanto a ele -- mas, tendo visto na televisão o anúncio a este filme, não se opôs.

'Do jeito que elas querem' que, no original, se chama 'Book Club' com Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen nos papéis principais foi uma boa escolha. Na verdade, não podíamos ter fechado as férias com melhor chave de ouro. Claro que é daquelas comédias ligeiras mas o que nos rimos valeu bem a pena. O tema é a sexualidade (e a vitalidade e o gosto pela vida) na idade madura, a amizade entre mulheres, o amor que só aparece quando se está disponível para ele. Etc. O meu marido que não é de riso fácil, fartou-se de rir. Portanto, já podem ver. 


Só encontro trailer legendado em brasileiro o que é um bocadinho enervante porque há expressões que não são bem as nossas mas, ainda assim, prefiro ao não legendado para ser perceptível por quem não se entende bem com a língua inglesa.


Queria mostrar um bocadinho das cenas com Andy Garcia que faz um papel simpatiquíssimo na contracena com a Diane Keaton, muito contido mas muito sólido e interessante e aqui, sim, tem que ser mesmo em inglês pois não encontro com legendas.

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E até já

sexta-feira, junho 30, 2017

Jardineiras em cargos de gestão? Voto nisso.
E, já agora, Meryl e Diane: duas das mulheres da minha vida





Hoje estou incapaz de escrever. Já adormeci para cima de umas cinquenta vezes e daqui a nada tenho que estar a pé. 

Há muito assunto por aí, quase a gente se distrai e dá um pontapé num, mas o sono não me permite a devida atenção: antes que me baixe para perceber se a topada foi numa pedra ou num assunto, já estou caída nos tentadores braços do Morfeu. Embora isto do Morfeu seja uma maneira de dizer que eu, quando durmo, sou mais na base da pedra do que da sonhadora. Mas, enfim, com o adiantado da hora dá-me para a metáfora. E claro que o uso aqui da palavra metáfora também não é o mais adequado mas isto é a gente a falar. Digamos assim.


Por isso, estou aqui nesta langórvia (coisa que, com vossa licença, me soa como derivada de langor), ensonada, degustando a sensação boa de estar entre cá e lá, e vendo um programa que me está a encantar. É na RTP 2, ouço o canto dos pássaros e falam de árvores, de arbustos, uma senhora mostra como faz os bonsais, estão ao ar livre, e falam de coisas que me agradam: da forma dos ramos, de seiva, de dialogar com as árvores. Fui ver ao site da rtp e o programa chama-se, justamente, Paraíso


Já contei que acho que gostaria de ser jardineira? Já devo ter contado. Que maçada, isto, de vos maçar com repetições. Mas que hei-de eu fazer? Apagar isto que acabei de escrever? Não, vou mas é em frente e quem já sabe disto, põe as mãos nos olhos. Continuando, pois. Quando andava a escolher árvores para plantar in heaven, ia a viveiros nacionais, municipais, onde calhasse. Havia um que era para mim a arca do tesouro e eu gostava de por ali andar, à conversa com as jardineiras, elas a descreverem cada árvore, contando as suas características, e eu a absorver cada gota de informação, a passar a mão por elas, árvores de todas as espécies. Muitas vezes, antes de ir trabalhar, saía muito cedo de casa e rodas para que te quero, lá ia eu ter com elas. Elas de botas, aventais impermeáveis, luvas, e eu saída da voiture, saltos de agulha, ar de quem está mais para salões onde se bebe do fino do que de quem gosta de sentir a terra húmida, o ar denso de mil odores. Já as conhecia e elas já conheciam esta que vos escreve. Conversávamos de árvores, de filhos, do tempo, do cuidado a ter com elas, se são de ter sede, se são caprichosas. Eu queria saber se eram de crescer depressa e elas diziam que eram de levar o seu tempo. E o que eu gostava destas conversas. 


Vinha de lá carregada de saquinhos pequenos com rebentos de árvores. Andava o resto da semana com o carro a cheirar a terra húmida e com mil cuidados para que tivessem ar para respirar, para que não tivessem muito calor -- e a pedir a todos os santinhos para não ter que dar boleia a ninguém lá dos tais que pisam corredores atapetados, que iam estranhar aquele cheiro e aquela falta de cheiro a carro lavado, tablier encerado, peles dos estofos odas devidamente lustrosas.

As árvores cresceram e se calhar aquele viveiro já não está lá. Não sei que será feito daquelas mulheres que eu invejava. Pareciam-me tão próximas da terra, como se as pernas rijas fossem troncos e os braços ramos e os sorrisos flores.

Mas isto até nem vinha a propósito. Isto é do sono. Se calhar estou a precisar de férias. Cai-me o trabalho em cima de uma forma um bocado disparatada. Chega o verão, apetece-me entrar num período de abrandamento e é o contrário: parece que tudo o que estava no limbo, se apressa a desabrochar, rebentando-me nas mãos. Penso tantas vezes: por esta altura da minha vida eu pensava, há uns anos lá bem para trás, que estaria a ser presidente de uma câmara. Achava que me realizaria transformando uma cidade, modernizando-a, tornando-a bela, elegante, próxima e amiga dos cidadãos. Mas bastou que o presidente de um partido dissesse ao meu marido, num dia em que ele lhe contou desta minha ideia: ela que venha falar comigo. Só isto. Pensei: o tanas. Jamais sacrificaria a minha independência para atingir um objectivo. Pus a ideia de lado. Mas isto para dizer que antevia que, chegada ali a meio da vida profissional, me fartaria de trabalhar em empresas e passaria a conduzir eu a minha vida e a gestão de uma grande cidade. Afinal ainda por aqui ando, entre empresas, num ritmo que não abranda, que me absorve para além daquilo que eu antevia. Em vez de ter jardineiras com quem conviver, só vejo homens atarefados à minha volta. E homens atarefados, cheios de projectos, são uma canseira. Para já, de forma geral, falta-lhes sentido prático e capacidade para dar um passo atrás, admitir que erraram, que o caminho não era bem aquele. Não, isso não fazem. Para a frente e não se fala mais no assunto. Se as empresas tivessem jardineiras em cargos de gestão talvez este mundo fosse um lugar mais aprazível.



Mas, enfim, é o que é. As mulheres são incómodas, colocam questões, não se importam de pôr tudo em causa. São bravas. Por isso, os homens fazem de tudo para lhes vedar a passagem para as augustas salas onde tudo se decide. 

Mas adiante que esse não é o tema que aqui me traz. (E dizendo isto até parece que sei o que é que aqui me traz. Só visto.)

Agora na RTP 2 ouço falar de Andy Warhol. O tema parece ser a Pop Art. Mas se me ponho só a ver, conforme agora me apetece, então, é que não saio disto. E eu tenho que ir ver se durmo antes que o despertador toque e eu ainda aqui a jogar conversa fora.



Bem. Rematando à baliza (e a ver se tenho mais sorte que aqueles três pobres coitados que falharam os três penalties lá no jogo que acabou por ser o passe para o Ronaldo ir ver os bebés encomendados que a D. Dolores foi buscar aos States): vi há bocado, enquanto estava a dormir, o vídeo que abaixo partilho convosco com duas mulheres que love, love, love ver a representar: Meryl Streep e Diane Keaton. No vídeo, a primeira louva a segunda, que está a ser homenageada e eu, vendo-as, acho-as tão bonitas. Filmes memoráveis que aquelas duas ali já nos deram a ver. Não fora o estado de sonolência absoluta em que me encontro e incluía aqui um best of. Mas já não dá, fica para outro dia.


Meryl celebra Diane: uma graça estas duas mulheres.
Abençoadas.



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As fotografias celebram o Dia do Flamingo Cor-de-Rosa que é bicho que se calhar até vem a condizer com a minha prosa, quiçá loura e vestida de pink. Já não digo nada.

Lá em cima, Rosemary Joshua interpreta Verdi piante, erbette liete de Handel (e eu sinto que é sacrilégio desperdiçar tamanha beleza no meio de um post tão fajuta mas, fazer o quê?, a cabeça pode não dar para mais mas os ouvidos são ambiciosos e eu gosto de estar em boa companhia musical enquanto para aqui  estou nesta conversa mole).

E já sabem: por favor relevem as gralhas que temo que tenham vindo em bando aqui pousar. É que não consigo rever o que escrevi e, durante o dia, também não conseguirei fazê-lo. Espero é que não sejam daquelas de arrepiar porque, se forem, só lá para a noite é que consigo aparar-lhes o cabelo (ia dizer torcer-lhes o pescoço mas esse espírito bélico não está com nada nem se coaduna com o espírito peace and love que caracteriza este meu ninho). 

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Um dia feliz a todos. 
Saúde e alegria, minha gente.

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quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Aquelas que, em tempos, foram mulheres muito belas


Bem, agora que que se ouvem tantas meninas a gritarem que vem aí o lobo e que eu já disse o que tinha a dizer sobre o assunto -- deixando umas sugestões para os senhores que nos governam -- vou intervalar.

De qualquer maneira, a quem não aguentar a espera e quiser já ouvir-me a dar conselhos ao Costa, ao Centeno (que, coitado, tão estafado parece estar, dá ideia de já mal poder com uma gata pelo rabo) e ao Mister Foreign Affair e, tagarela como sou, também a falar do orçamento, de caniches que não largam, de incontornáveis popotas e de galinhas bronzeadas e sei lá que mais, pois que salte já daqui até lá para baixo.

É que, aqui, agora, vou falar de mulheres. Da beleza das mulheres quando deixam de ir para novas. (Hélas, como é o meu caso).

 Jennifer Lawrence, 25 anos, e Jane Fonda, 78 anos -  por Annie Leibovitz para a Vanity Fair, 2016



Silêncio e tanta gente - Maria Guinot


Hoje fui ao supermercado à hora de almoço. Todas as semanas levamos as compras mais pesadas para que a terceira idade não tenha que o fazer. Quando me atraso, o meu marido despacha tudo num ápice: as compras cingem-se ao estritamente necessário. Quando eu vou, dou-lhe cabo do sistema nervoso porque o tempo é limitado e eu, sem querer, perco-me. 

Jane Fonda, 1978

Geralmente, mal o apanho de costas, pisgo-me a ver se há promoções na zona dos cremes. Vejo para que idades são eles recomendados para ver se são mesmo os que eu deveria usar, se apagam as rugas, se eliminam a flacidez, e mais qualquer coisa de que agora não me lembro. Vejo se são de dia, de noite, se são tratamentos reafirmantes, se são daqueles que simulam preenchimento, etc. (O que será a outra coisa de que não me lembro?) Adiante. Depois vou ver os mais caros, para ver as novidades. Um balúrdio. Arrepio caminho e, se estou a precisar, fico-me pelos mais básicos.

Volta e meia encontro na casa de banho do escritório algumas colegas retocando as maquilhagens. Só vejo coisas de marca. Eu não. Abasteço-me na fancaria e, de preferência, no que estiver em promoção. Perdulária só sou com livros (ou coisas para a descendência, claro).

Pois bem, hoje havia promoções das boas, 35% de desconto. Abasteci-me, claro está. Agora já apliquei um creme de noite, dos novos. Com um descontão destes, trouxe um daqueles que, só pela embalagem, a gente já vê que é coisa técnica, certamente mais eficaz do que um lifting.

(Só espero amanhã, quando me vir ao espelho, poder constatar que estou com a cara que tinha aos 15 anos, sem uma ruguinha, pele quase de bebé.)

Helen Mirren, 2016
Tenho na parede do meu quarto, umas fotografias de quando me casei, banhada de sol, eu de calças brancas, justinhas, túnica Augustus branca, quase transparente, com uns bordadinhos brancos, cabelo curtinho, risonha, completamente in love e abraçadinha a um moreno sóbrio parecido com um sírio cabeludo e barbudo. 

Helen Mirren por Lord Snowdon, 1995

Por baixo dessas fotografias coloquei uma minha e uma dele quando tínhamos eu um ano (quase careca, apenas uma penugem clarinha, e toda risonha) e ele com dois (cabelo escuro, muito penteadinho e muito sério).

Volta e meia páro a olhar: eu com 1 ano, eu com 20 anos e, depois, se me olhar ao espelho, eu agora. E tento perceber quantas das minhas células actuais sobreviveram desses meus verdes anos. Penso que já devem ter ido todas à vida e, no entanto, sou eu, a mesma.

Mas os traços da idade estão cá e mais virão. Melhor: tomaram que venham que será sinal que estou viva. E, de resto, com cremes milagrosos, quem sabe se não parecerá que cristalizei no tempo, sempre com carinha de vinte anos.

(Estou a brincar, bolas, não quero parecer um fóssil, senão, às tantas, ainda me confundiam com a Senhora Dona Lady).

Diane Keaton por Annie Leibovitz, 2016
Diane Keaton, 1985
Dantes eu pensava que as mulheres eram bonitas quando eram novas e que, depois, eram o que tinha sobrado. Agora já não penso assim. Agora já acho que há beleza em todas as idades. Além disso, quando me distraio, logo penso: olha, de qualquer maneira uma mulher aos 70 ainda é capaz de parecer toda gira aos olhos de um homem de 80. Mas é um pensamento parvo, claro, até porque o que não faltam são mulheres que despertam paixões em homens bem mais novos.

E o que se passa com mulheres, passa-se com homens. Contudo, a pele dos homens parece que resiste melhor ao passar do tempo. Ou, então, sou eu que sou mais benevolente com eles. Mas que os homens ficam mais interessantes, mais inteligentes, melhores companhias, isso é inquestionável -- isto, claro, se não ficarem velhos babacas, taralhoucos.

Mas volto às mulheres para referir aquilo que verdadeiramente penso a propósito disto: interessantes são as mulheres que não têm medo de parecer velhas, feias, sem graça. Interessantes são as mulheres que amam a vida e a querem viver, toda, tenham a idade que tiverem. Interessantes são as mulheres que ousam, que desafiam, que seduzem. Interessantes são as mulheres que gostam do seu corpo, que querem amar e ser amadas. Interessantes são as mulheres que têm prazer em despertar interesse e que estão disponíveis para se interessar pelos imprevisíveis instantes de felicidade que a vida tem para oferecer. Tenham 20, 40, 60 ou 80 ou mais anos.

Charlotte Rampling por Helmut Newton, 1974

Charlotte Rampling, Annie Leibovitz, 2016


Mulheres brancas e pretas, sempre belas em qualquer idade

As mulheres que dão cartas em Hollywood - por Annie Leibovitz para a Vanity Fair  2016

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Hoje, quando cheguei aqui à sala vinha numa de falar de um certo lobo com um filósofo à mistura. Mas, depois de umas boas charutadas (vide post abaixo), nada como dar uma espairecida e, por isso, desviei-me para isto das mulheres. A ver se amanhã venho, então, de lobo pela mão que agora, com o sono com que estou, vou mas é pregar para outras pradarias.

Caso estejam fartos de tanta mulherada, aceitem o meu convite e venham dar vivas a Portugal, enquanto as maria-amélias suspiram de saudades pelos algozes. É já aqui abaixo.

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quinta-feira, novembro 17, 2011

Amores e desamores: ficção e realidade, ligações perigosas, neuroses e humor, alguém tem de ceder e mais perto. Que falem os mestres.


No seguimento do texto de ontem sobre o casamento (ou sobre os relacionamentos a dois, em geral), hoje temos uma aula prática ou, melhor, um workshop em seis actos ou, melhor ainda, um conjunto de case studies. Escolham. Ficarão em boa companhia, seja com quem for.

Alguns dos filmes já aqui apareceram mas repito-os inseridos neste contexto. Pela qualidade, espero que me desculpem o déjà-vu.

Faço o aviso como se faz em relação a alguns números arriscados: não devem ser repetidos em casa (pelo menos sem o apoio de especialistas). Estão aqui mais para ilustrar situações - e, sobretudo, estão aqui porque são belos filmes, belos actores, belas realizações, belos argumentos (uns mais que outros, claro, mas tem que haver oferta para todos os gostos).


A amante do tenente francês com Meryl Streep e Jeremy Irons


Ligações Perigosas com John Malkovich, Glenn Close, Michelle Pfeiffer



Annie Hall com (e de) Woody Allen e Diane Keaton


 

Alguém tem que ceder com Diane Keaton e Jack Nicholson




Closer com Julia Roberts, Clive Owen, Jude Law e Natalie Portman




As Pontes de Madison County com Meryl Streep e Clint Eastwood


 

Tenham um belo dia. Esqueçam a crise. Nada podemos fazer senão viver o melhor que conseguirmos.

Be happy!