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domingo, setembro 01, 2019

O mar e o azul, a sul.
E a luz, mon amour.
Puro espaço e lúcida unidade





E eis que, depois de dias em família, a casa feliz por tudo e, também, com os risos das crianças, a mesa sempre cheia de muitas conversas e o tempo a passar rapidamente, logo de manhã decidimos trocar o campo pelo mar. 

Rumamos, pois, a sul, ao encontro da intersecção de todos os azuis, do ponto de luz onde o espaço e o tempo nascem e terminam, naquele encontro feliz e único onde não há explicação nem salvação.

Quase segui o conselho da Luísa que me disse para vir só em Setembro. Antecipei um pouco mas a maior parte dos dias serão em Setembro. O tempo quente não é deste tempo mas a aragem torna-o mais afável e a frescura das águas ajuda a acalmar os ardores da pele. Andando por aqui, tão perto das agruras quentes e desérticas um pouco mais a sul, deveríamos preocupar-nos com este calor imoderado. Mas os tempos, por estes lados, não estão de feição para climas de preocupação e, portanto, esquece-se a raiz do problema a iludimo-nos, como se tudo isto fosse uma benesse sem contrapartidas. 


Ou seja, ao longo do dia, rasseio, refresco-me, fotografo, veraneio, saboreio o bom peixe com sabor a mar, a torta feita de figo e alfarroba, deixo-me ir ao sabor do vagar. 

Ao fim do dia, o sol intensamente dourado, uma gaivota, tal como eu, simplesmente estava. Olhávamos a luz, o calor, a serenidade do momento. Uma aragem fazia-me esvoaçar, ao de leve, o cabelo e, a ela, a plumagem. Não sei se me viu ou, se tendo-me visto, me achou motivo irrelevante. Não interessa. Fotografei-a em toda a sua indiferença, antes de, mais tarde, se lançar em magnífico voo.


Depois, à noite, passeamos. As ruas cheias de mil vozes. A terra é, agora, uma babel multicolorida, onde se cruza gente de todas as cores e raças e línguas. Umas mulheres vestem-se como que para coktail de início de noite, outras para chá dançante, outras para noite de gala. Outras vêm da praia ou dos veleiros que por aqui param e estão tisnadas, os cabelos apanhados sem rigores, as roupas escassas, leves e sem cuidado. Os homens também mas, neles, as diferenças de dress code não são tão extremadas. E muitos, muitos jovens. uns totalmente informais, outros nem tanto. Bebem, fazem brindes, abraçam-se, riem, seduzem-se uns aos outros, ensaiam jogos que, certamente, recordarão para o resto da vida.

E quase em cada canto há quem toque ou cante ou faça outras habilidades. E tudo se compra e tudo se vende. Pequeno comércio. Reparo, sobretudo, nos brincos, colares e pulseiras. Uma tentação. Gosto de me enfeitar. Podia andar vestida toda de branco ou toda de preto e com aparatosos adornos. Hoje namorei um colar em turquesas intercaladas, de quando em quando, por pedras encarnadas. Aquele contraste pareceu-me muito atraente. Mas achei o colar um pouco curto. Talvez ainda o vá experientar pois só saberei se tem que ser, depois de vê-lo posto em mim. Os preços tornam ainda maior a tentação. Nao sei que pedras são estas que têm um preço tão apelativo.

Também me atraem os vidros coloridos. Tão bonitos. Estive a namorá-los sem saber onde poderia pô-los. Jarrinhas minúsculas, muito inperfeitas e belas. Ou bolas de vidro suspensas. Devo ter um lado infantil que não se cura para me deixar encantar com tudo, com coisas que, se calhar, pouco valem. Mas, para mim, é com encantamento de primeiro lhar que as olho.


Ou conchas, ou as nacaradas ou os búzios, aqueles que gosto de encostar ao ouvido para ouvir o mar. Vejo, passo a mão pela sua superfície, gosto de sentir como são macias, polidas pelo mar. 

E assim, com vagar, vou passando pelas ruas empedradas sobre as quais passam aquelas pessoas da terra que conheço das palavras de um certo príncipe que delas fala com doce melancolia e uma tocante ternura.


Hoje comprei o Expresso. Quando estou de férias, gosto de comprar uma revista para ir lendo, o espírito em modo flâneur. Como estava curiosa em relação à Lourdes Castro, em vez de outra coisa qualquer comprei o Expresso. Claro está, gostei imenso da entrevista e fiquei a pensar que, agora, iria transcrever algumas afirmações dela. Mas afinal, com pena minha, não posso. Estou a ser instada a apagar a luz. Além disso já sei que a alvorada será relativamente cedo. 

Nos últimos dias, não respondi a algns comentários e tenho uns três ou quatro mails também em atraso. Pensei que hoje talvez pudesse mas, afinal, também não consegui tempo.  Nestes dias é impossível arranjar um bocado para me agarrar ao computador -- só mesmo à noite mas, à noite, como é o caso, nem sempre tenho ampla liberdade de movimentos. Ademais, parecendo que não, talvez do ar do mar, não sei, estou ainda com mais sono.  Portanto, se não levam a mal, fico-me por aqui. Amanhã há mais.

quinta-feira, agosto 08, 2019

Contra os Pardais tóxicos e manhosos desta vida, contra os Bolsonaros, Trumps, Salvinis e outros racistas, xenófobos e estúpidos que tais, contra os Bannons e outras úlceras purulentas, contra os nazis, fascistas e ultra-direitolas que por aí ensaiam perigosos regressos:
que as crianças se levantem e façam ouvir a sua voz.
Podem chamar-se Greta, Malala, Emma, Bana.
Podem até chamar-se apenas Emanne Beasha


Defendo o direito à greve. Quando a um trabalhador nenhuma outra forma de luta resta, que use a da negação ao trabalho é mais do que justo. É direito que deve ser defendido com unhas e dentes.

Contudo, uma greve é uma luta contra um patrão com quem se quer chegar a um acordo. Uma greve não pode ser um acto de chantagem. Quem faz greve não pode (ou, se pode, não deve poder) fazer gente inocente refém das suas lutas. Isso é cobardia que não pode ser perdoada.

Claro que uma greve terá sempre alguns efeitos colaterais mas os efeitos colaterais não podem ser desproporcionais. Por exemplo, a greve às cirurgias dos enfermeiros que, para ganharem mais, colocaram em risco a vida humana foi abjecta.

in TSF
A anunciada greve dos motoristas que, para garantirem aumentos para daqui por dois e três anos -- aumentos que nem vou comentar -- e que assentam toda a sua reivindicação numa manipulação de conceitos e deturpação de números, pretendendo paralisar o país parece-me selvagem (sim, Paulo e JV, selvagem).

Nada naquela greve é razoável, proporcional, admissível. Mais: tenho para mim que há por ali mão de quem quer desestabilizar a democracia. Mão de quem quer que o país se revolte e exija o fim do direito à greve. 

in BBC

E mais: tenho para mim que, perante Pardais e quem, se calhar, está por trás de tudo isto, a malta que ingenuamente se agarra a purismos como a intransigente e cega defesa do direito à greve, defendendo esta seita, não faz outro papel que não o de meninos do coro.

Não digo que todos os motoristas deste sindicato que se construíu em torno do Pardal fazem parte de uma 'seita'. Não, não estou a dizer isso. Haverá ali muito boa gente simplesmente deslumbrada com tanto mediatismo, gente iludida com o poder de parar um país, quiçá até um ou outro simplesmente ingénuo. Mas o Pardal e mais uns quantos é gente que, se fosse eu decidir, a bem da democracia, manteria debaixo de olho.

E digo ainda mais: a bem de preservação do nosso regime democrático, um regime que a tão duras custas foi conquistado, é bom que se pense bem nos limites que devem ser postos ao recurso à greve para se evitarem greves selvagens que são verdadeiros atentados contra a democracia.
Por exemplo: podem os trabalhadores estar em greves de prazo indeterminado financiando-se sabe-se lá como e auferindo, nesse interim, rendimentos fiscalmente isentos? Podem uns quantos trabalhadores causar prejuízos a outras entidades que não os seus patrões e em montantes desproporcionais face ao que esperam atingir? Podem uns quantos trabalhadores pôr em causa a vida humana? Podem uns quantos trabalhadores paralisar um país? Etc.
Penso que, a bem da defesa dos direitos dos trabalhadores, tudo isto deve ser seriamente analisado, sem pruridos, sem tabus. Read my lips: meninos do coro é do melhor que há para os Bannons desta vida paparem ao pequeno-almoço.

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in The Guardian

E quanto às enormidades  potencialmente assassinas e aos incitamentos racistas, homofóbicos, xenófobos, cretinos e populistas dos Bolsonaros, dos Trumps, dos Salvinis e de outros merdosos desta vida -- gente inculta, estúpida, ignorante, mesquinha, gente que o povo elegeu (em alguns casos por aritméticas duvidosas -- mas não interessa, foram eleitos) -- o que tenho a dizer é que, de cada vez que se dá corda a quem faz levantar descontentamentos populares se está a abrir a porta a gentalha dessa, gentalha que há-de devorar aqueles que neles votaram. Não neutralizar gente perigosa é deixar que levem o país à beira de uma crise de nervos, a malta toda pronta para acolher de braços abertos um qualquer herói que se anuncie como o grande salvador da Pátria.

Se depois de um Obama pareceria impensável haver um Trump, ponhamos os olhos nessa improbabilidade e não descuremos a probabilidade de, por manipulação, má informação, revolta ou descontentamento, os portugueses virem um dia também a eleger uma qualquer besta quadrada.

Por isso, não é por alguns ditos 'sindicalistas' usarem a palavrinha sagrada 'greve' que devemos, nem por um segundo, defender gente sinistra como os Pardais desta vida.


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Presumo que, percebendo o isolamento em que se encontram e com uns serviços mínimos que os deixam expostos ao ridículo, estas espécies de agremiações que se auto-intitulam 'sindicatos' venham, por ora, a meter a viola no saco. Mas não subestimemos o poder do Pardal e de quem o apoia ou suporta nem o dos que andam pelo meio das claques, no meio dos motards, em torno de Chegas e Bastas, em manifs de ultra-direitas e tretas dessas. Não subestimemos.


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E, tirando isso -- e mais para desanuviar do que outra coisa -- tenho ainda outra coisa a dizer. Não tenho o mínimo de paciência para crianças armadas em adultas, meninos e meninas todos cheios de nove horas. Zero. Mas tenho a máxima admiração por crianças que nascem corajosas, que enfrentam selvajarias, guerras, perseguições, iliteracias, que sabem impor-se a adultos, lutando por ideais que deveriam ser os de todo o mundo. 


Ouçamos os jovens, apoiemos as crianças, deixemo-los que encabecem lutas a que nós, adultos, miseravelmente fechamos os olhos.

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E para este post não ser não apenas grande demais mas também um bocado sisudo, acabo com uma menina de dez anos que tem um rosto de anjo e uma voz de deusa. Chama-se Emanne Beasha e o Jay Leno festejou-a com um justíssimo Golden Buzzer. É verdadeiramente do além.



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Até já.

sexta-feira, junho 28, 2019

Esta aqui é que, por mais que treine, nunca serei capaz de imitar


Assim a todos os níveis: magrinha, com dez anos ou, especialmente, cantar como ela. É quase irreal, a Emanne Beasha. Uma menina pequenina, amorosa, uma queridinha -- e, no entanto, quando começa a cantar, percebe-se que um anjo pousou naquele palco.

Ouve-se e não se consegue acreditar. Parece não ser possível que de um corpinho assim, com aquele rostinho inocente de menina bonita, saia uma voz assim.

Como será quando cresecer? 

Se no vídeo do post abaixo assistimos a um momento inesperado e de alto risco, neste aqui, igualmente inesperado, o risco é outro: o de nos emocionarmos.

Emanne Beasha