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sábado, dezembro 29, 2018

As principais questões de beleza colocadas ao Google em 2018:
espelho meu, espelho meu...




O que tenho a declarar em minha defesa é que quase tudo o que é preocupação de beleza me passa ao lado. E digo 'defesa' só para disfarçar porque, a bem dizer, nem sei que diga. É que fico até apreensiva. Um destes dias dou por mim a parecer saída de uma qualquer gruta perdida no tempo, com uma aparência idêntica à da nossa Irmã Lucy -- a famosa australopiteca -- completamente deslocada face à beleza sofisticada das minhas contemporâneas. 

Até tive que fazer pesquisas para perceber de que se trata pois não apenas não consumo como não sei do que se trata (obviamente também não inalo). 

Como o texto original está em francês e é longo e como estive a trabalhar até a esta hora -- e estou que nem posso, capaz de ceder à tentação de me enroscar numa mantinha, me chegar para trás e me pôr a ver televisão durante meio minuto e, a partir daí, dormir uma boa soneca antes de me põr a caminho da minha deliciosa caminha -- vou atalhar. Vou ao tradutor do google e ele que faça das suas.

Vou apenas mudar uma ou outra palavra porque o tradutor parece que só conhece o português abrasileirado. Por exemplo, vou pôr pestanas em vez de cílios. Mas sei que o que a seguir vos apresento não é obra asseada, até quase parece português digno de um jovem licenciado 
(que ainda hoje recebi um mail de um que é considerado pelos RH como um jovem talento com elevado potencial uma frase que rezava assim: "enviee lhe uma sugestão para fazer-mos uma circular")

E, já agora, vocês, minha gente, sabiam que pestanas é o que está a dar...? Eu não, não sabia de nada.  Há todo um mundo paralelo que desconheço. Vivia na ignorância que o meu olhar pode ser recauchutado, aprofundado: pestana extensa como penacho, alçada, sobrancelha bem desenhada e penteada.


Mas então lá vai disto: o artigo todo traduzido a la minute. As imagens não constam do texto original, estão aqui por iniciativa minha, para o caso de também precisarem de ajuda para perceberem qual a cena. E vou inserir os links que constam do artigo caso queiram adquirir cultura avançada.

Google just shared the top 10 beauty questions of 2018 — so we did you the favor of answering them


Les dix questions beauté les plus posées sur Google en 2018


O mecanismo de busca listou os problemas de beleza que foram mais apresentados em 2018. A lista, que surpreenderá mais de um, é indicativa das preocupações estéticas de nossa sociedade, onde a beleza primeiro passa pela visão.


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1. Como aplicar pestanas postiças magnéticas?
[What?!?!?!?!

Em 2018, as pestanas experimentaram um pico de popularidade, tornando-se aliados para estender o visual com uma pose cada vez mais simples e intuitiva. Nossas melhores dicas em colocar pestanas postiças em minutos.

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2. O que é um elevador de pestanas?
[What?!?!?!?!

Sempre na era do tempo, o conselho em torno dos olhos desperta um grande interesse. Como aplicar o seu rímel? Aqui estão os passos para um resultado perfeito.

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3. Como remover as pestanas postiças?
Para não danificar as pestanas, é importante usar uma boa técnica. Três ingredientes são essenciais: o solvente para cola de pestanas falsas, removedor de maquilhagem ou óleo de coco, amêndoa mineral ou doce também permite remover a cola e a maquilhagem. Você apenas tem que escolher um produto adequado para evitar atacar a área dos olhos.

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4. Que cor de cabelo é a melhor para mim?
Antes de adotar uma coloração rosa como algumas estrelas este ano, é melhor aprender sobre as contraindicações, incluindo aquelas reveladas por 60 milhões de consumidores que alertam sobre a toxicidade dos corantes capilares.

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5. Como fazer olhos de corça?
Estamos acompanhando o caso há muito tempo e o controle do delineador não terá segredo para você, graças ao conselho de Miky.

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6. Como remover a maquilhagem, a não ser com lenços de limpeza?
Há muitas maneiras de fazer isso com água micelar, óleos ou cremes. O importante é escolher o seu removedor de acordo com o seu tipo de pele.

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7. Como aplicar aloe vera?
Suas virtudes de hidratação e regeneração de células são comprovadas. E há as perguntar sobre receitas caseiras, cremes, cuidados com os cabelos ... E outros métodos diferentes de usar esta planta suculenta.

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8. Como colar as sobrancelhas?

Este método do Japão gerou grande interesse no Instagram com o lançamento de um gel preenchido com fibras sintéticas. Nós nos perguntamos se essas extensões realmente funcionam.

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9. Como organizar um gesso com efeito de maquilhagem? 
[NB: Estou em crer que esta foi mais uma das fails do tradutor do google. Cá para mim a pergunta não é nada deste disparate mas, sim, como evitar que a cara parece coberta de gesso] 
Esta é uma das questões existenciais em beleza. Um ingrediente para remediar isso: escolha sua base e evite erros ao aplicar.

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10. Que corretivo usar?
Ele se tornou uma necessidade em nossa vaidade. Para um contorno de olhos perfeito, a nossa receita de corretivo caseiro.


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E hoje, meus queridos Leitores e Leitoras, não levem a mal mas passa bem da uma e meia da manhã e hoje trabalhei tanto, tanto, comecei aqui no blog tardíssimo e estou mesmo perdida de sono. Mais: uma vez não consigo responder aos comentários. Aceitem as minhas desculpas.
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Um belo sábado

domingo, agosto 07, 2016

O que Manoel de Barros me ensinou sobre o nada
[Que coisa mais estranha: não fui eu que escrevi isto...]






Conheço pessoas que sabem tanto, tantas coisas. Lembram-se, instantaneamente, de nomes de autores, de nomes de livros, de excertos desses mesmos livros. Não é por acaso nem por magia. É porque se dedicam de corpo e alma à tarefa da leitura: lêem com todo o cuidado, não descuram as anotações em letra pequenina, aprofundam conhecimentos até ao ponto em que sentem que já sabem tudo o que há para saber. Conhecem várias traduções do mesmo livro, lêem a obra na língua original. e memorizam tudo. E acham que a vida não é a mesma sem passar pela experiência de saber tudo sobre tudo. Se um autor lhes agrada superlativamente e se não sabem a língua para o poderem ler na versão nativa, então aprendem a língua e, quando dão por ela, conhecem para cima de uma dúzia de línguas. 

Admiro genuinamente pessoas assim. Tendo a admirar pessoas capazes de proezas que eu sei que jamais alcançarei. E sei de certeza absoluta porque não sinto essa vontade, nem essa necessidade.


Não é que, se tivesse a certeza que viveria para todo o sempre, também não quisesse saber tudo. Mas não tenho. Intuo que a minha vida é finita. Por isso, reservo sempre espaço para o tempo do nada, seja escrevendo aqui sobre coisa nenhuma, seja vendo vídeos ao acaso ou lendo bobeiras, seja contemplando o rio ou o mar, seja estando de olhos fechados recordando aqueles de quem gosto e que não posso ter perto de mim, seja ouvindo música, lendo ou fotografando ou brincando com as fotografias que tirei. E reservo também sempre tempo para o amor. A minha vida perderia qualquer sentido se eu não tivesse contacto aqueles que o meu coração ama ou se não tivesse a quem dirigir o meu afecto.

Por isso, se às curtas horas do dia eu retirar aquelas em que trabalho, aquelas em que estou no trânsito, aquelas em que me perco com pequenos nadas, aquelas, poucas, em que durmo, sobra-me uma exiguidade que eu faço por dilatar, enchendo-as com o pouco de que muito gosto. Não sobra tempo para frescura, para anotação, para aprofundamento. Fica apenas tempo para ligeireza, para flanação por sobre as montanhas de informação e conhecimento, baixando a minha atenção sobre um ou outro ponto de luz que chama por mim.


Nestas minhas novas andanças, porque acho que o primeiro passo é conhecer as pessoas, falei com cada uma. Para meu espanto, depois da conversa mais profissional, quando eu perguntava o que mais gostavam de fazer e, talvez porque a pergunta inesperadamente fazia romper um dique, frequentes foram as vezes que ouvi falar de desilusões, de um certo cansaço e descrença e várias vezes ouvi justificar a desmotivação com o facto de já terem vivido mais de metade da vida, querendo agora reservar o curto tempo que falta com o que realmente interessa. Às tantas pedi que não dissessem mais isso, senão ainda iria sair dali a sentir-me velha já que sou mais velha do que várias pessoas que disseram isso. 
Ao dizer isto, lembro-me do que voz entendida me disse: uma coisa são os anos vividos e outra é a velhice. A pessoa pode ser velha, as células envelhecidas, a mente esvaída, apesar de ter poucos anos de idade ou, pelo contrário, pode ter vivido muitos anos e ter umas células jovens e uma mente de criança. Eu acho que me encaixo neste último grupo (acho, disse eu - não sei se medicamente será mesmo assim).
A verdade é que não penso nisso, de já ter vivido mais de metade da minha vida. Sei lá se não vivo até aos 200. Mas penso sempre que a vida é curta e que pode ser tão boa. Para quê desperdiçá-la aprofundando à exaustão algumas coisas e deixando mil coisas boas por viver? Ou para quê desperdiçar tempo de afectos e doçura a aprofundar conhecimentos sobre o Ulisses? E quem diz o Ulisses diz outra coisa qualquer. Posso ser muito primária mas, na verdade, é mesmo assim que sou. Para mim, cada dia tem que valer a pena. Se o dia é longo e cansativo, então que cada minuto sobrante seja bom, solto, leve. E se o dia é longo e descansado, então para quê cansar a mente?

Bom, bom mesmo, é estar sempre disponível para a surpresa, para o maravilhamento, para a descoberta de um mundo sempre novo.

Como disse Manoel de Barros, quem acumula muito informação perde o condão de adivinhar. E eu gosto mesmo é de adivinhar. Acho que ser sabichão não tem graça nenhuma. Por isso, não quero memorizar para não formatar a minha mente. Quero que ela conserve a plasticidade infantil de perante tudo se encantar.
[E isto é o que eu penso, já aqui o confessei mil vezes. Ora estava eu aqui, preguiçosa, estendida no sofá, a televisão a mostrar-me um programa alemão em que andam todos nus, Adão e Eva em várias versões, na praia, todos apaixonados, e eu também à fresca, a passear pela net -- quando dou com um texto que diz, quase pelas mesmas palavras, o que eu penso. 
O texto tem o título que coloquei em epígrafe e foi escrito por Flávia Bechtinger para a Obvious. Transcrevi uns excertos que podem ser lidos a seguir, em itálico]


Bom mesmo é desaprender. Bom mesmo é se colocar como espectador de um mundo que você ainda não conhece e está deslumbrado olhando. Bom mesmo é olhar um rio e imaginar que é uma cobra de vidro mole. Bom mesmo é inventar cores, nomes, paisagens. Bom mesmo é entender que as respostas podem existir, podem não existir, podem qualquer coisa. E que tudo depende de como você quer escolher naquele momento.

Somos o que estamos. Isso foi outra coisa que aprendi. E se quero brincar de encontrar imagens nas nuvens ao invés de reclamar das contas que não param de chegar na minha casa, eu posso fazer isso. E posso ser chamado de uma pessoa insensata, mas com certeza, estarei mais feliz do que quem passa o dia reclamando, pelo menos no meu entendimento do que é ser feliz.

Manoel de Barros fala de despropósitos, do que talvez não faça muito sentido para muita gente. A mensagem parece ser sempre que não existe resposta certa, que o certo é buscar o que te faz bem. A mensagem parece ser sempre a mesma: olhar para a vida com olhos de quem está descobrindo. Olhar a vida como se a gente não soubesse de nada ainda.


Uma parte de mim ainda se assusta com essa forma leve e colorida de ver o mundo, mas a outra se perde entre tantas cores, brilhos e fantasia. E essa parte hoje comemora a vida todos os dias. E ri, brinca, pula, canta, dança e está feliz a maior parte do tempo, até quando está triste.

Manoel de Barros fala sobre o nada quando fala de despalavra, despropósito, desaprender, desfazer, desatar. É tudo sobre levar uma vida com mais leveza, com menos cobrança, com menos palavras, com menos promessas ou expectativas. Com menos.

E agora eu acredito que só existe uma forma de ter todas as respostas: esquecer todas as respostas. A melhor forma de aprender mesmo é desaprender e olhar o mundo com olhos de quem nunca viu. Todos os dias.

(Texto completo aqui)

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Uma vez mais aqui, o meu Mestre:

Manoel de Barros - O Livro das Ignoranças, Mundo Pequeno e Autorretrato



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Lá em cima era Aurora interpretando Through The Eyes Of A Child. 
Fiz as fotografias no Ginjal e há bocado estive entretida a saturar-lhes as cores.

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Por aí abaixo há mais dois posts: um a propósito dos Jogos Olímpicos e outra a propósito do 50ª aniversário da ponte 25 de Abril

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quinta-feira, agosto 04, 2016

Rocha Andrade e a ida a dois jogos de futebol nos quais participava a nossa Selecção, no Euro 2016, como convidado da GALP


Vou já dizendo a quem não o saiba. É relativamente normal as empresas pagarem viagens e estadias a alguns clientes especiais. Ou convidarem-nos para o camarote que têm reservado nos grandes estádios ou oferecerem-lhes bilhetes para espectáculos que patrocinam.

Existe mesmo no plano de contas oficial rubricas para enquadrarem este tipo de despesas: ofertas a clientes, despesas de representação, propaganda e publicidade, etc.




Costumo dizer que, se eu estivesse para aí virada, almoçava todos os dias em grandes restaurantes sem gastar um euro. Ou tomava o pequeno almoço nos melhores hotéis ou ia a cocktails de fim de tarde em lugares maravilhosos. Só que não estou para aí virada. Assuntos de trabalho trato-os no meu local de trabalho e momentos de lazer passo-os com amigos. 

No entanto, é frequente, de vez em quando, conhecidos meus irem a acções de formação ou a seminários noutros países a convite de empresas. Convites desses fazem-me já algumas empresas a medo pois sabem que se arriscam a ouvirem respostas minhas que os deixam 'sem jeito'. Por exemplo, costumo dizer que agradeço a gentileza mas que prefiro que canalizem o esforço de marketing para coisas que beneficiem a empresa e não a mim em particular.

De todas as vezes que me tenho deslocado ao estrangeiro em serviço, vou a expensas da empresa para a qual trabalho e porque há uma razão objectiva para isso. Nunca viajei a expensas de outra empresa.

Hoje, uma atitude como a minha começa a não ser nada de extravagante e nos manuais de ética das empresas já se encontram recomendações a propósito disso. Contudo, durante muito tempo eu era vista quase como fundamentalista nestas matérias. Um colega meu dizia-me que um honesto em excesso se torna quadrado. Pode ser, mas sempre preferi ser quadrada a sentir-me, de alguma forma, em dívida perante uma empresa que seja ou queira ser fornecedora da empresa para a qual trabalho.

Por exemplo, os bancos costumavam oferecer viagem e bilhete para jogos no estrangeiro aos directores financeiros. Era normal. Mas eu não achava lá muito normal. E quando uma grande empresa patrocina grandes eventos tem direito a um determinado número de ingressos que depois distribui por clientes ou 'influentes'. É normal. Mas eu não me apetece aturar gente de trabalho nas minhas horas livres. Se quero ir ver um espactáculo prefiro pagar o bilhete e sentir-me livre (livre de aturar chatos, de constrangimentos, de 'dívidas', 'favores' ou 'simpatias').

A Galp, como patrocinadora do Campeonato Eurupeu de Futebol, inscreveu uma certa verba nas suas rubricas de marketing, comunicação, etc. Terá convidado grandes clientes e outras figuras com quem quer estar de bem.


Uma dessas pessoas foi o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, aquele que quer aumentar significativamente o IMI a quem tem casas com boa vista e viradas a sul. Se até há uns anos, quando era quase normal que as grandes empresas apaparicassem as gentes do governo ou os 'contactos úteis', dando-lhs a comer coisas que de outra forma nunca poderiam pagar, agora a consciência está mais desperta.

Por isso, acho que foi despreocupado em excesso o Secretário de Estado Rocha Andrade ao ter aceitado que a Galp o levasse a ver a bola a França. Face à denúncia pública na Sábado online, faz bem em querer agora pagar à GALP as despesas -- e talvez lhe sirva de lição para o futuro.


Não simpatizo por aí além com a figura que, volta e meia, me parece ter alguns dos tiques que não aprecio nos socialistas. E ainda há um dia lhe dei uma tareia e lhe mostrei cartão encarnado. Contudo, só por isto da viagem não me parece que seja motivo suficiente para ir para o olho da rua. Mas é motivo para ele perceber que não deve sentir-se deslumbrado com as generosas portas que se lhe abrem pois, quanto mais ele passe por elas, mais sentirá que vai ficando com o rabo preso. É que se não há almoços grátis, muito menos há viagens e outras mordomias.

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Half The World Away interpretado por Aurora não tem a ver com o texto mas apeteceu-me estar a ouvi-la enquanto escrevia.

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E agora aceitem o meu convite e desçam até ao post seguinte no qual falo do destaque que a Harper's Bazzar também dá a Portugal. A seguir há ainda um momento implacável de Colbert vs Trump.