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sábado, outubro 19, 2024

As duas razões pelas quais uma pila se abstém: ou não tem vontade ou não consegue -- Pedro Mexia dixit
[E, já agora, uma questão que envolve a ejaculação precoce das pilas impulsivas]

 

Estava a ouvir o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer quando João Miguel Tavares, a propósito da atitude dos partidos sobre a decisão que iriam tomar aquando da votação relativa ao Orçamento, usou a metáfora da comparação de pilas. Diz ele que até parece que quem vote contra com mais veemência será quem melhor faz oposição. Nesse contexto, naturalmente os principais intervenientes seriam Ventura com o seu rotundo não e Pedro Nuno Santos que, depois de enunciar todos os motivos para votar contra, aplicou-lhe um 'não obstante' e comunicou que a sua decisão será abster-se.

Nesse momento, Pedro Mexia, sempre com aquele seu ar de quem não está nem aí, se sai com a observação que acima citei. Claro que desatei a rir. Nem mais. E bate muito certo com o que ontem escrevi.

É que Pedro Nuno Santos sabe (ou intui) que lhe falta a energia, a pedalada, o punch, para se impor numa campanha (em que a imprensa e a teia de comentadores está feita com a AD, em que a maltosa da AD e do Chega não se ensaia nada para falsidades e manipulações, em que Marcelo continuará a ser Marcelo). Por isso, porque lhe falta a vontade ou porque sabe que não conseguiria, absteve-se.

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Mas, seguindo no carril das pilas e, na senda do que em tempos escrevi sobre alguma malta que, na nossa política, por aí anda a padecer de ejaculação precoce, uma pergunta faço eu: se é apenas na 2ª feira que Pedro Nuno Santos vai propor à Comissão Política o voto abstencionista do PS, porque é que já fez o anúncio ao País com pompa e circunstância como se já houvesse uma decisão oficial e escriturada? 

Não está a desvalorizar completamente a independência e relevância da Comissão Política do PS? O que lá vão fazer? Missa de corpo presente? São meros verbos de encher? 

E, se por um qualquer desalinhamento cósmico, a Direcção Política do PS decidir num outro sentido, com que cara vai ficar o não-impulsivo Pedro Nuno Santos? Ou tem um certo lado masoquista e gosta de fazer anúncios que mais não são do que passos em falso como naquela opereta bufa do aeroporto? Aparecer-nos-ia, outra vez, com o rabo entre as pernas, a confessar que se tinha precipitado? 

Note-se: estou a perguntar. E não são perguntas retóricas. Pergunto pois gostava mesmo de saber qual a resposta.

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E, se só agora aqui chegou e lhe apetece uma peixeirada, é descer. O Rangel está aí em baixo para a servir.

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

O que tem a UJM a dizer sobre isto do Relvas já andar outra vez por aí a dar palpites sobre uma nova liderança para o PSD? E sobre os líderes serem como os melões?
E sobre as pegas entre o Cardeal Louçã e Pedro Frazão, vice-presidente do Chega?
E sobre o copinho de leite branco, caucasiano e datado, Pacheco de Amorim?
E sobre as baboseiradas do acéfalo* João Miguel Tavares?

Nada. Tenho mais que fazer.
Chorar por causa deles era o que faltava e, para me rir, prefiro este maluco aqui abaixo.

 


Não vou falar de pategos, palermas, gente encardida, totós, ocos da cabeça aos pés, racistas, chico-espertos, videirinhos, etc, mesmo que um deles já tenha merecido honras inauditas, inexplicáveis e absurdas sob qualquer ponto de vista e mesmo que a comunicação social ande com eles ao colo. Não quero saber de nada que venha dessa gente. A única coisa a fazer é ignorar e, se tentarem passar, bater-lhes com a porta na cara. Gente dessa laia não entra. Não passa. Não merece sentar-se à nossa mesa.

Portanto, segue o baile. 

O meu dia de hoje não teve muito que se lhe diga. Ando cansada e com sono. Estou precisada de umas doze horas de sono de seguida. Na primeira noite que o ursinho peludo passou no hospital mal dormi. E não deve ter sido apenas a falta de sono, deve ter sido também a angústia a consumir-me. A noite seguinte foi melhor mas, ainda assim, em défice. Um défice que se juntou ao défice anterior. E logo de seguida acabou o fim de semana. E a segunda-feira começou cedo de mais, com uma reunião mal o dia estava a romper. Começar a semana com uma reunião quase de madrugada desequilibra-me o biorritmo. E foram reuniões de seguida. E esta terça-feira não aliviou. 

Por isso, hoje estou sem pilhas. Off.

A pequena fera continua a dormir de gosto mas, à tarde, estava eu numa reunião, foi pôr-se ao pé de mim. Nada de mais. Só que eu estava num daqueles meus espaços, abertos, comunicantes (que é onde tenho melhor rede e melhor luz) e, de repente, o grande cão de guarda deve ter ouvido alguma coisa no exterior e, para provar que com ele ninguém faz farinha, desatou a ladrar. Mas a ladrar a bom ladrar. Ladrou, ladrou. Tirei o som ao microfone e mandei-o calar. Parou, olhou para mim e foi para a janela a ladrar ainda com mais força. Queria que eu fosse validar o alerta. Como estava sem som, chamei o meu marido. Felizmente estava em casa. Chamou-o e ele nada, só ladrar à janela. Eu a ter que falar e ele a ladrar à bruta. O meu marido disse para eu tirar a imagem. E, então, passou por trás de mim para o ir apanhar. Ele fugiu. Enfureci-me: 'Resolve isto, tira-o daqui'. O meu marido quase voou para o agarrar, praticamente caindo-lhe em cima. Saiu de lá com a fera cabeluda ao colo. Pedi-lhe: 'Vai para a rua com ele'. O meu marido protestou: 'Como se eu não tivesse que trabalhar!'. É que agora não queremos deixar a fera sozinha no jardim não vá voltar a haver algum problema com as lagartas peludas que, segundo todos me dizem, andam por aí aos montes, em procissão, afobadas com este calor antecipado.

Depois do trabalho, fomos fazer uma rápida caminhada e, a seguir, tratar de uns assuntos à cidade. Levámo-lo, claro. Resultado, chegámos a casa tarde. Quando aqui me sentei a ver o novo episódio da Gilded Age caí no sono. 

Quando acordei, fui espreitar as notícias. Tudo fantasias sem sentido. Não percebo porque há por aí tanta gente a gastar latim com tão fracas figuras.

Para eles só vejo um préstimo: podia fazer-se uma sitcom, na base do reality show, com eles todos juntos: o Vai-Estudar-Ó-Relvas, a galinha Rangélica, o Láparo Careca, o Cardeal Louçã, o destituído João Miguel Tavagues, o grande filósofo Pacheco de Amorim, o beato Ventura e, para arbitrar o forrobodó, the most important portuguese influencer, o famoso Self-Marcel. Nem precisavam de guião. Era metê-los na 'Casa' e deixar que a coisa acontecesse. 

Só acho que fazia falta ter ali umas mulheres. Talvez as manas Mortáguas. Devia ser giro. Talvez também a perene Lili Caneças. Acho que a Lili ligaria bem com as manas urubus (como a minha mãe lhes chama). E o José Castelo-Branco que transforma tudo num happening. Portanto, era metê-los na Casa e esperar que a coisa pegasse. Era vê-los a 'dar canal'. E uma ou duas vezes por semana havia gala com a esganiçada narcisista a fazer a festa, a atirar foguetes e a apanhar as canas. Havia de ser um festival. Ah, agora me lembrei: para a coisa ser ainda mais apimentada era de lá meter também o P. Gonçalo Portocarrero de Almada. 

E um aviso à navegação: se alguém da TVI usar esta minha brilhante ideia, V. são testemunhas que me são devidos direitos de autor.

Mas está a parecer-me que ainda faltam ali umas mulheres. Talvez a Clara Ferreira Alves. Acho que a CFA ficava ali a matar. 

Com a ex-arrumadinha Pipoca e a também perene Cinha a comentar as cenas, os casos de amor, o Relvas a seduzir uma das manas, a galinha careca a ensinar a outra galinha a fazer tricot, o Láparo e o Cardeal a conspirarem pelos cantos, o Castelo-Branco a rezar às escondidas debaixo da batina do P. E aviõezinhos a sobrevoar a Casa, a desejar um amor feliz ao Tavagues e ao seu amor seguegueto.

Bem. Não dou mais tácticas. Melhor: só mais uma. Acho que a Helena Matos também lá era bem metida. Só de imaginar já mal posso esperar. 

Mas, pronto, ainda tenho que ir ler umas coisas antes de ir para a cama. Mas, antes, deixo-vos com um que é muito cá de casa, um daqueles que me provoca gargalhada garantida, um que me faz bem à saúde. Um que é eterno, sempervirens. Leslie Nielsen.




* Escrevi que o João Miguel Tavares é acéfalo mas, calma, escrevi por escrever, na base do que parece, do que dizem por aí. De facto, de facto, não sei de fonte segura pois nunca vi nenhum RX que comprove que a cabeça dele é um daqueles melões de que o Relvas fala, daqueles que, por dentro não tem nada.
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Pinturas de Sang Ik Seo na companhia, lá em cima, de uns meninos que dançam: Jerusalema no Top Africana Best Dance Challenge 2021

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Desejo-vos um belo dia

Humor. Boa disposição. Saúde. Vontade de fazer coisas. Acreditar.

quinta-feira, abril 15, 2021

Sócrates na TVI: a entrevista, os comentários.
E Darius e a bola de fogo
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Sim, vi a entrevista. Sim, vi o debate na tvi24 que se seguiu. Sim, continuo a achar que toda a gente é inocente até prova em contrário. Sim, continuo a achar que ainda vale a pena haver tribunais. Sim, ainda acredito na Justiça, essa velha trôpega, tantas vezes entregue aos cuidados de gente que a mina e enlameia. Sim, podem chover canivetes que eu tentarei que não caiam directamente, a pique, sobre o peito nu dos que estão no chão, levando pedradas e pontapés da turbamulta.

O mundo dá muitas voltas e frequentemente o que se vê não é senão uma pequena parte do que há para saber. Na primeira pessoa muitas vezes o testemunhei. Mil vezes acompanhei, por dentro, conspirações, intrigas, farsas. Como assisto, sem preconceitos ou julgamentos prévios, às situações que me rodeiam, há muita gente que confia em mim. Confiam cegamente. Sabem que o podem fazer pois, se é para não falar, eu não falo. Tenho tido, portanto, a oportunidade de saber os contornos, as motivações, as manobras, os disfarces, de conhecer as actuações e as reacções --- e de constatar como, geralmente, é limitada e imponderada a visão dos que apressadamente julgam, pouco sabendo do que há para saber.

Em contrapartida, tenho testemunhado como é bondosa, generosa, a opinião dos outros para quem se apresenta como um sofredor. Pode o sofredor usar esse disfarce para ocultar uma alma de manipulador, um espírito de oportunista (quando não, mesmo, de desonesto), uma prática de mentira continuada. Bastar-lhe-á usar um jeito de vítima, de pessoa incompreendida, de alguém a quem os outros não reconhecem os méritos, pôr um arzinho indefeso de quem precisa de colo para que, perante a turbamulta, passe a ser visto como alguém que precisa de um conforto, que merece carinho. Tenho visto isso tantas vezes.

É assim.

Houve um primeiro-ministro que dizia que o povo é sereno. Mas eu digo outra coisa: tem dias. 

Podem passar séculos, podem as temperaturas e as águas dos mares aí estar, a subir, podem ter caído monarquias e repúblicas, podem os homens ter ido à lua e mandado geringonças para marte, pode tudo. Mas a populaça é a mesma, gente que saliva e grita de entusiasmo enquanto alguns são puxados ao encontro da guilhotina, gente que não desvia o olhar quando um corpo indefeso cai inerte, desprendido da mente, da alma. 

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Depois de um dia nem mau nem bom, antes pelo contrário, depois de uma noite cansativa, estou aqui a pedir, justamente, serenidade. E não preciso de pedir muito: já adormeci algumas vezes. Evito ir até ao youtube pois tem milhares de vídeos de suculentas para me mostrar e eu... não consigo resistir-lhes. Percebo agora porque milhares de mulheres no mundo inteiro andam fascinadas com as gordinhas. Nestes vídeos, as jardineiras-amadoras falam todas com diminutivos rolando redondinhos na boca. Fico com vontade de fazer mudinhas, de esperar para ver rebentar brotinhos, de misturar verdinhas escuras com verdinhas clarinhas. De início. este terracinho aqui tinha só um vaso grande com uma planta seca. Agora há dois cadeirões e uma mesa, um vaso grande com uma espécie de grande feto e quatro taças com gordinhas lindas. E começo a aventurar-me na reprodução, embora, impaciente como sou, esteja a tentar short cuts que, se calhar, nem vão resultar. E, pior, está de chuva quando elas gostam é de substracto sequinho e não todo húmido -- e tudo isso. Mas não faz mal. O universo há-de protegê-las. De vez em quando abro a porta da rua e vou espreitá-las, toda eu cheia de enlevo e de ideias.

Entretanto, passei os olhos pelas notícias. Hoje nada que me tenha agradado. Ontem sim. Duas que me dão que pensar, e por motivos distintos.  

Uma é que Darius desapareceu. Tem cerca de um metro e trinta de tamanho e dizem que é o maior do mundo. A dona está preocupada, diz que o ladrão o pode matar por não saber os cuidados que Darius requer. A polícia está atrás do animal e a sociedade lamenta que haja quem mercadeje com coisas tão sensíveis, a saber, um ser vivo. E eu, reparo agora, estou a usar, pela primeira vez na minha longa vida, o verbo mercadejar. Aqui pensa-se que o ladrão vai querer mercadejar não um cabrito, que não tem, mas um Darius rabbit que está a deixar a dona com um buraco no peito, infeliz porque o seu Guiness já não esteja disponível para se fazer fotografar com ele nos seus braços.

A outra notícia é que uma bola de fogo de grande dimensão atravessou os ares a grande velocidade e que só por um bambúrrio de sorte não causou o fim da picada. Fireball lights up Florida sky as it 'passes uncomfortably close to Earth'. Passou longe, por sorte. Podia ter-me caído em cima e eu já aqui não estaria a escrever, ou ter caído em cima de si e já não estaria aí a ler-me, ou do João Miguel Tavares, do José Manuel Fernandes, do Filipe Santos Costa, do José Alberto Carvalho, da Ana Lourenço, do Ricardo Araújo Pereira e de todos os que sabem de tudo, antes de todos, e que -- sim, é verdade -- estão acima de todos e que, a ter-lhes a bola caído em cima, já não estariam por aí a manipular, a distorcer, a poluir a opinião pública. Tivemos sorte, todos. 

Contudo, ao ver o vídeo, fico a pensar: até quando estaremos a salvo? 

Estarmos a salvo é uma sorte: a salvo de que uma bola de fogo nos apague da superfície da terra, a salvo de que um qualquer outro evento não nos desgrace a vida. 




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A primeira fotografia é de © Alique e a segunda de © Ben Hassett e ilustram um artigo onde li que, para o meu signo, a melhor forma de me retemperar é um belo banho, coisa que confirmo 8e não precisa de ser de imersão nem de lhe misturar sais, basta um belo duche quentinho).

A música, como é bom de ver, é:  Get Up Stand Up por Skip and Cedella Marley (2020) | Playing For Change | Song Around The World

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 Um dia feliz

sábado, fevereiro 22, 2020

O Governo Sombra, o Pedro Mexia e Rothko, o Vasco Pulido Valente.
E o tempo que passa.




Uma vez mais, estive a ver o Governo Sombra. No outro dia fiquei surpreendida e hoje confirmo que  parece que mudaram ligeiramente de registo. Parece que estão um pouco mais atilados. Se calhar é porque estão todos mais velhos, já terão ganho mais noção de quão efémero é o poder que têm. Talvez seja o tempo a fazer o seu trabalho também sobre eles. Até o João Miguel Tavares parece ligeiramente mais ponderado. Ainda não aprendeu a pensar mas, enfim, parece que já consegue elaborar melhor as tentativas de raciocínio. Acresce que se apresenta mais composto, quase civilizado, cabeça rapada e todo em noir. O Ricardo Araújo Pereira também parece não querer fazer, a toda a hora, o papel de palhaço de serviço. Só às vezes. Quando fala a sério, percebe-se que é capaz de ter qualquer coisa interessante lá dentro. E Pedro Mexia continua equilibrado e com ideias estruturadas pelo que se ouve sempre com interesse até porque se aprende sempre com ele. E estou a dizer isto sem estar a prender-me, particularmente, ao sentido do que defendem mas à qualidade da argumentação ou, pelo menos, à forma como falam sobre os assuntos da semana. Não concordo com muito do que dizem mas para se gostar de ouvir outros a conversarem ou, inclusivamente, para participar na conversa, não é forçoso que todos alinhem pela mesma cartilha.
Sei que o facto de dizer estas coisas pode parecer confuso aos olhos dos fundamentalistas que acham que se digo que simpatizo com o Pedro Mexia, assumido simpatizante do CDS, ou se me mostro mais tolerante com o João Miguel Tavares, conhecido descerebrado que pensa com o nariz (Mexia dixit), é porque tenho motivações secretas. E digo isto pois hoje recebi um mail dando-me conta de uma coisa feia. Para que eu visse com os meus próprios olhos, um Leitor a quem agradeço enviava-me um link para um comentário num outro blog no qual um comentador relativamente habitual do Um Jeito Manso escreve aparentemente sobre mim, mas escreve com a maledicência a escorrer-lhe das mãos, deturpando o sentido do que escrevi e acrescentando que 'o teor de alguns posts já antes era estranho e as respostas a certos comentários eram por vezes provocatórias e nem sempre correctas' e concluía, 'Passarei ao largo desse local daqui em diante'. Não refiro o nome dessa pessoa, ou melhor as duas letras com que se assina, nem coloco o link para o dito comentário pois não me agrada dar palco a gente cobarde e estúpida que não apenas treslê em vez de ler como, em vez de ter a frontalidade de me dizer aqui o que pensa, vai, qual vizinha, fazer fofoquice nas minhas costas. Mas adiante que com gente que age assim não faz sentido que se perca mais tempo do que já perdi. E acho bem que não volte a pôr aqui os pés -- que gente que pensa e escreve com os pés não faz cá falta nenhuma.
Mas, volto ao Governo Sombra só para dizer que, quanto ao moderador, o que tenho a dizer é que estava mais arranjadinho do que o vi ali pela hora de almoço, desfraldado e com ar meio despassarado. Mas nada contra os desfraldados e despassarados.
E, por falar no Pedro Mexia, estive agorinha mesmo a ler o que ele escreve sobre Rothko (na crónica 'O vermelho e o negro' integrada no Livro 'Imagens Imaginadas') e revi-me totalmente nas suas palavras. Fiquei foi muito admirada pois tinha para mim que ele ficaria indiferente a uma pintura a que aparentemente apenas os intutivos e os que sentem com as vísceras seriam sensíveis. Não os exclusivamente racionais. Mas, pelos vistos, ou não é bem assim ou ele não é cem por cento racional. A pintura de Rothko é, de facto, luminosa e ambígua. O que ali está tem a ver, também para mim, com a ideia de acesso a um mundo vedado ou com a ideia de um memorial perpétuo.
O programa de hoje acabou, justamente, com o Pedro Mexia. O livro de hoje foi escolha sua e era um livro de crónicas de Vasco Pulido Valente. Hoje, ao ouvir as notícias, fiquei triste com a saída de cena de mais um. Ninguém cá fica, é bem certo. Mas faz impressão. É tudo tão passageiro, tão sem nexo se visto nesta perspectiva. Mas, enfim, é o que é. No entanto, quando se vai alguém ligado à cultura, parece que a perda é bem maior. Era tão corrosivo, ele. Tinha graça nesse seu excesso de ironia, nessa sua transbordante verrina. Inteligente, capaz de imagens destruidoras mas de uma eficácia brutal. Ia-se para uma crónica dele com a curiosidade de quem quer saber em cima de quem é que ele ia deitar o copo de veneno, sendo certo que o copo de veneno podia ir disfarçado de muitas e engenhosas maneiras. Não há nada como uma pessoa inteligente, culta, bem humorada e de verbo fácil. E, quando mais uma pessoa assim desaparece, inevitavelmente olha-se à volta e percebe-se que não há muitos mais com aquela verve e aquele frutuoso mau feitio e que isso é uma pena. Parece que o nosso mundo se vai extinguindo, tornando-se mais cinzento e triste. Mas claro, isto que digo é um lugar comum, apenas aceitável se me esquecer que essa não é a equação certa pois também nós, um dia, nos iremos e os que vêm a seguir a nós já não estão nem aí. Apenas lerão os sucedâneos do Instagram ou do TikTok que, fiquei a saber ontem, é o que está a dar junto dos mais novos. Portanto, coração ao largo e siga o baile.

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E, por falar em equilíbrios instáveis e em coisas que, se pensarmos bem, não fazem grande sentido -- como andar a gente uma vida inteira a querer aperfeiçoar-se para depois ir desta para melhor -- não vem nada a propósito mas deixem que partilhe este vídeo. É uma construção efémera e inútil. Mas o trabalho que lhe deve dar e a beleza que tem... Coisas que são para a gente ver e apreciar sem pensar muito nelas. Digo eu.


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As pinturas são de Bela Silva e não faço ideia de porque é que me apeteceu trazê-las para um post em que se fala de Rothko tal como não faço a mínima de porque é que me apeteceu ter o Mr. Bojangles a fazer-me companhia. São cenas.

E queiram aceitar o meu convite e descer até onde se festeja a alegria de viver e a sabedoria dos acasos.

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quinta-feira, outubro 31, 2019

E sobre Sócrates, Rosário Teixeira, Ricardo Costa, João Miguel Tavares, Ivo Rosa e outros a UJM agora não diz nada?

Diz, claro que diz.





Não que tenha grande coisa para dizer. Mas digo. Digo, por exemplo, que me limito a ir acompanhando o pouco que se vai sabendo e a constatar que não há nada de novo. Ou que acompanho também sem grande surpresa as reacções de jornalistas e comentadores a esse pouco que vai soando. E que os vejo a começarem a titubear, a vacilar nos alicerces. E que não me surpreendo. Até porque, salvo raras e honrosas excepções, têm quase todos umas cabeças de maria-vai-com-as-outras.

Mas eu, pela parte que me toca, estou como fiquei naquela noite em que a minha filha me ligou a dizer que visse a televisão, que Sócrates tinha sido preso: estupefacta. Tudo, naquela noite, me causou estupefacção.
Porquê? O que é que ele tinha feito? E como estavam já ali os jornalistas à espera dele, a seguirem o carro onde ia, detido? Que cegada era aquela?
E daí em diante ouvi de tudo, toda a espécie de acusações, de suspeições -- uma investigação e uma crucificação na praça pública de tipo arrastão. Meio mundo a ser envolvido, um processo megalómano, com vários suspeitos a surgirem de todo o lado, por vezes num registo que me pareceu delirante. 

Teria Sócrates que ter estado a tramar esquemas durante vinte e quatro horas por dia em vez de estar a governar o País para conseguir engendrar tanta tramóia. E, note-se, não estou a fazer juízos de valor nem a tomar partido. Não: estou apenas a usar a lógica, disciplina mental que me é cara. Ou seja, não digo que não é culpado, porque não faço ideia, apenas estou a verbalizar um raciocínio. 

É que a minha posição é a mesma de sempre: a Justiça avaliará as provas existentes, a Justiça avaliará a razão de ser da acusação, ajuizará se há matéria para julgamento e, se o houver, ajuizará se há matéria para condenação. Sou fiel aos meus princípios e tenho bem cravado na minha consciência aquela máxima vintage que reza que, haja o que houver, toda a gente é inocente até prova em contrário. E quem tem que fazer essa prova é a Justiça. Não os jornais, não os comentadores, não as redes sociais, não os bloggers, não o diz-que-diz-que, não as vizinhas, não as primas.

Agora uma coisa é certa: apesar da péssima opinião que tenho sobre o Super-Juíz Carlos Alexandre ou sobre o Procurador Rosário Teixeira, tenho que fazer o exercício mental de admitir que, para terem feito o que fizeram -- e não foi pouco -- incluindo manterem Sócrates preso, é porque devem ter provas ponderosas contra ele. Não suposições mas provas. E, note-se, já se falou no BES, na PT, na Venezuela, em Angola, em Vale de Lobo, no Grupo Lena e sei lá em quem mais. E tudo isto sem que os ministros responsáveis pelos assuntos dessem por nada. Portanto, estou curiosa para saber que provas são essas que enchem milhares e milhares de páginas porque, até ver, de provas, provas, não dei conta de nada.

Não faço ideia do que é que o Juíz Ivo Rosa vai concluir de tudo o que tem lido. Agora acho que temos todos que lhe tirar o chapéu: merece respeito. Quando vejo imagens daqueles caixotes e caixotes cheios de uma papelada infinita nem consigo imaginar como é que algum ser humano consegue digerir tal pesadelo. Eu entraria em burnout só de ver tanto caixote.

Decorreram vários anos desde essa noite em que Sócrates foi detido ao chegar ao aeroporto. Desde aí a sua vida tem estado como que suspensa, naquele limbo em que nem consigo imaginar como se consegue sobreviver mantendo a sanidade mental.

De tudo,  jornalistas, comentadores e meio mundo já o acusaram e condenaram. Mas eu, nestas coisas, não consigo pular etapas. Coisa de DNA temperada por deformação académica acrescida de deformação profissional. Mas podem achar que não é nada disso, que sou é burra, teimosa que nem uma mula, besta quadrada da pior espécie. O que quiserem. Mas pular etapas, numa coisa destas, eu não pulo.

Pode ser que a Justiça venha a dar por provado tudo aquilo de que o acusam. Nessa altura eu saberei. Até lá não sei e, sem saber, não condeno. Bem pode o João Miguel Tavares sacramentar mil condenações com aqueles fracos argumentos que a sua fraca cabeça constrói, bem pode Ricardo Costa tecer as suas usuais frouxas considerações ou exibir os seus bons conhecimentos armando-se em bom, bem podem Felícia Cabrita ou Clara Ferreira Alves escreverem as suas inabaláveis certezas ou as suas doutésimas opiniões, bem pode o Dâmaso e outros que peroram no Correio da Manhã, na Sábado ou nem sei onde, denunciar, difundir 'segredos' ou lançar parangonas acusatórias -- que eu fico onde estava. 

E, portanto, como acima disse, não é muito nem nada de novo o que tenho para dizer. É só isto: continuo estupefacta com tudo isto e sem perceber o que se passou e tem vindo a passar desde então. Ou seja, na mesma. À espera que a Justiça faça o seu trabalho. 

(Poderia ainda acrescentar que estou também à espera que a Justiça seja justa e lesta -- mas isso já seria esperar de mais. Ou, dito de outra forma, seria lirismo e eu, como é sabido, é mais prosa. Poesia eu gosto mas é de ler, fazer não é para o meu bico)


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As pinturas que usei para dar alguma graça ao texto são, respectivamente, de Francisca Vogel, a primeira, Shawn Ashman, as três seguintes, e Pierre Subleyras, a última. Tudo ao som de Falling na voz de Julee Cruise.

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E uma história para crianças para terminar: Os homens cegos e o elefante

"The Blind Men and the Elephant" de John G. Saxe (lido por Tom O'Bedlam)

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terça-feira, junho 11, 2019

O discurso de João Miguel Tavares em Portalegre, no dia de Portugal


Não vi na hora nem a desoras. 

Mas vi, sem querer, há pouco -- já o 10 de Junho se aproxima do fim -- um excerto num noticiário. Muito contido, sem aquelas fífias tão típicas dos seus momentos de excitex, encenou o coitadinho, o portuguesinho lamechas que se compraz a desfiar ladainhas.

Deprimente. Deprimente e, lamento dizê-lo, Senhor Presidente, escusado. 

A ver, Senhor Presidente, se reflecte no que o levou a ceder ao facilitismo, escolhendo uma criatura a quem nunca se conheceu nobreza de atitute, elevação moral ou intelectual, palavra ou gesto superior de qualquer espécie.
Muito pelo contrário, a João Miguel Tavares o que se conhece aconselha a não lhe dedicar atenção. Dali nunca vi sair ideia que se aproveite. Por isso, JMT é um mau exemplo e nada o recomendaria para presidir à Comissão Organizadora do Dia de Portugal. De cada vez que fala ou escreve, JMT parece querer provar que é frívolo, leviano, justiceiro-popular, maria-vai-com-as-outras, maria-vizinha, fofoqueiro, sectário, tuga boateiro, cultivador de vacuidades e raivinhas de estimação. E estou a medir as palavras porque não me apetece dizer exactamente o que acho dele, limito-me a dizer o que ele próprio parece esforçar-se por mostrar que é.  
Quando o ouço ou leio (o que acontece cada vez mais esporadicamente e, em regra, por mero acidente), penso sempre que é com criaturas assim, a quem se dá púlpito, que se abre caminho ao populismo. 
E também me ocorre sempre aquela sábia dos chineses: "Quando o sábio aponta para a lua, o idiota olha para o dedo." 
E, a partir da amostra que vi, assim me parece ter sido o discurso do João Miguel Tavares em Portalegre: quando se desejaria que apontasse em frente e falasse do futuro, querendo apontar o dedo nem se sabe a quem, limitou-se a olhar a ponta do próprio dedo.

Por isso lhe digo, Presidente: lamentável, esta sua escolha, muito lamentável. Para a próxima, a ver se escolhe melhor quem vá presidir à comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal, está bem?  O País merece mais e melhor.

sexta-feira, janeiro 25, 2019

O João Miguel Tavares vai ser o comissário do Dia de Portugal...?
A sério...?
Alguém me belisque, se faz favor.
Mas isto é o quê? O fim dos tempos...?


Repito: alguém me belisque, se faz favor. Não pode ser. Quem escolheu João Miguel Tavares para comissário do próximo Dia de Portugal teria que estar com uma grande pancada na cabeça para achar que um tal tonto, to say the least, pode ombrear com gente de cultura, gente com os cinco alqueires bem medidos, gente que sabe pensar com elevação, ilustres da nação. Não sei se isto foi ideia do assessor, o amigo Mexia do Governo Sombra (o cujo, para o ano, talvez proponha o Ricardo Araújo Pereira e, a seguir, o Carlos Vaz Marques), se terá sido do próprio Marcelo num dia em que a falta de descanso lhe trocou as voltas e o fez dar um passo em falso. Tanto rodopio, tanta noite mal dormida e jet leg, tanta selfie e beijinho, tanto comentário em tempo real a propósito de tudo e de nada, tanta ida de imediato ao local da notícia, um dia haveria de dar mau resultado. 

Devo ter estado distraída porque isto hoje me caíu como uma bomba. Nem sei se a coisa já é mesmo oficial e irreversível. É que ainda admito a hipótese de que isto seja brincadeirinha pré-carnavaleira, uma bombinha de mau cheiro, uma bicha de rabear. Porque, se isto é mesmo verdade, então vou ali e já venho. Às tantas, isto ainda foi a melhor alternativa à Cristina Ferreira. Quem garante que o Marcelo não a quis para comissária e alguém, com um módico de sensatez, para o dissuadir, atirou com o nome daquela anedota para a frente? Já não digo nada. Sim, porque, depois daquele telefonema dele para o programa da dita agente cultural, sei lá se aquilo não foi já o prenúncio de que a sua capacidade de discernimento está a entrar por um caminho muito estreito, um caminho a descer e que não se sabe onde vai dar...?

Se isto é verdade, se o João Miguel Tavares vai mesmo ser o comissário do Dia de Portugal, então só vos digo que isto é o país a bater no fundo. Está certo que, em anos transactos, alguns comissários foram um bocado chatos, discursos talvez excessivamente longos e lidos em tom monocórdico. Mas, caraças, era escusado irem buscar um big-show-pimba, um vulgar-totó-populista que tem como lema de vida 'contra o sócrates vale-tudo, tudo, tudo' e nada mais, uma verdadeira cabeça de alho chocho, um zero à esquerda.

A menos que haja outro. Espero bem que sim. Haja esperança. Pode ser que haja por aí um outro João Miguel Tavares mas em bom.

É que, se não houver, acho que o Marcelo só tem uma solução para sair desta. Ser criativo. Por exemplo, primeiro, lá no dia das comemorações, punha um leopardo a correr e a largar pintas, depois uma zebra surreal, a fingir, a largar riscas, e, a seguir, aparecia o jornalista pimba a fingir que era o comissário. E a seguir, quando toda a gente já estivesse partida de riso, entrava,então, o comissário de verdade. Outro. Um a sério.




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Belisquem-me. Não posso estar bem. Estou a alucinar. 
Isto não pode ser verdade. Devo ter percebido mal.

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Ai Marcelo, Marcelo... 
Não me diga, Exª, que ainda vamos ter que acabar por ajudá-lo a terminar o seu mandato com dignidade...

sexta-feira, outubro 06, 2017

Luís Montenegro não vai a jogo e Jerónimo atribui a culpa das perdas a incertos.
E eu lanço quatro candidaturas a ver se vingam no PSD:
João Miguel Tavares, a dupla Rui Ramos & Henrique Raposo, Helena Matos e José Gomes Ferreira


Em dia importante, só fiz coisas pouco importantes. A vida é cheia disto. Miudezas. Queríamos uma escada mas a que queríamos não cabe no carro. Não veio. Atrasámo-nos. Paciência. Fomos almoçar ao cantonês, na esplanada. Menos mal. Aliás, nada mal. 

Depois, a casa aqui para limpar depois da nova canalização. E nem tudo bem. Nunca nada fica bem à primeira. Uma coisa ainda a pingar. Toalhas que estavam no armário para lavar. Depois roupa para estender. 

Mandei fotografia ao meu filho para ele ver como ficou, já que foi contra a solução adoptada. Mandou-me três carinhas a chorar. A mim não me dá para chorar. Já não estou para me ralar com coisas destas. Não será a melhor solução mas foi a solução mais rápida e mais económica. Se o meu filho reagiu assim, fará a minha filha. Deve ficar passada. Mas olha, azarinho, nada a fazer. 

Depois mails e mais mails e mais mails (de trabalho, imagine-se). E sei lá que mais. A bem dizer nem dei bem por ser dia feriado, muito menos da República. Passa da meia-noite e só agora aterrei no blog. E só agora vejo, de raspão, o que passa na televisão. Mas não se passou nada de mais, parece-me.

Ouvi o Jerónimo, todo cavaco, todo láparo, ressabiado, a reescrever a história para se vitimizar. Não lhe fica bem. Ao Jerónimo fica-lhe bem a sensatez, a honradez da voz do povo, alguma elevação. Esta conversa de atribuir a perda de autarquias a incertos que foram mauzões menoriza-o. Pode agradar a alguns azedos que ainda estejam com o pé preso à 'longa noite fascista' mas a conversa é disparatada e patética aos olhos de quem já vive com os dois pés no tempo presente. O PCP tem que perceber qual a sua razão de ser nos dias de hoje. E os dias de hoje têm que ser olhados com olhos de gente que vive no presente, em Portugal. Não no passado, não no Alentejo do tempo pré-reforma agrária, não no Barreiro pré 25 de Abril, não na Cuba Castrista, não na Venezuela, não na Coreia do Norte. Em Portugal, na Europa, hoje. Enquanto o PCP não fizer essa reflexão, nada feito, será sempre a descer. 


E agora ouvi que o joker-face Montenegro não vai a votos para suceder ao láparo. Não é grave. Nem agudo. Nem ninguém deve ficar triste. Acho que só o cãozinho que estava na missa fez uns olhinhos de snif-snif


Eu, cá para mim, continuo agnóstica em relação a estes temas laranjas. A bem do País era bom que aparecesse alguém de jeito. Mas, confesso, para minha diversão é bom que a coisa se mantenha na base da tropa fandanga em permanente cavalhada. Como é sabido, gosto de números de burlesco.

E o que, numa perspectiva construtiva, posso adiantar é que, na falta de gente que se chegue à frente, tenho, eu, quatro candidaturas a lançar. E só espero que os meus Leitores alinhem comigo e lancem uma volumosa onda de fundo. Não sei se estes meus candidatos já são militantes; mas não faz mal. Vão mais do que a tempo.

Mas vamos com música, para criar ambiente


1ª - João Miguel Tavares

Escuso de justificar. Dava um belo líder e não vejo a hora de poder contar com ele como putativo primeiro-ministro. Coerente, inteligente, nada sectário, lúcido. 

Poderia ter a Sofia Vala Rocha como porta-voz.

Um dia que se alcandorasse ao ambicionado lugar de chefe de Governo, poderia nomear a mana Vidal como Ministra da Justiça, o Super-Judge-Alex como Ministro da Administração Interna, o saudoso Lombinha dos Briefings na Economia, o 007 da política, Sérgio Monteiro de seu nome, na Arca do Tesouro, a Pipoca mais Doce no Ministério dos Cupões, o Pipoco mais Salgado no Ministério dos Machos-Alphas, a Cocó na Fralda na Economia Doméstica e a Dias de uma Princesa nas Dietas da Moda. Poderia ainda propor uma alteração legislativa que lhe permitisse ir ele, em pessoa, -- e dispensando julgamentos na Justiça (que só servem para atrapalhar) -- apanhar o Sócrates à mão e levá-lo para uma masmorra em S. Bento para, pessoalmente, o manter a pão e água e lhe aplicar as merecidas vergastadas, quiçá, até, arrancar-lhe todos os dias um bocadinho do escalpe e polvilhá-lo com pulgas.


2ª - Rui Ramos & Henrique Raposo

Uma liderança bicéfala que também não carece de justificação. 

Falariam ora em uníssono ou a
duas vozes, consoante a profundidade de campo que pretendessem alcançar.

Poderiam ter a Manuela Moura Guedes como porta-voz. 

Um dia que capitaneassem o Governo poderiam ter a Madre Paula como ministra dos Affaires, a sexy Felícia Cabrita como ministra das Notícias & Esquadras de Polícia, a enfermeira Cavaco na Saúde (das Finanças da Ordem), o inspector Rosarinho na Caça ao Tesouro, o marido da Pinókia Albuquerca na Administração Interna, o Hugalex nas Tiradas Parlamentares, o Vai-Estudar-ó-Relvas no Ensino Superior, a Srª Dª. Maria Cavaca nas árvores de Natal, o saudoso alemão Bruno Maçães nos Negócios Estrangeiros e o incontornável Catroga no ministério dos Pêlos Púbicos.



3ª - Helena Matos

Já é tempo do PSD ter uma mulher à sua frente e esta é das tesas. Depois de anos a defender o Láparo, é de bom tom que as hostes laranjas lhe estendam a passadeira laranja.

Poderia ir buscar o colega Dâmaso do Correio da Manhã para porta-voz. Solidariedade entre iguais.

Um dia que chegasse a 1ª ministra poderia ir buscar o mano Costa para ministro do Boato, o João Vieira Pereira para ministro das Vacuidades fora de Prazo, o Pedro Santos Guerreiro para ministro do Apelo ao Sentimento,  o Balsemão para ministro da Impresa Empenhada, o Nóia M. Mendes para o Ministério das Gargantas Fundas, o Baldaia para ministro Rolha, o  Rangel para ministro das Limpezas de Salão e a Parrachita para ministra das Bocas no Facebook.


4ª - José Gomes Ferreira

A mais que justa e óbvia candidatura. Longa caminhada tem o Zé Gomes percorrido. Merece lá chegar, ó lá se merece.


Poderia ter a Cristina Ferreira (a do Goucha) como porta-voz. 

Um dia que se visse em Primeiro-Ministro quase que podia fazer a festa sozinho pois melhor que ele não há. Mas, enfim, noblesse oblige.

E, portanto, vamos lá. Poderia ter o João Rendeiro como ministro das ex- Fortunas & Falências, Zeinal Bava como ministro das Finanças e das Condecorações, o João Duque como ministro do Não Acerta Uma, o Granadeiro como ministro dos Vinhos & Duvidosas Parcerias, o Mexia da EDP como ministro da Coltura e da Cagança, a Judite de Sousa como ministra das Finanças (porque tem obrigação de ter mais do que aprendido a lição do Ó-Dr. Medina), a Drª Teodora como ministra da Inovação, o Carlos Costa (o do BdP) como ministro das Decisões Rápidas e Boas e, para dar mostras de modernidade e de inclusão, o Carlos Costa, o outro, como ministro das Coisinhas mais Sexys.


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Só boas ideias e, já viram?, a malta do PSD nem precisa de gastar dinheiro com opinion makers.
Aqui a Sta UJM dá-lhas de mão beijada, é tudo pro bono.

E que comece a engrossar a onda. Qualquer um dos meus putativos & alegados é bom. Força aí.

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terça-feira, setembro 19, 2017

Casais improváveis
[Com um número extra em pós post: o casal maravilha cuja missão seria, nada mais, nada menos, que a procriação]


(diz-se ter fixação em ou fixação com? -- volta e meia tenho destas ocorrências, fico sem saber; e é que a gente a falar é mais ou menos na base do 'olha, já foi' e bola para a frente, a asneira fica para trás. Aqui não, aqui, se a gente diz um disparate, fica escrito saecula saeculorum, uma responsabilidade), 
lembrei-me, dizia eu, que, se tivesse um meio televisivo à minha disposição, inventava um programa daqueles em que se colocam pessoas em situações que induzem o romance. Podia ser daqueles em que fazem perguntinhas pessoais, e eles tête a tête, e às tantas a coisa já começa a ficar morninha, depois quentinha, e a gente a ver que a intimidade já se abeira e que, a bem dizer, já estão capazes de sair dali e ir fazer um cafuné um no outro, beijinho aqui, beijinho acolá e, pumba, truca-truca, coisinha mai boa.


E até aí tudo bem. Déjà-vu. A net cheia disso. O picante da coisa estaria nos parzinhos que eu ia arranjar. 

E é aí que entra a conversa do Valupi. 

Dois que eu poria numa de a ver se rola seriam o Sócrates e a Helena Matos. Haveriam de começar numa de arrogância para aqui, arrogância para acolá, chispas a tordo e a direito, desprezo, cada um mil vezes superior ao outro, cada um a cuspir para o chão, ódio e mais ódio. Mas depois, não sei cá porquê, a ver se não saíam de lá os dois com sorrisinhos cúmplices, tímidos e malandros e a gente a ver onde é que aquilo ia dar. Até um livro a meias haveriam de publicar. E a ver se ele não fazia um restyling naquele ar pingão dela. Haveria de ficar uma giraça, toda bué produzida, toda ela chameguinhos bons no Zé.



Outro casalinho: o Láparo e a Catarina Martins. Ele armado em superior, sensaborão, boca retorcida, a fazer perguntas parvas. Ela, ao princípio, sem ter jeito, furiosa, incapaz de se articular com aquele coiso. Depois, lembrando-se do objectivo do programa, artista, olhinho sorridente, boquinha marota, a dar-lhe a volta. Daqueles apanha-os ela à mão. No fim, quando ele estivesse a piar fininho e a vir , de facto, já comer-lhe à mão, aposto que ela desatava a rir pela ratoeira que lhe tinha armado. Querias, não querias, ó láparo...? Pois é, querias... Mas não vais ter. E a ver se desta não vais, no futuro, aparecer a gabares-te de que, se quisesses, tinhas feito e acontecido... Tinhas uma ova, ó láparo. Como diz a Constança Cunha e Sá, 'se cá nevasse, fazia-se cá ski'. Ahahahaha. Ganda asinino, este láparo. Haveria até de chamar as manas Mortágua para, as três, rebolarem a rir da partida que ela tinha pregado ao láparo.

Mais um: o Centeno e a Pinóquia Albuquerka. 

Ela a começar feita cagona e ele todo pacholas, com uma paciência danada, ela toda peixeira e ele professor, ela a dizer cavaladas e ele, didáctico, a explicar-lhe que não, nada disso, ora pense lá melhor. E, no fim, ela já toda derretida, já até esquecida do sarrafeiro que lá tem em casa. E o Centeno, apesar de tímido e com aquela carinha de anjolas, a lembrar-se da macaca que é ela -- e a mandá-la bugiar. Olhe, Drª, porque não vai antes dar banho ao cão do Schäuble?


Mais um casaleco: João Miguel Tavares e Fernanda Câncio. Bem. O que haveria de ser. Faíscas, raios e coriscos. Cá para mim, aqui não havia química possível, a coisa haveria de acabar ao estalo. Ela nele, claro. E ele, feito parvo, a tentar fazer trocadilhos. Trocadilhos pirosos, de mau gosto, a ver se se fazia engraçado. E ela, furibunda, a começar por lhe atirar água a cara para acabar a tentar agredi-lo, a produção do programa a agarrá-la, a chamá-la à razão. E o outro, todo totó, cheio de medo, a inventar desculpas, todo tantã, o tatibitate do costume.


E ainda mais um: o Mexia, Pedro Mexia, com a Cristina Ferreira. Ela a querer pô-lo a dançar, ele a querer falar de literatura, ela a rir escaganifada e ele, atrapalhado, sem saber se rir, se chorar, ela a fazer-lhe perguntas inconvenientes e ele sem saber como limpar tal nódoa do seu exemplar cv sem ser rude, e ela a piscar-lhe o olho, depois a descalçar-se e a enviar o pé pela perna das calças e ele, a fazer de conta que não estava a dar por nada, e a perguntar-lhe qual o autor preferido. No fim...? Pois, neste caso, não arrisco palpites.


E, para terminar, o casal que se impõe: Valter Hugo Mãe e Cátia Palhinha. Sabido é que o Valtinho tem um problema: não consegue ter um filho. Presumo que tenha tentado. Contudo, como penso que o seu clube de fãs seja constituído maioritariamente por senhoras menopáusicas, a coisa não lhe tem corrido de feição. Vai daí, mandaria vir uma fogosa mulher, e até a poria vestida de agente da Cruz Vermelha que o tema é de cariz quase social tantos os lancinantes apelos que o nosso bardo tem lançado. Diria mesmo que aconselharia a que a célebre Palhinha fizesse uso do seu golpe de magia que, como se sabe, se traduz em, do nada, mostrar uma passarinha. Penso também que é o tipo de mulher que deixaria o Valtinho inspirado em todos os sentidos, incluindo no bíblico. Cá para mim nem seriam precisas as trinta e tal perguntinhas da praxe nem os olhos nos olhos do costume. Capaz até da coisa pintar e rolar logo ali. Um pico de audiências nesse dia.



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Podia continuar. Bloggers. Também arranjava uns casalinhos improváveis. Estou aqui danadinha para lançar uns quantos à liça. Mas pronto, fico-me por aqui. Um dia que me reforme e que crie um canal de youtube logo ponho as minhas ideias em prática.


A imagem de abertura do programa -- que se chamaria Love is the air -- poderia ser, por exemplo, qualquer coisa romântica deste género:


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quinta-feira, julho 27, 2017

Hugo Soares = nojo *
Ascensão e queda de um líder parlamentar falhado - ou a fatal entrada em cena do Hugalex.
-- E mais um passo em falso da Cristas da Coxa Grossa --
[Já para não falar em mais um prego no caixão do jornalismo em Portugal que os boateiros do Expresso fizeram o favor de espetar]


Não estou em grande forma. A outra noite, para mim, não foi bem uma noite, foi mais um dia de juízo. Agora, um bocado cansada e muito mal dormida, estava aqui mais numa de assuntos tranquilos, daqueles que não me indispõem. Percebam-me, por favor: nem todos os dias está uma mulher pronta para a guerra. Tem dias em que se está mais numa de, suavemente, deixar correr a pena, o coração nostálgico, a melancolia a tolher-nos as mãos -- e nós sem darmos luta. 
A dor de um filho que perde um dos seus progenitores não é coisa pouca e, tanto pior, se, à altura da perda, for quase criança e as sombras abruptamente invadirem um espaço que antes era de luz e amparo. 
E foi neste estado de espírito que, serenamente, falei da memória que guardo da fatídica noite de 31 de Agosto de 1997 e do tributo que, vinte anos depois, os filhos prestaram à sua mãe Diana que foi Diana de Gales.

E agora, na mesma pacífica modorra, estava aqui a ler blogues alheios, por vezes prova saborosa, enquanto na televisão correm as notícias do dia.

O fogo a devorar tudo o que é verde. Correndo montanhas, atravessando estradas e rios, o fogo avança como um bicho esfaimado, um bicho de grandes patas, de ameaçadoras goelas. Fogo e mais fogo. O fogo é um dos elementos matriciais disto tudo. O ar, a terra, a água, o fogo -- tudo muito para além do que a inteligência e a força humana conseguem dominar. Por vezes, parece que nos esquecemos que a natureza, quando se agiganta, é capaz de devorar quem ousa desafiá-la. A seca, o vento, gestos irracionais (tantos incendiários que há no meu país... alguém já terá estudado seriamente este fenómeno?) e a pouca sorte são uma mistura explosiva.

Mas, logo a seguir, talvez porque, pelo meio, me tenha distraído e perdido o fio à meada, lá me apareceu o desinfeliz Hugo Alexandre, agora já na versão 'derrotado pela evidência dos factos'.


E quais os factos a que me refiro? Não é certamente à lista dos que pereceram na tragédia de Tancos, que eu não tenho por hábito juntar-me aos abutres que não passam sem rondar a carniça nem vou atrás dos boatos que o Expresso lança para a praça pública (mostrando os riscos que a democracia e a liberdade de expressão comportam ao serem usadas para minar a confiança nos seus pilares). Não. Os factos que derrotaram a ambição política do Hugo Alexandre Soares, aka Hugalex, são mais simples que isso. 

Não sou supersticiosa mas acho que não é bom augúrio começar o que quer que seja alicerçando-se sobre aldrabices envolvendo mortos. Os mortos merecem respeito e contenção. Ora o Hugo Alexandre resolveu cavalgar uma trapalhice a que o Expresso, num mais infelizes episódios da sua história, resolveu servir de megafone. Mostrando ter falta de tino, falta de bom senso, falta de sentido de estado e de solidariedade humana para com os familiares das vítimas, o ridículo Hugalex, depois de um desafiador 'dou 24 horas' e de, ao cabo de pouco mais do que isso, ter recebido, através da tão demandada 'lista dos mortos', o atestado público da sua estupidez apareceu perante as câmaras de televisão a mostrar como é patético o exercício público de enfiar o rabo entre as pernas. Contudo, em vez de o fazer de pianinho, low profile, a ver se passava despercebido, não senhor: intelectualmente pouco honesto como é e bastamente desinteligente como tem demonstrado ser, ainda apareceu com o dislate de vir congratular-se pelo fim da polémica sobre a lista dos mortos -- como se fossemos parvos e não estivéssemos todos carecas de constatar que quem mais alimentou a polémica foi ele, justamente ele.

Uma indigência política esta a que chegámos, quando uma função como a que o Hugalex agora desempenha, é entregue a alguém tão incapaz como ele.

E estava eu a antever que aquela pobre e destituída figura não se aguentará muito tempo nestas suas novas funções quando logo a seguir me apareceu outra que tal -- a Cristas, na televisão, também a culpar o Governo de ter criado o furdunço em volta da lista dos mortos e, tal como o outro, a mostrar que em boa hora e muito justamente os portugueses mostraram querer ver-se livres desta seita dos PàFs, gente que dá ânsias a qualquer português bem formado e com dois dedos de testa.

São os salvados dessa gentinha que agora por aqui andam, à babugem dos boatos que as sobras da comunicação social vão espalhando. Julgam os portugueses à sua imagem e semelhança, julgam que papamos toda a porcaria que nos querem impingir. Mas enganam-se: estou em crer que ainda há muita gente inteligente.

Não posso terminar a referência a este fétido capítulo da política e do jornalismo da era lapariana sem referir uns quantos nomes que ficarão bem ao lado do Hugo Soares, da Cristas, do Láparo e desta gentinha-poucachinha que infesta a política nacional. Refiro-me a alguns representantes do jornalismo desclassificado que, por estes dias, campeia em Portugal e que mostraram, uma vez mais, que, a continuarem assim, um dia destes os portugueses vão achar que estão melhor sem eles. E são, a saber: João Miguel Tavares, Pedro Santos Guerreiro (de quem eu, antes dele entrar para o coito dos boateiros, até gostava), Bernardo Ferrão. Populistas, fuxiqueiros, levianos, cheios de uma empáfia que ainda os desvaloriza mais. Falo nestes mas, atenção, não são os únicos, são apenas, pelos piores motivos, três bons exemplos -- até porque seria uma felicidade se fossem só três e não, não temos essa sorte. Upa, upa. 



* nojo = luto, repugnância
(escolham, os meus doutos Leitores, qual o sinónimo que melhor se adequa ao momento político que o líder parlamentar do PSD resolveu criar e nele se enterrar)
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NB: As imagens com que polvilhei o texto não têm muito a ver. Quis ter aqui algum toque de humor já que a conversa era sobre gente que não é boa companhia. Encontrei-as no Bored Panda e gostei. Umas mostram uma mulher dita 'normal' que resolveu mostrar como fica quando reproduz fotos de beldades e outras mostram actos de vandalismo urbano, mas um vandalismo inócuo e divertido.

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Permitam que relembre: caso vos apeteça mudar para um registo, queiram descer até Diana, a nossa mãe (incluo o vídeo completo)

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