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domingo, agosto 27, 2023

"Quem disse que o homem nasceu para trabalhar?", questiona Pepe Mujica

 

Problemas técnicos ultrapassados, eis que consigo aqui voltar. Dia preenchido, casa quase cheia, animação, apetite e boa disposição. E, sem contacto com o mundo exterior, ainda consegui estar reclinada ao sol a ler. Algum ventinho mas a temperatura amena, e sabe bem alguma frescura depois dos dias de queimação por que passámos.

Do mundo não me apetece comentar nada -- até porque quase nada sei -- e, de resto, o que posso dizer é que o terreno está quase desfigurado de tão 'limpa' que está a terra. É quando como quando a gente vê um homem a quem sempre conhecemos com barba e que, de repente, se apresenta escanhoado. Não parece o mesmo. Olha-se e sente-se que falta qualquer coisa. Não posso dizer que esteja mal até porque as árvores estão grandes e parece que até sobressarem mais. Mas falta toda aquela vegetação que cobria o chão. Volta a nascer, prometem-me. E só espero bem que sim. 

A verdade é que os caminhos -- que quase tinham desaparecido sob a caruma e da qual já germinava toda a espécie de erva  -- estão de novo à vista e isso não deixa de ter a sua beleza.

Ainda não está tudo limpo. Nos dias de muito calor os trabalhos foram suspensos. Ainda há muita limpeza a fazer e há árvores por desbastar. Mas muito já está feito. Agora já se pode passear por zonas que a natureza já nos tinha interditado e isso é também uma alegria.

No outro dia um dos homens junto de quem eu me lamuriava pela razia, dizia-me: 'Isto serve para quê?', referindo-se ao mato. 'Isto só serve é para os coelhos', concluía. Fiquei ainda mais triste e disse: 'Mas eu gosto de ter aqui coelhos...'. Talvez para me consolar. ele disse: 'Já quase que não os há...'. De facto, quase não os vejo mas creio que seja pela secura, está tudo tão seco...

Só espero é que, com isto, os esquilos não se assustem e não se vão para outras paragens -- até porque os pinheiros também têm que ser subidos (ou seja, a copa tem que começar mais acima). E os pinheiros são a sua casa preferida. Custa-me pensar que estamos a perturbá-los mas reconheço que tem que ser, a bem da segurança.

Mas, pronto, é isto. Pouco mais tenho a acrescentar.

Agora já foram todos dormir e eu vim aqui dar um arzinho de minha graça. 

E o que hoje tenho para partilhar é um interessante vídeo no qual Mujica diz coisas interessantes. Há sempre várias maneiras de ver as coisas e a aproximação dele é a optimista, quiçá até utópica. Ele pede para não lhe retirarem a utopia e eu acho que, na realidade, viveremos mais felizes se conseguirmos sonhar com um futuro feliz.

Mujica reflete sobre evolução humana e diz que celular não é o problema

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Desejo-vos uma bom dia de domingo

Saúde. Tranquilidade. Paz. 

domingo, setembro 27, 2020

Assim fala Pepe Mujica. Assim fala Nietzsche. Assim fala Garcia Márquez.

 


Gosto de ver as entrevistas de Pepe Mujica ou os apontamentos de reportagens com ele. Se eu tivesse duas vidas, por um lado via aquilo de que gosto e, por outro, ia informar-me sobre aquilo ou aqueles de que gosto. Por exemplo, iria informar-me sobre o seu desempenho como Presidente do Uruguai para além do lado mais pitoresco ou simbólico ligado ao seu despojamento e vida humilde. Mas o facto de não ter um conhecimento bem informado sobre o papel que a história do Uruguai lhe reservará não me impede de simpatizar com a pessoa. E nem é só a vida simples que leva ou as posições políticas que manteve enquanto desempenhou cargos públicos: é também, e não sei se sobretudo, a forma como fala. Há qualquer coisa de poético nas suas palavras, qualquer coisa que não tem que ver com a linguagem usada na comunicação social, qualquer coisa que não tem a ver com as tricas da actualidade mas com algo de mais profundo.

A vida apressada que levamos, a pressão que algumas exigências sociais (nomeadamente as que se prendem com um consumismo exacerbado) têm vindo a impor, a dedicação exagerada que algumas profissões requerem, tudo isso talvez tenha sofrido uma quebra com a pandemia. Talvez muita gente tenha percebido que isso, às tantas, pode não ser a melhor opção. Ao vermo-nos forçados ao recato, talvez muitos dos que antes eram dependentes de estímulos externos, tenham percebido que a vida é possível mesmo quando vivida com maior vagar, com algum resguardo, entre amigos e, sobretudo, no calor afectuoso da família. 

O que eram as ditaduras dos mercados que, de forma geral e com maior ou menor beneplácito de quase toda a sociedade, têm vindo a sofrer alguns abalos -- e com a dura consequência de muito desemprego em alguns sectores -- talvez percam alguma da sacrossanta protecção de que universalmente usufruíam.

Mas, muito antes da fractura que está a ser imposta pela pandemia, já Pepe Mujica se atinha ao essencial, mostrando estar muito longe das temáticas a que se agarra grande parte da população, no Uruguai e em todo o mundo.

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É neste contexto em que agora vivemos -- hoje sossegada em casa, entretendo-me a tratar da sua arrumação, a pôr a lavar, a estender, apanhar e engomar roupa, a cozinhar, a regar, a dispor estacas de alfazema em vasos e canteiros, neste tranquilo remanso de que, privilegiadamente, posso usufruir -- que me ponho a ler, a ver vídeos. Uma rica vidinha, a minha -- reconheço.

Acabei o Narciso e Goldmund, belo livro, e, de seguida, hesitei entre O Ouriço e a Raposa e o Exercícios de Admiração de Cioran. Mas tudo tem sempre a ver com a nossa disposição e disponibilidade. E hoje não me apeteceu delongar-me nem num nem noutro. Diria que chatos, não condicentes com os tons dourados deste sweet september. Ou talvez a requererem um recolhimento que as cores chamativas das buganvílias não me permitem. Lembrei-me então de ir à procura do Zaratrusta. Não encontrei. Não sei se está noutro sítio ou se se perdeu de mim. Do Nietzche encontrei o 'Para além do bem e do mal' e, para meu espanto, encontrei várias partes assinaladas. Já não me lembrava de as ter assinalado. Reparo que sobretudo é onde a ironia, o gozo e a diversão são mais evidentes que assinalei. Rio-me, sinto-me muito bem disposta ao ler aquilo. Algumas partes são mais extensas e tenho preguiça de aqui as colocar, levar-me-ia muito tempo, requereria de mim muita atenção. 

Transcrevo algumas partes mais breves.

67) O amor por um só é uma barbaridade: porque se exerce à custa de todos os outros. O mesmo quanto ao amor por Deus

74) Um homem de génio é insuportável se, além disso, não possuir pelo menos duas outras qualidades: gratidão e asseio.

84) A mulher aprende a odiar na medida em que desaprende de encantar.

97) Como? Um grande homem? Eu apenas vejo o actor, representando a seu próprio ideal.

153) O que se faz por amor, faz-se sempre para além do bem e do mal

154) A loucura é rara nos indívíduos -- mas é a regra nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas.

237) [...] Vestida de negro e calada, toda a mulher tem aspecto de -- inteligente


E agora, enquanto estava a ler o Nietzsche, pus-me a ouvir Garcia Márquez. Algumas entrevistas longas, com muita piada. Mas, para aqui, escolho um vídeo pequeno, com mesmo muito que se lhe diga.  Acresce que o Gabo é daqueles contadores de histórias de quem a gente quer sempre saber mais. (Virtudes dos vídeos, da net, de tudo -- falo como se ele estivesse vivo e, na verdade, é como se estivesse). Difíceis começos têm, por vezes, os grandes escritores. 

Como nasceu o Cem anos de solidão


Voltei a dar um banho às minhas fotografias, desta vez um banho de verde.

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A todos desejo um belo dia de domingo

sábado, agosto 18, 2012

Os cavalos azuis do sonho de Franz Marc, a luz do teu rosto nas palavras de José Bento e a Felicidade Humana como razão da política segundo o Presidente José Mujica


O sonho - Pintura de Franz Marc (1880-1916)


Vindos de longe, há muito, aqui nos encontrámos,
no lugar hoje teu por lavrares o seu ouro
agora em nossas mãos, a viver nas palavras
terrosas que buscaste - sempre luz do teu rosto.


De novo cheguei tarde a casa e já a noite ia avançada quando consegui começar a responder aos comentários coisa que, como sabem, é grande parte do meu prazer ao escrever aqui. Por isso, passa já das 3 da manhã agora. Já não vou conseguir escrever nada, estou mesmo cansada e com sono.

No entanto, um leitor, a quem muito agradeço, enviou-me por mail o link para um vídeo fantástico. Gostei muito de o ouvir. O que ali é dito é muito do que eu acho que devem ser os propósitos da política, da grande política, da verdadeira, da que é feita para as pessoas.

Assim, convido-vos a ver e ouvir. É o fantástico discurso do Presidente do Uruguai, José Pepe Mujica na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, é uma outra linguagem. 



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[O poema de José Bento, encontra-se no livro Sítios e refere-se à visita que fez a Eugénio de Andrade em 19 de Janeiro de 2003.

Caso desejem saber mais sobre a vida do Presidente José (Pepe) Mujica poderão encontrar alguma informação mais detalhada na wikipedia em língua inglesa, aqui.]

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E tenham, Caros Leitores, uma sábado luminoso!