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domingo, outubro 08, 2023

Em dia de casamento real para os pequenitos e de tiroteios para doer ali onde a gente sabe, há tempo para se falar nos reais riscos que a IA pode trazer?

 

Casou-se a filha do rei de faz de conta e a TVI, que provavelmente bancou o espectáculo, cobriu o evento como se estivessem às portas de Buckingham. E o povo (sic) colocou-se no exterior para ver, aplaudir e comer qualquer coisa à conta.

Tenho que confessar: só vi durante uns cinco minutos. A infanta (sic) vinha num coche (ou caleche?) com o senhor seu meio acabado pai, acenando à populaça. 

Lá dentro, os nobrezinhos, os newcomers e mais uns quantos vestidos a rigor aguardavam. E algures o Goucha e mais umas pessoas comentavam.

Desandei pois tudo ali me pareceu desfasado da realidade.

Podia ser apenas um casamento, e um casamento é sempre um momento com a sua graça. Mas não: quiseram fazer daquilo uma encenação fajuta de um casamento real como se Portugal fosse uma monarquia. E esse faz de conta elevado a esta escala faz-me um bocado de espécie.

E sei que o tema do dia é a desgraça que para ali vai no Médio Oriente mas como não serei a pessoa mais indicada para falar nisso, limito-me a dizer que não compreendo como podem os países envolver-se em guerras tão sangrentas quando têm tudo a perder. Bem sei que assiste aos humilhados e perseguidos o direito à indignação mas, se entramos por aí, logo virão os agredidos dizer que lhes assiste o direito à retaliação face à agressão. A uma escala planetária o que se vê é que por incapacidade de serem inteligentes, os humanos passam a vida a matar-se uns aos outros.

Claro que com estas cabeças, uns a iludirem-se feitos totós, outros a, maquiavelicamente, espezinharem populações, outros a invadirem outros países, e os atacados a defenderem-se, o que sobra são uns pobres coitados, cada vez mais velhos.

E sobra espaço para que tudo o que é dispensável avance como cão por vinha vindimada. E aqui incluo os populistas, os chico-espertos, os pequenos génios que inventam o que lhes dá na gana e que ninguém controla.

A entrevista abaixo é interessante. Recomendo-a. Ali Harari fala para os riscos reais da Inteligência Artificial. Estivesse a humanidade atenta e cautelosa em relação a isto, poderia usar-se apenas o seu lado bom. Mas andando tudo aos tiros uns para os outros ou para os pés e outros distraídos a brincar às divas, aos reis e princesas, às selfies e beijinhos, não sei se há quem seja capaz de pôr um travaão quando for caso disso.

(Dá para pôr com legendas a partir de tradução automática para português. Para quem não se entende com o original sempre é uma ajud)a. 

Piers Morgan vs Yuval Noah Harari On AI | The Full Interview

Piers Morgan Uncensored is joined by historian and philosopher Yuval Noah Harari for an in-depth conversation about the intricacies, benefits and threats of Artificial Intelligence and how the world should move forward using AI and the risks of what could happen without regulation.

Yuval believes that AI development needs to be regulated in a similar manner to how new medicines are studied and introduced. He feels that new technology needs to be thoroughly tested before being deployed for public use.

Yuval believes the main threat of AI is that it will break the trust of human-to-human interaction with 'fake humans' and believes our entire society, democracy and economy are based on the trust of human-to-human transactions and relationships. Yuval suggests we should look to ban 'fake humans' and 'deep fake' AI before it reaches a point of self-design and starts creating independent-thinking fake humans.


Desejo-vos um bom dia de domingo
Saúde. Boa sorte. Paz.

quarta-feira, setembro 14, 2022

Querem lá ver que o petiz não tem a pachorra e o savoir-faire da querida mamã...?

 

Como é bom de ver, não tenho andado a comer, a mastigar ou a ruminar sobre os omnipresentes documentários e comentários sobre a falecida Rainha, sobre a Consorte, sobre o novo Rei, sobre os irmãos do Rei ou sobre os filhos. Não sou cidadã do Reino Unido ou da Commonwealth nem tenho recordações pessoais ou afectivas que me liguem aos Royals. Por isso, não os sigo caninamente, não consigo traçar-lhes traços biográficos nem consigo ter opinião sobre se Charles III vai modernizar a monarquia, se vai mantê-la viva e a vender canecas e outros gifts a todo o vapor ou se vai enterrá-la. Não sei, não faço ideia.

No entanto, acompanho o suficiente a comunicação social para saber algumas pequenas coisas. E é, portanto, a partir do pouco que sei que acho que o agora rei esteve bem quando, avant la lettre, demonstrou preocupações ecológicas e pôs em prática conceitos de sustentabilidade. Também acho que foi coerente e mostrou ser pessoa de fidelidade aos seus amores, quando, contra tudo e contra todos, apesar das tremendas dificuldades e contra a pressão da família e da opinião pública, se manteve inabalavelmente ligado ao seu amor de sempre, a sua Camilla, à altura casada com outro, mais velha e menos glamourosa que a sua belíssima Diana. E também aprecio o seu sentido de humor e a sua capacidade de rir em uníssono com a sua bem amada, tal como acho comovente a ternura que tem expressado em relação aos pais ao comentar publicamente a sua morte e ao agradecer o carinho das manifestações de pesar que os seus concidadãos têm demonstrado.

Tirando isso, pouco mais posso acrescentar. 

Por isso, limito-me aos fait divers, nomeadamente a esta sua recente baralhação sobre a quantas anda (o que é natural pois, ao mesmo tempo que o corpo da mãe anda em bolandas, de um lado para o outro, tem ele que andar também a bater perna por todo o reino, a discursar, a agradecer a gentileza de meio mundo e a fazer juras de que vai seguir o bom exemplo da darling mamma), à sua fúria com a caneta que se babou e lhe sujou os dedos e à cumplicidade de Camilla, sempre presente e atenta a seu lado.

'I can't bear this bloody thing': King Charles gets frustrated with leaky pen

King Charles became annoyed with a leaking pen during a visit to Northern Ireland's Hillsborough Castle on Tuesday.

Charles, alongside the Queen Consort, Camilla, was attending a reception at the castle, where he met with members of Northern Ireland's assembly.

During a book-signing ceremony towards the end of the visit, Charles realised he had initially signed the wrong date and then complained about the pen he was using, with the Queen Consort saying it was leaking 'everywhere'. The pen was swiftly vanished by a royal aide before Camilla sat down to sign the book herself


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E a propósito da risota cúmplice entre Charles e Camilla, partilho, uma vez mais, um vídeo com imagens que acho deliciosas

Inuit throat singing leaves Charles and Camilla in stitches

Prince Charles and the Duchess of Cornwall struggle to contain their laughter during a traditional Inuit welcome in Iqaluit. The city is the capital of Canada's northernmost territory and is already feeling the effects of climate change. The pair were on the first day of a three-day tour of the country.

Desjo-vos um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, setembro 09, 2022

Isabel gostava de chapéus e de se divertir

 


Não tinha proximidade de qualquer espécie nem tenho conhecimentos para falar. Apenas posso dizer que era uma presença que os meios de comunicação social nos tornavam próxima, uma mulher discreta e simpática que, ao longo de décadas tem ilustrado uma realidade carregada de símbolos, um misto de tradição e sonho, conto de príncipes e princesas, castelos, coroas, joias reais, sorrisos, banquetes, desfiles.

Neste caso com a graça adicional de encabeçar uma família fértil em escândalos, histórias de amores e desamores, traições, adultérios, mortes trágicas, amizades perigosas -- tudo nas capas dos jornais a alimentar a fantasia popular. E ela sempre ali, assistindo a tudo, conseguindo gerir com elegância e silêncios os dramas, as intrigas, as fugas de informação, as revoltas, a contestação.

Sou republicana. Zero de monarquias. Mas reconheço a simpatia tutelar que emanava de Elizabeth II.

E reconheço que achava muita graça às suas coloridas toilettes, aos seus alegres chapéus, à forma como mostrava o seu fino sentido de humor. E comovi-me quando a vi sozinha, na igreja, num luto carregado e triste, quando o marido morreu. Uma idosa que tinha perdido o amor da sua vida.

Escrever qualquer coisa aqui no dia em que morre a Rainha não é fácil. Não falar? Deixar passar o dia? Falar? Falar o quê? 

Prefiro, pois, limitar-me a partilhar imagens que a mostram bem disposta com os seus arrojados chapéus e uns vídeos no qual ela se ri, brinca, dança, mostra o seu sentido de humor. 


Queen Elizabeth II funny moments









E boa sorte a Carlos e a Camila, os senhores que se seguem. Um casal de bacanos.


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Um dia bom
Saúde. Alegria. Paz.

sexta-feira, maio 03, 2019

O rei que casou com a sua guarda-costas





Dizem que Maha Vajiralongkorn, tratado por Rama X, apesar dos seus 66 anos, é um Don Juan. A própria mãe o diz e ela lá saberá porquê.

Separou-se há algum tempo da terceira mulher mas constava que já tinha uma namorada. Vive habitualmente perto de Munique onde tem uma villa e leva uma vida livre. 


Tem sete filhos, é temperamental e digamos que irreverente. Já foi fotografado, e por mais que uma vez, com supostas namoradas, aperaltado com jeans e ténis, um curioso top curto e o corpo coberto por pinturas (tatuagens a sério ou talvez apenas provisórias). 


Mas o que ninguém esperava é que Maha, Rei da Tailândia, se saísse com esta: casou-se com a sua guarda-costas, chefe do seu serviço de guarda pessoal.

Quase a fazer 42 anos, a discreta Suthida Vajiralongkorn é agora, para surpresa geral, a nova Rainha da Tailândia. Surpresa, enfim, relativa. De facto, desde que a conheceu, era ela ainda hospedeira de voo, que passou a ser vista perto dele: pouco tempo depois, Suhita já tinha entrado para a guarda pessoal dele e aí foi progredindo. Aliás, nas exéquias do pai, ele fez questão de se apresentar com as duas, a dita namorada, também da guarda, e Suhita que já era vista como a sua quarta mulher, a tolerante quarta mulher.


Tudo curioso. Mas tudo curioso para mim que vivo a milhas daquela cultura. Pode até ser muito comum. Mas, a esta distância, acho tudo isto o máximo. Ao ler as notícias e ver as fotografias ocorre-me que podia ser filme cómico. A própria cerimónia do casamento, com a noiva de rastos e os outros ao lado também, alguns de gatas, parece-me uma daquelas macacadas próprias de comédia folgazona em que o rei é um bacano que se porta direitinho quando finge que leva a monarquia a sério mas se porta como um valdevinos mal se põe a milhas.


Mas, enfim, nada mais a dizer a não ser que ainda bem que o mundo é tão cheio de diversidade e de gente bacana. E que sejam muito felizes e tenham muitos meninos. Quanto ao resto, se é um bom rei ou um rei útil, disso -- lamento -- não sei nada.


E já cá volto que tenho uma boa para mostrar

quarta-feira, março 29, 2017

Coitado, tão feio. Mas uma ternura.




Sofria -- sofreu. 

Amachucado, traído, aos empurrões de todos, sucedeu-lhe a pior coisa que pode acontecer à matéria: veio-lhe fastio. 


Grotesco, feio, com a existência aos baldões, sem um bocadinho de ternura (a morte leva-lhe todos os amigos), rei ainda por cima, as suas anedotas, a sua vida, a sua figura, são ainda hoje motivos de grotesco... 

E no fundo, sob essa capa ridícula, por baixo da barriga, da papeira, da beiça, do olhar desconfiado, havia, houve sem dúvida uma ternura enorme. 

A mulher traíu-o; os filhos enganaram-no e mentiram-lhe; teve de fugir, de se livrar do veneno, das revoltas, da intriga, sempre a encostrar-se à amizade deste, daquele, dos generações, dos embaixadores, dos ministros, dos criados.. Não foi uma grande inteligência nem um grande carácter, mas foi uma extrema bondade. Passou a vida a afligir-se. 

Por qualquer lado que se encare é um motivo de chacota. 

É o senhor D. João VI -- é o pataco -- é o rapé  -- é a beiça... 


É -- mas é também o melhor homem da sua época, e, sob o grotesco, encontras uma grande beleza escondida, sumida, escarnecida. 


Sofria -- sofreu.

[in 'El-Rei Junot' de Raul Brandão]

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[E agora, depois de tanta maldade -- sim!, que, francamente!, não é bonito troçar do aspecto físico de tão clemente e régia figura -- aliviemos a consciência bailando uma chaconnne. E nada de trazer para a dança a memória desse herege do Raul Brandão que aquilo não são modos de falar, em especial a propósito de um rei tão determinado e formoso, tão gastronomicamene alavancado em coxinhas de galinha.]



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E depois deste meu momento bem comportado, de cariz histórico/literário, queiram, por favor, descer até onde esclareço um ou outro ponto relacionado com ilusões de óptica e outras cenas.

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sábado, fevereiro 21, 2015

O governo do Syriza (como o 'democrata' Passos Coelho chama ao Governo Grego) lá conseguiu chegar a acordo com o directório europeu (onde se incluem os fundamentalistas portugueses) e, portanto, já podemos partir para as frioleiras: o Dirty Harry anda a arrastar a asa à feminista Emma Watson? Boa. Vou nessa.


Tive hoje um dia do beleleu. Saíu-me um estúpido ao caminho e, por mais que tenha tentado passar-lhe ao lado (já que, por caridade, estou a evitar passar-lhe por cima), a verdade é que me maçou. Claro está que uma pessoa ao fim de muitos anos de trabalho já está habituada a todo o tipo de cavalgaduras mas uma coisa é estar habituada e outra é ficar feliz da vida quando saltam ao nosso encalço. E, para além disso, foi um dia de reuniões, entre as quais uma demorada para acertar contratos coisa que, às tantas, degenera sempre num enleio em que tanto é o ensarilhanço de cláusulas que só dá vontade é atirar os papéis para o lixo e começar de novo.

Enfim, ossos do ofício.

Mas o resultado é que chego a esta hora e não tenho grande paciência para bater no ceguinho (ie, no láparo que não vê um palmo à frente do nariz) nem na patega atitude de superioridade moral dos portugueses em relação aos gregos que, a ser verdade o que a comunicação social diz, foram dos que mais se opuseram ao acordo. 

Fico contente que tenha prevalecido o bom senso de parte a parte entre os gregos e o eurogrupo já que, a não ter havido, seria o início do despencar da construção instável que é esta eurozona. Agora uma coisa eu não percebo. Qual é a lógica de os ministros das finanças serem reis e senhores nestas negociações quando as coisas importantes deveriam ser primeiro aprovadas a nível político e apenas depois descer para o patamar financeiro? Presumo que isso seja um aspecto que, mais tarde ou mais cedo, será corrigido porque, como está, atrasa (e, por vezes, envenena) as decisões importantes, fazendo-as tantas vezes passar primeiro pelo crivo da lógica contabilística que pode ser míope e contraproducente.

Mas, portanto, dizia eu, que o dia foi do catano e que, a esta hora, a paciência não é fantástica para a desperdiçar com mais maçadorias. Percorri a net à procura de boas notícias e é o diabo: as boas notícias são raras. Face a isso, só me apetece falar de vestidos para os Oscares e frioleiras do género. Para não dar cabo da minha imagem de brilhante intelectual, estou a evitar debruçar-me sobre tão empolgante assunto mas há um outro a que não resisto mesmo.

O Príncipe Harry - de quem as más línguas dizem que está cada vez mais parecido com James Hewitt, um dos confessos amantes de Diana - parece estar interessado em conhecer melhor Emma Watson. 





A actriz que tem dado nas vistas não apenas pelas suas interpretações mas também pelas suas marcadas posições feministas aparece agora como um possível namoro do polémico Dirty Harry que tantos embaraços tem causado à família real mas de quem os ingleses tanto gostam.

E eu, que não sou de lá, face ao deserto de boas notícias, só posso dizer que acho que fariam um bonito casal e que a coisa teria tudo para se tornar mediática e interessante.

...

Já agora, as fotos que, desde sempre, têm circulado nos media britânicos. Harry entre James Hewitt e o eterno candidato a rei, Charles:



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Temas interessantes, portanto.

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sexta-feira, junho 20, 2014

Rei Felipe e Rainha Letizia, um casal apaixonado. (Entre uma monarquia com gente moderna, de cabeça arejada e próxima do povo como parecem ser os novos Reis de Espanha, e uma República paralisada, entregue a uma criatura vaga e mumificada que assiste passivamente à destruição do País, nem sei o que vos diga)


Nos dois posts abaixo falo de assuntos chatos, mal-cheirosos (uma poiazita e um banqueiro que fede) e que insistem em poluir os nossos dias. 

Mas, sobre isso, terão que fazer o favor de descer quando acabarem de ler isto agora, onde vou falar de assuntos mais civilizados.


Sou republicana, e disso não tenho dúvidas.

Mas que ninguém se engane a meu respeito: mesmo quando não tenho dúvidas, volta e meia, lá bem no fundo, uma ou outra duvidazinha sinuosa esgueira-se e vem espreitar por trás da cortina da minha racionalidade e desafiar-me, língua de fora, atrevido piscar de olho.

É o caso.

Pode até isto ser conjuntural. As circunstâncias não são as melhores.

A questão é que já estou como o General Garcia dos Santos: é que nem pintado. Já ninguém aguenta. Ninguém já tem respeito pela criatura. Os índices de popularidade são uma desgraça como antes nunca se tinha visto. A sério: o cagarro não faz nada. Assiste a tudo, impassível. De vez em quando, aparece a dizer umas frases enviesadas, ar ressabiado. Mas, de facto, a ele ficarão associadas as maiores desgraças deste País: a destruição do tecido produtivo quando foi primeiro-ministro e a destruição do país enquanto Presidente da República. 
O que agora se está a passar em Portugal sem que o belo adormecido de Belém mexa uma palha, é assustador. Os órgãos de soberania são postos em causa todos os dias, uns pelos outros, e ele, que deveria zelar pelo respeito institucional, faz-se se morto.

De que serve ser República se a República parece paralisada? 

Isto tudo para dizer que gostei de ver a passagem de testemunho de Juan Carlos a seu filho Felipe. E gostei bastante do discurso do novo rei. 


Gente normal, gente afável. Gente com uma conversa próxima do povo. 

Assim falou Felipe:

É com emoção que quero prestar uma homenagem de gratidão e respeito a meu pai, o rei Juan Carlos I. Permitam-me ainda agradecer a minha mãe, a rainha Sofia, toda uma vida de trabalho impecável ao serviço dos espanhóis (…).

Hoje, mais do que nunca, os cidadãos pedem, com razão, que os princípios morais e éticos sejam um exemplo e inspirem a vida pública. Estas são convicções sobre a Coroa que represento a partir de hoje. Uma monarquia renovada para uma nova era (…)

Cervantes disse, pela boca de Dom Quixote: tu não és um homem melhor do que outro se não fizeres melhor do que o outro. Sinto um imenso orgulho nos espanhóis e nada me dará mais prazer que, graças ao meu trabalho, também os espanhóis se sintam orgulhosos do seu novo rei. 


E o que eu gostei de ver o carinho entre o novo Rei e a nova Rainha. Uma cumplicidade, uns olhares em sintonia, uma ternura. 

E a toilette de Letizia de uma elegância perfeita. E as meninas, as infantas, que doçura.

E a Rainha Sofia, essa mulher digna, resiliente...? A ternura e orgulho dela no filho sempre tão patentes.

Quase me emocionei, juro.


Face a isto o que tenho a desejar é que o reinado de Felipe seja bem sucedido, feliz, que Espanha se sinta apaziguada, que cresça na sua diversidade mas se mantenha unida. E que o amor que o une à rainha Letizia se mantenha forte. Dá gosto ver.

Estou a escrever isto e a pensar que é capaz de vos soar pimba, lamechas. 

Mas eu sou assim, que hei-de eu fazer? 


Príncipes e princesas, beijinhos e sorrisos apaixonados, abraços e mãos dadas, cabelos ao vento e ternura a esvoaçar em volta dos pombinhos, pozinhos de fada, carruagens, cavalos, meninas de trancinhas e com belos vestidinhos, amor e simpatia. Há lá coisa mais bonita?

(Acho até que, depois de estar a escrever isto, vou ter uns sonhos todos cor de rosa, verdadeiramente perlimpimpim.)

E, pronto, por aqui me fico - mas não sem antes desejar de novo uma longa vida aos novos Reis de Espanha e às princesas, Leonor e Sofia, umas fofinhas queridas. E que os espanhóis não tenham de que se queixar por ser Monarquia e não República.


Ou seja, que o reinado de Felipe VI traga muitas alegrias aos espanhóis. 

A vida é breve e deve ser vivida em alegria.



Manuel de Falla - La vida breve

(Lucero Tena nas castanholas)

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Nota: Estou aqui a pensar. 

Com a pouca sorte que temos - parece que a nós só nos sai a fava - se fartos do Cavaco e com medo que nos caísse outro em cima, resolvêssemos virar para a monarquia, em vez de um casal charmoso como o acima referido, apanhávamos era com a boca de favas do nosso Duarte Pio que é um querido mas não sei se algo mais do que isso.

(Tantas favas na mesma frase, logo eu que este ano nem comi favas, credo)

Por isso, assim como assim, vamos mas é manter-nos republicanos.


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Depois disto, tenho dificuldade em aconselhar que desçam até aos dois posts seguintes. Fica, pois, à vossa consideração mas, se forem, não digam depois que não foram avisados.

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E tenham, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira!

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sábado, fevereiro 09, 2013

A importância do acaso na pequena história da vida das pessoas e na grande História da vida dos países


Gloria Morgan Vanderbilt era casada com Reginal Vanderbilt, mais velho que ela para cima de vinte anos.



Gloria e o marido, Reginald Vanderbilt, com a pequena Gloria


Pouco tempo depois de ter nascido a sua filha, a pequena Gloria (que, mais tarde viria a ser muito conhecida como artista e desenhadora de moda) e, de resto, também pouco tempo de se ter casado, Gloria Morgan Vanderbilt ficou viúva. 

Viúva muito jovem, herdeira de uma invejável fortuna, Gloria passeou e viveu intensamente até que a família do marido considerou que ela não era uma boa influência junto da filha, acusando-a de levar uma vida dissoluta, escandalosa, a que não faltavam relações lésbicas, fortemente censuradas na altura. 


Gloria Vanderbilt e a filha


Uma intensa batalha judicial teve, então, lugar pela custódia da pequena Gloria.

Gloria, mãe de Gloria, tinha uma irmã gémea, Thelma. Na sua juventude tinham ambos mantido uma vida social muito activa e eram conhecidas pelas fabulosas irmãs Morgan e foram descritas pelo fotógrafo Cecil Beaton como radiosas flores.



Thelma  Morgan Furness, a irmã gémea de Gloria Morgan  Vanderbilt 


Quando esta batalha judicial teve lugar, Thelma, que vivia em Inglaterra e que, pouco tempo antes, se tinha separado do marido, o Visconde Furness, resolveu partir para os Estados Unidos para apoiar a irmã.

Antes de ir, pediu à sua amiga Wallis - mulher casada pela segunda vez, divertida, interessante, muito vivida, de quem se contavam episódios de espionagem e de habilidades sexuais, amiga de tertúlias e boa vida - que olhasse por Edward, seu amante há muitos anos, não fosse ele portar-se mal e arranjar outra. Wallis disse-lhe que fosse tranquila, que lhe prometia guardar Edward de outras mulheres.



Edward, um jovem pouco dado a formalidades e convencionalismos



Quando, ao fim de alguns meses, Thelma regressou dos EUA percebeu o que já não era disfarçável. Walllis tinha-se tomado conta bem de mais de Edward. Tinham-se tornado amantes. 


Edward e Wallis


A história que se seguiu é bem conhecida. 

Edward - anteriormente  Príncipe de Gales, Duque da Cornualha e de Rothesay, e que foi rei do Reino Unido e dos Domínios da Commonwealth e imperador da Índia entre 20 de janeiro e 11 de dezembro de 1936, com o título de Eduardo VIII - por amor a Wallis, para se poder casar com ela, abdicou da Coroa a favor do irmão mais novo, Albert que viria a escolher ser conhecido como George VI. A família real não tinha conseguido aceitar a presença desta americana divorciada, mulher livre: não a queriam como rainha.

O rei e a rainha passaram, pois, a ser outros: George e Elizabeth Bowes-Lyon (mais tarde conhecida por Rainha-Mãe). Desse casamento nasceu Elizabeth, que viria a ser, e ainda é, rainha.  


A rainha Isabel junto da irmã e dos pais


Estamos, pois, na história recente, de todos conhecida. Elizabeth II casou-se com Philip, Duque de Edimburgo. Desse casamento nasceu Charles. 



A família real inglesa, quando os filhos eram ainda jovens


Charles amava Camilla Parker Bowles mas esta era casada e ele, herdeiro da coroa, deveria escolher uma noiva sem mácula. A história repetia-se. Mas, ao contrário de Edward, a determinação em seguir o coração apenas lhe apareceria mais tarde. Antes, casou-se com uma jovem, radiosa, apaixonada, Diana Spencer (que, mais tarde, no dia da sua morte, viria a ser designada por Rainha dos Corações). Aparentemente Charles nunca a amou.

Desse casamento, que pintou de sonho e drama toda uma época, nasceu William. 


Charles, Prince of Wales, Diana, William e Harry
Tempos aparentemente felizes - mas apenas aparentemente


William, Príncipe, Duque de Cambridge, agora com 30 anos, conheceu há uns anos, quando ambos estudavam, Catherine. Casaram e agora esperam agora uma criança. São dois jovens modernos, bonitos, aparentemente felizes.



William e Kate Middleton


Essa criança, primogénita de William e Kate, virá talvez a ser Rei ou Rainha de Inglaterra.

Mas se Gloria Morgan não tivesse conhecido Reginald, se este não tivesse morrido tão cedo, se Gloria não tivesse despertado a ira da família do marido, se a irmã Thelma não se tivesse metido num navio para a apoiar, se não tivesse deixado o amante nas mãos de Wallis, se estes não se tivessem apaixonado, se a família real não se tivesse oposto ao casamento entre ambos, se Edward não tivesse abdicado, se a família real não se tivesse oposto a um novo relacionamento entre um herdeiro e uma mulher casada, se este herdeiro, Charles, não se tem casado com Diana, se isto, aquilo e o outro, esta história seria outra.

Acasos, coincidências, destino: o que interessa? O que interessa é que é sempre assim. Tudo é sempre assim. Uma sucessão de pequenas coisas que se entrelaçam dando azo a que novas pequenas coisas aconteçam. E assim, de acasos, de encontros e desencontros, se vai fazendo a história. A do mundo e a nossa.


*

Caso vos apeteça continuar um pouco mais na minha companhia, hoje, no Ginjal, as minhas palavras são o sopro, o pássaro, as vossas mãos. O poema é de Valter Hugo Mãe que se estreia por aquelas bandas.

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E nada mais porque já são quase 2 da manhã e tenho tanto, tanto sono. Apenas desejar-vos, meus Caros Leitores, um belíssimo sábado!

quarta-feira, julho 06, 2011

A triste Princesa Charlene de Monaco num casamento sem chama e, em contrapartida, a alegre Rainha Kate Moss num casamento feliz e descontraído


Charlene Wittstock, agora Princesa Charlene de Monaco, bela mas tão triste (apesar das tentativas, não conseguiu fugir do casamento)


Um casamento convencional, conservador, sem chama, a noiva com um sorriso triste imobilizado no rosto durante toda a cerimónia, uma coisa de dar pena. O noivo, cinquentão (mas bem conservado) que não tem feito outra coisa senão andar de cama em cama a fazer filhos (inclusivamente enquanto namorava com a esbelta Charlene* - parece que agora apareceram mais dois).

[* Apesar de tão naturalmente bela e esbelta, Charlene já se compôs, com plásticas aos seios, ao nariz e enchimento de lábios. Dá para acreditar? Se ela precisou disto, de que é que eu não precisarei...?]

As irmãs de Alberto de Mónaco, depois de escândalos, aventuras e desventuras, sozinhas. Stéphanie envelhecida, desamparada. As casas reais espanhola e inglesa ausentes da cerimónia - nem reis, nem príncipes.

Um casamento triste, qualquer coisa de forçado, de decadente.

Em contrapartida, veja-se o casamento da rainha Kate Moss com Jamie Hince. Um belo vestido de Galliano, fluido, feminino, transparente. As damas de honor todas felizes, mal comportadas. Os noivos apaixonados. Uma festa. Vivam os noivos!