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quinta-feira, janeiro 15, 2026

Belo... apesar de tudo

 

As redes sociais transbordam de imagens e vídeos feitos com recurso a inteligência artificial, umas vezes para parodiar a realidade, outras para distorcer os factos, outras para nos transportar para outas dimensões. 

Gosto de espreitar o que vai estando disponível mas, quando me aventuro, sai-me tudo aborrecidamente amador, abonecado, piroso, tudo muito ao contrário do meu próprio gosto. Não tenho paciência para aprender técnicas ou processos que estão em permanente evolução, uso ferramentas básicas e sai o que sair. 

Mas há quem domine as técnicas e consiga imagens tão perfeitas que não apenas parecem reais como, de facto, mais perfeitas que as reais. E quando conseguem que o movimento que as anima seja elegante, subtil, com um pendor estético que emula um bailado, então há que reconhecer o lado virtuoso destas coisas.

Partilho o vídeo abaixo não porque seja mais encantador do que muitos outros que me aparecem mas, apenas, porque foi o último. É bonito, tem um lado poético.

Because It Was Beautiful | AI Animated Video Art | Mamta B. Herland

Ao longo de um limiar frágil entre o cuidado e a posse, persiste a memória de uma liberdade outrora intocada. O que é aproximado pelo amor também é alterado pelo ato de desejar — revelando como a beleza, quando conquistada, pode carregar uma ternura entrelaçada com uma dor silenciosa.


quinta-feira, outubro 01, 2020

Mafalda e eu -- que é como quem diz: sobre Quino apenas posso confessar a minha deficiência

 

Vou confessar: nunca li nenhum livro envolvendo Mafalda ou afins. O Quino conhecia apenas de nome, não de ser sua admiradora. Sempre achei que devo padecer que alguma deficiência. Toda a gente tem heróis de banda desenhada. Eu não. Nem Mafalda, nem Snoopy, nem Corto Maltese, nem Tintin, nem Asterix. E se cá em casa sempre houve colecções completas. Do meu marido, as últimas. Grande apreciador. Por vezes pegava, abria, tentava deixar-me contagiar pela mística da coisa. Infelizmente, nunca. Só desinteresse.

Em miúda, os meus amigos pelavam-se pelos figurinhas da Disney. Era um tema: os pais queriam que os filhos lessem livros de verdade e, quais smartphones avant la lettre, a miudagem queria era banda desenhada. Eu nunca. Os meus amigos compravam, trocavam, falavam dos que já tinham. Eu nunca. 

De tudo, só havia umas figuras a que eu achava graça: os Irmãos Metralha. Quando via a passar de mão em mão os livrinhos, ia ver se eles eram protagonistas ou as passagens em que entravam. Dessa maralha eu gostava. Já nem me lembro bem, acho que eram uns desastrados, uns totós mal jeitosos, mal barbeados, a quem tudo corria mal. Ainda agora que fui à procura de uma imagem para aqui colocar me diverti. 

[É verdade: sempre achei o Cabo Angel (aka Ângelo Correia) um verdadeiro beagle boy; pena é não haver mais três iguais a ele para a coisa ter mais graça quando ele se apresenta em público, em especial quando ia à televisão abrir a porta ao Láparo (aka Passos Coelho)]

Mas na televisão gostava de ver desenhos animados. O Bip-bip, por exemplo. Gostava imenso, fartava-me de rir. Espertalhão que só ele. 

Depois os Simpsons. Ah, adorava ver os Simpsons. O Bart e o Homer, grandes cromos. Mas também a extraordinária Marge, a avançada Lisa. E todos os outros. Mas, isto, como disse, na televisão. Se calhar enquanto fazia outras coisas, como sempre com um olho no burro e outro no cigano. Salvo seja, bem entendido.

Mas livros, pôr-me a ler/ver livros de banda desenhada, nunca foi a minha praia. Deficiência minha, já confessei. Portanto, acredito que seja uma perda esta partida do Quino mas, lamento, nada posso dizer sobre ele. Nem sobre a Mafalda que, como tantas vezes acontece com as crias, certamente sobreviverá ao seu criador.