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domingo, março 23, 2025

Será que as sondagens mentem tanto como o Montenegro?
-- A palavra ao meu marido --

 

Desde quinta-feira que temos o regabofe instalado na comunicação social. Como foi publicada uma sondagem em que a AD tinha 20% das intenções de voto, o PS 15% e o conjunto da esquerda 3%, a maioria dos comentadores e algumas televisões (claro que a SIC foi a mais entusiástica) não se calaram a tecerem loas à governação do Montenegro, concluindo que Portugal são uns Estados Unidos em miniatura e que, tal como o MAGA em relação ao Trump, a malta se está nas tintas para os "enviesamentos" (para ser meigo) do Montenegro.

Mas vale a pena analisar a sondagem com mais profundidade e rigor do que foi feito propositada ou involuntariamente (quiçá por falta de conhecimento) por alguns dos jornalistas e comentadores. 

Segundo  a ficha técnica da sondagem, o universo da amostra é 802 pessoas (que correspondem aos escassos 15% que responderam às questões o que, já de si, mereceria uma ponderação). Analisemos, então, os números, segundo a informação publicitada.

  • Na AD afirmaram ir votar 160 pessoas, 
  • 120 pessoas afirmaram votar no PS
  • 72 pessoas têm intenção de votar no Chega 
  • na IL temos 32 pessoas 
  • e, em cada um dos partidos de esquerda, menos mal, lá houve uns 8 que têm intenção de votar ou no PC ou no Livre ou no BE. 

Não parecem quantidades de respostas impressionantes para que tanto alarido tenha sido feito.

Aliás, na mesma sondagem,os dados mais interessantes talvez até tenham sido estes:

  • 313 pessoas responderam que ainda não tinham decidido 
  • e 417 pessoas responderam que os esclarecimentos do Montenegro são insuficientes.

Portanto, as conclusões -- admitindo que com um número de respostas tão pequeno podemos considerar os resultados válidos --  são:

  • temos mais indecisos do que o conjunto de intenções de voto nos dois maiores partidos, PDS e PS
  • e mais pessoas do que o total de pessoas que afirmou terem intenções de votar em qualquer dos partidos responderam que pretendem saber mais sobre o Luís e a sua empresa (Spinunviva). 

Ou seja, afinal, as "historietas" do Luís não passaram à história.  

Apresentar os dados desta forma é bastante diferente do que tem sido alardeado pelos órgãos de comunicação social. Seria mais honesto e mais ético apresentar os números como eles são (honi soit qui mal y pense).

Nota: o total das percentagens não dá 100% pelo que pode haver uma questão de casas decimais e/ou de intenções de votos em pequenos partidos aqui não mencionados ou, mesmo, imprecisões nos dados divulgados. 

Já agora, e não querendo aborrecer o Luís, pergunto:

  • Não parece esquisito que, a ser verdade o que tem sido noticiado e não desmentido, o valor do metro quadrado de construção declarado por ele para a luxuosa casa de Espinho -- que até elevador tem --, tenha sido inferior ao preço médio da construção em Espinho? 
  • O valor declarado estará relacionado com alguns subsídios? Ou terá também a ver com alguma 'optimização fiscal'? 
  • Não parece esquisito que uma empresa que se dedicava a atividades relacionadas com o RGPD, só 18 meses depois de iniciar a atividade tenha cumprido os requisitos legais nesta área? 
  • Não parece esquisito que não estejam reduzidos a escrito os contratos relacionados com as avenças da Spinunviva? 
  • Não parece esquisito que alguém que pormenorizou o número e tipo de árvores que tinha em cada terreno não se tenha lembrado das relações comerciais da empresa de que era proprietário? 
  • Não parece esquisito que o advogado Luís não soubesse que a passagem das quotas para a mulher o mantinha como proprietário da Spinunviva?
  • Ou que não podia unir andares com diferentes proprietários?
  • E que os pedidos de licenciamento não podem se apresentados trinta dias depois do início das obras?~
  • ... 

E finalmente, mais uma cereja no topo do bolo. A célebre Inês Patrícia afirmou numa entrevista que  a Spinunviva se auto geria. Até fiquei comovido: recordou-me o PREC e as empresas em autogestão. E das duas uma: ou estamos perante perigosos revolucionários ou querem enganar-nos. Só faltava mais esta pérola! Não parece esquisito... é, no mínimo, muito esquisito!

  • Questão adicional: não seria mau, para sabermos se também não será esquisito, conhecermos quais as despesas contabilizadas na Spinunviva. Terão sido contabilizadas despesas não decorrentes da estrita atividade da empresa? Estando  a empresa em "autogestão", não terão sido indevidamente consideradas admissíveis? Senhores Jornalistas temos e devemos saber!

E uma sugestão aos Senhores Jornalistas: leiam 'Como mentem as sondagens' do Luís Paixão Martins. Talvez vos seja útil.

quinta-feira, julho 04, 2024

Now: o 'Optimista', 'Sem hipocrisia'...

 

Por razões que não vêm ao caso, a abertura do novo canal Now passou-nos um bocado ao lado. Não vêm ao caso mas posso referi-los: futebol em barda, estadias assíduas no campo (sem cabo), outras coisas em que pensar.

Por isso, só no outro dia apanhámos, e percebemos depois que era repetição do que tinha passado antes, se calhar na véspera à noite, o 'Otimista' com António Costa e Pedro Mourinho que, do que percebi, teriam convidado o Almirante Gouveia e Melo. Ficámos os dois a ver, interessadíssimos. E já recomendei ao meu neto mais velho que visse. E recomendo-vos a vós também caso não tenham visto. Muito, muito, muito interessante. De facto, temos valências e saberes no País que, atolados na lama e anestesiados pela espuma dos dias lançadas pelos media viciados em maledicência, nos passam completamente ao lado. Não foi só a surpresa ao descobrir o muito e incrível que se faz na Marinha, foi também a surpresa de alguns temas que me deixaram a pensar (nomeadamente os que se referem com a nossa soberania, nomeadamente no mar). Muito interessante mesmo.

Esta noite apanhei Rui Rio, também com Pedro Mourinho e com dois médicos, Manuel Pinto Coelho e, creio, Ana Miranda, na rubrica que tenho ideia que se chama 'Sem hipocrisia'. E, também aqui, gostei de ver. Também não vi de início mas passaram ainda um vídeo com a nutricionista Conceição Calhau de quem tenho um livro bastante interessante. Gostei imenso da postura do Rui Rio. Programa interessante, muito diferente do que é habitual.

E ontem apanhei, e percebi que já foi perto do fim, o Luís Paixão Martins com a Judite de Sousa. Como sempre, gostei do LPM mas, já no que se refere à Judite de Sousa, fiquei um bocado desconcertada. Apesar de ser pessoa experientíssima no jornalismo, parecia nervosa e não sei se estava com uma pastilha elástica na boca ou se tinha uma prótese solta pois não parava de deglutir em seco ou de ajeitar a boca. Ou, se não é isso, não será que não está com baton e gloss a mais e os lábios colam-se e dificultam-lhe a agilidade bucal...? Não sei. Fiquei um bocado solidária com a pilha de nervos em que ela estava e acabei por nem prestar bem atenção ao que disse.

Para terminar devo ainda confessar que, quando soube deste canal da propriedade do saco de lixo que é Correio da Manhã que já desfez tanta gente, julgando, condenando e apedrejando na praça pública ao arrepio dos mais elementares direitos obrigatórios e imprescindíveis num Estado de Direito, fiquei mais do que de pé atrás. Na verdade, com os dois pés atrás. E ainda estou.

Mas isto pode querer dizer que, na volta, o que vai começar a dar dinheiro é a decência e que as pessoas (leia-se, os espectadores) se agoniaram de tanta lixeira a céu aberto e agora vão passar a procurar a honestidade, a dignidade. Depois de serem valores arrastados pela lama, às tantas, vão agora passar a ser o novo hit. E, com o faro comercial que os donos do Correio da Manhã e do Now já demonstraram ter, quem sabe se não estão apenas a dar lugar ao que vai passar a ser o 'novo normal', o que vai passar a 'dar'.

Portanto, a acompanhar...

quinta-feira, março 07, 2024

E a luta continua...

 




Hoje a labuta em casa da minha mãe foi muito produtiva. Apesar de ter estado pouco tempo pois foi lá ter connosco numa corrida junto à hora de almoço, a minha filha deu uma ajuda considerável. Grande parte das gavetas e das prateleiras dos armários já está com muito pouco ou nada.

Ainda há conjuntos de copos que lá permanecem: os meus filhos não querem, eu já não tenho onde pôr e o meu marido recusa-se a transportar. 

E a cozinha está ainda com tudo. E a despensa continua com muita coisa. E nos roupeiros e cómodas ainda há roupas de vestir, de cama, de banho. O roupeiro que está no pequeno hall junto à casa de banho está ainda compacto de coisas até acima (e o roupeiro vai até ao tecto): cobertores, turcos, lençóis. 

A solução para tudo isso será a mesma que encontrarmos para os móveis. Tenho muita pena dos móveis, alguns muito bonitos, mas não há qualquer possibilidade de os aproveitarmos, são muito grandes e não cabem em lado nenhum.

Já deitámos fora muitas dezenas de sacos de lixo. Muitos papéis, muitos, muitos, e muitas revistas, muitas (de decoração, de tricot, de crochet, de saúde e nutricionismo, etc) e muitos exames médicos. Isso deitamos nós directamente para o lixo. 

E a senhora que cuidou do meu pai e que continuou a ir ver a minha mãe e que continuo a contratar para zelar pela casa tem sido incansável. De cada vez que lá vou, deixo as camas cheias com pilhas de coisas que penso que são boas e mal empregadas para deitar fora. A primeira escolha é dela e terá já, certamente, aproveitado muitas coisas. Para aquilo que ela não quer, chama uma senhora amiga dela que lá vai ajudá-la a fazer uma segunda triagem, levando a seguir para uma senhora que, segundo me dizem, leva para a família ou para conhecidos carenciados que vivem no Alentejo.

Tínhamos lá um bico de obra que era o cadeirão com motor eléctrico que se reclinava até ficar quase como cama e que se punha para cima para ajudar no levante. Tínhamos comprado para o meu pai a seguir ao AVC que o usou durante vários anos até que, um dia, ao cair no corredor, partiu uma perna e nunca mais conseguiu recuperar, ficando acamado desde aí. O motor estava óptimo mas, ao contrário do que pensávamos, o cadeirão não era de pele mas sim de um material sintético que, de início, a imitava muito bem. O pior foi o que aconteceu com o desgaste, ficou em mau estado, todo estalado e feio. A minha mãe tinha posto uma coberta em cima e, não se vendo, parecia bem. Mas não estava. Era nesse cadeirão que, sendo muito confortável e não tendo como ser facilmente removido, a minha mãe passou a sentar-se para ler ou para fazer tricot ou crochet. 

Mas sabíamos que, por baixo da coberta, estava feio. Só que era tão pesado, tão pesado, que não se via como movimentá-lo. Tinha entrado pela janela e tinha sido uma odisseia para o conseguirem levar até lá. Pois bem: hoje o meu marido desmanchou-o todo. Todo. E, portanto, assim desmanchado, foi levado até junto dos contentores, onde a Câmara o levará para os monos. Mas, pouco depois de o meu marido lá o ter posto, quando levou mais uma série de sacos para o lixo, disse que tudo o que era ferro já tinha voado.

E a minha filha levou mais algumas coisas, mas poucas. Não tem onde pôr e não quer encher a casa com coisas que ou não ficam lá bem ou não cabem. Faz bem. 

E nós trouxemos mais uns quantos sacos grandes. Mais sacos que tenho que esvaziar, arrumando tudo o que lá está dentro. Um exercício de criatividade e logística (e paciência). 

E trouxemos um espelho muito grande que veio no carro da minha filha pois não cabia no nosso. Já tenho a casa cheia de espelhos mas o que está sobre o sofá desta sala é ligeiramente mais pequeno do que devia (135 x 80). Este tem 150 por 90 cm e uma moldura mais larga. Acho que vai ficar muito bem. E este que está agora aqui irá ser posto na vertical no hall da suite.


E trouxe um outro que fez com que o meu marido quase se passasse (aliás, ele anda já totalmente passado com esta labuta que parece que não tem fim...). Era o espelho que estava no que era o meu quarto em solteira, espelho em que, na adolescência, muito me olhei. E é o espelho que aparece naquelas fotografias do dia do casamento. Apesar do fotógrafo ser um colega da faculdade, lembro-me de dizermos: 'Espera lá, é costume a noiva ver-se ao espelho...'. E ali estou eu, em duplicado, eu e a minha imagem, com o espelho de permeio. A minha filha também achou que o espelho era icónico, que era pena não ser aproveitado. Portanto, veio. É recortado, tem um feitio bonito. Mas é de madeira escura. Se calhar, vou pintá-lo e pô-lo numa parede da sala in heaven onde já tenho quatro de diferentes feitios e tamanhos.

E encontrámos mais algumas pequenas preciosidades. Entre elas, uma redacção que fiz com 12 anos. Quatro páginas de redacção. Lembro-me de me darem o mote e eu, instantaneamente, desatar a escrever, a escrever, a escrever quase até tocar a campainha e ter que acabar. Lembro-me que, enquanto isso, alguns dos meus colegas olhavam para o tecto ou em volta sem saber o que escrever. São coisas que nascem com a gente. Em contrapartida, íamos para o laboratório de electricidade e uns montavam circuitos, inventavam aparelhómetros e sei lá que mais e eu nem pó, olhava para eles sem perceber como sabiam mexer tão agilmente em tudo aquilo.

E encontrámos mais uma folha escrita, creio que deve ser mais uma daquelas cartas do início do século passado dos primos algarvios dirigida à minha bisavó, quiçá do primo presidente, nunca se sabe. Como eram cartas entre primos ou não assinavam ou escreviam apenas as iniciais (mas como era escrito a caneta de aparo, numa letra muito desenhada, em papel fininho, mais de metade eu não consigo perceber. Digo que as cartas são deles pois, quando a minha avó morreu, a minha mãe achou a caixa com aquelas cartas e lembrou-se que a mãe dizia que era correspondência entre a mãe e os primos, creio que os da Mexilhoeira Grande.

Bem. A nível de pertences pessoais de algum valor, material ou, sobretudo, estimativo, creio que já veio tudo ou quase tudo.

A menos que no sótão surjam novidades. O meu marido só lá foi espreitar e nem quis aventurar-se. Diz que está cheio. Diz que deve haver móveis pois está muita coisa coberta. Não faço ideia do que seja, há muito tempo que não ponho lá os pés. A escada é um bocado íngreme demais para a minha sensível alma que padece de vertigens.

À noite, saturados, fomos esticar as pernas até à praia. Estava um ventinho gelado. Mas, apesar de tudo, soube bem. Fotografei uma árvore pois as árvores, ainda mais se nuas, são muito bonitas à noite. E fotografei uma bandeira de Portugal que, não sei porquê, alguém ali pôs. Não percebi mas achei bonito.

Só vi um pouco de televisão: Maryland. Muito bom, na RTP 2. A ver se amanhã e depois não me esqueço de ver. Depois também vi o comentário do Luís Paixão Martins, hoje não tão interessante como ontem. Devia ter mais tempo para melhor nos surpreender com a sua argúcia e descontração natural. O pobre Calafate bem quer ombrear com ele mas ainda terá que dar muito ao pedal e comer muito pão com azeitonas para conseguir chegar aos calcanhares do LPM. Mas, enfim, é o que é.

 E, portanto, dito isto, está tudo dito por hoje.

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Um dia feliz

Saúde. Boa disposição. Paz.

terça-feira, fevereiro 27, 2024

Os 'meus' factos do dia: a importância que os excitados de direita (Maria João Avillez incluída) deram à aparição do Láparo no Algarve e a advertência feita pelo Luís Paixão Martins, na CNN, de que a tracking poll da dita CNN não representa a população votante pelo que os resultados apresentados podem não ser fidedgninos

 

Acordaram-me com um telefonema e já não voltei a adormecer. Com a necessidade de dormir de que sempre padeço, isto é grave. 

Acresce que finalmente vieram cá arranjar um depósito que estava a verter água. Vieram cedo e, claro, foi uma festa a nível canino. O cãobeludo ouve vozes, sente presenças estranhas, e, portanto, ladra, anda pela casa num virote, a avisar-nos do perigo e intrigado por o mandarmos calar em vez de irmos para os abrigos. Não houve sossego.

E se não acontecesse sempre aquilo de que o que pode correr mal, claro que corre sempre mal, teria sido bom. Mas correu mesmo mal e os homens estiveram cá até às nove e tal da noite pois, no fim de subirem e descerem ao telhado, de irem e virem ao sótão, de andarem dentro e fora, a coisa não funcionava. E o cão doido da vida. O meu marido já num desespero com vontade de os ver pelas costas. E eu na mesma. Mas, claro, não podíamos ficar sem água quente.

Com tanto entra e sai deles e tanto ladrar do pobre animal, esqueci-me de baixar o lume do fogão e só dei por ele quando me cheirou a queimado. Arroz queimado. O caldo veio por fora, queimando-se em volta do bico. Penso que foi só a camada inferior do arroz a ficar sacrificada pois, mau grado o intenso pivete a esturro, já o jantámos e estava bom. Como fiz para duas vezes, amanhã, quando formos mais fundo, é que devem ser elas. Mas, optimista que tendo a ser, ainda quero acreditar que, com sorte, o cheiro terá sido sobretudo do caldo queimado, que veio por fora, e não do arrozinho em si. 

De tarde, depois de almoço, estava com sono mas, com as movimentações e o barulho, não deu sequer para fechar os olhos. Mas bem precisava.

Depois dos homens terem saído ainda fomos fazer a caminhada nocturna com o cão de guarda. Um frio que só sentido, um vento antárctico, irrespirável de tão gélido.

Depois é que jantámos. Agora estou cheia de sono. E do cão nem falo: está aqui no chão, estafado, estendido, a dormir a sono solto. Quando é para dormir, costuma sair da sala e vai para os seus aposentos. Hoje não conseguiu, ficou a meio do chão, indiferente a quem entra ou sai da sala.

Não vi televisão senão agora. E pasmo com o relevo que os comentadores estão a dar à aparição do Láparo. Foi ao Algarve, nem sei se a Boliqueime, mostrar o seu sorriso sem lábios, foi lembrar-nos o seu ar malévolo. Um susto. Como se aquela criatura de má memória fosse mobilizadora para alguém. Por exemplo, apanhei um bocado da Maria João Avillez, numa excitação quase desvairada, pegada, imagine-se, com o Bugalho (que, honra lhe seja feita, lhe respondeu à altura), uma coisa que mostra bem a índole inflamada e facciosa das hostes laranjas.

Ouvi, depois, o Paixão Martins dizer que o Passos Coelho talvez mobilize aquela direita que anda indecisa entre o Montenegro e o Ventura. Talvez. Se, com isso, o Láparo conseguir fixar eleitorado laranja em vez de os deixar fugir para o Chega, menos mal.

Gostei foi de ouvir o Paixão Martins passar um atestado de incompetência à CNN por ter uma tracking poll deficiente, que, muito provavelmente, está a distorcer as análises feitas às tendências de voto. Imagino que, a esta hora, os da CNN andem a ver como remediar a situação. A menos que a intenção seja mesmo a de manipular a opinião pública. Já não digo nada.

Tirando isso, pouco ou nada mais tenho a dizer. 

Ainda tenho muita triagem a fazer nos livros que estão na cave, ainda a monte, (e preocupa-me, claro que sim, este acréscimo considerável de volumes pois se antes já tinha a perfeita consciência que nem que viva até aos 200 ou 300 anos conseguirei lê-los a todos, agora ainda mais difícil será -- até porque os livros antes tinham uma letra muito miudinha e uma pessoa a partir para aí dos 150 já deve ter uma certa dificuldade em conseguir entender-se com páginas compactas de letrinhas minúsculas; a menos que, daqui por uns anos, já haja maneira de fazer ligação directa entre as páginas dos livros e o cérebro, sem ter que esforçar a vista).

Para além dos livros mais antigos também terem um papel que agora já me parece um pouco desapropriado, alguns também já estão com a folhagem um pouco desconchavada. Mexo-lhes com mil cuidados mas a pensar que deveria dar-me ao luxo de gastar com eles o tempo necessário para recoser as folhas ou para colar as lombadas. Só que continuo a não conseguir dar vazão a tudo o que tenho em mente. Ou são coisas a mais ou tempo a menos ou, o que talvez seja provável, estou a ficar muito menos produtiva do que era antes.

Uma amiga contou-me que o marido, desde que teve covid, não voltou a ser o mesmo, que se cansa muito, que mal dá um par de passos a mais que o habitual fica logo com os bofes de fora. E ela é médica. Ou seja, pelos vistos ainda não descobriu maneira de o voltar a colocar nos eixos. Também tenho ouvido dizer que a gripe deste ano deixa algumas pessoas podres de sono. Ora eu, a seguir a ter covid, faz agora um ano, fiquei alguns meses pedrada de sono. E a gripe que tive há pouco tempo também me deixou com muito menos energia. Se calhar é isso tudo junto que ainda tenho agarrado a mim. Isso mais os anos que tenho em cima. Caraças.

E depois há este meu biorritmozinho do caneco. Podia escrever aqui durante o dia. Mas não senhor. Continuo a achar que o dia é para trabalhar ou fazer tarefas de outro tipo. Escrever aqui é hobby ou vício nocturno. Faça chuva ou faça sol só começo nisto às tantas. Portanto, só por isso, já era caso para ter sono. Agora imagine-se que, para além disso, há ainda o efeito cumulativo do sono e da quebra de energia pós covid e pós gripe. E já nem falo dos meses de stress agudo que vivi com a situação da minha mãe, o último dos quais totalmente arrasador. Conclusão: durante o dia, por vezes penso que quero falar disto ou daquilo. Depois chego aqui à noite e já estou com a bateria nos mínimos. Parvoíce, isto.

Bem.

E esta terça-feira vou ter uma agenda bem preenchida pelo que mais vale não ir muito tarde para a caminha.

Tinha aqui um vídeo bom mas fica para outro dia.

quinta-feira, fevereiro 15, 2024

Pedro Nuno Santos & André Ventura?
Com licença, vou antes falar de toalhas e de lençóis

 

Vou dizer a verdade: o dia foi produtivo. Para os great achievers o que eu consegui é menos que nada. Mas, para mim, agora que me comparo comigo na versão pessimista, foi um feito. Pensava que estava perante uma missão impossível e, afinal, está cumprida.

Reformulei o conteúdo das gavetas da escrivaninha que aqui tenho num recanto bem como o das gavetas de um móvel de meia altura que tenho na entrada. Claro que tive que dar destino ao que lá estava.

Agora tenho sete gavetões, sete, 7, sept, seven, com toalhas de mesa compactadas. 

Uma gaveta, uma senhora gaveta, tem só renda, toalhas rectangulares gigantes, rectangulares médias e redondas, todas em renda. 

Uma segunda tem híbridas: toalhas bordadas com rendas. Ou quadrados de renda, quadrados de tecido com bordado, ou bordadas com cercadura em renda. Ou outras combinações.

Outra tem toalhas de linho ou alinhadas. Ocupam espaço que se fartam. O tecido é encorpado para burro.

Outra tem quase só guardanapos. Tanto guardanapo, senhores. Uma loucura. Cada uma das toalhas bordadas ou de renda tem doze guardanapos similarmente decorados. Uma loucura. A minha mãe acharia esta arrumação um disparate, diria que os guardanapos, quais filhotes, têm que estar sob as saias da respectiva mãe-toalha. Mas não. Se é altamente improvável que eu dê uso àquelas obras de arte pois nem imagino a mão-de-obra necessária para as engomar, ainda mais é que use os guardanapos. Bem sei, bem sei, que não há nada como um belo guardanapo de pano. Compreendo. Concordo. Mas num restaurante. Aqui, de pano, só se forem de pano liso. Na maioria, quase totalidade das vezes, os guardanapos são de papel. Agora estar a pôr guardanapos bordados ou com rendas, só se receber uma rainha mas, ainda assim, só se for uma rainha a sério. E com o Goucha a acompanhar como comentador. Por menos que isso, não vão guardanapos de renda para a mesa.

Outra tem toalhas mais normais, mas em bom.

Outra toalhas mais banais, estampadas, ora estivais ora natalícias.

Enfim. Algumas gavetas tiveram que ser fechadas com o joelho. Que remédio. Já não tinha mais gavetas... O meu marido diz que não vou conseguir abri-las. Vou... 

Depois das toalhas passei para o castigo dos lençóis. Outra reformulação prévia, claro.

Desocupei a prateleira grande do roupeiro grande do corredor dos quartos. Tive que arranjar espaço para o que de lá tirei, como é óbvio. Tudo isto é um puzzlezinho de fazer queimar os neurónios a uma santa.

Os meus bordados e arrendados (arrendados de carregadinhos de rendinhas, não arrendados do programa mais-habitação) transitaram também lá para cima. Portanto agora tenho carradas de lençóis do mais artístico e elaborado que se possa imaginar. Os meus, os da minha mãe e não garanto que não também os das minhas avós. Lindos. A sério. Nunca usados. 

Depois há uma pilha, igualmente numerosa, de lençóis lisos, ditos 'de baixo'. Claro que uns são de linho para emparelharem com os correspondentes bordados ou cheios de rendas, outros de algodão, uns têm ajour no remate e etc, ou seja, a combinação não deverá ser aleatória. Mas algumas vez irão ser usados...? Muitas dúvidas.

Depois descobri umas peças não identificadas. Um formato incompreensível, nem lençol nem toalha de mesa, um algodão branco mais fino, uma renda imensa, bordados maravilhosos. Depois vi que cada um tinha duas letras bordadas. A inicial do nome da minha avó materna e a do meu avô. Depois de pensar, concluí que deveriam ser toalhas de casa de banho, quiçá as maiores a fazer a função de toalhão. Não sei. São obras de uma delicadeza e beleza extraordinárias. Deviam estar em vitrinas, expostas. 

Há ainda um outro monte, uma pilha enorme: as fronhas. Identicamente umas bordadas, outras com rendas, umas de um tecido, outras de outro. Se um dia quiser preparar um leito a preceito, teremos que fazer uma caça ao tesouro para conseguir acasalar o de cima com o de baixo e com as respectivas fronhas.

Mas, com isto, a verdade é que o tema de conseguir arranjar espaço para o que me parecia impossível de concretizar está resolvido. Todas as peças feitas com tanto carinho, tanto trabalho, tantas e tantas horas de um minucioso trabalho manual, amoroso, atento, estão guardadas, preservadas. 

Claro que imagino o pesadelo que será quando outros que não eu tiverem que resolver o que fazer a tantas relíquias... Mas, enfim, com sorte já cá não estarei para assistir a isso. 

Tirando isso o dia teve de tudo, Umas coisas menos boas e outras boas, incluindo visita a exposições, passeio à beira-rio e etc.

Conclusão: de debates só vi parte do último, o Pedro Nuno Santos em aceso duelo com o insuportável boçal-trauliteiro. Para dizer a verdade, tive alguma dificuldade em manter-me atenta pois tudo naquele arruaceiro fere a minha sensibilidade: o que diz, a forma como diz, a forma como se comporta, tudo. É um desordeiro, um perigo, uma pessoa sem princípios, sem pudor, sem vergonha.

Prazer tenho em ouvir (e ver) o Paixão Martins. Não há nada como uma pessoa inteligente, com sentido de humor, sem medo. Foi uma boa ideia a CNN tê-lo contratado para comentar os debates. 

Por isso, tirando o Paixão Martins e o fofo Raimundo, naturalmente por motivos diametralmente opostos, pouco mais prende a minha atenção nesta cegada dos debates a contra-relógio que, segundo as questões que os moderadores lançam, parece que têm como único propósito discutir os temas engendrados pelo Ventura. Não há pachorra. 

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E queiram descer até onde se revela o que Paulo Raimundo faria em caso de acidente nuclear.

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Desejo-vos um dia feliz

Saúde. Força nisso. Paz.

terça-feira, dezembro 12, 2023

António Costa na TVI/CNN com Nuno Santos: a excelente entrevista de um grande Primeiro-Ministro

 

A entrevista foi como deve ser uma boa entrevista: civilizada, dando tempo ao entrevistado, com as questões pertinentes que resultam não apenas da boa preparação da entrevista por parte do entrevistador mas, também, por ter havido oportunidade para que este ouça com atenção as respostas do entrevistado e consiga perceber as nuances que requerem clarificação. Não houve hostilidade de parte a parte, não houve crispação, interrupções mal educadas, não houve stress. Foi um momento bom de televisão. 

Nuno Santos mostrou ser alguém que sabe fazer perguntas, sabe ouvir as respostas, sabe ser oportuno.

E António Costa mostrou ser um grande Primeiro-Ministro. Nos últimos anos foi o melhor político em campo. De longe. Muito de longe. E incluo na comparação não apenas os políticos partidários no activo mas, também, o Presidente da República que, mesmo nos seus tempos áureos, nunca conseguiu chegar aos calcanhares da consistência e da credibilidade de António Costa. 

António Costa foi factual e explícito, realizando o balanço possível dentro do formato da entrevista, e mostrando como a realidade concreta é bem diferente das bocas e da conversa da treta com que a oposição e os comentadeiros tentam distorcer e poluir a opinião pública.

António Costa tem visão estratégica, tem humanismo, empatia, capacidade de distribuir jogo, boa educação, assertividade, boa preparação e boa memória (revela sempre um invulgar e exaustivo conhecimento de todos os dossiers), cultura, competência, liderança, ponderação, respeito pelos outros, boas maneiras. E tem tudo isso em proporções equilibradas. E isso faz dele alguém que estará sempre bem em qualquer função que desempenhe.

Tal como foi (e ainda é) um excelente Primeiro-Ministro, será um excelente Presidente da Comissão Europeia ou um excelente Presidente da República. Assim o queira e assim a vida tal lhe proporcione as oportunidades que ele merece.

Tal como é sabido por quem aqui me acompanha, nas próximas Legislativas votarei no PS, seja o José Luís Carneiro ou Pedro Nuno Santos o próximo líder. Partilho a opinião de António Costa: qualquer deles é muito melhor do que Montenegro ou de qualquer dos líderes dos outros partidos (na verdade, está a milhas de todos eles). Contudo, qualquer deles, JLC ou PNS, terá muito a aprender com António Costa e fará bem em colher os conselhos e os ensinamentos dele.

Verdadeiramente indigentes, alucinados ou destrambelhados foram os comentários, pós-entrevista, quer por parte do Montenegro, quer do esquisito da IL (ainda não registei o nome dele), do Ventura (que adoptou um dress code doméstico apesar de se apresentar na Assembleia da República, de um jovem do BE que parece ter nascido ontem. Do PCP não vi ninguém, não sei se não apareceu ou se não vi.

Só espero é que, a 10 de Março, os portugueses vão votar, não se deixem ficar em casa. Votem e mostrem que, por mais que queiram fazer deles parvos, não o são. 

O País precisa de continuar a ser bem governado.

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Nota: A CNN continua a manter Luís Paixão Martins quase à meia-noite e dando-lhe menos de quinze minutos. Não se percebe. Custa assim tanto a perceber que vale mais um minuto de Luís Paixão Martins do que meia hora de Rangel & Adalberto e quejandos?

terça-feira, novembro 28, 2023

Luís Paixão Martins -- o grande comentador da Televisão Portuguesa.
Alô, alô CNN :
Para quando a uma hora menos tardia? Para quando um espaço mais prolongado?

 


Não sei se a CNN repete, ao longo do dia seguinte, o espaço de comentário com Luís Paixão Martins mas, se ainda o não faz, deveria fazê-lo. Eu vejo-o à segunda-feira, depois das 23:30 h. Apenas cerca de 20 minutos.

Receio bem que não haja ainda muita gente a saber que é do melhor que há em televisão. Seria boa ideia que a CNN o convidasse mais do que um dia por semana, para mais tempo e a uma hora a que mais gente esteja a ver televisão. Seria uma aposta ganha, segura. Luís Paixão Martins tem uma característica preciosa em televisão: é cativante. Por isso, gera fidelização. Quem o vê uma vez, não deixa de querer vê-lo (e ouvi-lo, bem entendido).

Inteligente, arguto, factual, sintético, frontal, sem meias palavras, inatacável. Para analisar a política nacional é de longe o melhor comentador. Cada palavra que diz vale a pena. Não apenas é certeiro como envolve o que diz em camadas. O que ele diz tem subtexto e hipertexto associados. Ganha-se em ouvir mais do que uma vez pois se é muito explícito no que diz, há, aqui e ali, semeadas, algumas subtis insinuações ou quase imperceptíveis lamirés.

Acresce que acompanha o que diz de um olhar cortante, de um sorriso ora irónico, ora sarcástico. Um gosto vê-lo. 

Em frente dele, sorridente, rendida, Ana Sofia Cardoso. Vê-se que não perde pitada, que está a aprender, que está a divertir-se. Compreendo-a. Assim devem estar todos os espectadores.

Desta vez, de uma primeira visualização, retenho o que ele disse: que quem escreve os discursos do Montenegro deve trabalhar em time sharing a escrever os discursos do André Ventura. E está bem visto. De facto, o estilo panfletário, ofensivo, populista, baderneiro de Montenegro ao falar de Pedro Nuno Santos não lembram a ninguém. Não perceberá que os portugueses querem um Primeiro-Ministro decente, que revele saber o que é o sentido de Estado e não um bocas, um fulano armado em engraçadinho?

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A fotografia pertence ao artigo da Visão: ENTREVISTA A LUÍS PAIXÃO MARTINS: MEMÓRIAS DE UM SPIN DOCTOR

terça-feira, novembro 21, 2023

Luís Paixão Martins (LPM) e a famosa 'fonte de Belém'

 

No Questionário de Proust e nas suas múltiplas versões costuma pedir-se que se identifique uma pessoa, da actualidade, que se admire.

Se eu estivesse a responder, para restringir o leque cingir-me-ia às que toda a gente pode facilmente observar para poder comprovar as minhas razões.

E, portanto, aqui estou a afirmar que se há alguém que gosto sempre de ouvir pela inteligência aguda, pela frontalidade e coragem que demonstra, pela concisão e clareza das suas afirmações é ele, o Luís Paixão Martins. Para além disso, mesmo fisicamente é impressionante, não apenas pela compleição como pela magnífica cabeça e pelo penetrante olhar.

A sua intervenção desta 2ª feira à noite na CNN, não sei exactamente a hora, mas de certeza entre as 23:30 e as 24:00, é extraordinária, em especial quando fala da 'fonte de Belém', simétrica de Marcelo Rebelo de Sousa, que fala nos dias em que Marcelo não fala, que veicula as palavras de Marcelo, e que encarna em diversas personagens, geralmente personagens sem rosto quando se trata de imprensa escrita. Mas, diz LPM (aqui são as iniciais do seu nome, não a sua empresa), agora que era preciso usar a televisão, a 'fonte de Belém' encarnou no Lobo Xavier.

Os tais heterónimos...

Mas não se ficou pela hilariante rábula em torno da 'fonte de Belém', o LPM. Quem não viu e tenha como, é pôr a 'coisa' a andar para trás. Não darão o tempo por perdito.

Acrescento a nota de que o meu marido leu o livro 'Porque mentem as sondagens' e gostou bastante. Aqui fica também a dica.

Nos tempos que correm em que grande parte das pessoas parece encarneirada, falando a uma só voz, a voz da maledicência, sem sentido crítico, sem a mínima preocupação em respeitar os mais elementares princípios da Lógica (já para não falar nos sãos princípios que devem enformar a democracia e a liberdade) não há muitas vozes assim. Ele alia a argúcia à ironia e a inteligência de dizer o que pensa (usando uma forma em que é inatacável) ao sentido de humor.

Fez bem a CNN em ir buscá-lo. Entre tantas caras que já falam por falar pois estão a vender comentários há anos e anos e já gastaram o reportório, ou as que falam para cumprir uma agenda encoberta ou os que falam sem terem nada que dizer, eis que há uma voz que apetece ouvir.

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Para quem não o conheça:

Que país é este 
- entrevista a Luís Paixão Martins conduzida por Miguel Nabinho


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terça-feira, novembro 14, 2023

PR + MP + Comunicação Social: a troika que está a dar cabo do País --
uma vez mais, a palavra ao meu marido

 

Foram hoje conhecidas as medidas de coação estabelecidas no processo "Influencer". 

A única acusação que se manteve foi a de tráfico de influências e os arguidos saíram em liberdade (felizmente que não foi o Carlos Alexandre pois era capaz de, mesmo com pseudo provas tão pífias, decretar prisão preventiva). 

Assim, parece não ter qualquer sentido manter o inquérito sobre o PM e fica demostrada a loucura dos comentadores e dos jornalistas que baseados numa mão cheia de nada conseguiram provocar alarme social internamente e denegrir no exterior a imagem de Portugal, contribuindo para desmotivar potenciais investidores estrangeiros.

Quanto a grande parte dos jornalistas e comentadores já sabemos há muito tempo o que a casa gasta. Não valem nada! São acríticos, não têm noção do mundo real, não contextualizam os problemas, são correias de transmissão dos interesses a que estão ligados. São completamente dispensáveis! Julgo que ninguém terá dificuldade em considerar, por exemplo, o José Gomes Ferreira completamente dispensável. Um tipo que só diz barbaridades e até lê tweets falsos em direto não faz falta, é um ativo tóxico, e deve ser dispensado. Obviamente, existem alguns jornalistas e comentadores de grande qualidade que me merecem o melhor apreço  e cujas posições respeito (Pedro Sousa Carvalho ou Anabela Neves, por exemplo, são dois dos que considero bons jornalistas, tal como Luís Paixão Martins é um comentador que ouço sempre com bastante interesse).

Existem outros dois intervenientes neste processo que têm ainda mais responsabilidades que os jornalistas: são o MP e o PR.  

O MP indicia cinco cidadãos de crimes de corrupção, prevaricação e tráfico de influências. Prendem as pessoas durante quase uma semana antes de serem ouvidas. Trocam nomes (propositadamente?) nas escutas e num caso desta gravidade apontam erradamente para o PM, referem Portarias que não têm a ver com o processo em curso, invadem a casa das pessoas pela manhã e devassam a privacidade de cada um e ainda por cima aparecem nos jornais as situações que mais podem denegrir os visados. Depois de tudo isto, os crimes de corrupção e prevaricação caem. 

Que mal terá feito, por exemplo, o autarca de Sines para merecer tudo isto? É demais! É uma falta de respeito para com os portugueses! 

Alguém tem que acabar com este estado de coisas. 

Hoje também veio a público uma notícia em que, numa investigação  a vários autarcas, o MP não fez as inquirições devidas e o processo voltou à estaca a zero. Depois de tudo isto não há sanções para estes senhores?

Em minha opinião, o principal culpado da situação atual é o PR. 

Na aparente ânsia de correr com António Costa e com o PS, não teve o devido discernimento para avaliar a situação. Não ponderou  a melhor solução face ao empate verificado no Conselho de Estado, não esperou o tempo suficiente para ter mais dados sobre a situação e decidiu sem o devido suporte. E que não venham os amigos do PR dizer que ele se preocupa muito com os Portugueses e com Portugal. 

Objetivamente, e tendo em conta a atuação do PR, o que ele fez, mais uma vez, foi desencadear uma situação que em nada contribui para o bem estar dos portugueses e para o desenvolvimento de Portugal. Dissolver a AR na qual existia uma maioria sólida eleita há menos de dois anos com base num 'golpe de estado de três procuradores' (a expressão não é minha) e mergulhar o País num novo período eleitoral é tudo o que não devia acontecer. E aconteceu pela mão do PR.

Respondendo a PGR perante o PR, o mínimo dos mínimos é que o PR, após o que aconteceu,  tivesse a atitude de demitir a PGR. 

Com tudo o que tem feito, se, ainda por cima, permitir a continuação em funções da actual Srª PGR, o Sr. Presidente, que já vai ficar tão mal no julgamento da história, ficará ainda pior.

Como notas finais:

1 - Será que, no que se refere ao "Influencer", em vez da montanha parir um rato, como se antevia, afinal ainda é menos que isso, menos ainda que a formiga de que se fala: a montanha não vai parir coisa alguma?

 2 - Será que o PR teve uma premonição e, quando foi visitar o Beco do Chão Salgado, estava  a pensar no MP atual?

3 - Segundo Luís Paixão Martins, Costa sugeriu ao PR quatro nomes para eventual PM, tendo Marcelo recusado dois, sendo que um dos dois admitidos como viáveis era o de Centeno. Aliás, LPM chamou a atenção para que, quando Costa, no sábado, disse que tinha a aquiescência do PR para sondar Centeno (nota: sondar e não 'convidar' como, talvez por lapsus linguae Centeno tenha referido), Marcelo não desmentiu. O diabo está nos pormenores.