Mostrar mensagens com a etiqueta Berlusconi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Berlusconi. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, outubro 24, 2011

Onde falo das primeiras chuvas in heaven e da minha baby re-born tree, do Miguel Macedo que recebia 1400 €/mês de subsídio de alojamento vivendo em Algés, da Cimeira Europeia que pariu um urso de peluche e, para começarmos a semana bem dispostos, Mozart: Birthday, com o Nederlands Dans Theater celebrando Jiri Kylian.

 
Há quase um ano, num tempo já cheio de incertezas e medos, fez um temporal in heaven e o vento partiu uma árvore, despedaçando-me o coração.

Depois de ali ter ficado assim durante algum tempo, infeliz, tronco rasgado, achámos que a imagem era triste demais e o tronco foi cortado, cerce, sempre se reparava menos, era uma ausência menos notada. De qualquer forma, para mim, uma dor de alma.

Ao meu amiguinho pequenino também custou a imagem da árvore cortada, 'Partiu-se? O vento partiu a árvore? Como foi?' e olhava triste para o tronco escuro rente ao chão. 'E o vento vai partir mais árvores...?', que não, tranquilizei-o eu, 'Então porque é que o vento partiu esta?' e eu que 'esta estava mais fraquinha, talvez'. E ele 'Porquê? e eu... (etc, etc)...... (porque o meu menininho está na idade dos porquês)

Pois bem, meus Amigos, o que tenho a dizer-vos é que nunca nos entristeçamos antes de tempo.


Música! maestro.



Eis que há pouco tempo, inesperadamente, um pequeno rebento verde começou a surgir do toco que parecia morto. Fiquei intrigada. E expectante venho vigiando o milagre, assistindo maravilhada ao ressurgimento da vida onde eu já não a esperava.

A minha grevílea robusta renascendo, envolta em sedas e brocados dourados
A vida renascendo em pleno outono, numa altura em que as outras árvores se despem

Hoje, in heaven, tal como provavelmente em todo o país, choveu que Deus a deu. Um vendaval que levava as folhas pelos ares, que quase fazia voar as ramadas das árvores.

Um cheiro bom a terra molhada, a terra que se quer fértil, húmida, cheirosa, um cheiro a vida. Fico por dentro dos vidros e aponto a máquina. São apenas folhas secas, douradas, ramos verdes, água da chuva. Eu sei que é só isso mas isso é tanto para mim.

A primeira chuva deste outono: água abençoada

<>
Depois, na volta, deixando para trás a quietude, a mansa e tranquila paz de espírito, começaram logo as más notícias. Para meu espanto, ouvi na rádio que o ministro Miguel Macedo ia desistir do subsídio de alojamento. Fiquei siderada com a falta de consistência desta gente.

Com casa própria e a viver em Algés, Sua Excelência usava o artifício de ter outra casa em Braga, que utiliza como morada fiscal, para usufruir de um subsídio de 1.400 euros por mês. Numa altura em que aos pobres funcionários públicos e pensionistas com ordenados miseráveis vão ser suprimidos os subsídios de natal e de férias, eis que Sua Excelência vivia de bem com a sua consciência vivendo em Algés e alapando-se com um subsídio - que tomaram muitos ter como ordenado - como se vivesse em Braga. Arrepia pensar na (falta de) ética destes governantes de tão insignificante dimensão. 



Pois agora, como a coisa veio a público, anuncia que vai renunciar, numa falta de consistência assustadora. Claro que fez bem em renunciar - não tinha, aliás, como não o fazer a menos que passasse a andar com a cara pintada de preto. Mas se sabia que estava a receber indevidamente este subsídio, porque o pediu? Ou, se o pediu, não devia agora ao menos tentar justificar porque o fez? Parece uma gentinha de meia-tijela que foi a correr ao pote mas que, apanhada em flagrante, assobia para o lado, 'não fui eu...'. Que falta de tudo, credo, que falta de tudo.

<>

Depois, já aqui onde agora escrevo, vejo na televisão que a cimeira voltou a parir um rato ou nem isso, e lá vi aqueles entediados e amorfos governantes europeus, bovina e mansamente deixando-se ir na conversa do casal Angela e Nicolas que já falam em nome de todos, subindo ambos ao púlpito e anunciando as conclusões a que não chegaram. 

(Aliás, qual rato?! Pariu mas foi um urso de peluche que foi o que a Merkel ofereceu ao Nicolas pela sua filha Giulia)

Angela Merkel, a mulher que tem o Nicolas no bolso
e que, entretanto, enquanto a crise alastra, vai empatando a Europa toda

A seguir vejo o nosso ex-Doce, de cabelo cortado, casaco cinzento claro de mais, com uma gravata fúcsia que ficava desastrosa naquele conjunto, falando, sem lábios, para dizer coisa nenhuma.

Com ar de quem levava o rabo entre as pernas, lá ia o agora fustigado Berlusconi contra quem a fúria dos mercados agora se virou. Presumo que já nem lhe apeteça dizer da Angela o que há bem pouco tempo dizia, nem que tenha ânimo para as festanças do costume com as jovens que tinha avençadas...

Com ar de quem já não é o (único) mau da fita, Papandreu, um homem que acho que tem presença e charme, já dizia que 'o problema não é grego, é europeu'.  E tem razão.

No meio disto, Durão Barroso remeteu-se outra vez à sua alma de cherne e lá o vi de óculos na ponta do nariz, enfiado, e, no fim, rodeado de microfones a dizer banalidades, de novo submerso nas águas profundas em que geralmente se oculta.

A Europa a afundar-se e aquela corte ali anda, a cumprimentarem-se uns aos outros, a falarem pelos cantos, a encanarem a perna à rã.

A Grécia a ferro e fogo, os portugueses a caminho da pobreza, Espanha e Itália a irem rapidamente também para o buraco, multidões indignadas nas ruas, e estes burocratas sem visão não são capazes de um golpe de asa que relance a economia e redefina o papel da Europa, afirmando um papel no mundo à altura da sua história.

Vi também o horror da Turquia: acts of god, force majeure. Destruição e morte num forte abalo sísmico. Que a maldição não nos atinja tão cedo, sabendo eu que já estamos a desafiar as probabilidades que apontam para que um abalo deste género é inevitável e (matematicamente falando) já deveria ter acontecido por cá há algum tempo (noc-noc-noc, batam três vezes na madeira, se fazem favor).

<>

Mas isto não é maneira de começar a semana, com conversetas deprimentes, ideias assustadoras, com notícias tristes. Nem pensar. Por isso, meus Caros, vamos lá a abrir um sorriso que eu dou uma ajudinha, está bem?





Boa semana. Aproveitem bem a vida.

 

sábado, setembro 17, 2011

Alberto João Jardim, Pedro Passos Coelho, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Silvio Berlusconi, Sarah Palin - mas isto é o quê? Um filme série B? Um filme cómico para adolescentes? O quê, senhores?!


Quando há tempos o inteligente Passos Coelho dizia que esperava não encontrar esqueletos no armário já sabia o que o esperava, não sabia? Quando falava de desvio colossal também já sabia, não sabia? Deixou-nos fazer crer que se referia a Sócrates mas já sabia que não tinha nada a ver com o pobre filósofo errante em Paris. Sonso, este PPC.

O segredo afinal tinha outra vez a ver com o seu correligionário Alberto João… Só que se o travar lá se perdem os votos da Madeira, não é?


Os meus amigos já devem estar fartinhos de saber do que estou a falar porque ontem não se falou de outra coisa - transcrevo das notas que foram divulgadas:

O défice orçamental de Portugal de 2008, 2009 e 2010 vai ter de ser revisto devido a um buraco nas contas da Madeira descoberto apenas nas últimas semanas pelo INE e Banco de Portugal.

De acordo com uma nota do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal (BdP), estes responsáveis por apurar as contas nacionais receberam informação nas últimas semanas que dão conta de vários encargos da Madeira por registar desde 2003, e acordos de regularização de dívidas que a Administração Regional da Madeira não enviou, como é obrigada, às duas entidades.

O impacto estimado no défice de 2008 é de 139,7 milhões de euros (0,08 por cento do PIB), em 2009 de 58,3 milhões de euros (0,03 por cento) e em 2010 915,3 milhões de euros (0,053 por cento).

Para cima de mil e cem milhões de euros escondidos! A acrescer aos outros quinhentos milhões. Ou seja, no total um desvio superior a mil e seiscentos milhões de euros. Uma vergonha. Os media internacionais já em cima de nós, e com razão. Enganámos as contas - aquilo que de criticávamos os Gregos.

E volto a questionar-me. E se eu, dizendo que o faço como forma de resistência a Passos Coelho, resolver não pagar impostos, ninguém me chateia? E se eu contrair dívidas brutais, uma coisa que obrigue todos os portugueses a viverem pior para pagar a dívida que eu contraí, também não me acontece nada?

Não vou presa? Não me acontece nada? E, na volta, ainda me elegem para o cargo que eu usei como cobertura para poder estragar ainda mais a vida dos cubanos do cont’nente?

E Passos Coelho limita-se a dizer que os eleitores da Madeira é que devem ajuizar...?. Mas então ele como responsável máximo do PSD deixa que um sujeito destes seja o representante do seu partido na Madeira? Acha ele que o Alberto João que, com esta habilidade, nos coloca ao nível de credibilidade da Grécia e que nos empobrece a todos, representa os valores do PSD? 


Tão valentão que é e não vai fazer nada? Tão valentão e não vai tirar o tapete ao Alberto João?

{}

E quando digo valentão, não o digo à toa. Não senhor. Hoje soube-se esta coisa extraordinária: Passos Coelho foi a Paris tomar explicações de Sarkozy. Tal e qual.

Concretizando: O marido da D. Laura, de vez em quando esquece a sua faceta de doce, ou melhor de doceiro, mais concretamente de farofiano e queijadeiro, e arma-se em valentão. Ontem foi um desses dias: disse que esperava que na sua reunião, em Paris, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, "fosse possível ter uma leitura mais rigorosa" da evolução da crise europeia nos últimos dias.

Então, não é de homem?


Agarrem-me senão eu dou-lhe uma tareia. Eu vou lá e ele tem que se explicar e tudo bem explicadinho, que é isso de andar a combinar coisinhas com a Angela, ná, nada disso, vai ter que me dizer a mim como é que é! 

(Claro que, com esta bronca da Madeira, deve ter pertido o élan e já lá o vimos a entrar todo sorrisinhos.)

Mas antes, estava assim, valentão. Pelos vistos quando vai ter reuniões com homens baixinhos, sente-se poderoso, arreganha o dente, rosna, todo mauzão.
 

Em contrapartida, quando vai ter reuniões com gordas assusta-se todo, fica com voz fininha, mete o rabo entre as pernas, e, qual papagaio, à saída, repete o que as ditas gordas o mandam dizer.


Vem isto a propósito de quê? Que conversa de gordas vem a ser esta? Querem lá ver que ela se acha uma Irina Aveiro? – dirão os meus amigos que não me deixam pôr o pé em ramo verde.

[]

Nada disso, meus Caros, estou apenas a referir-me a outra notícia do dia. Então não é que o maluco do Sílvio fez mais uma das deles?

Segundo leio nos media, o inimitável Silvio Berlusconi terá sido escutado a insultar a chanceler alemã durante uma conversa telefónica com um editor de um jornal. Os meios de comunicação social italianos decidiram não publicar o que ouviram mas a expressão está a ser amplamente divulgada por vários sites.

Referindo-se à formosa e assertiva Angela, o primeiro-ministro italiano disse «essa gorda mal f...».

Eu cá para mim penso: gorda ainda vá que não vá, agora mal fod.., isso já não me parece bem.

Aquele tipo não tem maneiras! Como é que agora vai ser quando estiverem os dois reunidos? 


Safado como é, já o estou a ver a dizer segredinhos ao ouvido dela, ‘Oh Angela, pardon my french, it was a misconfusion, não foi isso que eu disse, amore mio, foi o contrário: que não és nada gorda e que acho que até fazem bicha para fo… contigo, minha linda, amore mio.’, até que alguém lhe dê uma canelada para se calar, para não estragar ainda mais as coisas.

<>

Mas as notícias surpreendentes do dia não se ficaram por aqui. Uma biografia de Sarah Palin, escrita por Joe McGinniss, sugere que a candidata a vice-presidente dos EUA pelo Partido Republicano, conservadora e puritana, membro do movimento conservador Tea Party, terá consumido drogas, como cocaína e marijuana. 


O livro "The Rogue: Searching for the Real Sarah Palin", que será lançado na próxima semana, refere também que Sarah Palin manteve um caso extraconjugal com um colega de trabalho do marido, em meados dos anos 1990.

Como se isso não bastasse, também o o National Enquirer divulga que Sarah Palin e Glen Rice, antigo jogador da NBA, também tiveram um caso de uma noite em 1987, sete meses antes do seu casamento com o actual marido.

<>

Pode uma coisa destas?! Este mundo está virado do avesso.

A Europa entregue a gente peculiar: 

> Em Portugal, um pasteleiro com dotes de papagaio ou camaleão, nem sei bem (o Daniel Oliveira no Expresso escreve um artigo intitulado ‘Zelig Coelho encontra-se com Merkel e fica alemão' - mas, atenção!, eu já em Maio lhe tinha atribuído essa característica: Passos Coelho, o africano, será o novo Zelig? - ora confiram por favor e vejam, nesse post, o trailer do Zelig do Woody Allen para verem se não é mesmo).

> Em Itália, um sujeito todo esticado e repuxado, sempre carregadinho de base, que só gosta de meninas novinhas e que trata por gordas mal-f… as senhoras respeitáveis que adoram f… (os outros países).

> Nos EUA, a paladina da moral e dos bons costumes agora exposta como uma drogada, adúltera.


Assim não dá. Qualquer dia ficamos sem referências, sem modelos, ficamos sem saber em que acreditar. 


Em que é que a gente há-de acreditar, alguém nos diz?

Já não há estadistas a sério? Nem mulheres bem comportadas, senhores?! Será que nem virgens?!

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Partidos Políticos analisados à lupa da matemática (uma lupa muito ligeira, diga-se)


Falei há dias da matemática, dos conceitos de racionalidade e rigor que são introduzidos nas abordagens metodológicas.

Resolvi hoje fazer um exercício, aplicando a abordagem metodológica matemática à política e, desta forma, analisar se há discurso redundante, contraditório, infundamentado, por aí fora - um exercício ligeiro, no entanto que o espaço e o tempo não dão para mais.

Vejamos.

O Bloco de Esquerda. Falam encaloradamente, ou com ar didático, ou com ar de quem faz uma denúncia urgente. Não falando do chato do Louçã ou do caviar-gauche-jeep-de-Bruxelas do Miguel Portas, ou de uns senhores com ar normal como o Fazenda ou a outra senhora, ou é aquela miúda Ana Drago, que fala com ar de pespineta-nêta-nêta-nêta, arzinho de quem subiu para um banco e já acha que é da altura dos crescidos, espingardando com ar de precocemente sabichona-chôna-chôna-chôna, irritante criaturinha,
  

ou, então, com ar de pré femme fatale a quem falta quelque chose para ser mesmo fatale, a Joana Amaral Dias, que se insurge contra a humanidade com aquele ar psico-encartado de quem sabe lidar com malucos de toda a espécie e feitio. 


Mas, reduzindo o discurso, limpando as banalidades, as afirmações óbvias e incontestáveis aqui ou na conchinchina, agora ou 50 anos para a frente ou para trás, nada de relevante se aproveita, nada que se possa materializar como um modelo integrado de desenvolvimento. É daqueles polinómios em que se corta, corta, corta e o que fica é coisa pouca. As meninas do BE e mais uns quantos podem existir, e não é mau que existam, para serem os papagaios de serviço. Se é divulgado que há um administrador algures que ganha muito dinheiro, eles no parlamento pedem explicações e, se lhes puserem um microfone à frente da boca, eles questionam, acusam, chamam ao parlamento, pedem explicações, enfim, fazem o número deles e às vezes são úteis a denunciar algumas situações. Mas, pequenas excepções e espectáculo à parte, nada fica, apenas espuma.

O Partido Comunista Português. São justiceiros, gostariam que todos fossem iguais, que não houvesse uns melhores que outros, nem uns piores que outros, que no mundo não existissem uns malandros a tudo querer e outros pobrezinhos a pouco levar. Os bancos são uns gatunos, os empresários uns ladrões, os empregados uns anjinhos espoliados. Mas se forem os juízes a querer ter casa à borla, o PCP também os apoia, se forem os professores a quererem todos ter avaliação excelente, o PCP também os apoia, se com as medidas que defende o PC levar as finanças públicas ao charco, paciência, aí já nada se diz, porque a culpa de tudo é sempre dos capitalistas, dos fascistas, dos imperialistas, das mais valias, da banca. Cavalgam a onda do descontentamento, seja ela qual for. Alimentam-se da contestação pública, seja lá que contestação for. Ou seja, factores contraditórios que se anulam uns aos outros. Além disso, tirando uns quantos miúdos novos que não se percebe bem o que andam por lá a fazer (os rapazes geralmente com um ar vagamente revolucionário, pós-operário e as raparigas, em grande parte, com um ar gauche pós-moderno), e mais uns quantos idealistas bem intencionados, são uns maçadores. Dizem todos o mesmo, em registo de monólogo e, na voz, têm uma entoação parecida, a gente fecha os olhos e não sabe se é o Jerónimo, o Francisco Lopes ou outro quase igual.


Mas a questão principal nem é só essa. A questão é que o modelo comunista já foi testado e, em todos os testes, chumbou. Não houve um sítio onde a coisa tivesse corrido bem. Descamba sempre em falta de democracia, em falta de liberdade, em pobreza ou em oligarquia. Ora, em matemática, quando uma teoria não passa em nenhum teste, é porque não é válida, arruma-se. Ardeu. Finito.

Restam o Partido Socialista, o Partido Social Democrata e o Centro Democrático Social. Praticamente tudo farinha do mesmo saco. Analisam-se as semelhanças e são mais que muitas, analisam-se as diferenças e são quase irrelevantes. O PS mais esbanjador no que se refere a politicas sociais, o CDS mais estrito no que se refere a política de segurança mas, na prática, tudo é semelhante e sujeito à performance dos respectivos agentes. O Portas é populista, demagogo (e um artista a escapar-se entre as pingos de chuva no meio dos escândalos que poderiam salpicá-lo como é o caso dos submarinos) mas já a Maria José Nogueira Pinto é sensata e directa. O Manuel Alegre e ala esquerda são humanistas sem olhar a contas, o Teixeira dos Santos (ou seja, a política económica de Sócrates) é liberal agora, quando antes era social-generoso. Quanto ao PSD é, regra geral, uma rapaziada que se aproxima se o poder está próximo, e se comem uns aos outros quando o poder está longínquo; e a orientação oscila consoante o líder do momento: foi austero com Manuela Ferreira Leite, anda a navegar à vista com Pedro Passos Coelho.





Mas é indiferente. Ou seja: mais uns passinhos para a esquerda ou mais uns passinhos para a direita consoante os intérpretes e, sobretudo, consoante a conjuntura - que isto já pouca margem há para se seguir um programa nacional  - mas estes três partidos são equivalentes.

Há regras de integração que têm que ser cumpridas, o dinheiro não estica, não dá para desvalorizar a moeda, logo: faz-se o que tem que ser feito e enfeita-se a acção com palavreado para fazer de conta que há diferenças políticas.

A verdade, expurgada a irrelevância e as contradições, é que não há nenhum partido que faça a diferença pela positiva, não há quem defenda um modelo novo, sustentável, honesto.

Ou há irrelevâncias (BE) e irrealidades (PCP) ou os outros três são a mesma coisa.

A ter que escolher, então que a escolha se faça entre estes (PS, PSD ou CDS) e, de entre estes, que se escolha quem saiba ler, escrever e fazer contas, quem saiba falar (incluindo em inglês e, se possível, em francês), quem se saiba vestir e estar à mesa, quem tenha savoir faire em espaços cosmopolitas. Não vai ser fácil...

quinta-feira, novembro 04, 2010

Motivos de orgulho nacional na Piolheira e ecos do Tea Party, do Berlusconi e outros acontecimentos importantes

Crazy November.

Nos EUA os radicais, conservadores e maçadores do Tea Party lá conseguiram cantar vitória. Parece impossível como um país capaz do melhor, tenha também no seu seio gente tão demodée.


O líder republicano, John Boehner, ufano, salientou que os norte-americanos votaram terça-feira por um governo menor e que a maioria republicana agora eleita deve tentar um «novo caminho em Washington», que inclui acabar com a reforma do sistema de saúde de Obama, sistema que define como uma "monstruosidade". Custa a acreditar.

O actor Sylvester Stallone, que tem aquele ar inteligente que se lhe conhece, tinha publicado na véspera das eleições mensagens na conta de Twitter onde incitava o eleitorado a votar contra Barack Obama, dizendo «Há que tirar o candidato manchu do lugar de condutor antes que sejamos TODOS atirados para o abismo - sejam espertos!», continuando, «O Candidato da Manchúria foi um filme sobre um falso presidente que foi posto no poder pelo inimigo para destruir a América. Um conceito assustador. Insurjam-se!», gritou o Rambo. Pelos vistos, muita gente o levou a sério.




E depois as bizarricices que só mesmo lá: Jenny Oropeza venceu a reeleição para o Senado por uma margem confortável. Acontece que Jenny Oropeza, senadora democrata da Califórnia, está morta (desde 20 de Outubro). Coisas de halloween...?!

Em Itália, o ministro do Interior admitiu a possibilidade de que cidadãos italianos estejam envolvidos no envio de pacotes-bomba a partir da Grécia, um dos quais endereçado ao botoxizado, repuxado, divertido, déspota, louco primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.


Parece que os anarquistas italianos, com o apoio dos anarquistas gregos, lhe quiseram pregar um susto, enviando uma bombinha. Isto vem na sequência de casos recentes, mais uns, em que Berlusconi se viu envolvido em novas polémicas, desta vez relacionadas com denúncias de ter interferido para libertar da prisão uma menor de idade com quem teria tido um dos seus casinhos (devem saber que se divorciou recentemente porque a mulher já não aguentava tanto escândalo com os públicos e desbragados affaires do marido, affaires que incluiam apresentadoras de televisão, modelitas e... meninas menores de idade).

No entanto, por cá, só boas notícias: o OE 2011 passou, o Sócrates elogiou a Manuela Ferreira Leite agora muito aplaudida por todos (e até mais bonita), e, sobretudo, o último album da Ana Moura, ""Leva-me aos fados" é 2º lugar no top de vendas da Amazon britânica, a seguir à Shakira.

Portanto, portugueses, vamos lá a levantar esse moral.

Não apenas aqui na Piolheira* não acontecem despautérios como os acima referidos nos EUA e Itália como temos uma fadista lusitana no 2º lugar da amazon inglesa! Só motivos de orgulho!

(* Não se pense que é criatividade minha esta de chamar Piolheira à nossa nobre nação. Às vezes quando vejo a nossa actual classe política dominante ocorre-se-me essa expressão...mas não... já tem bem mais de 100 anos esta expressão: o poeta Faustino Xavier de Morais em 1800 e troca o passo, bem como Eça de Queirós e Fialho de Almeida já assim se referiam a Portugal. Já para não referir que consta - embora não se encontrem registos históricos - que o rei D. Carlos também assim se referia ao País.)