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domingo, junho 21, 2026

O tempo dos broncos

 

Quando estou mais para o zen do que para a truculência, abro o computador e só me apetece falar dos meus jovens, ex-pimentinhas, agora já todos grandes e bonitos, bem dispostos, brincalhões. Aliás, tão zen que, antes de ter energia para levantar a tampa do portátil, adormeci profundamente. O meu marido bem tentou interromper-me mas a pancada era grande demais. Acordei a ver o Trump no seu primeiro mandato, em melhor forma do que agora mas já só a fazer disparates, a dar conta da cabeça dos chineses. E deve andar por aqui alguma melga porque acordei com comichão num braço.

E agora, ao ver as notícias, constato o que já todos estamos fartos de saber: salvam-se alguns, não muitos. Por exemplo, a Meloni, apesar de tudo, tem mostrado que os tem no sítio. Mas, se pensar no que se passa por cá ou no que se passa no país dito mais relevante do mundo, só posso concluir que os broncos devem ter algum mérito para conseguiem convencer os parvos e para conseguirem aguentar-se nos lugares de poder.

Para mim, um bronco é um tipo que inventa problemas, que se enrola de todas as maneiras possíveis e imaginárias para ver se os consegue resolver, depois, quando não consegue desenrailhar-se dos imbróglios que criaram, começam a culpar toda a gente, por fim já querem é safar-se da embrulhada seja de que maneira for e, depois de terem andado a dar trabalho, a gastarem e a fazer gastar dinheiro e paciênciaa toda a gente, na melhor das hipóteses, no fim, fica tudo igual ao que estava antes mas, o mais frequente, é que fique tudo pior.

Com o Montenegro temos exemplos disso por todo o lado. Por exemplo, na Saúde arranjou uma ministreca que começou por correr com um fulano que era reconhecido por toda a gente como super competente, o Fernando Araújo, que estava a tentar pôr ordem no SNS. A a partir daí foi sempre a descer. Demitiu dezenas de gestores, despeja dinheiro para cima de toda a malta que rabeia, inventa desculpas para tudo e mais alguma coisa e, no fim, ou seja, agora, depois de desequilibrar mais as contas, está tudo pior do que estava. E isto não sou eu, humilde observadora, que o digo: são todos os relatórios técnicos e independentes que o demonstram. Na Habitação tem sido o descalabro: isentou de IMI, IMT e sei lá que mais todas as compras de casa para crianças até aos 35 anos. E fez mais não sei o quê, que já lhe perdi a conta. O que sei é que o preço das casas disparou como nunca, um foguete que subiu mais rápido e mais alto que na maioria dos outros países. No Trabalho tem sido o festim a que se tem assistido. Arranjou uma Madame que empreendeu num espantalho com nome de Pacote. Ninguém lhe tinha encomendado o sermão. Foi ela e o Luís que desarrincaram tão destrambelhada ideia. Começaram por andar a fazer perder tempo a patrões e sindicalistas. Pelo meio iam insultando alguns que, por fim, se retiraram da palhaçada. Findo o circo da Concertação, levaram o espantalho, já na versão aborto, para a Assembleia. Aí, canhestros e azêmolas como só eles, resolveram montar-se a cavalo num lacrau asnento. E o País assistiu, entre o boquiaberto e o saturado, a mais um par de coices e a mais uma ferroada do lacrau que, assim, mostrou a todos que de gente desta desenvergadura nada de respeitável se pode esperar.

Nos Estados Unidos o que se vê é um fulano em decomposição, fisicamente decadente, a dormir em público, um narcisista a mandar pôr o nome em tudo o que é canto e esquina, a inventar toda a espécie de loucuras, com aldrabices que não lembram ao diabo (veja-se o que inventou agora sobre a Meloni, que a levou a desmenti-lo com todas as letras), a perseguir os mais indefesos, a tirar aos pobres para dar aos ricos, a mandar a Justiça ir atrás de quem ele não gosta e a indultar todos os criminosos que o apoiam, a ser corrompido à descarada, a tomar decisões erráticas e contra a ciência e contra o mais elementar bom senso, a destratar aliados e a bajular ditadores, a ameaçar invadir ou anexar território alheio, a raptar um presidente de um outro país e a roubar-lhes o petróleo, a ir de braço dado com Israel bombardear o Irão, matar gente indefesa, nomeadamente as crianças de uma escola, e arranjar um trinta e um do qual agora não consegue sair pelo seu próprio pé, já se prestando a sair de fininho, dando aos iranianos o que eles quiserem. Onde não havia antes problema que lhe dissesse respeito, depois de matar imensa gente, de destruir o que não devia, de gastar biliões, agora anda a ver como sair da enrascada. E, no meio disto tudo, centra-se noutros assuntos que também não eram problema para ninguém mas dos quais resolveu fazer cavalo de batalha. Por exemplo, o tema do 'lago', em frente do Memorial Lincoln. Meteu na cabeça que o Reflection Pool haveria de ser azul transparente e apregoou que de piscinas percebe ele. Gastou cerca de 14 milhões de euros, de caminho insultou os presidentes anteriores por não terem sabido manter o lago limpinho, publicou fotografias fake em que se mostrava ao banho com o JD Vance e o Mark Rubio como se equilo fosse uma piscina. Pois bem. Foi resolver um problema que não existia e aranjou um outro ainda maior. 

A imagem do Trumpalgas foi gerada pelo Chatgpt
Nota: na realidade, o que os funcionários andam a despejar são garrafinhas mais pequeninas do que as que aqui se veem

O lindo laguinho azul virou verde, cheio de algas. Pior: o revestimento está a descolar-se. Nas bordas andam funcionários a despejar pequenas garrafas de água oxigenada e de lixívia e outros com camaroeiros. Virou chacota nacional. Nada que incomode os MAGA que já veem nisso uma conspiração: não só olham para as águar verdes e algacentas e as veem azuis, como acham que é tudo embuste dos democratas.

Há sempre burros ainda mais burros do que os burros que conhecemos. Os broncos atraem os broncos. Os broncos mais burros veem-se representados pelos burros que, nas redes sociais, lhes aparecem como ilustres.

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O fiasco do espelho de água de Trump ganha uma reviravolta ao estilo "Greenwatergate"

O jornal The New York Times refere que a confusão causada pelo espelho de água verde de Trump tem agora uma nova e sinistra reviravolta: um contrato de limpeza sem concurso ligado a um doador de Trump e vizinho de Mar-a-Lago.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

quarta-feira, abril 15, 2026

Temos a prova: Trump é o pior idiota da história.
-- É ele e o J.D. Vance, que já é visto como o novo gato Oscar... --

 

Depois dos passeios e lides no campo, 

-- e se me veem no Instagram (e já tenho 726 seguidores... -- dá para acreditar...?) --, 

estarão a acompanhar as minhas deambulações pelo meio das árvores, umas de pé, outras já cortadas às postas, pelo meio das silvas e etc., eis que agora, recolhida, tenho estado a ver uma dupla com que me divirto grandemente: conversar ou ouvir a conversa entre gente inteligente é outra coisa.

Joanna Coles solta gargalhadas de gosto, e eu com ela, e, quando David Rothkopf afirma que o morto que Jesus Trump tenta acordar do seu leito de morte não é outro senão Jeffrey Epstein, por pouco não projecta todo o chá que tinha na boca. 

E eu, que tenho estado a beber um belo chá de curcuma, por pouco não fiz o mesmo. O Jon Stewart achou que era ele e, de facto, assim de lado, quase poderia ser. Mas, vendo bem, parecido, parecido mesmo, o morto é bem capaz de ser o Epstein. 


E isso torna a maluquice ainda mais disparatado, mais insólito. 

Outro momento delicioso, embora de humor negro, é quando J.D. Vance é comparado ao gato Oscar, o célebre gato que quando se deitava ao pé de uma pessoa no lar em que vivia, pouco depois a pessoa estava morta. Por mais de 100 vezes, isso aconteceu. Andava por ali a vaguear e, de vez em quando, entrava num quarto e aconchegava-se ao pé da pessoa. De duas a quatro horas depois, já estava, a pessoa quinava. Por fim, a família já corria com o gato, chega para lá, ó urubu. Punham-no fora do quarto, fechavam a porta. Mas o gato não se afastava, ficava à porta a miar.

Ora acontece que o J. D. Vance foi visitar o Papa Francisco e, hélas, pouco depois, o Papa morreu. Agora foi pôr-se ao lado de Órban e, ups, Órban levou uma banhada monumental, incrementada pelo efeito J.D. Vance.

Mas, enfim, é ver porque aqui fala-se de tudo. Por exemplo, estará a base MAGA a desmoronar-se? E o que dizer da derrota da Hungria,  do desastre do Irão?

I've Got the Proof: Trump Is History's Worst Idiot | The Daily Beast Podcast

David Rothkopf, correspondente principal de assuntos globais do Daily Beast, junta-se a Joanna Coles para explicar porque está convencido de que a história vai julgar Donald Trump como o idiota mais poderoso e o maior idiota de sempre. Numa conversa abrangente e dinâmica, Rothkopf e Coles analisam os crescentes conflitos de Trump — do Vaticano ao Irão — juntamente com o espetáculo surreal das suas publicações autoproclamadas como "divindade" e as consequências globais das suas decisões. Exploram também as repercussões políticas nos Estados Unidos e no estrangeiro, incluindo a surpreendente derrota de Viktor Orbán e o que isso sinaliza para o futuro do populismo de direita. É uma análise perspicaz e provocadora sobre o poder, a instabilidade e a realidade cada vez mais bizarra que molda a política global.


segunda-feira, abril 13, 2026

Um domingo com árvores abatidas, com a feliz vitória da democracia e da liberdade europeia na Hungria, com o impasse na estúpida guerra que Trump desencadeou contra o Irão e com Israel a continuar a mostrar que é quem manda nos Estados Unidos

 


O domingo amanheceu muito cedo, cedo demais, e logo depois já se ouvia o barulho em contínuo da serra elétrica. Começaram a ser cortadas as árvores que tombaram ou que estão em vias disso na sequência da tumultuosa Kristin. Aliás, hoje ventava de tal forma que, sempre que passava sob as agitadas copas, me interrogava sobre a minha segurança e a de quem por ali andava a serrar os tão amados troncos. Mesmo os cedros e pinheiros que secaram, provavelmente por terem estado tanto tempo com as raízes encharcadas, também já começaram a ser abatidos. Onde havia árvores grandes e frondosas há agora espaço vazio e, ao olhar para esse espaço sem nada, sinto tristeza..

E ainda faltam as árvores maiores, os cedros gigantes, os que estavam dispostos em lugares estratégicos e que maiores dificuldades vão colocar ao seu abate e remoção. Temos mais uns fins de semana destes pela frente.

Tento colocar o coração ao alto. Os paisagistas que cá estiveram foram consensuais: nesta terra pedregosa mais vale contentar-nos com árvores autóctones do que alimentar o sonho de ter belas árvores que, aqui, serão sempre vulneráveis. Os cedros gigantes enraízam superficialmente, sobretudo em terrenos pedregosos. Por isso, quando estão muito grandes, se o vendo os faz flectir, por pouco que seja, o seu centro de gravidade não é sustentado por um enraizamento profundo. E tombam, levantando por completo as raízes. Com os pinheiros não é a mesma coisa, creio que, por um lado, é o mal que lhes dá. Ou a vulnerabilidade face ao excesso de água. Não sei. Não caíram, simplesmente secaram. Mas isso aconteceu sobretudo com os bravos. Os pinheiros mansos estão bem e os outros, de que não consigo lembrar-me do nome, também.

E as azinheiras e as aroeiras e as figueiras bem estão. Portanto, festejo o que está bem e tento aceitar com naturalidade que o ciclo de vida das outras chegou ao fim.

E, como esteve muito frio, estive mais tempo dentro de casa. E até fiz um chá e tudo. Só não acendemos a lareira porque, afinal, psicologicamente já nos estávamos a sintonizar com uma primavera quente. Este retrocesso climático não deverá levar-nos ao saudosismo da lareira.

Além disso, a madeira dos cedros e dos pinheiros não é boa para as lareiras, tem resina de mais.

Enfim, adiante.

Sobre o que por aí se vai passando um ou dois apontamentos:

Hungria

A derrota de Orbán é uma boa notícia para a União Europeia, para a Ucrânia, para a democracia. Ouvir uma multidão, em festa, a aplaudir Péter Magyar e a gritar a uma só voz Europa, Europa, é qualquer coisa de emocionante. A Europa é o berço, o refúgio, o chão e o tecto de quem, por estas nossas bandas, defende a democracia, o humanismo, o desenvolvimento, a liberdade, o Estado de Direito, a paz, a ética, a verdade. Que a Europa, livre e democrática, nos acolha, nos abrace, nos defenda, nos ampare.

Ao mesmo tempo, a derrota de Orbán é uma derrota para Putin, para Trump e para o oportunista e vira-casacos J. D. Vance, é uma derrota para Ventura e para todos os populistas de extrema direita que têm vindo a pulular na Europa à garupa do que julgavam ser a tendência vencedora Trump/Órban.

A caguada quase galáctica armada pelo idiota do Trump

 (nb: caguada com u para não ser um nome feio)

Ele não quer que se lhe chame guerra pois, para ser guerra, tinha que ter sido aprovada pelo Congresso. Como vai muito para além de uma operação especial ou de uma pequena excursão, como ele se lhe refere, prefiro chamar o que é, uma caguada em três actos.

O burro meteu-se nesta alhada, a reboque do outro que o tem na mão, e agora não tem como sair. Ele bem quer pirar-se de qualquer maneira, deixar tudo ensarilhado, e, como se fossemos todos tão burros e malucos como ele, dizer que ganhou. Só que o outro, o que o tem na mão, diz que espera lá aí: não sais, não senhor. E, para provar que não sai, não senhor, continua a bombardear tudo e mais alguma coisa, sobretudo o sacrificado Líbano, mesmo enquanto duram umas pretensas negociações com o Irão.

Para essas negociações, enquanto para representar o Irão, foi um grupo de homens feitos, com formação e experiência, para representar os Estados Unidos foi a tropinha fandanga do costume, a saber: o sinistro genro, o tipo de imobiliário e o totó do J.D. Vance. Enquanto para negociações similares em circunstâncias muito menos limites, outros levam meses ou anos, mas, vá lá, dada a urgência, no mínimo semanas, aqui julgavam que iam conseguir chegar a acordo em 21 horas. Como não conseguiram, vieram-se embora. E o paspalhão-mor, o doente Trump, ameaçou bloquear o bloqueado Estreito de Ormuz que, antes da monumental caguada, estava aberto. Uma tragicomédia que vai paa lá de ópera-bufa, mais parece um teatreco desconchavado engendrado por malucos internados num hospício para dementes encartados.

Qualquer dia nem é uma questão de ninguém conseguir pagar o combustível, é mesmo que não há. Escassez pura e dura.

Não se sabe qual a saída para isto. Airosa não há, mas mesmo que pouco airosa, não se vislumbra.

No meio disto, a esfíngica Melania veio fazer aquela conferência solene que, até hoje, ninguém conseguiu descodificar. Dizem que  uma ex-amiga dela, dos tempos de Epstein, ex-mulher de um grande amigo e apoiante de Trump, ameaçou pôr a boca no trombone e fazer revelações que vão mostrar o que é a verdadeira escumalha, e que, para se antecipar e mostrar que a escumalha não é ela mas, sim, o pato cor de laranja, Melania se antecipou. Mas há também quem diga que foi a Melania que já não pode com o marido e resolveu apertá-lo onde a ele lhe dói mais. Mas também há quem diga que foi Israel, que tem o casal na mão, que a obrigou a ela a ir pregar um susto ao marido para ele perceber que Israel é que manda e que, se ele quiser agora mijar fora do penico, ai ai, que eles pegam no material incriminatório que têm e o põem na prisão em três tempos. Who hnows...?

Um dia, presumo que não longínquo, teremos documentários, dramas e comédias sobre este período rocambolesco da história do mundo. E, muito provavelmente, em todos teremos o venal e idiota Trump retratado como estando simultaneamente nas mãos da Rússia, da China, de Israel e de Melania. Todos com material mais que suficiente para o chantagearem e o levarem a fazer todas as borradas a que vamos assistindo. Claro que tudo devidamente condimentado com o seu narcisismo e a sua demência. Ou seja, um filme.

Seja como for, por crime grosso de envolvimento com menores ou por desencadear uma guerra não autorizada, ou por estar a dar cabo da vida dos americanos ou por muitos outros motivos, parece que reina a agitação entre os republicanos. Preveem que não tarda se vão ver livres dele e já anda cada um para seu lado a ver se se organiza face ao tão esperado day after. Uns andam a arranjar maneira de o tirar rapidamente da Casa Branca, outros aguardam que a solução chegue por outra via: como vaticina um médico americano, esperam que um dia destes ele se engasgue de vez com um hamburguer ou, então, cometa um erro tão grave, tão grave, que tenham que interná-lo à força.

Eu, por mim, só mais modesta, gostava mesmo é que o mundo voltasse a ser como o era nos tempos em que a Rússia ainda não tinha invadido a Ucrânia, que Israel ainda não tinha destruído Gaza e agora o Líbano, em que Trump não tinha tido a sua 2ª e inexplicável vitória. Será que é pedir muito?

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Amanda Ungaro ameaça expor as ligações ocultas de Melania Trump nos arquivos de Epstein

A modelo brasileira Amanda Ungaro ganhou destaque nos media internacionais depois de alegadamente ter ameaçado "expor" informações relacionadas com Melania Trump, na sequência da negação pública da modelo de qualquer ligação a Jeffrey Epstein.

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Desejo-vos uma boa semana

sexta-feira, abril 10, 2026

Se Trump foi dar cabo do Irão, atrás de Netanyahu, para ver se a malta se esquecia dos ficheiros Epstein, será que, agora que a guerra deu para o torto e já não sabe onde se meter, arranjou maneira de sacar dos ficheiros Epstein para a malta se esquecer da guerra do Irão... e cravou a Melania para lhe fazer esse frete?
ou
A Melania, percebendo que o marido está nas últimas, antes que perca a imunidade de ser Primeira-Dama, resolveu já demarcar-se dele e de toda a porcaria que o envolve?
ou
Isto é mesmo um ninho de cucos e estão todos a ver se dão com todos em malucos?

 

No meio do salsifré do so called cessar-fogo que nasceu do nada sem acordo sobre coisíssima alguma, em que ninguém sabe quais os pontos sobre os quais era suposto estarem de acordo, no meio dos violentos bombardeamentos ao Líbano e enquanto parece que veio a Netanyahu uma suposta vontadezinha de abrandar de escaqueirar tudo, até que não reste pedra sobre pedra, e negociar um mini-mini cessar fogo com Beirute, e em que Trump continua com as suas estafadas e tresloucadas investidas e em que vai intercalando ameaças letais ao Irão com remoques e chantagens sobre a NATO e com parvoíces e insultos aos seus antes amigos MAGA influencers e ex-Fox (Tucker Carlson, Megyn Kelly, Alex Jones ou Candace Owens), eis que, do nada, sem que na Casa Branca aparentemente ninguém soubesse de nada, aparentemente sem que o próprio Trump soubesse de nada, do alto do púlpito onde o marido costuma dirigir-se às massas, sozinha, a esfíngica Primeira Dama (também descrita como assalariada de Trump, paga para ser sua mulher), que nunca antes tal coisa fez, apareceu a dizer que nunca foi vítima ou íntima de Epstein, que não foi ele que a apresentou a Trump, que apenas esteve ao mesmo tempo que ele e que o marido em algumas festas e rebéubéu pardais ao ninho, que o que as fotografias e os mails mostram não é nada, que o que não falta por aí são cenas fake para todos os gostos, e que, pasme-se, deve ser dada voz às vítimas para que esclareçam o que há para esclarecer.

Isto mesmo.

Não dá para acreditar, pois não?

Não mesmo. Mas aconteceu. 

Mais uma vez, uma improbabilidade materializou-se. Do nada. 

Quando os republicanos têm feito de tudo para abafar o caso, quando é nomeado Todd Blanche, ex advogado pessoal de Trump, para Procurador Geral, que diz que não há mais nada para dizer sobre o caso, aparece esta a falar no assunto e a dizer que se ouçam as vítimas no Congresso...?

Estranho...

Claro que no meio da confusão reinante, 

  • depois de nas vésperas se ter estado à beira do fim da civilização persa, quiçá do fim do mundo, 
  • quando se discute se: 
    • os mercados vão arrefecer ou esquentar-se ainda mais, 
    • se o preço do petróleo vai disparar para níveis nunca vistos ou se o dito não vai mesmo escassear com as consequências daí advenientes, 
    • se as taxas de juro vão disparar e, consequentemente, enforcar parte dos devedores aos bancos, 
  • ou quando é denunciado o que andavam os submarinos russos a fazer ao largo do Reino Unido e que motivaram que a Marinha britânica mais a norueguesa e não sei quem mais tivessem que sair à cena e dizer a Putin que o vemos e sabemos o que anda a tramar, escoltando-os de volta,
  • ou quando sabemos que os terroristas da Casa Branca ameaçaram o Papa (o Papa!),
  • ou, ainda, quando observamoso oportunista J.D. Vance, esse vira-casacas alimentado à colher pelo perigoso Peter Thiel, por aí andar feito palhaço ambulante, ora a imiscuir-se nas eleições húngaras em defesa desse Órban que mais parece um ogre fedorento, ora agora a caminho do Paquistão para fazer o seu habitual papel de urso, 

aparecer a Melania, num aparente total despropósito, a falar de um tema que estava meio esquecido face às tormentas bélicas em que o marido se lançou, tema esse que o mesmo marido anda permanentemente a querer que seja posto para trás das costas, é daquelas coisas que deixa toda a gente de queixo caído e olhos arregalados. 

What the fuck...? 

Provavelmente ao longo desta sexta-feira saber-se-á alguma coisa mais desta desconcertante aparição: 
  • ou está para sair alguma novidade que a envolve e ela pensa que, com isto, neutraliza a questão, 
  • ou já percebeu que o marido -- na espiral de loucura desorbitada em que anda, ou por alguma notícia que vai sair que o vai incriminar de vez, e, por uma coisa ou por outra, ou pelas duas -- não vai aguentar-se por muito mais tempo e já está a querer demarcar-se dele, 
  • ou sabe, que mais dia menos dia, as vítimas de Epstein vão ser ouvidas no Congresso e, pelo sim, pelo não, está já a dizer que não é vítima pelo que nem passe a ninguém pela cabeça chamá-la a depor,
  • ou, então, em conluio com o desconchavado marido (embora digam que ele não sabia e que está desnorteado com isto), para ver se a malta se distrai do caldinho da guerra e da insubordinação que parece ameaçar as hierarquias militares, resolve desenterrar um assunto que sabe que inflama as redes sociais e distrai de tudo o resto, 
  • ou, então, é tão maluca como ele,
  • ou, na volta, está pelos cabelos com o estafermo do marido e resolveu, de propósito, enfernizada de todo, marafada até à raiz dos bem tratados cabelos, fazer uma coisa que o vai deixar em polvorosa,
  • ou, então, tudo ali está a descarrilar a grande velocidade e não há quem não se atraiçoe às claras e às escuras e quem não desembainhe espadas e facalhões contra uns e outros e contra quem calhar, e ela está já a dar o exemplo espetando uma naifada na aspirinada pança do maridinho,
  • ou, então, a malta alucinou toda de vez e já não há uma coisa, uma única, que faça sentido.
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'PORQUÊ é que ela disse estas coisas?': Nicolle reage ao discurso CHOCANTE de Melania Trump sobre Epstein

Depois de ter convocado a imprensa da Casa Branca esta tarde, Melania Trump fez um discurso inesperado negando qualquer relação com Jeffrey Epstein e apelando a uma audiência pública para as vítimas do financeiro desonrado. Para a análise, juntaram-se a Nicolle Wallace: Jackie Alemany, que acabou de falar com Trump, Luke Broadwater e o deputado Robert Garcia.


Nicolle sobre o discurso surpreendente de Melania: "Não acredito nisso... ela não se pronuncia sobre nada."

Nicolle Wallace comenta o discurso surpresa de Melania Trump sobre Jeffrey Epstein na Casa Branca, hoje de manhã. Charlie Sykes e Angelo Carusone participam na análise do Deadline White House.

Tenham uma boa sexta-feira, ok? 
E não fiquem também malucos com esta maluqueira toda que nos rodeia, está bem?

quinta-feira, abril 09, 2026

Sobre o que o estúpido que tem a memória e a cor de um peixe dourado e a sua turma de estúpidos andam por aí a fazer

 

Não há qualquer racional em nada do que se passa. Qualquer. Bola. Zero.

Durante uns tempos, nas empresas, estava na moda o 'racional'. Qual é o racional? Era a pergunta que se fazia. Não havia apresentação que não se estruturasse em torno do racional. Claro que, só por ser moda, já eu fugia a sete pés de usar a expressão. 

Mas agora, ao ver o desconchavo permanente, só me apetece dizer que aquilo a que se assiste é a coisa mais irracional a que já alguma vez se assistiu. Por muitas perspectivas pelas quais se olhe, não há qualquer racional.

Um fulano que nunca foi bom da cabeça e que agora, em cima do fraco intelecto e da distorção de personalidade, está demente ser o presidente dos Estados Unidos é daquelas coisas que, se fosse ficção, seria delirante.

Mas é verdade. Não é ficção. 

E tão perturbante como ver a democracia a ser destruída naquele país e o mundo a ser sugado por um buraco negro é ver como ainda há anormais, tão ou mais estúpidos que ele, que, por lá, por cá e por onde calha, continuam a apoiá-lo. E os que não o apoiam, republicanos não MAGA, mas que não mexem uma palha, por cobardia ou receio de perderem o poder, são igualmente deploráveis. Hoje vi que agora até ameaçaram o Papa. Como o Papa o tem criticado, estão furiosos e, como sempre, não param para pensar- Mas ameaçar o Papa? Onde é que já vamos? É que tantas fazem que já nem dá para acreditar. 

Esta história do cessar fogo que não é cessar fogo coisa nenhuma, é um arremedo de coisa em forma de assim, um conjunto de medidas que o Irão impôs e que o palhaço cor de laranja aceitou -- certamente sem sequer saber o que estava a aceitar, deserto que estava por sair da saia justa em que a sua cabeça desgovernada o tinha metido -- é mais um episódio da fantochada circense que aqui está armada. É que ainda poderia parecer que aquilo era uma coisa assim a modos que mais ou menos. Isto se nos abstrairmos do curioso facto de agora ser o agredido a mostrar que é quem manda, e o agressor, feito caniche que já só quer é ver se consegue abocanhar algum bocado de osso, por exemplo uma percentagem das portagens no estreito de Ormuz, a andar a toque de caixa. Foi à monda e saiu mondado. O pior é o criminoso Netanyahu, que vive de espalhar sangue e que se alimenta do pó da destruição, que não consegue parar de atirar mísseis. Não sei de onde lhe vem tanto dinheiro para tanto material de guerra nem sei como consegue manter-se incólume no meio da desgraça que tem trazido àqueles territórios -- mas isso são outros quinhentos, como sói dizer-se. Mas, portanto, enquanto uns quererem fazer crer que se deu um belo passo a caminho não se sabe bem de quê, está aquele assassino a mostrar que se está bem a marimbar para tudo o que não seja escaqueirar tudo à sua volta a ver se abocanha mais um bocado de terra. Um gémeo separado à nascença de Putin.

Mais uma vez, onde ouço as análises mais interessantes para o caos e para o bailinho que está globalmente armado é nas conversas entre Joanna Coles e o muito bem informado Michael Wolff. Esta conversa foi gravada na terça feira antes de Trump ter, de novo, e neste caso ainda bem, demonstrado que TACO. Mas toda a conversa é actual e muito reveladora de como tudo aquilo funciona.

O que é mais em cima do acontecimento e igualmente imperdível é a reacção de Jimmy Kimmel, gravada já depois de Trump ter enfiado o rabo entre as pernas (vamos ver por quanto tempo, que aquilo ali, bicho maluco, cruel e desencabrestado, nunca será de fiar). Divertido, certeiro, implacável, assim é sempre Jimmy Kimmel. Não admira que Trump o odeie. Mas com as raivinhas de Trump pode ele bem. Começo por partilhar a sua intervenção sobre o Dia-D de Trump, D de Demência, claro.

Trump acobarda-se (chickens out) depois de ameaçar toda uma civilização com a morte, e até os lunáticos o acham louco.

Hoje foi o prazo final dado por Trump para o Irão abrir o Estreito de Ormuz ou ser bombardeado. Publicou esta manhã que, se não concordassem, "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta". Felizmente, era terça-feira de tacos e ele decidiu não abandonar a chalupa durante pelo menos mais duas semanas. Ninguém parece fazer ideia de qual é o plano dele. Alguns membros proeminentes da comunidade de lunáticos estão a pedir a sua remoção através da 25ª Emenda. Lindsey Graham participou no programa de Hannity para dar o seu total apoio à guerra. Bill Gates e Howard Lutnick foram intimados a depor perante a Comissão de Supervisão da Câmara sobre Epstein. O Procurador-Geral interino, Todd Blanche, falou sobre se gostaria ou não do cargo a tempo inteiro. Trump falou com a tripulação da Artemis II e o congressista Tim Burchett disse ao TMZ que viu provas de vida extraterrestre. E JD Vance tem aprimorado as suas capacidades de oratória e comédia!

E agora o Daily Beast, a impagável dupla Joanna Coles e Michael Wolff, Dentro da Cabeça de Trump

O verdadeiro motivo pelo qual Trump nunca irá recuperar: Wolff | InsideTrump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles enquanto Donald Trump intensifica o seu bluff mais perigoso até à data, ameaçando a destruição a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial, encurralado por uma guerra que prometeu nunca iniciar. As ameaças tornam-se mais elevadas à medida que as opções diminuem: o Irão aperta o cerco ao estreito de Ormuz, a instabilidade global do petróleo aumenta e o presidente do "não às guerras intermináveis" vê-se preso na guerra que ele próprio iniciou. Wolff defende que o caos é agravado por um círculo cada vez mais reduzido de apoiantes leais, desprovidos de poder de decisão, um nervoso JD Vance a estar discretamente posicionado para absorver a culpa e um mundo pró-Trump já a preparar-se para as consequências políticas. Wolff sugere que este é provavelmente o início do seu fim: um presidente que intensifica as ameaças porque está encurralado e uma base dividida a clamar por rebelião.
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E, se vos apetecer desanuviar, aconselho-vos a descer um pouco mais. 
Quando duas mulheres inteligentes se põem à conversa o melhor a fazer é ficar a ouvir

quarta-feira, abril 01, 2026

A democracia não é um substantivo, é um verbo

 

Vou ao supermercado e, quando vejo a conta, fico sempre espantada, a admitir que alguma coisa passou várias vezes ou com o preço muito errado. E, quando verifico, confirmo: aqueles preços estão todos errados, altos demais. De uma semana para a outra verifico que alguns produtos deram um salto. Não compro artigos de luxo ou desnecessários e, no entanto, a conta é exorbitante. Só penso nas pessoas com famílias grandes a seu cargo, nas pessoas com fracos rendimentos. A vida vai tornar-se mais difícil. Quando atestamos o depósito, o valor assusta. Poderíamos usar menos o carro, claro. É a recomendação inteligente da UE e de toda a gente que antevê o que ainda aí vem. Mas nem sempre os transportes vão onde queremos ou, se vão, podemos levar uma hora ou mais em mudanças de autocarro pois daqui não há transportes directos para os lugares que frequentamos habitualmente e, de carro, são quinze minutos. De qualquer forma, seria inteligente que o nosso governo começasse a fazer campanhas vigorosas  para incentivar o uso de transportes públicos. Poderá haver uma altura em que, em algumas famílias, o comodismo terá que ser posto de lado em favor do equilíbrio financeiro.

O tema da inflação e do ajustamento das taxas de juro vai ser um garrote para muita gente e, tanto mais, quanto mais esta crise durar e, ainda mais, para quem tem compromissos bancários em curso. Ainda ontem, no texto que escreveu, o meu marido referiu que grande parte dos empréstimos bancários contraídos nos últimos tempos implicam uma taxa de esforço da ordem dos 40 a 50%. Aumentando a taxa de juro, ainda mais difícil será o dinheiro chegar para a prestação e para o resto. Já para não falar em que a maioria dos empréstimos entalam os contraentes até aos 70 anos. Um disparate. É com endividamentos assim que, de vez em quando, ao subirem as taxas de juro, rebenta a bolha imobiliária e muita gente fica apeada, sem casa.

Vamos ver como vai o governo ajudar as famílias. Para já, muito aquém do que Pedro Sanchéz fez.

Trump meteu-se numa ratoeira sem saber ao que ia. Um idiota à solta, cheio de poder e rodeado de idiotas lambe-cus é um perigo maior do que se pode imaginar.

Ao fim de um mês, dizem que está farto da guerra, que já não tem saco para aquilo. Era para ser uma excursão de poucos dias, chegava lá, atirava uns tiros, sacava o Ayatola, e já estava. Segunda obliteração. Sucesso fantástico, o maior sucesso de sempre. Afinal, pelo contrário, percebe que aquilo está tudo ensarilhado, os generais a quererem explicar-lhe coisas... e ele sem pachorra. Não tem paciência para se manter muito tempo agarrado ao mesmo assunto, muito menos de gaitadas que dão para o tordo, fica furioso, enraivecido com os vídeos que os iranianos todos os dias soltam a gozar com ele, chamam-lhe looser, falam nas suas fraldas, riem das suas mentiras ridículas. Ora ele não quer ouvir isso, quer é falar do salão de baile, janelas muito grandes, cortinados dourados, tudo dourado, ou pôr-se velhacamente a caminho de Cuba, mais um país conquistado, mais um sucesso, ou mostrar o projecto megalómano da agora inventada torre-biblioteca Trump em Miami, gigante, vidros, dourados, o nome dele em dourado a quase toda a altura. 

Entretanto, para ver se pega, e junto dos broncos da MAGA pega com certeza, agora diz que já mudou o regime do Irão, que já matou uma rodada deles, depois outra rodada, que já não há lá ninguém que mande, que assim é que ele gosta, e que já obliterou a armada, a artilharia, a aviação, tudo obliterado. Todo um regime que, segundo ele, já foi à vida. E que também não precisa do Estreito de Ormuz para nada, quem precise de petróleo que lá vá buscá-lo, que ele se está bem a caguar para isso (note-se: caguar, com u, que sou moça fina). Nem precisa da NATO, a NATO é um tigre de papel, diz que é ele e o seu bro Putin a acharem isso. Portanto, NATO também ao fundo, e ainda poupa dinheiro que se farta. Portanto, por ele está feito. Só vitórias. Vitórias duplas, triplas, huge vitórias, vitórias nunca vistas

Só que não. 

Só que vai ter uma surpresa: os iranianos vão deixar barato o estrago que ele fez. O que ele destruiu levará anos a ser reconstruído. E os iranianos querem que seja ele a pagar. E, depois, o fluxo de mercadorias, incluindo o petróleo, foi interrompido de forma crítica. Vai levar tempo a repor a normalidade da situação. É como depois de resolvido um acidente: passado muito tempo ainda o trânsito não escoou. O efeito de acumulação é tramado (a matemática dá uma ajuda a explicar isso). E depois há as mortes que o Irão já anunciou que vai querer vingar. Mártires para serem vingados é o que agora não falta. Portanto, mesmo que o idiota cante vitória e dê de frosques, as coisas continuarão ensarilhadas, a diversos níveis, por muito tempo.

E depois, ao mesmo tempo que dá mostras de se querer pirar de qualquer maneira, Trump, só para baralhar um pouco mais, ameaça que vai praticar toda a espécie de crimes de guerra, destruindo instalações indispensáveis à vida. Não tem vergonha na cara, não tem respeito pelos tratados internacionais (que nem conhece, acho eu), não tem tino. E, pior, não há gente com cabeça que o puxe para a razão -- secou tudo à sua volta, só restaram idiotas, tarados, radicais musculados e descerebrados, bêbados, tóxicómanos.

Ou seja, não há dia em ele não prove à saciedade que é um idiota que alguém deveria enfiar numa camisa de forças e levá-lo, à força, para uma qualquer casa de doidos. 

Antes desta estúpida ofensiva do idiota Trump, o Estreito de Ormuz estava aberto, os mercados estavam estáveis. Depois de milhares de mortes e de uma destruição tresloucada, tudo se estragou. Foi o que o idiota conseguiu.

E depois há Israel. Netanyahu sabe que andou a cutucar a fera com vara curta. O que fez, vai sair-lhe caro. Israel vai querer fazer ao Irão o que está a fazer em Gaza e ao Líbano, varrer tudo, não deixar pedra sobre pedra. Quem é que o vai parar?

Pode ser que um punhado de pessoas inteligentes e bem intencionadas, decentes, não corruptas, não egocêntricas, se junte e engendrem uma solução de compromisso para tentar recompor minimamente o que foi tão estragado. Só me ocorrem aquelas anedotas: um chinês, um alemão e um alentejano juntam-se e ... (e é sempre o alentejano que tem a saída mais prosaica embora aparentemente mais parva). Adiante. É que o drama é que, falando a sério, não se está a ver bem quem, como, quando. Mas era bom.

Seja como for, numa salganhada destas, com um caldo entornado desta boa maneira, vai levar muito tempo a repor a anterior normalidade. E há muitos danos colaterais. Por exemplo, a Rússia a ganhar pipas de massa com o aumento do preço do petróleo fica com folga orçamental para continuar a massacrar a Ucrânia. Ou Israel, no meio desta confusão toda, aproveita para se radicalizar ainda mais, voltando à pena de morte, desta vez selectiva. Uma cambada desencabrestada.

Pasmamos com tudo, isto pois, pelo menos eu, na minha inocência, sempre julguei que as democracias tinham mecanismos de defesa. Não têm. Em pouco tempo, Trump demonstrou que pode fazer o que quer sem que ninguém o consiga impedir.

Tal como Putin o fez. Tal como Netanyahu. Fazem o que querem. O mundo assiste, impotente. A democracia é frágil. Não é um bem adquirido. Tem que ser regada, alimentada, cuidada, protegida, defendida. Quando se descura isso, é o que se vê: abre-se a caixa de Pandora de onde saltam monstros, demónios, bicheza maligna de toda a espécie.

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Mais uma vez, Joanna Coles conversa com quem conhece por dentro a sociedade e os meandros do poder americano, David Rothkopf. É muito interessante e elucidador ouvi-los. Com a graça de que, como inteligentes que são, têm um sentido de humor delicioso.

Recomendo, vivamente, que vejam o vídeo.

Eu sei porque Trump continua a cometer erros: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf e Joanna Coles analisam uma semana de crescente tensão global e caos político, desde protestos em massa nos Estados Unidos à perspectiva muito real das tropas norte-americanas em solo iraniano, enquanto os especialistas alertam que a situação pode agravar-se rapidamente. Rothkopf oferece uma avaliação mordaz do estilo de liderança de Trump — guiado pela perceção em detrimento da estratégia — enquanto Coles destaca os riscos de rodear o poder de inexperiência e ego. Juntos, ligam os pontos entre a história, a realidade militar e as decisões perigosas que se desenrolam em tempo real, expondo porque é que as ameaças isoladas raramente funcionam e como este momento pode remodelar o papel dos Estados Unidos no palco mundial. É uma conversa perspicaz, com um humor ácido e profundamente sóbria, que culmina numa conclusão arrepiante sobre o que pode acontecer a seguir.


Como o vídeo é um pouco longo, caso queiram ouvir alguns pontos em específico, deixo o link (nos minutos) para esse ponto, directamente no youtube.

00:00 - Abertura Brutal: “Gabinete de Idiotas”
03:03 - Protestos Massivos e um Alerta para a Democracia
06:08 - Porque é que a Democracia é “Um Verbo”
08:02 - Trump, a Verdade Social e as Ameaças do Irão
11:05 - O Perigoso Plano do Urânio Explicado
14:45 - Porque é que os Especialistas Temem uma Guerra com o Irão
18:04  - Corrupção, Acordos e Questões sobre Kushner
21:05 - Religião, Guerra e a Controvérsia de Hegseth
24:17 - Porque é que Trump Promove a Incompetência
27:03 - Trump é Realmente Estratégico?
30:30 - O caos no FBI e o ataque hacker a Kash Patel
33:06  - "Vermes Cerebrais" e críticas ao Gabinete
35:12 - Riscos Globais e o Estreito de Ormuz
36:41 - Americanos reais a sentir o impacto
39:04 - Sinais de alerta económico aumentam
41:15 - China, IA e os EUA a ficarem para trás
42:34 - A expansão extravagante da Casa Branca de Trump
45:10 - Bilionários, poder e influência
47:19 - A vida depois de Trump: o que se segue
49:09 - Agradecimento aos ouvintes e comunidade
50:43  - Porque é que este podcast ressoa
51:24 - Considerações finais e o que vem aí

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Desejo-vos um dia bom

terça-feira, março 31, 2026

Todos os dias uma novidade... e cada uma mais maluca que a anterior...

 

Não estou obcecada, estou é preocupada. Os preços a dispararem, e não se sabe até que níveis, e não se sabe se não vai haver mesmo escassez, os juros a subirem, muita gente com a corda na garganta... e sem perspectivas de até quando e sem se conseguir antever o nível de gravidade que tudo isto pode atingir.

Não me parece razoável que alguém se mantenha alheado do que está a passar-se.

Imagine-se que os jovens que Trump quer enviar não se percebe para quê, se para ocupar a ilha de Kharg se para lá ir roubar petróleo (e qualquer das situações se traduzirá numa matança), são da nossa família, os nossos filhos, os nossos netos. Gostaríamos que, à nossa volta, as pessoas se mantivessem indiferentes? 

E o grave não serão apenas os mortos: será a violência dos ataques seguintes e as consequências cada vez mais brutais.

E isto seria mau se fosse o plano de um estratega, de um imperialista racional. Agora imagine-se o que é isto nas mãos de um maluco que devia estar internado.

Hoje soube que os briefings diários de Trump, levados a cabo pelos militares constam de vídeos de cerca de dois minutos em que, basicamente, se vêm coisas a irem pelos ares.

E ele, ao ver aquela 'fúria épica', delira e fica furioso por a comunicação social não se fazer eco de tantos feitos.

Hoje também ouvi um editor do Finantial Times falou com ele ao telefone e que ele lhe perguntou se devia invadir a ilha ou ficar-lhes com o petróleo. O jornalista disse que não lhe competia a ele dizer mas que achava que não ia ser fácil, ao que Trump respondeu que não, que ia ser fácil. Assim, toma aquele maluca as decisões.

Uma loucura.

As autoridades norte-americanas dizem que Trump recebe informações sobre a guerra com o Irão através de montagens de vídeos de ataques

Três responsáveis ​​norte-americanos em funções e um antigo funcionário afirmam que as Forças Armadas dos EUA compilam montagens de vídeo de ataques a alvos iranianos para apresentar ao presidente Donald Trump. Courtney Kube, da NBC News, relata como estes vídeos preocupam alguns aliados de Trump, que temem que este não esteja a receber uma visão completa da operação.

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Trump admite secretamente que seu principal capanga 'é louco' | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles exploram um período caótico em que os impulsos de Donald Trump colidem com consequências globais, revelando um presidente movido menos por estratégia e mais por instinto, ego e controle da narrativa. Desde contradizer abertamente sua própria posição sobre o voto por correspondência até colocar seu nome na nota de dólar, Wolff e Coles identificam um padrão de comportamento que prioriza domínio e atenção em vez de consistência.

À medida que a guerra com o Irão entra em uma fase volátil sem um objetivo claro, Wolff argumenta que nunca houve um plano real — apenas improvisação que agora se transforma em risco — enquanto Coles investiga se existe uma lógica oculta nos bastidores ou apenas confusão disfarçada de bravata.

A conversa se aprofunda na dependência de Trump em contar histórias para sobreviver a danos políticos, sua fixação em ressentimentos com a aproximação das eleições de meio de mandato e as fissuras crescentes em seu círculo íntimo, desde a instabilidade de RFK Jr. até dúvidas crescentes sobre figuras-chave responsáveis por executar políticas.

sexta-feira, março 27, 2026

Canetas e etc. -- temas que verdadeiramente interessam ao Presidente dos Estados Unidos a meio de uma guerra absurda que está a dar cabo do mundo



Penso que Michael Wolff é dos que melhor interpreta o que está a passar-se: tudo se passa dentro da cabeça de Trump, uma cabeça demente. Incoerente, não-sequencial, sem-filtro, inarticulado, em suma, um idiota -- assim ele descreve Trump. 


Trump, o representante dos estúpidos, aquele em quem os estúpidos se reveem, aquele que, segundo os estúpidos, diz o que tem a dizer. Claro que só diz coisas estúpidas mas isso é o que os estúpidos compreendem.

Portanto, tratando-se de um idiota e, ainda por cima, demente, nada faz sentido para as pessoas que se colocam num plano lógico e racional. Tudo o que ele faz é função do que lhe apetece naquele instante, e, sobretudo, do que ele acha que pode beneficiá-lo. Além disso, a sua grande motivação é conseguir a atenção sobre si próprio, é garantir audiências, é um entertainer. Acontece que, além disso, é um narcisista, facilmente adulado e, logo, manipulado. Isto para não falar que, com o seu historial, deve haver infinitas provas cabeludas contra ele e, logo, deve haver muito menino que o tem na mão, que o chantageia sempre que convém. 

Portanto, haver um presidente dos Estados Unidos com estas características é um problema gigante para o mundo. Uns dias diz uma coisa, a seguir diz o oposto, não ouve ninguém a não ser os que o adulam, não se informa, não tem paciência para briefings ou relatórios, chegam a duvidar que consiga ler mais que duas linhas de seguida, mete-se nas coisas sem saber ao que vai, a coisa dá para o torto e ele parece nem perceber que o que correu mal é fruto dos seus actos, ofende e humilha e depois acusa os ofendidos e humilhados de não acorrerem ao que ele pede quando, além disso, ele não pede, ele exige, ele ameaça, ele insulta. E tudo como se não fosse nada com ele. Se o palco o permite dá o espectáculo do costume, engrossa a voz, diz mentiras, lança insinuações, volta aos temas pelos quais é obcecado, diz mal de Biden, diz que o roubaram nas eleições de 2020, diz mal de Gavin Newson, e, daí, passa para o salão de baile, e, desta vez, na reunião geral do Gabinete, passa para o magno tema da caneta. Uma caneta fantástica. Acresce que, geralmente, quase tudo o que diz é mentira. E, en passant, insulta Jerome Powell por quem tem um ódio monumental. Poderia ser um filme cómico mas ninguém acreditaria num personagem tão demente.

Trump diverte o gabinete com uma digressão épica sobre canetas Sharpie, canetas de mil dólares e Jerome Powell.

Durante uma reunião de gabinete, Trump começou subitamente a contar uma história bizarra sobre canetas — como quando se tornou presidente, as canetas custavam mil dólares, mas trocou-as por canetas de 5 dólares. Desde marcadores Sharpie a anedotas presidenciais, isto é o Trump clássico em ação.

sexta-feira, março 20, 2026

‘Cenário apocalíptico’ - refere o Guardian*.
Para o compreender, ouçamos o que Joanna Coles e Michael Wolff têm a dizer sobre o que se passa dentro da cabeça de Trump e ouçamos também o que Jon Kent e Tucker Carlson, duas pessoas que muito o apoiaram (e conhecem tudo o que se passa) têm a dizer sobre o assunto

 

Aquilo a que se assiste no Médio Oriente é de loucos. O que poderia temer-se que acontecesse, está a acontecer: um doido varrido ao leme dos Estados Unidos. O meu marido desta vez não anda tão pessimista como eu, acredita que ele vai perceber que tudo lhe pode correr mal demais e, ao mesmo tempo, fartar-se, e um dia destes decidir que se vêm embora do Irão pois, segundo apregoará, já não haverá lá mais nada para fazer: Já ganhei, já obliterei tudo de vez, sou o maior - dirá. Eu não tenho essa perspectiva pois receio que ele esteja demasiado na mão do criminoso Netanyahu e não seja tão simples assim dar de frosques. Além disso, mesmo que recue, já causou danos tão extensos e tão irreversíveis que as consequências económicas, políticas e sociais se farão sentir de forma muito impactante nos próximos tempos.

Acresce que ele não é apenas maluco. É também cruel, destituído de arrependimentos. As coisas de que já foi acusado, os casos conhecidos em que já esteve envolvido (e os casos de que talvez ainda nem saibamos) e as vinganças que exerce sobre as pessoas que lhe fazem frente ou que o fazem sentir encurralado são de fazer temer o pior. É destituído de autoconsciência e de princípios. E está maluco.

Tenho lido e ouvido vários testemunhos e várias opiniões. Aliás, os dissidentes da sua base de apoio começam a aparecer e a falar, ou melhor, a pôr a boca no trombone, e, à medida que se vão sabendo mais episódios, mais é de se ficar preocupado. É certo que em Novembro há as intercalares e, com certeza perdê-las-á (a menos que consiga impedir as eleições) -- mas daqui até Novembro é muito tempo e, ao ritmo a que ele inventa novas parvoíces, pode dar cabo do mundo de vez.

Uma das opiniões que gosto de escutar, porque me parece que faz sentido e porque as vejo corroboradas por acontecimentos posteriores, é a de Michael Wolff, quer nos seus vídeos curtos no Instagram quer no podcast Inside Trump's Head, no The Daily Beast, com a Joanna Coles. Diz ele que todas as decisões são tomadas por Trump sem ouvir conselheiros. Ou melhor, ouvindo apenas o que lhe interessa ouvir. Portanto, para compreender o que está a passar-se, o melhor é perceber como funciona a cabeça (disfuncional) dele. E eu concordo. 

E reparemos: no meio de uma guerra como esta, ele continua feliz e bem disposto, brinca com aviõezinhos na Sala Oval, diz inconveniências que são mais do que de mau gosto, mas que diz como se fossem piadas, à Primeira-Ministra do Japão, e, no reality show que são as sessões contínuas na Casa Branca, diz que vai tomar conta de Cuba, e diverte-se a pronunciar a palavra Cu-Bá, e a seguir já andam a fazer saber que vão divulgar documentos secretos sobre extraterrestres... ou seja, continua a ser a festa do costume, uma produção permanente de conteúdos. O que sai daquela cabeça não é nada pensado, sopesado, consistentes, avaliado à minúcia. Não. Nada disso. É o que lhe dá na gana sem se preocupar em ser coerente. 

Por isso, não será má ideia tentar perceber como funciona aquela cabeça preenchida por poucos e fracos miolos. O caos, a confusão, as traições, a influência desmedida do genro, Jared Kushner, a descoordenação que chega a ser ridícula, o nível de anedota é demais, parece impossível.  Note-se que a Joanna Coles volta e meia desata a rir e ele também... e eu também. Não será caso para rir mas, na realidade, é difícil levar a sério. O pior são os mortos, é a destruição e as consequências da porcaria que ele anda a fazer.

Abaixo dos dois vídeos entre eles, há uma outra conversa que é de nos deixar muito apreensivos. Jon Kent, ex muito apoiante de Trump, responsável pela Unidade de Contraterrorismo demitiu-se sonoramente, batendo com a porta, publicando uma carta e dando uma entrevista a Carlson Tucker, outro ex-fiel e ex-alto propagandista de Trump. E as revelações queimam: não apenas não havia motivos para atacar o Irão (o que já é mais que óbvio para toda a gente), não apenas andam a matar alguns dos iranianos que poderiam servir de ponte para uma negociação, como há meses que os israelitas andam a pressionar para atacar o Irão (aliás, há muitos anos, mas agora reportando-nos apenas ao 2º mandato de Trump), tendo sido afastados todos os conselheiros e especialistas em segurança que avisavam para não o fazer... e ainda outros assuntos aparentemente não relacionados como o assassinato de Charlie Kirk, ficando no ar a suspeita de que houve mão israelita (ou mais que isso?) porque Kirk andava a mijar fora do penico israelita, e que, sabe-se lá porquê, a investigação foi bloqueada. Isto dito pelo responsável pelo Contraterrorismo. Muita coisa é ali dita. A entrevista é longa mas vale a pena ouvi-la. Creio que vai lançar estilhaços em muitas direcções.

Mas, primeiro, a dupla Michael Wolff e Joanna Coles (já sabem: caso não consigam acompanhar bem o que eles dizem, podem activar a legendagem automática)

Eu sei porque é que a presidência de Trump está condenada ao fracasso: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles precisamente quando a demissão repentina de um alto funcionário antiterrorista devido à guerra no Irão expõe fissuras dentro da própria coligação de Trump. Com figuras do movimento MAGA a virarem-se contra o conflito, mesmo enquanto Trump insiste que está a "obliterar" a capacidade militar do Irão, Wolff explica a lógica direta que orienta o pensamento de Trump: se os generais disseram que a obliteração era possível, então a missão deve estar a funcionar — mesmo com a ameaça de disparar os preços do petróleo, o regime iraniano aparentemente mais entrincheirado e o presidente preso no clássico dilema de uma guerra que não pode vencer nem sair facilmente. Analisam também a estranha insistência de Trump de que um antigo presidente dos EUA elogiou em privado a sua estratégia para o Irão, as disputas silenciosas pelo poder entre Marco Rubio e J.D. Vance, a crescente influência de Jared Kushner na política do Médio Oriente e porque é que a próxima fase da presidência de Trump pode parecer familiar: a procura de alguém — qualquer um — para culpar.



A verdadeira razão pela qual Trump perdeu a cabeça com um aliado importante: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles mergulham no caos crescente dentro do universo de Trump, à medida que a guerra com o Irão expõe uma verdadeira guerra civil entre os apoiantes de Trump. Tucker Carlson, Megyn Kelly e Nick Fuentes confrontam-se com Ben Shapiro, Laura Loomer e Mark Levin numa disputa renhida sobre Israel, o anti-semitismo e o futuro do movimento. Wolff revela informações chocantes dos bastidores sobre as correntes conspirativas que impulsionam a base de Trump, a crescente crença de que forças obscuras estão a dirigir a política externa dos EUA e como figuras como Jared Kushner estão a ser reinterpretadas em narrativas sombrias e perigosas. Enquanto Trump se atrapalha num conflito que nunca planeou, marginalizando os seus próprios aliados do "America First" e abraçando os falcões tradicionais, o episódio retrata um movimento a fragmentar-se em tempo real — onde a ideologia, o oportunismo e o ressentimento colidem, e onde a batalha pelo controlo do MAGA pode remodelar a política norte-americana de formas que poucos previram.

E agora, os dois ex-grandes apoiantes de Trump que agora estão em acelerada divergência, sobretudo revoltados com a total e dominante influência de Israel:

Joe Kent revela tudo na sua primeira entrevista desde que se demitiu do cargo de diretor de contraterrorismo de Trump -- com Tucker Carlson

Joe Kent é antigo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo e principal conselheiro do presidente para assuntos terroristas. Serviu durante 20 anos no Exército dos EUA, com 11 missões de combate a combater redes terroristas no 75º Regimento de Rangers, nas Forças Especiais do Exército e no Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA, tendo recebido seis Estrelas de Bronze. Joe é também marido de uma militar condecorada com a Estrela de Ouro. A sua primeira mulher, a Suboficial Chefe da Marinha Shannon Kent, também serviu no Exército e foi morta em combate contra o Estado Islâmico na Síria em 2019.


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Esperemos que os tempos de paz e de esperança, como que por milagre, regressem ao mundo

domingo, março 15, 2026

Dias de chumbo

 


Só espero que França, Inglaterra, a Bélgica ou qualquer outro país europeu não caiam na esparrela de enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz sob a chantagem de Trump. A situação é crítica e podemos estar em vias de enfrentar graves disrupções de abastecimento, mas, ainda assim, não faz sentido enviar carne para canhão para alimentar o desvario de Trump e dos outros palhaços que o rodeiam, mormente o bronquésimo Pete Hegseth. É deixá-lo provar o veneno que ele próprio se gaba de espalhar. Não é ele que diz que vai continuar a atirar, nem que seja pela piada de o fazer? Trump says US may strike Iran’s Kharg Island oil export hub ‘just for fun’. Sem ajuda talvez o demente narcisista perceba que tem que recuar. Embora, mesmo que um dia capitule, nada apagará o estrago, o irreparável estrago, a todos os títulos irreparável, que já causou. Criminoso.

Igualmente só espero que os cobardolas europeus, incluindo Montenegro (não esquecendo o Rangel, verdadeira chicken), que não souberam demarcar-se do demente presidente dos Estados Unidos -- que, pela mão do assassino Netanyahu --, lançou esta guerra estúpida, desnecessária e de gravíssimas consequências, sigam o exemplo de Giorgia Meloni. Se todos os europeus, a uma só voz, se demarcassem, alto e bom som, de Trump, tal como se demarcaram de Putin (e não falo de Órban pois há mais marés que marinheiros e tenho esperança que a Hungria um destes dias se veja livre dele), talvez Trump pensasse duas vezes antes de se meter em alhadas. Mas, mesmo que não pensasse (porque já se viu que é cavalgadura pouco dada a pensamentos), talvez os congressistas tomassem mais alento para avançar para o que deve ser feito. Avançar ASAP -- antes que seja tarde demais (se é que já não o é). 

Só espero também que a União Europeia, atordoada com a irrelevância com que é olhada pelos facínoras que parecem estar na crista da onda, não ceda à tentação de se juntar aos piores com receio de ser ainda mais irrelevante. É que, volto a dizer, há mais marés que marinheiros e, um dia, talvez não muito distante, pelo menos assim o espero, os que agora parecem estar na crista da onda estarão sob ela, a estrebuchar para sobreviver. Tenho para mim que, uma vez que não há mal que sempre dure, não tarda muito o dia em que toda esta horrenda corja estará na prisão, enfrentando, no mínimo, prisão perpétua.

Penso muitas vezes, naqueles momentos em que a minha veia de optimista e de sonhadora tentam levar a melhor, que talvez, das brumas, venham a surgir aqueles que, em conjunto, vão saber travar esta deriva bélica e suicidária e restaurar os maravilhosos tempos de paz de que nunca mais deveríamos abdicar. Mas onde um Churchill, um de Gaulle, um Roosevelt? Onde os estadistas que sabem subir um degrau e pensar no mundo, pensar no futuro, pensar no bem da humanidade?

Quando vejo que Melania (que, com um desplante inaudito se gaba do que não é, descrevendo-se a ela própria como 'uma visionária'), que, ao fim de não sei quanto tempo a viver nos Estados Unidos ainda não sabe falar um inglês escorreito e que não tem quaisquer credenciais ou competências, presidiu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e que os representantes dos outros países aceitaram fazer parte daquele circo, ou que Trump envia como seus representantes para negociar a paz noutros países, mormente naqueles em que se coloca ao lado do agressor, (ou, melhor, para negociar de reconstrução pós guerra) o genro e um outro pato bravo e ninguém se recusa a reunir com aqueles dois descredenciados, fico desconsolada de todo. Não há quem se erga, saia da sala e diga que já chega de palhaçada?

Sempre fui furiosamente contra tudo o que vagamente se assemelhasse a teorias da conspiração. Se há uns tempos me viessem dizer que, na volta, Trump anda a toque de caixa do Netanyahu ou do Putin porque estes o têm agarrado pelas goelas, quiçá pelos testículos (pois, segundo dizem, basta um apertãozinho menos cuidadoso para já doer), porventura porque têm provas irrefutáveis que o conduziriam de imediato à prisão, eu diria que não me viessem com cantigas. Agora, depois de tudo o que se tem vindo a saber na sequência da libertação dos ficheiros Epstein e na sequência do que muitos ex-apoiantes de Trump, nomeadamente de congressistas e ex-congressistas e alguns dos mais sonantes vultos do podcast político americano, têm vindo a divulgar sobre o poder de Israel sobre o Congresso, já não digo a mesma coisa.

Também não me tinha apercebido da influência brutal, do verdadeiro poder manipulador e mesmo estrangulador, que os grandes bilionários deste mundo, talvez em especial os das tecnológicas que dominam as redes sociais, a inteligência artificial e os grandes conglomerados da informação têm sobre a condução dos destinos do mundo.

A minha visão do que se passa é hoje menos inocente e, logo, mais preocupada. Aquela imagem de que somos meros peões num jogo de que mal conhecemos as regras está hoje muito marcada em mim. Hoje sei que estamos indefesos. E, pior, sei que mais depressa se atacam e deixam morrer os indefesos do que alguém mexe uma palha para impedir os agressores de continuarem a espalhar o mal. E sei que esse mal existe tantas vezes por nada, a troco de nada, a troco de parvoíces, de desvarios, de imaturidades. 

Salva-me deste estado de espírito (talvez um realismo que chegou tardiamente à minha vida) a capacidade de me alhear, de me encantar com os musgos, com os líquenes, com as flores, com o canto dos pássaros, com as folhinhas que nascem pela primavera. Ia acrescentar: e com os meus meninos. Mas não é verdade. Preocupo-me com eles, preocupo-me cada vez mais. Em que raio de mundo estão a entrar agora que são adolescentes ou a caminho disso? Tanto que eu desejava para eles um mundo de paz, de fraternidade, de prosperidade. E, afinal, o mundo está cada vez mais perigoso, mais pejado de falsidades, de manipulações, de inimizades, menos inclusivo, mais egoísta, mais enraivecido, mais brutal. Preocupo-me, pois, sempre que penso neles, e penso tanto.

Mas, enfim, coração ao alto. É madrugada, a casa está silenciosa. Pelo menos, por aqui os mísseis não rasgam os céus e, por isso, devo dar-me por contente. E amanhã voltarei a andar pelos campos à procura de flores, de rebentos, de bagas para olhar por dentro, para fotografar. E isso é bom.

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Desejo-vos um feliz dia de domingo

quinta-feira, março 12, 2026

Trump compra sapatos para os seus totós amestrados e eles têm medo de não os usar, incluindo o Mark Rubio a quem os sapatos ficam a chinelar

 

Não foram os mortos, os estropiados, os deportados, os que ficam sem casa e sem família, os que ficam desempregados, os que ficam sem apoios a nível social ou de saúde ou de alimentação e todos os demais que se incluem entre as inúmeras vítimas da crueldade e da estupidez exacerbada de Trump, e tudo isto poderia ser um filme cómico.

Já tinha visto nas redes sociais mas, como sempre que vejo coisas parvas demais, desconfio que sejam fake news e mantenho-me de bico calado. Infelizmente, nestes desgraçados tempos, a realidade anda a ultrapassar a ficção pela esquerda, pela direita, por cima e por baixo.

Quando o Guardian confirma, eu rendo-me: é mesmo verdade. Transcrevo:

Segundo os relatos, Trump presenteia os membros do gabinete e os visitantes da Casa Branca com sapatos Florsheim.

Alguns funcionários do governo queixam-se de ter de usar calçado de qualidade inferior em vez dos seus modelos de luxo favoritos.

Sentado atrás da secretária Resolute, Donald Trump fixou o olhar nos pés de JD Vance e de Marco Rubio. “Marco, JD, vocês têm uns sapatos s—xy”, disse o presidente dos EUA, consultando um catálogo e perguntando o número que calçavam. Rubio disse 11,5 e Vance 13. Trump recostou-se na cadeira e comentou: “Dá para perceber muita coisa sobre um homem pelo número do sapato.”

A história é relatada numa reportagem do jornal The Wall Street Journal que conta como responsáveis, conselheiros e aliados visitantes estão discretamente a adquirir sapatos de couro oferecidos por Trump, que lhos apresenta com o entusiasmo de um vendedor ambulante.

Reuniões do gabinete, almoços e passagens pelo Salão Oval podem transformar-se subitamente em conversas sobre calçado.

“Recebeste os sapatos?”, pergunta ele aos colegas, segundo várias pessoas familiarizadas com o ritual citadas pelo jornal. Alguns chegaram mesmo a experimentá-los no Salão Oval.

Uma funcionária da Casa Branca comentou com ironia: “Todos os rapazes os têm.” Outra acrescentou: “É hilariante, porque toda a gente tem medo de não os usar.” (...)

Donald Trump, agora com 79 anos, terá começado no ano passado a procurar algo mais confortável para usar durante os longos dias de trabalho no cargo. Depois de se decidir pelos sapatos da Florsheim, começou também a encomendar pares para outras pessoas. Segundo a Casa Branca, ele paga os sapatos do próprio bolso.

Marco Rubio e JD Vance receberam os seus Florsheim depois de uma reunião em dezembro no Salão Oval. Membros do governo como Pete Hegseth e Howard Lutnick também passaram a fazer parte do “clube”, assim como os comentadores conservadores Sean Hannity e Tucker Carlson e o senador republicano Lindsey Graham.

Diz-se que um membro do governo se queixou em privado de que o presente presidencial o obrigou a aposentar os seus sapatos preferidos da Louis Vuitton — embora poucos pareçam dispostos a arriscar ofender o chefe deixando os Florsheim por usar.

O presidente desenvolveu até um pequeno truque de salão: adivinhar o número de sapato das pessoas. Quando fica satisfeito com o palpite, instrui um assessor a fazer a encomenda. Uma semana depois, chega à Casa Branca uma caixa castanha, por vezes com uma assinatura ou uma breve nota de agradecimento de Donald Trump, relata o The Wall Street Journal.

O hábito tornou-se tão rotineiro que alguns assessores dizem que agora existe uma pequena pilha de caixas de sapatos num gabinete próximo, cada uma com o nome do destinatário. (...)


Tão ridículo, tão, tão ridículo, caraças. Não dá para acreditar

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E são estas mesmas araras descerebradas que estão a lançar o caos e a destruir o Irão, a afundar submarinos cheios de gente, a bombardear uma escola cheia de meninas, a desestabilizar uma dúzia de países, a fazer desacreditar na viabilidade da lei e da ordem baseadas no direito internacional.

Eu sei porque é que a guerra de Trump está em desordem: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a guerra de Trump contra o Irão em tempo real, revelando um comandante-chefe que parece conduzir a guerra da mesma forma que conduz um comício: improvisando a cada instante. Do bizarro regresso da antiga ameaça de Trump de "fogo e fúria" às declarações contraditórias sobre a vitória, rendição e bombardeamento do Irão "de volta à Idade da Pedra", Wolff explica porque é que fontes internas afirmam que não há um plano, apenas improvisação. Entretanto, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, esforça-se por explicar uma estratégia que pode nem existir, os republicanos entram em pânico com o aumento dos preços da gasolina em vésperas de eleições intercalares, e o próprio Trump parece entusiasmado com o espectáculo. À medida que a retórica se intensifica e os objectivos da guerra permanecem indefinidos, Wolff e Coles expõem o caos, as contradições e os riscos políticos por detrás de um conflito que poderá terminar amanhã ou tomar um rumo imprevisível em Washington.

Um mundo que atravessa tempos para esquecer