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quinta-feira, março 13, 2025

Ângelo Correia e Montenegro

 

Liguei a televisão e estava o Ângelo Correia, na SIC Notícias, a dar um tareão do Montenegro, mas um senhor tareão. 

Às tantas, interromperam para transmitirem o Mentenegro a falar, em directo para todas as televisões, creio que no Conselho Nacional. 

Quando se virou para a frente e disse que ia falar para os portugueses e para as portuguesas, fiz zapping. Foge...

Mas, quando chegar a casa, Mentenegro faria bem em ouvir a intervenção de Ângelo Correia. Talvez perceba melhor o que pensam os portugueses.

quarta-feira, março 27, 2019

Ângelo in the sky with canábis




Já fui informar-me e já sei onde posso ir deixar os safados dos computadores para saber quanto custa o arranjo. O pior é que, se for muito caro e o arranjo não compensar, tenho que pagar o orçamento na mesma, trinta euros cada. Mas compreende-se, é justo (para quem recebe). Entretanto, estou com computador de empréstimo (se é que assim me posso expressar) e isso, parecendo que não, traz-me de volta a rotina: posso escrever se me apetecer. E apetece-me, claro.

Mas como, depois de ter falado com os meus filhos, me pus na palheta mensagística com a minha filha, a produtividade foi-se-me. É tarde. E dói-me um pouco a dobradiça do braço direito, certamente efeito de ter andado armada em lenhadora no fim de semana.

Enfim.

Como tenho andado um pouco arredada das actualidades, fui agora espreitar o DN. E fui dar de caras com uma notícia que, pela minha reacção instintiva, me fez perceber que há uma zinha preconceituosa encolhida dentro de mim à espera de se poder manifestar. O que vale é que estava sozinha e a minha reacção foi de mim para mim e dela nunca ninguém vai saber.


Como disclaimer, devo dizer que nunca me drunfei, nem por boas nem por más razões. Nem drunfei nem inalei. Sem erva nem sem ser erva. Mas foi por opção racional e não por ideologia, fundamentologia ou parvolhogia. Não senti necessidade, não tive vontade de experimentar e, pelo sim, pelo não, achei que não valia a pena arriscar.


Ou seja, por muito que possa parecer que sou uma santinha do pau oco, a verdade é que pouco tenho a dizer sobre a matéria.

E, se a substância tem propriedades terapêuticas e é bonne pour la santé, pois que desçam todos os santinhos e venham abençoar a mezinha. E amén. E tudo bem.

Mas... se me dá vontade de rir que hei-de eu fazer?

Começo a pensar nesse antigo ministro das inventonas, esse grande aconselhadeiro da nação, todo ele tresandando multi cultura e enxundiosa sabedoria, em tempos cavaquistas um dos mais fecundos ideólogos do regime, mestre na nobre arte de projectar a dentadura em pleno acto de comentar,


a mostrar a sua vasta experiência empresarial por tudo o que é canto e esquina, ex-ilustre padrinho do Láparo e agora entusiasta apoiante e ministro-assombrado de Rio, esse grande líder das mangas de alpaca, ... e, nos entretantos, no resguardo mediático, na moita, a farejar o negócio e a investir na... bela maria joana. 

Perdoem-me a extroversão mas tenho que soltar um ruidoso ahahahaha. Acho o máximo. Mil lois. (lois = plural de LOL)

O fundador do PSD, ex ministro da Administração Interna, em tempos considerado mentor de Passos Coelho e agora "ministro sombra" de Rio para a defesa confirmou ao DN ter adquirido 40% da Terra Verde, a primeira empresa a obter licença de produção de canábis em Portugal. O empresário reconhece que até há pouco tempo "canábis para mim era dos tipos que fumavam droga."
A canábis para mim era dos tipos que fumavam droga. Isto é um novo mundo que nós desconhecíamos. Esta planta tem um sem-número de aplicações e em termos de saúde e esta indústria é das mais promissoras em termos mundiais." [...]
E é assim que o ex-Cabo Angel, o célebre autor da primeira inventona dos tempos pós 25 abrilistas, esse valentão que imaginou perigosos atentados a partir de uma mão cheia de pregos espalhados no chão, esse tal que, qual barriga de aluguer, anos mais tarde haveria de parir o láparo de má memória, vai agora dedicar-se ao negócio da erva. 

Com notícias destas ainda tenho esperança de que não tenhaEmos batido no fundo. nquanto tivermos empreendedores destes ainda há esperança. Só falta mesmo a gente saber que o Relvas é sócio dele. A Terra Verde como testa de ferro do verdadeiro dono, a Relvas Angelicais, sociedade anónima e ilimitada.

Muito bom. It made my day.


E, a sério, façam de conta que não topam a milhas que rebento de preconceitos pelas costuras. E perguntem-me bem alto: que mal tem o Cabo Angel ter olho para o negócio?

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Sergei e a fama vem já a seguir para espairecermos a nossa pobre soul.

(nisto da soul ser pobre falo por mim, claro)

sexta-feira, outubro 02, 2015

Com aquilo de andar de crucifixo na algibeira, Passos Coelho deixa o padrinho Ângelo Correia espantado: não sabia que o afilhado se tinha convertido...
Para Passos Coelho vale tudo e nem a religião escapa aos meios que usa para atingir os fins. Ou isso, ou está a fazer confusão...
Mas confusões, quem as não faz? Que o diga o médico da história de crianças que abaixo vos conto.
E, para acabar em beleza, a declaração de voto da minha sogra

.1.

Passos Coelho converteu-se? Pois que grande notícia teve o padrinho, o cabo Angel, que não sabia de nada...



Para Passos Coelho, vale tudo. Mas, quando se diz tudo, é mesmo tudo. Junto de um público formado por gente idosa, resolve fazer-se passar por fiel praticante, beato encartado. E, para se credibilizar, não tendo tido lata para aparecer vestido de padre, saca de um crucifixo, diz que só o vai tirar do bolso quando chegar a casa.

Leio: Passos joga tudo: crucifixo no bolso, Nossa Senhora e “muita fé nas pessoas”. Só faltou o bispo. Criancinhas, velhinhos, Nossa Senhora de Fátima, beijos aos “que mais precisam”. Passos anda de crucifixo no bolso. E mostra-o. 
Pois bem. Se todos ficámos desconfiados com aquilo, ainda mais ficou o seu padrinho Ângelo Correia que, com o seu fino humor, gozou que nem um perdido.


Ângelo Correia confrontado com a conversão de Passos Coelho





(Vídeo carregado pelo grande Luís Vargas)

....

.2.


Só não sei se os senhores de idade não terão mesmo tomado o desavergonhado Láparo por padre e não lhe pediram a comunhão.
Na volta, até isso ele fingiu dar, um papelinho na boca de cada velhinho e está a andar. 
Esta até me fez lembrar a história do médico. 

Eu conto.
..

A história do médico pediatra que fez confusão


Uma mulher leva um bebé ao consultório do pediatra.

Depois da apresentação, o médico começa a examinar o bebé, vê que o seu peso está abaixo do normal e pergunta:

- O bebé bebe leite materno ou biberão?

- Leite materno - diz a Senhora.

- Então, por favor, mostre-me os seus seios.

A mulher obedece e o médico toca, apalpa, aperta ambos os seios; gira os dedos nos mamilos; primeiro suavemente, depois com mais força, coloca as mãos por baixo e levanta-os uma vez, duas vezes, três vezes, num exame detalhado;

Inconformado, chupa os mamilos diversas vezes. Depois, como se não percebesse, sacode a cabeça para ambos os lados e diz:

- Pode colocar a blusa.

Depois da Senhora estar novamente composta o médico diz:

- É claro que o bebé tem peso a menos... A Senhora não tem leite nenhum.

- Eu sei, doutor. Eu sou a avó... Mas, olhe, não seja por isso: adorei ter vindo.

...   ...

.3. 

A declaração de voto da minha santa sogra


A minha sogra tem 88 anos bem aviados. Já foi operada duas vezes, de cada vez aproveitaram para lhe tirar umas peças, já teve uma tromboflebite, tem angina de peito, tem cataratas, artroses, joanetes e provavelmente outras coisas de que agora não me estou a lembrar - e, o pior, é que também já teve um AVC muito razoável (não tão grave como o do meu pai mas, enfim, não ficou em excelente forma). A dependência também é grande e, embora esteja boa da cabeça e ainda consiga andar - embora com apoio e a custo -, a vulnerabilidade é considerável.

Pois bem, quer ir votar, diz que vai votar no PS (e não fui eu nem o filho que a catequizámos!), e diz que não percebe como é que depois de tudo o que 'estes' andaram a fazer durante 4 anos, ainda se ponha a hipótese dos PàFs irem ganhar. Firme, garante que com o voto dela isso não acontecerá e que, mesmo que chova, quer ir votar.

Toma e embrulha, ó Passos. Pode ser que nem o crucifixo te valha.

..


Pode ser que te enganes, ó Láparo, pode ser que os portugueses não sejam tão parvos como tu pensas.

..

Muito gostaria ainda que me visitassem no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair, onde me entrego à rêverie pela mão de Alice Vieira e nos braços de Yiruma

...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. 

...

quarta-feira, julho 15, 2015

Não vi a entrevista de Passos Coelho pelo que não sei se disse alguma coisa de jeito nem se a Clara de Sousa, para além de elegante, esteve bem na função. O que tenho a dizer é que não percebo porque é que a SIC continua a convidar o Joaquim Aguiar para comentar o que quer que seja. Senhores! O homem não acerta uma, não atina, tudo o que diz é ao lado. E o que também não tem explicação é que tenham cancelado o programa de hoje, na TVI 24, com o Augusto Santos Silva. Censura?


Ando a chegar a casa a horas impróprias para consumo. Ao contrário do que um Leitor escreveu num comentário ao post a seguir a este, acho que não é que eu seja estranha ou doente. Bem, quer dizer, estranha sou capaz de ser um bocadinho. Vocês que por aqui me acompanham sabem que sim, acredito que, volta e meia, deitem às mãos à cabeça exclamando entredentes, 'caraças, que mulher estranhíssima...' Mas doente eu acho que não estou. Pelo menos, espero que não... Agora tenho-me é visto ultimamente metida em situações de que não consigo escapar-me a tempo e horas. Mas, enfim, há sempre um lado bom nas coisas: hoje, por exemplo, fui poupada ao desgosto de ver o primeiro-ministro deste país. Bem... não estou a falar completamente verdade. É que, se estivesse em casa, acho que não veria na mesma. Para já porque masoquismo não é prática que me assista (como dizia aquele do skate viral) e, por outro lado, mesmo que me desse para me auto-punir, aposto que o meu roommate diria um par de palavrões e o mandaria bugiar em três tempos. 

Portanto, enquanto estávamos a jantar, ligámos a televisão e vimos o Ricardo Costa de um lado, à beira de, com as suas certezas sabichonas, enervar um bocadinho o José Miguel Júdice, o qual esteve bem, sempre muito bem, um senhor, lúcido, sereno, inteligentíssimo e, em frente, aquela criatura que, pelas interpretações que tece, mais me parece alguém que tenta parecer normal mas que nitidamente tem uma grande pancada naquela cabeça, o Joaquim Aguiar. 


As coisas que aquela criatura diz... Hoje saíu-se com mais umas quantas pérolas: que o Passos Coelho não tem ninguém por baixo, por trás, pelos lados, não tem raízes, nada. Olha quem... E continuou a dizer coisas fora da mãe, sem uma que se aproveitasse. Já no outro dia o vi a desfiar umas cenas que tiraram completamente do sério o José Miguel Júdice o Eduardo Paz Ferreira.

E o que espanta é como as televisões continuam a convidar como comentador uma pessoa que não acerta uma, que só lança confusão, que a única coisa que faz é baralhar e dar de novo -- mas tudo cada vez com menos nexo.

Entretanto, o meu marido disse que às 10 estava o Augusto Santos Silva na TVI24. Mudámos para lá. Qual quê? Lá estava o Paulo Magalhães com o João Cravinho e o Ângelo Correia. Gente até interessante, conversa até boa. Mas o Augusto Santos Silva, viste-o. Leio agora que, uma vez mais, a TVI voltou a portar-se mal. Ele já reagiu, censura, censura!, diz ele,  e os jornais online já se estão a fazer eco de mais esta desfaçatez da TVI (muito mal nisto, a direcção de informação da tvi (as letras minúsculas são de propósito). 


Enfim, é a televisão a que, pelos vistos, temos direito.

Quanto ao que o inteligente Passos Coelho disse na entrevista, não faço ideia. Mas também não quero saber já que dali nunca vi uma em que se pudesse acreditar ou que valesse a pena registar.

Temos pena, Caro Leitor do tal comentário, mas é verdade: o meu santo não cruza com o santo do láparo. Mas não é só embirração, não pense.
Tenho sempre para mim que, nisto, devem seguir-se os ensinamentos apostólicos: pelos frutos os conhecemos. E, caraças, os frutos do láparo são desemprego, mais dívida, exportação de gente nova e qualificada, atentados sistemáticos contra a classe média, desrespeito para com os reformados e mais desprotegidos, etc, etc. Pode alguém gostar disto, oh meu Caro Leitor...? Olhe, eu não gosto. Temos pena.

... 

quarta-feira, setembro 24, 2014

Passos Coelho enganou a Assembleia da República? Enganou o fisco? Foi consultor pago pela Tecnoforma e, apesar disso, recebeu um subsídio como se tivesse sido deputado em regime de exclusividade? Não sei e duvido que alguma coisa se prove. O que não é grave pois grave é outra coisa.


No post abaixo já falei do terceiro e último debate entre António Costa e António José Seguro, um debate que deixou a nu a natureza mesquinha e inesperadamente sinistra deste último. Para quem idealize um regime assente no respeito, na dignidade, em alguma elevação moral e estética, na liberdade e na democracia, terá ficado ainda mais claro quem deverá ser sumariamente afastado da liderança do Partido Socialista e, mesmo, do panorama político português.

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra e é igualmente séria. 

Refiro-me às suspeições que estão na ordem do dia relativas a Passos Coelho.






Ele há coisas que só não existem porque não se fala delas. No dia em que algum dos que sabe ache que tem mais a perder se não disser do que se falar, aí rebenta a bronca e as coisas passam a existir.

Pode também acontecer que as coisas venham a lume mas passem despercebidas, talvez as pessoas andem preocupadas com outras coisas. Mas é difícil esconder cadáveres no armário. Ao fim de algum tempo, o seu cheiro volta a ser notado.

Só que, ao falarmos nisto, estamos em piso escorregadio. Ninguém se arrisca a andar à vontade em piso assim.

Tantas coisas de que há tanta gente que as saiba e que, no entanto, é como se não existissem. Quem, quanto, quando. Mas umas já prescreveram, outras quem é que quer dar a cara e meter-se em trabalhos? Onde é que estão as provas? Na maior parte das vezes não há. Dinheiro que é pago por fora, que não deixa rasto, como se vai depois atrás dele? Não vai. Dificilmente vai.  Quem denuncia ainda acaba metido em sarilhos, acusado de difamação. Manda a prudência que, quem sabe, pense duas ou três ou cem vezes antes de falar.

Se uma empresa pagar luvas a alguém, nos registos da empresa isso aparecerá como despesas confidenciais ou outras rubricas, ofertas a clientes, despesas comerciais, despesas de marketing, deslocações, etc, e não há nada escrito que relacione o gasto com o seu destinatário. Ou outro caso, não luvas mas alguém receber por fora, fuga ao fisco: a coisa pode ser feita através da apresentação de despesas que são contabilizadas como despesas variadas da empresa e nada as relacionar fiscalmente com quem as apresenta e com quem recebe o respectivo pagamento. E estou a falar dos casos mais decentes. 
Mas quantas empresas não terão ainda o célebre 'saco azul', dinheiro em notas num cofre, dinheiro que entra e sai sem registo contabilístico e fiscal? 
Em qualquer dos casos, contudo, ninguém conseguirá provar o que quer que seja (a menos que alguém, logo na altura em que as coisas ocorrem, faça gravações, obtenha fotocópias de algum recibo manual - coisa que geralmente também não haverá -, obtenha prova de depósitos bancários em numerário sem explicação natural. Tudo coisas improváveis, especialmente, quinze anos depois.


No caso vertente - em que o próprio dono da Tecnoforma diz, preto no branco, que houve pagamentos a Passos Coelho mas não diz de que forma - como se pode chegar a uma conclusão inequívoca? Só através de testemunhos, e aí será palavra contra palavra. 


Não conheço o caso pelo que, o que eu disser, apenas o posso dizer a título geral, em abstracto, referindo-me a quaisquer pessoas em iguais circunstâncias.

Se uma pessoa não estava ‘registada’ na empresa como funcionária ou avençada e, por exemplo, recebesse 'por fora' (isto é, por exemplo, como pagamento de despesas, sem ser detectado fiscalmente), como prová-lo agora, tantos anos depois? Podem recolher-se testemunhos - mas provas factuais, tantos anos depois, já não deve haver, aliás deve ser quase impossível que haja.

O que nós, espectadores da situação, detectamos são contradições. E contradições que incomodam. Se Passos Coelho estava como deputado em exclusividade, não poderia ter recebido dinheiro da Tecnoforma.  Se recebeu, não deveria ter pedido a verba de reintegração (dinheiros do estado, claro) alegando que estava em exclusividade. E, se recebeu, deveria ter declarado para efeito de impostos. Ou seja, dá ideia de que, de uma forma ou de outra, prevaricou. Pode dizer-se que naqueles meios, então no PSD daqueles anos, coisas dessas eram mato. Pode a esta distância falar-se em escrúpulos? Não diz o senhor de Tecnoforma que ele, Passos Coelho, conseguia o que queria, que se mexia bem? Entre o Relvas, o Marques Mendes, o Ângelo Correia, o Isaltino, e outros do género, a coisa estava bem oleada e o Pedro estava lá mesmo para isso. Receber ou não receber dinheiro da Teconforma era pormenor no meio de todas aquelas movimentações, daqueles esquemas.


Transcrevo: O projecto precisava também da aprovação de Isaltino, era o presidente da Câmara de Oeiras. O Pedro desbloqueou isso, fez o papel que se esperava dele.

Uns assim, outros assado, todos se iam orientando – e bem. A chatice é que este menino, o Pedro, é o mesmo que, ordenado primeiro-ministro, enche o peito de ar e vem clamar moralidade, dizendo que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, que têm que empobrecer, que têm que deixar de ser piegas. E que, à pala de toda essa moscambilhada moralidade, deu cabo do País.

Estes são os meninos que ainda por aí andam, uns no governo, outros nas televisões, a pregarem contra os pobres desgraçados reformados que nas bocas deles é como se vivessem como uns lordes, contra os desempregados que deveriam era sair da sua zona de conforto e irem morrer longe, em vez de quererem a esmola de uns trocos para sobreviver.

Estes são os meninos que acumulam o lugar de deputado com toda a espécie de movimentações, uns a trabalharem em bancos, outros em escritórios de advogados, outros em administrações ou conselhos fiscais de empresas, pagos com senhas de presença ou prebendas não declaradas, que usam a Assembleia da República como uma plataforma onde se estabelecem contactos e se ajeitam leis para deixarem brechas interpretativas para poderem dar para isto e para o resto.

Passos Coelho diz agora, peito feito como sempre, que vai pedir à PGR que investigue a sua situação na altura e que, consoante as conclusões, saberá retirar consequências e ilações. Pode dizê-lo tranquilo. Ele sabe tão bem quanto eu, que, tantos anos depois, será impossível provar factualmente, documentadamente, se fez ou não o que não devia.

Leio o que o dono da Tecnoforma diz e penso que percebo o que ele quer dizer:

Estou convencido de que ele recebia qualquer coisa, mas não posso falar em valores porque não posso provar nada. Agora se era para pagar deslocações, telefonemas ou coisas parecidas, não sei.

Ou seja, pode ter sido aquilo de que falei: facturas de deslocações (dele ou da família), de viagens, de restaurantes, de gasolina, de telefones, de compras diversas, até perfazerem os montantes acordados, Ou seja, se for isso, impossíveis de rastrear como sendo dele já que são registadas na contabilidade de forma despersonalizada. Além disso, leio que o contabilista da Tecnoforma dessa altura já morreu. Impossível de obter provas do que quer que seja. Pedro Passos Coelho sabe disso. Esteja ou não inocente, ele sabe que nada se provará. Por isso, está à vontade.

Contudo, para mim - e por isso já aqui disso falei antes pelo menos duas vezes e hoje volto a falar - o que mais me incomoda é o seu papel como facilitador privado, abrindo portas, agilizando processos, oleando circuitos de decisão, obtendo negócios. Estava como deputado (ao que ele invocou para receber uns milhares para 'reintegração', em regime de exclusividade) e, conforme noticia a Sábado e agora todos os jornais, e segundo diz o dono da Tecnoforma, ao mesmo tempo a arranjar negócios para uma empresa que vivia de verbas públicas arranjadas por um amigo, por amigos do partido.

Repito o que já transcrevi no outro dia:

Em entrevista à Revista Sábado, Fernando Madeira diz que o objectivo de Passos Coelho em rodear-se de personalidades influentes era "abrir ou facilitar a vinda de projectos para a ONG no âmbito da formação profissional e dos recursos humanos, e que depois esses projectos pudessem ter a participação da Tecnoforma".
O ex-sócio maioritário da Tecnoforma refere que o actual primeiro-ministro chamou para fazer parte dos órgãos sociais do Centro Português para a Cooperação - uma organização não-governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma - "pessoas com influência", como o então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, e os também social-democratas Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana). 
 O empresário garante que Passo Coelho sabia que a ONG era criada com esse intuito e conta pormenores de um encontro com o então comissário europeu João de Deus Pinheiro e de um negócio fechado com Isaltino Morais.
O ex-dono da Tecnoforma, antigo patrão de Passos Coelho, admite que criou uma ONG com o objectivo de candidatar projectos a financiamento comunitário, que depois teriam a participação da sua empresa. Passos abria "todas" as portas para estes negócios, garantiu à Sábado
Grave é termos um deputado como era Passos Coelho que, ao mesmo tempo que era deputado, a ser verdade o que o ex-patrão disse, era pago por essa empresa porque abria "todas" as portas para os negócios (até parece que estamos a ouvir falar de uma outra face oculta), grave é haver deputados que, em vez de estarem a representar quem os elegeu, estão ao serviço de empresas que lhe pagam para se movimentarem entre gente influente que desbloqueia processos, arranja financiamentos, gente instalada em lugares públicos (autarquias, comissão europeia, etc), uma promiscuidade fétida, gente que, mais tarde, vem bater com a mão no peito enquanto insulta a honestidade e hombridade dos outros. 

Isso é que é grave.

Grave é termos a comunicação social cheia de influentes comentadores que sabem demais e que se fazem passar por isentos e impolutos, manipulando a opinião pública. 

Grave é sermos um povo de gente trabalhadora e honrada que é governada por um grupo de gente desclassificada.

Grave é haver tanta gente desempregada e emigrada, tantos velhos na miséria, e termos um primeiro-ministro que despreza o povo que governa, que despreza o saber, que se refere ao sistema de ensino como uma salsicha educativa, um primeiro ministro que nos envergonha de todas as maneiras, que nos prejudica, que compromete o nosso futuro. Um primeiro ministro que, não fossem nefastas as consequências dos seus actos, seria uma anedota. Isso é que é grave.


Mas tomara que seja por muito pouco tempo e que, não tarde, Passos Coelho se veja forçado a sair da sua zona de conforto e que vá para longe, para onde a gente se possa rapidamente esquecer dele,


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Relembro: já aqui a seguir poderão ver fotografias e a minha opinião sobre o último debate entre os Antónios (que, apesar de irem vestidos de igual, são diferentes e imiscíveis como a água e o azeite), um debate com uma inusitada crispação. E com uma revelação: Seguro é ainda pior do que pensávamos.

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As imagens foram obtidas na internet e desconheço a sua proveniência original excepto da última, que provém do blogue 77 Colinas.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.


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domingo, setembro 21, 2014

Ai Passos Coelho, Passos Coelho mas que desmemoriado que V. está... Então não se lembra se durante dois anos, 12 meses por ano, recebeu 5.000 euros por mês para angariar clientes para a Tecnoforma enquanto era deputado em regime de exclusividade... ? Mas porque será...? Recebe resmas de verbas dessa ordem, paletes, rios de dinheiro que agora sabe lá precisar se também o recebeu quando não podia?


No post abaixo já mostrei o vídeo da campanha das primárias relativo ao candidato Seguro, uma coisa de fazer chorar as pedras da calçada. Aqui na minha sala tudo chora, a cadeira, a mesa, o candeeiro, o tapete, tudo de lágrima no canto do olho. Não deixem de ir espreitar pois não apenas tenho esse grande momento de publicidade política como partilho convosco algumas das minhas perguntas ao Tozé.

Mas aqui a conversa é outra. Saio da fome para a vontade de comer, do roto para o nu, ou seja, vou de mal a pior.


Agora falo de Passos Coelho.

Ouvi-o há pouco na televisão: com aquela careta de santinho de pau carunchoso, respondia ao jornalista dizendo que já não se lembrava do que agora veio a lume e, nem percebi porquê, remetia para a Assembleia da República, talvez para que fossem ver se, nessa altura, estava mesmo em regime de exclusividade. Ouvi também que recebia o equivalente a cerca de 5.000 euros por mês para angariar clientes para a Tecnoforma. Parece que estava em regime de exclusividade mas, ó meus amigos, mesmo que não estivesse - que sentido faria que este estadista de mão cheia, enquanto estava a defender os superiores interesses do País, estivesse ao mesmo tempo a arranjar clientes para a Tecnoforma...?




Contactado nesta quinta-feira pelo PÚBLICO, o fundador e então principal accionista da Tecnoforma, Fernando Madeira, que em 2012 não quis prestar quaisquer declarações sobre a existência de pagamentos a Passos Coelho naquele período, afirmou: “Estou convencido de que ele recebia qualquer coisa, mas não posso falar em valores porque não posso provar nada. Agora se era para pagar deslocações, telefonemas ou coisas parecidas, não sei.”




O ex-dono da Tecnoforma, antigo patrão de Passos Coelho, admite que criou uma ONG com o objectivo de candidatar projectos a financiamento comunitário, que depois teriam a participação da sua empresa. Passos abria "todas" as portas para estes negócios, garantiu à Sábado.


Fernando Madeira, que foi ouvido no final do ano passado pelo Ministério Público - no âmbito de uma investigação de projectos de formação profissional pagos à Tecnoforma com fundos comunitários -, conta à Revista Sábado que Passos Coelho era uma peça-chave naquele processo.



O ex-sócio maioritário da Tecnoforma refere que o actual primeiro-ministro chamou para fazer parte dos órgãos sociais do Centro Português para a Cooperação - uma organização não-governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma - "pessoas com influência", como o então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, e os também social-democratas Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana). 


Fernando Sousa, na altura deputado do PS, e Eva Cabral (então jornalista do Diário de Noticias e actualmente assessora do primeiro-ministro) estiveram igualmente na fundação desta ONG.





Em entrevista à Revista Sábado, Fernando Madeira diz que o objectivo de Passos Coelho em rodear-se de personalidades influentes era "abrir ou facilitar a vinda de projectos para a ONG no âmbito da formação profissional e dos recursos humanos, e que depois esses projectos pudessem ter a participação da Tecnoforma".

O empresário garante que Passo Coelho sabia que a ONG era criada com esse intuito e conta pormenores de um encontro com o então comissário europeu João de Deus Pinheiro e de um negócio fechado com Isaltino Morais.

"O projecto precisava também da aprovação de Isaltino, era o presidente da Câmara de Oeiras. O Pedro desbloqueou isso, fez o papel que se esperava dele. Tivemos uma reunião com o Isaltino Morais que aprovou o projecto e foi essencial para a candidatura a um programa financiado pela União Europeia", exemplifica.


Fernando Madeira não se recorda se pagava a Passos Coelho e, segundo a revista, durante a entrevista fez parar o gravador nesta questão durante 13 minutos. Na altura em que presidia à ONG, o actual primeiro-ministro era deputado em regime de exclusividade no Parlamento, lembra a Sábado.



Palavras para quê?

Dá para perceber a entourage em que o menino se movimenta(va), não dá? E dá para perceber os estreitos laços que desde sempre unem o Láparo ao Arautozito do Regime, certo?


É este o Primeiro-Ministro do meu País, um País infestado por toda a espécie de comentadores, avençados, papagaios, meliantes, parasitas, fala-baratos, meninos da lágrima, advogados por conta, jornalistas assessores, baratas, pessoal de alterne.


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E agora desçam, por favor, até ao vídeo mais infeliz de que há memória: Roubaram o cravo ao António. Uma coisa que ficará para a história dos Tesourinhos Deprimentes.


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A maioria das imagens provém, uma vez mais, do blogue We Have Kaos in the Garden.


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sexta-feira, maio 10, 2013

António Barreto na SIC N: a democracia está em perigo. Ângelo Correia na Antena 1: falta consistência política a Passos Coelho. Manuela Ferreira Leite na TVI 24: se as medidas contra os reformados forem adiante, Paulo Portas tem que se demitir e o Governo cai. Jorge Miranda à Lusa: o corte retroactivo de 10% nas reformas é inconstitucional. Passos Coelho segundo o SOL: PSD irrita-o à brava. Revista Visão: 'guerra dentro de portas', com os o nº 1, o nº 2 e o nº 3 do governo todos escalavrados


E podia continuar, tantas são as vozes que se ouvem contra a rebaldaria a que estamos a assistir. E estou a cingir-me a vozes do perímetro supostamente aderente ou simpatizante com os partidos da coligação (ou mesmo com os próprios membros do Governo ou da sua bancada parlamentar).

Claro que poderia também ter falado de um dos vice-presidentes da bancada do PSD, o Miguel Frasquilho, que tem dúvidas que o País esteja a ser bem ajudado e que defende um abaixamento de impostos já para o ano (mas, enfim, em relação ao Frasquilho e ao que ele quer em relação aos impostos, a gente tem é que temer o que ele diz como se fosse mau olhado. Lembro-me do choque fiscal que ele preconizava antes do PSD ganhar eleições com o Cherne Durão, que mal chegou ao governo fez o contrário).

Estive também a ouvir a Quadratura do Círculo e não há já um deles que não fale com desprezo do que se passa neste governo de incompetentes. 

Agora até me pareceu ouvir nas notícias que o Poiares Maduro disse que o ajustamento pode ficar politica e socialmente insustentável (e que terá dito outras coisas coisas que o colocam mais próximo do PS do que do PSD). De gargalhada.

E a capa da revista Visão é eloquente e demonstrativa do nível de desdém e descrédito a que se chegou em relação a esta gente que ainda teima em manter-se no Governo com o único fito de desgraçar ainda mais o País.




Pergunto: esta é a estabilidade que as apertadinhas do regime ainda teimam em defender? 

Relembro: o desemprego oficial já está perto do milhão de pessoas. Se somarmos os que já desistiram de procurar emprego, o desemprego já atingirá, segundo as contas do Expresso 21,5% da população activa. 322 novos desempregados por dia no primeiro trimestre.

Pergunto: esta gente já nem sequer se dá ao respeito?
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Nota: No post abaixo disserto sobre as diabolizadas PPP. 

quarta-feira, março 07, 2012

Ângelo Correia, na SIC N, estraçalhou o pequeno Álvaro que já está com um par de patins à espera de vez (e isto apesar do 'apoio' de Miguel Relvas - lol,lol,lol - da positividade de Pedro Reis e de outras graçolas do género). E, com vossa licença, en passant, aqui um cumprimento especial ao deputado Carlos Abreu Amorim, um putativo grande tribuno, olá se é. E, a propósito, de novo 'A terceira miséria' de Hélia Correia e 'Tocando em frente' com a Maria Bethânia.


Há pouco, na SIC Notícias, com o Mário Crespo e Alberto Martins, Ângelo Correia desferiu um ataque mortal ao nosso Álvaro. Até tirou os óculos para melhor se poder atirar à sua jugular. 

Em tempos chamado o 'Cabo Angel', agora o padrinho e amigo
de Passos Coelho.
Hoje desferiu um violento ataque ao Álvaro - e eu ainda nem estou em mim


Disse ele, com aquele seu ar dramático, que tinha sido um erro de casting inicial, que jamais se poderia ter feito um ministério daquela amplitude e depois entregá-lo a uma criatura sem experiência, sem enquadramento político, que não conhecia a economia real, etc, etc e que ao longo de todo este tempo se tinha assistido a um esvaziamento das competências do ministério, desvalorizando completamente a 'economia' e que, numa altura em que é preciso passar o foco para a economia e para as pessoas não é possível continuar com uma pessoa que nunca vai ser capaz de agarrar a pasta, etc, etc, etc. Tudo isto dito, de forma meticulosa, a frio, pelo Ângelo Correia. Um longo monólogo. Eu nem queria acreditar. É que foi mesmo à jugular do pobrezito. Sangrou-o sem piedade. Alberto Martins (PS, escuso de lembrar)  ouvia, provavelmente como eu, perplexo e com compaixão do nosso fofo Ministro da Economia.

Isto num dia em que tudo o que é cão ou gato no governo ou arredores veio em defesa do queriducho Álvaro. Até o gémeo univitelino de Freitas do Amaral, o betinho mor Pedro Reis do AICEP se saíu com uma frase extraordinária de apoio ao ministro 'das natas', tão extraordinária que não consegui fixar, mas que incluía a palavra positividade e não se referia a nenhum fenómeno eléctrico, não, referia-se mesmo ao Álvaro.

Miguel Relvas - o fácies não engana. Inteligente, determinado, ambicioso.
O pior é o resto (é que, se usadas no sentido errado, estas características
transformam-se em grandes defeitos!)
Um dia ainda escrevo uma novela com ele como protagonista
(seria, claro, o vilão, mas tão óbvio que se tornaria divertido).

Depois de tudo isto, da 'cortina de fumo' que o Alvarito, coitado, já vê por todo o lado, do apoio proto-blasé de Miguel Relvas, esse figurão (às vezes irrita-me, outras diverte-me de tal forma é um figurão de antologia, o verdadeiro malandreco; com aquele arzinho não engana mas a questão é que é excessivo, vê-se que é  mesmo um safado de primeira apanha - até estou capaz de me inscrever para aí num partido qualquer, pode ser que, depois de sair do Governo, o Crespo me ponha a debater com ele, ah o que eu gostava disso, gostava mesmo...! ), e agora depois de ouvir o Angel, fico com a certezinha absoluta que o Alvarito já está com um belo par de patins. É agora apenas uma questão de gestão de timing. Mitigar o impacto, dirão os técnicos de imagem.

É o Pedro Norton, não é?! O Alvarito, coitado, até morde o lábio. Deve estar a pensar
 'Caraças, logo se havia de pôr este, tão alto, aqui ao meu lado, vou ficar lindo nas fotografias,
assim, a olhar para cima. Caraças.' É mesmo um fofinho, este pastelito.

Agora uma coisa é certa, nada disto é pessoal que o Álvaro deve ser boa pessoa, deslumbrado, desnorteado, sem avaliar o alcance do que (não) faz, sem perceber a quantas anda mas, como pessoa, não deve fazer mal a uma mosca. É que não é por nada mas entregar a pasta da Economia, Transportes, Comunicações, Emprego e mais não sei o quê a um pobre coitado que estava sossegado, a milhas, lá a dar umas aulitas e a 'mandar umas bocas' de vez em quando na blogosfera, não lembrava ao diabo. Lembrou ao Passos Coelho, coisa que não admira - sabemos como são os seus percursos mentais. Foi a mesma coisa que entregar a Agricultura, Pescas, Ambiente, etc, a uma moçoila que também andava a dar aulas, sem nunca ter gerido coisa nenhuma e sem perceber patavina das pastas que foi tutelar. Agora podemos culpá-la de alguma coisa? Só se for de ter aceitado isto como se fosse apenas mais uma coisa gira que lhe aconteceu na vida.

Só num governo como este...

E há mais assim. Custa a acreditar mas é a verdade.

Miguel Relvas, ambicioso e queixo de homem guloso, deve esfregar as mãos de contente. Quanto mais os pobres incautos se afundam, mais ele reina. No entanto, imagino que perante tão grande amadorismo, ele próprio, o verdadeiro artista, também já se interrogue sobre se não será demais. É que assim terão que ser corridos e ainda ele corre o risco de aparecerem outros que não sejam como estes, que se apanham à mão.

E já agora, já que hoje me deu para isto, coisa de que andava deliberadamente afastadas há uns dias, deixem-me que refira aqui um outro parodiante, uma outra figura que vai ficar umbilicalmente ligada ao anedotário passista. 

Grande estilo! Carlos Abreu Amorim, o deputado

Quando vejo Carlos Abreu Amorim subir à tribuna e desatar a teatralizar, soltando figuras de estilo em tom gongórico, todo ele esbracejante e volumoso, tonitruante e cheio de ar, vejo um homem feliz, contente por ser deputado. Do que ele diz nunca se aproveita nada (nunca se aproveitou) mas ele pensa que, quando fala, troveja; nota-se que acha que atinge adversários imaginários. Sinto uma certa compaixão por pessoas assim, que vivem em mundos fantasiados. Só me maça pensar que somos todos nós que lhe andamos a pagar, e apenas para ele ter estes seus pequenos desvarios.

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Bom. Ou melhor: mau. Mas adiante. Não me vou deitar com sabor a amorim na boca, credo. Vamos lá a fazer uma purificação. Xô, xô.

Até que isto não são só más notícias. Acabo de ouvir que parece que há petróleo entre Sines e Sagres. Esta costa alentejana é mesmo uma riqueza. Um destes dias ainda entramos para a OPEP. Vamos, portanto, a animar!

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Que entrem os verdadeiros artistas!

The disquiteing muses - Giorgio de Chirico

                                                     A terceira miséria é esta, a de hoje.
                                                     A de quem já não ouve nem pergunta.
                                                     A de quem não recorda. E, ao contrário
                                                     do orgulhoso Péricles, se torna
                                                     num entre os mais, num entre os que se entregam,
                                                     nos que vão misturar-se como um líquido
                                                     num líquido maior, perdida a forma,
                                                     desfeita em pó a estátua.


                                                     [in 'A terceira miséria' de Hélia Correia]

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E, continuemos, 'Tocando em frente' com Maria Bethânia - 'cada um compõe a sua história e cada um carrega em si um dom de ser capaz e de ser feliz'. Nem mais.



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[No meu Ginjal, em semana de Mahler, hoje temos Rui Caeiro ainda n' O Quarto Azul]
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E tenham, meus Caros, uma bela quarta feira. Enjoy.