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quinta-feira, julho 09, 2026

Ainda o caos nos exames e o Fernando Alexandre, e, desta vez, também a FENPROF
-- a palavra ao meu marido

 

Esta nova trapalhada do governo com a classificação dos exames é apenas mais um episódio da falta de capacidade técnica e política e da incompetência gritante que este governo tem demonstrado em todos os assuntos em que se mete de uma forma mais profunda. É assim na Saúde (depois da reorganização das maternidades feita pelo governo, hoje a notícia é que o hospital de Almada está a recusar receber grávidas). É assim na Habitação com o aumento de preços a subir sem parar. É ou foi assim na Administração Interna com os enormes problemas no combate aos fogos. É assim no apoio às populações afetadas pelas tragédias que têm assolado o País. Agora chegou a vez da Educação onde a jóia da coroa, the one and only Fernando Alexandre, meteu mais uma vez a pata, desta vez, numa poça sem fundo. O ímpeto """reformista""" (e ponham as aspas que quiserem) não olha a nada. Testar as aplicações antes de começarem a funcionar, nem pensar! Não vale a pena! É preciso é fé no programador e força no teclado. Se a coisa der para o torto culpa-se tudo e todos menos o responsável e realça-se o ímpeto reformista do governo que de facto não tem qualquer capacidade para fazer as mudanças que o País precisa. Com sorte ainda conseguem descobrir que a programação foi feita pela malta do Industão e arranja-se mais um argumento para o Leitão Amaro falar na imigração descontrolada,  encontra-se  um bode expiatório e desvia-se a atenção da populaça. Lata e descaramento para propagarem uma mentira destas não falta a este pessoal (por acaso, no lugar onde estou, uma coisa é certa: sem imigrantes, não comia e o hotel não funcionava. É por estas e por outras que não compreendo os argumentos estúpidos contra a vinda dos imigrantes). 

Nada me surpreende na incompetência do governo, mas há outras coisas que me suscitam alguma surpresa. Uma delas é: onde tem estado a FENPROF? Então essa rapaziada, sempre pronta para ir para a rua manifestar-se e ocupar a comunicação social com anúncios de greves e chorrilhos de notícias, agora tem estado praticamente muda e queda? Só agora começou a dar um leve arzinho da sua graça. O que se passa? Anteciparam as férias? Renegaram a herança do Nogueira? 

Quando analisava a questão ,surgiu-me uma ideia peregrina, provavelmente, inverossímil. Será que a  FENPROF foi comprada pelo Alexandre com todo o dinheiro que atirou para cima da mesa para calar os  professores (por acaso este aumento de custos não resultou em nenhuma melhoria efetiva no ensino público). Mas devo estar enganado. A FENPROF supostamente desfilava para melhorar a qualidade do ensino e defender os alunos menos favorecidos, não desfilava apenas porque queriam ganhar mais dinheiro e  um tratamento de favor em termos de carreiras. No entanto, o que se constata é que, desde que conseguiram o que queriam em termos salariais e de carreiras, borrifaram para a qualidade do ensino e para a defesa dos alunos menos favorecidos. Parece-me que é esta a realidade. A FENPROF só se preocupa com reinvindicações salariais e, como tem um ministro que faz o que a central sindical quer, não o afronta. Mal vai a principal central sindical dos professores quando, numa situação como a atual, apenas fala de fininho. Assim se confirma qual eram as reais reinvindicações dos profs.

Parece que o Montenegro no seu objetivo de cavalgar a onda foi ver o jogo de Portugal e obrigou o Falcón da Força Aérea a fazer mais umas quantas horas de voo. Teve azar. Não conseguiu tirar dividendos da viagem. E já chega de populismo bacoco nos elogios sem sentido à Seleção nacional que fez um mundial para esquecer. Resta-me uma dúvida: quem aprova este tipo de viagens? Como se justifica que o PM passe a vida a ver a Seleção mesmo quando manifestamente nada o justifica? Se fossem outros governos e outros PM, a rapaziada da AD não se calava, agora até elogia esta falta de ética (... e lá me lembrei outra vez da Spinumviva). 

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Nota minha: como dá para perceber, o meu marido não leu o que eu escrevi ontem. Por isso, se o texto vos parecer um pouco redundante, confirmo: é mesmo. Mas a liberdade por estas bandas é total e, portanto, se ele se lembrou de escrever isto (enquanto eu cochilava de tarde), não ia fazer a desfeita de lhe dizer que não publicava porque ontem já tinha abordado estes temas. De qualquer forma, não falei na Fenprof. E ele tem uma forma talvez mais acutilante do que a minha. Seja como for, é o que é. Está dada a explicação.

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Desejo-vos uma feliz quinta-feira

quinta-feira, fevereiro 01, 2024

Ser do contra
- A palavra ao meu marido -

 

O pessoal que afirma ir votar no Chega aponta dois motivos principais: "é contra isto tudo" e "isto está cada vez pior". E o mais grave é que estes dois argumentos tanto são apontados por quem não tem um baixíssimo nível de educação como por quem frequenta graus elevados de ensino e/ou é licenciado. Eu sei que um grau universitário não é sinónimo de formação, numa perspetiva de educação e conhecimento, mas, pelo menos, deveria ser suficiente para permitir distinguir  a verdade da mentira  e o razoável do impossível.

Os dois motivos apontadas para votarem no Chega resultam do consumo constante e quase exclusivo da informação partilhada pelas redes sociais que transmitem até à exaustão notícias falsas "plantadas" por quem tem interesse em promover ideias populistas, demagógicas e xenófobas.  Mas resultam também da promoção permanente pelas  televisões do "isto está tudo mal e pior que nunca". E, de facto, é mentira. Se os órgãos de comunicação social se preocupassem em fazer análises corretas dos indicadores de Portugal, constatariam que, ao contrário do que propagam, o País está muito melhor do que há 10 ou 20 anos. Mas, parece que o objetivo dos jornalistas e dos comentadores, sabe-se lá porquê, é apoucar-nos como Povo e como País. 

Mesmo quando se fala em corrupção, os relatórios internacionais situam-nos mais ou menos no meio dos Países da Europa e não como "reis" da corrupção como se quer fazer crer. Países com regimes autocráticos como a Hungria são, no referido relatório, classificados como muito mais corruptos do que nós. Algum órgão de comunicação social relevou esta comparação? 

As ações e intervenções do Prof. Marcelo também contribuíram significativamente para o "isto está cada vez pior". Esteve sempre pronto para, explicita ou sub-repticiamente, dar argumentos que fortaleceram este sentimento de que o Governo faz sobretudo coisas mal feitas pelo que isto está "cada vez pior". E, no entanto, crescemos 2,3% em 2023 o que nos compara muito bem com o resto da Europa. Ontem, nos noticiários que vi, a relevância que deram a esta notícia foi zero, embora, este crescimento seja muito relevante.

Mais dois pontos que gostaria de referir e que posso enquadrar neste tema. 

  • Os "profs" que, sempre que há um governo do PS, protestam que nem uns danados (recordo-me que, no tempo da troika, quando tiveram os cortes nem abriram a boca) faltam mais de dois milhões de dias por ano. E os sindicatos, aparentemente sempre tão preocupados com  a qualidade do ensino, não comentam? Ninguém fez mais para acabar com a escola pública do que os sindicatos dos professores e o seu guru Mário Nogueira. O que fizeram também foi um contributo para o "isto está cada vez pior". 

  • Os arguidos da Madeira foram detidos há uma semana e ontem ainda não tinham sido ouvidos. É mau de mais! A Justiça é de fato uma área que funciona mal e em que é preciso fazer alterações. Mas não são o tipo de alterações que os populistas querem. Curiosamente (ou não) nem sequer ouvimos o Prof. Marcelo, sempre tão interveniente, a falar nisso.

segunda-feira, dezembro 04, 2023

Compartimentos secretos

 

Trabalhei durante muitos anos num dos grandes edifícios de Lisboa, por sinal bem perto daquele outro onde viria a trabalhar nos últimos anos. O último piso desse tal edifício, um piso bastante alto de onde se tinha uma fabulosa vista, era, de um dos lados, dedicado a grandes reuniões e, do outro, a almoços de trabalho ou comemoração. Na altura não havia caterings pelo que, nesse piso, havia também uma cozinha. Dizia-se que era o lugar de Lisboa em que melhor se comia. 

Não era só a extrema qualidade da comida, era também a excelência do serviço. E as entradas, os acepipes, tudo para além de bom. Grandes memórias tenho dessas belas refeições.

Entre um e outro espaço havia a zona de estar, onde iam dar os elevadores (que tinham permissão para tal). Nessa zona de estar, para além de vários e confortabilíssimos sofás e cadeirões forrados a macio veludo grená, de carrinhos com bebidas e entradinhas, de mesas de apoio com belos candeeiros de mesa, havia, ainda uma zona de estantaria até ao tecto carregados de volumes ricamente encadernados em pele também grená escuro e letras douradas. Eram sobretudo tratados académicos que versavam matérias relacionadas com o que se fazia e vendia nas empresas do grupo, e com as diversas vertentes da gestão. Eram também livros recebidos como presente, muitas vezes edições luxuosas.

Já aqui o contei e volto a contar: uma das estantes não era uma estante normal pois um dos livros não era exactamente um livro. Basculava e, ao recolher, deixava acessível o fecho de uma porta. Então a estante abria-se como uma porta e, passando por lá, ia dar-se a um recanto onde havia uma outra porta. E de lá havia uma escada por onde se podia sair do edifício sem se ser visto. Dizia-se que, de lá, se poderia ir também para uma outra zona secreta. Não sei, isso nunca vi.

Quando eu estava nesse andar, nomeadamente na zona de estar, tentava sempre descobrir qual era o livro a fingir e, a olho nu, nunca o consegui.

Mais tarde, recentemente, tive uma surpresa com uma outra coisa, numa outra dimensão, muito menor, nada a ver, mas, ainda assim, inesperada.

Quando visitámos a casa para onde nos mudámos há três anos e picos, sentimos de imediato uma tremenda afinidade com a arquitectura, com os acabamentos, com o jardim, com tudo. Como sou despistada e com uma péssima orientação espacial, saí de lá sem perceber como era a disposição das divisões ou exactamente como era o que tinha visto.

Depois disso voltámos lá mais uma vez e, vá lá saber porquê, fiquei na mesma. Já lá morava e parece que, em relação a algumas coisas, ainda não conseguia organizar-me mentalmente.

Tenho ideia que foi já depois de a casa ser nossa que lá descobri um compartimento que é quase secreto. A anterior proprietária se calhar já me tinha falado na biblioteca privativa do marido, livros ligados à sua profissão, em estantes feitas por ele. Mas devo ter pensado que era na cave onde estavam também várias estantes feitas por ele carregadas de livros e revistas.

Portanto, foi com agradável surpresa que um dia, ao estar num dos compartimentos do sótão, convencida que o compartimento se esgotava ali, descobri (descobri ou o meu marido chamou-me a atenção, que é o mais provável) um outro compartimento que nascia de um dos cantos, forrado a estantes. Achei fascinante.

Agora é ali que tenho malas, malinhas, carteiras e carteirinhas, clutches, bolsas, mochilas, sacos desportivos, sacos de pano, etc. Como geralmente uso sempre a mesma carteira e o mesmo saco com as coisas da piscina, raramente preciso de lá ir. Mas aquilo é quase uma graça. Claro que, se fosse para ser um compartimento secreto poderíamos arranjar-lhe uma porta dissimulada. Assim não tem porta. Só que como fica por trás de uma caldeira mal se vê.

Também na cave, apesar de ser, na prática um open space, há alguns recantos que só consegui assimilar ao fim de algum tempo. E isso, acho eu, dá um toque de graça suplementar à casa. 

No campo, in heaven, também há um sótão mas tem um acesso complicado e, com as vertigens de que padeço, nunca lá fui. Nem sei o que por lá há. Presumo que apenas canos, cabos, coisas assim. Em casa dos meus pais, a casa em que cresci, há também um sótão e embora tenha uma escada fixa e supostamente ser de razoável acesso, das vezes em que lá fui, em miúda, subir era fácil mas descer era para mim um desatino. Estava lá em cima e parecia-me que corria o risco de, a todo o momento, me despenhar. Chegava a pensar que não ia ter coragem de me abeirar da escada e que temia não conseguir sair de lá. Depois de crescida nunca mais consegui ir, parece que fiquei traumatizada.

E estou a falar nisto pois há pouco, ao ver o youtube, dei com o vídeo abaixo a que achei um piadão: salas escondidas, mobílias que são a fingir, compartimentos secretos, coisas super engenhosas, criativas, incríveis. 

Incredibly Ingenious Hidden Rooms and Secret Furniture

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A propósito da luta dos médicos

Em relação à presidente da FNAM e à representante dos 'médicos em luta' que ainda há pouco vi na televisão, de cada vez que aparecem, parecem super satisfeitas com os problemas que existem nas Urgências devido à falta de médicos e não parecem nada preocupadas com o transtorno e as consequências potencialmente muito graves para os portugueses. Esqueceram-se do Juramento de Hipócrates ou só pensam em dinheiro?

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Uma boa semana

Saúde. Coragem. Paz.

sexta-feira, maio 10, 2019

Pedir ao Rui Rio que tenha juízo e esteja calado é a mesma coisa que pedir a uma galinha que declame Camões


E isto parafraseando Rui Rio que não pára de dar tiros nos pés, tendo agora dito esta coisa fantástica: Pedir ao PS que vote é o mesmo que pedir ao perú que vote no Natal.

E, dizendo isto, parece que ainda não percebeu uma coisa tão simples: se o PS acha que não há condições para integrar os nove anos, não sei quantos meses e não sei quantos dias (de professores e de todos quantos foram prejudicados com a crise) já que isso geraria saltos remuneratórios não compagináveis com o equilíbrio das contas públicas, então, não faz qualquer sentido definir travões. Travões põem-se a alguma coisa que esteja em movimento não a uma que não deve avançar.

Mas, se ele não percebe, eu explico com um exemplo: se eu acho que o Rui Rio, por condições intrínsecas dele, nunca vai poder ser um bom primeiro-ministro e, portanto, jamais votarei nele, então não faz sentido votar uma coisa a dizer que uma das condições para ele exercer o cargo de primeiro-ministro é, por exemplo, cortar o cabelo.
[Não que não lhe fizesse bem cortar aquele cabelinho amontoado na nuca, entre o escorrido e o antiguinho -- só que não seria isso que alguma vez na vida poderia fazer com que ele conseguisse, algum dia, vir a ser um bom primeiro-ministro]
E eu que tenho andado a dizer que, face ao período eleitoral, o PSD tão cedo não vai poder ver-se livre do Rui Rio, já começo a achar que, com tudo o que ele anda a dizer, destratando os deputados da sua bancada parlamentar e envergonhando e irritando tudo o que é genuíno social-democrata, ainda corre o sério risco de correrem com ele de qualquer maneira, à pressa, a trouxe-mouxe, e adeus ó vai-te embora.

É ele e o Nogueira, esse emplastro sindical que, de repente, passou a incomodar até a esquerda, mormente o PCP. Ainda vão é sair os dois da vida pública ao mesmo tempo, de braço dado.

quinta-feira, maio 09, 2019

Mário Nogueira vai sair da Fenprof e do PCP?
Sigilosamente, conto-vos qual a relação entre isso e o silêncio de Marcelo.
E explico ainda porque acho que Rui Rio anda a fazer-se de parvo


Estou a pé há umas vinte horas e, pelo meio, já tenho umas centenas de quilómetros, um (belíssimo) almoço volante, reuniões, cavaqueiras e o mais que quiserem.

E o que posso assegurar é que malta que tenho por próxima do BE (e que, por acaso, se resume a uma pessoa) e muita malta que sei que é de direita (e aqui coloco no mesmo saco PSD e CDS porque, do que lhes conheço, é por aí que votam -- e isto, em alguns deles, por não haver partido apresentável ainda mais à direita) estão todos furibundos com esses partidos. Mas ponham furibundos nisto. Coisa na base do desprezo profundo. Mais -- e posso afiançar-vos que é a pura verdade -- todos tiram o chapéu ao Costa.
Ainda me lembro de um deles, há algum tempo, estar a falar-me de um artigo do Observador e eu lhe dizer: 'Não costumo ler, é muito conservador para o meu gosto'. E ele, figura de referência na classe empresarial portuguesa, direita assumida: 'Mas sabe que eu sou conservador, não sabe?' 
Hoje, enquanto o ouvia, só pensava: 'Ui... quem te viu e quem te vê...'

Logicamente hoje não consegui ler jornais, não ouvi notícias e só há pouco, aqui chegada à sala, ao passar por um canal (SIC?), ouvi o Mário Nogueira a falar do que o Carlos Carvalhas terá dito a seu respeito e da sua própria posição sobre manter-se ou não no sindicato (e no PCP?). Não ouvi mais porque o meu marido ao vê-lo, pegou no comando e, a modos que zangado comigo, exclamou: 'Eh pá, o que isto?! Nem pensar! Este gajo é que não'

E eu que não sou prima da Maya, cunhada da Maria Helena, neta do Zandinga, comadre do Paulo Cardoso ou afilhada da pombinha do Espírito Santo o que posso dizer é que, queira o Mário Nogueira ou não queira, vai ter que sair do sindicato. Escrevam. Há muito tempo que o digo. Mário Nogueira está a dar cabo da imagem dos professores e, pior, está a chantagear o Governo (qualquer governo excepto o do Láparo) e a intoxicar o ambiente político.

Pois bem. Tenho uma notícia off the record: fontes anónimas comunicaram comigo via telepatia para me transmitirem que o nosso ex-omnipresente Professor Marcelo fez uma promessa e só volta a aparecer quando a cena política estiver higienizada, mormente limpa do Mário Nogueira.

Esta do dito Mário Nogueira andar agora a pressionar os partidos e a instá-los a deixarem-se de politiquices terá sido a gota de água. Marcelo, cansado de tudo isto, terá pensado que não consegue coexistir social e institucionalmente com uma criatura destas que achincalha desta forma os partidos e a política portuguesa.

As mesmas fontes anónimas telepatizaram-se também comigo a propósito do Rui Rio mas isso Marcelo sabe que não vai poder ser já não apenas pelo período poli-eleitoral em que estaremos entre Maio e Outubro mas também porque não se perfila alternativa no PSD. Além do mais, Rio não estará oficialmente off mas, na prática, já só estará ligado à máquina. Por isso, Marcelo que é crente mas não é maluco, não reza o terço e faz promessas para pedir milagres impossíveis mas, tão só, actos simples de higiene básica. E, portanto, o foco imediato é o Nogueira.

Resumindo: fontes anónimas e que me exigem sigilo absoluto fazem-me saber que Marcelo anda a toque de novenas, velinhas acesas pelos corredores e altares, e diz-se até à boca pequena que ninguém se admire se vir alguém parecido com ele, de colete amarelo, boné, cruz na mão, a andar pela berma da Nacional a caminho de Fátima. 

Compreendo-o. Marcelo, para existir em todo o seu fulgor, tem que ter gente com um mínimo de qualidade no espaço político, tem que ter ar respirável, estar rodeado de decência e alguma elevação.

Gentinha como a Cristas que nem inteligência tem para se desdizer com alguma credibilidade, Rio que, com uma funesta falta de jeito,  faz de parvo* e, de caminho, abandalha e faz também de parvos os deputados do PSD, ou um baderneiro como o Mário Nogueira, que não tem cabeça nem categoria para lutar decentemente pelos professores, perturbam a paz de espírito do nosso ex-ubíquo Marcelo.

Por isso, porque o País não é o mesmo sem o afecto do nosso Professor, que se levante uma onda de fundo que convença o Mário Nogueira a desamparar a loja. E que alguém comece a ajudar o Rio a ir já fazendo as malas. Quanto à Cristas, é capaz de dar jeito que continue: assim como assim, uma peixeira descerebrada pode ter, de vez em quando, alguma utilidade.

* Faço uma pergunta para exemplificar o que me leva a dizer que o Rui Rio se faz de parvo: 
Dizendo ele que só aceitaria considerar a integração de todo o tempo de serviço se houvesse um crescimento económico que o permitisse, e fala na miragem dos 10%, pergunto o que faria ele se o crescimento ano ano seguinte viesse abaixo disso. No ano seguinte, os professores devolveriam o que tinham recebido a mais no ano anterior? Voltavam a receber o que recebiam antes da integração desse tempo?
Irreal.
Diz também ele que, como reconhece que é impossível haver um crescimento de 10%, poderia pensar-se em diminuir a idade da reforma ou trabalharem menos horas. E eu pergunto ao economista Rui Rio: Isso não tem custos? Não teria que ter mais professores para compensar o menos tempo de trabalho dos mais velhos?
Brincalhão.
Como acredito que parvo ele não é, concluo que está a fazer-se de parvo. No mínimo.


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Como é bom de ver, as fotografias, respectivamente de Ezra Miller e Jared Leto na Met Gala 2019, não têm nada a ver com o texto. Ou então têm. Sei lá.

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A recomendação que visitem o em boa hora regressado Histórias de Nós -- que escreve histórias pedidas por nós -- também não vem a propósito do Nogueira, do Rio e etc. Mas visitem-no e peçam-lhe uma história que o resultado é bom de se ver. Vão por mim.

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domingo, maio 05, 2019

A culpa disto tudo é do Costa?
Se me permitem, respondo à acusação das Direitas & Esquerdas Reunidas
E, de caminho, permito-me avançar com umas dicas às Esquerdas Distraídas [Sindicatos, PCP. BE]


Um sindicalista, cuja vida profissional tem sido sobretudo ser sindicalista (creio que já vai em 75% do tempo de carreira) e muito pouco profissional da profissão que representa, resolveu reivindicar um palanque dourado para os da dita classe profissional.

Tendo, durante anos, praticamente toda a população sofrido cortes de rendimentos e visto a sua vida andar para trás, muitos ganhando agora menos do que ganhavam muitos anos atrás, o dito sindicalista resolve fazer finca fé, marcar greves, fazer manifestações e chantagear o governo caso este não abra uma exepção para que os ditos profissionais recuperem integralmente tudo o que perderam nesses anos.

O dito sindicalista, chantageador-mor do regime, um dos inimputáveis do regime (e é deliberadamente que cito Henrique Raposo), está a fazer o que sempre fez e, segundo ele e quem o apoia, estará a fazer bem. 

O que não falta por aí é gente que encabeça causas, usando descontentamentos legítimos para desencadear lutas ilegítimas -- e que acha que faz muito bem.

O que não falta por aí é gente egoísta, destituída de ética. Veja-se o caso dos enfermeiros, que fizeram greves às cirurgias, não querendo saber de agravar a saúde de quem não tem nada a ver com a guerra sindical, admitindo mesmo que a sua acção sindical poderia causar mortes. Veja-se o caso dos motoristas de mercadorias perigosas que não se importaram de parar o país, muito menos com disparidades face a outros trabalhadores com quem hoje se comparam, exigindo para si próprios um aumento para o dobro do que ganham.

Cada um terá argumentos legítimos para se queixar e para pedir mais. Mas o que ninguém de bem pode é fazer exigências egoístas, cuja satisfação exigirá sacrifício de outros. Está aí a linha vermelha que deve ser respeitada.

Mas, dizia eu, o dito sindicalista resolveu erguer um palanque dourado para os seus representados que pretendem ter privilégios que outros não teriam e que teriam que ser pagos pelos contribuintes (contribuintes esses em que grande parte deles tem idêntico capital de queixa e que muito gostaria de também de se ver ressarcido e não de, uma vez mais, ser chamado a pagar mais). 

Diria eu que gente de bem não faz reivindicações dessas. Mas o dito sindicalista faz. Faz ele, faz a sindicalista laranja da Ordem, faz o empresário-advogado sindicalista que, ao que parece, anda com a justiça à perna.

É o sindicalismo que temos.

O Governo, onde felizmente está gente responsável, cedo percebeu o óbvio: se fizer a vontade a esses profissionais terá que ir buscar o dinheiro a algum lado e só há um lado: o erário público. Cristalino. Ou corta noutros serviços públicos ou aumenta impostos. Aritmética elementar. Mas o Governo percebeu mais: se abre uma excepção para estes, logo a seguir virão outros. E outros. E outros.
Outros que, de resto, já aí estão. Também quero! Também quero! - é o que ouve e lê por todo o lado. #Je Suis Professor. #Todos somos filhos da Fenprof, #Todos queremos o mesmo. 
De resto, assim o exige a Constituição. Não há tratamentos de privilégios para umas classes e para outras não. 

E, a repôr tudo a todos o que se perdeu durante os anos de austeridade, quando se fizessem as contas, estar-se-ia outra vez a braços com uma equação impossível.

Mas não é apenas a FenProf, a CGTP: há depois os partidos que gostam de se dizer defensores dos trabalhadores e que, para pouca sorte dos trabalhadores, não apenas não têm visão abrangente, como não sabem fazer contas e, ainda por cima, fazem vista grossa à ética quando lhes convém. Fazendo de conta que o dinheiro nasce do chão ou que cai do céu e que agora é só um bocadinho e que o que vem a seguir não é para aqui chamado e que, se se der agora a estes e mais alguém quiser o mesmo, eles também apoiam porque contas e sentido de responsabilidade não é com eles, resolveram ir também para cima do palanque dourado. De braço dado com o dito sindicalista, falando a uma só voz, resolveram avançar no parlamento.


E aí, porque a capacidade de se ser disparatado é ilimitada e a vergonha também, os dois partidos ditos de direita, PàFs unidos, os mesmos que, quando no governo, trataram os ditos profissionais abaixo de cão (sem que o dito sindicalista piasse), saltaram também para cima do palanque e fizeram coro com as esquerdas e com o sindicalista de rabo pelado.

Face a isso, o Governo reagiu como se exige a um Governo responsável: disse que, se é para dar cabo cabo das contas públicas, se é para voltar a tempos incertos, de aumento de défice e, logo, de aumento da dívida pública, se é para se voltar ao tempo dos cortes e dos aumentos de impostos, então não será com o Governo do PS. Um murro na mesa muito bem dado e muito bem explicado. 

E agora, tendo acontecido o óbvio, o palanque apinhado e ameaçar ruir com as esquerdas & direitas reunidas -- Jerónimo, Catarina, Cristas e Rio, os estarolas encostados -- o que fazem os ditos partidos de esquerda? E os de direita?

Ora bem.

Os de direita, em especial os do PSD, estão em estado de estupor catatónico. Não sabem explicar como se meteram em tamanho caldinho. Olham uns para os outros e não sabem o que dizer. Vêem-se na fotografia de braço dado com a CGTP, com o PCP e com o BE e ficam perplexos com a sua própria imagem. Consta que já há canelada, pontapé e encontrão, todos a acusarem-se uns aos outros. 

Uns dirão que não leram o que votaram, outros que estavam com uma piela, outros que estavam a dormir, outros que tinham apanhado uma ganda moca. Explicações articuladas não se ouvem.

Ouvi até que o PSD já pondera recuar. O cúmulo da barracada, da frouxice, coisa mesmo de corno-manso. Mas isso ainda é capaz de ser o melhor que lhes pode acontecer: fazerem-se passar por parvos. Tudo o resto, é capaz de ser ainda pior.

Quanto ao CDS, já ninguém quer saber das contradições em que se mete -- caminha a passos largos para a irrelevância total, abrindo cada vez mais a porta ao poupulismo.

E os de esquerda? Bem. Aí é de a gente se fartar de rir. Prendem-se às minudências da coisa, ocultam o que pensam do fundo da questão, todos eles diz-que-diz-que --  que não é bem assim, que as contas não são bem essas, que há um ponto e vírgula deslocado, um algarismo trocado, que não é para já, é só para quem vier depois, que o Governo não está a ver bem, que o Costa é um exagerado e quem o apoia um fundamentalista. Fazem de conta que o dinheiro virá do céu (e omitem o facto de que será aumento não conjuntural mas estrutural e que, se se der o dinheiro a esses, todo o resto da malta vai querer o mesmo e o dinheiro necessário para tudo... upa, upa). Ouvi-los a defenderem a medida, zero. Ninguém pia. O que eu gostava de ouvir era que viessem dizer abertamente bem da coisa, que defendessem com todas as letras as suas ideias:
A gente quer que estes sejam privilegiados. E a gente quer que se aumentem os impostos a todos para dar este privilégio a estes. A gente quer porque quer e ninguém tem nada a ver com isso. E se mais alguém quiser privilégios a gente também apoia. A gente está aqui para exigir privilégios para uns às custas dos impostos de todos mas disso, do aumento dos impostos para pagar privilégios, a gente não quer falar. E quem não nos apoiar é um fundamentalista-socialista. 
Isso é que era: serem claros, honestos, mostrarem como pensam, mostrarem a sua 'arte' a fazer contas.

E depois há também os que vêm dizer que o Costa é um artista, um exagerado, um encenador, que está a fazer aproveitamento político da situação, a colher dividendos do tiro no pé que os outros artolas deram. Mas como não haveria de fazê-o? Como? Alguém me explica? Então o Costa vê uma tropa fandanga de irresponsáveis, a esquerda de braço dado com a direita e com o sindicalista-mor ao colo, todos a darem tiros nos próprios pés e a prepararem-se para darem um tiro no equilíbrio das contas públicas... e ficava a fazer-se de morto? Devem estar a brincar. É que nem era preciso ser um político inteligente, experiente e responsável como ele é: mesmo um panhonha a dormir não podia deixar de reagir face a uma palhaçada destas. O Costa reagiu? Claro que sim e não fez senão bem. Reagiu e reagiu muito bem. Reagiu e o País só tem a agradecer-lhe.

E o Marcelo?

O Marcelo caladinho, caladinho. Na surdina dos corredores muito se deve conspirar, muitos cenários se devem equacionar. E, cá para mim, tudo passa pelo Rio. Nas crises estapafúrdias há sempre que encontrar um idiota para ser sacrificado. Talvez Rio ainda venha a passar à história como o alpaca expiatório. Mas Marcelo, para além de estar mais do que arrependido por ter dado corda ao Nogueira e aos que querem minar o Governo, é construtivo: deve andar a ver como, diplomaticamente, sem que ninguém saia como o palhaço de serviço, conseguir que a coisa aborte,

Mas não é só o PSD que deve andar à nora com isto. Todos os da quadrilha (leia-se: grupo dos quatro à boleia do Nogueira) devem estar a ver como mitigar a barracada, como controlar os danos que são incontornáveis. Ou arranjam maneira de escrever cláusulas macacas (e exigências que sabem à partida mais ninguém apara e que, portanto, quando forem a votos, mais ninguém apoia) e, portanto, sai um nado morto ou arranjam outro subterfúgio qualquer para salvar a respectiva face.

Quanto aos sindicatos da CGTP (e os da UGT, claro, que são outros inúteis), o PCP e o BE deveriam dar um passo atrás e, em vez de obcecadamente andarem a diabolizar o Costa e a culparem o PS por tudo o que se passa, deveriam ver-se ao espelho e interrogarem-se: 
  • O que é defender os trabalhadores nos tempos de hoje? 
  • Deverão cingir-se tão exclusivamente aos funcionários públicos? 
  • Não serão esses uns privilegiados face a todos os outros? 
  • Quais são os grandes desafios que o mundo de trabalho hoje enfrenta? 
  • Como apoiar os mais jovens? 
  • Como conciliar a vontade que as empresas têm de renovar os quadros com o retardar da idade da reforma? 
  • Como conciliar as possibilidades de trabalho remoto que as tecnologias proporcionam com os horários, processos e mentalidades de trabalho que ainda são os de antigamente?
  • Como fomentar a natalidade sem prejudicar a vida profissional das mulheres que são mães?
  • Como conseguir dar formação aos trabalhadores, agora que a transformação digital avança a passos largos, não havendo recursos suficientes para tal?
  • Etc.

Talvez se interiorizarem isto e muito mais vejam como são absurdas e até pueris as suas greves, os seus argumentos e as suas lutas.

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Mas, se estou a ver mal, pois que venham daí mais contributos para ajudar a gente ver mais claro

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quinta-feira, junho 07, 2018

Antes, depois. Ver para além do óbvio. Fazer diferente.
(Ainda o mesmo tema)





Já o P. me tinha escrito um mail a dizer que eu não tinha razão. Agora também a L. o fez e esta explicou-me como é que isto das carreiras na Administração Pública funciona. O que ela diz não bate certo com o que diz a comunicação social. Os jornais e os noticiários falam em centenas de milhões. O Leitor Prof. João Silva, em comentário, não foi meiguinho: diz que me portei como uma comentadora desmiolada. 

Com dois pontos se traça uma recta, com três um plano. Não sei se com a opinião de três Leitores posso formar uma opinião nova mas sei que devo repensar e informar-me melhor. É certo que a comunicação social é uma máquina fazedora de ruído e que os comentadores partidários mais depressa esgrimem argumentos deformados do que se dão ao trabalho de esclarecer a opinião pública. E, portanto, admito como válida a hipótese de ter emprenhado pelos ouvidos de quem cacareja mais do que informa.


Explica-me a L. que os professores não querem dinheiro, querem tempo de serviço. Mas, com as regras da função pública, provavelmente tempo igual a dinheiro e daí os tais milhões. Mas, admito que o tema não seja de leitura linear e que requeira melhor informação.

Diz o Prof. João Silva que ganha menos do que há 14 anos. Mas não é por ser professor, João. Também eu, que o não sou, estou na mesma. E penso que meio mundo. Com a subida de impostos e com os não-aumentos durante algum tempo, é assim mesmo que estamos. Não me parece que seja caso para nos sentirmos humilhados. É a vida, como dizia o outro. São as circunstâncias. É a crise. É a desregulação do sistema financeiro e do carácter especulativo de grande parte dos instrumentos fnanceiros até há alguns anos. Quando os primeiros se esfacelaram, grande parte dos outros veio atrás e os países, endividados até à medula, foram penalizados em proporção agravada. Portanto, vá de cortes e de subidas de impostos -- e o zé povo (lato sensu) que se lixe.


Mas foi o que foi e o que agora é preciso é conseguir, de vez, de forma sustentada, inverter a tendência de estagnação e continuar a crescer, desejavelmente crescer ainda mais do que até agora para se poder desagravar a carga fiscal e poder ter mais liquidez circulante.

Outra convicção minha muito profunda: o País tem que pôr de lado rivalidades e desentendimentos tribais e unir-se a favor do desenvolvimento. Clivagens, conflitualidades e divisões não ajudam nada.

E acho que o País, no seu conjunto, ainda não é suficientemente 'moderno'. O Estado Social e a Educação, por exemplo, ainda são, a meus olhos, áreas relativamente antigas e fechadas, com muitos dos seus profissionais ainda arreigados a teorias e práticas de outros tempos. O mundo é outro e os príncipios, os objectivos e os processos pouco têm evoluído.

Também acho que os sindicatos são estruturas velhas e relhas, presas a lógicas desfasadas da realidade. Desajudam mais do que ajudam.


Neste caso em concreto, em época de avaliações aparecer outra vez o sindicato dos professores a ameaçar com greves é déjà-vu, já cria anti-corpos no resto da população. Hoje vem a notícia que já não vão condicionar as avaliações mas que, se calhar, vão condicionar o início do próximo ano lectivo. Este clima de ameaça que sempre surge da boca dos professores não favorece a sua imagem junto da população. Podem ter razão, acredito que a possam ter, mas, se a têm, não a sabem transmitir nem sabem gerar empatia com o resto da população. Os professores deveriam ser vistos pela população como agentes de mudança, agentes da modernidade, como agentes da construção do futuro, ensinando esses valores aos seus alunos. E não são.

E se eu tenho que repensar o que disse, e acho que tenho, acho que os professores deveriam também repensar a forma como se mobilizam, como agem e como lutam. Mais: não me parece que seja eficaz a estratégia da vitimização. Nunca é. E aqui, nesta sempiterna luta dos profs, uma vitimização sucessiva, constante, tem um efeito contraproducente. 


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Quem canta lá em cima é a argentina Natalia Doco

O artista de rua que transforma objectos banais numa outra coisa é Tom Bob.


As coisas podem sempre ser outra coisa, Senhores Professores.

quarta-feira, junho 06, 2018

Alô, alô Senhores Professores!
Não querem saber o que se passa nas outras profissões?
Há alguma razão para quererem ser uma excepção?


Com toda a gente que conheço, e conheço muitas e com várias entidades profissionais, aconteceram situações gravosas resultantes da crise. Aconteceu comigo, com toda a minha família, com amigos e conhecidos. Houve cortes diversos, não houve aumentos durante anos (e isto já para não falar em quem ficou desempregado). 
Escuso de rememorar: a crise internacional, a gestão desastrosa de Passos Coelho, etc, etc. Para o caso, agora não interessa (embora, não nos esqueçamos, haja um aspecto que importa não esquecer: Passos Coelho e Paulo Portas fizeram o que fizeram porque o PSD, o CDS, juntamente com o PCP e o BE lá os puseram). Mas, vá, não é agora o tema. Adiante. Aconteceu. 
Agora as coisas voltaram a sair de debaixo de água e começam a aparecer alguns aumentos, embora sempre baixos pois acompanham a inflação e a inflação está baixa. Contudo, ninguém recebeu retroactivos ao tempo antes da crise. Com ninguém. Nem podia haver. Seria um rombo que atiraria as empresas para a desgraça.

Se falar por mim, em termos líquidos, ganho agora menos do que ganhava há uns anos e isto não apenas porque houve anos sem qualquer aumento, por miserável que fosse, como os impostos devoram uma parte mais dolorosa dos meus rendimentos do que antes. Com o meu marido acontece o mesmo. E isto só para falar dos dois casos que agora estão aqui na minha sala.

Houve um ano, na empresa onde trabalho, empresa privada, em que, apesar da crise, a administração resolveu dar um aumento de 0,5% -- e fê-lo porque estava preocupada com o rombo na vida das pessoas e quis dar um sinal de solidariedade Ninguém estava à espera e, mais do que ficarem contentes, as pessoas ficaram preocupadas pois, a bem da sustentabilidade da empresa, preferiam que não tivesse havido aquele gesto, preferiam a contenção.

Mais: na empresa onde trabalho, e, em geral, no grupo onde a empresa está inserida, não existe tal coisa de 'carreiras'. Nem nesta nem noutras empresas onde trabalhei. Aliás, acho que nunca trabalhei numa empresa em que existissem 'carreiras'. Nem percebo a lógica. Não faz sentido. Haver concursos internos para se mudar de funções, haver algumas promoções quando se justifique, ou avaliações com atribuição de bónus, isso, sim, tem lógica. Agora a pessoa ir ali de degrau em degrau, de forma compulsiva, não faz qualquer sentido.

Nem faz qualquer sentido que, estando agora a voltar a haver aumentos, as entidades patronais fossem aplicar aumentos retroactivos aos anos que pararam de os haver. O mundo não anda para trás. Aconteceu uma crise e as pessoas foram afectadas. Ninguém o pode negar. Aconteceu. É passado.

Agora estamos a sair da crise e estamos a voltar a crescer e é mais do que normal e justo que os ordenados acompanhem esse crescimento. O que é de loucos é pensar que se pode fazer de conta que nada aconteceu e se apliquem retroactivos. Havia de ser lindo. Seria um desajustamento automático, um buraco.

Ora se isto é cristalino e óbvio, os professores têm obrigação de saber pensar, de saber fazer contas e de não darem mostras públicas de um despropositado egoísmo.

Enquanto falo, o zapping foi parar ao Fernando Medina, na TVI 24, e, por coincidência, está a falar nisto e acaba de usar um argumento em que eu não tinha pensado: olha se eu exijo de volta os impostos que me cobraram a mais, a taxa extraordinária, etc? Não seria bem pensado...? 

Se o Governo resolver ceder a mais esta investida do Mário Nogueira e aceitar repor as carreiras de professores (e só de ouvir falar em carreiras já eu fico com erisipela), então é bom que, de facto, devolva todos os impostos que cobrou a mais a toda a população, que devolva aos reformados os cortes que lhes aplicou e que todas as empresas se preparem para desembolsar milhões e milhões para compensar os não aumentos do tempo de crise. Melhor: que todas as empresas que faliram, sejam obrigadas a reabrir e a readmitir todos os que ficaram desempregados. 

Porque não? A lógica não é igual para todos?

Claro que há a EDP e as rendas, os bancos e o escambau -- os sempre beneficiados. Claro.
Não apenas sei disso como o Leitor P. me enviou um mail a lembrá-lo (depois de eu me ter atirado ao macho-alfa Nogueirão que se armou em bicho mau com o Ministro Tiago Brandão Rodrigues). 
O mundo não é perfeito e há ainda muita coisa para corrigir. Claro que sim. Mas a forma de o fazer não é desatar a cometer outros erros e erros com impactos desastrosos.

E eu só espero que António Costa se mantenha firme e não ceda a Mários Nogueiras e outras figuras sinistras da democracia portuguesa, não ceda a populismos, de esquerda ou de direita. Espero mesmo.

As medidas correctas e que respeitem a equidade nem sempre são as mais populares para todos, nem sempre são fáceis de explicar a toda a gente mas, a bem do desenvolvimento saudável e justo do país, é bom que façamos finca pé e não nos rendamos aos facilitismos e à sedução que enroupa o populismo.

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As fotografias provêm do The Guardian e, se calhar, não têm muito a ver com o texto: mostram estátuas vivas do Festival Internacional de Bucareste

Que amor não me engana, do Zeca, às tantas, também não tem muito a ver com o resto. Mas não garanto.

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quinta-feira, novembro 23, 2017

Ó Adalberto...
diz-me que não és pouco esperto...


De vez em quando, a vida ocupa-me os interstícios temporais onde, quando os tenho livres, tomo conhecimento das nabices que preferiria ignorar.

Por isso, quando dei por ela, já meio mundo falava e eu sem perceber o que tinha acontecido. Num instante era a Agência do Medicamento que não tinha ido parar ao colo do Egocêntrico Moreira do Porto e, no instante seguinte, já era o Infarmed, qual Agência dos Pequenitos, aka little Ema, que para lá ia.


Não percebi qual o racional, qual a liaison entre os temas nem que raio de compensação atabalhoada era aquela. Nem percebi se tinha sido um foguete mental que rebentou antes de tempo, se foi um surto de meiguice por parte do ministro para com o macho alfa do Porto, se quê.

Admito que foi por ter ocorrido durante o lapso em que estive distraída, que, tivesse eu estado atenta, teria captado os fundamentos da coisa. Mas tão extraordinária é a medida e tão bombasticamente surgiu que não sei não.

Tudo o que aparece assim, aparentemente por apetência demagógica, decisão mal pensada, vontade de agradar a egocêntricos ou palhaçadas de outro tipo me incomoda.

Contudo, quero crer que o Adalberto --- que já me tinha arreliado quando foi ao Parlamento pedir desculpa pela legionela, feito caniche emocionalmente amestrado pelo Presidente Papa-Afectos Marcelo --- não é tão dado ao dispautério quanto me está a começar a parecer. 


Por isso, não me alongo na prosa. Vou dar o benefício da dúvida. Mas vou estar à coca, ah vou, vou.

E também vou estar à coca do que o menino Costa faz. Ceder a facilitismos com medo das reacções da CGTP em casos em que o que está em causa são os privilégios de classe (carreiras...? progressão na carreira com base na antiguidade...?) oh meus amigos, se voltámos a essa conversa bafienta, então, vou ali e já volto. Podem contar com o meu apoio quando acho que estão a defender os interesses do País e dos Portugueses no seu todo. Deixam de contar com ele quando enveredam por caminhos estreitos e que, inevitavelmente, levam a becos sem saída. E vergonha deveria ter a CGTP em estar a fazer exigências sem sentido e a avançar para greves absurdas quando esteve tão caladinha durante os sinistros anos em que o Láparo, o Portas, a Albuquerque, a Cristas e todos os demais ajudantes de campo andaram a dar cabo do País e da vida dos Portugueses. 


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segunda-feira, dezembro 02, 2013

Depois de Nuno Crato recuar em quase toda a linha na questão dos exames aos professores contratados, inclusivamente devolvendo os 20 euros que lhes tinha extorquido, depois do Helder Rosalino ter recebido os sindicalistas que 'invadiram' os ministérios, depois de nomearem para chefe da PSP o responsável pelos polícias que não impediram os outros de avançar escadaria da AR acima, o que mais nos espera? Passos Coelho convidar Mário Soares para ser o candidato do PSD à Presidência da República...?!?! Só pode, né?


A cobra sibilante, essa criatura que destrói de forma sistemática o edifício do ensino público em Portugal, estraga mesmo tudo onde toca. Tudo. Com aquele seu ar de ratazana sombria e sorridente, só faz porcaria, só, só. Mas aparece sempre com aquela sua voz de mamar doce a fazer de conta que está tudo bem, que estava tudo previsto desde o início. Uma coisa e o seu contrário para ele é tudo igual e, pelo caminho, vai ficando um rasto de descrédito, de falta de carácter, de insustentável leviandade, desrespeito pelos outros (neste caso, acima de tudo, desrespeito pela classe docente) e falta de vergonha na cara.

Depois de ter inventado essa sevícia de obrigar os professores contratados a pagarem uma prova que poderia servir para os lançar no desemprego e de ter inventado toda a espécie de absurdos argumentos a defender a imprescindibilidade desse exame, eis que hoje, depois de uma reunião com a UGT, aparece de marcha atrás a dizer que assim é que é bom, ai tão bom, todos na maior amizade, e que afinal aquela prova que ia purgar os ignorantes que nem escrever sabem, só vai ser feita para a minoria que ensina há menos de 5 anos. E que até vai devolver o dinheiro a todos os outros...! 


Nem mais!

Mal fora que lhes ficasse com o dinheiro mas daqui lanço uma pergunta ao ex-matemático Crato: sabe quanto é que esta sua brincadeira de mau gosto vai custar aos contribuintes?

Fazer os exames, distribuí-los, arranjar mecanismos de cobrança, e agora arranjar mecanismos de devolução do dinheiro, com toda a carga administrativa associada, quanto custa? Quanto?! E para nada. Dinheiro gasto para nada. 

*

Hoje estive a fazer baby sitting à hora de almoço e, depois do meu amor pequenino que está adoentadinho ter adormecido, entretive-me a ler a Sábado. Mais valia não ter lido: assessores e mais assessores no Governo, resmas deles, paletes, uma gaiatagem inexperiente, um que até tem como hobby jogar playstation, putos de 20 e tal anos sem experiência profissional de qualquer espécie. A ganharem belos ordenados para serem assessores, imagine-se...! Certamente para assessorarem outros tão ou mais ignorantes que eles.


E nós, meus Caros, a pagarmos esta desbunda. Não há dinheiro para as reformas, não há para os subsídios de desemprego ou para os abonos de família, não há para pagar os ordenados dos trabalhadores a sério - mas há para pagar a esta miudagem, tal como há para pagar pareceres a advogados, a agências de comunicação e a outros redis de boys e acólitos.

E ainda querem que eu me modere e use palavras doces para falar de gente tão estúpida e incompetente? 

Bolas para isto!

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As imagens, como é bem patente, provêm do extraordinário blogue We Have Kaos in the Garden.


quinta-feira, setembro 19, 2013

Nuno Crato torna o inglês no Ensino Básico opcional e, ao mesmo tempo, introduz exame de inglês no 9º ano (curiosamente um exame elaborado pela Universidade de Cambridge e patrocinado por um banco e por duas empresas de software)... Contraditório...? Nada a ver umas coisas com a s outras? .... Ou será que está tudo ligado...? Eu arrisco a terceira hipótese.



Nuno Crato, uma cobra insidiosa, voz doce, veneno letal


  • Será que os meninos que não têm aulas de inglês durante o ensino básico estão em igualdade de circunstâncias com os que as têm? Eu acho que não.

  • Ou vão ter mais dificuldades? Eu acho que vão.


  • E será que os pais cujos filhos não têm aulas de inglês, para que os filhos não fiquem prejudicados, vão querer que os seus filhos supram essas dificuldade de alguma maneira? Eu acho que vão querer.


E será que a Universidade de Cambridge (que faz o exame do 9º ano) não tem ensino remoto através da modalidade e-learning? E será que aquelas empresas de software não são 'parceiros de negócio', comercializando (ou indo comercializar) em Portugal esses cursos? E será que, para pagar esses cursos por transferência bancária, não haverá umas condições especiais se forem feitas através de um certo banco?


E será que a conjugação destas medidas não consubstancia a criação de um negócio? Eu, meus Caros, vos direi com um certo feeling que tenho para estas coisas, que sim, que farejo negócio - e dos bons. 

Se eu tivesse que apreciar esta oportunidade, sob o ponto de vista de negócio, diria, de caras, que está aqui um belo business case. Ganha quem factura, ai ganha, ganha, que isto é dinheiro limpinho para quem factura. 

Claro que perde quem tem que pagar aquilo a que deveria ter direito (sem ter que pagar nada). 



Alô! Alô, Professor Paulo Guinote!


Lógica da batata coisa nenhuma.

Muita esperteza é o que é.
Os professores
e toda a gente devem é estar de olhos bem abertos,
não subestimar a esperteza destes sujeitos.
Alô! Alô! Senhores jornalistas! De que é que estão à espera para indagar? 

E porque é que o PS, o PCP, o BE (e as pessoas decentes do PSD e do CDS) não denunciam os graves atentados contra a Constituição que Passos Coelho, o chefe do sinistro Crato, gosta tanto de fazer?

E o que é que os Sindicatos dizem a isto?!?! Não percebem que a utilidade dos professores está a ser minada na sua essência?

Começo a ficar muito seriamente enjoada com a falta de vergonha da gente da coligação governamental e muito preocupada com a falta de atenção e de inteligência da oposição, dos jornalistas, dos sindicatos.




Se esta tropa fandanga não é rapidamente apeada não vai sobrar pedra sobre pedra. Perigoso tudo isto, muito perigoso.

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A primeira imagem provém do blogue We Have Kaos in the Garden

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Ainda cá volto hoje.


quinta-feira, junho 20, 2013

Hugo Soares, deputado do PSD, presidente da JSD, quer saber quanto custam os sindicatos dos professores. Intrigada com a insolência do requerimento fui saber quem é o valentão. Ora bem: cá temos mais um gaiato de 30 anos. Experiência profissional, experiência de vida...? Fraquinhas, fraquinhas... Eu não vos disse já mil vezes que no PSD os escolhem a dedo? Quanto mais fraquinhos, mais trepam. (Não me admiro nada: eu se quisesse ter um bando de paus mandados a assinarem de cruz tudo o que eu dissesse também os escolhia assim) /// E, já que a conversa derrapou de novo para a mediocridade, fui buscar outra vez a Rosa Oliveira para que, por aqui, deite a sua Cinza (*) /// E, porque soube agora que morreu James Gandolfini, o Tony Soprano, a minha despedida a um homem cheio de vida



Ora aqui está ele, Hugo Alexandre Soares, o catraio (bem nutrido)
que quer saber se há-de mandar acabar com os sindicatos ou não
- para já só está a pensar nos sindicatos dos professores mas depois logo se verá o que vem a seguir



Retiro do site da Assembleia da República informação sobre a vasta e suculenta biografia do catraio Hugo Alexandre:

Em 2005, aos 22 anos, o Hugo Alexandre foi para Deputado Municipal na Assembleia Municipal de Braga onde esteve até 2009. Nessa altura foi Vereador na Câmara Municipal de Braga em regime de substituição (ou seja, não sabemos se exerceu ou não, ou se isto consta do seu CV apenas para encher). Mas uma coisa é certa: o jeito que dá ser da JSD - mal lhes caem os dentes de leite já estão em deputados e vereadores disto e daquilo...


Enquanto isso, a partir de 2007, altura em que dá ideia que acabou o curso de advogado, e até 2009, foi formador em duas empresas, a Weform, empresa que não tem site, e da qual consegui perceber, salvo erro nas páginas amarelas, que dá formação em Cursos de Práticas Administrativas, Práticas Técnico-Comercias, e a Ldn - Formação Profissional, onde se ministram cursos financiados.

Entre 2010 e 2011, fruto certamente da bruta experiência que, entretanto tinha adquirido, foi para Consultor Jurídico na Associação Empresarial de Portugal  (programa Empreender no Feminino). Fazer o quê não se sabe pois entrei no site e não consegui perceber qual a intervenção da AEP no dito o programa para além de o divulgar, pelo que não se sabe que consultoria lá teria ele feito. Uma avençazita que lhe deu muito jeito, provavelmente.


Hugo Alexandre,
sabendo certamente muito da vida e da história política, económica e social do país,
não hesita em cagar sentenças como a que acima se vê
 (e vocês desculpem lá o léxico mas é que não dá para a gente manter a compostura perante anedotas destas:
é que uma coisa é ser alguém com tino e conhecimentos a fazer avaliações comparadas
e outra, bem diferente, é ser um jota qualquer desta vida a dar-se ao desplante de o fazer)


E daí, com 28 anos, ei-lo a saltar para representante do Povo, passando a ser Deputado na Assembleia da República na ilustre bancada do PSD (where else?). 



Ó pr'a ele, o Hugo Alexandre, tão importante, já deputado!, rico menino

Já deputado, com 29 anos, foi eleito Presidente da JSD. Vêmo-lo nas fotografias desse inesquecível dia, babado, ao lado desse outro grande estadista que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho.


Pois bem, é este puto agora com 30 anos e que por aí tem andado, beneficiando da sua condição de Jota, que hoje resolveu encabeçar um grupo de deputados que mostraram uma vez mais qual a sua cepa.



Vocês desculpem... mas digam-me lá se este Hugo Alexandre
não tem um je ne sais quoi que faz lembrar o Tino de Rans?


Transcrevo parte de uma notícia: num requerimento dirigido ao ministério da Educação e Ciência, hoje entregue no Parlamento, o deputado do PSD Hugo Soares perguntou "quantos sindicatos existem no sector da Educação", qual o "valor transferido para os sindicatos durante o ano de 2012 e orçamentado para 2013" e como são discriminados os gastos.


O deputado justificou a oportunidade da pergunta face aos "acontecimentos recentes que impossibilitaram milhares de jovens de realizarem os seus exames nacionais", referindo-se à greve dos professores da passada segunda-feira.

Questionado pelos jornalistas, no Parlamento, sobre se sugere a redução dos custos da actividade sindical para o erário público, Hugo Soares afirmou que antes de admitir essa possibilidade, quer saber quais são os encargos.

O deputado argumentou ainda que os custos devem ser conhecidos "numa altura em que é fundamental que todos os portugueses percebam a equidade dos sacrifícios que são pedidos e que ao mesmo tempo se exigem cortes na despesa do Estado com vista a uma redução da carga fiscal".



Cá estão eles. Estão de cabeça para baixo porque pensam com os pés,
porque, nas mãos desta gente, o país está de pernas para o ar


Assusta-me pensar que a Assembleia da República - lugar onde deveriam estar os nossos representantes, gente que deveria ser do melhor que a sociedade fosse capaz de gerar - está, ao invés, ocupada por uma seita de gente perigosa. Muito perigosa.

A ignorância e a estupidez, quando ligadas a uma ambição rasteira, são um perigo. 


Como poderemos esperar que gentinha desta, impreparada, deslumbrada, mal escolada, mal formada, sem cultura democrática, caída de pára-quedas em lugares de poder, tenha condições para legislar, para monitorizar a actuação do governo, para propor alternativas, para fazer o que quer que seja que exija bases sólidas, alguma tarimba, alguma cultura, algum mundo? Impossível.

Enquanto a Assembleia da República, o Governo, as Autarquias e sabe-se lá o que mais estiverem invadidos por esta praga, como pode o País avançar? Impossível. Impossível. Desgraçadamente impossível.


Mas não nos isentemos de responsabilidade perante um descalabro destes. Somos nós que deixamos que isto aconteça. Somos nós os responsáveis por esta pouca vergonha. Votamos neles sem cuidar de saber que competências têm para lá figurar, e continuamos a assistir, impávidos e serenos, a que toda a espécie de animais assuma o comando da nossa quinta.


[Já agora: não seria, ao menos, de dizermos ao Hugo Alexandre e demais amiguinhos que temos melhor destino para os nossos impostos do que pagar-lhes o ordenado? Que não estamos para estar a trabalhar para ele e outros criançolas andarem a dizer baboseiras?

Quer-me cá parecer que um dia destes ainda meto férias para ir para as galerias da Assembleia com cartazes dirigidos aos palermas que por ali pululam.

... Mas eu não digo que ninguém me poupa, senhores...?]


*


Em presença de todo este desastre (e, desde que este miserável desGoverno tomou posse, são só desastres, retrocessos, atentados, vexames, empobrecimentos, aviltamentos) fui buscar outra vez a Rosa Oliveira e a sua Cinza , teve mesmo que ser. E ela disse.



                                          como foi possível esta longa marcha para a mediania?
                                          o que significa viver dentro de um corpo
                                          de onde a consciência se retirou há muito
                                          esta embalagem vazia?

                                          rodeados de pensamento tóxico
                                          submersos em epifanias da normalidade
                                          estamos numa guerra invisível
                                          desconhecida até hoje da humanidade
                                          sitiados por armas virtuais em destruição imparável

                                          sufocamos sob camadas de managers
                                          designers, adidos, conselheiros, assessores
                                          pequenos soldados de chumbo
                                          reclinados nas dunas da abreviatura
                                          agasalhados na linguagem religiosa
                                          da performance a todo o custo

                                          como nas hordas de lepra medieval
                                          trazemos sinos que anunciam corpos contaminados
                                          lentos, pensativos
                                          suspensos numa mudança de vírgula
                                          reescrevendo sem horário

                                          confiando na oscilação do universo
                                          lançamos toda a fortuna
                                          no princípio da incerteza




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(*) - Como é óbvio a mediocridade a que me refiro no título não tem nada, nada, nada a ver com a poesia de Rosa Oliveira. A mediocridade a que me referia era à dos medíocres a que ela se refere no poema que escolhi.

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Soube agora que morreu James Gandolfini, um artista que eu adorava ver nos Sopranos. Fico com pena.

Para além do mais, quando não estava muito gordo, achava-o um homem muito sexy, peito amplo, todo ele sensual, divertido, malicioso, caloroso.

Assim é a vida, por vezes excessivamente breve. Seja como for, deve tê-la usado muito bem. 



James Gandolfini, aqui como Tony Soprano,
fotografado por Annie Leibovitz


*

Isto está outra vez uma coisa de um tamanho impróprio, bem sei que nos blogues não se deve escrever em extensão, textos longos tornam-se maçadores. Mas distraio-me, escrevo de gosto. Vocês desculpem-me, está bem?

Mas, ainda assim, permitam-me que vos convide a virem comigo até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair. Hoje há uma certa rosa esquerda que salta das mãos de Herberto Helder para se vir acolher no meu ventre. A música é ainda de José Valente.

*

E tenham, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. Aproveitem bem a vida, está bem?

(Uma vez mais rumo a norte e por lá fico para o dia seguinte.
A ver se, à noite, apesar do jantar certamente prolongado e da cabeça certamente em água, ainda consigo vir aqui dar dois dedos de prosa convosco.)