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segunda-feira, março 09, 2026

Ça va san dire, que é o mesmo que dizer que that goes without saying

 

Não dormi nada bem. A meio da noite, ou melhor, da madrugada, vendo que a coisa não ia, por si só, a bom porto, levantei-me e fui tomar meio comprimido daqueles que cá tenho, acho que é de raiz de valeriana. Não me faz logo efeito mas, quando faz, para aí daí por uma hora, finalmente caio no sono. E já sei que, durante uma semana ou duas, vou dormir como uma santinha. Foi o médico de família que me receitou há algum tempo. Tenho ideia que cada caixa tem para aí uns 20 comprimidos e dá-me, à vontade, para 1 ano. 

Mas, por causa disso, acordei tarde. E com mais dor no pescoço. Agora, de vez em quando é isto, torcicolo. Na sexta-feira já me doía um pouco e fui ao ginásio na mesma, não quero dar mole. E, enquanto der, continuarei a ir, mesmo puxando pesos e fazendo aquelas forças que, ao que parece, me garantem a longevidade eterna. Só que, não sei a que propósito, também acordei com dor de garganta. Tenho cá para mim que, quando pinta um stress, o meu corpo reage, inflama, manifesta-se. Estou a virar um vidrinho, é o que é.

Por exemplo, no último ano de vida da minha mãe, em que andei permanentemente debaixo de uma enorme pressão, com ela a queixar-se de tudo e mais alguma coisa mas tudo de forma errática, ilógica, aparentemente nada correlacionado, e em que eu julgava que ela estava num estado descontrolado de hipocondria e já não sabia o que havia de fazer, andei constantemente com inflamações ora num joelho, ora num pé, ora num braço. Ora andava meio manca, ora completamente de perna no ar com canadianas, ora de braço ao peito. Quando ia com ela ao médico ou ao hospital, ela ia lesta e eu toda lesionada. Tenho para mim que o stress me afogava em cortisol e o cortisol amarfanhava-me de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Depois meteu-se o pesadelo de esvaziar a casa, meses e meses, infindáveis meses, de stress. E a ter que carregar com sacos e caixas e toda feita dondoca, a deixar o esforço todo para os outros, em especial para o meu marido, pois continuei aleijadinha de todo e qualquer carga fazia exacerbar ainda mais a inflamação nas articulações. Só visto.

E dormir mal também me atrofia toda. Dantes, quando trabalhava, dormia seis horas, por vezes menos que isso, e andava fresca e arrebitada todo o dia, um mimo. Agora, se durmo menos que sete, já fico com alguma coisa a tender para o disfuncional. 

Seja como for, para já, nem o torcicolo nem a dor de garganta são por aí além. Por isso, fomos na mesma passear à praia. Não estava bom tempo. Mas estava um movimento do caneco, os estacionamentos inexistentes. Tivemos que andar por ali e pelas redondezas à procura de agulha no palheiro. Não íamos almoçar lá mas queríamos comprar sushi para almoçarmos em casa. Tudo cheio, a deitar por fora, tudo com montes de gente à porta. Não estávamos a perceber o que era aquilo. Vi uma mulher com uma roupa meio estranha e por um instante ainda pensei que, na volta, o carnaval se tinha estendido no tempo. Depois vi várias com flores. ainda me ocorreu que fosse dia dos namorados mas depois lembrei-me que isso já tinha sido. Antecipação do 25 de abril não porque não eram cravos. O meu marido também não estava a perceber. Pensei que se calhar era dia da mãe. Depois, porque gosto de confirmar as minhas suposições, perguntei ao gemini. Dia da Mulher. Só me apeteceu pensar que se calhar mais valia passar a chamar-se dia do restaurante.

Fomos passear à beira mar. Como sou míope, vi ao longe uma criatura pequena e gorda a rodopiar com os braços ao alto e um objecto na mão. Comentei: 'Até já as miúdas pequenas se auto-filmam em poses parvas. Em vez de olhar para o mar, olha ali aquela miúda a filmar-se a ela própria como se o mar fosse um mero pano de fundo. Caraças'. O meu marido respondeu: 'Qual miúda?'. Com o queixo apontei. Ele, sempre parco de palavras, apenas perguntou: 'Achas que é uma miúda?'. Pus-me a fotografá-la naquelas poses inestéticas, irracionais e despropositadas. Quando cheguei perto, vi que, afinal, criança era coisa que ela já não era,  era uma mulher baixa e gorda de calças muito justas, o volumoso rabo e as pequenas e gordas pernas a quererem estraçalhar aquelas calças todas. Num banco perto, uma criança à espera que a mãe se cansasse de fazer aquelas tristes figuras. Depois lá foram, à nossa frente. Fotografei-as: a criança mais alta que a mãe e, aparentemente, mais sensata, vestida mais normalmente. Só não ponho aqui as fotografias que tirei não vá a senhora descobrir e ficar furibunda. Afinal estou a descrevê-la como estou enquanto ela se vê, tenho a certeza, como uma nova Raquel Welch. E se já não há por aí a ler-me uma alma que saiba de quem estou a falar, então muito me contam. Serei a mais idosa ou a menos desmemoriada de entre todos os que por aqui passam? -- E ok, ok, façam o favor de fazer a caridade de não me responderem.

O que sei é que, à medida que ia andando, ia pensando: é este o mundo que temos pela frente. Não a perguntar mas a afirmar.

Mas, para não dar a viagem por perdida, ainda lá fiz dois pequenos vídeos que publiquei no Instagram. E, entretanto, ao telefone, a minha filha já manifestou, mais uma vez, a sua estranheza e incompreensão: não sabe o que é aquilo, o mar faz muito barulho, a minha voz mal se ouve, não falo de nada que interesse, e teme que ande, eu também, a fazer figurinhas tristes. Sosseguei-a: estava num sítio em que não havia mais ninguém. E são uns segundos, aponto o telemóvel, digo o que me ocorre dizer naquele instante e já está. Deveria editar ou ter o discernimento de me deixar estar quieta, bem sei. Mas se acho piada a fazer aquilo, porque não hei-de fazer, ora essa? E depois há coisas bizarras. Na quinta-feira à tarde fui passear à beira rio e vi um barquinho quase todo afogado. O barquinho chamava-se Faisão. Apontei o telemóvel e disse: 'Olha... o faisão foi ao banho...'. Pois bem, acreditam que ontem vi que aquilo já tinha sido visto mais de 3.800 vezes? Achei fantástico. E incompreensível. Claro que 3.847 é coisa nenhuma, zero vezes zero quando comparado com os milhões que as influencers de sucesso alcançam. Mas eu sou uma simples anónima, de voz sumida, que não diz coisa que se aproveite. Porque é que as pessoas veem? Será que acham que é uma coisa tão descabida que veem para tentar perceber se há ali alguma mensagem subliminar? Se é, lamento desapontar mas é mesmo só falta de jeito e, se calhar, também de tino.

E, para que vejam bem o grau de desorientação em que esta minha cabeça anda -- na volta porque o pescoço que a sustém está repuxado e a garganta dorida -- tenho que confessar que, quando abri o computador, vinha com a ideia de aqui desabafar um bocado a propósito do animal, do estupor, do infame e cruel cavalgadura que anda a desaustinar o mundo inteiro. Mas distraí-me e, depois, não me apeteceu arrepiar caminho.

Portanto, não levem a mal que eu não tenha feito mais nada senão por aqui ter andado na converseta, sem acrescentar nada que valha a pena... Mas, para que não fiquem a pensar que já estou mesmo maluca de todo e que, com a divagação pegada para a qual derrapei, me esqueci da abestalhada figura, aqui vai o cartoon que a Ella Baron fez para o Guardian

Finalmente, aqui chegada, e vou já dar a faena por encerrada, não faço ideia do nome que hei-de colocar lá em cima, como título deste post. Só me faltava mais esta, já meio a dormir e sem encontrar um denominador comum no que escrevi...

A guerra de Trump e Netanyahu no Irão: As novas roupas do Imperador 


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Desejo-vos uma boa semana

sábado, outubro 25, 2025

Psicologia das pessoas que não publicam as suas fotos nas redes sociais

 

Não faço selfies, não tenho interesse em mostrar-me, nenhum, não me mostro com as minhas toilettes, não me mostro com a comida que vou comer, não me mostro com paisagens em fundo nem com o que quer que seja atrás, ao lado, em cima ou à frente. No mundo inteiro, tão cheio de coisas fantásticas, a última coisa que me interessa é desviar a atenção dessas coisas para me colocar a mim em primeiro plano.

E nem é só isso, é também porque não faço gosto em que vejam que estou feliz, que estou sorridente, que estou pensativa, sonhadora, brincalhona, bem ou mal conservada, bem ou mal amanhada. 

Sou o que sou e a mim basta-me o que sinto e como me vejo. Claro que também me interessa a opinião dos meus, mas interessa-me sobretudo numa perspectiva construtiva, ou seja, gosto que me sugiram dicas sobre como fico melhor. Mas se me disserem que, com este tempo, não faz sentido ainda andar de calções, estou-me nas tintas pois, se me sentir bem assim, é assim que vou andar. 

Mas também não faço disso um filme, não me vitimizo por me achar uma incompreendida (até porque não acho), nem me faço de heroína por achar que não cedo a modas (até porque não acho me heroína nem por isso nem por coisa alguma), nem me mostro nem assim nem assado pois a chuva é linda, as árvores, quando chove, são lindas, a urze é linda, a terra molhada é linda e cheirosa e tudo é uma maravilha -- e eu sou coisa nenhuma, sou irrelevante, uma poeira insignificante que é o que é, independentemente de acharem bem ou mal, gostarem ou não gostarem.

Dito isto, nada contra quem se acha o centro do mundo e se coloca no meio de todas as fotografias. É o que é, e são tantas as pessoas que o fazem que tenho que aceitar que é o novo normal -- o mar é lindo mas lá está o emplastro em primeiro plano, o jardim é uma graça mas lá está o emplastro a tapar parte da sua beleza. Por todo o lado. Mas, enfim, nada contra os emplastros. Se as pessoas sentem essa necessidade, lá terão as suas razões. 

Aliás, enquanto vou passeando à beira mar -- as águas revoltas, bravias, o céu lindíssimo --, o que mais vejo é gente de costas para o mar a fotografar-se com ele em fundo. Devo ser a única pessoa que se limita a fotografar o mar.

No entanto, não escondo que, de quando em quando, me ocorre que deve haver qualquer coisa em mim que me leva a não seguir essa tendência, a não ter qualquer interesse em partilhar a minha imagem. 

Pois bem, não sei porquê, hoje o algoritmo do youtube apareceu-me com o vídeo que aqui partilho. Gostei. Sim senhor, então é isso. Very well.

Vejam porque é interessante. E se V que me lê, meu Caro Leitor ou Leitora, é mais do tipo selfie, selfie, selfie, então veja o vídeo em reverso pois o que aqui se diz para os que não se mostram pode ser entendido ao contrário para os que se mostram. 

Psychology of People Who Don't Post their Photos on Social Media

Porque é que algumas pessoas nunca publicam fotografias online — nenhuma selfie, nenhuma atualização, nenhum vestígio da sua vida pessoal?

Num mundo que premeia a visibilidade, o silêncio delas sobressai.

A psicologia diz que este comportamento revela algo mais profundo — sobre confiança, limites e inteligência emocional.

Estas pessoas podem não ansiar por atenção, mas compreendem algo que a maioria de nós ignora sobre a natureza humana e o mundo digital.

Neste vídeo, descobrirá a verdadeira psicologia por detrás das pessoas que preferem a privacidade à popularidade — e porque é que isso pode ser um sinal de força, e não de insegurança.

Esta perceção vai além das redes sociais. Trata-se de autoconsciência, identidade e de quão profundamente as nossas mentes se adaptam à exposição constante.


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Desejo-vos um belo sábado
Be happy

sábado, abril 06, 2024

Mais um pouco e o nosso Luisinho tinha dado uma de Rubiales...

 

Continuo out. Não posso pronunciar-me sobre o que disseram ou fizeram nas tomadas de posse porque não vi.

Li sobre a corajosa medida que o Luisinho e a sua turminha tomaram logo, assim de rajada, para que todos ficassem a saber ao que vêm: tiriris e modernices não são com eles. Pimbas. Alto e para o baile, as sardinhas de volta para o prato, e que se reinstale o velho logótipo. 

Por mim, não vou já gastar chumbo grosso com eles. Já o disse e volto a dizer: o primeiro milho é para os pardais. Apenas refiro, e é de passagem, que fica crystal clear que o cantinho cerebral bimbo do nosso primeiro parece ser maior do que devia. Seria bom que numa futura entrevista o questionassem sobre o tipo de arte que aprecia (pintura, música, etc). Cá para mim, sai pimbalhada e menino da lágrima que é um mimo.

E que fique claro que gostava que este governo governasse bem, com cabeça, tronco e membros, com visão, com tino, com equilíbrio e ponderação. E estou a falar a sério. Quero o melhor para o meu país e se aquilo que eu acho que é o melhor vier pela mão do Montenegro, cá estarei para felicitá-lo.

Claro que este pormenor do logo é uma chatice pois revela uma tacanhez que não me parece um bom prenúncio mas, enfim, bola para a frente.

E agora adiante que a conversa é outra. 

A questão é que, ao ver o Expresso, dei com uma foto da Ana Baião em que tomei a liberdade de extrair apenas a parte picante, aquela em que o Luisinho se abraça, mas abraçar não sei se não é ligeiro demais para o entusiasmo que ali vejo, talvez 'atraca' uma senhora numa pose a que dantes eu ouvia chamar à Tyrone Power. A senhora até teve que se dobrar pela cintura em manobra de recuo tal a pujança com que ele a enlaçou logo ali pelo meio das costas não fosse ela fugir-lhe. E está com um sorrisinho que me parece malicioso demais, o Luisinho, não sei o que estaria ele a sussurrar-lhe ao ouvido mas boa coisa capaz de não ser. E, note-se, não os conheço de lado nenhum e até não sou de intrigas, isto é mesmo tudo na base da body language.

Não sei se o ósculo e o entusiasmo do amplexo foram consentidos. É melhor o nosso Luisinho precaver-se não vá a senhora pensar melhor e ainda meter o nosso Rubialitos em trabalhos. 

Claro que repescando outra parte da imagem inicial a gente pode ver o so called Dissolvente Marcelo, também conhecido pelo Boca-Doce, a, aparentemente, chegar os seus lábios -- que tanto amor têm para dar -- demasiado perto da boca da outra senhora. 

Mas, neste caso, não me pronuncio:
  • primeiro porque pode ser um erro de paralaxe 
  • e, segundo, porque a senhora, ao inclinar-se na direcção dele e ao agarrar-se ela a ele, evidenciou que estava afim do ósculo presidencial. 
Se calhar a menina ainda pensa que é coisa com algum valor facial, ainda não percebeu que beijo de Marcelo é daquelas commodities que por aí há a pontapé, meio mundo já apanhou com ele. 

Não me esqueço de uma colaboradora que tive, chanfrada de todo, que um dia apareceu lá toda histérica a anunciar que tinha estado com o Marcelo e que até tinha uma fotografia com ele. A malta ao princípio ainda ficou espantada a pensar que tão maluco era ele como ela para ainda perder tempo a aturar as conversas parvas e lunáticas dela. Mas depois, aprofundando, percebeu-se que calhou cruzar-se com ele num sítio qualquer, veio ele e a abraçou tendo ela perguntado se podia tirar uma fotografia e ele claro que sim', só faltando acrescentar que 'fui eleito para isso'.´

Mas, portanto, não creio que desta segunda senhora venha algum risco de ainda vir para aí dizer que aquele beijo do Marcelo não foi consentido.

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Já agora

Sobre o tema de ontem só tenho a dizer que há uma outra que é bem conhecida -- e não levem a mal mas não vou poder dizer pela parte de quem mas digamos que se apostarem que é de alguém do meu inner circle estarão quentinhos, quentinhos. 

Na Secretaria de Estado em que está o que tenho a dizer é que acho que vai ser um fartote pois o que ouço dizer é que experiência na área em que está: zero, competência; zero, perfil para a função; zero. Diz-se e desdiz-se, quer entrar à leão mas logo sai de sendeiro e tantas fez que não aqueceu um dos últimos lugares por onde passou tendo sido corrida que foi um mimo. Provavelmente foi o que aconteceu por todos os lugares por onde passou pois, sendo como é, vende-se bem mas quem a compra não demora a ver que comprou gato por lebre. Contudo, quem descreve o seu percurso profissional aponta-a como altamente expert na área para que foi nomeada. Mas é como se costuma dizer: barretes enfia-os quem quiser. 

E a maçada disto é que os casos se vão sucedendo. Mas não desesperemos, pode ser que não seja nada. Ou, como costumava dizer-se, se for que seja menina que é para não ir para a tropa.

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Um bom sábado

Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, abril 28, 2023

Sobre o vídeo com Augusto Santos Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e outros: nada.
Prefiro os trabalhos de Gerhard Haderer

 

Mais uma vez tivemos um caso a preencher o dia. Todos os dias as televisões têm que ter casos para terem pretexto para nos enxamear os ecrãs com comentadores e toda uma chusma de opinadores que tanto opinam sobre finanças como sobre companhias de aviação como assuntos jurídicos ou sobre o preço das batatas. 

E, quando não há casos, a comunicação social cria-os. A seguir, cinicamente, vêm sugerir a dissolução da Assembleia por causa da sucessão de casos e casinhos. Claro que, a bem verdade, há que dizer que, a seguir, vem Marcelo também alimentar o tema 'dissolução'. Um círculo vicioso.

A divulgação do vídeo feito na Assembleia da República quando Augusto Santos Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e outras pessoas conversavam, entre eles, informalmente, é de uma imperdoável canalhice. 

Recuso-me a comentar uma conversa breve e inócua entre pessoas que se conhecem há muito tempo e acho uma coisa de vizinhas, de gente desocupada, tudo o que se diga em torno do que eles conversavam entre eles.

E concordo que se apurem as responsabilidades para se descobrir quem fez a pulhice de divulgar uma conversa cuja gravação e divulgada não foi autorizada.

Quanto às reacções do Chega e do IL são o que são, são aquilo a que nos vêm habituando, populismos exacerbados, palhaçadas, cegadas que poluem o espaço público, que visam minar a credibilidade da democracia. 

O que penso sobre isso já aqui o tenho vindo a dizer: não digo que se lhes corte o pio senão vão vitimizar-se. Digo apenas que, em minha opinião, pela vacuidade e pelo desrespeito que mostram pelas instituições democráticas, o pio deles merece desprezo e não palco.

A bem de uma respiração saudável no espaço público, os círculos viciosos têm que ser travados.

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O que me parece digno de realce são os trabalhos do caricaturista e cartoonista austríaco Gerhard Haderer. O mundo actual passa todo por aqui e melhor faríamos todos se parássemos para pensar um bocadinho no que andamos para aqui a fazer.











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Desejo-vos uma bela sexta-feira

Saúde. Cabeça fria. Olhos abertos. Paz.

sábado, junho 06, 2020

Pôr Trump a ridículo dizendo nada, apenas mexendo os lábios.
[Post com outras coisas dentro como, por exemplo, duas selfies, algumas flores e outras imagens colhidas in heaven]







Não tenho andado a dormir muito bem. Acordo muito cedo e não volto a adormecer. Como me deito tarde, isso traduz-se em poucas horas de sono. Hoje pensei que, a seguir ao almoço, durante uns minutos, poderia descansar, quiçá, até, passar pelas brasas. Reclinei-me mas não adormeci. De resto, logo tocou o telefone. Pensei que, a seguir ao jantar, talvez adormecesse. Mas não adormeci. Tenho a sensação que a minha cabeça trabalha de mais e descansa de menos.

Ligo a televisão na esperança de ouvir música de qualidade, ver documentários de arte, entrevistas a arquitectos ou pintores. Ou bailados. Sinto que o mundo precisa de algum silêncio. Precisa de uma pausa. Isolamento no meio da floresta. Contemplação silenciosa do mar ou do voo de um pássaro. Gostava de ver documentários sobre jardins. Gostava de ouvir dizer poemas. Gostava de ouvir falar pessoas que falem uma língua nova, que falem de filmes, de músicas, de compositores, de escritores. Podia ser um filme sobre Virginia Woolf. Ou sobre José Rodrigues Miguéis. Gente que lesse trechos seus, que falasse sobre ele, passagens da sua vida e dos seus gostos, a música de que gostava, os cozinhados que mais apreciava. Coisas assim. Ou sobre Menez. E quem diz esses, diz outros.


Também podia ser outra coisa: pessoas normais conversando sobre assuntos banais, conversando entre si. Só isso. De vez em quando algum silêncio, de vez em quando alguma música.

Se eu tivesse um programa de televisão, convidava algumas pessoas que eu cá sei. Sentava-me com elas num terraço com flores, pedia a essas pessoas que escolhessem umas músicas, e deixava-me ficar a conversar com elas. Gosto de fazer perguntas que deixam as pessoas caladas, apanhadas desprevenidas, sem saberem como responder. Depois, ao fim de um bocado, porque não querem deixar de corresponder, começam a falar e começam a ficar surpeendidas e entusiasmadas com o que as suas palavras dizem. Depois fico calada, apenas a ouvir. As pessoas conversam muito facilmente comigo, fazem-me as mais inesperadas confissões. Depois, daria o braço ao convidado e iria passear com ele pelo jardim. A música continuaria a tocar até ao entardecer. Ao cair da noite subiríamos para o terraço e continuaríamos a conversar. Sobre livros, sobre músicas, sobre músicos.


Também poderia ver uma história de amor se passasse alguma na televisão. Uma insólita e bela história de amor. O amor vivido através de memórias. O amor vivido através de cartas. O amor através de ausências, silêncios, demi mots. 

Um dia vou escrever guiões para filmes. Uns vão ser eróticos, quase escandalosos. Outros românticos, deliciosamente românticos. Outros de morrer a rir. Só de pensar já fico numa impaciência para me dedicar a isso. O pior é que só consigo escrever de noite. De dia tenho que viver como se não houvesse a noite. E à noite vivo como se não houvesse o dia.

Enfim.


Mas não há disso na nossa televisão. Ligo e vejo as coisas do costume, ouço falar de crimes, de mortos, vejo os mesmos comentadores de sempre a falarem dos mesmos assuntos de sempre. Geralmente falam da actualidade. E a actualidade é, por definição, perecível, coisa permanentemente condenada a ser passado. Salvo raras excepções, é coisa que começa a desinteressar-me. Quero coisa nova, rasgo, perfume bom, gesto de amor, rasto de raposa, pegada de leopardo, caligrafia desenhada a tinta permanente, compreensão, carícia ao de leve, música irreal, mistura de cores, vontade de uma janela aberta para o desconhecido, gato atravessando a noite, uma música vinda de longe. Não é pedir muito, acho eu.


Então, como não encontro isso na televisão, nos meus tempos livres sento-me no sofá, abro a janela, ouço o canto oculto dos pássaros, vejo o seu saltitar colorido aqui mesmo à frente, ou saio para andar pelo campo, fotografo a luz e as sombras -- tantas fotografias, sempre os mesmos motivos -- ausento-me da actualidade que as televisões me mostram, ausento-me de mim, tento que esta suavidade descanse a minha cabeça.

Depois, quando a noite se adentra pela madrugada, ponho-me a ver os vídeos que o meu amigo algoritmo me mostra, divirto-me, irrito-me, agonio-me, desculpo o mundo, desconforto-me, sorrio, penso, preparo-me para a noite breve e para um novo dia.


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E os vídeos que o algoritmo hoje achou que eu ia apreciar são estes

Sarah Cooper, a Grande -- Trump e a Bíblia





O palhaço-mor e a bela e estranha múmia paralítica


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Um bom sábado!

domingo, abril 21, 2019

Para as selfies ficarem ainda mais compostas só lá falta mesmo o nosso Marcelo


Gorilas posam para selfie com guardas florestais


Duas das mais recentes estrelas do Facebook vivem no Parque Nacional de Virunga, património da UNESCO na República Democrática do Congo. Ndakasi and Matabishi são dois gorilas que estão a encantar a internet com os seus dotes para as selfies.

Na imagem partilhada no Facebook, os dois gorilas posam descontraidamente para a fotografia tirada por um guarda-florestal que protege os animais da caça furtiva. (...)




Há coisas extraordinárias. E eu a achar que isto de meio mundo gostar de se autofotografar é coisa de humanos deslumbrados consigo próprios quando, afinal, isto é é mas é coisa dos genes. E na volta eu descendo é de peixes ou de borboletas ou de espécies assim, indiferentes à sua própria imagem. Ou então ainda estou atrasada, ainda não descobri a maravilha de, em vez de fotografar a paisagem, me fotografar a mim com a paisagem em fundo -- e um dia lá chegarei. Ou whatever. 

sábado, janeiro 26, 2019

Uma mulher normal cuida das vestes das mulheres ideais
-- E faces, selfies, filtros e fantasias levadas a sério --


Só posso dizer que sou uma mulher normal. É quase meia-noite e estou com muito sono. 

Chegámos há pouco e, tal como os bebés quando estão cansados, também eu, quando me apanho num carro a andar (e não estou a conduzir), logo me dá o sono. Só que o meu marido parou para abastecer e não cheguei a adormecer e, durante o resto da viagem, estava quase mas não adormeci mesmo. Quando me sentei aqui no sofá depois de me ter descalçado, tirado os brincos, o colar, a roupa justa e etc e me pus à vontade, fiquei com frio. E o meu marido já pôs lenha ali na salamandra e o aquecedor a óleo também já deita quentinho. 

Mas não chega. Então fui buscar a manta grande e quentinha que estava na cadeira de balouço e embrulhei-me toda nela. É assim que estou agora, envelopada em flanela e ovelhinha, com sono.

Sou uma mulher normal. Canso-me. Tanto trabalho, tanto trânsito, tanta reunião, tanta pressa para conseguir chegar a horas, tanta vontade de ter tempo para ler, para escrever, para passear, para descansar.

Tenho muitas ideias, muita vontade de fazer muitas coisas. E pedem-me que as faça. E eu fico contente, porque é o que acho que deve ser feito, porque me sinto motivada. E depois são coisas a mais. 

Podia ser diferente. Mas não seria eu. Não sei ser de outra maneira. A procurar e a encontrar trabalho. O pior é que sou uma mulher normal. Canso-me. Não estico. Preciso de dormir, de descansar. Não sou a fingir, daquelas executivas que não precisam de descanso, sempre em cima, sempre prontas para exigirem, darem o litro, sempre muito bem pintadas, penteadas, calçadas. Eu não. Nada disso.

Estive a ver uma coisa que gosto muito de ver: costura, bordados, trabalhos manuais cuidadosos. Dedos artífices, dedos de mulheres dedicadas.

São as mãos normais de mulheres normais de corpos fortes, pernas e braços grossos, roupas normais, sapatos normais.

Fazem obras de arte para sílfides, sereias, ninfas, fadas aladas, mulheres meninas esguias e etéreas. As mulheres de peles e carnes espessas ajeitam os folhos, as sedas, as rendas, os tules perfeitos, os alfinetes de pérolas, as pedrinhas coloridas dos vestidos das meninas bonecas pestanudas.

Os segredos dos ateliers Dior



Li uma outra coisa muito estranha. Em todas as eras haverá de haver excentricidades, maluqueiras, excessos. Na nossa há muitas. Uma é o culto da sua própria imagem associado  ao mito de  que a beleza física tem que ser perfeita, extrema.

O que li e que me deixou perplexa e um bocado triste: com isto das selfies e dos filtros há muitas mulheres que se viciam na ausência de vincos, rugas, papos, manchas. Modificam a sua imagem, aperfeiçoam-se. Snapchat para todos os gostos: mais bebezinha, mais olhudinha, mais borboletinha, mais gatinha. Até aqui tudo bem. O pior é que depois vão ao médico e pedem que as ponham iguais às selfies transformadas e transbordantes de fantasia. Começam com os botox e essas coisas que relaxam o músculo, depois preenchem rugas e depois vão por aí fora: narizinho fininho e pequenino, olhos grandes e sonhadores, maçãs do rosto lisinhas, redondinhas e lindinhas, queixinho com covinhas, lábios desenhadinhos com perfeição de barbbiezinhha.

A jornalista do Guardian, Elle Hunt, ilustrou com a sua própria imagem.
Me, my selfie and I: a portrait of Elle Hunt, taken in natural light on a digital camera; a selfie, taken on an iPhone without a filter; a selfie, with a Snapchat filter. Photograph: Linda Nylind/Elle Hunt

Ainda não chegámos à fase de fazer bebés a la carte mas já não falta muito.  Ainda se está na fase que, não tarda, será coisa do passado, olhada como uma coisa meio pueril: querer ser iguais à fantasia da nossa cara.

Acho isto uma coisa parva mas, lá está, se calhar falta-me sofisticação, alinhamento com as trends, conhecimento das mais recentes práticas de engenharia social. Não passo de uma mulher normal.

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E agora vou para a cama que isto de estar para aqui a escrever de olhos fechados é capaz de não produzir bom resultado. Desejo-vos um belo sábado e peço desculpa por não ser capaz de responder aos comentários do post abaixo.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Divas extraordinárias e fotógrafos ainda mais lindos.
Qual Madonna em Lisboa a posar para a Vogue Italia, qual quê....?


No outro dia, nesta minha incursão pelos vídeos pedagógicos que o algoritmo do YouTube agora deu em oferecer-me, fui parar a um em que uma flausina qualquer ensinava a posar nas mais diferentes situações. Muito frequentemente, aparece o conselho de alçar o rabo, subir um calcanhar, pôr a cabeça de lado. Vendo o produto final, reconheci a posição em que muitas elegantes aparecem. E isto sou eu a dizer, eu que não tenho conta de facebook, instagram ou coisas que tais e a quem, portanto, a maioria dessas frioleiras passa ao lado.

Volta e meia, colega que todos dizem ser meio apanascado mas que gosta de se fazer passar por muito macho, fala-me de A, B ou C e aparece a mostrar-me fotografias altamente artísticas em que eles se mostram ao mundo nas poses mais ridículas. E, quando digo 'eles', digo 'eles' e 'elas'.

Mas, pronto, fazer o quê? São os tempos que correm.

Agora giro, giro, é ver os bardajões que, feitos babacas, volta e meia andam de roda delas, fazendo-lhes a vontade, fotografando-as para elas, acto contínuo, se exibirem nas redes sociais.




Se bem que há beldades que são ainda mais lindas do que elas se imaginam como é o caso desta insinuante sereia branquelas que deu à costa a cavalo nuns tronquitos e que, ali mesmo, de papo para o ar, resolveu pôr-se a apanhar banhos de sol. Se aquele pau que ali se vê parece que a sair da barriga do cavalheiro estivesse uns palmitos mais baixo capaz de eu achar que era entusiasmo (relativo) dele. Assim, acho que não tem nada a ver. Capaz de ser apenas fruto de um qualquer atrevido erro de paralaxe.

Seja como for, caso algum dos meus Leitores tenha uma compleição física análoga á dos proficientes fotógrafos, só tenho a recomendar o seguinte: menos cerveja, menos pão com maneiga ou com queijinho, menos batata frita, menos Coca-Cola. E toca mas é a fazer caminhadas na praia em vez de ficar paradinho à coca que alguma sereia peça o favor de fazer uma foto janada.

Ó pra mim, numa ilha paradisíaca com a sombra de uma ondulante palmeira nas costas...!


Por cada divina do Facebook ou Instagram há um anjolas de serviço. Claro que se o anjolas não se chegar à frente, as divinas resolvem o problema na mesma. Nada que uma selfie não resolva. Mas, enfim, com um escravo de serviço, a pose pode ser mais artilhada.

Esta beldade aqui abaixo nem se mexe para sentir a brisa da palmeira nas costas... O pior é aquela sombra a avançar-lhe rabo acima. Salvo seja.

Já para não falar na sombra dele. Mas pode ser que o plano não apanhe essas inconveniências, senão parece que está à sombra de uma palmeira estrambólica e atrevida.