Tirou-se o Cavaco do seu sossego para escrever um artigo em que, para além de afirmar as costumadas cavaquices, se lembrou de avisar o seu pupilo Luís Montenegro de que o Andrezito e respetivo séquito não são de confiança. Vai o pupilo, numa primeira pronúncia, refere "que o artigo cai que nem uma luva" no seu governo e, em segundas núpcias, zas catrapas, esquece o tutor, entra de braço dado na AR com o Andrezito e aprovam a segunda versão da lei da nacionalidade.
Esta questão não estava na ordem do dia, não tinha nenhuma urgência e só apareceu porque o Montenegro quer ser mais Andrezito que o dito cujo.
Veremos se passa no TC.
Acho que nos podemos questionar sobre se o Luís se portou bem. Não, o Luís não se portou bem, não seguiu as instruções do tutor, foi mau aluno e ainda corre o risco de ficar de castigo.
E o PSD foi responsável ao aprovar uma lei estruturante apenas com o apoio da extrema direita? Parece-me que não.
Este tipo de leis deve resultar de um amplo consenso e refletir as várias sensibilidades da nossa sociedade. É com este objetivo que deve agir um partido responsável. Mas até hoje, o PSD, num espírito revanchista, muito comum na direita de antanho, tem aprovado legislação que reflete apenas a visão da direita menos esclarecida e menos moderna.
Agora até querem que a rapaziada não conheça a história da Blimunda e dos que construíram o convento de Mafra. Mais bafiento é difícil, e menos responsável também.
Sendo assim, porque é que os comentadores mais ou menos encartados e, naturalmente, os rapazes e raparigas da direita que inundam o espaço mediático exigem que o PS seja um partido responsável e aprove tudo o que o governo lhe põe à frente, sobretudo o orçamento, mas não exigem uma posição responsável ao PSD, que se paute por respeitar o PS e o eleitorado socialista?
Será que toda esta malta tem uma agenda escondida?
Rapidamente vai chegar a pressão para que o José Luís Carneiro seja responsável e sirva de muleta ao Montenegro quando o Andrezito lhe der uma nega. Quanto a mim, ser responsável é tomar as decisões correctas nos momentos certos, doa a quem doer. Espero que o PS não se deixe enlear no canto da responsabilidade e aja corretamente quando for necessário, sem olhar à"imperiosa" necessidade de dar a mão ao governo quando o Andrezito se chateia. Os portugueses compreenderão!
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Nota: não fiquei nada orgulhoso de ser português quando soube que o governo tinha mais uma vez servido de capacho à administração Trump no que diz respeito à utilização das Lajes. Se o Trump soubesse quem era o Montenegro, diria que o Luís era mais um que lhe tinha beijado o ass. Que vergonha!
A perspetiva de poderem ser governo no curto prazo fez a direita perder as poucas estribeiras que tinha e revelar a incapacidade que os seus quadros têm para ser governo e a enorme concupiscência que existe entre a economia e os dirigentes da direita portuguesa. Partilho da opinião do António Costa de que os quadros do PS dão dez a zero aos quadros da direita. Vejamos:
Relativamente à IL e ao seu inqualificável presidente pouco tenho a dizer. Ainda não lhe ouvi uma única ideia, revela a mais profunda impreparação para ocupar qualquer cargo politico, nem perfil tem para ser eleito para uma Junta de Freguesia. Não consigo compreender como pode ter sido eleito para dirigir a IL. É, provavelmente, revelador da falta de maturidade dos jovens militantes da IL (parece que os estudos de opinião revelam que a juventude agora é de direita) e da falta de qualidade da oposição interna.
O André Ventura é levado ao colo pela comunicação social e por isso bota sempre faladura sobre todo e qualquer acontecimento, não acrescenta nada mas como está sempre presente angaria votos com enorme colaboração dos media. Na realidade nunca diz nada de jeito, só sabe dizer mal e alimenta-se das enormidades cometidas pela Justiça, pelo PR e por alguns políticos. Não consegue suportar os sound bites em factos. Vi uns minuto da entrevista que deu à CNN, não atinava com os números, nem dava respostas minimamente honestas. É suportado pela direita mais reacionária e xenófoba e, aproveita-se das piores características dos portugueses para ganhar votos. É um perigo para a nossa democracia.
O Montenegro, que estava a um passo de ser corrido, foi "insuflado" pelo comunicado da PGR. Não lhe valeu de nada. Logo no congresso do PSD tentou enganar os pensionistas e saiu-lhe o tiro pela culatra. Teve que andar meio PSD a explicar que o que ele disse não era o que queria dizer. Muito mau. Esta semana revelou a sua "enorme" capacidade de decisão e o seu "distanciamento" do poder económico ao criar uma comissão interna para criticar o estudo da CTI sobre o novo aeroporto. A comissão criada pelo Luís terá tido a ver com o loby de Santarém ou com a proximidade ao José Luís Arnaut (presidente da Vinci) ou com a incapacidade que tem para honrar os compromissos (tinha aceite a CTI) ou com não conseguir tomar decisões?
A Presidente da CTI disse hoje em duas entrevistas que a localização do novo aeroporto está condicionada pela decisão da Vinci. O contrato celebrado no tempo do Passos Coelho é de tal forma desequilibrado, que uma decisão de capital importância para o País está nas mãos de uma empresa estrangeira que está cá apenas para tirar o maior lucro possível da operação e que conseguiu colocar o Aeroporto de Lisboa como o 4º pior Aeroporto num estudo que foi recentemente efetuado. Será que é porque quer dar continuidade ao que foi feito pelo Passos Coelho, contratos desastrosos para os portugueses, que o Luís se apressou a dizer que a localização do novo Aeroporto é uma decisão politica e que se está nas tintas para o relatório da CTI? É mau demais para ser verdade. Os portugueses saberão analisar estes casos.
Depois temos o Prof. Aníbal. Então agora a "cena" das contas certas é uma treta? O Prof. Aníbal já tinha ao longo do tempo dado provas de uma enorme falta de ética e de esquecimento seletivo. Por exemplo, esqueceu-se do BPN, do Dias Loureiro, ..... . Estes três flic flacs à retaguarda sobre as contas certas dizem bem da verdadeira natureza do Prof. Aníbal. Como é possível? Nem a idade lhe deu um certo pudor? Que falta de categoria!
Para finalizar, temos o Prof. Marcelo. Sobre ele já escrevi várias vezes. Já referi que é um dos principais causadores da instabilidade em Portugal e dos problemas que enfrentamos e que vai sair mal do cargo. A questão das gémeas atingiu aspetos éticos e morais que revelam a verdadeira personagem do Prof. Marcelo. Deve mais uma vez ser recordada a entrevista do insuspeito Paulo Portas ao Herman José, sobre a história da vichyssoise em que o Paulo Portas afirmou que o Marcelo é mentiroso. Então Prof. Marcelo depois do que disse sobre o João Galamba, ao menos não demite ninguém da Casa Civil? Dá seguimento às cunhas do Dr. Nuno e critica outros empenhos?
Segundo a TVI, uma das referências do CV do Dr. Nuno é ser filho do PR. O Prof. Marcelo ainda não teve tempo para telefonar ao Dr. Nuno e perguntar-lhe sobre o que tem andado a fazer e pedir-lhe que retire do CV a menção de que é filho de PR?
E o que dizer das ameaças feitas com idas a tribunal de quem mencionasse o seu nome neste caso?
É absolutamente chocante este comportamento de quem sempre se tentou afirmar como o Presidente dos afetos e protetor dos menos afortunados e nunca criticou as infâmias que apareceram nos órgãos de comunicação social sobre políticos de diversos quadrantes.
Não sei se Portugal aguentaria uma crise na Presidência. Mas que, depois disto e do exemplo dado pelo António Costa, o Prof. Marcelo não tem condições para se manter na Presidência, de facto não tem.
Resta referir que o Prof. Marcelo acabou de fazer mais um favor ao André Ventura.
Espero que o povo português demonstre a maturidade que sempre demonstrou e vote à esquerda. Segundo os estudos de opinião, os mais jovens têm tendência para votar à direita talvez porque nunca tiveram as dificuldades que as gerações anteriores tiveram e porque cada vez a sociedade é mais egoísta e menos solidária. Estou certo que, se o PSD precisar do André Ventura para ser governo, não vai hesitar. Será que querem a extrema direita no Governo? Eu não quero!
É sabido que os meus dias andam um pouco atrapalhados e, por isso mesmo, ando um pouco desligada do frisson das notícias. Apanho-as de passagem e, geralmente, só ao fim do dia. Hoje calhou apanhar parte da apresentação do grupo de trabalho sobre a localização do futuro aeroporto quando ia no carro mas a tarde ia ser tão preenchida que não deu para ouvir tudo nem deu para, depois, tentar recuperar.
Mas, do que vi há pouco, não me admirei por ver aqueles apontamentos de reportagem que as televisões fazem nestas circunstâncias, em que mandam jovens e inexperientes repórteres perguntar a pessoas na rua o que achariam de lá ter um aeroporto. Não me admirei porque, apesar de estúpido, é o que sempre fazem. E toda a gente opina, a malta gosta de se apanhar com um microfone em frente da boca, e, independentemente de desconhecerem todos os extensivos estudos que gente de várias competências fez, arrumam com a coisa em três penadas. Ora que sim, ora que não por causa do preço das casas ou por causa do barulho -- e já está. E parece que a quem opina na maior ligeireza nem ocorre pensar que se calhar há mil vertentes a ter atenção e sobre as quais poderiam, pelo menos, ter a curiosidade de conhecer. Zero. Meia bola e força. E as televisões exibem todas as inanidades como se fossem opiniões bem estruturadas. A comunicação social ao serviço da estupidificação colectiva.
Mas ainda mais extraordinário que tudo isto foi a reacção do Montenegro: o oposto disso. O opostíssimo. Depois de termos tido uma multifacetada e competente equipa a estudar, para cada cenário, as vantagens e desvantagens, as oportunidades e as ameaças, os constrangimentos económicos, ambientais e sociais e sei lá que mais, eis que a reacção de Montenegro foi tão só a de que vai... formar uma equipa, mais uma equipa, para estudar o relatório. Rápido no gatilho, ele. A ver se ao menos se cinge às hipóteses estudadas porque, com a sua notória falta de liderança, se dá carta branca para se porem a inventar novos cenários, se for por eles, nem em 2080 vou conseguir estrear o novo aeroporto. E não foi capaz de uma palavrinha de elogio para a forma exaustiva e clara como o trabalho foi apresentado. Nem lhe passa pela cabeça que há um relatório executivo, de síntese, e um de estratégia que igualmente deve ser de síntese e que ele próprio ou alguns dos seus podem e devem ler e depois fazer uma reunião para alinhar ideias. Não: aí vai mais um grupo de trabalho. E depois vão o quê? Pedir para fazer o trabalho de outra maneira? Acrescentar critérios? Apresentar um estudo cujo objectivo é refazer o estudo? Está bonito.
E, para justificar a criação do seu grupo de trabalho privativo, enredou-se em novelinhos, rodriguinhos, tri-li-lis, uma conversinha enredadinha para dizer que ia perder tempo para ganhar tempo. Rapaz esperto. Não admira que o cavaco, sempre que o vê, tenha vontade de saltar para a arena e vir fazer a vez dele. Só que cavaco usa uma linguagem e argumentos pouco éticos, treslê a seu gosto o que outros dizem, tempera a conversa com o seu usual ressabiamento a que só falta o bolo alimentar do pretérito bolo-rei e, portanto, ainda enterra mais o PSD.
Portanto, estamos conversados quanto ao que deveria ser o principal partido da oposição. O ventura chama-lhe um figo e papa-o sem ele dar por isso..
Tirando isso, do que ouvi da apresentação da Comissão Técnica Independente e do que li agora, pareceu-me um trabalho asseado, bem feito, bem ponderado. Gente capaz faz trabalho capaz. E gostei da crista rubra de Maria do Rosário Partidária, a presidenta da comissão. Mulher porreta, isto é, à maneira. Fixe.
Cavaco é um activo tóxico para o PSD e para o País -- e cada vez mais o demonstra.
Está na moda falar-se na 'pesada mochila' que as pessoas carregam, referindo-se ao passado, às más experiências. Pois Cavaco tem uma pesadíssima mochila. Por onde passa a gente vê-lhe a mochila carregada de trastes de má memória, alguns dos quais verdadeiros biltres. Os portugueses não esquecem os escândalos, as vigarices, a ausência de moral e de ética da chamada tralha cavaquista.
Pois é esta pessoa que por aí anda agora a lançar outra vez a sua ressabiada gosma sobre a política portuguesa. Sem que os portugueses lhe reconheçam autoridade moral nem intelectual, mostrando que não se enxerga, vem a público para se enterrar.
E fá-lo de cada vez que fala, com ele enterrando ainda mais o PSD.
Todo o artigo causa repulsa. Revela que Cavaco tem um lado deformado pois, sendo quem é e com o o historial académico que tem, tinha obrigação de ser rigoroso, escrupuloso. Pelo contrário distorce a análise, revira a argumentação, usa argumentos falaciosos e pouco éticos e mostra ser uma má pessoa lançando ofensas sobre outros quando, se se visse ao espelho e aos que protegeu e que carrega na sua mochila, melhor faria se se mantivesse calado.
Que raio de partido é este PSD que não tem melhor arma eleitoral que um cavaco desenterrado?
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Mas o que aconteceu com Cavaco mostra que, nesta lógica do vale tudo, é necessário ter cuidado com o que se diz pois ninguém está livre de que Cavaco ou um qualquer cavaco desta vida pegue nisso e arranje maneira de o encaixar, perversamente, na sua narrativa.
Havia um ténue cheirinho bom a queimada. Quase parecia um cheirinho a lareira vindo de longe. Tudo bom, tudo bonito. Adoro lá estar. Adoro, adoro.
Mas tivemos que vir.
Lanchámos com parte da família. Chegar e abancar soube-me bem. Tínhamos pensado parar algures para não aparecermos de mãozinhas mas recebemos indicações de que era para levar nada, nada. Portanto, foi isso. O meu marido disse: 'Bom, se já lá há lanche, só se formos comprar menus do mcdonalds...'. Informei, não fosse isso causar algum mal-estar. Mas também fomos impedidos.
Portanto, de mãozinhas mesmo, foi mesmo apenas lanchar. E o lanche bem bom.
O pior foi o telefonema. A crise, o desespero, o alarme, o drama de sempre. Depois, ao tentar perceber o que se passava, já não era bem aquilo, era coisa que, a meus olhos, é menor. Ainda por cima, omite indicações que ajudam a dimensionar o que diz. Reporta as coisas descontextualizadamente, exageradamente. E, na cabeça dela é, como sempre, como todas as vezes, uma situação terminal. Para a equipa clínica deve ter valido zero pois não me ligaram e o médico nem a foi ver. Já devem estar a perceber o que se passa pois nos primeiros dias ligavam-me sempre.
A verdade é que, apesar de ser o mesmo todos os dias de há bastante tempo a esta parte, fico num stress, preocupada, sem saber o que devo fazer, sempre no receio de que desta vez seja a valer. Bem que a família me diz que agora já não sou eu que tenho que fazer alguma coisa pois por alguma razão ela agora está num sítio com equipa clínica diária. Mas como o médico não a vê todos os dias (porque já deve ter percebido que nada daquilo corresponde ao drama que ela pensa que é), fica ainda mais insegura, exponenciadamente aflita, com medo de estar a ser descurada. E então ainda mais empola e dramatiza, certamente para conseguir que o médico vá lá amanhã de propósito (como já aconteceu no fim de semana passado).
Bem posso tentar relativizar mas é uma pressão tão, tão, permanente, tão, tão, em crescendo, que a minha cabeça não tem tempo para se restabelecer antes do drama que se segue (porque não há um dia, um só dia, em que ela não pense que está em estado gravíssimo, sem retorno, e que aja como se quisesse convencer-me de que devo tomar imediatas providências -- mas quais...? quais, senhores...?).
Mas, enfim, adiante. Adiante. Adiante. Adiante. (Tenho que me puxar da fossa em que parece que estou a enterrar-me). ´
Entretanto, ligou-me há pouco uma amiga que, ao contar-lhe eu esta situação, me perguntou se não seria já uma forma de demência. Os meus filhos e o meu marido acham que é. Eu não. Mais me inclino para depressão, paranoia, coisa assim. O raciocínio dela e todo o discurso bem como a memória estão intactos, tudo funcional, surpreendentemente bem. Dizem-me todos que pode ser algum tipo de demência em que não controle as emoções nem consiga raciocinar para relativizar os medos.
Contou essa minha amiga que o pai, um dia, do nada, saiu-se com uma conversa desprovida de sentido deixando todos sem perceber o que era aquilo. E que, a seguir, se tornou agressivo, desconfiado, via coisas, imaginava coisas, tornou-se uma ameaça.
Ora isso corresponde ao tipo de demência que se identifica enquanto tal, ao passo que, no caso da minha mãe, se é demência, nunca de tal tipo ouvi falar.
Mas, pronto, vou parar com isto. Stop. Stop. Stop. Interrompam-me, digam-me que não volte a falar nisto, enfiem-me numa camisa de forças.
Vá, adiante.
Cá vou.
Já em casa, a jantarmos uma pizza que comprámos pelo caminho, vimos parte das notícias.
E não dava para acreditar no que via. Em Almada, o encontro dos festivaleiros laranjas. Tudo gente datada, fora de prazo. Montenegro, sorrisinho matreiro, a dizer insanidades, disparates atrás de disparates. Depois vi o Rangel a fazer olhinhos e trejeitos enquanto o Montenegro esparvoava. Provavelmente, também falou e imagino bem os trocadilhos, os esgares, a vozinha escaganifada. Ou seja, a barraquinha ainda deve ter sido maior. E, se calhar, enquanto falava, estava o Montenegro com aquele seu sorrisinho de quem não percebe nada do que se passa à sua volta pelo que mais vale sorrir a ver se disfarça.
Ouvi também o Moedas e é outro daqueles esganiçados que não dá para levar a sério. Cantam de galo mas não passam daqueles galinhos da Índia que fazem muito barulho mas a que ninguém, na capoeira, presta qualquer atenção.
Para cúmulo dos cúmulos, vi que apareceu por lá a célebre múmia que, de vez em quando, aparece a dar à mandíbula, parece que quer ganhar balanço para bolsar a azia em forma de palavras, com aquele arzinho ressabiado de quem não consegue conviver com a vida real. Falou, falou e não conseguiu dizer uma que se aproveitasse. Contudo, atrás dele, o Montenegro parecia satisfeito por ter recebido a visita daquela assombração e isso diz muito sobre ele. Se fosse eu corria a sete pés. Foge.
A seguir, a televisão mostrou o omnipresente Ventura a troçar, de alto, do Montenegro e do PSD no conjunto. Não sendo nada, o Chega, fruto de ser permanentemente levado ao colo pela comunicação social, consegue parecer que é alguma coisa. Um partido fascistóide, populista, vazio de propostas concretas, constituído por gente desclassificada, vários a contas com a justiça, e aí anda sempre nos écrans das televisões. Uma aberração parida sobretudo pelas televisões.
O IL a desfazer-se, o CDS inexistente, o Chega que não passa de um populista com um bando de saudosistas de outros tempos atrás, e, para ajudar à festa, um PSD que mais parece um conjunto de salvados de um naufrágio qualquer. Até a Marilú dos Swaps eu lá vi naquele circo que montaram em Almada.
Face a este pindérico panorama, teria o PS que se pôr a dormir na forma para não agarrar uma maioria confortável nas próximas eleições -- e isso não vai acontecer.
Tomara é que a abstenção, em especial por parte das pessoas que têm neurónios, não dê cabo da lógica.
As fotografias, como é bom de ver, foram feitas in heaven. Como poderão reparar, apesar de não serem um luxo, não as quis contaminadas pelo bafo do Cavaco nem pelo dos seus descompensados apoiantes. Por isso, coloquei-as fora dessa parte do texto.
Ver o Cavaco, mal ressuscitado, a sair à cena para se mostrar ainda pior do que quando estava vivo*, ainda mais ressabiado, com a boca muito aberta e muito seca, a mostrar que ainda não conseguiu curar-se do mau feitio, só me faz pensar que aquele ali não tem cura e que está cada vez pior -- e que pouco mais há a dizer sobre isso. Não merece. Não vale a pena. Não aproveita a ninguém. Há pessoas que envelhecem mal. Imagine-se o quão mal quando a base de partida já é má, má, má de si.
Em vez de comentarmos as azias dele, penso que o melhor antídoto seria armarmos-lhe uma armadilha em que ele se visse sozinho com a extraordinária Rossy de Palma. Até lá podíamos deixar também a sua Dona Maria. A Rossy haveria de ir ao rubro com o bafiento e ressabiado casal. O que ela haveria de inventar para os tirar do sério. Se os chornalecas** lá pusessem câmaras e fizessem directos, digo-vos: o país parava. Acho que nos iríamos rebolar a rir.
Também me parece que se deveria enviar a mesma Rossy de Palma à CPI da TAP. Uma vez que cabe lá tudo o que é cão e gato mesmo que nada tenha a ver com a TAP e já se atingiu um tal grau de ridículo, seria mesmo interessante vê-la no lugar onde se têm sentado as vítimas dos deputados e apreciarmos como, perante ela, se comportariam as fracas figuras que têm andado a exibir a sua absoluta e irremediável mediocridade. Aposto que ela os deixaria em fanicos e as audiências iriam bombar.
Só para se perceber a pinta da menina e se imaginar nas cenas que acima referi, ei-la aqui a mostrar o que tem na malinha de mão.
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(*) Metaforicamente falando, claro
(**) Há pouco vi uma garota armada em jornalista a fazer uma entrevista. Fazia boquinhas, sentenciava que o governo tem feito muitos erros, mostrava que estava a salivar por sangue. Se eu lá estivesse, pedia-lhe que fundamentasse o que estava a dizer e enunciasse os erros a que se referia. Sempre queria ver as baboseiras que dali iriam sair. Uma miudagem, uns papagaios, gentinha que não sabe do que fala, gentinha que mastiga o que outros mastigaram. Não há nenhuma entidade que zele pela qualidade e pela isenção e objectividade dos jornalistas? Que raio de miséria é esta em que a nossa comunicação social está atascada?
O Governo está a governar e a governar bem. Todos os indicadores são óptimos (e os indicadores são dados objectivos, não dependem de opiniões), do melhor da Europa, e a qualidade de vida da maioria das pessoas é a prova disso. Quem votou no PS (a maioria dos votantes, lembre-se) está contente com a actuação do Governo.
E, no entanto,
1 - Na Assembleia da República, um conjunto de deputados passa o tempo a fazer perguntas idiotas de forma que parece pidesca sobre temas ridículos, irrelevantes, a pessoas que se limitaram a fazer o que deviam e, em contrapartida, a dar placo a gente que se marimba para a democracia, para a vontade de quem votou e para quem tem dois dedos de testa, e apenas está ali com o firme propósito de fazer de tudo para deitar o Governo abaixo
2 - A comunicação social -- tomada de assalto por pseudo-jornalistas e avençados a metro, resolve apresentar-se como um conjunto de conspiradores que, marimbando-se para a isenção e objectividade e mostrando iliteracia democrática e uma confrangedora falta de capacidades cognitivas-- apenas quer minar e destruir o Governo
3 - O PSD, a IL, o Chega e o BE (*), mostrando que não respeitam a democracia nem a inteligência dos portugueses e aproveitando-se do palco que a comunicação social lhes proporciona, apenas contribuem para o aumento do populismo e das forças mais retrógradas e anti-democráticas do País.
4 - Cavaco Silva, que saiu da Presidência pela porta baixa, sem o respeito ou a simpatia dos portugueses, e que de vez em quando abre a boca para dizer coisas que o envergonham e envergonham quem o ouve (aquilo da vergonha alheia, sabem?), voltou a sair à cena para fazer coro com as gentes mais primárias, mais justiceiras e acéfalas do país.
5 - Marcelo Rebelo de Sousa que deveria ter um papel de equilíbrio e que deveria fazer uma intervenção no sentido de repor a normalidade,
censurando os deputados que se armam em agentes inquisidores e que apenas questionam sobre anormalidades,
censurando a falta de objectividade e isenção da comunicação social e
censurando os partidos da oposição mais acéfala e retrógrada que, em vez de contribuir para a melhoria das propostas do Governo e de querer melhorar a qualidade da democracia, se entretêm em números circenses e/ou justiceiros,
e que deveria mostrar-se como o garante do respeito do voto dos portugueses (que deram a maioria ao PS), como garante do bom funcionamento das instituições e como garante da tranquilidade governativa
-- parece que prefere portar-se como acicatador dos ânimos populares.
Mas uma coisa é certa e é bom que Marcelo o perceba: se ceder aos apelos populistas, primários e anti-democráticos, PS terá uma maioria ainda mais absoluta.
Não tenho dúvidas de que todos os democratas deste País andam agoniados, revoltados e inquietos com o espectáculo que a comunicação social de braço dado com o PSD, IL, Chega e BE e, tudo isto aparentemente com o beneplácito do PR, anda a dar.
Por isso, vos digo: penso que o está a passar-se em Portugal é grave e preocupante.
(*) Não tenho assistido de perto a toda a pouca vergonha a que se vem assistindo mas tenho ideia que, honra seja feita, o PCP se tem portado civilizadamente.
A realidade anda destravada. Ninguém a segura. Ultrapassa a ficção e tudo o que é fake a toda a brida. Desde que se meteram com a Alex Tomba-Todos que a caixa de pandora foi escancarada. Saem monstros que ninguém controla. Caem Ministros, Secretários de Estado, Assessores e não há dano colateral que não ocorra.
Agora parece que até um Adjunto terá andado à trolha no ministério, depois terá fugido e, para a cena ser mais pythoniana, chegaram os chuis e tomaram conta da ocorrência. O jovem Fred, por sinal um rapaz bem parecido, que as verdades são para ser ditas, para além de um eclético e ongoing estudante, parece ser também um ágil candidato a actor de filme de suspense, acção e comédia.
Para que seja um full faca e alguidar falta ainda aparecer uma dose bem apimentada de adultério (e não digo quem com quem para não levantar a lebre), um gémeo desconhecido que aparece para surpresa do incumbente (pode, por exemplo, ser um gémeo separado à nascença do Medina), uma tia muito velha que deixa uma bruta herança que toda a malta no parlamento vai disputar à batatada, e um qualquer que, do nada, aparece vestido de mulher assumindo-se trans e pedindo para o tratarem por Cátia.
Tudo pode acontecer. No meio disto, para esfriar os ânimos e para ver se consegue fechar a caixa de pandora que a super-Alex abriu, acredito que o bom do Marcelo é menino para arranjar uma gala para sortear condecorações.
No meio disto, faço notar que o grande e eterno Álvaro Amaro, em seu tempo, curiosa e conceituada figura cavaquista, ao fim de mil anos foi condenado a três anos e meio de pena suspensa. O cavaquismo tão bom que ele era. Quem também é boa é a Justiça. Já a gente nem se lembra das coisas quando elas têm desfecho.
No extremo oposto, o fantástico desempenho da economia portuguesa que passou a perna aos companheiros europeus.
Pena é que, em vez de se falar disto, que isto, sim, era caso para estarmos todos felizes, andemos todos a descobrir as cegadas surreais com que os assessores e adjuntos andam por aí a entreter-se para gáudio do pagode.
Ou isso, ou o que uns certos canalhas andam a tramar com fugas de informação e merdices que a toda a hora são lançadas para o ar, poluindo mais o ambiente do que as poeiras do deserto, as cinzas dos vulcões ou a bíblica praga de gafanhotos.
No meio disto, agora a notícia da inauguração de uma sereia que está a deixar meio mundo admirado, dizem que nunca viram sereia assim.
Parece que as sereia que alegadamente costumam andar por aí a dar as caras são muito diferentes, todas meio delambidas, meio enfezadas. Cuzudas, mamalhudas como esta nunca se viu, atributos assim não parecem coisa de sereia.
Nunca sabemos quanto mais tempo vamos viver. Não conseguimos saber até onde o nosso corpo e a nossa mente aguentarão nem sabemos determinar até onde os acasos nos levarão. Nem sabemos se gostaremos de viver se vivermos para além do que seria necessário.
As múmias que reescrevem a sua própria história e abrem caminho por entre o esquecimento para imporem os seus próprios memoriais e flausinices, querendo ficar para a posteridade ungidos em patine dourada, apenas mostram como são fúteis e vãs.
Ou aqueles outros, pobres coitados, que inventaram ilusões para se desenharem aos olhos dos outros como inteligentes e hábeis executivos, tentando construir um património a partir do nada e depois escondendo-o, urdindo falsificações, e depois fugindo para a outra ponta do mundo para tentar comprar a imortalidade que lhe fugia por entre os dedos, acabam regressando a casa dentro de um caixão e sem amigos que amparem a queda num buraco de terra.
Ou aqueles e aquelas que se injectam e se cortam para repuxar a pele e eliminar os sinais do tempo querendo simular uma juventude eterna, em que eternidade acreditam? Com quantos anos se sentem quando se vêem no espelho? Tudo porque querem entrar gentilmente e de rosto liso e infantil na boa noite escura? Quantas inúteis quimeras.
Correr atrás de absurdos objectivos, acumular luxos, contabilizar likes, emojis, visualizações, seguidores, querer ter muitos amigos mesmo sabendo que são amigos virtuais, ostentar dias fantásticos esquecendo que isso é o mesmo que exibir medalhas de pechisbeque -- tudo coisas que, aos meus olhos, não fazem qualquer sentido.
Para mim, a vida é ir por um caminho e, a cada bifurcação, ir escolhendo por onde continuar, um passo depois do outro, um dia depois do outro, e, a cada dia, a cada passo, ir gostando do que se vê, do que se sente, do que se cheira e ouve, e ter sempre a motivação, a curiosidade, o encantamento de ir em frente.
Há por aqui casas fabulosas, de uma arquitectura extraordinária. De vez em quando, quando vamos a passar, abrem-se os portões e saem grandes carros. Começo a conhecer as casas mas não conheço quem lá vive.
Há uma casa que tem sempre as grandes portas de vidro abertas para o jardim. Nós passamos e conseguimos ver alguém reclinado num sofá, a ler, enquanto cá fora os cães brincam. Nunca consegui ver a cara das pessoas pois olho furtivamente.
Há uma outra casa que destoa um pouco: é muito grande, por fora é quase toda revestida a madeira, quase parece um conjunto de cabanas. As portadas estão quase todas fechadas. Mas, cá fora, numa mesa num recanto que mal se vê da rua, está às vezes um homem a trabalhar num computador. Acho estranho. Não sei se vive sozinho naquela casa tão grande e quase sempre toda fechada. O meu marido diz-me que sei lá eu se ele está a trabalhar. Penso, mas não digo, que pode estar a escrever um livro.
Numa outra casa que se percebe que é das mais antigas, vive um casal já de alguma idade. O jardim é mimoso e costumo vê-los, ambos de chapéu, debruçados sobre os canteiros, por vezes de joelhos, plantando amores-perfeitos, colocando pedrinhas em volta, com umas tesourinhas aparando indesejados rebentos, tratando dos vasinhos. Se os visse na rua não os reconheceria pois creio que nunca lhes vi o rosto.
Costumamos cruzar-nos com um senhor que agora anda de calções e com um chapéu. Anda a passear o seu pastor alemão. Cumprimenta-nos, o cão puxa e rosna, quer atirar-se ao nosso mas o senhor diz que é só aparência de mau. Consigo identificar o binómio cinotécnico mas, se o visse sozinho, acho que não conseguiria identificá-lo de per se.
Há também uma senhora que anda a passear a sua cadela. Não a leva pela trela. Diz-nos que ela não faz mal. Mas ela não lhe obedece e, em vão, a senhora farta-se de chamar e dar-lhe ordens. Há aquela dinâmica entre elas, ficando a ideia de que a cadela é que manda na senhora. Quando passamos por ela, a senhora ri-se, desculpa a cadela, 'É assim mas é só para brincar, não faz mal a ninguém'. A cadela permanece indiferente, a fazer das dela, não perde tempo a justificar a senhora.
E há um homem bonito que anda de bicicleta pelo caminho de fora e que leva um cão bonito pela trela, agarrada à bicicleta. O senhor sorri, cumprimenta-nos e diz bom dia mas, quando fala com o cão, não percebemos o que diz, ainda não conseguimos identificar aquela língua. Se o vir fora da bicicleta e sem o cão estou certa de que não o reconhecerei.
E eu, que sempre participei na elaboração de planos estratégicos e na definição de visões e outras coisas supostamente rigorosas e relevantes e que sempre tanto gostei de conhecer outras terras, museus, galerias, lojas e tudo o mais, agora sinto-me feliz com as coisas mais simples, viver um dia de cada vez, estar no meu jardim a ouvir os pássaros, estar com os meus, tratar da casa, caminhar por aqui, ver os jardins das outras casas, entrever o corpo de alguém que lê na sua sala, cruzar-me com pessoas que passeiam o cão e nos cumprimentam com um sorridente bom dia.
A propósito, deixem que partilhe um vídeo muito tranquilo, onde as palavras e os gestos são vagarosos, serenos e simples. Felizmente está legendado em português (do Brasil...). Traduzo (às três pancadas) o texto de apresentação no youtube.
A arte da vida
Como uma estrela em ascensão no campo da matemática abstrata, Michael Behrens descobriu que podia ver beleza e padrões onde outros não conseguiam. Mas o seu caminho não era estar dentro da academia, nem mesmo dentro da sociedade. Ele partiu numa grande aventura para unificar o seu budismo com sua capacidade de ter uma visão expandida da realidade. Ele criou beleza num lugar onde ninguém mais o faria, e fez amigos entre os golfinhos.
Zaya e Maurizio foram ao Havaí há alguns anos e, numa praia remota, conheceram Michael. Depois de um tempo, ficou claro que Michael não era um homem comum… Nós conversamos sobre física quântica, budismo, espiritualidade, arte e ele convidou-nos para a sua casa depois de se certificar de que tínhamos “sapatos suficientemente bons”
Logo depois de estacionarmos o carro numa estrada remota, entendemos o porquê…Michael mora no meio de uma selva densa, a 20 minutos da estrada num terreno que ele mesmo limpou. …à mão!!!
Ele levou todo o material aos ombros e construiu um jardim incrível baseado na geometria sagrada. Um lugar incrível dedicado à beleza e impraticabilidade...
A casa não tem água corrente no interior, apenas um chuveiro do lado de fora e sem eletricidade. Michael comprou recentemente um pequeno painel solar para poder continuar a sua pesquisa e comunicar através de seu computador com outros matemáticos e com o mundo. (...)
A múmia ressabiada de vez em quando sai do cacifo onde a Maria o deve ter amordaçado para vir dizer coisas que mais parecem taralhoquices. Razão tem Jerónimo, o moicano, ao dizer que a múmia está velha.
Pleonasmo: todas as múmias são velhas -- embora, reconheço, haja múmias mais velhas que outras.
Fugiu ao protocolo, não esteve para fazer de conta que desejava felicidades ao outro, disse que tinha tido que ir para casa. Nem mais. Nem se deu ao trabalho de inventar desculpa. Na volta, deu-lhe um ataque de caganeira aguda. Acontece. Com os nervos que estas coisas lhe devem dar deve ter ficado com soltura. Portanto, antes que desse barraquinha ou que um fanico o deitasse outra vez ao chão, raspou-se.
Fez bem.
Ou isso, ou a Dona Maria mandou-o ir fazer algum mandado e estar de volta a horas decentes e que caguasse para o catavento. E reparem como a Dona Maria é fina: deve dizer caguar para não ferir susceptibilidades; e isto do catavento não é de sua lavra, note-se, é coisa do pupilo do esposo. Reparem: esposo; esposo e não marido. Dona Maria, para além de poetisa, é também mulher de finezas.
Portanto, deixemo-lo regressar ao cacifo onde soa que a Dona Maria o tem guardado no canto da marquise, deixemo-lo. E ele deve ir de bom gosto, deixa que ela o entaipe e encaixe: assim não tem que andar a fazer mandados ou ficar a ouvir os sonetos que a grande poetisa compõe.
Estão bem um para o outro, sempre toda a gente o disse. Deixemo-los: que acabem os seus dias com a dignidade possível.
Quanto ao Marcelo, correligionário mas, honra lhe seja feita, nada a ver com a múmia, é outra loiça. Laranjas de outra cepa. Marcelo é educado, culto, tem boas maneiras.
Mas, verdade seja dita, a que propósito foi aquele desconfinamento que ontem andou a promover pelas ruas de Lisboa e do Porto? É certo que estavam de máscara (embora alguns com o sacrossanto nariz de fora) mas era preciso ir para o meio do povão, essa mole humana que se pela por selfies presidenciais e, sobretudo, por aparecer na televisão? É certo que tomou posse (e falou bem, sim senhor, tiro-lhe o chapéu, bom discurso, o discurso de um democrata), é certo que não é todos os dias que se toma posse pela segunda vez, é tudo certo. Mas não podia ter-se aguentado a bom recato para não dar maus exemplos?
Aquela sua veia carente é um problema: tem que se sentir amado e isso leva-o a cometer excessos. E eu, que até gosto de excessos, tenho para mim que um senhor presidente, se não consegue controlar as suas carências, deve procurar ajuda. Só aconselho é a não procurar a comentadora residente do Correio da Manha, Joana Amaral Dias de sua graça, que aquilo ali parece mais maluca que do que muitos malucos que tenho conhecido. Também não recomendo a glamorosa e fofinha psicóloga Passadeira Torrinha que, notoriamente, aquilo ali não me parece que tenha pedalada intelectual para acompanhar pacientes mais exigentes. Podia aconselhar-se com o Chicão (em bom) que deveria ficar bem servido mas isso já sou eu a dizer.
Tirando isso, mais nada, obrigada, está tudo numa nice.
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A primeira imagem provém do blog Raiva Escondida e as outras do saudosíssimo We have kaos in te Garden
No outro dia entrei na mini-estufa que está ao fundo, na horta, e que está meio destruída. O chão cheio de erva alta, a erva a encobrir não sei o quê, uma prateleira meio caída, umas latas não sei com quê. Aventurei-me admitindo que não haveria de sair uma cobra azul com duas cabeças de debaixo da relva ou um rato gigante a rir às gargalhadas de dentro de uma lata. Então, entre restos de meias coisas, vi uma floreira rectangular, com terra e, sobre a terra, não sei o quê, se ovos de bichos hediondos, se larvas nojentas, e umas meias flores, meias vivas (que é a mesma coisa que dizer meias-mortas). Peguei na floreira, pesada, e com os pés pousados sobre não sei o quê, tentei trazê-la cá para fora. E, então, de lá começaram a sair bichos, talvez formigas gigantes, talvez apenas uns bichos meio aterradores. Suportei a agrura, projectei-me cá para fora e consegui pô-la em terra. E, cheia de comichões e brotoeja de toda a espécie, sacudi-me e sacudi de mim toda a bicheza saída daquela terra estranha coberta por coisas esquisitas e meio tenebrosas.
A seguir, com a mangueira lavei tudo, a terra, a flor, tudo aquilo que tinha sobrevivido sem água e entregue àqueles urubus.
E isto é verdade, que ninguém pense que estou a criar aqui uma história armada em fábula.
Pois bem. A fenómeno idêntico tenho assistido nos últimos dias: tudo o que é bicheza infecta parece que está a sair de debaixo da terra para vir chatear a malta. Primeiro foi o seboso do cherne Barroso, a criatura mais inútil e mais informe que a política portuguesa conheceu e que estranhamente conseguiu aguentar-se à tona de uma Comissão Europeia então paralisada. Depois, nem percebi a que propósito, dei de caras (na televisão, bem entendido) com a cavaquítica múmia paralítica a exibir o seu crónico ressabiamento e mau feitio, respondendo ao que ninguém lhe perguntou. E agora, respondendo ao apelo do seu pupilo, o popufacho ventoso, eis que deu à costa o láparo mais burro que a terra alguma vez pariu; apareceu disfarçado mas, ao falar, logo mostrou que mudam as aparências mas não as substâncias.
De onde é que esta gente anda a aparecer? O que deu neles? O que anunciam estas sinistras aparições?
E o mais estranho é que, parecendo querer competir com a zombiada que anda a sair de debaixo das tumbas, quais fantasmas a sair de armários escaqueirados, o alpacas, esse apertadinho e sempre maldisposto rio, resolveu armar-se em engraçadinho fazendo piada com morto, com desgraça, com vergonhas alheias. O psd está em decomposição acentuada. Como as minhas romãs pelos vistos devoradas pelos ratos de que só sobrava a casca, assim o clube da laranja. Os fantasmas e os ratos que se pensava estarem defuntos andam a devorá-las por dentro.
Brotoeja é o que sinto só de ver. Fará os sociais democratas de gema que ainda andam iludidos acreditando que ainda têm hipótese... Talvez até tivessem. Mas, para isso, teriam que renegar a maioria dos estafermos que o dirigiram.
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Já não chega o corona a dar conta disto tudo, ainda aparecem agora estes vírus bactéricos e putrefácticos. Caraças.
Mas vou estar para aqui a falar de múmias ressequidas e bicheza abutríca no fim de uma semana como a que tive....? É o vais.
Portanto, vou mas é aplicar aqui ao texto umas flores e coisas de natal cá de casa à laia de defumação para ver se afasto a mente dessas avantesmas.
E, olhem, vou pôr-me aqui a olhar estes vídeos a ver se aprendo a dançar, revoltear e sapatear ou, até, a ficar com os cabelos em pé mas com graça.
Tenho dificuldade em alinhar umas quantas palavras para dizer o que penso de Trump. Quando se pensa que a estupidez já atingiu um ponto a partir do qual o estúpido passa a poder ser internado compulsivamente, eis que novos factos vêm demonstrar que o reino da estupidez é reino com regras e escalas muito diferentes das do mundo normal.
O sujeito não é apenas um narcisista desvairado, é também um doente mental grave, mas daqueles cuja demência se agrava espaventosamente de dia para dia. Um narcisista demente facilmente se confunde com um artista de stand up, com um palhaço em pleno espectáculo. Dir-se-ia, ouvindo o que ele diz, vendo o que ele faz: perdeu o tino, não sabe o que diz e faz. Mas pergunto eu do mais fundo da minha ignorância: não há mecanismos para apear um presidente psicopata, demente? Não há forma de travar um criminoso?
Não sei se ainda há camisas de forças mas, face a ter forçado a alta, face a ter-se posto à varanda tirando a máscara e dizendo que não é preciso ter medo da covid, não sei se não seria caso para pegarem nele à força e enfiarem-no com quartinho bem fechadinho, sem internet, sem telemóvel ou computador. Ou na prisão. Forever.
More than 200,000 Americans will never recover from Donald Trump
Se o dia é muito quadrado, cheio de quadros, tabelas, dashboards,kpi's e coisas dessas que parte da população desconhece (não perdendo grande coisa), acontece-me chegar a esta hora e só me ocorrer virar o blog do avesso. É que não me apetece dizer nada, muito menos coisa que tenha pingo de sumo: só mesmo coisas do caneco, que não tenham nada a ver com nada. Juro.
Bem, a ver no que dá. Vou esforçar-me, pode ser que consiga atinar.
Ainda por cima, acho que andei distraída e não dei pela chegada da silly season.
Só dei por ela quando soube daquela ave exótica, cor de ovo do campo em versão açafrão-choque e que, quando foram a ver, afinal era uma gaivota que tinha desfilado na avenida, na parada lgbt, toda linda, toda tingidona de caril.
Também pode acontecer que o início da estação dos malucos tenha sido quando ouvi aquilo do polícia sindicalista que nos dias de folga ia buscar droga para passar. Moço fino.
Ou o Cavaco, dito o impoluto da marquise, a dizer que não é amigo do Ricardo Salgado. E a malta do costume, uma maltosa info excluída, maledicente, num excitex, caíu em em cima do marido da Dona Maria Cavaca a pés juntos sem perceber que ele queria dizer é que não se tinha amigado com ele no Face. Qual jantarinho, qual carapuça. O amigo da onça estava a pensar era em likes e assim e a malta, como de costume, não percebeu. Muito gostam os info-excluídos de embirrar com o bolo-rei da casa da coelha. Poças.
E outra: parece que aquela senhora que se esforça tanto por ter um ar assertivó'iluminado e que só consegue ter um ar de gaiteira avant la lettre escreveu uma baboseira equivalente a todas as outras baboseiras que usualmente escreve e, uma vez mais, as redes sociais pegaram fogo, o mundo dividido em dois, o comissário marcelista, João Miguel Tavares de seu nome, também a opinar, malta civilizada a indignar-se, outros a espumar, provavelmente outros a esgazear -- e tudo como se o que a Menina Bonifácia diz interessasse para alguma coisa. Nunca. Nunca disse casca de caracol que interessasse. Por amor da santa, esqueçam as self-perecíveis opiniões da vizinha Bonifácia. Get a life.
Claro que também há aquilo de a PJ ter andado de roda de outra câmara do PSD. Começaram pelo norte, passaram pelas Beiras e agora já chegaram ao Algarve. E o que vejo é o pipeline dos investigados e arguidos a ir enchendo, enchendo, enchendo. E sair não sai nada, ou porque tanta investigação não dá em nada -- é a aquela coisa de chocar, chocar e não nascer nenhum pinto -- ou porque leva tantos anos que os ditos ficam velhinhos, velhinhos, e a coisa acaba por chatear a malta, que às tantas já nem se sabe se já foram soltos, se nunca chegaram a entrar, se por aí andam de pulseirinha ou se foi tudo mais um desvario do Rosarinho e do super Alex. Portanto, começa é a ser estranho haver autarquia em que não apareça aquele bando de agentes a fazer rusgas, sacar computadores, espiolhar as gavetas e revistar o armário da casa de banho onde as senhoras guardam os pensos. Só autarquia fajuta, brega, saloia é que não interessa pr'a ninguém, autarca pé rapado que não consegue nem ser arguido de coisa nenhuma.
Tirando isso estou em crer que só mesmo o Marcelo mas aqui não vou dizer que tenha a ver com silly season ou que não deita sumo. Tudo o que o nosso ubíquo prof. diz ou faz é presidencialmente pertinente, ora essa. Mas não sei o que aqui referir porque ele fala tanto sobre médico, enfermeiro, polícia, bombeiro, deputado, porteiro, professor, presidente, rainha, papa, são tomense, moçambicano, cabo e sargento de Tancos, livro feito, livro por fazer, agricultor, velhinha, criancinha, investigador, psicólogo, barbeiro, motorista, sindicalista, massagista, artista, alpinista, guitarrista, jornalista, polícia-sinaleiro, cozinheiro, solteira, tia de Cascais, simples peão e etc. que não sei qual o tema a destacar. Nem seria correcto eu destacar alguma coisa porque quem sou eu para dar em fazer seleccção em tema presidencial...? Ná, nessa não me apanham. Cada macaco no seu galho e o meu galho é cá em baixo, pequenino, plebeinho.
E depois, claro, há sempre aqueles temas que são silly em todas as seasons como os do conselheiro Marques Mendes mas eu, quando aparece esse cromozito, mudo logo para o canal dos agricultores, gente mais bem formada, mais sã.
Pode parecer que não, que aquilo ali é tudo maluco encartado, desde os agricultores às putativas madames agricultoras, mas é gente mais clean de cabeça do que o Nóia e a sua Clara amestrada. Aquilo ali, no campo, é tudo ecológico, tudo se auto-recicla, tudo se transforma em ar mal acaba de ser dito e, portanto, aqui chegada nada me ocorre dizer sobre o tema. Só sei que é coisa mais aproveitável do que as bocas, os recadinhos e as tretas do conselheiro da SIC.
E isto tudo para dizer que o dia foi muito convencional e, querendo eu virar o texto do avesso, não encontro matéria para me ajudar na acrobacia. Tento, tento, tento e... nada.
Acresce que isto de deitar tarde e levantar cedo não me estimula os neurónios. Zero. E o pior, e isto eu nem devia aqui fazer confidências destas, é que por causa de umas cenas que eu cá sei, tenho trazido trabalho para casa. E, assim sendo, com a cabeça nos comentários a que não tenho conseguido responder e no texto que me apetece revirar e atirar ao ar, tenho que usar este meu escasso tempo a ler e responder a mails, ler relatórios e alinhavar pareceres. E blog, que é bom e eu gosto, nada, só no fim, quando já estou completamente nos finalmentes do dia de moi-même. Pauvre, pauvre... lá diria a menina Orquídea. Mas não seria a mim que ela se estaria a referir, pauvre, pauvre de moi que de mim ninguém se apieda. Nem ninguém me escreve missivas, pauvre, pauvre de mim, com canetas não sei quê e caligrafia não sei de onde. A mim só budgeds, dashboards e coisas sem filosofia, psicologia, poesia, rêveria. Uma aridez. Ainda se ao menos viessem em grego antigo que é a minha língua de eleição. E, já agora, pela mão de um tal calmeirão que tem deixado algumas senhoras da bloga ao rubro....Mas não, nem isso. Nada. Bola.
Portanto, olhem, lamento mas hoje, uma vez mais, aos costumes digo nada.
Mas vá, já agora, para que alguma coisa valha a pena para além do espectacular Kantori Ongaku lá em cima (vejam o vídeo, ok?), aqui vos deixo o dito Devendra Banhart a mostrar a sua casa.
Ou, Senhores Jornalistas, façam uma reportagem muda: filmem a Dona Cavaca a olhar para as cenas, a Drª Beleza a ajeitar o mega penteado, o Sr. Mangas de Alpaca Rio a sorrir, com ar entre o envergonhado e o apatetado, o Púbico Catroga com ar de pinguim corado e gordo, também já sem grande compreensão para o que se passa à sua volta e que não diga respeito a algum que lhe toque, ou filmem os quantos mais que fizeram o frete de ir ouvir o senhor a mostrar que continua igual a si próprio mas em pior: ressabiado, má pessoa, a trocar a volta às conclusões para as usar a despropósito, recozido em mau feitio, em maus fígados.
E, sobretudo, façam a caridade de não chamar comentadeiros para opinarem sobre as baboseiras de um cavalheiro que nunca fez ou disse nada de jeito quando teve oportunidade de mostrar serviço e que não era agora, retirado, os neurónios sobrantes já em repouso, que nos ia surpreender.
Popupem o senhor. E poupem-nos.
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E, nada mais tendo a dizer, presto aqui homenagem à arte e bom humor do fantástico autor de We Have Kaos in the Garden a quem o Cavaco, El-Rei das Cagarras e das Vacas que Riem tanto inspirou.