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terça-feira, março 11, 2014

Em casa e cá fora in heaven. Eu e os azulejos. Há quem goste de pintura e poesia e se fique pelo amor platónico. Eu não: eu sou toda pelo amor passado à prática.


Estou aqui a balançar entre continuar a escrever sobre alguns temas da actualidade ou em dar seguimento àquilo de que ontem vos falei.

Mas quero honrar compromissos e, portanto, largo as palhaçadas miguel-punhistas, o bicho dalmatiano rangélico-birrento, e alguns dos dramáticos efeitos colaterais da gestão laparosiana e parto para o campo.

Se quiserem ver e ler sobre essas ridículas figuras e, depois, arejar as ideias, voltando a Lisboa, a bela, ao som de Mignonne, allons voir si la rose, quando acabarem este que estou a escrever vão descendo, por favor, até se aproximarem do Tejo.

*

Não será ainda hoje que mostro a alegria dos meus pimentinhas à solta in heaven. A noite vai longa e isto já vai para além da dose. Por isso, hoje limito-me a mostrar um pouco do local onde está muito de mim.

Venham comigo que eu vos conto. 

Vai pensamento






*

Tenho sempre muitas ideias. Frequentemente não as posso pôr em prática. Vivo inserida em organizações onde nem todos andam à mesma velocidade e no mesmo sentido e, por isso, é normal que todos tenhamos que fazer cedências. Faço muitas. No trabalho ou na sociedade tenho, muitas vezes, que me esforçar por me acomodar. No outro dia, um psicólogo perguntava-me 'e consegue manter-se motivada?'. Consigo. Não posso fazer uma coisa, viro-me para outro lado, faço outra.

Mas, na minha casa, sou rainha e senhora. É certo que há um rei e o rei muitas vezes dá muita luta, ó se dá, mas, enfim, ainda assim, para ser honesta, não me posso queixar.

Na minha casa eu posso, pois, sonhar e tentar concretizar os meus sonhos.

Quando estou in heaven tenho largueza para expandir os pensamentos. Talvez por isso tenha feito escrever em azulejos a frase 'Va', pensiero, sull'ali dorate'.

Quando aquilo era apenas mato e eu olhava em volta sem saber por onde haveríamos de, um dia, caminhar, pensava muitas vezes que, nesse dia longínquo, haveria crianças pequenas à minha volta e que haveriam de andar por ali, maravilhadas, à descoberta.

Aos poucos foi sendo claro para mim onde deveriam estar os caminhos. Foi um processo lento. Os caminhos fazem-se caminhando - é sabido. 

Caminhos, uma escada na pedra, um pequeno muro a delimitar o espaço, um banco, um sítio para a lenha, um outro caminho, árvores à beira do caminho.

Dias. Dias. Meses. Anos. 


Um dos primeiros espaços. Reprodução de uma aguarela de Guilherme Parente


E tanto que eu gostava de ter uma casa enorme com as paredes cheias de telas dos pintores de eleição. Mas não dá, nem a casa é tão grande assim nem o dinheiro chega para os pintores que tanto amo. Não dá...!? Dá mais ou menos.


Não dá para pôr em casa, põe-se na rua.

Não dá para ter as telas, mando reproduzir em azulejo. 

Não tenho fins comerciais (como é óbvio). São painéis fixados na pedra no meio do nada. São para meu deleite. Meu e dos que me são mais próximos. Nada mais que isso.

José de Guimarães, um dos que me é caro. Cores abertas, figuras livres, ironia, alegria.


Estes que aqui mostro são parte de painéis maiores. Estão num grupo de quatro paredes em losango que têm ao meio um canteiro alto que tem um cipreste lá dentro e um banco à volta.

Lá dentro não entra o vento e há pinturas em cada parede, por dentro e por fora. Oito pinturas na parede, sobre azulejo.

Sou louca?

Sou.



E há a poesia. Poesia a acompanhar os nossos passos ou as nossas leituras ou o nosso sossego. 

Sophia, Eugénio, Herberto, Jorge de Sena, O'Neill e muitos mais.

Os meus amorzinhos pequeninos brincam no meio de palavras. Assim é o meu amor pelas palavras: um amor material. Passo-lhes as mãos por cima, deixo que o tempo as suje, deixo que o sol as ilumine.



Mas levei a paixão dos azulejos também para dentro de casa.

minha casa sou eu. 

Não me esgoto na minha casa, bem entendido, mas há muito de mim nos recantos da minha casa. As minhas cores, os meus aconchegos.

Paul Klee, Picasso, e outros e, cúmulo do disparate, coisas minhas. 

Mas que mal tem? 

É a minha casa. Não tenho nada a provar a ninguém. Mais: não quero enganar ninguém, vou logo avisando, olhem que eu não sou boa da cabeça, vocês dêem desconto.


Gosto de sofás e de almofadas, gosto da cor de tijolo que é quente, gosto de iluminação de parede, de mesa ou de pé porque faz um ambiente mais íntimo, gosto de objectos que não lembram a ninguém, junto estatuetas de cariz religioso com galinhas em pâpier maché, com velas em forma de ovelha choné, ferrinhos, e sei lá que mais e gosto de juntar tudo isso a improváveis painéis de azulejos embutidos na parede.

Hoje a casa e o espaço em volta já se enche de crianças. Chegam e começam a correr para rever os sítios de que se lembram tão bem desde a vez anterior. É um lugar mágico para eles. E para mim também.


***

A música lá em cima mostra o Coro do Metropolitan Ópera House de Nova York, interpretando "Va Pensiero" da ópera Nabucco de Verdi. Uma maravilha. De vez em quando volto a ela, e imagino sempre o que deve ter sido a emoção da multidão nas ruas, a cantar isto enquanto se despedia de Verdi.


***


Relembro: por aí abaixo há mais uns três ou quatro posts, já nem sei bem. Vão do Bate-Punho, essa vulgar criatura, até Pierre de Ronsard, passando pelo rangélico dálmata (destes lembro-me eu). Um mix a la UJM.


NB: Sempre que isto mete fotografias e eu tento juntá-las, a coisa dá para o torto. Sai tudo meio desalinhado. Paciência. Tenho tanto sono que já nem consigo dar uma vista de olhos. Desculpem as vírgulas fora do sítio ou palavras a mais ou a menos. A ver se, lá para a hora de almoço ou ao fim do dia, consigo tempo para dar uma olhadela a ver se descubro gralhas. Relevem, está bem?


****

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça feira.


sexta-feira, março 08, 2013

"O Camões é o malandro maior da literatura portuguesa. (...) A barca é fálica e a água é a coisa feminina", palavras de Helder Macedo na entrevista de Ana Sousa Dias na Revista Ler de Março de 2013. E ainda Camões segundo Júlio Pomar e José Rodrigues e 'Raquel e Lia' segundo Theodor Rehbenitz. E 'Erros Meus' por Amália. E, como extra, porque hoje é Dia da Mulher, as mulheres segundo os mesmos Helder Macedo e Júlio Pomar.




Luís Vaz de Camões segundo José de Guimarães


(...) A maneira como ele descreve a vida de Lisboa, com uma crítica social acérrima, e não apenas quando fala da vida boémia dos prostíbulos que ele frequentava activamente, chamando aliás às prostitutas, porque estavam à janela, as 'ninfas de água doce'.

E muita da poesia lírica, mesmo nos sonetos mas sobretudo nas redondilhas, há poemas que, se descodificamos, são profundamente obscenos.

Há um exemplo extraordinário que parece a coisa mais inocente do mundo. Orgulho-me de ter sido a primeira pessoa que entendeu o significado da redondilha: o mote é 'Quem disser que a barca pende, dir-lhe-ei, mana, que mente. E as voltas - 'esta barca é de carreira, tem seus aparelhos novos, boa de leme e veleira'.

MOTE

Quem disser que a barca pende,
dir-lhe-ei, mana, que mente.

VOLTA

Se vos quereis embarcar
e para isso estais no cais,
entrai logo; que tardais?
Olhai que está preiamar!
E se outrem, por vos fretar,
vos disser que esta que pende,
dir-lhe-ei, mana, que mente.

Esta barca é de carreira,
tem seus aparelhos novos;
não há como ela outra em Povos,
boa de leme e veleira.
Mas, se por ser a primeira,
aos disser alguém que pende,
dir-lhe-ei, mana, que mente.


Quando descodificamos, a barca é fálica e a água é a coisa feminina. É um poema de alta propaganda da sua virilidade. Traduzindo isto em linguagem corrente, é obsceno em extremo e, assim, é lindo.

Num poema feito por ele, é uma obscenidade radiosa e nada negativa. Traduzido em linguagem de rua, aí os pudicos e as pudicas ofendiam-se muito. Assim, dizem 'cena misteriosa à beira de um rio'. 



São aqueles exegetas tradicionais do Camões, aqueles que podem não entender que possa ser irónico que depois de servir sete anos ele fica com uma e depois quer também a outra.



Raquel e Lia, Theodor Rehbenitz


O soneto tem uma ironia muito camoniana (... ele fica com as duas...). O Camões é o malandro maior da literatura portuguesa.


Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!




Camões, Júlio Pomar


A escrita da poesia é, em linguagem, o que aspira a ser mais parecido com música, no sentido em que é capaz de dar simultaneidade de significações. Em ópera, especialmente, nós conseguimos ter, através da música e das vozes das personagens, sentimentos contraditórios a serem expressos pelas mesmas notas que estamos a ouvir. Só em música isso se consegue cabalmente.

Há poetas extraordinários, como o Camões que mencionámos há bocado, que consegue dizer coisas desse género. Quando o Camões escreve aquele achado incrível, por exemplo: 'Errei todo o discurso de meus anos', isto explode para todos os lados, porque é o decurso, é a fala, é o discurso poético, errar é deambular e cometer erro, quer dizer, com esta meia dúzia de palavras vai-se por aí, por aí. São raros os poetas que conseguem isso.

Se há um propósito em poesia, é precisamente a possibilidade de dar a nossa complexidade de uma forma tão condensada quanto possível.


Erros meus, má Fortuna, Amor ardente 
Em minha perdição se conjuraram; 
Os erros e a Fortuna sobejaram, 
Que para mim bastava Amor somente. 

Tudo passei; mas tenho tão presente 
A grande dor das cousas que passaram, 
Que já as frequências suas me ensinaram 
A desejos deixar de ser contente. 

Errei todo o discurso de meus anos; 
Dei causa a que a Fortuna castigasse 
As minhas mal fundadas esperanças. 

De Amor não vi senão breves enganos. 
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse 
Este meu duro Génio de vinganças!



Camões, Júlio Pomar

...   ...   ...








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Os textos em itálico são excertos, por ordem diferente, da entrevista de Helder Macedo, o gentleman marginal, a Ana Sousa Dias na Revista Ler, Nº 122, de Março de 2013.

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Mulher de Júlio Pomar


Não tem que ver com Camões mas com o facto de ser Dia da Mulher (e eu não sou dada a 'dias de' e, se fosse, preferia o 'Dia do Homem' para as mulheres poderem dizer mal deles à vontade. Estou a brincar. Se houvesse seria para dizer bem, são uns queridos, uns fofos. Adiante que, com o adiantado da hora, a censura interna começa a escassear): transcrevo um pequeno excerto da mesma entrevista. Diz Helder Macedo:

Tenho um fascínio pelo feminino. O que aliás não entendo que não possa haver. Todos nós somos filhos de mulher. As mulheres ensinaram-me tudo. Essa intimidade com o feminino é a base da minha personalidade de homem, de macho.


Ora bem. Assim mesmo é que é.



Salomé por Júlio Pomar

...


Se me permitem, muito gostaria de vos ter hoje no meu Ginjal em dia de bolinha vermelha no canto do écran. Vasco Graça Moura levou-me pela mão ao atelier de José Rodrigues e eu deitei-me numa cama feita de palavras. A música é uma maravilhosa interpretação de Schumann a cargo de Martha Argerich e Mischa Maisky.

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E nada mais. Apenas desejar-vos uma bela sexta feira com poesia, música, beleza e muita malandrice.


quinta-feira, março 08, 2012

A felicidade é amor... e $75.000 (segundo a Gallup); e alguns pintores que me fazem feliz (Matisse, Magritte, S. Delaunay, Chagall, Kandinsky, Paula Rego, José de Guimarães) e Sophia que me faz sempre feliz e Bob Marley que diz 'Don't worry, be happy' e os do Dortmund Ballett que são muito boa onda. E Era uma Vez uma Mulher.


O que é a felicidade? Como se atinge?


Música por favor

Don't worry, be happy - Bob Marley


Mercado no Minho - Sonia Delaunay

Li um artigo curioso da autoria de Jennifer Robison, Senior Editor do Gallup Management Journal, que aborda este tema. Por ser um tema que me interessa (ainda há poucos dias aqui o aflorei), apeteceu-me partilhá-lo convosco; transcrevo uma parte em tradução livre (e tomara que estes excertos, apesar dos muitos cortes, façam sentido; é que o artigo é extenso demais para o colocar aqui todo). 
....

"A procura da definição de felicidade tem consumido muita energia. Até há pouco tempo, havia pouco a mostrar sobre o assunto – algumas canções, uns quantos poemas, uns postais mimosos – mas nada de utilização prática.

Angus Deaton, economista de renome e Daniel Kahneman um psicólogo galardoado com um Nobel, ambos da Universidade de Princeton, tentaram traduzir a felicidade em dados objectivos. Mais especificamente analisaram as respostas ao Gallup-Healthways Well-Being Index (GHWBI), a um inquérito diário a 1.000 residentes nos EUA sobre o seu bem estar.

Sobre o índice acima referido

Durante mais de 50 anos, os cientistas da Gallup exploraram as exigências relativas a uma vida bem vivida. Mais recentemente, em parceria com reputados economistas, psicólogos e outros aclamados cientistas, a Gallup revelou quais são os elementos universais que transcendem países e culturas e que diferenciam uma vida aliciante de uma passada a sofrer.
  •  Bem estar profissional: se gosta do que faz todos os dias a nível profissional ou ocupacional
  • Bem estar social: se tem relacionamentos fortes e amor na sua vida
  • Bem estar financeiro: se efectivamente gere a sua vida económica
  • Bem estar físico: se tem uma boa saúde e energia suficiente para diariamente fazer as coisas numa base
  • Bem estar em comunidade: se se sente bem integrado no local onde vive

Depois de analisarem mais de 450.000 respostas entre 2008 e 2009, o Dr. Deaton and Dr. Kahneman chegaram à conclusão que a felicidade é o resultado de se atingir a satisfação de dois estados psicológicos – o bem estar emocional e a avaliação que se faz da própria vida.

Pintura de Wassily Kandinsky

Avaliação e Emoção

A avaliação sobre a sua própria vida e o bem estar emocional referem-se a diferentes percepções. 

A avaliação da vida requer uma apreciação sobre a vida ao longo de um grande período, é uma análise retrospectiva. Tem a ver com o atingimento de objectivos, com uma segurança financeira, com uma satisfação emocional.

A investigação mostra que quanto mais convencionais forem os objectivos, melhor as pessoas avaliarão a sua vida. 

As melhores avaliações vêm de pessoas que estudaram, casaram, que têm bons trabalhos.

O bem estar emocional reflecte uma visão de mais curto prazo e refere-se à qualidade emocional da experiência diária de cada um. Se essa experiência é negativa, o bem estar emocional ressente-se imediatamente. “A felicidade emocional é antes de mais social”, diz o Dr. Kahneman. "A melhor coisa que pode acontecer às pessoas é passarem tempo com pessoas de quem gostam. Constatámos que a solidão é uma coisa terrível. O mesmo se passa com a pobreza extrema. Mas a solidão, independemente de quão rico se é, é sempre uma má coisa"

Mas a investigação mostra também que uma pessoa não se torna feliz apenas sociabilizando-se com os melhores amigos e atingindo os objectivos. Também são precisos $75,000 por ano.

Pesca - José de Guimarães

O número mágico: $75,000

Uma das descobertas mais interessantes foi que as pessoas mais felizes têm rendimentos anuais à volta dos 75.000 dólares e isto independentemente das cidades em que vivem e dos respectivos níveis de vida. Mesmo nas cidades mais caras em que os 75.000 dólares anuais valem menos que noutras cidades mais económicas, parece que as pessoas ficam felizes com este rendimento e não é pelo facto de terem rendimentos acima disso que são mais felizes. É como se os 75.000 fossem um tecto acima do qual não há felicidade adicional.

Um aparte: uma coisa que constataram foi que as pessoas mais ricas encontram menos motivo de felicidade nas coisas mais insignificantes (como por exemplo, gostar de chocolate).

The double Secret  - René Magritte

E o stress?

Portanto, pessoas que atingiram os seus objectivos, que passam muito tempo com amigos, que ganham bastante dinheiro, têm a maior satisfação com a sua vida. Os que ganham pelo menos 75.000 dólares por ano têm a maior nível de bem estar emocional Mas isso não significa que não vivam stressados. Os dados revelam que quanto maior a formação académica maiores os níveis de stress. Identicamente maiores níveis de stress aparecem nos grupos mais ricos. 

Os EUA aparecem como um país com grandes níveis de felicidade . Com níveis mais elevados aparecem os Países Escandinavos, o Canadá, a Holanda, a Suiça e a Nova Zelândia. No entanto, apesar de serem dos mais felizes, os americanos são também dos mais stressados

No entanto, o Censo de 2010 nos EUA mostrou que há muita pobreza ou seja que há muitas famílias com rendimentos bem abaixo dos 75.000 dólares. "É mau estar sózinho, é mau estar divorciado, é mau estar desempregado, mas é pior estar doente e ser pobre; além disso, se for pobre pouco benefício retira do que lhe possa trazer bem esta " diz o Dr. Kahneman. "Há enormes custos emocionais associados à pobreza."

Além disso os pobres não têm o alívio dos fins de semana, estão sempre em stress o que resulta do estado de privação permanente em que se encontram.

Pintura de Marc Chagall

A ajuda que vem dos amigos

O Dr. Kahneman diz que os estudos mostram que a vida emocional depende essencialmente das relações com outras pessoas "Fico embaraçado por dar este conselho – ‘melhore os seus relacionamentos’  - mas é o que de melhor pode fazer".

Mas há, no entanto, uma coisa que tem que ser mencionada nesta discussão da felicidade – o temperamento individual. A investigação do Dr. Kahneman e do Dr. Deaton e de outros, claramente indica que há pessoas que, de facto, nasceram para ser felizes, são as criaturas ‘solares, tal como se lhes costuma chamar. 

O seu bem estar emocional será sempre mais alto do que de outras.  Isto não quer dizer que os que não são solares têm como destino viver vidas miseráveis. Mesmo os mais pessimistas e amargurados por natureza podem encontrar algum consolo: "Se não fomos feitos para ser felizes, então fomos feitos para quê?", perguntarão.  "Para evitar ser comidos por perdadores" diz o Dr. Deaton. "E se ninguém vos devorou hoje, então fiquem felizes. Pelo menos é um começo." "

Le bonheur de vivre - Henri Matisse
.&.

E hoje é dia 8 de Março, Dia da Mulher, e daqui vai o meu desejo a todas as mulheres que me lêem que tentem ser felizes. 

Anjo (ou apenas uma Mulher) - Paula Rego

Na clara paisagem essencial e pobre
viverei segundo a lei da liberdade
segundo a lei da exacta eternidade.

['Promessa' de Sophia de Mello Breyner Andresen in Obra Poética II]
 «»
E ainda, da querida Era uma Vez,


Ser MULHER também é

DAR
o seio
o ventre
a seiva
e a semente

DAR
a vida
a força
a ternura
o saber
e a verdade

ao fim do dia
esquecer o cansaço
na loucura de um abraço
e
SOBRAR...
sobrar mulher inteira em liberdade
«»
And now, for the ladies, do Poeta-Matemático J. Rodrigues Dias


Mulher

Cheia hoje a feminina lua
Em dia da mulher…
Mulher é sempre
Como a lua 
Mesmo se cheia não estiver!

«»

E para todos, mesmo para os que não são dados a danças, um ballet imperdível, Carmen pelo Dortmund Ballett



E tenham, meus Caros, um belo dia!
...

[Hoje o convite para me visitarem ali à beira rio, no meu Ginjal e Lisboa, a love affair, é feito com mais carinho. A minha amiga leitora Era uma Vez, a quem de novo muito sentidamente agradeço, também deixou ontem, de presente, nos comentários do Ginjal, um poema, 'Desamor', e é com muito orgulho que eu ali o publico hoje, junto a Mahler. Palavras e música, com amizade.]