Ouvi o artista Paulo Portas no carro e à noite vi-o na televisão. Parecendo que queria fazer-se passar por um membro da família real inglesa, todo ele aspirava os hhs, todo ele requebrava a língua. E todo vaidosão, que não é a Grécia e tal. Dir-se-ia que não lhe cabia um feijãozinho, todo orgulhoso com o luxo que são os indicadores económicos e financeiros portugueses - um país que tem uma dividazinha* mais pequena que uma caganita de láparo e onde só os calaceiros é que não têm trabalho, ui, tão bom...! - e todo ele sorria, parecendo fingir que, quase por decoro, escondia a legítima soberba. E depois patrioteiro, que não é grego, que é português e europeu, e quase revirava os olhos com a épica afirmação. E todo ele silêncios a ponderar o efeito da palavra seguinte, num inglês de aluno do British Council.
De gargalhada. Ridículo na forma e no conteúdo.
Mas, vá lá, muito bem vestido e de cabelinho bem penteado. Ao menos isso.
De gargalhada. Ridículo na forma e no conteúdo.
Mas, vá lá, muito bem vestido e de cabelinho bem penteado. Ao menos isso.
Um dia o Paulo Portas talvez me dê razão: ganhava em seguir o exemplo de Sócrates, ir estudar filosofia para outro país, ficar por lá algum tempo. Podia vir de férias, cabelo rapado a la Varoufakis, barba cerrada, óculos escuros, um look radical (de modo a que ninguém o reconhecesse). Depois, mais tarde, mais maduro, mais atinado, talvez a gente o aceitasse bem de volta. Poderia ser comediante, fazer stand up ou assim. E aposto que punha a plateia ao rubro. Se já põe e ainda está a fazer apenas de vice-irrevogável, imagine-se o que seria se estivesse à solta, completamente desbocado.
Mas não, por aí anda, armado em importante. Só que, por muito que se pinte, há qualquer coisa nele ou no seu longo historial que faz com que ninguém já consiga levá-lo a sério. A gente vê-o e só o imagina a dar saltinhos em cima de linhas vermelhas.
Gostava de poder partilhar convosco esse momento de comédia em Cascais, no Lisbom summit 2015 patrocinada pelo The Economist mas não encontro nenhum vídeo. Assim limito-me a dizer que podem ler aqui alguma coisa sobre as bicadas de Paulo Portas à Grécia.
E, aos que vinham à espera de um momento de diversão, para não darem a visita por perdida, aqui deixo um mágico, um ilusionista (que, claro, teria muito a aprender com o Mestre Paulo Portas): Mac King. Mas, apesar de um aprendiz ao pé do nosso vice, este Big Mac é o máximo.
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Só espero é que na próxima, quando o Paulo Portas for fazer outro número especial, faça o favor de, no fim, tirar um peixinho dourado da boca. Vivo, claro está.
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* Já agora do facebook de Francisco Louçã, conforme enviado por Leitor a quem muito agradeço:
Francisco Louçã:
Factos são factos: Portugal não é a Grécia? Não.
Portugal tem uma dívida externa líquida maior do que a Grécia.
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