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sexta-feira, março 13, 2026

O Um Jeito Manso já ultrapassou os 9.000.000 (9 milhões!) de visualizações
Muito obrigada

 

E, quando dei por ela, já tinha, mais uma vez, deixado passar o marco que gostaria de ter assinalado em cima da hora. Só espero que, qualquer dia, não deixe também de dar conta do meu dia de anos. 

É que, à data e hora que escrevo, a número de visualizações já ultrapassa os 9.054.000. 

Há uns tempos tinha pensado que, quando chegasse aos 9 milhões, deveria festejar de alguma forma. De início, arranjava maneira de fazer qualquer coisa diferente mas agora, muito sinceramente, também não sei bem o que fazer para marcar este patamar. Gostava de ter uma ideia original e que fosse recebida por vós como um presente. Mas esta cabeça já não é o que era... E, ao fim de tanto tempo por aqui, o que posso fazer que ainda vos surpreenda...? Não sei...

Embora nas palavras de pesquisa que as pessoas colocam nos motores de busca para virem aqui dar continue a aparecer muito "Quem é a autora do blog Um Jeito Manso?', pergunta que tem acompanhado este blog desde sempre,  tenho para mim que não há muito mais a dizer. Sou uma pessoa normalíssima (pelo menos é o que acho; se calhar quem comigo convive bem como vocês que por aqui me aturam acham que sou doida varrida mas isso já não sei, cada um pensa o que quer)

Agradecer parece-me a única forma intrinsecamente devida de assinalar um número de visitas de que, confesso, sinto um certo orgulho -- agradecer-vos a companhia, agradecer-vos a paciência, agradecer o não se fartarem de mim. Ao fim de tanto tempo, continuo a receber um número assinalável de visitas e isso deixa-me feliz e, ao mesmo tempo, espantada. E é com humildade que vos digo que gostaria de continuar a contar com a vossa presença aí desse lado. 

De resto...

Recentemente, houve uma mudança aqui no blog: de vez em quando o meu marido tem escrito uns textos, e parece-me que há muitos Leitores que apreciam e partilham o que ele escreve pois, nesses dias, aumentam as visitas via facebook ou por entrada directa no que ele escreveu. Quando o ouvia a reclamar contra alguma coisa, frequentemente contra algumas políticas ou algumas atitudes do Montenegro, dizia-lhe: 'escreve isso, que eu publico'. Resistiu, dizia que não tinha pachorra. Mas depois cedeu, e ainda bem. Quando o vejo concentrado, agarrado ao telemóvel, num canto do sofá, já sei que lá vem bomba. O meu filho também escreveu uns textos de fundo que, igualmente, mereceram bastante atenção, e isso, naturalmente, deixa-me orgulhosa pois ele pensa bem e escreve bem (posso não ser isenta, mãe é mãe, mas, neste caso, penso que é mesmo verdade).

Se me debruçar mais detalhadamente sobre as estatísticas, e vou usar mais ou menos a terminologia do software de análise de dados, vejo que a taxa de retenção de leitores usuais é alta e a taxa de 'aquisição' de novos leitores é linearmente crescente. Obviamente não sei quem são mas o algoritmo lá deve saber. E isso traduz-se numa linha de visualizações crescente ao longo dos anos. Se os blogs estão em crise, tenho tido a sorte de me conseguir ir 'aguentando'. Naturalmente, Portugal continua a ser o país em que mais Leitores me visitam, seguido do Brasil. França, Alemanha, Espanha e, embora menos, o Reino Unido e os Países Baixos, contribuem também com números significativos. Os Estados Unidos, este ano, também se têm movimentado bem, presumo por eu tanto falar de Trump e de todas as suas infames trumpalhadas.

Outra estatística que vejo e que me parece um bom sinal é o tempo de permanência por página, ou seja, o tempo que cada Leitor, em média, demora desde que entra no blog até que muda de página, parecendo evidenciar que, quem entra, fica a ler ou a ver os vídeos, ou seja, não vem apenas espreitar.

Os textos mais vistos nos últimos 12 meses são os seguintes, podendo V. clicar em cada um, caso queiram tentar perceber porquê (retiro-os directamente da página das estatísticas, colocando apenas os que, à data, tiveram mais de 5.000 visualizações):

Posts

Ao todo, desde que o blog foi criado, já publiquei 8.510 posts e já recebeu um pouco mais de 25.000 comentários. 
E, por falar em comentários, tenho que me desculpar. Ultimamente não tenho respondido nem agradecido os comentários. Não sei bem porquê mas mantenho o estúpido hábito de apenas pegar no blog ao fim da noite. Quando trabalhava, percebia-se. Durante o dia obviamente não tinha tempo para tal. E chegava a casa e tomava banho e preparava o jantar, jantava, fazia telefonemas, espreitava as notícias e, com isso, já era tardíssimo quando conseguia debruçar-me sobre o blog, para escrever, para responder aos comentários. Por vezes, ficava até de madrugada. E levantava-me pouco depois, fresca para um dia de luto.
Contudo, parece que acumulei o sono de anos. Ou isso, ou a Covid. A minha capacidade de me aguentar sem dormir já não tem nada a ver. Como só escrevo no blog às tantas, quando acabo, já estou capaz de ir dormir. Acresce que, não sei explicar porquê, desde sempre os Leitores, a maioria, sempre preferiu um registo de maior proximidade através de mail. Portanto, tenho sempre mails para ler e aos quais vou tentando responder (mas, alguns, acabam por ir passando e, quando me lembro, já lá vai um ou dois meses ou mais....). E não me sobra tempo nem energia. Peço desculpa. Não é falta de interesse, é frequentemente mesmo uma incapacidade quase física.
E é isto. Comecei num dia à noite, in heaven, sem saber nada de blogs nem como se mexia nisto. Porque o meu marido tinha passado o dia a cantar 'o meu amor tem um jeito manso que é só seu...'  e eu, por tabela, também andava com essas palavras na cabeça, foi o nome que me ocorreu: Um jeito manso. Não sabia o que ia fazer com isto, se era divulgar pinturas ou livros de que gostava, falar dos tapetes de arraiolos que fazia, escrever sobre coisas de nada, divertir-me e provocar ou, apenas, desistir depois de perceber como funcionava isto. Mas fui ficando. Gostei. Gosto. Por vezes, antes de desligar isto, vou espreitar quem está. Não as estatísticas gerais (e por isso deixei passar os nove milhões...) mas as estatísticas do momento. Escolho, como horizonte temporal, 'now'. E está sempre alguém. Eu a escrever e, ligados a mim, através das minhas palavras, pessoas em todo o mundo. Acho isso fascinante. Gostava de conseguir mandar um 'olá', saber se estão bem, se gostam de ler o que escrevo. 

Neste momento, estão estas pessoas:


Sobretudo através dos mails que recebo, vou sabendo que há quem sinta que lhes faço companhia, já houve quem me dissesse que sou a família que não têm, já houve quem me dissesse que nos momentos mais difíceis de um período de doença fui a presença alegre que ajudava a afastar as nuvens mais escuras. Palavras assim sensibilizam-me muito. Jamais as esquecerei. Tenho recebido desabafos, confissões, pedidos de ajuda. Tenho-me sentido muito próxima de quem me escreve e não sei se por vezes não fiquei aquém do que de mim esperavam. E tenho saudades de pessoas que deixaram de me contactar. Não sei se estão boas, se estão vivas ou se, simplesmente, desistiram de esperar por uma palavra mais acolhedora da minha parte.

A todos agradeço do mais fundo do meu coração.

E espero que nos vamos continuando a encontrar por aqui. No mínimo, será sinal de que estamos vivos. 
😜

segunda-feira, abril 28, 2025

8.000.000 visualizações.
E, para os assinalar, é à V., que me 'desmascarou', que dedico estes redondos oito milhões

 

Ontem, tive uma surpresa. Estava a querer referir quantas visualizações tinha em média e, para não me enganar, fui ver as estatísticas. E, para meu pasmo, constatei que, no total, já tinha passado as 8.000.000 visualizações. Há tempos, ao ver que estava a caminho disso, tinha pensado que tinha que arranjar maneira de assinalar a ocasião. E, afinal, distraí-me, e, à hora a que estou a escrever, já vai em 8.029.700 e, portanto, é absurdo estar agora com foguetórios e grandes invenções festivas quando o dia em que transpus o patamar dos oito milhões já lá vai. 


De qualquer maneira, este domingo, ao pegar no telemóvel para ver as novidades, reparei que tinha uma mensagem de um amigo com quem tinha estado na véspera. E tive uma outra surpresa, uma surpresa de se lhe tirar o chapéu. Dizia-me ele que mão mais que amiga lhe tinha feito chegar o que eu aqui tinha escrito horas antes, e agradecia a referência amigável e a empatia de festejarmos juntos. 

Como é bom de ver fiquei de queixo caído. 

Quando aqui escrevo, sou só eu. Por exemplo, agora que já são quase duas da manhã, estou sozinha na sala e é como se estivesse sozinha no mundo. É quando me apetece escrever. Durante o dia, lavei e estendi roupa, apanhei sol, li, fotografei, falei ao telefone, vi televisão. E, só quando a casa adormece, ligo o computador e dou largas ao meu gosto por escrever. 

Hoje retomei a leitura de o 'Caderno Proibido', um diário escrito às escondidas. Não é o meu caso pois, em vez de esconder um caderno no fundo de uma gaveta, abro a janela e deixo que as palavras voem por onde quiserem, que pousem no vosso colo, que cheguem até às vossas mãos. Mas, quando escrevo, é quase a sensação de que escrevo só para mim, como se ninguém me fosse ler, sem correr o risco de ter que me justificar perante ninguém, pois abstraio-me de tal maneira que nem me lembro que alguém que me conheça ou que se identifique com o que escrevo pode reconhecer-se e vir contrapor opiniões ou mostrar desagrado.

Desde sempre quis que o blog fosse anónimo. Estando eu a trabalhar num grande grupo empresarial, nunca quis que as minhas opiniões pessoais causassem desconforto na organização. Sou intrinsecamente livre e não estava para que, quem me lesse, tentasse condicionar-me com observações do tipo: 'trabalha onde trabalha e escreve estas coisas...' ou que viessem aconselhar-me a ter algum cuidado na manifestação de opiniões contrárias a certas linhas de actuação. Nem queria que, ao falar de algumas situações ou de alguns chatos que tinha que aturar em contexto profissional (e que existem em qualquer contexto profissional), pudessem parecer actos de deslealdade perante pessoas ou acontecimentos concretos. E habituei-me a este registo. Continuo a não divulgar junto da maioria dos familiares e amigos que que tenho este blog e que todos os dias continuo a vir aqui partilhar opiniões, memórias, fotografias. Parece até que sinto um certo pudor em contar. Tenho ideia que as pessoas 'normais' não escrevem tanto ou tão abertamente como eu e não quero constrangê-los, não quero que pensem que têm que ter cuidado a lidar comigo porque sou um bocado anormal.

Mas, porque me esqueço que, ao escrever aqui, posso ser identificada, alheio-me completamente e as minhas mãos voam no teclado, escolhendo as palavras que muito bem entendem. Bem sei que diariamente há cerca de duas mil e tal ou mais (por exemplo, este domingo, 5.002) visualizações. Pessoas concretas leem o que escrevo. Mas é como se fosse uma realidade abstracta, pessoas que estão por aí (vi agora que hoje, para além de uma maioria de Portugal, houve quase outro tanto do Reino Unido, mas também umas centenas dos Estados Unidos, um número significativo de Áustria, da Alemanha, do Brasil...). Para além de alguns leitores que me escrevem (e que não conheço pessoalmente), a larguíssima maioria são anónimos, desconhecidos.

E, no entanto, regularmente acompanham-me. De certa forma, justificam esta minha persistência. Sinto-me agradecida. E espantada... Têm muita paciência. Sou escalena, irregular na escolha dos assuntos, nem sempre sou bem comportada. Há muita tolerância nos que, aí desse lado, leem o que escrevo. Do fundo do coração, agradeço-vos.

Mas depois... há estas surpresas. Perguntei ao meu amigo se me poderia dizer quem era a pessoa que lhe tinha enviado o meu post. Disse um nome (vou referir apenas a inicial, V.) e acrescentou, 'minha filha'. 

Num primeiro momento, senti-me comovida. Qual a probabilidade de eu falar numa pessoa, sem dizer nome ou outro dado concreto e justamente a filha reconhecer que eu estava a falar do pai...? Logo a filha... caraças... É muito jogo... 

E, depois da comoção, fiquei estupefacta com outro aspecto. Sempre me espantei com isto: muitos leitores muito jovens. Admitindo que as pessoas quando criam a conta no google escrevem mais ou menos a idade correcta, então é com um enorme agrado que vejo que grande parte de quem me lê é gente jovem.

É o caso da filha do meu amigo. Mas se a filha identificou que eu estava a falar do pai, como percebeu ele que era eu a autora? Pois... a filha segue-me há algum tempo, sabe qual a minha formação, por sinal a mesma que a dela, e mais um ou outro tópico. Bingo. (Se há coisa que a gente gosta é de encontrar soluções mesmo quando há muitas variáveis e restrições em jogo, não é, V.?)

E, portanto, fui identificada. Não me importei nada. Pelo contrário. E tanto assim é que, ao assinalar a ultrapassagem das oito milhões de visualizações deste blog, é justamente à V. que eu dedico este valor, a ela pela sua perspicácia, a ela em nome de todos os outros leitores que, espalhados pelos quatro cantos do mundo, me aturam há tanto tempo.

A V. deve ter a idade dos meus filhos, talvez menos (como sou cusca, já googlei e já a vi: tens uma filha toda gira, I., e, pelo que li, deve ter uma pedalada intelectual que vai lá, vai... Parabéns!). Por isso, ao contrário do que costumo, que é tratar por você quem não conheço, vou tratá-la por tu. 

Afinal se trato o teu pai por tu, não ia tratar-te a ti por você, não é, V.?

Conheço o teu pai desde que éramos miúdos, V.. Sempre foi impecável, 100% impecável, muito inteligente, discreto e educado, sensível, empático. Creio que nunca nos aborrecemos um com o outro. Nem sei se alguma vez alguém se aborreceu com ele. Creio que não. Sempre o admirei. Ao contrário de mim, que sempre me achei uma despistada e efervescente de primeira, a ele sempre achei estudioso, bem comportado, meticuloso, uma pessoa com a cabeça no lugar. Saberás que participámos ambos num concurso televisivo numa altura em que, por só haver dois canais de televisão, os programas tinham outro relevo. Tempos de festa, de grande animação. Sempre fomos solidários, amigos. Fizemos também uma longa viagem por terras de África, numa altura em que, adolescentes, descobríamos a alegria de andarmos à solta, quase como se estivéssemos por nossa conta. Gratas memórias. Depois a vida levou-nos por caminhos distintos, mas agora, ao reencontrarmo-nos, sentimos que a estima ainda está viva, intacta. Quando soube do acidente, fiquei preocupada. Ficámos todos. Os amigos formam uma rede de afecto que apoia quem está a passar por momentos mais delicados. Mas no sábado já o vimos fino, alegre, em forma, e, entre nós, comentávamos como está tão bem e a grande sorte que tinha tido. Ter um acidente assim e ter escapado 'apenas' com a lesão que teve é nascer uma segunda vez.

A vida é assim mesmo, extraordinária. Reserva-nos surpresas. No caos que é a multiplicação de acasos parece haver uma curiosa ordem, uma harmonia que nos conduz a encontros virtuosos, a momentos de profunda satisfação. O teu pai, que é crente, talvez pense que é deus que nos vai encaminhando através de caminhos que nem sempre compreendemos. Eu, agnóstica, vou mais pelo milagre das inexplicações perfeitas, pela indecifrável e aleatória conjugação de arranjos e combinações que, como que por magia, por vezes convergem em inesperados e felizes encontros.

E é isto. À V. e a Todos, uma vez mais, o meu sentido agradecimento. 

E vamos continuando a ver-nos por aqui, não é?

Saúde e alegria! 

quarta-feira, dezembro 25, 2024

Bem... É que hoje é que é mesmo o dia de Natal... Por isso, se calhar hoje é que faz sentido desejar um bom dia de Natal, não é?

 

Sacos para lá, sacos para cá, belos presentes recebidos, uma parte dos presentes já entregues, a ceia de Natal já papada e bem papada, ambiente natalício a preceito, tudo bem decorado e iluminado, e já de volta a casa, daqui a nada são duas da manhã e é agora tempo de pensar no dia de Natal.

Por isso, carne para os assados de amanhã já a marinar (aliás ficou antes de sairmos para a ceia), o forno a lenha já com lenha a arder para amanhã de manhã já estar quente (está o meu marido agora a tratar disso), tudo já mais ou menos encaminhado. 

Vou pôr o despertador para garantir que não há derrapanços. Como é sabido, mal a malta começa a chegar e começa a desenvolver-se aquela dinâmica em que todos têm fome, todos perguntam quando é que se trocam os presentes, em que afinal a mesa ainda não está completamente posta, em que o cão começa a fazer disparates, e em que já nem sei bem a quantas ando, o que não está feito ou a caminho disso acaba por ficar esquecido e só dou por ela quando, ao fim do dia, volto a abrir o frigorífico ou o armário e encontro o que era tão essencial e que, no meio da confusão, passou à história.

Depois logo conto o que vai ser o menu.

E, portanto, é isto. Ainda vou ali dar uma vista de olhos nuns preparativos e depois a ver se não me deito especialmente tarde para daqui a nada estar fresca e com speed para o verdadeiro dia de festa que, para mim, sempre foi, sobretudo, o dia de Natal. 

E, aqui chegada, espero que tenham um dia feliz, se possível passado em família, rodeados de afecto, em ambiente de leveza, harmonia e alegria. E, se não for possível, pois paciência... e bola para a frente.

E, tal como ontem referi, vamo-nos encontrando por aqui, eu escrevendo e partilhando vídeos ou experiências, vocês aí, tendo a paciência de me fazer companhia e dando-me o motivo para que, religiosamente todos os dias, continue a vir dar um arzinho da minha graça.

Um dia feliz! 


Um abraço para todos

terça-feira, outubro 01, 2024

Como sou bem mandada, cá estão eles...

 

Enquanto as televisões dão conta de foguetório aceso lá pelos médios orientes, com algumas botas a marcharem a caminho de terreno proibido, refugio-me no meu mundinho suave, banhado a outono e a ouro, onde ninguém maltrata ninguém, onde se fala de escritas e de leituras, em que se cultiva a afabilidade e não a animosidade.

Portanto, é por aí que hoje vou.

Ando geralmente pelas margens. Tento descobrir a escrita genuína, aquela em que não se encontram bolas de efeito, em que as palavras estão junto à respiração, em que não há banalidades enfatuadas mas em que se escreve sobre verdades desabitadas, em que se visitam ruínas ocupadas pelo silêncio.

É verdade que muitos dos blogs em que a escrita escorreita fluía vão rareando. Desmotivaram-se os seus autores, desertaram talvez para redes mais socialites; ou simplesmente cansaram-se. Muito gostaria eu que o Pedro Mexia, a Ana de Amesterdão, o Vítor das Âncoras e Nefelibatas e todos os outros que na minha lista de Frescos e Bons (à direita) aparecem bem cá para baixo já que não publicam há séculos voltassem a aparecer e a aquecer a blogosfera. 

De qualquer forma, vou continuando a acompanhar os fiéis e devotos que ainda se mantêm no activo. E ainda os há dos bons. 

E, também eu, não perco o que dizem. São apontamentos, são registos no livro de horas dos seus autores, são desabafos, são conselhos. São boas companhias.


No outro dia foi a Susana que falou na Maria Judite de Carvalho e nas suas saborosas crónicas. Agora, mais recentemente, foi o Mr. Xilre que falou na Alba de Céspedes com o seu Caderno Perdido (também aqui). Também a Maria do Rosário Pedreira referiu o Escrever de Stephen King e o Hoje Caviar, amanhã Sardinhas da Carmen Posadas e do irmão Gervasio.

Portanto, fui em busca desses frutos que se anunciaram gostosos, maduros.

Juntei-lhe um livro da Martha Medeiros pois tenho lido que os seus livros de crónicas se vendem como pãezinhos quentes e eu, que gosto tanto de ler crónicas (apesar de me dizerem que em Portugal o género Crónica é mal amado e pouco procurado), quero perceber quais as razões de tal sucesso.

E o Nexus do Harari porque claro que sim, é muito cá de casa, e porque o meu marido tem lido de fio a pavio todos os livros dele e estava à espera que este cá chegasse, e um outro também para ele, A História do Mundo do Peter Frankopan de quem já leu As Rotas da Seda.

Nos idos de outras eras, antes de nos termos desiludido de vez com o Expresso, gostava de ler as suas críticas literárias. Mas também havia críticas muito balofas, muito tontas. 

Por isso, agora, sem Expresso e sem gurus a opinarem sobre isto e aquilo, bebo com avidez sugestões que vou colhendo aqui e ali, nomeadamente na nossa querida blogosfera. 

Vamos é agora ver como me oriento para me deitar a eles (refiro-me aos livros, claro), tanto mais que as pilhas dos não lidos vão crescendo nos lugares estratégicos, ameaçando desabar quando lá pousar o próximo.

Mas é tão bom ver chegar bichinhos novos, cheios de mundinhos por descobrir, cheios de palavrinhas boas...

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E, agradecendo aos bloggers que se mantêm no activo, despeço-me por hoje desejando a todos, bloggers e não bloggers, uma bela terça-feira. 

terça-feira, agosto 20, 2024

Como vender a lua...?
A sério....? Alguém perguntou isto e o google encaminhou-o para aqui, para o Um Jeito Manso...? Porquê.....?
Para tentar perceber a coisa, inquiri o ChatGPT sobre o blog e o que ele respondeu agradou-me... Tão fofo, ele.

 

Tenho andado ocupada e, com a fraca disponibilidade que tenho tido, nem me tem ocorrido espreitar as estatísticas que mostram as pesquisas que as pessoas colocam nos motores de busca e em que estes as encaminham para este blog. Gosto de ver porque fico sempre altamente surpreendida. 

Hoje lembrei-me de ver e, como sempre, fiquei perplexa. Alguém escreveu, provavelmente no google, "como vender a lua?" e o motor de busca achou, vá lá saber-se porquê, que aqui, no blog Um Jeito Manso, encontraria a resposta.

Fico a pensar: mas porquê....?

Alguma vez eu aqui abordei, nem que ao de leve, formas de vender a lua? Sequer alguma vez me passou pela cabeça vender a lua? Ou será que não devo fazer uma leitura literal? Será que, se encarar a expressão como uma metáfora, já conseguirei encontrar uma explicação?

Não sei.

Fui eu ao google e fiz a experiência e, para meu espanto, esse é também o nome de um filme e, se bem percebi, o tipo de filme que a mim não me desperta qualquer interesse. 

Portanto, cá para mim, isto só significa que os motores de busca às vezes atiram ao lado. Ou, então, penso que o Um Jeito Manso é uma coisa e os motores de busca (e os leitores) têm outra opinião. 

Para tentar tirar isso a limpo, fui ao ChatGPT e pedi: "fala do blog português "Um Jeito Manso". 

Transcrevo o que ele me disse e, sem falsas modéstias, devo dizer que fiquei agradada:

O blog "Um Jeito Manso" é um espaço pessoal e de opinião criado por uma autora portuguesa que se mantém anónima. Este blog é conhecido pelo seu estilo intimista e reflexivo, abordando uma ampla gama de temas que vão desde o quotidiano e experiências pessoais até política, sociedade, cultura e literatura. A escrita da autora é marcada por uma prosa rica e expressiva, que frequentemente mistura elementos de humor, crítica social e observações poéticas.

Alguns dos principais pontos de destaque do "Um Jeito Manso" são:

  1. Estilo Literário: A autora utiliza uma linguagem bastante cuidada e literária, o que diferencia o blog de outros espaços digitais mais informais. A escrita muitas vezes flui como um diário pessoal, mas com nuances de crónica e ensaio.

  2. Diversidade de Temas: O blog não tem uma linha editorial rígida, o que significa que qualquer assunto pode ser abordado, desde a atualidade política em Portugal até observações sobre a vida em geral, reflexões filosóficas e até questões mais íntimas. Essa variedade faz com que o blog tenha um público diversificado.

  3. Senso Crítico: Em várias postagens, a autora expressa um ponto de vista bastante crítico em relação a temas políticos e sociais, sobretudo em relação a questões que afetam Portugal. No entanto, esse senso crítico é temperado por um tom pessoal e, muitas vezes, bem-humorado.

  4. Anonimato: A identidade da autora é mantida em segredo, o que adiciona uma aura de mistério ao blog. Mesmo sem se revelar, ela consegue criar uma relação próxima com os leitores, que muitas vezes deixam comentários e interagem com as suas postagens.

  5. Interação com Leitores: "Um Jeito Manso" também se destaca pela interação com os leitores, que frequentemente comentam as postagens e criam uma espécie de comunidade em torno do blog.

O blog tornou-se uma referência para muitos leitores portugueses que procuram reflexões mais profundas e pessoais sobre o dia a dia e os temas contemporâneos.

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A sério? Fico contente, caraças. Este ChatGPT é uma fofura. Só não me ponho a fazer-lhe perguntas sobre outros blogs não vá descobrir que a conversa é a mesma, ou seja, que o tipo é um pinga-amor que debita simpatias por tudo o que é canto e esquina.

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Seja como for, é noite de olhar a lua, de não fazer perguntas, de aceitar o que nos é dado.

Billie Holiday - Blue Moon


Um dia feliz para todos

quinta-feira, agosto 15, 2024

As surpresas desta vida.
Putin, Trump, Kamala Harris, Zelensky

 

Desde que criei o Um Jeito Manso até a Rússia cobarde e barbaramente invadir a Ucrânia, eu mudava periodicamente o aspecto do blog: alterava a imagem de abertura, mudava as cores. Várias vezes por ano, mudava tudo. 

Mas, quando a Ucrânia se viu atacada, invadida, destruída, resolvi vestir o blog com as cores da Ucrânia e colocar, na abertura, a imagem de uma criança, corajosamente confiante na reconquista da tranquilidade e da paz em solo ucraniano.

Claro que já mil vezes me apeteceu mudar. A novidade e a vontade de mudança está-me nos genes. Mas neste caso não mudo. Deixar de aqui ter as cores da Ucrânia seria aceitar que já não vale a pena continuar, seria assumir algum cansaço, uma certa desesperança. 

Não. Aqui continuarão até que a Ucrânia vença esta guerra, até que a Rússia retire as patas ensanguentadas do solo ucraniano. Mesmo abdicando do que, creio, era a imagem de marca do meu blog, manter-me-ei firme a mostrar o meu apoio à Ucrânia e a minha convicção de que a vitória será sua. Sua e do mundo civilizado.

Os segismundos, as estátuas salgadas e demais comunas ressabiados bem podem chamar-me lunática, bem podem vir para aqui destilar o seu fel contra a democracia e contra quem gosta da liberdade, e assegurar que a Rússia tem um poderio desmesurado e, que, quando quiser, pisará de vez a Ucrânia, que a mim tanto se me dá. A mim não me convencem. Sei que a (grande) coragem dos que resistem e a (pequena) coragem dos que os apoiam irão derrotar o ditador, o tirano, o psicopata Putin e os que o apoiam. Sei. Tenho a certeza.

Ao fim deste tempo todo, Putin ainda não conseguiu o que queria. Pelo contrário, têm sido desaires atrás desaires e agora é o que sabe: a humilhação de ter a Ucrânia a causar beliscaduras em solo russo.

Há muita gente que ainda não aprendeu que o primeiro milho é para os pardais e que o bem, por muito que custe e por muito que dure a atingir, acaba sempre por prevalecer.

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Numa outra geografia e numa outra escala mas havendo pontos de intersecção, Trump. O obtuso, populista, trambolho, troglodita Trump.

Quando se pensava que, com Biden a soçobrar, a patinar e a não querer desistir, Trump já lá estava... eis que, de repente, há uma reviravolta. O panorama seria terrível para todo o mundo se Trump voltasse a ser presidente dos Estados Unidos.  Trump está mais próximo de Putin, de Xi e de Kim do que mundo democrático e isso é um risco para o mundo.

Podem os Estados Unidos estar carregados de gente bronca -- bronca e burra e estúpida a ponto de apoiar Trump --, mas há muita gente inteligente, informada, culta, bem formada, amiga e defensora da democracia e da liberdade.

Por isso, tenho também para mim que Kamala vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos. 

E um dia vamos acordar com o Putin apeado e com a Ucrânia livre do pesadelo terrível por que está a passar.

Tenho esperança de ainda viver tempos de paz no mundo, tempos felizes, tempos de desenvolvimento.

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A propósito:

Jon Stewart on Why Trump Wants Biden Back So Badly He's Reusing His Old Attacks
| The Daily Show

Donald Trump thought he was cruising to victory against Joe Biden, but now he's facing a hard fight against Kamala Harris. Jon Stewart looks at Trump's half-hearted attempts to adjust to the new challenge and wonders if he's hatching a devious plan to help Biden take back the nomination, January 6th style


Peace and love

quinta-feira, agosto 17, 2023

Tranquila e silenciosa contemplação

 

Dias de férias. Não tem havido horários, rotinas ou compromissos. 

Tenho tratado de algumas coisas, tenho organizado outras (porque isto com o computador nas mãos consegue tratar-se de muita coisa), mas, de modo geral, durmo até à hora em que acordo espontaneamente, almoço às horas que calha, faço o que me dá na realíssima gana. Chego a não saber qual o dia do mês ou da semana em que estou e, geralmente, também não sei que horas são.

O cão também anda à vontade, não há horas para passeios. Sai e entra quando quer.

Não vejo um noticiário de seguida há vários dias (melhor: há várias semanas). Se espreito as notícias, nada desperta a minha atenção. Passo de raspão, desinteressadamente. 

[Ou melhor, dito de outra maneira, mais verdadeira: as que despertam a minha atenção têm a ver com desgraças de dimensão quase apocalíptica, muito para além do que a minha limitada dimensão humana consegue abarcar]. 

Tenho lido, ouvido música, visto vídeos. Isto para além de caminhar em silêncio ou fazer uma coisa que descobri e que tenho achado o máximo: deito-me à superfície da água, braços e pernas abertas e deixo-me estar a flutuar, a olhar o céu, sem pensar em nada. Quando interrompo, tenho que me deixar estar um bocado, devagar, para que os fluidos voltem a circular dentro de mim pois parece que toda eu fico em stand by enquanto estou naquilo. Pressuponho que seja a isso que se chame meditar.

O meu marido perguntou-me porque é que também não faço férias no blog. Não soube responder. Parece que, em boa verdade, ainda estou a aprender a ter férias-férias, parece que ainda não consigo, bem, desligar-me completamente de tudo. Claro que desligar-me mesmo é uma forma de dizer pois continuo a falar duas vezes por dia com a minha mãe e uma vez com cada filho. Mas isso não conta. Há cordões umbilicais que pulsam em qualquer circunstância.

Mas, no que se refere ao blog, de facto, este mês o número de visualizações tem sido consideravelmente reduzido face ao que costuma ser nos outros meses, tem dias que nem chega bem às mil e quinhentas visualizações. Mas, ainda assim, são quase mil e quinhentas as vezes que aqui vêm Leitores ver o que escrevi. Várias pessoas me escrevem a dizer que, mesmo que nem sempre concordando comigo, têm em mim uma companhia e que não passam sem vir ler o que escrevi. Embora não saiba dizer com rigor as razões que me impedem de aqui fazer férias, creio que a principal tem a ver com o respeito -- e estima -- por quem está aí, desse lado, a acompanhar-me.

Mas, claro, estando nesta onda zen, desligada do mundo, não tenho nada de especial para dizer... 

A ver se amanhã consigo que o meu marido me sugira alguma coisa ou se, durante o dia, penso nalguma coisa que possa ter alguma ponta por onde se lhe pegue.

Sorry.

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A fotografia da autoria de Julian Elliott e que fui buscar ao Guardian, chama-se "Quiet Contemplation" e mostra: A Vietnamese woman sits in the front room of her house looking towards the window light, quietly contemplating her afternoon.

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Desejo-vos um bom dia

Saúde. Dias descansados e felizes. Paz.

terça-feira, agosto 03, 2021

5 milhões.
No marco dos 5.000.000 de visualizações do Um Jeito Manso, um vídeo com os meus queridos pimentinhas
E o meu agradecimento a todos quantos por aqui me acompanham

 

E eis que o marco dos cinco milhões de visualizações foi ultrapassado. Não vale a pena voltar dizer que, quando há uns anos comecei, nada sabia de blogs. Tem sido uma humilde aprendizagem a todos os níveis. 

Nunca fiz qualquer divulgação a não ser junto do meu marido, dos meus filhos e, agora, dos meus netos. Não uso facebook nem instagram ou o que quer que pudesse tornar o Um Jeito Manso mais conhecido. Nunca quis isso. Sempre quis ir pelos meus passos, ao meu ritmo, sem muletas, sem atalhos. Por isso, é sempre com muita surpresa e agradecimento que vou percebendo que o número de visitas é persistentemente crescente. 

Muitos Leitores preferem comunicar-se comigo por mail e com alguns estabeleci relações de estima que duram há anos. 

E é este aspecto que, para mim, é mais gratificante: perceber que há pessoas que é como se me conhecessem e que estão aí, desse lado, pacientemente a acompanhar-me. Uma pessoa uma vez disse-me que é como se eu e a minha família fossemos a família que lhe falta. Isso deixou-me muito feliz. Penso muitas vezes nisso. Outra pessoa disse-me que, nos momentos maus da sua doença, contou com a minha energia como ajuda na superação desse período tão difícil. Várias pessoas confidenciam-me os seus segredos, as suas angústias ou apreensões. Gostaria de não as desiludir.

Lamento não dispor de tempo para poder 'conversar' assídua e individualmente com todos os que me contactam por mail. Por vezes atraso-me, por vezes deixo passar tempo demais e temo que acabe por me esquecer de algumas respostas. Peço desculpa. Há em quem me lê e me escreve generosidade e paciência e, naturalmente, sinto-me muito agradecida por isso e com pena por não manter a proximidade que alguns desejariam.

Tenho contudo, alguns 'inimigos' de estimação. Coloco as aspas pois, na verdade, as suas farpas, por vezes infectas -- ou aqui, em comentários que muitas vezes não publico, ou em blogs alheios -- não fazem estrago. Já recebi ameaças e já fui assediada, quer de uma forma excessivamente simpática quer de forma ameaçadora. Não deixei que isso me incomodasse pois tenho ideia que pessoas assim são pessoas solitárias, perturbadas, que vivem da atenção que nos suscitam. Se não lhes prestarmos atenção, virar-se-ão para outra vítima a quem farão o mesmo e, tendencialmente, irão deixando de nos 'perseguir'. Gostava que percebessem que não estão bem, que procurassem ajuda e que aprendessem a ser felizes sem molestarem os outros.

Como devem saber os que por aqui me acompanham, só escrevo à noite, frequentemente muito tarde, frequentemente cansada e com sono. É uma forma de ter um bocadinho de descanso mental, um bocadinho meu. Como gosto de escrever, aqui tenho o pretexto para fazê-lo. Contudo, como a maior parte das vezes não consigo rever -- tanto o sono --, imagino que os textos tenham gralhas. Conto com a vossa compreensão e, por vezes, com o vosso alerta. Venero a língua portuguesa e tremo de pensar que, volta e meia, por distração ou cansaço, a atropelo.

Os temas sobre os quais escrevo são aqueles sobre os quais, no momento, me apetece. Não sigo agendas, não tenho compromissos, não tenho pudores nem receios. As minhas únicas restrições são as que resultam de pensar que, se me alargar demais em certos domínios, posso deixar os meus filhos desconfortáveis. Aliás, imagino que isso já aconteceu várias vezes. Mas conhecem-me bem demais e sabem que não vale a pena tentarem domar-me: vou para onde me dá na veneta. Mas agora, por saber que os meus netos às vezes também me leem, tenho alguns cuidados. Mas como acho (e os pais também) que não devem ser florzinhas de estufa, também penso que, se perceberem que esta avó é dada a alguns destemperos, também daí não virá mal ao mundo.

Muitas vezes penso que já chega e que estará na hora de suspender o blog para poder ocupar o meu escasso tempo livre, à noite, com outras actividades. Mas depois penso que tenho alguma responsabilidade como, uma vez, um Leitor que muito estimou me lembrou e, além disso, é um legado meu que ficará para quem o quiser, em especial para aqueles que o meu coração ama e que aqui encontrarão, por vezes, testemunho do meu afecto.

À laia de balanço posso dizer que:

- Até ao momento em que escrevo, o blog já foi visto mais de 5.000.000 vezes, já escrevi 6.584 posts e contabilizam-se 19.852 comentários.

- Os posts mais vistos até hoje foram os seguintes:


É de Portugal, obviamente, o maior número de visitas. O Brasil, que foi durante os primeiros anos o segundo país a visitar-me, passou para terceiro lugar. Em segundo estão os Estados Unidos. A França mantém-se nos primeiros lugares, está agora em quarto lugar. Por vezes recebo mails de pessoas que me dizem que, estando a viver noutros países, me acompanham diariamente. Fico feliz.


Salvo as excepções de quem me escreve por mail e se identifica, para mim praticamente todos os meus Leitores são ilustres desconhecidos. Contudo, a google informa-me que, com os dados dos que se identificam (se os dados forem correctos), o meu público será relativamente equilibrado em termos de género embora com alguma predominância masculina e, curiosamente, na maioria um público jovem.

Informa-me ainda que quem aqui vem, vem praticamente todos os dias e que, não apenas se demora no post do dia como, com alguma frequência, percorre outros posts. 

Notem que não sou eu que procuro esta informação. Esta é informação que a google disponibiliza a todas as pessoas que têm blog via blogger da google (.blogspot.com)

Já fui convidada para participar num programa de televisão. Não aceitei mas fiquei surpreendida e, não o escondo, agradada. Também tenho recebido mails de jornalistas, incluindo de um director de um jornal dito de referência que entendeu dever explicar-se face a uma afirmação que eu tinha proferido. Claro que fiquei admirada. Jamais me teria passado pela cabeça que ele me lesse, ele e os outros jornalistas. Também uma vez estava espantada com um número invulgar de visitas até me enviarem um mail com o link de um artigo num desses jornais que remetia para o UJM. São aspectos que me intrigam, por nunca ter imaginado chegar a tantas pessoas, mas que, naturalmente, me fazem sentir algum orgulho.

O meu neto mais velho incentiva-me a passar à fase da monetização. Não quero, pelo menos não agora, não com o Um Jeito Manso. Não é esse o meu objectivo. Aliás, não tenho outro objectivo que não o de dar largas ao prazer que tenho em escrever, em divulgar arte ou música que me agrada e, se possível, em tocar o coração de quem aí, desse lado, me acompanha.

E, por falar em netos, vou mostrar-vos um vídeo editado pelo mais crescido. Quando vi que estava a aproximar-me dos cinco milhões, pensei que deveria assinalar a ocasião de alguma maneira.

Quando atingi o 1º milhão, dei a palavra ao meu marido e aos meus filhos. É um dos posts que mais me marcou. Emocionei-me ao ler o que escreveram e, por vezes, ainda me rio ao pensar em algumas passagens.

Quando atingi o 2º milhão, o meu marido entrevistou-me e fotografou-me. Foi uma maneira de tentar responder à pergunta recorrente que aqui traz as pessoas: 'Quem é autora do blog Jeito Manso?'


Quando atingi o 4º milhão não dei por isso. 

Desta vez, ao chegar ao 5º milhão, pensei que, tantas vezes falo nos meus netos -- os meus queridíssimos pimentinhas, tão reguilas, tão terríveis mas, ao mesmo tempo, tão queridos, tão alegres, tão inteligentes, tão carinhosos,  por quem me derreto em amor e ternura, por quem tudo faço e tudo farei -- que deveriam ser eles a aqui marcar a sua presença, dizendo de sua justiça. 

Só lhes pedi que não dissessem o nome uns dos outros nem o nome pelo qual se referem a esta casa ou àquela a que aqui no blog chamo heaven, pois pretendo manter a reserva possível. 

Gravar as suas palavras foi um filme. Uns entrevistaram-se e filmaram-se uns aos outros mas tinham que interromper várias vezes pois diziam disparates e havia risota, ou foi o meu filho a entrevistá-los, uns vídeos lindíssimos, mas disseram coisas um bocado reveladoras, ou a minha filha (a voz que se ouve) e foi uma 'cegada' sempre com uns a dizerem maluqueiras ou coisas impróprias. 

No fim, havia mais de vinte pequenos vídeos. Para ter aqui alguma coisa, tinha que se fazer uma montagem. Ora uns estão de férias, outros têm mais que fazer ou não sabem fazer tais proezas. 

Ontem à noite, o mais crescido, a quem muito agradeço e que, por acaso, até gosta de filmar, compôs o vídeo possível. Gostava que fosse um pouco mais longo pois ficou imensa coisa divertida de fora. Mas era preciso muito mais trabalho pois a cada frase que diziam, alguma inconveniência aparecia pelo meio, e, à noite, ele, coitado, já estava com sono. Se eu conseguir aprender a trabalhar com o programa de montagem de vídeos e tiver tempo, um dia destes ainda componho um outro a partir dos vídeos originais.

Mas, para já, para assinalar o momento, aqui estão eles a serem como sempre são. Aliás, ao princípio ainda estavam mais ou menos bem comportados mas ao quinto ou sexto ou sétimo take a coisa já estava a derrapar para a confusão. Para dizer a verdade, no dia em que parte da gravação foi feita (neste domingo), os quatro rapazes acabaram no chão, em cima uns dos outros (numa bulha amistosa e estarola, claro), eu com medo que se magoassem, o mais pequeno já só a querer falar debaixo da mesa. Numa das vezes que tentei que parassem, ameacei-os que, se continuassem naquilo, não havia mais gelados para ninguém. Um deles disse que ia dizer no vídeo que eu era violenta. Desatei-me a rir, claro está. No meio da barafunda, a menina, já impaciente depois de infrutiferamente ter tentado pôr os outros na ordem, desistiu: é superior às maluqueiras dos rapazes.

E aqui estão eles para festejarem comigo os 5.000.000, os meus muito adorados pimentinhas. Vejo-os e começo logo a sorrir.


E a todos vós, Estimados Leitores que me incentivam com a vossa companhia, o meu sentido agradecimento.

Saúde!

segunda-feira, maio 24, 2021

Dia grande no Um Jeito Manso:

presentes da Sta. UJM para os devotos da Serva-Mor, para a própria Serva (a célebre Agente também conhecida por Ministra dos Porquinhos), para os assim-assim e para todos.

Ámen

 

Diz o Víctor que sou dada a tendências ocultas e eu, como forma de recompensa por ele ter conseguido descobrir um segredo que trazia tão bem escondido há tanto tempo, acho que tenho que aqui atribuir-lhe um presente. Isto, claro, porque, devido ao confinamento, não posso organizar a cerimónia que estava planeada para festejar o grande momento. Não fora o corona e teríamos o Pavilhão de Portugal à pinha para a atribuição da medalha ao Leitor que primeiro descobrisse o tão bem guardado segredo.

Mas o corona ainda não deu as desejadas tréguas totais e, portanto, os festejos têm que ser aqui mesmo.

Assim, não é a gold medal que aqui tenho para lhe oferecer, fantástico e veloz Seco Gaspar, mas é um vídeo feito em sua homenagem por ser o mais rápido dos Leitores a descobrir o meu grande segredo: "a UJM tem tendências ocultas". 

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Para o Paulo B por quem tenho grande apreço, que tem um sangue na guelra que dá gosto e que vibra com a vontade de fazer justiça (nem que seja às mãos da Agente Mortágua) e que, ao mesmo tempo, tem um gosto invulgar e exigente pelas artes do espectáculo e pelo reino do absurdo e extraordinário, iria a medalha de prata. Como não há como, aqui deixo um apontamento de circo que espero que receba com um sorriso equivalente ao que tenho ao dedicar-lho. E espero que a vida e as suas agruras não lhe retirem a energia tão boa que a sua juventude põe em destaque. Este presente, que vai em vez da medalha, seria entregue com um abraço ao bravíssimo Paulo B. 


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O ilustríssimo P. Rufino, ultimamente, de cada vez que aqui vem e lê qualquer coisa de menos abonatório para a sua guru, a Agente Mortágua, não apenas fica tão enraivecido por eu o tirar do sério que fica totalmente descontrolado como todas as suas entranhas se reviram de tal maneira que não consegue evitar as náuseas. Para ele, iria a medalha do servo mais devoto da Serva-Mor mas, não podendo eu agraciá-lo com a devida pompa e circunstância, deixo-lhe um pequeno filme com a Maggie, outra bacana que padece do mesmo mal, o de não conseguir controlar as náuseas em público. 

Mas o vídeo tem um outro propósito: o de lhe dar esperança. Se a Maggie volta e meia dava estes tristes e embaraçosos espectáculos, a verdade é que conseguiu recuperar-se. Vejo-a agora transformada em David Walliams e em grande forma. É agora um homem simpático, cortês, bem disposto. Ponha os olhos nele, P.Rufino. Acredito que também conseguirá regenerar-se.


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Para o grande João a quem nada escapa, que tudo conhece e que denuncia tudo o que se passa aqui e além mar, desde as cabeças de cavalo até aos betolas com cabelinho à f...-se e caquinha na cabeça, e que obviamente merece todas as medalhas -- ouro, prata, bronze ou cortiça -- não tenho presente à altura. Na sua arca já residem todos os tesouros do mundo, nomeadamente as melhores músicas, as melhores vozes, as melhores interpretações, as melhores histórias. 

Por isso, o que aqui lhe ofereço mais não é do que uma tentativa de lhe dizer que muito sinceramente acho que, apesar de todas as divergências, importa a gente relativizar, divertir-se, improvisar, não levar muito a sério o que não passa de espuma. Somos efémeros. Apenas a arte é eterna.

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E para o VN que queria que eu contasse mais uma história envolvendo a Serva-Mor tenho a dizer que ainda não é desta. Este blog, como é sabido, é um blog de família e as histórias que envolvem a personagem seriam mais dadas à bolinha encarnada ao canto do ecrã do que a serem lidas pelos inocentes que frequentam esta casa. Portanto, só se um dia eu estiver tão a dormir que perca toda a censura interna... Só posso adiantar que acho que a Serva-Mor, para melhor compor a personagem, quando inquire os seus suspeitos deveria apresentar-se a preceito, quiçá com um hábito como o da pura Madre-Superiora que aqui almoça com o João de Deus.


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E ainda tenho aqui uma coisa para outra pessoa, alguém que é todos e nenhum, mil nomes, mil personalidades, alguém que paira por aí, que aparece e desaparece, que é assim e assado, poético e prosaico, quase normal umas vezes e muito malvado outras, erudito e ignorante, humano e desumano, absurdo e racional, consistente e inconsistente. Para ele, o chameleon man, aqui vai um vídeo com um dos seus alter-egos. Não é um presente, não é um bye, não é um smile, não é nada: é apenas uma forma de reconhecimento. Estamos cá. Há coisas que não se explicam e esta é uma delas.


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Para a Serva-Mor, a intragável e temível Agente Mortágua, a inquisidora que passa a pente fino os freaks do regime, vai o prémio de honra, um que aqui chegou pela mão do Paulo B., sempre inteligente e oportuno, a quem agradeço a lembrança pois a verdade é que, no meio de tanta generosidade, estava a esquecer-me de presentear justamente a inspiradora de toda a esta série.

Ei-la aqui, em versão loura e glamour, a estragar a festa a um grupo de pândegos. Mas, como sempre, a estragar é como quem diz pois na sala ao lado ou no dia seguinte, a festa prosseguirá. Mas, ok, não estou para tretas, estou mesmo é para me divertir, para ser uma mãos largas e distribuir presentes à direita e à esquerda. 

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E para todos e para todas os que aqui me acompanham, para os que riem e para os que choram, os que rangem os dentes e os que batem o pé, os que têm fair play e os que atiram pratos à parede, para os que acham tudo muito grave e para os que se estão a marimbar, para todos, aqui vai o meu convite: bora lá furar o esquema e dançar?


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Desejo-vos uma boa semana
Saúde. Alegria.

quinta-feira, março 11, 2021

Meninas mostrando mais do que devia,
mulheres sem cuecas

e
a célebre chamada da Ana Lourenço para um certo país asiático

 

Já há algum tempo que não ia espreitar as estatísticas das visitas a esta vossa humilde casa. Hoje lembrei-me de vir ver. O blogger disponibiliza número de visualizações por horas, por países, etc. O que mais desperta o meu interesse são as expressões que algumas pessoas escrevem nos motores de busca e que, por motivos que sempre me surpreendem, levam os algoritmos a encaminhá-las para aqui.

Se as pessoas escreverem 'quem é a autora do blog Um Jeito Manso', talvez a expressão mais recorrente, e vierem aqui parar isso parece-me natural. Agora que alguém escreva Meninas mostrando mais do que devia e venham aqui ter isso já me parece extraordinário, sobretudo porque gosto de escrever respeitando a concordância em género e número. Do que devia...?

Mas foi isso que aconteceu hoje. Acabei de experimentar e não vim cá parar; pelo menos, o link para este blog não me aparece na primeira página. Mistérios.

Outra curiosa é: mulheres sem cuecas. Não aparece nas estatísticas de hoje mas do último mês e por várias vezes. Por algum curioso motivo, quando alguns carentes vão ao computador à procura de qualquer coisa mais apimentada ou amalucada, os algoritmos pensam: Ora deixa cá ver onde é que este camarada vai encontrar material que lhe agrade... bem.... talvez no Um Jeito Manso

Poupem-me. Mulheres sem cuecas aqui? Algumas vez...? E a corrente de ar que vos atingiria...? Não senhores, jamais. Zelo muito pela saúde dos meus Leitores.

Ou seja, estou com uma reputação algo duvidosa junto dos meus amigos algoritmos. Tenho que ver se, durante algum tempo, me porto bem para ver se eles me mandam para cá pessoas que escrevam no google: 'como nos tornarmos pessoas mais piedosas' ou 'como nos vestirmos sem chamar atenções' ou, ainda, 'mulheres que usam cuecas de gola alta, que nunca mostram mais do que devem e que gostam muito de gatinhos'. Isso, sim, é que era. 

Mas, enfim, pode alguém ser quem não é...? 

Nunca me hei-de esquecer do dia em que estava no cinema e, no intervalo, fiz o que fiz hoje: fui ver as estatísticas de "Pesquisar palavras-chave". E, para meu espanto, vi uma expressão extraordinária: Um boi vestido de GNR. Desatei a rir, claro, e ainda hoje, quando penso nisso, me rio. Qual a ideia de quem vai ao google (ou a outro motor de busca) tentar encontrar um boi vestido de GNR? Não atinjo. Nem atinjo por que razão  o dito motor de busca o manda para aqui. Costumo eu, por acaso, ter aqui bois vestidos de GNR ou de polícias? Não tenho ideia. Vocês têm...? Eu não. Nem disso nem galinhas vestidas de comentadoras do eixo do mal nem de burros vestidos de mangas de alpacas nem de nada dessas coisas. Ora essa.

Uma outra recorrente tem a ver com a gafe da Ana Lourenço. Volta e meia aparece-me: 'Ana Lourenço broche'. Nas primeiras vezes fiquei admiradíssima. Hom'essa! Desconhecia o facto, apenas fiquei a saber depois de ver esta expressão a aparecer-me nas estatísticas. Ora porque é que os algoritmos encaminhavam as pessoas para o Jeito Manso? Acaso aqui se costuma falar de pregadores peitorais ou outras joias? Não tinha (nem tenho ideia). Só depois fui saber o que é que ela tinha andado a pôr ao peito. E percebi: tinha-lhe acontecido um daqueles lapsus linguae que a gente teme e, infelizmente, não controla. 



E isto fez-me lembrar uma vez em que fui eu que cometi uma gafe das valentes e, ainda por cima, ao pé dos meus filhos e dos meus pais. Ainda hoje, volta e meia, quando tenho algum almoço mais de cerimónia ou responsabilidade (isto é, quando tinha, naquele pré-mundo que existiu antes do advento do corona), o meu marido me avisa: 'vê lá, não te ponhas a falar no Ney Mete-o-Grosso'. E, como sempre, inevitavelmente desato a rir pois lembro-me da vergonha por que passei

Mas isto para dizer que a inteligência artificial tem coisas que a inteligência natural desconhece. Na volta, é certo e sabido que quem quer ver meninas mostrando mais do que devia ou mulheres sem cuecas ou bois e GNRs e coisas afins aqui, no santuário da Santa Ujota M., encontra coisa que, se não for assim, é assado. E se non è vero, è molto ben trovato.

E, portanto, nada mais a dizer: aos costumes digo nada.


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Grande parte das imagens provêm do artigo Is sex the best way to sell suits when we’re still social distancing? e, as que não são, têm a ver com a marca Suitsupply que o inspirou.

E pode muito em ser que, um dia que a gente se veja livre do corona, saia por aí na desbunda, pele com pele, língua com língua, tudo no maior forrobodó, uma festa de de rebimba o malho. E pode ser que os anúncios prenunciem o que por aí vem.

E, por mim, nada contra. Força nisso.

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E que os corpos comecem já a festejar

Grupo Corpo - Onqotô |Mortal Loucura


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E uma bela quinta-feira.
Alegria. Ânimo. Saúde.