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sábado, julho 18, 2015

Ó senhores, mas o homem não terá medo que lhe caia um dentinho...? Tanta mentira, senhores. Será doença? O Jornal de Negócios e o Dinheiro Vivo desmontam as mentiras. E lá bem longe, no Bristol Zoo, um certo gorila mostra o que pensa.




O primeiro-ministro foi entrevistado esta terça-feira pela SIC, fez um balanço do seu Governo, apontou às legislativas e comentou a situação grega. O Negócios seleccionou algumas das frases de Passos Coelho e foi tentar perceber se correspondem à verdade. Confirme os resultados.

Recomendo a leitura do artigo pois quase se poderia dizer que é do além: mentiras, imprecisões e apenas uma resposta verdadeira.
Uma vergonha. Como é possível isto numa criatura que se apresenta como primeiro-ministro?

É como aquela de a ideia ter sido dele. Logo, na altura, achei que o mais provável é que nem sequer fosse verdade. Gabarolas pelo vício da gabarolice e da mentira. Ora bem, aí estão as notícias que lhe descobrem a careca:


Por acaso, ideia do fundo grego veio do PM holandês


Por acaso, a ideia para o fundo de privatizações da Grécia, o trust de 50 mil milhões de euros que vai absorver o espólio que for vendido nos próximos anos, veio do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, revelou Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu. O primeiro-ministro português disse na segunda-feira que a autoria foi sua.


Em entrevista a sete jornais europeus, entre eles Kathimerini, Financial Times e Le Monde, Tusk descreveu com grande detalhe as horas críticas e derradeiras -- a "maratona negocial" -- que precederam o acordo prévio sobre a Grécia crucial para se poder negociar o terceiro empréstimo e programa de ajustamento. À mesa estavam o próprio Tusk e pelo menos três chefes de Governo: Alexis Tsipras (Grécia), François Hollande (França) e Angela Merkel (Alemanha).

"O fundo das privatizações era, sem dúvida, muito provocador para Tsipras [o PM grego]", começa por explicar o presidente do conselho na entrevista (pode ler a versão integral, em inglês, aqui no Kathimerini).

Mas "o primeiro sinal de que uma coisa dessas poderia ser aceite foi uma mensagem [SMS] do PM holandês Rutte. Quando lhes mostrei a proposta de Rutte para que 12,5 mil milhões de euros do fundo fossem usados para reembolsar dívida e 12,5 em investimentos, ninguém pareceu particularmente impressionado, mas a partir desse momento estava na mesa".

......

Só visto. Contado ninguém acreditaria.

......

Adiante.

Acho que não tem nada a ver com isto mas a verdade é que um certo gorila tem sido visto a mostrar o dedo do meio com alguma frequência. E mais até que o dedão é o olhar, gozão, desafiador, uma coisa mesmo do tipo  'vá lá... make my day...'. Não digo que tenha a ver com os maus hábitos do láparo porque não sou de intrigas mas a verdade é que há uma certa relação temporal.




[A grumpy gorilla at Bristol Zoo finally got fed up with everyone snapping its photos and let visitors know exactly how it felt by sticking up its middle finger and flipping them the bird. Luckily, Bon Pitchford, a photographer in Bristol, captured the moment. (...)]. 

...

Cheguei a casa nem sei bem a que horas, seguramente depois das onze e tal da noite. Estávamos ambos a precisar de uma boa espairecidela pelo que resolvemos ir dar ar à pluma. Jantámos na praia, um peixinho bom, e depois andámos a passear no paredão, em cima do mar. Uma noite maravilhosa, fresca, com um intenso cheiro a maresia. Soube-me mesmo bem.

E agora ainda me pus a tentar escrever mais qualquer coisa, num registo mais simpático, mas estou demasiado sem energia para o conseguir que isto tem sido uma sucessão de dias sem descanso.

Por isso, com vossa licença, vou ficar-me por aqui. A ver se amanhã durante o dia consigo ter tempo para me sentar ao computador.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.
Be happy.

..

quarta-feira, julho 30, 2014

BES - neste dia 30, o dia de todos os medos, as contas do 1º semestre. O BES não era o BPN. O BES não era um caso de polícia. O GES não tinha contaminado o BES. Carlos Costa garantia que tinha blindado o BES. A troika fez testes de stress e o BES era um banco sólido. (A troika agora diz que quem tinha que auditar as práticas do BES era o Banco de Portugal - mas o BdP olhou para o BES como um míope, só uns vagos contornos). Agora vivem-se dias de susto, as surpresas sucedem-se, os problemas são mais velozes que as soluções. O Grupo desagrega-se à vista de todo o mundo. Aparentemente apenas algumas pessoas perceberam o que se estava a passar. Nicolau Santos e Pedro Santos Guerreiro fizeram mais pela transparência financeira do que todas as instituições oficiais juntas. Honra lhes seja feita.


No post abaixo já vos falei de lingerie, assunto importante para todas as mulheres que gostem de ser mulheres e, claro, para todos os homens que gostem de mulheres. Falo de um certo bustier que persegui por quase meia França e de uma linha própria para mulheres carnudas e, inclusivamente, para mulheres em fase pós-maternidade. Que a coisa venha pela mão de Dita, a Dama do Burlesco, apenas acrescenta um certo picante.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.


Lancemos Os Búzios, se faz favor - a ver se nos orientamos





Já que estou numa onda de assuntos picantes, volto ao assunto mais picante de que há memória na história financeira portuguesa das últimas décadas. Isto é uma coisa... São umas atrás de outras.

Quando há concursos de cantorias na televisão, fico sempre parva com a quantidade de gente que aparece a cantar bem. Como nunca dei para o dó de peito, aprecio ainda mais os que nasceram com esse dom. E, em Portugal, são aos molhos: resmas, paletes, desde crianças a velhos, todo o mundo canta bem. Fico a pensar: não deve haver outro País assim. Nisto somos os maiores.

Depois, também me espanto com a quantidade de gente que vai a concertos. A crise pode estar no auge que os concertos nunca desiludem os organizadores. Tudo carregadinho de gente, coliseus a rebentar pelas costuras, pavilhões, palcos ao ar livre, tudo cheiinho; e melhor: os artistas estrangeiros que cá vêm dizem que não há público como o português. Levam Portugal no coração e nunca mais tiram o país da rota dos seus concertos. Ou seja, lá está, mais um ponto forte: somos bons a ouvir música.

Ou seja: por um lado, muitos a dar música, e muitos mais ainda a deixarem-se ir na música.

Não sei quantos aldrabões, mas oh quantos, senhores, já tivemos na área financeira. A música que nos deram. Lá está: tem a ver com as facetas acima referidas.


Desde o Alves dos Reis, esse extraordinário burlão, até ao Oliveira e Costa do BPN e ao Rendeiro do BPP, passando pelos artistas do BCP, até agora a este verdadeiro festim do Grupo Espírito Santo... toda uma tropa fandanga que parece ter nascido com vocação para enganar o próximo. E a maioria - pobres otários, alegres e contentes - a ir na cantiga.


Do Ricardo Salgado que mandava e desmandava se dizia que tinha a coisa financeira no ADN, banqueiros por questões genéticas. A maior parte dos humanos tem grandes parecenças genéticas com os porcos mas o Ricardo Salgado não, qual porco, ele era diferente, tinha ouro e moedas a entrelaçarem-se nas cadeias de ácido ribonucleico.

Afinal, sabemos agora, não era bem a entrelaçar-se: era mais a ensarilhar-se.

Um ensarilhanço de todo o tamanho. O verdadeiro enfarilhanço. Milhões e milhões e milhões: uma teia impossível de desensarilhar.

À medida que a caixa se vai abrindo, vão saindo as minhocas. É que nem é preciso cavar para as minhocas aparecerem. Nem é preciso dar tiros para os melros caírem. Eles caem mortos aos pés de Vítor Bento e de todos quantos, em poucos dias, conseguem ver mais do que KPMG, BdP, Troika e toda essa turminha de totós que por aí andou, ao longo de anos, a brincar aos ceguinhos.


Vamos ver se todos esses pequenos papagaios que por aí andaram pelas televisões a dizer que o Governador do Banco de Portugal era de Olhão, uma regulação de detrás da orelha, as águas entre o GES e o BES todas muita bem separadinhas, e, que ideia!, que o BES não tinha nadica a ver com o BPN, e que qual caso de polícia, qual carapuça!... não vão ter que voltar a dar o dito por não dito? Coisa que, de resto, artistas como são, farão com a lampeirice do costume.



Uma vez mais, tiro o chapéu a Pedro Santos Guerreiro e a Nicolau Santos (e, vá lá, concedo: se calhar também devo fazê-lo em relação ao João Vieira Pereira) que, persistentemente, foram puxando as pontas e percebendo o enleio que para ali estava e que, corajosamente, se chegaram à frente e mostraram ao País a armadilha letal que estava a ser estendida aos pés de Portugal.


E a armadilha era, de facto, terrível.



O BES financiou a actividade corrente de vários grupos empresariais na condição de estes contraírem outros créditos para aplicarem em dívida e acções do Grupo Espírito Santo. Em causa estarão algumas centenas de milhões.




Salgado e Morais Pires implicados em "engenharia financeira" no BES


Empréstimos de clientes do BES ao GES através da Eurofin estão sob suspeita - e por detrás do aumento dos prejuízos do primeiro semestre. Indícios criminais serão reportados. Salgado, Morais Pires e também a diretora Isabel Almeida podem ter de dar explicações.


Quadros superiores do BES terão montado um esquema para financiar o Grupo Espírito Santo com dinheiro de clientes do BES, apurou o Expresso. Em causa está a direção financeira do banco, que operava sob responsabilidade direta de Amílcar Morais Pires. 


A Eurofin, uma "holding" na Suíça, está no centro das atenções. O caso, que poderá ter implicações criminais, é a razão do aumento dos prejuízos no primeiro semestre do banco.




Prejuízo do BES pode chegar aos três mil milhões


O escândalo avoluma-se. Reguladores descobrem mais dívida de clientes do BES ao GES e forçam provisões. O prejuízo semestral galopa para um valor próximo dos três mil milhões. Almofadas financeiras já não bastam. Aumento de capital é inevitável.

O BES vai fechar o primeiro semestre com o maior prejuízo de sempre de um banco em Portugal. Será 15 vezes maior do que as estimativas dos analistas: perto de três mil milhões de euros, sabe o Expresso. Tudo porque os reguladores e os auditores acabam de descobrir mais esqueletos nos armários: há mais dívida de clientes do BES ao GES do que se supunha, através de esquemas de engenharia financeira que se desconheciam. 


Caso pode ter mais consequências criminais.




Upss... Indícios criminais...? Mas então o que é que a gente fina tem a ver com o rebotalho? Pensava que nada.

Não me digam agora que a gestão dos Espíritos escondia afinal práticas pouco abonatórias...? Sério...? Juram...?

Mas o excelentíssimo Carlos Costa não tinha assegurado que Ricardo Salgado estava carregadinho de idoneidade? Então se ele até tinha pago alguns dos milhões que antes tinha escondido, como desconfiar que ele não era gente séria?

Bem. Se também não se lembrava ou não sabia nada de offshores da altura em que era responsável pela área internacional do BCP, como poderíamos querer que Carlos Costa agora percebesse tudo o que via? Além do mais, coitado, se o homem tem algumas limitações na visão, que mal tem isso? Querem lá ver que vamos agora exigir que os reguladores tenham todos visão apurada e que sejam todos uns Einsteins, não? Ora, era só mesmo o que faltava.

Adiante.

E agora?


Pois bem. Quem investiu no aumento de capital do BES, está a arder. Cerca de 60% do que lá meteram já foi ao ar. Muitas fortunas aplicadas nas empresas do Grupo esfumaram-se. Muito dinheiro levou sumiço. Muitas empresas vão abanar. E só não me alongo mais porque já aqui o fiz várias vezes.


Mas, uma vez limpa a casa (tanto quanto é possível em meia dúzia de dias...), descobertas as carecas, assumidas as trapaças e os embustes, o BES deitará mãos à obra, arranjará forma de reforçar o capital, mudará de mãos (se calhar também de nome, como tem vindo a ser referido) e... a vida continua.


Para esclarecer todas as dúvidas, o Jornal de Negócios, preparou um esclarecedor conjunto de perguntas e respostas que recomendo a quem quiser perceber melhor as implicações do que está a acontecer. Serviço público.

Os resultados negativos esperados no BES no primeiro semestre são motivo de alarme? Os contribuintes podem ser chamados a apoiar o banco? Os novos desenvolvimentos trazem dúvidas para os depósitos dos clientes do BES? Os clientes de retalho do BES que investiram em papel comercial do GES podem estar tranquilos? Porque é que a queda das acções pode ser um problema? Etc.


Tudo respondidinho, e bem, no Jornal de Negócios, em mais um belo trabalho de uma das mulheres de quem se tem falado a propósito do best seller do momento, o Último Banqueiro: Maria João Gago.

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E mais não digo porque já passa das 2 da manhã e amanhã a alvorada é cedo e quero ver se ainda consigo dormir qualquer coisinha.

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A música é Os Búzios na voz de Ana Moura.

Os graffitis são do meu muito amado Banksy. O cartaz da senhora que já admite nada lhe restar para comer senão os ricos, não sei por onde desfilou.

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Nota: No outro dia, escrevi uma letra mal e a palavra transformou-se num erro grosseiro. Não estou livre de que isso me volte a acontecer. Aliás, é mais do que provável que isso aconteça aos pontapés. Estou a escrever quase a dormir e já não consigo rever o que escrevi. Caso detectem erros, por favor, não se acanhem, corrijam-me, está bem?


E, se me permitem, relembro: se quiserem descansar a vista ou apimentar um pouco a vossa vida, avancem, por favor, até ao post seguinte.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira. 
Saúde, sorte e sonhos bons é o meu desejo para hoje.


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domingo, janeiro 12, 2014

E eis que os abutres - que por aqui têm andado a sobrevoar, a escolher as vítimas, a preparar o terreno - se começam agora a instalar para melhor se servirem. [José Luís Arnaut vai para alto cargo da Goldman Sachs. António Esteves confirma: 'Há oportunidades muito interessantes em Portugal']



Transcrevo parte da crónica semana de Pedro Santos Guerreiro no Expresso:

O Governo PSD está a implementar um intenso programa de privatizações. (...) 


O advogado mais influente nestas privatizações foi, sem dúvida, José Luís Arnaut: esteve em todas. Ora trabalhando para o Estado, ora para as empresas vendidas, ora para as empresas compradoras, Arnaut foi decisivo nas privatizações da EDP, REN, ANA, TAP (que falhou) e agora nos CTT, de que a Goldman Sachs comprou 5%, tornando-se o maior accionista.


Arnaut foi o assessor da Goldman Sachs, que, antes, fora um dos bancos que venderam swaps tóxicos a empresas públicas. (...) Esta semana, o Governo contratou a Goldman sachs como um dos bancos que assessoraram a emissão de dívida pública. 


E a Goldman contratou Arnaut para um comité de topo, onde estão figuras de relevo, pensamento e lobbying.

Isto não é uma conspiração, é um modo de estar - ou de ser - entre um sistema financeiro internacional voraz e um país dependente de quem lhe empresta dinheiro para além da sustentabilidade.


Os amigos e protegidos (ou os chefes?) de Passos Coelho

Catroga trabalha para os chineses na EDP,
Vítor Gaspar deve ir para o FMI
Arnaut para a Goldman Sachs


(imagem oriunda do blogue We Have Kaos in the Garden)
Transcrevo agora do Jornal de Negócios:


O Goldman Sachs anunciou esta sexta-feira, 10 de Janeiro, que José Luís Arnaut é o novo membro do conselho consultivo internacional do banco.

As funções do português passam por “fornecer conselhos estratégicos sobre uma série de negócios, regiões, políticas públicas e questões económicas, em particular sobre Portugal e os países africanos de língua portuguesa”, revela o comunicado emitido.

José Luís Arnaut vai integrar um grupo de 18 membros, que é presidido por Robert Zoellick, ex-presidente do Banco Mundial.

José Luís Arnaut “traz elevados conhecimentos e experiência” sobre Portugal, bem como a Europa, Médio Oriente e África. 

“É excelente” para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs a integração do português, refere Zoellick, citado em comunicado.


(...) nas negociações dos swaps com o Estado, a firma de Arnaut, CMS Rui Pena & Arnaut (RPA), representou os interesses de bancos como o Goldman Sachs e o JPMorgan.




Volto ao Expresso. 


Aí leio que António Esteves, CEO da Goldman Sachs para os países do sul e responsável dos clientes da Europa, diz que Portugal está a fazer o que lhe foi pedido. 


Fez um esforço económico e social muitíssimo forte. 

Acrescenta ainda que em Portugal se fizeram ajustes muito grandes ao nível das reformas laborais, a nível estrutural, o que permitiu mais competitividade e diferenciação em relação ao resto das economias europeias. 

E diz que a Goldman Sachs quer ter em Portugal uma presença maior. Temos uma percepção de Portugal muito positiva, não só pelo que vemos, mas pelo que perspectivamos. 

E diz que vai reforçar a presença e investir em equipas para fortalecer a presença da Goldman Sachs em Portugal. 

Quando lhe perguntam Em fusões e aquisiçãos? Responde: Em tudo.




*

Tudo isto parece sinistro? Parece e, infelizmente, acho que é.


E nós somos a carniça sobre a qual os abutres estão a pousar.

*

NB: Depois de ter escolhido esta imagem, dei-me conta que procurei 'tubarão' e 'capitalismo' quando estava a falar em abutres, urubus. Mas, de facto, o que acontece é que primeiro as vítimas são abocanhadas, destruídas e depois, então, é que chegam os necrófagos. Revejo-nos, a nós, indefesos portugueses, na impotência do pequeno peixinho encarnado de frente para a bocarra gulosa da besta insaciável que se prepara para o devorar.

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PS: Depois de ter escrito o texto acima, volto aqui para referir um facto que me foi sugerido pela leitura de um comentário aqui abaixo.

Grande parte dos quadros das mais ferozes instituições financeiras e consultoras, aquelas que estão por trás de todas as jogadas na base das quais estão as crises que têm derrubado as economias mais frágeis, provêm de Escolas de Gestão ligadas à Igreja Católica. Universidade Católica, AESE, e isto já para não falar de colégios (da infantil ao secundário) também ligados à Igreja. Não por acaso, se poderá ver qual o percurso de António Esteves: Colégio Valsassina, Universidade Católica.


É um tema interessante este, tendo em consideração a denúncia que o Papa Francisco tem feito das práticas assassinas por parte destes grandes grupos financeiros. Sobre este assunto, sugiro a leitura do texto e sequente troca de opiniões aqui.

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Gostaria ainda de vos convidar a ouvirem e lerem um poema fantástico da actriz e poetisa Elisa Lucinda no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom domingo!


domingo, setembro 08, 2013

Paulo Portas coloca poupanças num banco alemão. O que é que esta notícia significa: que o vice-primeiro ministro, para pôr o seu dinheiro, não confia na banca nacional? Ou que vale tudo para vender notícias? Isto para mim, na melhor das hipóteses, é o exemplo acabado da calhandrice jornalística - porque pode ser coisa bem pior.


Na sexta feira passada, dia de trabalho em reuniões com toda a equipa de gestão reunida, nos chamados coffee breaks, comentavam-se os fait divers que se tinham ouvido nos noticiários durante o trajecto ou que se tinham visto nos smartphones. 

Com ar de gozo, dizia-se: parece que o Portas já pôs o dinheiro lá fora. 





Ninguém sabia ao certo de que se tratava porque, nestas coisas, ficam os sound bites, os títulos das notícias - e porque, há que reconhecê-lo, as incongruências de Portas se prestam à piada fácil. 

Mas eu, nestas coisas (como noutras), cultivo o método da dúvida metódica pelo que ouço e não digo nada. Não gosto de alinhar só por alinhar. Por isso, não me ri nem parti daí para extrapolar conclusões à toa.

Nessa sexta feira, mal cheguei a casa vi-me absorvida por uma outra missão (como aqui vos dei conta), ontem tive outro dia cheio como um ovo e, portanto, não tive oportunidade de verificar de que se falava. Apenas hoje, um dia mais tranquilo, é que consegui ter tempo para espreitar as notícias. 

(E ainda tenho parte do Expresso para ler e, por isso, agora não posso alongar-me pois quero concluir a sua leitura antes de o levar para casa dos meus pais, onde irei mais daqui a nada.)

Mas, tendo lido o que se passava, concluo que a coisa nasceu no Correio da Manhã e foi replicada em jornais que tinha por decentes, o i Online e o Jornal de Negócios. 

O que vejo então? 

Transcrevo parte do artigo do Jornal de Negócios:

Foi depois desta alteração do estatuto jurídico do Deutsche Bank que Paulo Portas, então ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, abriu uma conta solidária na instituição. Foram colocados, aí, 80 mil euros após Agosto de 2011, conforme conta esta sexta-feira o “Correio da Manhã”. Não se sabe se há alguma relação entre os dois acontecidos. O agora vice-primeiro-ministro não fez comentários ao jornal.


Na declaração de rendimentos que o governante entregou no Tribunal Constitucional nessa altura, quando deixou de ser deputado para passar a ser ministro, não constava o depósito no Deutsche Bank. Estava declarada uma conta superior a 159 mil euros no Banco Popular.


Leio isto e fico perplexa. Mas, afinal, a notícia é isto?! Mas que mal é que aquilo tem?

Uma autêntica conversa de vizinhas, é o que aquilo é.




Acaso se espera que um sujeito, pelo facto de ser ministro, deixe de ser um cidadão normal? E que mal há em abrir uma conta num banco alemão? Acaso há hoje bancos inteiramente nacionais, bacteriologicamente puros? Bancos angolanos, espanhóis, ingleses, franceses, de fundos sabe-se lá de onde, é o que há por cá. Já não seria notícia se ele tivesse o dinheiro no BES? Porquê? Eu respondo: por coisa nenhuma.

Os depósitos estão garantidos até € 100.000 por depositante e por conta e portanto, face às verbas em questão, e dado que são contas solidárias, aquele dinheiro estaria igualmente protegido em bancos 100% portugueses (se os houvesse).

Ou seja, não há nada de mais, nada, nada. Que ele ou qualquer outra pessoa ponha as suas poupanças onde são melhor remuneradas ou onde se pensa que estarão melhor guardadas, é o mais normal e legítimo que há.

Além disso, trata-se de uma conta solidária. Ou seja, a conta não é exclusivamente de Paulo Portas, pode ser, por exemplo, uma conta que tenha com a mãe. Normalíssimo. Também eu tenho com os meus pais. Os meus pais pediram-me isso por receio de que alguma coisa aconteça e que não possam movimentar a conta, e porque já têm idade avançada, trato eu de algumas coisas porque trato pela internet e eles não têm essa facilidade.

Imagine-se que eu ficava maluca e me dava para aceitar algum convite para algum cargo público que um outro maluco me fizesse. Estaria, portanto, sujeita a que as contas bancárias dos meus pais aparecessem expostas pela comunicação social. 

Isto é tão estúpido, tão, tão estúpido que até me dá ânsias. Estúpido, revoltante, nem sei.

Por estas e por outras é que muita gente não está para entrar na vida política. É que uma coisa é escrutinar o que tenha a ver com a actuação política dos governantes, outra é andar a vasculhar a sua vida privada, expondo-a nos escaparates sem cuidar de saber se, com isso, causam incómodos inúteis às pessoas em causa ou, pior ainda, à família.

Tenho aqui, no Um Jeito Manso, continuadamente criticado Paulo Portas. 


É inconsistente, embarca no facilitismo porque gosta de palco, com a maior cara de pau adapta a conversa à conjuntura, está a dar cobertura (e a alinhar activamente) com um Governo incompetente, ignorante, em que o Primeiro Ministro não sabe o que é democracia, economia, história, nada. É co-responsável por um retrocesso na vida de Portugal e dos Portugueses como não há memória e do qual tão cedo não recuperaremos.



Mas uma coisa é eu criticar a sua actuação enquanto político - e ser coerente: não votando nele - e outra é embarcar em coscuvilhices, calhandrices, invejas rasteiras. 

A comunicação social deste país - de onde emanam os principais fazedores de opinião - provam, com notícias destas, que é genericamente composta por papagaios, voyeurs, básicos, preguiçosos.



E ver notícias destas em jornais que tinha por sérios e competentes, como o Jornal de Negócios, deixa-me preocupada.


É que há ainda uma outra hipótese que me ocorre ao ler esta notícia rasteira: e se isto for, afinal, não uma mexeriquice vergonhosa mas um frete ao Deutsche Bank? Quantas pessoas, treslendo aquilo, não pensam: 'se ele acha que o dinheiro está melhor naquele banco, vamos mas é levantar o dinheiro e depositá-lo lá'...?


Grande parte da política alemã tem consistido, nos últimos tempos, em enfraquecer a economia e as finanças dos outros em proveito do engrandecimento do seu poderio que não pára de aumentar.

Não me admira, portanto, que esta notícia e outras como esta sejam, afinal, apenas mais uma jogada nesse sentido. 

Começo a constatar que, neste pasto fácil em que se está a tornar a sociedade portuguesa, o poder do dinheiro avança a grande velocidade, corrompendo ou tentando corromper o que encontra à sua passagem? 

Quantos dos jornalistas que divulgam notícias destes ou quantos bloggers que se fazem eco destas vacuidades e canalhices não são, afinal, moços de fretes (quiçá, até, pagos) ao serviço de interesses muito pouco transparentes?


Não sei, mas aqui deixo escrito o que penso, as dúvidas que me assaltam - e que cada um conclua por si.


***

Para limpar a vista de tão longa escrita, permito-me sugerir que desçam até ao post seguinte. Da beleza sensual e camaleónica de uma mulher transformada em arte e de um leilão que está a despertar curiosidade se fala.

***

Resta-me desejar-vos um bom resto de domingo.

domingo, agosto 11, 2013

"Swaps" ou o lado negro da força - O regime transformou-se num esquema. [artigo de Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios: absolutamente a não perder]




Transcrevo apenas uma parte do muito esclarecedor artigo de Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios mas recomendo mesmo a leitura do artigo completo. Ajuda a perceber muitas coisas.


Não é esta a promiscuidade a que estamos habituados. Falamos de conúbios financeiros há anos, de políticos na banca e de banqueiros na política, nos créditos de uns para as obras de outros, nos financiamentos opacos, leis de favor, benefícios fiscais, dinheiro dos contribuintes, somos catedráticos nessa inconsequente disciplina. Mas isto dos "swaps" tóxicos é outra selva. Não é negociata de paróquia, é prática implacável dos maiores bancos de investimento do mundo. É ao lado negro de um planeta fascinante e sinistro de delícias e sevícias onde se compra e vende tudo, e onde os parvos são palha para estofar sofás.

(...)




Um pequeno relato pessoal: em 2009 infiltrei-me alguns dias em vários bancos de investimento na City, disfarçado de financeiro de empresa cotada em reuniões com investidores, naturalmente vedadas a jornalistas. 

(...)

Lá dentro só se falava de bónus. O ano aproximava-se do fim e as bocas desenhavam risos em todas as caras, que se viravam das janelas desprezando as manifestações lá fora. Semanas depois soube-se: depois da hecatombe de 2008, a banca de investimento teve o melhor ano de sempre em 2009. Em grande parte porque os Governos, desesperados com os riscos de depressão económica causada pelo sistema financeiro no "subprime", carregaram no investimento público, aumentando as suas dívidas públicas, com financiamento e assessoria... dos bancos de investimento.



Anatomia descrita de forma simplista
porque a realidade é frequentemente muito mais complexa




Comprar um "swap" é uma decisão normal para proteger uma empresa do risco de taxa de juro. 


Mas há "swaps" normais e exóticos - e as empresas públicas (e muitas PME) compraram risco insuportável a troco de ganhos imediatos. Sabendo ou não o que faziam (o que não é indiferente), foram triturados nos passadouros dos bancos de investimento.

A pressão (dos bancos) para os resultados é brutal e o prémio pode ser gigante. A ética não é uma variável. Come-se o que se mata. Mata-se colegas, concorrentes, clientes, empresas, Estados. O serviço destes bancos na Grécia, e que foi proposto a Portugal, não foram produtos financeiros, foram produtos sobre como mentir. Mentir nas contas públicas, mascarar dívidas, esconder riscos, enganar os povos. E, no entanto, mesmo depois da vergonha desmascarada, os mesmos bancos são contratados pelos mesmos Estados (incluindo Portugal), que continuam sujeitos às mesmas agências de "rating". Eles são os mercados. E nós precisamos dos mercados porque somos dependentes da droga que eles vendem: crédito.

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