Mostrar mensagens com a etiqueta Circo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Circo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, março 20, 2019

Então mas não é que o filho da mãe do algoritmo do YouTube me aprontou mais uma...?


Acabei de mandar um mail que terá o efeito de uma bomba. Anunciei que esta quarta-feira vai haver festa. Não sei ainda bem a dimensão da dita mas palpita-me que vai ser das boas. Sinto um ligeiro frémito interior antecipando o tamanho do salsifré. 

Não sei a quem saí com esta minha maneira de ser. À minha mãe não é que se enerva perante a necessidade de tomar decisões que, de alguma forma, possam causar algum incómodo. Ao meu pai também não pois tinha insónias mesmo sem ter com que se enervar, faria quando alguma coisa o preocupava. 

A minha filha, quando aqui escreveu um dia sobre mim, disse que eu não tenho medos. tenho, claro que tenho. Por exemplo, tenho medos quando a coisa se refere à descendência. Aí, preocupo-me, inquieto-me. Mas sobre coisas minhas, do trabalho e assim, sinto uma leve agitação interior, uma espécie de ímpeto destemido que me impele a ir em frente. Assola-me, por vezes, à mente um certo receio de que o que me preparo para fazer tenha consequências imprevisíveis e desagradáveis. Mas isso não me refreia os ânimos.

Mas, portanto, tendo eu acabado de lançar a bomba, resolvi passar os olhos pelas notícias -- e que dor de alma ver o que se passa em Moçambique, que desgraça tão grande, que infelicidade, que impossibilidade de fazer frente a tamanha tragédia --- resolvi passar para o YouTube a ver se me distraía um bocado.

E vai o sacana tem para me mostrar uma coisa do caraças, quase alusiva à minha situação. E logo a mim que tenho pavor de alturas, que tenho umas vertigens que me deixam com os pés desasados. Vai ele ali nas alturas, na corda bamba e, às tantas, até a corda de segurança lhe falta. Caneco. Será aviso? E será que o diabo da inteligência artificial do tipo capta mais do que deve? Andará a ler-me os pensamentos? Vai ver é isso.

Charlie Chaplin no Circo


-------------------------------

As pinturas são de Sol LeWitt

--------------------------------------------

E agora, depois de dar o post por acabado, volto ao YouTube e ei-lo: o vídeo completo onde posso ver como é que a coisa acaba.



quinta-feira, setembro 27, 2018

Cinco palhaçadas no país do ressuscitado ex-Cavaco, o ditoso amigo da Santa Mana Joana


Palhaçada Número 1


A guerriúncula de alecrim e manjerona que o franzino João Ribas resolveu desencadear é daquelas coisas que mostra bem a superficialidade que por aí vai. 

Nem o dito tem arcaboiço para o fuzuê que armou nem a opereta tem pernas para andar fora das paróquias avançado-justicialistas das redes sociais. 
Sem saberem do que estavam a falar, só porque a dita criatura teve um fricote, logo as beatas encaloradas rasgaram as vestes defendendo que as penetrações anais, por mais violentas e escabrosas que fossem  -- onde vale tudo até um braço enfiado até ao cotovelo -- são do mais educativo para as criancinhas. No entanto, note-se que, se quiserem dar um banho de perversidade às crianças, podem fazê-lo. As obras estão lá, apenas desaconselhadas a menores de dezoito a menos que acompanhados por adultos que se responsabilizem. Estão em sala aberta ao público e tudo feito conforme acontece em todo o lado em que há obras deste calibre. Mais: tudo organizado sob coordenação e com a aquiescência do curador -- nada mais, nada menos que, justamente, o mesmo pseudo fogoso libertário. 
Entretanto, com a administração em peso a negar tudo o que ele diz e a exigir que apresente provas, o dito Ribas levanta voo de fininho e começa a falar de intangíveis, estados de alma, coisas imateriais que o aborrecem nos dias em que acorda com o rabo virado para a lua. Entrada de leão, saída de sendeiro. 

Portanto, por mim, dou o assunto por encerrado.

Mas sugiro que alguém lhe ofereça um lápis (e respectivo apara-lápis) para escrever os seus desabafos. E se continuar com aquele ar de bebé chorão, pois que algum dos seus admiradores lhe ofereça uma chucha.



Palhaçada Número 2

A outra guerriúncula de alguidar e garrafão foi a greve dos taxistas. Acamparam na Av. da Liberdade e no Porto e em Faro sem que a população tivesse notado grande diferença. Uma coisa sem ponta por onde se lhe pegue. Uma greve supostamente faz-se como forma de protesto contra a entidade patronal. Ora, no caso, maioritariamente a entidade patronal são os próprios. Claro que os Uber desta vida esfregaram as mãos de contentes: freguesia redobrada nestes dias. Os senhores taxistas e mais um fiada de mulheres que pareciam as majorettes da primeira fila e que toda a gente acha que não são taxistas, afinal lutavam contra o governo. Claro que foi para o lado que o governo melhor dormiu. Acresce que a legislação aprovada até parece exigir condições mais restritivas às plataformas concorrentes do que aos taxistas. Como resultado de todo este aparato, resolveram desmobilizar. E porquê? Depois do valente não de António Costa, para espanto geral consideram que a sua causa foi atendida. Pois bem. Quais caniches que ladram, ladram e depois voltam para a casota, de rabo entre as pernas, assim os taxistas. Dizem que os deputados do PS disseram que iam ver se a definição dos contingentes pode passar para as autarquias. Cá para mim, é, para eles, o maior disparate. Agora, deixa de haver um decisor para haver centenas. Portanto, se isto for avante, estão bem governados. Mas, enfim, devem ter percebido a palhaçada que era a greve e, para não perderem a face, inventaram esta vitória. Há classes profissionais que tendem a desaparecer se não souberem perceber o ar do tempo -- e esta é uma delas.


Palhaçada Número Três

A cena de Tancos é, na verdade, mais do que uma palhaçada: é um circo completo.

Escuso de dizer que, desde o primeiro dia, achei que não era possível que aquilo fosse roubo na base de one time shot. Tinha que ser coisa feita devagarinho. Depois aquele aparecimento... Coisa na base do Luís de Matos. E ter aparecido uma caixa a mais. Devolveram o que tinham no armazém, deste lote e doutros. Uma macacada.

Se um dia forem ouvir malta que em tempos vendeu material para as forças armadas e que agora já não tem nada a perder se se desbroncar são bem capazes de ter algumas surpresas. Quem queria vender, já sabia que tinha que untar as mãos a este, àquele e ao outro. Mas quem ia denunciar? Queriam era vender. E isto digo eu sem saber nada de concreto porque nunca vendi nada para militares. Mas ouvia-se por aí muitas histórias destas. Tenho até ideia que, na altura do grande ministro da Defesa Paulo Portas, se falava muito em luvas de vários tamanhos (as maiores das quais do tamanho dos saudosos submarinos).

Seria até interessante que a Santa Mana Joana, que nunca quis saber de nada disso, na hora da despedida, explicasse porquê, porque nunca quis saber de nada disso.
Não são todos os militares que gostam de brincar às escondidas, ao lencinho queimado ou aos doces ou travessuras. Claro que não. Tenho um bem graduado na família e acho que posso pôr as mãos no fogo por ele. 
Mas com uma coisa destas, em Tancos, tudo a ter que se passar às claras, com muita gente a saber, esquisito foi precisarem de um ano para descobrirem alguma coisa. Um verdadeiro circo de Fellini.


Palhaçada Número Quatro

Ouvi ontem, com pasmo, que deveria ser aberto inquérito para se perceber porque é que Manuel Pinho não foi revistado quando chegou ao DCIAP. Apurei a atenção. A jornalista, com ar enfático, quase insinuou suspeições. Dizia que era importante ter apurado se ele não traria provas consigo. Pasmei com muitos pontos de explicação na mente. Mas que almas tresloucadas acham provável que Manuel Pinho se apresentasse no DCIAP com provas escondidas nas cuecas, quiçá extractos das contas offshores enfiados em bolotas transportadas no estômago? A inteligência desta gente da comunicação social está, de forma geral, abaixo da inteligência das minhocas (sem desprimor para as minhocas, claro). Só me admirei por não ter logo visto nos blogs ditos de referência que todos nós, cidadãos de primeira, deveríamos, a todo o momento, sempre que nos cruzássemos com o dito Pinho enfiar-lhe um braço no rabo para tentarmos descobrir provas.
Quais provas? As provas. Quais provas? As provas. Quais provas? As provas. Quais provas? As provas. Quais provas? As provas. Quais provas? As provas.


Palhaçada Número Cinco

E eis que, quando estou a preparar-me para pôr o ponto final neste post, me aparece uma múmia ressabiada na televisão. Com a célebre gosma a querer assomar-lhe aos cantos da boca, olhos vingativos, e dicção martelada como quem declama uns versos fajutas, Cavaco saíu à cena para louvar a Santa Mana Joana, santinha muito da devoção de cavaquistas que, por algum motivo que só eles saberão, se sentiam muito protegidos com ela ali. Acha estranho, muito estranho, talvez a coisa mais estranha desde que a so called ge-rin-gon-ça foi dada à luz para seu grande susto. Presumo que agora volte para a paz da sua varanda* no Possolo na companhia da sua Dona Cavaca.

...................................................................................................................................
*

Errata, conforme comentário abaixo: onde se lê varanda, deve ler-se marquise

_________________________________________

E venham mais para a gente se divertir.

_____________________________________________

PS: Hoje há passeio no Ginjal. Convido-vos a darem uma saltada até lá.

sábado, dezembro 09, 2017

Um Rondino de Alma a acompanhar as levezas de Miyoko Shida com imagens feitas in heaven e devidamente lunapicadas





Só para dizer que hoje em casa estava mais frio do que lá fora. Agora, aqui nesta sala, já não. A madeira já crepita na salamandra. Podíamos acender a lareira na outra sala, na sala grande que fica a meio da casa, mas não vale a pena, só cá estamos os dois e, se não estamos na rua, estamos maioritariamente nesta saleta que dá para o sol e onde o calor da salamandra basta. Se cá estivesse mais gente e se tomássemos as refeições na sala de jantar, então, acender-se-ia também a lareira.

Lá fora, ao sol, está morno e húmido mas o céu está a toldar-se. Neste momento, está cá um senhor que veio pôr uma porta nova numa casinha. Pedimos-lhe sempre que faça os arranjos quando cá não estamos mas ele prefere vir quando tem companhia. Quero pedir-lhe que, proximamente, arranje uns canteiros que estão a rebentar tal o corpo que deitaram os cedros, mas o meu marido não está nada a favor, diz que isso 'é a maneira do gajo nunca mais de cá sair'. Mas têm que se arranjar.

Esta noite, dormi que foi um regalo. Acordei às dez e tal, à larga na cama, e ouvi logo o barulho da roçadora lá em baixo. Diz que se levantou às sete para dar cabo do mato. Até tremo. Com os óculos protectores postos ainda menos distingue o tojo do alecrim e ainda menos detecta pés de pinheiro que deveriam ser preservados. Paciência, não posso andar sempre atrás dele (nem ele quer). 


Quando fui ver, já ele tinha dado um desbaste considerável. Comprou um disco que esfarela o que corta e que, portanto, dispensa que se recolha o mato cortado pois fica tudo relativamente desfeito.

Cortou tanto que agora, apesar de ter umas luvas protectoras, tem uma bolha nas mãos.

Para o almoço fiz bacalhau com todos. Soube bem.

A minha mãe alertou para a tempestade Ana, diz que deveríamos sair hoje de cá para amanhã não a apanharmos pelo caminho. Não sei. Talvez. Está-se aqui tão bem que é pena não ficarmos para domingo.


O meu marido diz: 'Um dia que um gajo se reforme, aqui tem sempre que fazer'. Concordo: entre desbastar, cortar, limpar, serrar, varrer, arranjar, pintar, caminhar, fotografar, dormir uma sestinha, preparar as refeições, ler, escrever no blog, fazer tapetes de arraiolos, ir às compras, dar uma voltinha, etc, etc -- pouco tempo deve sobrar para usufruir de algum tédio que aflore. Ele diz: 'A deitares-te às horas a que te deitas, claro que tens que dormir a sesta'. O remoque do costume. Paciência: é o que é.  Nem toda a gente consegue ter o ritmo dele que é adormecer por volta das onze e tal e acordar antes das sete. Mas acrescento: 'E podemos ter uma hortazinha'. Ele responde: 'Não inventes'. Acrescento: 'E galinhas'. Mas depois lembro-me: 'Tinhas era que te instruir para conseguires matá-las quando fosse o caso'. Responde: Sim, sim. Vai esperando'. Ainda faltam uns quantos anos mas começa a bater esta vontadezinha de nos libertarmos das gaitas maçadoras de uma vida de trabalho de sol a sol -- a aturar toda a espécie de crises e a arcar com responsabilidades para as quais, muitas vezes, nem temos todos os meios para as resolvermos  -- para nos podermos entregar à simplicidade de uma vida saudável no campo.

Mas, enfim, vamos andando. É tudo uma questão de irmos conseguindo equilibrar as coisas.


.............................

Já agora, a propósito na necessidade de mantermos o equilíbrio, permitam que partilhe convosco:

Miyoko Shida Rigolo e o seu notável exercício de equilíbrio



...............................

As fotografias foram feitas hoje in heaven e foram alteradas no LunaPic, por influência da sempre inspirada Gina.

Como puderam ver e ouvir lá em cima, continuo com a extraordinária menina que compõe, toca violino e piano e canta como se fosse  gente grande e como se não houvesse amanhã: Rondino in Eb maj. composto por Alma Deutscher.

................

segunda-feira, junho 15, 2015

Caminhar sobre o vazio -- ou talvez uma questão de religião que, em latim, é religare, o que significa unir duas coisas com um pedaço de corda.


Acho que já aqui o confessei: sofro de vertigens. Penso que não seja um caso grave mas a patologia existe. 

Por exemplo, nos circos sempre sofri horrores durante os números de trapézio. Temia, mas temia quase como se fosse eu que ali estivesse, que se despenhassem lá das alturas. Espreitava aterrada e só descansava quando estavam com os pés em terra a agradecer os aplausos. 

Ou em alguns castelos, quando se sobe por escadas estreitas de pedra, sem protecção, e lá em cima se percebe o quão alto estamos e se pensa que bastará um passo em falso para que se caia sem apelo nem agravo. 

Quando era miúda, ia com os meus pais para praias de rochas em que havia pouca gente ou nenhuma, eram os melhores lugares da praia, com mexilhões agarrados às rochas, caranguejos, algas e limos maravilhosos. Mas, para lá chegar, era preciso fazer verdadeiras acrobacias, coisa mesmo arriscada. Ficaram-me pavores dessa altura. 

Ou, mais tarde, e já com amigos -- alguns chegavam nos barcos, e eram irreverentes, filhos-família armados em rebeldes, e gostavam de se aventurar em grutas e em rochedos altos em que se passava de uns para os outros em arriscados saltos, em que também um pé em falso seria o suficiente para se vir parar cá abaixo, provavelmente entalados entre as rochas. E íamos a nadar para outros rochedos no meio da água, e eles trepavam e davam arriscados mergulhos, cambalhotas no ar, coisas dessas. Esses mergulhos nunca consegui dar em sequer consegui subir, desprotegidamente, até tão alto. Ficava a meia altura e atirava-me a medo, sempre com receio de escorregar no momento de saltar, as rochas estavam cobertas de limos escorregadios. Mas, de resto, cheia de medo mas não querendo dar parte de fraca, lá me esforçava para os acompanhar.



Já adulta, a nível profissional, volta e meia organizavam, nas empresas onde trabalhei, cenas de team building, com exercícios em ambiente de montanha ou em rios, e com provas que envolviam escaladas, pontes suspensas, rapel, essas tretas que me estragavam um bocado de brincar e confraternizar ao ar livre. O que eu tive que me superar nessas coisas, não querendo prejudicar a equipa em que estava inserida mas temendo não sobreviver ou armar barraquinha, é coisa de que nem gosto de me lembrar, parece que revivo a sensação de vertigem. Felizmente isso agora caíu um bocado em desuso.

De vez em quando ainda sonho que estou a ir para um sítio qualquer e me aparecem obstáculos desse tipo, rochedos a que tenho que trepar e passar de uns para os outros através de um salto sobre o vazio.

A sensação é sempre a mesma: uma espécie de formigueiro nos pés, como que uma falta de força que vem do medo, uma espécie de angústia, como se soubesse que uma qualquer força me fará cair não tendo onde me agarrar.
...

Vem isto a propósito do artigo da revista do Expresso sobre Philippe Petit, artigo a que o autor, Pedro Mexia, deu o título de A vida no arame.


Philippe Peteit tornou-se célebre ao caminhar entre as duas torres gémeas do Worl Trade Center. Tinha na altura 25 anos. 



E, à medida que lia e depois, agora aqui, ao ver vídeos de que fui à procura, voltei a sentir aquela impressão miudinha e incomodativa que está associada à sensação de vertigem, quase uma atracção para o abismo, o antecipar a queda desamparada no vazio.



Hoje, já sexagenário, Petit é artista residente numa catedral em Nova Iorque, vive nas montanhas Catskill e faz conferências um pouco por todo o mundo. Ao longo da sua carreira, caminhou, bem alto, nas cataratas do Niágara, em Notre Dame, numa ponte no porto de Sydney, no Central Park ou na Torre Eiffel (...)


Transcrevo dois pequenos excertos do artigo, onde é Philippe Petit que fala.


Quando vejo edifícios extraordinários a serem construídos, uma catedral ou uma torre mais alta, alguma coisa realmente esplêndida, que de alguma forma rompe com as regras da arquitectura e da engenharia, fico instantaneamente atraído. Tenho uma caixa com o título 'Projectos'. Quando a abro, há lá dentro todo o género de edifícios ou paisagens que chamaram a minha atenção. Se olhasse para esse ficheiro, veria desfiladeiros, catedrais, cataratas e até cavernas. Gostava de colocar um arame dentro de uma caverna, um dia. E gostava de colocar o meu arame num iceberg no oceano.
Sou um homem muito religioso, que não pertence a nenhuma religião conhecida. A etimologia da palavra religião, em latim, é religare, o que significa unir duas coisas com um pedaço de corda. 

Man on Wire





Philippe Petit: One Man Show - Philosophy on Life


"I can not kill the child in me. I refuse"



...

Para ilustrar o texto usei fotografias do Cirque du Soleil (que, como devem saber, foi recentemente adquirido pelo grupo chinês Fosun, o mesmo que, por cá, por exemplo, comprou a Companhia de Seguros Fidelidade)

..

domingo, fevereiro 19, 2012

O Homem de Luís Veiga Leitão; As Gaivotas e as Palavras Interditas de Eugénio de Andrade; Maria Bethânia e o Poema Azul de Sophia de Mello Breyner; e o Circo du Soleil debaixo de água


É no silêncio do caminho aberto:

Quanto maior a alma maior o deserto
maior a sede e a miragem
do mundo à nossa imagem


['Homem' de Luís Veiga Leitão'

Ginjal, este sábado pela manhã


As gaivotas. Vão e vêm. Entram
pela pupila.
Devagar, também os barcos entram.
Por fim o mar.
Não tardará a fadiga da alma.
De tanto olhar, tanto
olhar.


['As gaivotas' de Eugénio de Andrade]

Este sábado, gaivota atravessa a rua numa passagem de peões junto ao Tejo










Tenham, meus Amigos, um belo Domingo - se possível, rodeados de beleza.
  

quarta-feira, novembro 30, 2011

A Alemanha e a França demencialmente obstinadas, a Itália no centro do medo, ou a Europa a brincar com o fogo. A isso respondo com Amor Total e Fidelidade - um Método Perigoso, sem dúvida, mas que pode trazer muita Alegria. (Poesia, Música, Cinema, Circo, Sol)


Engripada, incomodada, quero lá eu saber se os ministros europeus das finanças, todos reunidos uma vez mais e antes da cimeira de chefes de estado que terá lugar daqui a duas semanas, decidiram avançar para a alavancagem do fundo --- coisa já anunciada há meses e ainda não posta em prática porque a alavancagem é de tal monta que ninguém lá quer pôr o pescoço.

A Itália a soçobrar - o, até há pouco tempo, grande colosso económico e industrial, é agora um gigante que se arrasta, exposto ao gáudio de alguns, dos que tanto vão ganhar. Escuso de vos dizer, meus amigos, que nestas coisas, nada se perde, tudo se transforma. E que, sempre que alguém muito perde, há alguém que muito ganha.

As vozes começam a elevar-se em agonia, 'ai a zona euro a implodir', 'ai a Europa e desfazer-se', e a solução é tão óbvia que espanta como não há um homem ou uma mulher com voz suficiente forte que seja capaz de dar um murro na mesa e dizer que já chega, que mande calar o par de jarras Merkel e Sarkozy, que os mande sentarem-se sossegados, longe um do outro, na última fila, 'shiu que já chateiam, seus estúpidos, caluda', alguém que diga, 'está na hora de as pessoas com tino se chegarem à frente' e correr com esta trupe de gentinha que para aí tem andado a ver se consegue montar o circo e sem competência para o fazer, 'fora, fora daqui, chô, que se cheguem à frente as pessoas de bem, e vamos lá emitir moeda, e vamos lá a olhar para isto com olhos de gente, de gente solidária, democrata, inteligente'.

E por cá, na nossa triste e indigente politiquinha? Bem, já custa - é que até dói. Passos Coelho, mais parece um tonto, menino marrãozinho e algo destituído que segue a burra da Merkel como se fossem ambos inteligentes, o Tozé Seguro com aquele ar de pateta armado em duro, tudo o que diz e faz mais parecendo uma comédia de 5ª categoria, tudo a fingir, pechisbeque, plástico chinês, tudo demasiado mau. Dou por mim a achar acertado o que os do PCP dizem, dou por mim, vejam bem, a ouvir com agrado a Heloísa Apolónia (mas, enfim, ando engripada, quem sabe o vírus não está a fazer das suas...?).

E as vozes que antes tínhamos por algo conservadoras (Jaime Nogueira Pinto, por exemplo) levantam-se e dizem, 'estamos a ser governados por ignorantes' e o rosto demonstra a dor que lhe vai na alma. 

Tudo muito mau, muito preocupante. E eu, engripada, não me apetece mais disto, já chega, credo, como chegámos a isto, senhores...?! E só me apetece chá quentinho, palavrinhas amáveis, peace and love, if you please.

E, portanto, vamos mas é dar uma voltinha por aí, que vai ser bom. No fim, ainda volto á conversa para uma despedida especial tendo em conta que amanhã é um dia histórico.



Amor total, diz ela, sonhadora
 



Fidelidade, diz ele, e mente como todos os sedutores fazem tão bem





Um método perigoso, usam eles, deixando-se enlear nos perigosos caminhos das palavras que tão ardilosamente levam à sedução

(psicanálise, que riscos encerras....)




Eu, que de Freud e Jung aprecio sobretudo o lado inovador e o que se prestam a romances destemperados, sugiro que acabemos o passeio com Alegria, com música, movimento, magia. Cirque du Soleil e o seu espectáculo Alegria, pois claro.


/\

Boa quarta-feira, minha gente e vamos preparar-nos para gozar em festa o último 1º de Dezembro como dia feriado.

(Será que o Relvas e o seu subordinado Pedrocas fazem ideia ...? Gostava que, à sorrelfa, umas entrevistadoras daquelas 'tipo Fama Show' se aproximassem deles, os mandassem aspirar o hélio de um balão e lhes perguntassem, 'os meninos sabem o que é que se comemora a 1 de Dezembro...?'.

Sempre gostava de ver a cara deles, atrapalhados a olharem um para o outro, vozinha de falsete, a disfarçarem a hesitação como se estivessem apenas armados em engraçadinhos, '1 de Dezembro...? Bem... eu acho que é o dia de S. José... ai não que este é dos civis, .... será o dia do Viriato, aquele que foi de corda ao pescoço entregar-se ao Afonso Henriques? Ai não, que o Afonso Henriques foi antes do Viriato' e o outro, corado, 'Acho que não, acho que tem a ver com a padeira de Aljubarrota, aquela a quem raparam o cabelo e que tinha uma espada muito grande, ou será que essa era a lourinha de cabelo à rapazinho, a francesa? Capaz de ser isso, o dia da padeira mas que era bem capaz de ter um bigode maior que o de um sargento'. E as meninas, frescas e soltas, a rirem, e eles a pensarem que ainda bem que a entrevista tinha sido para o Fama Show... ufffff.

Ou seja, cá para mim não fazem ideia. Mas nem do significado dos dias, nem de coisa nenhuma.

  

segunda-feira, dezembro 20, 2010

João César das Neves sobre Sócrates, Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva. E o meu presentinho para o Senhor Professor César das Neves: Adão e Eva em versão gay

Num fim-de-semana cinzento e frio, nada melhor que uma ida ao circo.

A cor e a alegria, a música, os risos e palmas das crianças contrastam com as notícias de uma Europa gelada e de um Portugal maçador.

A única coisa que me apraz destacar são as sempre argutas palavras do sempre arguto e muito mediático João César das Neves, economista e professor universitário que, em entrevista ao programa «Gente que Conta», da TSF e do «Diário de Notícias», disse que considera José Sócrates como «um grande político», «um táctico genial» e alertou: «não devemos dá-lo como defunto».

Sobre Pedro Passos Coelho, César das Neves mostra desilusão: «não está a mostrar grande capacidade de inspirar o povo».

Mas as surpresas não se ficam por aqui. É que, ao contrário do que aconteceu anteriormente, desta vez César das Neves não vai apoiar Cavaco Silva nas eleições presidenciais. «Sou muito amigo do professor Cavaco Silva, pessoalmente tenho muito respeito por ele, foi meu professor, trabalhei com ele quatro anos. Mas politicamente desta vez não o apoio. Apoiei-o nas duas candidaturas e fiz parte da comissão. Desta vez não aceitei, e não é por nenhuma contestação pessoal, mas porque a assinatura dele está numa das piores leis contra a família da História de Portugal», referindo-se à promulgação do diploma que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Recorde-se que César das Neves é também membro de várias organizações católicas e os livros de ficção de que é autor têm os seguintes títulos: Crónicas do Céu, Contos de Natal, Parábolas sobre Jesus e O Primeiro Dia.

Eu, que tenho uma mente aberta a todas as crenças, fés e orientações políticas (desde que respeitem a liberdade), não acho nada bem que César das Neves seja tão fundamentalista, castigando Cavaco por causa dos casamentos gays…

E, por isso, aqui lhe deixo, como presente de Natal, a versão gay de O Primeiro Dia.

Merry Christmas, Dr. César das Neves!