Engripada, incomodada, quero lá eu saber se os ministros europeus das finanças, todos reunidos uma vez mais e antes da cimeira de chefes de estado que terá lugar daqui a duas semanas, decidiram avançar para a alavancagem do fundo --- coisa já anunciada há meses e ainda não posta em prática porque a alavancagem é de tal monta que ninguém lá quer pôr o pescoço.
A Itália a soçobrar - o, até há pouco tempo, grande colosso económico e industrial, é agora um gigante que se arrasta, exposto ao gáudio de alguns, dos que tanto vão ganhar. Escuso de vos dizer, meus amigos, que nestas coisas, nada se perde, tudo se transforma. E que, sempre que alguém muito perde, há alguém que muito ganha.
As vozes começam a elevar-se em agonia, 'ai a zona euro a implodir', 'ai a Europa e desfazer-se', e a solução é tão óbvia que espanta como não há um homem ou uma mulher com voz suficiente forte que seja capaz de dar um murro na mesa e dizer que já chega, que mande calar o par de jarras Merkel e Sarkozy, que os mande sentarem-se sossegados, longe um do outro, na última fila, 'shiu que já chateiam, seus estúpidos, caluda', alguém que diga, 'está na hora de as pessoas com tino se chegarem à frente' e correr com esta trupe de gentinha que para aí tem andado a ver se consegue montar o circo e sem competência para o fazer, 'fora, fora daqui, chô, que se cheguem à frente as pessoas de bem, e vamos lá emitir moeda, e vamos lá a olhar para isto com olhos de gente, de gente solidária, democrata, inteligente'.
E por cá, na nossa triste e indigente politiquinha? Bem, já custa - é que até dói. Passos Coelho, mais parece um tonto, menino marrãozinho e algo destituído que segue a burra da Merkel como se fossem ambos inteligentes, o Tozé Seguro com aquele ar de pateta armado em duro, tudo o que diz e faz mais parecendo uma comédia de 5ª categoria, tudo a fingir, pechisbeque, plástico chinês, tudo demasiado mau. Dou por mim a achar acertado o que os do PCP dizem, dou por mim, vejam bem, a ouvir com agrado a Heloísa Apolónia (mas, enfim, ando engripada, quem sabe o vírus não está a fazer das suas...?).
E as vozes que antes tínhamos por algo conservadoras (Jaime Nogueira Pinto, por exemplo) levantam-se e dizem, 'estamos a ser governados por ignorantes' e o rosto demonstra a dor que lhe vai na alma.
Tudo muito mau, muito preocupante. E eu, engripada, não me apetece mais disto, já chega, credo, como chegámos a isto, senhores...?! E só me apetece chá quentinho, palavrinhas amáveis, peace and love, if you please.
E, portanto, vamos mas é dar uma voltinha por aí, que vai ser bom. No fim, ainda volto á conversa para uma despedida especial tendo em conta que amanhã é um dia histórico.
Amor total, diz ela, sonhadora
Fidelidade, diz ele, e mente como todos os sedutores fazem tão bem
Um método perigoso, usam eles, deixando-se enlear nos perigosos caminhos das palavras que tão ardilosamente levam à sedução
(psicanálise, que riscos encerras....)
Eu, que de Freud e Jung aprecio sobretudo o lado inovador e o que se prestam a romances destemperados, sugiro que acabemos o passeio com Alegria, com música, movimento, magia. Cirque du Soleil e o seu espectáculo Alegria, pois claro.
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Boa quarta-feira, minha gente e vamos preparar-nos para gozar em festa o último 1º de Dezembro como dia feriado.
(Será que o Relvas e o seu subordinado Pedrocas fazem ideia ...? Gostava que, à sorrelfa, umas entrevistadoras daquelas 'tipo Fama Show' se aproximassem deles, os mandassem aspirar o hélio de um balão e lhes perguntassem, 'os meninos sabem o que é que se comemora a 1 de Dezembro...?'.
Sempre gostava de ver a cara deles, atrapalhados a olharem um para o outro, vozinha de falsete, a disfarçarem a hesitação como se estivessem apenas armados em engraçadinhos, '1 de Dezembro...? Bem... eu acho que é o dia de S. José... ai não que este é dos civis, .... será o dia do Viriato, aquele que foi de corda ao pescoço entregar-se ao Afonso Henriques? Ai não, que o Afonso Henriques foi antes do Viriato' e o outro, corado, 'Acho que não, acho que tem a ver com a padeira de Aljubarrota, aquela a quem raparam o cabelo e que tinha uma espada muito grande, ou será que essa era a lourinha de cabelo à rapazinho, a francesa? Capaz de ser isso, o dia da padeira mas que era bem capaz de ter um bigode maior que o de um sargento'. E as meninas, frescas e soltas, a rirem, e eles a pensarem que ainda bem que a entrevista tinha sido para o Fama Show... ufffff.
Ou seja, cá para mim não fazem ideia. Mas nem do significado dos dias, nem de coisa nenhuma.