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terça-feira, dezembro 05, 2017

A célebre expedição das cabeleireiras pafinhas ao Everest
que, como é sabido, levou Mário Centeno a presidente do Eurogrupo


Sobre a nomeação de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo e a propósito de certas reacções, podia limitar-me a dizer:


Mas vou dizer algo mais.

Com vossa licença, claro está.

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Quando, há un meses, Schäuble elogiou Mário Centeno fartei-me aqui de rir. Escrevi então O elogio, pela boca de Schäuble, de que Centeno é o Cristiano Ronaldo do Eurofin é a pimenta que faltava no cu de Passos Coelho.


Contudo, no dia seguinte, ao ler a opinião de gente sábia -- desde embaixadores a comentadores com pedigree, passando pela fina flor dos PàFs -- fiquei a achar-me uma eterna ingénua encartada.

Onde eu tinha percebido uma mudança de ventos, estes outros viram gozação -- obviamente o Schäuble está a gozar com o Centeno e só os totós é que acreditam em tamanha patranha, decretaram. Onde eu tinha visto motivo para me rir do Láparo, outros viram razão para se rirem, uma vez mais, do Centeno, esse pobre risonho com carinha de enjeitado.

A minha intuição fazia-me sentir que a Europa estava a querer começar a virar a agulha, rendendo-se à evidência dos factos e predispondo-se a arrepiar caminho depois de uma errática deriva austeritária, pressentindo que ou era isto ou acabaria devorada por dentro, pelo populismo, essa gangrena que se alimenta do descontentamento legítimo mas mal informado. 

Mas, onde eu via isso, outros, os inteligentes, sabiam que não, que a Europa de Schäuble e Dijsselbloem não cedia um milímetro nem descia do seu pedestal dourado para elogiar um pobre patareco vindo dos escafundós, do portugal dos pobrezinhos.

Pensei: que reacção mais naïf a tua, oh UJM, sua santinha desmiolada. Fosses tu mais esperta e terias percebido também que o Schäuble estava a gozar. Para a próxima, benze-te três vezes antes de acreditares no pai natal.

Entretanto, o tempo foi passando.
  • E depois de uma irrisória cruzada pàfienta, em que os direitolas-unidos tentaram derrubar o pobre Centeno com base em inocentes sms, sms essas que o próprio rei do big reality show se sentiu no direito de inspeccionar, 
  • depois do Láparo ir às lágrimas com as intervenções parlamentares do dito ministro-alvo-a-abater, 
  • depois da estonteante Teodora ter botado várias das suas prescientes faladuras ao alertar para os potenciais perigos das contas risonhas do ministro-risonho, 
  • depois da pinókia albuquerca ter demonstrado a sua veia de vendedora de banha da cobra dizendo, com ar doutoral, banalidades de pernas para o ar
  • e da Cristas da coxa grossa ter expelido mais uns quantos dejectos em forma de sound bites
a comunicação social começou a dar, finalmente, algumas tréguas a Centeno. Na verdade, não sabiam por onde pegar.
A dívida a dar sinais de querer baixar, o défice baixinho, baixinho como jamais se esperaria (ler jamé, se faz favor), o desemprego a baixar estupidamente, a confiança a subir... e cada vez menos por onde pegar.


E, na Europa, a possibilidade de Centeno ir para a frente do Eurogrupo ia ganhando terreno.


Mas Portugal não é amigo dos seus. Está na massa do sangue dos portugueses. Não sei se é dor de cotovelo, se é fatalismo. Seja por que for, a verdade é que logo, logo, saltaram as velhas do Restelo. 



Até o omnipresente rei do big reality belém show veio a terreiro dizer que, se a eleição acontecesse mesmo, não se esquecesse o ministro Centeno de fazer o trabalhinho de casa nem de quem é que lhe paga o ordenadinho e coiso e tal -- e que não viesse alguém dizer que ele, a omnipresente Voz, não tinha alertado.


E os das so called esquerdas-unidas também saltaram a pés juntos -- que não fosse o zé povo acreditar que ir o Centeno para a frente do Eurogrupo ia ser boa coisa, que não ia, que aquilo lá quer-se é nas mãos dos mais estafermos de entre os estafermos para haver quem corporize o mal dos males e eles, os das esquerdas-unidas, terem a quem apontar o dedo. 

E os mais catastrofistas, de cabeça perdida, já falavam como se ele, Centeno-o-risonho, caso fosse eleito, se preparasse para  largar o ministério das finanças português, não passando, pois, do novo durão, a alforreca nº 2. 


Mas, enfim, o caminho faz-se caminhando e o impensável aconteceu. 
Claro que, colateralmente, foi-nos dado observar o costume: o pequeno Cambalhotas fez mais um flic-flac à rectaguarda, os comentadores avençados afinal sempre acreditaram e sempre souberam que sim e já todos conhecem a história de trás para a frente. Os avençados têm que continuar a ganhar o deles. Fazer o quê?

Mário Centeno foi eleito e vai ser o próximo presidente do Eurogrupo. E eu, a simplória de sempre, apenas posso dar-lhe os meus parabéns, desejar-lhe boa sorte e esperar que aguente as pressões e os trabalhos acrescidos e que se aguente igual ao que é, simples, lúcido, equilibrado. E fiel ao seu ideário. Será bom para a Europa e, claro, também para Portugal. Não tenho reservas. Ter Mário Centeno à frente do Eurogrupo é melhor que ter o Dijsselbloem ou qualquer outro da mesma linha. Centeno, ao longo da sua vida profissional tem sabido provar -- e é isso que espero que continue a acontecer.



Enquanto isso, Costa soma e segue. Inteligente e determinado como poucos, pode faltar-lhe alguma queda para os perdoa-me e para os beijinhos, abracinhos e selfies mas parece decidido a continuar a mostrar à Europa que há uma alternativa à austeridade-custe-o-que-custar. E isso é bom. 

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Portanto, quase a terminar, aos incrédulos, aos cépticos, aos catastrofistas, aos velhos do restelo e a tuti quanti só tenho a dizer:


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E aos Pàfs, ex-PàFs e candidatos a PàFs que acham que a eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo se deve também ao lindo trabalhinho que Passos Coelho, o ex-irrevogável Portas, a Pinókia, a Cristas da Coxa Grossa e restante trupe fizeram antes, o que tenho a dizer é que só me fazem a lembrar a expedição de cabeleireiras ao Everest. É ver.


Monty Python e a expedição de cabeleireiras ao Everest



Muito boas, as meninas pafinhas...

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E um dia muito feliz a todos quantos por aqui passam.

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terça-feira, julho 15, 2014

O que vai acontecer a Ricardo Salgado e outros que, à frente do BES, usaram o dinheiro dos depositantes e dos investidores como se este lhes pertencesse e dele pudessem fazer o que lhes apetecesse? E qual o valor das inspecções das troikas, reguladores e demais auditores que nunca dão por nada? E o que vão o Governo e o BdP fazer para evitar uma derrocada sistémica,' agora que tudo arde'? Perguntas simples numa noite de verão. Fazem coro comigo: Craig-James Moncur, Carlos Paz e Viriato Soromenho Marques. E, para me ajudar no tema que se fala, o da Reestruturação da Dívida, trago os especialistas da Porta dos Fundos.







Já aqui falei disto: os empresários portugueses, os ditos grandes empresários, os happy few, construíram os seus impérios em cima de nada, isto é, de dívida. Não os construíram sozinhos porque não têm arte suficiente para isso. Têm, sim, um pressuposto em mente: não investir o seu próprio dinheiro nos seus negócios. E têm, depois, um batalhão de juristas, fiscalistas, auditores, consultores, experts de toda a espécie a trabalhar para si. Corrijo: não para si mas para as suas empresas pois são as empresas que os pagam. As empresas têm que pagar tudo, tudo. Não eles.

São criadas sociedades que detêm participações noutras sociedades, que detêm outras sociedades e mais outras e mais outras e por aí fora e há sociedades onde são parqueadas dívidas, outras que são veículos, outras que são instrumentais. Há consolidações para obter benefícios fiscais, há artifícios, há muito por onde fazer rodar as verbas. Tudo dentro do que é lícito, jogando nos interstícios da licitude. 

É sabido que as leis são estudadas e validadas por assessores e por grupos de trabalho por onde circulam deputados, ex-deputados, membros de escritórios de advogados, empresas de consultoria e auditoria, tudo na maior promiscuidade. O que se passa nos lugares onde tudo se passa,  não é percebido pelos olhos inocentes de quem julga decidir alguma coisa, os eleitores.

Mais: as universidades e institutos mais prestigiados a nível de gestão financeira e de negócios ensinam isto mesmo. Católica, INSEAD, por exemplo. 



Já aqui o disse e sei que me estou a repetir mas gostava que não se esquecessem que se ensina (ou ensinava-se até há muito pouco tempo) nestas grandes escolas que gerir bem é gerir para o accionista e que gerir para o accionista é criar valor para o accionista e que, para isso, bom, bom é a alavancagem financeira. Ou seja: usar um mínimo de capitais próprios, ou seja: um máximo de empréstimos financeiros. Quanto mais juros se pagam, maiores são os custos, e se maiores são os custos, menores os lucros brutos e, portanto, menos os impostos que se pagam e melhores são os lucros líquidos (e a isto, entre outras habilidades, se chama optimização fiscal). E, desta forma, investindo capital alheio, escusa mexer-se no capital próprio. Ou seja, os accionistas escusam de lá meter dinheiro. Pagam-se os investimentos com o pêlo do cão (expressão usada para designar que quem paga o investimento é a própria empresa, não o dono da empresa). Podem comprar-se empresas atrás de empresas, fazer investimentos de toda a ordem, sem lá meter um chavo.

Os bancos emprestam.

Qual a garantia que os bancos têm de que os empréstimos são pagos? A garantia, na maior parte das vezes, é a própria empresa, seja através de acções, seja através dos bens ou serviços adquiridos com o empréstimo.

E se o investimento for um fiasco e a empresa não o puder pagar? Nada a saber: dão-se ao banco acções da empresa ou o que se adquiriu com o dinheiro do empréstimo. 

E se as acções valerem zero e o que se comprou valer ainda menos? Azar. Azar para o banco, claro.

[É aquela velha máxima: se eu dever um milhar, o problema é meu; se eu dever um milhão, o problema é do banco]

Claro que para prevenir situações como as descritas, que assentem em garantias precárias, em que há mais do que possíveis riscos, em especial os sistémicos, e para garantir a solidez do sistema bancário, existem os reguladores, os auditores, os agentes responsáveis por fazer testes de stress, por validar contas e rácios de solvabilidade e outros, por atestar o merecimento da confiança. Contudo, estranhamente, como sempre que rebenta uma bronca, verifica-se que falharam todos. Todos. Ninguém percebeu, ninguém viu, ninguém agiu. Uma vergonha. Incompetência, conluio, interesses, cortesia, solidariedade de casta, cobardia? Não sei. Não consigo explicar uma coisa destas.


O que acima descrevi, os empréstimos dados sem garantias reais ou as verbas aplicadas em produtos de risco, foi, mais coisa menos coisa, o que aconteceu ao BCP, por exemplo. É isto que agora está a acontecer às sociedades financeiras do GES e é por isso que o BES vai ter que reconhecer milhares de milhões de dívida incobrável pois financiou toda a espécie de sociedades insolventes do GES, ou não se sabe o quê (por exemplo, em Angola, parece que se perdeu o rasto a milhões e milhões que foram emprestadadas não se sabe a quem nem a troco de quê - embora se desconfie).


Ouço agora os papagaios do costume a dizerem, convictamente como sempre, que isto não é o BPN e a SLN, que esses eram um caso de polícia. Do que tenho lido e ouvido, não sei se há diferenças. Aliás, sei: o BES é muito maior, as implicações muito maiores, o rombo global muito mais difícil de quantificar. Quanto ao resto, alguém terá que me explicar - mas muito devagarinho a ver se eu consigo perceber.

Mas o BES não emprestou apenas dinheiro a rodos e sem garantias reais a empresas da família, isto é do universo GES. Ouço que enfiou milhões nos clubes de futebol e que, por isso, já se estará a assistir a uma venda apressada de jogadores. Não sei. E não tenho dúvidas que o BES enfiou rios de dinheiro em tudo o que é grande e média empresa, grande parte das quais vivem também em cima de dívida - e que, se se virem obrigadas a pagar de súbito o que devem, vão para o buraco em três tempos. É que nem duvidem.


Nunca tivemos economia a sério nem uma verdadeira política de desenvolvimento económico. A infância da democracia e o servilismo deslumbrado de uma classe política pouco culta deu nisto. 

Saímos de um proteccionismo caduco e em grande parte falido (antes do 25 de Abril) para um período de euforia despesista, gerida por gente que não estava preparada para isto. Já aqui o disse muitas vezes: penso que o período mais nefasto para o País neste pós 25 de Abril foi o período cavaquista. 

A troco de fundos e subsídios, Cavaco Silva aceitou acabar com o que restava de tecido económico português e inviabilizou o que podia nascer e prosperar sustentadamente. Fechar a indústria, acabar com a frota pesqueira, pôr os campos agrícolas em regime de set aside foi do mais nefasto que se poderia desejar para um país que dava os primeiros passos no percurso da democracia e do desenvolvimento moderno.

Não se fazem políticos como se saíssem de brinde da farinha Amparo. Gente das jotas, amigos de amigos de amigos, ex-autarcas, funcionários de bancos alcandorados a experts dentro dos partidos, advogados ao serviço e avençados de toda a espécie - tudo farinha do mesmo saco. Espertismo em vez de cultura política.

Há que ter maturidade, sentido de estado, cultura, competência, experiência - e a clique cavaquista e quase tudo o que se lhe seguiu foi de meter dó.

A nata portuguesa tem pouco de verdadeira crème de la crème. Políticos, banqueiros, autarcas, pseudo-empresários, jornalistas: um caldo que tem ajudado a perpetuar esta indigência e a manipular um povo genericamente envelhecido, inculto, com pouco mundo.

A euforia pós-euro fez o resto: crédito a preço de uva mijona, um incentivo permanente ao consumo para que os país pobres e desindustrializados consumissem os excedentes dos países desenvolvidos. As directrizes europeias quando rebentou a crise financeira foram no mesmo sentido: prego a fundo no investimento. E haja financiamento bancário.

Deu no que deu.

Depois, quando se assustaram com o ataque dos abutres especuladores, foi o que se viu: travão a fundo, doa a quem doer. Tiraram o tapete à bruta, e que se lixem os que estavam em cima. Um trambolhão é um dano colateral até muito brando, há coisas piores, então há? Até porque os desgraçados aguentam tudo, ai aguentam, aguentam, já lá dizia o outro.

E assim estamos. Mais pobres, espoliados, entregues à bicharada. Sem governantes capazes, sem reguladores eficientes, sem políticos experientes e responsáveis, com uma múmia em Belém.


No meio disto, a família Espírito Santo parece ser carta fora do baralho do poder económico português (e espero bem que a justiça perceba que tem uma palavra a dizer) mas o rombo nas economias de muitas famílias vai fazer-se sentir por muito tempo e vamos ver se o BdP e o Governo têm a maturidade suficiente para fazer o que deve ser feito mesmo que momentaneamente impopular. 

É indispensável colocar um travão na desconfiança e no temor, há que ter sangue frio e, se necessário for, há que ser capaz de intervir (seja por injecção do fundo que estava reservado a isso, seja de que forma for). A não ser assim, pode assistir-se a uma queda em dominó, de consequências imprevisíveis. Os portugueses não merecem ser ainda mais saqueados por quem não tem um pingo de vergonha. Para proteger os povos existem o Estado e as suas instituições.





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Permito-me ainda recomendar-vos algumas coisas que achei importantes e que descobri por aí.


1. Do sempre oportuno e acutilante blogue Bons tempos hein?!: 'The banker', magnífico.



"O Banqueiro" poema de Craig-James Moncur, dito por Mike Daviot.



2. Do blogue Aventar, A história do banco do meu avô, da autoria de Carlos Paz. Muito bem descrito.


Transcrevo apenas a parte final mas digo-vos que acho que deve ser lido na íntegra:

Fui falar com os novos políticos com uma proposta: reformo-me, dou lugares de Administração a uma série de políticos do partido do Governo e eles que resolvam o problema do Banco do meu avô.
Continuemos a IMAGINAR coisas…
Os políticos aceitaram a minha proposta (aceitam sempre que se fala de lugares de Administração). 
Finalmente reformei-me. Ainda somos donos de 5% do Banco do meu avô e de uma série de outros negócios (sustentados pelas dívidas ao Banco do meu avô).
Tudo isto sem termos gasto um tostão (o dinheiro da família continua todo guardado na América do Sul).
E, tomei a última medida antes de me reformar: atribuí a mim próprio uma reforma de um milhão de euros por ano (para as despesas correntes).
E, assim, acabou a história IMAGINADA do Banco do meu avô.
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Se alguém teve a paciência de ler este texto até ao fim, deixo uma pergunta: Se esta história em vez de ser IMAGINADA, fosse verdadeira, que fariam ao neto?


3. Do Diário de Notícias, mais uma excelente crónica de Viriato Soromenho Marques, Tragédias antigas e modernas


Transcrevo também apenas a parte final mas, como em todos os textos de Viriato Soromenho Marques, todas as palavras contam:

Se Aristóteles contemplasse a moderna tragédia sistémica do mundo financeiro, do Lehman Brothers ao GES/BES, ficaria emudecido. Os personagens que causam a catástrofe não são nobres. São, na verdade, gente grotescamente banal. No lugar de uma consciência moral, muitos possuem uma vertigem narcísica que tudo absorve (por exemplo, o "livro" de João Rendeiro, do falido BPP, tem a profundidade de uma tábua rasa). Depois, os seus actos de mentira, logro, ocultação, são mera predação desprovida de grandeza, causando dano apenas aos outros. Indivíduos e povos inteiros. Desde 2008, foram afectadas centenas de milhões de pessoas, pela desmesura de algumas centenas de figurões do sistema financeiro mundial. Dezenas de milhões perderam os seus empregos, e viram a sua integridade física e psicológica molestada. Por último, não houve qualquer catarse. Estas criaturas menores compraram imunidade total, porque têm entre os seus activos as leis e os governos que os poderiam levar a juízo. Assistem, no conforto protegido das suas "salas de pânico", ao puro terror que semearam pelo mundo, como Nero assistiu ao incêndio de Roma. É uma tragédia moderna. Um espectáculo vil. Uma miséria sem conceito.


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Bom. Não posso despedir-me assim, no meio de tanta agrura. 

Por isso, bora aí  minha gente, vamo falar de renegociação de dívida, valeu? 

Bem, galera, no que toca a dívida eu sou toda a favor mas, olha aí, eu tenho meu limite, viu? P'ra começar não vou levantar o bum bum da cadeira até esse troço aí da dívida estar todo renegociado, viu? E, memo assim, vou sair às arrecuas, ouviu aí, seu moço?



O BANCO - Porta dos Fundos


Transcrevo do Youtube:

Bancos são cruéis. Eles aparecem na sua vida, prometem mundos e fundos, te f@#$% gostoso, nunca mais te ligam e quando você vai reclamar, aparecem com uma historinha nova e te f@#$% gostoso de novo.


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Para verem como sou cabeça no ar. Nesta noite quente, com o rio banhado por um luar de encantar, vinha para aqui com vontade de escrever sobre palavras aladas; mas ouvi as últimas sobre o BES e não resisti. É esta driving force que parece que me puxa para a chungaria, senhores, que castigo. Com tanta coisa boa para falar e logo fui falar desta gente que vive acima das nossas possibilidades, que suga o sangue e o suor sem olhar a quem. 

É preciso cortar o ordenado aos pobrezinhos para que tenham menos força para protestar, é preciso acabar de vez com os direitos laborais para que mais facilmente possam ser postos no olho da rua com uma à frente e outra atrás, é preciso acabar com as escolas no interior, com a investigação, com a saúde pública. Dizem-nos a toda a hora.

Para quê? Ainda não se percebeu mas o que vemos todos os dias é para onde vão os milhões e milhões que são sugados à população em geral: para o cano, isto é, para o bolso de corruptos, de gente que vive à margem da lei, bandidos de punhos de renda. Que sina esta, credo.

A ver se amanhã a coisa começa a entrar nos eixos para o País sossegar, que bem merece, e para ver se me posso dedicar à reinação ou à efabulação.

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E, assim sendo, vou-me deitar que já se faz tarde. Incapaz de reler dado o adiantado da hora e o tamanho do lençol que daqui saíu, só espero que não haja gralhas indecorosas. Se as houver, por favor, sejam indulgentes, está bem...?

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça feira. 
Saúde e sorte é o que vos desejo - no mínimo.


domingo, março 23, 2014

'Silêncio que se vai pagar a dívida. Chiu...', escreve Pedro Santos Guerreiro. 'Um Estado Imoral', diz Maria Filomena Mónica. 'Portugal desceu de divisão', explica José Félix Ribeiro. [Apesar de algumas nulidades que lá escrevem, o Expresso ainda nos dá a ler coisas interessantes]


Os temas que aqui vos trago não serão do mais sexy que há, eu sei. Um domingo à noite pede mais do que dívidas imensas, impossíveis de pagar durante o tempo que dura uma vida, pede mais do que falar de um Estado imoral ou de um País que desceu de divisão e que não se respeita.

Mas, para que aqui fiquem registados alguns gritos de alma, faço questão de deles me fazer eco. São textos acutilantes, sérios, preocupados com a realidade que nos cerca. Lê-los ajuda-nos a perceber o que se passa e é uma forma de sentirmos que ainda há quem conserve a faculdade de ver as coisas com limpidez e o dever de cidadania de as divulgar.

No entanto, acredito que a alguns de vós apeteça mais um acorde, um cesto de cores, um perfume no ar. Por isso, para tentar que não se afastem já do texto, introduzo aqui o Martial Solal Trio, uma beleza.

E, vejam só, para tentar oferecer-vos a tal cor e, também, para enfeitar o texto (e desculpem-me a piroseira da palavra 'enfeitar' mas acho que as palavras ganham outra força se houver junto a elas um sopro de oxigénio - é sabido que o oxigénio favorece a combustão), acompanho-as com fotografias que fiz há pouco, in heaven.

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The Last Time I Saw Paris - Body & Soul - Begin the Beguine





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Somos o sexto país do mundo com maior peso de dívida mo PIB e temos dos mais medíocres registos de crescimento económico. O problema é que nem que a UE nos perdoasse os quase 50 mil milhões de euros que nos emprestou (o resto veio do FMI) ficaríamos tranquilos. Os termos da nossa equação ainda não mudaram. Temos saldo primário dependente de cortes de salários e pensões, não de uma transformação do Estado.

Chiu?

Pois é, chiu. O chinfrim sobre a dívida pública deixa sempre de fora o endividamento privado: são 280 mil milhões de euros e, lamento dizê-lo, também não serão pagos na totalidade.

Há plano para a dívida pública mas não para a privada. Talvez o Estado se financie às taxas anteriores à crise. Mas uma PME paga 6,5% por um empréstimo, quase o dobro do que paga uma concorrente alemã. Para compensar o sobrecusto do capital (e, já agora, da energia), as empresas cortam... salários.

Chiu? Mesmo?


Excertos de 'Silêncio que se vai pagar a dívida' do lúcido e honesto Pedro Santos Guerreiro (tomara que assim se mantenha; lê-lo é um sopro de ar fresco)



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O Presidente da República acaba de aprovar o orçamento rectificativo de 2014, que inclui, entre outras coisas, novos cortes das reformas. 

E que vejo eu?

O Governo entrega dinheiros públicos a escolas privadas, o serviço nacional de saúde corre o risco de perder qualidade e os tribunais deixam prescrever processos de gente tão poderosa quanto os administradores do BPN, do BPP e do BCP. Mais: a fim de salvar as chafaricas que dirigiam, o Estado já gastou cinco mil milhões de euros com aqueles patriotas: para nós, os velhos, não há dinheiro, mas ele existe para Oliveira Costa, João Rendeiro , Jardim Gonçalves & associados.

Por natureza frugal, a reforma dava-me para viver. Pensei que se manteria igual até à minha morte. Afinal, o Estado dera-me a sua palavra de honra, não dera?

Enganava-me.

Dou um salto até Espanha, um país governado por gente com quem não tenho afinidades, mas que trata os seus cidadãos melhor do que Portugal.

A minha irmã Isabel vive ali há cinquenta anos Eis o início da carta que, a 3 de Janeiro deste ano, recebeu:

"Estimado/a Pensionista: 

Após um ano, de novo entro em contacto consigo para lhe dar informações sobre a revalorização da sua pensão durante o ano fiscal de 2014. A 1 de Janeiro, a sua pensão aumentou 0,25%. Quero ainda informar que entrou em vigor uma nova fórmula de revalorização das pensões e subsídios do sistema público da Segurança Social, que garanta que as pensões subirão todos os anos seja qual for a situação económica e que nunca serão congeladas".

Assina Fátima Báñez Garcia, Ministra del Empleo y de Seguridad Social.

No que me respeita, tudo quanto recebo são papeluchos da Caixa Geral de Aposentações, onde, em várias colunas, aparecem 'abonos' e 'descontos'.

Continuando a olhar para os números, verifiquei que metade da minha reforma reentra imediatamente nos cofres públicos e que, desde 2007, o corte fora, em termos líquidos anuais, de 30%.

Há tempos, o primeiro-ministro declarou que afinal os cortes 'provisórios' eram 'definitivos'. Alguém protestou? Não. Portugal é um país de mortos.


In 'Um estado imoral' de Maria Filomena Mónica (excertos)



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Como se enfrentam todos estes desafios com a perspectiva de ter 20 ou 30 anos de austeridade?

Acho uma loucura dizer que vamos ter 20 anos de austeridade. (...) O euro foi criado com características que não o preparavam para ser uma moeda internacional em turbulência. As pessoas pensavam que era um avião mas era um planador.

Fomos apanhados na tempestade?

Quando os mercados perceberam que era um planador, começaram a disparar para a parte mais frágil que éramos nós e os gregos. Durante um ano e meio aguentámos os tiros. Além disso, quando houve a crise de 2008 do Lehman Brothers a ordem de Bruxelas foi para fazer despesa à vontade.

Mas nós fomos longe de mais.

Com uma ordem vinda de cima. Depois, de repente, as mesmas pessoas vêm dizer para pôr tudo em ordem em três anos. Há de haver um momento para ajustar contas com a europa.

Diz que Portugal só será um país periférico se continuar centrado na Europa. Devemos mudar o foco?

A crise do euro está a mudar a Europa. A Alemanha não tem nem condições económicas para gerir o euro nem condições políticas para liderar a Europa. Faz algum sentido o primeiro-ministro português ir saber o futuro pós-troika a Berlim e não a Bruxelas?


In 'Portugal desceu de divisão', excerto da entrevista de João Silvestre e Pedro Lima a José Félix Ribeiro, economista e ex-director do Departamento de Prospetiva e Planeamento.



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Os textos em itálico são excertos de artigos publicados no Expresso de dia 22 de Março de 2013.

O Martial Solal Trio é composto por:  Martial Solal - piano; François Moutin - baixo; Louis Moutin - bateria

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terça-feira, fevereiro 04, 2014

Lovely Lídia e os significados


Desde que:

  • a memória de um amor foi definida "a cristalização do sentimento", 
  • e a pontualidade "um furto feito ao tempo", 
  • a arte "uma doença",
  • o amor "uma ilusão", 
  • a mulher "uma esfinge sem segredos", 

tornou-se um exercício escolar definir:

  • o amor "o contacto entre duas epidermes", 
  • a cólera  "uma descarga adrenalinica"; 
  • a vida "um passeio para o cancro"; 
  • o pranto, "uma solução de água e cloreto de sódio; 
  • a dança "uma ginástica do adultério; 
  • o beijo," uma troca de bacilos"; 
  • o Jornalista "uma consciência alugada"; 
  • os negócios "o dinheiro dos outros"; 

  • a guerra "um jogo entre o dollar, a libra e o Euro, ou seja "o mais belo match nulo deste século"



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[Recebido por mail da Leitora Lídia Drummond, a Crazy Blondie]

quinta-feira, junho 13, 2013

Andam piratas à solta na Europa. E a Comissão Europeia faz o quê? O que é que lá está o Durão Barroso a fazer? Razão tem a bela Rachida Dati quando, sem papas na língua, diz: ""O senhor Barroso deve ir-se embora, e depressa. A sua falta de coragem e a sua ineficácia prejudicaram decididamente muito os europeus". Nem mais.


No post a seguir a este falo do discurso, das entrevistas e das conferências de imprensa de Cavaco Silva lá pelas instâncias europeias e espanto-me perante a bipolaridade que o atacou (a ele e, de certa forma, a alguns outros).

Mas, agora, aqui, a conversa é outra. 


Europa, para que te quero?




Todos os dias assistimos por essa Europa rastejante a atentados contra os direitos dos cidadãos, atentados contra o desenvolvimento dos países, atentados contra a dignidade das pessoas. Dá ideia que estamos entregues a nós próprios, somos os cegos desesperados e solitários que andam pelas ruas a tentar sobreviver. 




Parece que, acima de nós, ninguém zela para que não morramos como cães famintos. Onde estão os órgãos europeus que deveriam zelar por que países sem moeda própria, e que, tendo seguido políticas europeias, se encontram desindustrializados, sem agricultura, sem pescas, indefesos?

Vários países já caíram às mãos dos especuladores financeiros perante uma Europa embasbacada. 

Há leis da física que não devem ser esquecidas. Uma delas é que nada se perde, tudo se transforma. Quando há países que muito perdem, há outros que muito ganham. Sempre que um país europeu bate no fundo, há gente que enche os bolsos. Quando agora Portugal agoniza, somando dívida à dívida, há gente a ganhar muito com taxas de juro altas, como não há noutros sítios.

Não era para evitar que os seus países fossem carniça para abutres e outros necrófagos que era suposto haver uma Comissão Europeia e um Banco Central Europeu?

Pois. Mas não é isso que acontece.

Passivamente, como chernes, como mulas, ali estão eles: assistem a que as maiores empresas públicas dos países em apuros e entregues a fracas figuras sejam vendidas a empresas estatais não europeias (erro estratégico de uma gravidade brutal), assistem a que se exporte capital humano e conhecimento para onde calha, deixando os sistemas de segurança social insustentáveis e o progresso ameaçado, deixam que se aumentem horários de trabalho numa altura em que os países vivem sob a tormenta do desemprego, deixam tudo, tudo, tudo.

Anos e anos de uma longa caminhada no sentido do desenvolvimento são, assim, aniquilados. 

O que aconteceu na Grécia com o fecho da televisão e da rádio públicas foi apenas mais um episódio. Como um bando de piratas, com antecedência de horas, sem mais, assim de súbito, o governo decretou o fecho das estações. Diz a Comissão Europeia que foi obra do Governo de Atenas. O Governo diz que cumpriu determinações da Troika. Não quero saber. O que sei é que é impensável, inaceitável. Um Governo que faz isto deveria levar uma desanda, mas uma desanda valente, deveria ser obrigado a reverter imediatamente uma decisão destas. Actos de pirataria deveriam ser punidos mas punidos de imediato. Na Europa dos tempos presentes já não deveria haver lugar para piratas. Não é admissível que, em pleno século XXI, se façam coisas destas, verdadeiros atentados contra as instituições e as pessoas.

De cada vez que num país se vai cedendo, acedendo, baixando as calças, mais e mais e mais vai acontecendo. Sempre assim foi, sempre assim será.

Nesta Europa assimétrica, desintegrada, um bando de acéfalos assiste a tudo sem um pio. Ou, se piam, piam baixinho, desencontrados, meses ou anos depois. Pobres criaturas temerosas, cobardes, sem voz. 





A Alemanha avança mas avança não apenas por mérito próprio mas também pela demissão dos que se baixam para que ela os cavalgue.

É certo que começam a ouvir-se vozes contra os que bovina e cobardemente pastam deixando que a Europa se desagregue, empobreça, retroceda.

Curiosamente foi da boca de uma mulher e de uma mulher da ala conservadora que veio um ataque directo.




A ex-ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, exigiu a demissão do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, acusando-o de "ineficácia" e de se "curvar" perante os Estados Unidos.


"O senhor Barroso deve ir-se embora, e depressa. A sua falta de coragem e a sua ineficácia prejudicaram decididamente muito os europeus", afirmou em comunicado a deputada europeia do PPE (Partido Popular Europeu, centro-direita).

A ministra do executivo de Sarkozy condenou a intenção de Barroso de querer negociar, em prejuízo, na sua opinião, da defesa da exceção cultural europeia, um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

"Para que serve a Comissão Europeia se, por medo dos seus parceiros comerciais, ela se recusa a defender os europeus e tudo o que constitui a nossa especificidade? O senhor Barroso está a curvar-se perante os Estados Unidos antes mesmo de as negociações começarem", sustentou.

Referindo-se ao encerramento das estações públicas gregas de rádio e televisão ERT, Rachida Dato considerou que se trata de "um símbolo trágico do fracasso da Europa em proteger o povo grego".


"Se a Grécia está num tal estado atualmente, a Europa não está isenta de responsabilidades", observou.




E não é apenas perante os EUA que Durão Barroso se curva: curvou-se perante Bush, curva-se perante Obama, agacha-se de rabo entre as pernas perante Angela Merkel, fecha os olhos e assobia para o lado perante tudo. Um desastre.

É de gente desta que as instâncias europeias estão cheias, gente que nada faz, que se empatam uns aos outros. Enquanto a democracia é avistada, a economia destruída e a independência soberana é ameaçada, esta gente acomoda-se nos gabinetes e amealha um bom pé de meia. E nada mais.


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A pintura relativa à Parábola dos Cegos é de Pieter Brueghel (ou Bruegel?)

As inspiradas imagens que resultam de montagem provêm do espantoso blogue We have Kaos in the Garden.

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E já sabem: se quiserem seguir para o comportamento de Cavaco Silva na Europa, é já a seguir.

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Acho que ainda cá volto. Queria falar sobre a espertalhice do Crato, desafiando os professores e querendo virar a população toda contra eles, mas acho que fica para amanhã. Seria longo e já é muito tarde.

terça-feira, março 19, 2013

Parlamento do Chipre chumba estrondosamente a estúpida proposta da taxação dos depósitos aprovada pelos estúpidos do Eurogrupo - e, desta forma, os deputados fizeram um rotundo manguito a estes estúpidos que acham que têm o direito de estragar a vida das pessoas. Ora tomem!


Zé Povinho. A democracia a funcionar no Chipre



Nenhum deputado votou a favor, registaram-se 36 votos contra e 19 abstenções.

Entretanto, o BCE volta a afirmar-se como uma das poucas instituições que - apesar de tudo - ainda manifesta algum bom senso, garantindo já que não faltará liquidez ao Chipre.

Mas este episódio patético só vem demonstrar que alguma disrupção vai ter que acontecer pois não é possível que tantas nações estejam dependentes das decisões de gente tão estúpida, tão, tão estúpida, tão bronca. Analfabetos, cretinos.

Não ocorreu a nenhum daqueles 17 anormais que uma medida como a que pariram e votaram por unanimidade, de irem sacar dinheiro às poupanças, ia causar o pânico no sistema financeiro?!

Valham-nos todos os santos.

Mas, enfim, depois desta chapelada dos deputados cipriotas talvez parem para pensar. Seja como for, todo o sistema político tem que ser repensado pois não é possível, não é possível!, que possamos estar à mercê de anormais deste calibre.

Em alternativa, com mais umas quantas deste género, há que pensar seriamente se não devemos sair do euro. Entre uma travessia no deserto ou termos que aturar atentados deste género e termos que aceitar que as nossas vidas sejam estragadas por decisões tomadas por analfabetos, estúpidos e sacanas acho que mais vale uma travessia no deserto, de cabeça erguida.