Mostrar mensagens com a etiqueta Porchat. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porchat. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, julho 18, 2024

O estado da nação aqui por casa
(aqui por casa e não só...)

 

Pois é. Continuo cheia de afazeres e, em todo o lado, a ter que esperar horas para ser atendida. Chego a um sítio e está um cliente com um funcionário em cada balcão ou secretária. E assim ficam, os mesmos, por mais de meia hora, se não mesmo uma hora. Não sei se as pessoas andam carentes e vão confraternizar para os espaços de atendimento ao público. Fico possessa, apetece-me ir mandar vir, insultar, desafiar as pessoas a irem conversar para outra banda. Depois respiro fundo, interiorizo que não ganho nada em estar enervada, forço-me a ser zen. O tempo passa, ninguém se despacha, sinto-me a desesperar e eu nada, caladinha. Por vezes penso que, em situações assim, seria normal que alguém se passasse, desatasse aos berros, aos pontapés, puxasse pelos cabelos os clientes que se sentam a conversar na maior das calmas. Avalio se poderia acontecer isso comigo. Concluo que não, sou demasiado atada para dar escândalo, não tenho voz para gritar de forma que imponha respeito. Ainda me saía um gritinho de falsete que pusesse toda a malta a rir à gargalhada.

Hoje, antes de mim, entrou  uma figura. Primeiro estive sem perceber se era um binário ou uma não-binária. Não estou a gozar, estou a falar a sério. O ser estava vestido de uma forma bizarra. Tudo em branco, uns calções largos abaixo do joelho, uma blusa branca, larga, de alças, com uma abertura nas costas e com um capuz. E um penteado que não dá para acreditar, empeçado, ripado, uma ponta para cima, outra para baixo, outras para o lado, cada ponta de seu tamanho, e como se contivesse carradas de laca ou, então, sujidade. Quando se virou, pareceu-me que seria um homem novo ou, então, uma mulher jovem em processo de transição. Ou vice-versa. Ou poderia não ser nada disso e estar simplesmente maquilhad@ ou, então, nem sei bem dizer. Uma figura que, vistas bem as coisas, até tinha a sua graça. E tinha uma argola no nariz e piercings variados numa das orelhas. E por todos os braços, costas, peito e pescoço, tatuagens de monstros, caras assustadoras como se a gritar, de boca aberta, algumas com sangue a escorrer dos dentes. Quando ficou, de novo, de costas para mim vi que tinha tatuada no pescoço a palavra humanoid. Tinha um ar infeliz. Fiquei intrigada. O que estava aquele ser a fazer ali? Claro que não se pode concluir nada pela aparência mas, fazer o quê?, uma pessoa, mesmo sem querer, tem preconceitos. Quando se virou de novo, fiquei com a impressão que é alguém conhecido aí do mundo artístico. Ou, quiçá, do mundo dos influencers. 

Quando chegou a vez, dele temi que fosse uma alma atormentada à procura de amparo e que tão cedo não desamparasse dali. Afinal não, nem um minuto, pelos vistos tinha ido ali ao engano. Lá se foi, cabeça baixa. 

Mas com isto e com aquilo, a verdade é que, nos últimos três dias, tenho saído de casa de manhã, regresso de tarde, e hoje, como havia outros compromissos, ainda foi pior. Eram para aí umas oito e tal, talvez nove da noite, enfiei-me na banheira para um duche a pensar que estava mesmo a precisar de me refrescar e de me sentar a descansar. Eis senão quando o meu marido apareceu à porta a perguntar se íamos fazer uma caminhada. A minha vontade foi dizer que nem pensar, que não conseguia. Mas depois lembrei-me que ainda não tinha andado, que se calhar até me saberia bem caminhar ao lusco-fusco. 

E assim foi. Soube-me bem, sim senhores.

Conclusão: jantei às dez da noite. E, para vossa informação, o meu jantar foi:

Salada de alface, cenoura ralada, um pêssego cortado aos bocadinhos, sementes daquelas que se compram para saladas, queijo fresco de cabra, tudo temperado com orégãos e com azeite. E fiquei bem. Para sobremesa, um pequeno quadrado de chocolate preto.

Portanto, como poderão compreender, não tenho nada a dizer sobre o Montenegro, sobre o Estado da Nação, sobre a legionella que se alojou na Presidência ou sobre a covid que veio atrapalhar ainda mais o Biden. E não tenho nada a dizer simplesmente porque não tenho informação, só tenho sono.

_____________________________________________

E como, uma vez mais, o post padece desta pobreza franciscana, para tentar que não vão daqui com vontade de reclamar o preço do bilhete, partilho uma conversa que tem bolinha no canto não porque o tema seja cabeludo mas porque aquele ali não levou pimenta na língua quando era pequeno.

Mas, agora que escrevi que o tema não é cabeludo, estou aqui a pensar que é cabeludo, sim. Aliás é, até, chifrudo. 

Vade retro Satana.

Antonio Tabet tentou SALVAR a Jéssica na entrevista de emprego! 
| Que História É Essa, Porchat?| GNT


___________________________________

Dias felizes

quarta-feira, maio 22, 2024

Trans

 

Nisto, só de falar em brasileiro já leva vantagem. Gosto.

Quase percebo porque é que nos concursos literários em Portugal praticamente só ganham brasileiros. Por um lado é certo que, a este nível, em Portugal somos uns perna-abertas. Para concorrer basta escrever em português. Nos outros países geralmente os concursos pedem que as pessoas sejam naturais do país do concurso. Aqui não. E depois há o lado económico: o mercado dos outros países, nomeadamente o brasileiro é de milhões. Aqui, neste rectângulozito que, a este nível, pouco mais é que uma baiuca, as vendas de livros não dão nem para aquecer quando comparadas com as dos outros. Portanto, percebe-se. E depois há isto: os brasucas têm uma graça, uma energia, um bom humor que a gente se ri só da forma sambada como falam e, mesmo sem querer, achega-se à próxima palavra à espera do que vai sair dali.

É como isto aqui abaixo. 

A forma divertida de que se reveste a prosa, a piada de toda a narrativa... Do alto dos seus 1,97m, Pepita conta tudo. Tudo não. Quase tudo.

Pepita e a REVIRAVOLTA na história de amor adolescente! 
| Que História É Essa, Porchat?

A cantora Pepita relembra uma bela confusão com o seu primeiro amor adolescente que tem uma reviravolta maravilhosa no final. 

segunda-feira, novembro 27, 2023

Lavar carpetes de Arraiolos em tempos de humidade a rodos -- coisa esperta.
Que nos valha a Cissa Guimarães que se pôs nua e conseguiu pagar a casa

 

Estes dias andam um bocado atípicos e nem vou explicar porquê porque os contornos variam de dia para dia e são sempre aparatosos, dramáticos. Mas como tenho o marido e os filhos a dizerem que já estou a ficar apanhada da cabeça e que o melhor é começar a tratar-me, já aqui não falo disso senão, daqui a nada, são vocês a dizerem-me o mesmo.

Por isso, direi que dada a grande humidade de hoje, a roupa da máquina de hoje não secou nem um pouco ao ar. Detesto quando a roupa custa a secar e, ao ar, ainda fica mais molhada do que quando é pendurada.

Ando com a cabeça noutro lado pelo que ando tão desmiolada que já nem sei bem de que é que falei ou do que é que ficou em pensamento. Em concreto não me lembro se contei que, no início da semana passada, quando estava sol, me deu para lavar duas grandes carpetes de Arraiolos. Pus-me descalça, calções e top. De mangueira, vassoura de arame e detergente em punho, aí está ela, a lavar a bom lavar os tapetes. Quando, por fim, a água sai limpinha e sem detergente dou o trabalho por concluído. Geralmente, bem esticadinhos, direitos, ao sol, num dia estão secos. Como ao fim do dia não tinham secado, deixei para acabarem de secar no dia seguinte. 

Acontece que, no dia seguinte, quando fui ver, estavam ensopados. A humidade da noite tinha feito regredir o processo. Mas estava sol, pensei que a coisa chegaria a bom porto. 

Só que, com a minha cabeça sempre a ser enfiada debaixo de água, ao fim do dia nem me lembrei de as recolher. No outro dia, ensopadas.

Quando fomos até ao campo, ir num dia e vir no outro, o meu marido levou-as para a cave. Um peso doido, carpetes daquelas ensopadas pesam toneladas.

Hoje quando fui à cave, esquecida delas, estava um cheiro muito estranho no ar. Só quando as vi percebi que eram elas que estavam ali a deixar aquele smell a juta e lã molhada em circuito fechado. Pois bem. Todo o dia esperei por uma aberta. Mas em vão. Uma humidade das piores.

Portanto, não sei se, depois de secas, porque hão de secar, não vão ficar mal cheirosas. 

Esta terça-feira vou ter muito trabalho para frente. Para além dos mil problemas, apareceu-me uma tarefa que tem implicado muito trabalho, muita resiliência e esforço. Se eu conseguir aguentar-me são de corpo e mente é bem capaz de ser milagre. A sorte é que acredito em milagres.

Tirando isso, não tenho escrito, não tenho lido. Uma lástima.

Mas vai começar uma semana nova e, com sorte, pode acontecer que não seja pior que a que passou. E também pode acontecer que passe por mim uma borboleta colorida e me traga paz de espírito. E isto sou eu a falar virada para o meu umbigo. Porque bom, mas bom mesmo, era que ali pelas bandas de Israel e Gaza alguém fizesse magia e os estupores fossem à vida. E, que pelas bandas da Ucrânia, também sucedesse um daqueles milagres que deixam as pessoas de bem com vontade de ir para a rua cantar.

______________________________________________________________

PERRENGUE! Cissa Guimarães e seu primeiro ENSAIO NU! 🔥 
| Que História É Essa, Porchat? | GNT

E, se é para querer dar a volta e encarar as coisas de uma forma mais racional sem me afundar, então, com vossa licença, vou à procura de alguma coisa que me faça rir.


________________________________________________

Uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Força. Paz.

sexta-feira, novembro 24, 2023

Há com cada uma...
Então a Dita-Cuja assume-se como não responsável por coisíssima alguma...? Ganda pinta.
Que é do Presidente Marcelo, a sombra simétrica da 'Fonte de Belém', para não libertar de vez a Dita-Cuja das coisas que, pelos vistos, não lhe assistem...?

E eu, a despropósito, confesso que com uma planta, por acaso, nunca sensualizei

 

Em mais um diazinho do caneco, para me fazer rir de gosto, só mesmo a Madame Dita-Cuja, sempre soberanamente encasacada, pose de Sua Majestade A-Não-Imputável, ora a entrar ora a sair de respeitável viatura, ora reclinada em vetusta e justiceira poltrona, a dizer, com uma boquinha repleta de batom mas a fazer biquinho para o dito não resvalar para os dentes, que não é responsável nem por uma coisa nem por outra e, a bem dizer, por coisa nenhuma.

E, note-se, a dizê-lo do alto da sua displicente soberba, a olhar de alto, o olho mal aberto para não gastar a luz de seus olhos com explicações ao povo. Anos para abrir a boca e, quando a abre, foi para se assumir como não responsável. 

[Se não-responsável é sinónimo de irresponsável vocês, que sabem da poda, o dirão]

Em tudo o que é coito de magistrados ou agentes que dão tudo e mais cinco tostões para escutar as conversas entre uns e outros, incluindo os mais íntimos e maliciosos ronronares entre amantes, e que, nas transcrições, se esmeram na truncagem do que convém para sustentar a sua narrativa, devem ter esfregado as santas mãozinhas e rebolado de gáudio perante a confirmação de que assim podem continuar, sem controlo, em auto gestão, em roda livre. 

Um santo regabofe descapitaneado pela Madame Dita-Cuja perante o silêncio cúmplice do Supremo Magistrado da Nação... Assim vamos.

_____________________________________

Face a esta paródia, apanho a boleia e desloco-me até às tertúlias do Porchat. Desta vez, Marcela, uma divertida mãe de família, conta como se apaixonou por um vulto que, afinal, era uma planta à janela. 

Marcela se apaixonou por HOMEM MISTERIOSO que na verdade era… 👀 

Que História É Essa, Porchat? | GNT


Para quando a Madame Dita-Cuja a contar as farrinhas lá do seu trabalho aqui com o Porchat?

________--------------------------------------________

quinta-feira, agosto 24, 2023

Suruba...? Saltar de paraquedas nua? .... What...?
E o que escrever na lápide....?

 

Mais um dia de festa e de convívio que começou cedo e acabou tarde e teve de tudo, de bom, pelo meio. Dia pleno e feliz. Todos alegres, a mesa cheia, conversa boa. 

O bolo era uma delícia e, num ápice, praticamente se foi.

Por estes dias claro que não tenho tempo para nada. Soube que, no infernal jogo do lá vai um, muito praticado pelos lados do Kremlin, desta vez parece que foram dez, entre os quais o tal que desafiava Putin e os seus comparsas. Desde que a coisa começou a descarrilar a gente percebeu que era uma questão de tempo ou de método. Cairia de uma varanda? Apareceria intoxicado? 

Deu mais trabalho, tiveram que atirar um aviãozinho ao chão.

Um a um vão caindo. Assim se desintegram os impérios de pés de barro que vivem a toque de caixa de malucos.

Mas, sinceramente, o sono que tenho é muito e a incapacidade física para domar argumentos ou disciplinar dedos ao teclar é total.

Portanto, fico-me pelo vídeo em que três sumidades recordam e dissertam sobre coisas importantes.

Paolla Oliveira, Pedro Bial e Suzana Vieira no BAR! | Que História É Essa, Porchat? | GNT



E tenham um dia feliz

Saúde. Boa sorte. Paz.

sexta-feira, julho 14, 2023

Quando a mulher chegou mais cedo, o marido foi apanhado nu mas disfarçou -- mas o pobre do Wellington teve que se atirar para debaixo da cama, ainda por cima vestido de Carla Perez

 

A minha vidinha, no que a certas tropelias diz respeito, é muito pacífica. Nunca fui apanhada pelo meu marido na cama com outro, nunca tive que esconder qualquer amante debaixo da cama ou dentro do roupeiro e, até ver, também nunca o apanhei a ele ou a alguma jeitosa a quem eu tivesse interrompido a farra em situação idêntica.

A bem dizer também não conheço ninguém a quem isso tenha acontecido.

O mais parecido com isso que pessoalmente conheço é uma pessoa da minha família que andava desconfiada com o marido (e nem ela sabia da missa a metade) e que, num dia em que lhe ligou para o emprego e lhe disseram que ele tinha metido um dia de férias, teve uma epifania e lembrou-se de uma tal a quem ele a tinha apresentado tempos antes tendo ela detectado ali um certo desconforto. Puxou pela cabeça, lembrou-se do nome, lembrou-se de ele ter dito onde é que ela trabalhava e, desenfreada, ligou para lá, dizendo-se amiga.

Informaram-na que a dita senhora estava de baixa pois, justamente nesse dia, era operada a não sei o quê (sei mas não vou dizer não vá o diabo tecê-las). Tão convincente deve ter sido que lhe disseram o nome do hospital (que era privado) onde a coisa se tinha dado.

Uma mulher ciumenta e que admite estar a ser traída fica com a inteligência aguçada e todas as barreiras mentais e psicológicas desaparecem. Fica um animal perigoso.

Portanto, completamente desencabrestada, meteu-se no carro, determinadamente avançou por Lisboa, entrou no hospital sem medir consequências, conseguiu saber o número do quarto e, num instante, completamente destemida, estava a abrir estrepitosamente a porta e a dar de caras com o casal de pombinhos, ela combalida e o extremoso namorado de mão dada com ela.

Quando viu a mulher a irromper por ali adentro adentro, o marido apanhou o susto da vida dele. Enquanto estava de boca aberta a tentar inventar uma desculpa, já a mulher estava a sair a correr, a meter-se no carro e, sabe-se lá porquê, a ir recolher os filhos.

Ele saiu a correr atrás dela mas já não a apanhou. Nesse dia toda a família sabia do acontecimento, uns a rirem com o divertido da cena, outros a dizer que estranhavam é que ela tivesse demorado tanto tempo a descobrir, outros a dizerem cobras e lagartos dele.

O caldo entornou-se, claro. Mas, por acaso, nessa altura, apenas temporariamente.

Mas, que me lembre, é o único caso em que alguém meu conhecido foi apanhado quase de calças na mão. Mas deve acontecer com alguma frequência pois é tema assaz referido.

Agora o vídeo aqui abaixo é hilariante. 

Wellington se escondeu embaixo da cama, vestido de Carla Perez! |Que História É Essa, Porchat? | GNT

O sonho de Wellington Pinheiro era ser e dançar como a Carla Perez, mas acabou a noite vestido como sua musa, escondido embaixo da cama de um homem casado! Como assim!? 😳


E tudo de bom
Saúde. Bom humor. Paz.

terça-feira, maio 02, 2023

O susto de a gente se sentir perdido dos outros

 

Nunca passei por nada que se pareça com o que o Roberto, aqui abaixo, nos conta. Deve ter sido um susto e tanto. Ele disfarça, leva para a brincadeira mas está bem, está. 

O mais parecido, e que me deixou deveras ansiosa, foi o que se passou há uns anos em Bruxelas, no aeroporto. 

Vínhamos de Amesterdão e eu e mais dois seguiríamos para Lisboa e um para o Porto. Isto tinha sido um improviso de última hora pois era para virmos, mais tarde, directamente de Amesterdão para os nossos destinos. Mas um deles é uma pessoa acelerada e, achando que era um desperdício de tempo ficarmos a bater perna na Holanda, tinha pedido mudança de voos. E, assim, todos os planos tinham sido precipitados, passando a incluir uma escala em Bruxelas e tudo à tangente. 

Chegados ao aeroporto, um aeroporto super movimentado (como quem o conheça poderá confirmar), uns procuravam a porta para Lisboa e o outro a do Porto. Mas, entretanto, eu queria trazer qualquer coisa para os meus filhos que, à data, ainda viviam connosco. Portanto, rapidamente entrei na free shop para trazer nem que fosse uns chocolates. Eles também entraram. Combinámos encontrar-nos à porta para embarcarmos juntos. Devo dizer que detesto cenas assim, correrias, stresses em locais de grande confusão (ainda por cima, tudo para chegar a casa apenas uma ou duas horas antes). 

Acontece que eu tinha o número de telemóvel do que ia para o Porto, não dos que vinham comigo para Lisboa com quem, na altura, ainda não tinha grande confiança.

Mas aquilo era um mundo de gente e, quando estava na caixa e olhei à volta, não vi os de Lisboa, apenas o que ia para o Porto. Perguntei-lhe pelos outros dois. Não sabia, tinha deixado de os ver e abalou à pressa, para a porta dele. 

Olhei, uns enervados 360º, e nada, nem rasto dos meus dois companheiros.

Era hora de embarcar e eu não sabia deles. Nem eles tinham o meu número. 

Fiquei sem saber se eles tinham deixado de me ver e estariam à minha procura ou se, dado o aperto da hora, tinham avançado para o avião. Pensei: se fico à espera de os encontrar, ainda perco o avião. Em contrapartida, se embarco e eles andam cá fora à minha procura e perdem eles o avião, se calhar ainda é pior papel.

Não disse ainda que um deles era o administrador da holding a quem eu reportava há muito pouco tempo e o outro era o próprio presidente. Nada de mais mas, parecendo que não, uma pessoa parece que fica um bocado mais atrapalhada, tanto mais que o nosso convívio ainda era coisa recente. Uma barracada que meta perda de avião é sempre chata mas sendo os envolvidos aqueles dois parecia-me ainda mais chato. Fiquei naquele sufoco. Faço o quê? 

Ouvi a última chamada para o embarque.

Então resolvi que avançava e que se lixasse. Entretanto, tive uma ideia luminosa: lembrei-me que tinha o número da secretária do presidente. Liguei-lhe para ela me dar o número dele ou lhe ligar ela a dizer que eu ia entrar. Mas deu-me interrompido. Caraças. Quando dá para o torto, é para a desgraça. Toda acelerada e enervada, escrevi-lhe uma mensagem.

E avancei.

Quando entrei no avião, lá estavam eles os dois. E já o presidente estava a receber a mensagem da secretária. 

Tinha-lhes acontecido o mesmo que a mim. Tinham deixado de me ver, andaram às voltas e, à última hora, resolveram entrar.

Tudo acabou em bem. Mas o stressezinho por que passei ficou-me tatuado nas meninges.

Certamente, tal como aconteceu com o bom do Roberto.

Roberto foi esquecido e ficou trancado na clínica médica 

| Que História É Essa, Porchat?

Todo mundo já sonhou passar a noite em um shopping, mas e em uma clínica médica? Roberto passou por isso! Ele foi fazer uma ressonância magnética e acabou sendo esquecido dentro na clínica. Pra piorar, na época ele não tinha celular e a mulher dele não acreditou muito nessa história... Vem ouvir!


-----------------------------------------------------

Desejo-vos um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.

quinta-feira, abril 27, 2023

Quando o que não pode fica preso onde não deve

 

Quem lida com casos médicos costuma contar as situações bizarras que aparentemente começam como uma brincadeira, como uma inofensiva ousadia ou como uma leviana experimentação e acabam nas urgências do hospital. Geralmente há alguma criatividade envolvida, com objectos inesperados introduzidos onde menos se espera e, azar dos azares, impossíveis de lá tirar.

Não vou referir casos ouvidos mas vou, antes, falar de uma outra situação que, apesar de envolver um objecto normal que foi enfiado no sítio devido, também acabou com intervenção médica.

Ela era minha colega de faculdade, grande amiga, e ele era o seu muito amado namorado. Ele vinha do Alentejo e ficava num quarto alugado. A dona da casa proibia 'poucas-vergonhas' lá em casa, não queria lá mulheres. 

Muito obediente, ele dizia que claro que sim mas claro que fazia de tudo para aproveitar qualquer pequena oportunidade. Por isso, numa das vezes em que a senhora não ia estar em casa durante um bocado, eis que a minha amiga é sorrateiramente introduzida em casa e, ala moça que se faz tarde, eis que, pouco depois, já estão os dois num animado truca-truca no quartinho dele.

Mas, claro, sempre com o ouvido alerta o que, como é bom de ver, aumenta a adrenalina.

E estão, portanto, os dois no maior chamego e agarração quando ouvem a senhora a meter as chaves à porta. Maldição. Desgraça. Como é que a minha amiga ia conseguir sair de casa sem a senhora a ver? Impossível. Ai...

E é então que acontece o pior. Ela grita em surdina: Sai! e ele grita igualmente em surdina: Deixa-me sair! e ali ficam os dois na maior aflição, presos um ao outro. Passado um bocado ele já gemia por se sentir apertado e ela já gemia sem saber como sair daquela vexante aflição. 

Manda a sapiência que, em situações de aperto, os envolvidos se mantenham calmos, respirem fundo, relaxem. Mas isso foi tudo o que os pombinhos não fizeram.

A partir daqui já não me lembro dos pormenores. Sei que tiveram que ser intervencionados, provavelmente algum relaxante adequado a uma crise de vaginismo.

Mas não ficaram traumatizados pois contavam o acidente na maior boa disposição. A bem da verdade, mais ele que ela pois ela contava que nunca se tinha imaginada a passar por um tal sufoco, tinha sido uma coisa verdadeiramente do cara...ças.

____________________________

O pai dele ficou preso na cadeira por uma parte do corpo... 
| Que História É Essa, Porchat? | GNT

O Fábio veio contar uma história pra lá de cabulosa! O pai dele estava usando duas cadeiras plásticas para tomar banho e uma parte beeeem dolorosa ficou presa entre elas. 😱 A mãe dele ligou pedindo ajuda e foi preciso uma engenharia pra desprender o... 👀

Um bom dia

Saúde. Bom humor. Paz.

terça-feira, abril 18, 2023

Cuidado com a língua quando se fala ao telefone...

 


Houve uma altura em que, no Grupo, se desenvolveu a ideia que, na altura, muitos tomaram por peregrina mas que veio a revelar-se estratégica, de uniformizar sistemas contabilísticos, sistemas de controlling e de planeamento entre todas as empresas.

Isso desencadeou sentimentos bairristas, territorialistas como se fosse questão de credo ou clube de futebol. Não apenas os mais conservadores mas também os que se julgavam revolucionários, todos eram contra. Todos queriam defender os seus sistemas e todos achavam péssimos todos os outros. O núcleo que defendia que se avançasse apesar de toda a oposição, em que eu me incluía, sofreu toda a espécie de destratamentos. A oposição era intensa e vinha de todos os lados. Ir para a guerra sem ter aliados é coisa suicida. Mas eu e mais uns dois ou três éramos assim: acreditávamos nas coisas e atirávamo-nos de cabeça.

O grande salão era pequeno para que todos os CEOs mais os respectivos Directores Financeiros e Directores de Planeamento, Estratégia e Controlling, entrincheirados e coordenados entre si, atirassem a matar sobre os pobres indefesos que queriam que eles abdicassem das suas idiossincrasias e passassem a falar a mesma linguagem.

Todas as semanas, uma vez por semana, havia uma tortura daquelas. As reuniões começavam às duas e acabavam quando acabassem, sempre muito tarde.

Um dos que estava do mesmo lado que eu passava-se. De rastilho curto, volta e meia enervava-se, ficava branco, gritava, quase espumava e nós todos ficámos à espera que ele acabasse estendido, vencido por uma apoplexia. 

Pessoa de muitas actividades, quer no meio empresarial quer no académico quer, ainda, no  político, em dias em que já não aguentava mais, inventava uma desculpa, um compromisso inadiável (embora inexistente) e pirava-se.

Sendo pessoa conhecida, vou mudar-lhe o nome. Digamos que se chama José Pires Oliveira. 

Um dos piores era um que nós dois achávamos intelectualmente um bocado limitado mas que falava pelos cotovelos, invocando argumentos sobre argumentos, cada um mais disparatado do que o outro. Víamo-nos aflitos para rebater as parvoíces que ele dizia, sempre com ar exaltado, como se estivesse a defender a pátria. Este tinha dois nomes em comum com o meu aliado. Digamos que se chama José Oliveira.

Num desses dias, o meu 'sócio', José Pires Oliveira chegou-se a mim e disse-me ao ouvido que ou matava o outro ou se raspava. Raspou-se.

No dia seguinte de manhã cedo, estava eu no trânsito, um trânsito congestionado, eu estafada da canseira da cena da véspera e estafada do trânsito, recebo uma chamada. (Estava em alta voz, claro). Vi José Oliveira. Ao meu 'sócio' eu tinha-o, nos contactos, como José P. Oliveira.

Era normal, quando se pirava, o José P. Oliveira ligar-me logo na manhã seguinte para saber como é que a coisa tinha acabado. Já estava à espera da chamada dele.

Portanto, mal atendi comecei logo a desbobinar: 'Olhe, fez bem em pirar-se. Não perdeu nada. Uma seca das valentes. O chato do José Oliveira sem se calar, só a dizer disparates, uma pessoa não consegue avançar um milímetro porque aquele atraso de vida não dança nem sai da pista, não faz ideia do que diz mas não se cala, e a gente que o ature. Não dá. Alguma coisa temos que fazer porque assim, com retrógrados destes, a gente não vai a lado nenhum'

Estranhei o silêncio pois, em situações normais, ele estaria a rir e a chamar burro ao ao outro. Mas nada. Silêncio. Então perguntei: 'Está? Está a ouvir?'

E então aconteceu o pior. O José Oliveira, o burro, respondeu: 'Estou, estou...'. 

Não sei se conseguem imaginar a aflição... Sem ter como escapar, enfiada no carro, por um momento fiquei siderada, congelada. Depois respirei fundo e assumi: 'Não leve a mal mas ontem saí de lá muito cansada, estou farta de reuniões que duram horas e em que não se consegue avançar. Tanta resistência por causa de uma coisa que todos deviam abraçar pois todos fazemos parte do mesmo Grupo. Mas, pronto, não vamos reatar a discussão de ontem. Ligou-me para...?'

Ele deve ter engolido em seco e conversou como se nada se tivesse passado. 

E nunca mais tocámos naquele triste episódio.

E hoje lembrei-me disto ao ver e ouvir o vídeo abaixo. Na altura, quando se percebe a gaffe, quem vive uma destas só quer enfiar-se por um buraco adentro. Mas, reconheçamos, visto de fora, é um pratinho daqueles...

Heloísa Périssé ligou para o ginecologista, mas... 

| Que História É Essa, Porchat? | GNT

__________________________________________________

Fiz estas fotografias durante a caminhada da tarde

__________________________________________________

Um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.

quinta-feira, março 09, 2023

A vingança das mulheres

 

Não há muito recordei aqui os meus não saudosos tempos da depilação a cera (quente) e partilhei a história de Dani Calabresa que, não se apercebendo que estava a pedir uma depilação radical de mais, deu por ela com a cera atirada para um sítio que geralmente não vê a luz do dia, tendo daí resultado susto e dor.

Acontece que o Porchat, a quem ela contou a história, é agora alvo de vingança por a sua história não ter sido premiada num concurso que por lá houve.

E, coitado, sujeita-se... E eu, ao vê-lo, confesso, até me encolhi.

Eu, que nunca consegui depilar as axilas com cera receando a dor e temendo que toda eu viesse atrás da cera, imagino o horror de arrancar pelos do nariz. Deve ser de ir (literalmente) às lágrimas.

Dani Calabresa depila Fábio Porchat no palco! | Troféu Que História É Essa, Porchat?


NB: Para assinalar o Dia da Mulher era para aqui ter trazido a Mulher do Ano segundo a Times, Cate Blanchett. 

Mas apareceu-me o vídeo que abaixo partilhei e achei que era tão especial que não podia deixar de aqui o ter. E depois adormeci (continuo estupidamente cansada). 

E agora apeteceu-me rir. 

sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Um amendoim verde entalado no cu do padre

 

Remeto-me à dimensão caseira: greve de professores, tamanho dos palcos e da pacóvia mania das grandezas -- tudo na mesma. O tempo passa, o ano lectivo avança e os alunos vão tendo aulas quando têm porque, no resto do tempo, voltam para casa ou andam aos caídos ou no forró durante os furos; e, não tarda, está a chegar o Papa e mais a multidão de pecadores que aí vem danada para se confessar e curtir e a malta ainda por aí anda a cacarejar acerca dos projectos, dos orçamentos, sobre quem é o  coordenador e sobre toda a barafunda que se armou. Até a múmia parece que continua na mesma, a aparecer quando a gente já nem se lembra dela. Deve vir dar mais uma lição daquelas dela, daquelas com que ninguém aprende o que quer que seja e em que toda a gente fica indisposta. Toda a gente menos a sua senhora, dona pespenica excelentíssima, que essa, habituada ao fel que escorre da boca do amado esposo, acha sempre tudo o máximo e, na volta, até parirá inspirado poema. Ámen.

Portanto, não havendo novidades a festejar, depois de atirar papelinhos dourados para cima do fantástico Tom Ball, agora dou a palavra a quem quase morreu duas vezes sem que alguém tivesse dado por isso. Se fosse essa a hora, teria ido mesmo, uma afogado à beira de água entalado entre um caiaque e uma lata de cerveja e outra asfixiado com um amendoim verde entalado no cu do padre*. Entalanços como sina. O tema, tendo o seu quê de religioso, aconselharia a alguma fé mas, ainda assim, acho que é mais de ver e ouvir para crer.

Augusto Madeira quase morreu duas vezes e ninguém viu! 

| Que Historia É Essa, Porchat?

* Melhor escrevendo:  'Cu do Padre' -- e agora não sei se o cu do padre fica melhor com ou sem aspas...

-----...........................-----

E queiram, por favor, descer mais um pouco, ok?

terça-feira, janeiro 17, 2023

Uma massagem tântrica e uma outra também especial

 

Se o tema é massagem eu não tenho histórias picantes ou malucas para contar. Tudo normalinho. 

Já levei massagem simples com óleo perfumado e morno, já levei massagem de pedras quentes, já levei massagem de relaxamento ou massagem clínica para esticar músculo ou desinflamar tendão. Gosto sempre. A única coisa que desgosto é que acabe tão depressa.

Todas as massagens que levei, a pagar, foram respeitadoras, tudo na maior decência. A única vez que me atrapalhei foi quando apareceu um massagista homem. Indiano. Mãos mágicas. Decentíssimo. 

Mas ele há histórias. Porque, meus Caros, que las hay, las hay. Que o digam os convidados do Porchat aqui abaixo.

Gio Ewbank recebeu massagem tântrica ao se preparar para personagem 
| Que História é essa, Porchat?

Giovanna conta como foi parar em uma aula de pompoarismo e massagem tântrica durante a preparação para um trabalho.


_____________________________________________________

Raphael Logam e a massagem inusitada na França

| Que História É Essa, Porchat?

Raphael Logam relembra de uma viagem que fez com um amigo e da noite em que eles resolveram fazer uma massagem tailandesa um tanto quanto curiosa 😂


_______________________________

Um dia bom
Saúde. Coisas boas. Paz.

segunda-feira, janeiro 16, 2023

Depilação a cera (quente!)

 

Nunca fui muito peluda. Cabeluda sim. Mas peluda não. E o facto deles serem mais para o claro também ajuda. De qualquer maneira, desde novinha que não queria cá pelo nenhum nas pernas. 

Nessa altura ainda não se tinham inventado aqueles aparelhinhos mágicos que puxam o pelo pela raiz e permitem resolver o assunto em casa no maior asseio e rapidez. Nessa altura havia os cremes depilatórios -- mas de que eu ouvia dizer que eram como lâminas, cortavam o pelo e, depois de barbeados, eles haveriam de nascer como barba cerrada -- e havia a cera. 

Na cera havia modalidades: a que vinha em bandas que se aqueciam com as mãos, e havia a que se derretia e aplicava com espátula. 

Para usar em casa, era as de banda. Não eram funcionais ou, pelo menos, não me ajeitava. Comecei a ir a lugares em que se tratava disso. "Institutos de beleza" -- com aspas, reforço. 

Mas quando andava na faculdade não sabia onde ir, não era conhecedora do meio. 

Colegas recomendaram-me, então, uma que era muito eficiente e a bom preço. Era num segundo ou terceiro andar acanhado, sem elevador, tudo muito escuro, ali ao Largo do Carmo. Era a casa de uma mulher jovem, magra. Íamos para um quartinho ínfimo. Se calhar deitava-me numa cama, não me lembro. Marquesa não era com certeza. Duvido que houvesse papel protector para que não nos deitássemos todas no mesmo sítio. Talvez pusesse um lençol. Ou nem isso. Não me lembro.

Tinha, num pequeno fogão a gás de um bico só, uma panela escura, com ar sujo, com cera a derreter cujo cheiro estava entranhado em toda a casa. Com a espátula tirava a cera derretida da panela e passava-a na perna. Por vezes queimava. Com a mão aconchegava a cera, que solidificava rapidamente, depois puxava com força. Às vezes doía que se fartava, em especial nas virilhas. Puxa vida, que dor... 

A cera arrancada com os pelos agarrados voltava para a panela. Era mais que certo que ali estavam os meus e os de todas as universitárias que ali iam largar o pelo. Tinha para mim que a higiene de tudo aquilo deixava muito a desejar mas isso nunca me impediu de lá voltar.

Depois, já casada, abriu um pequeno 'instituto' mesmo debaixo da minha casa e aí já era coisa mais profissional, outra limpeza, marquesa, papel limpinho em cima, cera filtrada. No fim, já era com bandas descartáveis. Um asseio.

Nunca fui capaz de depilar as axilas com cera. Sempre imaginei que seria coisa para doer horrores. Aí é com gilete mesmo. Mas, como são poucos, fraquinhos e incolores, quase me esqueço deles. E a verdade é que nunca enrijaram por usar lâmina de barbear.

Depois mudei de casa mas, por sorte, lá perto, outro 'instituto'. Um jovem simpatiquíssima, despachada, asseada, cuidadosa. Não havia ocasião que não fosse precedida de depilação. 

Quando a Patty fechou fiquei aflita, sem saber como resolver a situação. Sentia-me incapaz de me manter civilizada sem a depilação regular das pernas. Felizmente foi nessa altura que apareceu a dita silk epil, instrumento do mais indispensável que há. Emancipei-me, ganhei autonomia.

Há algum tempo um amigo tinha que tratar do presente da filha que fazia anos. Perguntei o que era. Um voucher para depilação a laser numa clínica especializada em pelo. Achei um piadão. Clínica especializada em pelo... grande progresso. E deve ser depilação para todo o sempre. Qualquer dia será por um processo ainda mais sofisticado e recordações de um quarto escuro com um panela em cima de um pequeno fogão a gás parecerão inacreditáveis.

______________________________________________

E se estou com isto é porque vi um vídeo com que me fartei de rir e me trouxe à memória algumas das minhas próprias cenas com depilações, algumas profundas mas nunca tanto quanto a que aqui é descrita. 

Dani Calabresa passou um sufoco na depilação com cera 😬! 
| Que História É Essa, Porchat?

[Dani Calabresa tem a certeza que depilação no Rio de Janeiro é diferente que em São Paulo. Isso porque depois de uma simples resposta, a vida da comediante nunca mais foi mesma 😂!]


------  ------  ------

E queiram descer caso queiram conhecer a fantástica Vitoria Bueno

quinta-feira, dezembro 29, 2022

Pedro Nuno Santos foi borda fora e não foi pela big barracada da localização do aeroporto mas pelos 500.000 da Alexandra dos Louboutins

[E, para que isto não fique sisudo de mais, o Lobianco conta como teve que ir desovar na mansão da Narcisa, tirando até a vez a uma certa condessa]

 

Pois é. Tinha aqui em carteira falar de uns quantos conselhos de segurança, quer segurança pessoal quer segurança das casas, ou, em alternativa, partilhar uma entrevista que o Mel Brooks, um dos que sempre me fará rir, concedeu à neta. 

Mas eis que acabo de saber que se demitiu o Pedro Nuno Santos e que o Costa, certamente pensando 'já vais é tarde', aceitou. 

Não foi ao ar quando se deu a suprema barracada do aeroporto e vai agora por causa da descabelada senhora que parece que gosta de Louboutins e que, depois de ter trabalhado uns quatro ou cinco anos na TAP já de lá queria sair com milhão e meio de euros. Boca aberta, a dela. Caneco. Não faz por pouco, a madama.

Não saiu com essa mega bolada mas saiu com quinhentos mil, coisa que pode ter muita aritmética e muita prosa legalite por detrás mas que, atendendo a tratar-se de empresa intervencionada e mantida com balões de oxigénio provindo directamente dos bolsos dos contribuintes, é bomba que forçosamente ia estourar nas mãos de quem lhe pegou e de quem a deixou andar por aí. 

Muito haveria a dizer pois esta TAP é história mal contada desde há muito, um sorvedouro para os contribuintes e um palco para egos que gostam de se pavonear. 

Mas isto não é só a TAP. Como ontem referi, é toda a gestão de empresas públicas ou de gestão pública que deveria ser passada a pente fino. 

Duas das pessoas mais burras, mais inaptas, mais parvas, mais pavoas, mais convencidas e simultaneamente mais ocas, mais fúteis, mais incultas e ignorantes com quem até hoje já trabalhei foram dois ex-administradores, um de um instituto público e outro de uma empresa pública, cada um de sua linha política. A única coisa que os habilitou a esses cargos era a de serem amigos de alguém conceituado no respectivo partido. A partir daí foram circulando por empresas e institutos e sei lá por mais onde até que os apanhei, teoricamente como tendo grandes currículos. Qual quê? Zero. Zero. Ora com administradores destes não é só o dinheiro mal gasto que custam, é também a ausência de gestão que praticam, as burrices que cometem ou deixam cometer todos os dias.

Isto já foi há alguns anos. Não sei se ainda é assim pois, felizmente, por onde ultimamente tenho andado não têm aparecido dessas aves. Mas penso que é pública a ainda existência de assessores e outras funções principescamente remuneradas, quer nos Gabinetes governamentais quer nas Autarquias, que de conhecimentos, experiência ou aptidão para esses cargos têm bola. Isso choca-me. Maioritariamente pouco fazem para além de mandarem bocas, de alimentarem a fofoca partidarítica, de garantirem a boa disposição aparelhística que, na altura das eleições, dá jeito ter à mão.

Uma seita deveras parasitária.

Ainda me lembro do filho de um colega, um jovem pouco mais que recém-licenciado, se orgulhar de ter rejeitado um emprego num banco a ganhar cerca de 2.000/mês, dizendo que mais do que isso ganhava como assessor numa certa Secretaria de Estado em que não tinha horários nem obrigações.

Parece não ser o caso da Alex da boca aberta que creio nem ser boy. Mas o que quero dizer é que há por aí muito dinheiro público mal gasto. Neste caso, uma empresa tutelada pelo que se sabe aceitou fazer um contrato milionário e leonino com uma senhora que, por muito competente que seja, dificilmente justificaria uma 'indemnização' daquele montante. Mas como são os contratos dos outros? E que mais regalias terão? Como é que o dinheiro dos contribuintes anda a ser gasto?

Uma grande monitorização deveria ser feita a esse nível pois o dinheiro público deve ser gerido com pinças e luvas de pelica, com mil cuidados, com muita exigência e rigor. Não deveria ser gasto um cêntimo com quem o não merece.

Nem se pode admitir que uma empresa pública ou de gestão pública, muito menos se estiver intervencionada, seja gerida à tripa forra como se fosse um clube de futebol especulativo ou muito rico onde se pagam passes ultra milionários quando um ás da bola muda de clube ou onde se pagam prémios chorudos quando se ganham campeonatos.

E é preciso perceber uma coisa: de cada vez que se fecha os olhos ou se encobre ou relativiza uma coisa destas, está a deixar-se a porta aberta para que todos os populistas desta vida venham pastar.

______________________________

Mas, enfim, isto não tem que ser um pincel. Nada. Rir é bom e eu gosto. Por isso, façamos a agulha e bora lá. Não me apetece acabar o dia com as solas dos sapatos da Alex ou com os desaires que se sucedem ao pobre do Costa. 

Assim, estando a aproximar-se a mudança de ano, que entre o Luis Lobianco que conta que num certo réveillon entornou umas e outras e depois, numa de grande aflição e já com alguns dedos de dilatação, teve que ir dar à luz na casa da Narcisa.

Luis Lobianco misturou tudo na ceia de Ano Novo 🚨! | Que História É Essa, Porchat?

Luis Lobianco aproveitou a culinária na ceia de Ano Novo e fez questão de comer alimentos para abrir os caminhos do próximo ano. O problema é que algumas vias indesejadas foram abertas antes da hora 🤢! Sobrou até para Narcisa!


____________________________

Desejo-vos uma boa quinta-feira
Saúde. Boa disposição. Paz.

sábado, dezembro 10, 2022

Perguntas indiscretas
(com autorretrato dentro)

 

Primeira lembrança?

Não creio que possa ser verídico mas, quando penso na primeira lembrança, é sempre o que me ocorre. Estava ao colo e tínhamos ido visitar uma casa. Quando disseram que eu já falava, quiseram testar. Acenderam a luz e eu disse: luz
Quando descrevi a casa à minha mãe ela soube qual era, era de uns conhecidos, a casa ao lado da dos padrinhos do meu pai. A minha mãe diz que, de facto, iam por vezes visitá-los e diz também que ninguém acreditava que eu falasse (aos seis meses tinha dito cão ao ouvir ladrar, dizia Lel quando via o meu tio, irmão mais novo do meu pai, a quem chamavam justamente assim) e que teria sido normal que isto tivesse acontecido.

Tenho uma outra lembrança de que também duvido pois diz-se que só se guardam lembranças a partir dos três ou quatro anos. Tinha feito um ano, tinha um vestido branco com bordadinhos e umas cuecas com rendinhas a condizer. Já não usava fralda. Já andava bem. Os meus pais tinham ido visitar uma das minhas avós e eu fiquei cá fora, ao pé de um menino um ano e tal mais velho que eu, filho de uns vizinhos da minha avó. E aí eu fiz chichi pelas pernas abaixo e ele foi, comigo pela mão, levar-me aos meus pais. Guardo a memória que ele, com a sua voz de criança, se limitou a dizer com voz neutra: 'ela fez chichi'. Mas lembro-me de me sentir muito envergonhada. A minha mãe não se lembra, diz que pode ter acontecido mas não era coisa que para ela tivesse tido importância, não reteve.

Maior loucura na adolescência?

Foram algumas mas, lamento, não posso contar. Um dia que conte as minhas memórias impróprias talvez inclua essas peripécias. Só de me lembrar de algumas já estou a rir. Aqui não pode ser, os meus filhos leem o blog, os meus netos por vezes também. Há que manter a imagem da pessoa respeitável, certo?

Na tenra idade qual o primeiro crush famoso?

Nunca fui muito de crushes, de amores platónicos. Tenho ideia de, na altura, ter achado interessante o Duarte Mendes que ganhou o festival da canção. Agora, ao revê-lo, deu-me vontade de rir. Como as pessoas se vestiam e penteavam, credo... 

 

Também achava piada ao Alain Delon mas nunca fui de perder tempo com o que não é para o meu bico.  

Se pudesse ter presenciado um evento histórico, qual seria?
Qualquer um em que as mulheres tenham tido papel preponderante na luta a favor da independência do meu País. Por exemplo, gostaria de ter assistido de perto à intervenção de Luísa de Gusmão que não se deixou ir em conversas e que terá dito que "mais acertado de morrer reinando do que acabar servindo". Penso nisso quando se ouvem os ucranianos que dão a vida pela independência do seu país pois preferem a morte a viver sob o jugo de um ditador tirano, psicopata, assassino. 
Quando em fúria defendem as suas convicções, a força das mulheres é imparável, desconhecem a cobardia. 
Em que profissão não levaria jeito?
Tantas. E nada contra, algumas até tenho o máximo de admiração, eu é que não consigo ver-me lá. Por exemplo. Investigadora de História. Freira. Apresentadora de telejornais. Deputada. Secretária. Ginecologista. Enfermeira. Dentista. Electricista. Árbitra. Etc.
Se pudesse ser uma pessoa por um dia, hoje, o que escolheria ser?
Agente secreta, na Rússia. 
O mundo vai acabar. Como deve ser?
Ou sem aviso prévio, sem ninguém se dar conta, ou, pelo contrário, com aviso no próprio dia, a tempo de a gente se juntar com os nossos, e havendo distribuição de ansiolíticos, erva, you name it, a malta toda numa boa, peace and love, música nas ruas, dança, petiscos, amor e alegria. Uma despedida em festa, na maior descontração, tudo a dar graças pelo afecto, pelo riso, pela música, pela partilha de sentimentos, pela bondade de todos.
O que quer escrito na lápide?
Foi um ar que lhe deu mas aproveitou o que pôde😜  (com o smile a piscar o olho e de língua de fora e tudo)

_______________________________________________________________________ 

 Adnet, Falabella e Catarina Abdalla contam seus crushes da infância
| Que História É Essa, Porchat?


____________________________

Um bom sábado
Saúde. Boa sorte. Paz.

quarta-feira, outubro 19, 2022

A limpeza continua. As histórias suculentas também.

 

O dia esteve animado com reuniões, telefonemas e problemas de todas as cores e sabores. 

Mas, no intervalo, ao almoço, voltei à limpeza geral. À medida que avanço no desbasto vou radicalizando. 

Make my day, penso quando dou com uma fiada deles que podem virar pó digital num piscar de olhos.

A alguns daqueles mails que, ao princípio, olhava com respeito agora já pouco respeito me merecem. Penso: mas alguma vez na vida vou voltar a lê-los? ou há algum motivo para precisar de consultá-los? E, pimba, não há cá segundos pensamentos, vai delete de cabo a raso.

Depois de jantar, pensei: vou ordenar por dimensão. Xiiiiihhh. Já nem me lembrava... Havia uma que fazia apresentações pesadíssimas, carregadas de imagens e animações desnecessárias, palha, palha, palha. Cada mail para cima de 20MB. Um disparate. Carradas de abóboras gigantes. Olhei para aquilo e, trás, uma página deles para o galheiro. Sempre achei até falta de respeito invadir a caixa de correio alheia com ostentações e intermináveis pormenores, megas e megas. Jamais voltaria a ter paciência para slides e slides de bonecada e palha. Lixo. 

Depois fui parar a um de quem também já mal me lembrava. Tinha o absurdo hábito de mandar todos os mails com meio mundo em conhecimento. Daquelas pessoas que chuta a responsabilidade para os lados, para cima, para baixo e para os cantos. Ecrãs cheios de tretas que ele enviava para meio mundo. Pensei: se já na altura a vontade que tinha era apagar instantaneamente tudo o que ele mandava, para que é que ainda estou a guardar isto? Pimbas. Delete forever.

Depois dei com outra pilha deles, facturas enviadas para conferência por uma anafada Isabel a quem tratavam por Belinha. 

Isto naquela fase pré-histórica em que ainda não havia workflows automatizados. Digitalizavam as facturas num scanner e anexavam-as aos mails e o workflow funcionava artesanalmente. O responsável directo conferia e ele próprio enviava o mail para o responsável. Uma das guardiãs do processo era a boa da Belinha, por sinal a mais santa das criaturas. Estava sempre disponível, se alguém tinha dúvida sobre o que quer que fosse mesmo que fosso enrolo antigo, ela farejava arquivos onde quer que estivessem, vivos ou mortos, e aparecia com o processo. Tudo no mais low profile. Sempre de saia e blusa mas daquelas saias e blusas que não têm história. Podia ser freira sem hábito. 

Até que um dia, depois das férias, ao perguntar: 'E aí? Novidades?', alguém disse: 'Não vai acreditar! O impossível aconteceu! O Idalino largou a mulher e juntou-se à Belinha!'. Fiquei de queixo caído. O Idalino era um funcionário meio totó, por acaso também meio gago, meio apanhado em verde, pequenino e magrinho. Ora bem. A santa da Belinha virou do avesso a cabeça do Idalino. Quando víamos aquele casal, ela quase o dobro dele, os dois muito pãozinho sem sal, ele cada vez mais enfezado, nem conseguíamos atinar com o romance que estava ali armado. Havia quem gozasse: 'Vocês não sabem é nada. Na cama, ninguém segura a Belinha, vira uma fera e papa o Idalino sem dó nem compaixão'.

Resumindo: para que é que ali tinha aqueles mails todos cheios de facturas agarradas? Lixo. Deixei apenas um mail para não me esquecer dela.

Também fui dar com mails de uma engenheira que nos tratou dos estudos de uns edifícios. Era grande, tinha ancas muito grandes, vestia-se de uma forma mal jeitosa que lhe acentuava ainda mais o despropósito do rabo. Curiosamente tinha uma inesperada vozinha fininha, sem energia, sumida. Quando falava era como se alguém alma penada estivesse a falar através dela. Vi-a algumas vezes de blusão, botas e capacete. Diziam os homens que mais amiúde lidavam com ela que não era muito de fiar pois um ou dois dias por mês virava uma fera desencabrestada. A voz engrossava, toda ela se soltava dando bronca em quem calhava. Diziam eles que até fugiam dela, de medo. Não olhava a nada, pouco faltava para correr com eles à bofetada. Na brincadeira, contavam que um até tinha começado a registar as datas na agenda, um verdadeiro mapa menstrual, para saber os dias em que ela devia ser evitada. Apaguei os mails e esqueci-me de deixar um pelo que devia aqui escrever o nome dela, para não me esquecer. Digo só que também se chama Isabel. Comparada com a Belinha, esta podia ser a Belona.

A ceifa hoje não se comparou com a de ontem. Nem dois mil devo ter apagado. Estou a entrar na monda fina e tenho que me abeirar deles só quando não estiver in the radical mood. Não quero apagar coisas de que posso sentir falta. 

Portanto, deixei para lá. 

E aqui chegada fui logo a correr para ouvir histórias. Gosto de ouvir. Ouço e vou-me lembrando de histórias minhas e de histórias alheias. Tenho com cada uma. Agora estava aqui a lembrar-me de uma passada comigo que é de se lhe tirar o chapéu. Daquelas que vou guardar para uma altura (ou um livro) onde me possa dar ao luxo de contar toda a espécie de histórias escabrosas.

Roberta Miranda conta história de nudez dentro do elevador | Que história é essa, Porchat?

___________________________________________________________________

Desculpem que não responda aos vossos comentários, que agradeço. 
Não me anda a sobrar tempo... A ver se acabo esta empreitada para poder voltar a respirar,

____________________________________

Um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.

domingo, outubro 16, 2022

Uma bicha com broches colados à cabeça e toda emplumada com penas de faisão-imperial atrapalha o trânsito em cima da ponte

 

Acordei a meio da noite e custei a readormecer. Já a luz do dia entrava pela janela quando voltei a apagar. Acontece que, de manhã, o meu marido fez a gracinha de me acordar uns dez minutos antes do despertador, Como sempre, desculpa-se, diz que teme que eu não acorde a horas e que depois tenhamos 'que andar a correr'. Detesto que ele faça isso mas ele não se importa e passa a vida a fazer. Acha que isso de eu ficar possuída por ele sacrificar dez míseros minutos do meu sono é frescura. Mas não é, os meus minutos são contados e determinantes. 

São aspectos que as más línguas apelidarão de frioleiras mas que, asseguro, são fracturantes na nossa relação. Acontece que ele tem a sorte de eu ter miolo mole pois, mal me levanto, esqueço-me de estar chateada. Ainda por cima, tenho coração de manteiga, sempre derretido. Tem sorte, muita sorte, ele.

Mas estou a contar isto para dizer que, na altura em que ele me sonegou os dez últimos preciosos minutos de sono, estava a ter um sonho muito real. Sonhava que tinha a casa cheia de gente, na maior parte gente desconhecida, gente de todas as idades, tudo em festa, tudo confraternizando, uns dançando, uns conversando, indo à cozinha servir-se, tudo na maior. Às tantas eu queria ir à casa de banho e estava sempre ocupada, num entra e sai de desconhecidos. Então, quando saiu um, um homem que eu não estava a perceber se era um adulto com ar de jovem ou um adolescente com ar vivido, perguntei: 'Você está aqui da parte de quem?'. E ele, no maior dos à vontades: 'Da parte do X, o dono da casa'. Não disse X, disse um nome. Acontece que aqui em casa esse é o nome do meu marido, o nome do meu filho e o nome de dois dos meus netos (na família há mais uma mão cheia deles com esse nome mas, enfim, desses não se poderia dizer que eram os donos da casa). Então fiquei naquela: 'Será amigo do meu filho? Será amigo do meu neto mais velho? Do meu marido não deve ser senão eu conheceria'. E, ao mesmo tempo, pensava que uma festa assim, para cada um trazer quem quiser, dava nisto, malta que ninguém sabia bem a convite de quem ali estava.

Fui acordada, o sonho interrompido e, portanto, continuo sem saber quem era aquele personagem em concreto.

De facto, tive cá este sábado em casa a maltinha toda, cada vez maiores, eu cada vez mais pequenina, no meio deles até parece que estou a encolher. Mas vieram só eles, não trouxeram amigos e adjacentes. 

Ah e, antes de almoço, houve banho da fera. A minha filha, expert em técnicas de relaxamento caninas, consegue manter o urso sob controle e, com os filhos como assistentes, aplicou-lhe o shampoo (versão 2 em 1, shampoo e acondicionador, para cabelos longos -- e não estou a ironizar, foi mesmo), ensaboou, enxaguou, limpou -- e tudo sob controlo. Claro que entretanto já se rebolou na terra, já se envolveu em folhas outonais, já andou à procura da bolinha no meio dos arbustos e, portanto, já deve estar a precisar de outro banho (refiro-me ao urso, não à minha filha). Mas enfim.

Ao fim do dia, antes de irmos levar a minha mãe a casa, já só nós, fomos fazer uma caminhada com ela para a beira da praia, naturalmente em versão mais soft e um pouco mais curta que o habitual. Ainda assim, nada mal.

Já de volta a casa, noite cerrada, mais de a meio do caminho, deu-me uma pancada de sono mas daquelas de tipo Boa-Noite Cinderela. Sono profundo. Acordei perto de chegarmos. Portanto, devo ter dormido uns dez a quinze minutos. Mas foi sono total. Quando acordei parecia que estava a acordar de uma anestesia. 

O meu marido achou por bem ainda darmos mais uma volta ao burgo pois parecia-lhe que a fera ainda não tinha feito cocó à altura do que tinha comido. Fiquei passada, que fosse ele que eu queria vir para casa. Pedrada ainda da queda no sono durante a viagem, não me achava capaz de dar passo. Mas ele lembrou-me que tinha caminhado muito menos que o habitual e que só me fazia bem. Quando estou assim, em estado quase catatónico, têm de mim o que quiserem. Fui, arrastando-me, atrás dele e do pobre cão que também só queria era vir para casa dormir.

Claro que o bicho não defecou mais nada e claro que reentrámos em casa tarde e más horas. Não jantei, só bebi um chá. Não sei se comi demais ao almoço ou se foi da fatia de bolo que comi a meio da tarde, mas a a verdade é que estava sem fome. Agora que o dia já dobrou e já virou domingo é que me está a dar uma fome das danadas. Mas não vou a esta hora aquecer bolonhesa ou qualquer outro resto do almoço. Saco.

Se calhar ainda vou é comer um dióspiro, quiçá acompanhado por uma fatia de queijo de cabra. Isto só visto. Bem quero fazer dieta e até estava a pensar que pular o jantar só me fazia era bem. Afinal estou aqui esgalgada de fome, prestes a marimbar-me para o açúcar do dióspiro e para a gordura do queijinho, isto estando prestes a ir para a cama. Caneco.

Escuso de dizer que não vi televisão, não sei de nada que se tenha passado no mundo. Também não me apeteceu ir à cata de notícias. O dia foi bom, bom, bom, feliz, morninho com o calorzinho do dourado sol de outubro, não estou para estragá-lo com pepineiras ou, pior ainda, com putinices ou vendavais e dilúvios. Hoje estou noutra.

Parti direto para o Youtube e, aí, o meu amigo presenteou-me com mais uma boa galhofada. Coisa boa, a gente rir.

Não há nada mais divertido do que os exageros e os trejeitos bem dispostos de uma bicha assumida. Ora vejam.

Milton Cunha atravessa ponte Rio-Niterói fantasiado e na garupa 
| Que História é essa, Porchat?


_______________________________________

Desejo-vos um belo dia de domingo
Saúde. Afecto. Boas ondas. Paz.

sábado, outubro 15, 2022

A farra no enterro do pai dela.
A barracada no aeroporto por conta da mãe do 'veado'.
E o embaraçoso pum no elevador

 

Toda a gente sabe que se há situação em que a malta cá fora se diverte e conta umas piadas das boas é nos velórios. Claro que há sempre alguém que, sussurradamente, apela à contenção. Mas costuma ser sol de pouca dura. Depois das palavras de circunstâncias -- é a lei da vida e o escambau --, a malta gosta de se rever, de relembrar ocasiões divertidas e contar umas larachas.

Tirando isso, assim de repente, comigo, situações macacas em velórios lembro-me de duas mas tenho que ser sincera, não foram macacas, foram macaquinhas, mini-mini-macaquinhas. 

A primeira foi no velório do marido de uma grande amiga. Foi uma morte inesperada, ele estava bem no dia anterior, ficámos todos muito abalados, eu sabia que a minha amiga estaria de rastos pois era apaixonada e agarradíssima ao marido e, por isso, eu própria ia enervadíssima temendo não estar à altura do imenso desgosto em que ela estaria. Fui com o meu marido pois era incapaz de ir sozinha. Fomos para a São João de Deus, ali à da Avenida de Roma. Lá chegados, não vi ninguém conhecido. O meu marido também não reconheceu ninguém mas isso era normal pois eu é que era amiga dela. Ele bem queria que eu lá fosse cumprimentá-la mas eu não quis, tive esperança que ela viesse cá fora. Nunca gosto de entrar na capela mortuária, tenho medo que o caixão esteja aberto. Não consigo ver mortos. É coisa que vem de criança. Não sei se tenho medo que o morto me puxe pela camisola quando me apanhar de costas ou me pisque o olho se eu encarar com ele. Não sei. Fiquei cá fora, no meio de desconhecidos. Pensei que seria a família, gente que eu nunca tinha visto. Estranhei não ver colegas mas isto foi a um fim de semana. As pessoas têm a sua vida. Às tantas, desconfiei mesmo. Pedi ao meu marido que fosse confirmar se não estávamos no velório errado. Lá foi e veio a dizer um nome que não era o dele. Bolas. Então era isso. Percebemos depois que ali havia outra capela. Portanto, lá fomos. A mesma situação: nenhum conhecido. Com isto tinha-se feito tarde, tínhamos que nos ir embora. Não me lembro se os meus filhos teriam ficado com os meus pais ou se já seriam adolescentes e teriam ficado por sua conta e tínhamos que ir jantar. 

No dia seguinte era o enterro, uma segunda-feira. Pedi para ir de boleia com outro amigo pois não gosto de ir sozinha. Qual o meu espanto quando fomos para a São João de Brito, lá mais acima, ali à Av. da Igreja... 

Não tem graça, claro, pois ela deve ter achado estranho eu não ter aparecido na véspera, tão amiga que era.

A outra situação mini-macaquinha foi no velório do meu sogro. Muita família, muita gente. Às tantas um dos irmãos da minha cunhada com a mulher. Cumprimentei-os, claro, estivemos a conversar, falei da última vez que tínhamos estado juntos, não me lembro exactamente. Ela sempre gira, muito elegante, mini-saia, pernas bem torneadas, cabelos louros compridos. A primeira vez que a vi foi no dia do casamento da minha cunhada. Não apenas ela mas a outra cunhada, jovens mulheres muito bonitas, muito elegantes, de vestidos curtos, cabelos louros compridos e chapéus giríssimos. Nas festas de anos ou nessas ocasiões festivas ou no verão, na quinta da família, encontrávamo-nos todos. Todos eles desataram a reproduzir-se e, portanto, não eram apenas os meus filhos mas também os primos e as primas. Quando, nessa noite, me cruzei com a minha cunhada e comentei que tinha estado com um dos irmãos dela e com a mulher dele (referi-os pelos nomes, claro; e para facilitar a conversa suponhamos que se chamava Filipa), disse 'Achei a Filipa um bocado calada...'. Aí ela, que é de falar alto, exclamou: 'A Filipa? Mas tás-te a passar? Qual Filipa? Ó mulher... mas onde é que a Filipa já vai?'. Não percebi. Aí ela desatou-se a rir: 'Tamém achaste atão o mesmo que toda a gente acha? Que esta é igual à outra?'. Eu estava mesmo passada: 'Mas não era a Filipa?'. E ela, rindo de gosto: 'Oh pá, atão não soubeste que se deixaram? Agora vive com esta.' Imagino o constrangimento da dita outra sem me conhecer e eu a falar com ela como se a conhecesse. 

Nada de especial, portanto. 

Pelo menos nada que se compare com a descrição que a fantástica Evelyn Castro da Porta dos Fundos faz do enterro do pai. Um espectáculo. Imperdível. Risota da boa.

Evelyn Castro relembra uma situação curiosa no enterro de seu pai |

Que História é essa, Porchat?


Outra história divertida e bem contada é esta aqui abaixo em que um dia que começou azul e lindo, cheio de surpresas e alegrias, acabou na esquadra da polícia. Um barraco dos antigos.

Miguel Falabella e o barraco no aeroporto 
| Que História É Essa, Porchat?


Gosto muito do Rômulo Estrela, acho-o um giraço, acho que tem pinta, acho que é mais um daqueles que também é todo bom. Não o sabia tão divertido... e isso só vem fazer com que ainda suba mais uns pontos na minha escala. 

Aqui, conta uma história mesmo embaraçosa. Credo, nem quero pensar... Imagino a atrapalhação. Aliás, se fosse comigo (e vira essa boca pr'a lá), não fora a dor de barriga, imagino que haveria de desatar a rir sem parar.

O pum no elevador | Rômulo Estrela |
| Que História É Essa, Porchat?

_________________________________________

E é isto. Thank's dog it was friday.
Bom sábado
Saúde. Risota. Paz

quinta-feira, setembro 15, 2022

Chamem o Milhazes para me ajudar aqui a dizer a 1ª palavra da interjeição:
C...., fui mordida por um jacaré!
[assim gritou a Muda Bella quando se banhava lá no Pantanal]

 

Do que vi na televisão, longas e longas e longas filas para chegarem perto do caixão real, tenho a dizer que me ocorre sempre a mesma prosaica dúvida: mas aquela gente não precisa de ir à casa de banho? Mas, na volta, ninguém precisa e a mais ninguém ocorre esta dúvida. Por isso, desde há muito interiorizei que sou a única mijona à superfície da terra.

Eu, com a minha tensão baixa, se estiver muito tempo de pé, ao fim de algum tempo começo a ver tudo a pôr-se branco. Disfarço, bebendo água. Só que se a água me ajuda a manter-me em pé, ao fim de algum tempo já deu a volta ao circuito e anuncia que está de saída. Agora imagine-se que estou no meio daquela gente toda, ali, horas e horas e horas. Haveria de ser bonito. Mas eles, bem os vejo, todos na boa, firmes e hirtos, frescos e fofos e sem vontade de ir à casa de banho. Juro. Não percebo.

Agora até me lembrei de uma secretária que havia quando fui trabalhar para um certo edifício. Reinava aquela mulher imponente, alta, forte, cabelos lisos compridos, muito louros, olhos muito azuis, voz poderosa. Toda a gente dizia que o administrador que ela secretariava era quem mais mandava no pedaço mas que quem mandava nele era ela. Falava como se, de facto, mandasse e impunha respeito a toda a empresa. Ninguém duvidava do seu poder e a ninguém ocorria desafiá-lo.

O gabinete dele era enorme, todo forrado a madeira, Num canto era a área da secretária, uma secretária enorme, e, no extremo oposto, perto da porta e rodeado de janelas, era o espaço da sala de reuniões, uma mesa comprida com dez cadeiras em volta. Entre um espaço e outro, tudo dentro do mesmo gabinete, era a zona dos sofás, uns belos sofás de pele. E havia grandes quadros a óleo, tapetes de lã, móveis de boa madeira. Outros tempos. Agora é tudo branco, liso, de vidro, uma monotonia. Bem. Para se chegar ao gabinete desse administrador tinha que se passar pelo gabinete dela, um gabinete que tinha também uma antecâmara onde ela deixava em banho maria os que chegavam antes de tempo ou sem estarem marcados. Havia ainda uma espécie de despensa cheia de estantes onde ela tinha o arquivo.

Até que ela achou que tinha muito trabalho e precisava de uma ajudante. As vontades dela eram ordens. Como o gabinete dela era grande, foi lá colocada uma outra secretária de madeira e outra de carne e osso. Claro que fez da outra gato sapato. E uma das primeiras instruções que deu à sua aprendiz foi que arranjasse um garrafa grande para que, quando tivesse vontade de fazer xixi, fosse à despensa fazer para a garrafa. A questão, segundo ela, é que uma secretária tinha que estar sempre disponível para quando o big chefão chamasse ou quisesse uma chamada ou para o que fosse. Claro que a outra, que também era de nariz empinado, se recusou -- disse que quando estivesse aflita iria à casa de banho e ponto. Claro também que não se aguentou muito tempo naquelas funções. E claro que também contou esta história e nunca ninguém mais se arriscou a entrar na despensa.

Mas, pronto, isto a propósito daquelas longas filas para se despedirem de Isabel II. 

Adiante.

Agora estou aqui a ver o Armário, um curioso programa com a Joana Barrios que se veste e maquilha a condizer com o seu fácies. Não se pode dizer que tenha uma beleza convencional mas a verdade é que a acho uma mulher interessante. É curiosa, carismática. E acho-a simpática. Gosto de vê-la quer aqui, quer nos programas de culinária. Tem sentido de humor, tem inteligência, tem graça.

Creio que o programa trata de marcas ou criadores portugueses ligados à moda ou à cosmética. Aproveito para ir vendo e escrevendo até dar o Pantanal. E, neste compasso de espera, aproveito também para dar uma circulada pelas notícias, pelos blogues (há com cada maluc@!) e pelo youtube.

E foi aqui que o meu amigo algoritmo tinha para me oferecer um videozinho mesmo divertido. O Porchat, esse ganda maluco, convida pessoas conhecidas para contarem cenas curiosas que lhes tenham acontecido. Aqui a convidada é Bella Campos, a Muda do Pantanal. 

E a história é do caraças: fora das filmagens, no período de descanso, estava a banhar-se no rio quando sentiu uma pressão na perna. Com a mão deu uma estalada no atrevido e foi então que percebeu que o atrevido era um grande jacaré. Nem imagino... 

Mas o melhor é vê-la e ouvi-la a falar sobre o sucedido.

Bella Campos foi mordida por jacaré durante banho de rio no Pantanal | 

Que História é essa, Porchat?

No Que História é essa da semana, Fábio Porchat recebe Bella Campos, Raí e Rodriguinho. Bella conta a história de quando foi mordida por um jacaré no Pantanal. A atriz deu detalhes do seu resgate e cuidados após o acidente.

______________________

Desejo-vos um dia bom

Saúde. Curiosidade e alegria. Paz.