Não sou espetadora assídua, só de vez em quando. E mesmo quando espeto é em doses homeopáticas. Também sou um bocado alentejana apesar de não ter raízes por lá. Mas como tenho avós algarvios, se calhar é isso. A coisa deu-se há dias e só agora caíu a ficha.
Não. Não foi isso. Deu-me pena. Pensei: 'Coitada' e, por isso, resolvi que não ia tocar no assunto.
Mas hoje resolvi que sim. Mas não é por ela, coitada, não merece que a gente fale sobre o assunto, acho que mais vale a gente fingir que não viu. Ocorreu-me usar a palavra caridade mas isso podia soar a maldade e, a sério, acho que maldade grande já foi a que o chefe dela lhe fez, já chega.
Por isso, este meu texto não é para ela, coitada, a sério que não. Este texto é para o chefe dela, aquele a quem o André Gustavo -- que não sei se foi apanhado no Lava-Jato ou não -- tratou da campanha eleitoral. Ele, o láparo maldoso, para discursar no 25 de Abril, a Assembleia à pinha, as televisões a filmarem, é que mandou aquela pobre coitada para os cornos do toiro.
E ela, coitada, com aqueles olhos de quem toma muito drunfo e sabe-se lá que mais, subiu ao parlatório e, com aquele seu ar que tenta, com a veemência, disfarçar a insegurança, para ali leu um chorrilho de disparates, adjectivos bafientos, salazaristas. Um despropósito, um desatino. Coitada.
Mas, como disse, não vi tudo. A televisão apanhou-a a meio e o meu marido disse: 'olha para isto, mal consegue abrir os olhos, e ouve só a conversa dela'. Tentei mas nem percebi de que é que ela estava a falar. Aquilo foi coisa escrita numa altura em que não estava em grandes condições, coitada, e o sacana do láparo, em vez de a ajudar, deixou ir assim mesmo. Não se faz. Por isso, desviei-me, não quis ver. Deu-me pena. Porque é que aquele ali não mandou avançar o enxúndias, o cão com pulgas, o joker ou o puto charila? Mandou aquela pobre coitada porquê? Não achará que queimada e mais que queimada já ela está? De facto, há pessoas cujo carácter se vê na forma como se tratam os mais desvalidos.
Por isso, este texto é para ele, o láparo. Ela, se quiser, pode ir à boleia, pode ser que um banho de água fria lhe faça bem. Os dois para o banho. Aliás, estou certa que ao Presidente Marcelo vontade não deve ter faltado de lhe dizer: 'Ó minha senhora, vá dar banho ao cão' ou, a ele, ao salazarista e bafiento láparo: ''A que propósito é que em vez de ter ido dar banho ao cão, resolveu expor a loura a esta banhada? Isso faz-se? Acha que isso é de homem? O outro gabou-se de o ter posto aqui, como se tivesse feito um lindo serviço, mas não senhor, não fez grande trabalho, não senhor, não conseguiu fazer de si flor que se cheire. Olhe lá, não estará na hora de ir pregar para outra freguesia, de ir abrir portas lá para o império dele, do seu amigo banqueiro, o vai-estudar-ó-relvas? Vá. Xô!'
Antes de ir para o Governo, a sua fama já a precedia. No período pré-Governo do PSD, diziam-na a garganta funda ao serviço do Coelho. Pouco confiável, já na altura se sabia.
Depois, se antes tinha negociado com Swaps que iam arruinando o Estado, a seguir, no Governo, poupou os que quis e fez-se de santa em relação a outros e, com aquele ar de matreira videirinha, fazendo-se de inocente e, com a cobertura do ex-aluno Láparo, manteve-se em funções, dizendo que não tinha a ver com nada daquilo. Durante a governação, foi useira e vezeira como troca-tintas: disse e desdisse -- e tudo sempre com aquele seu arzinho descarado, narizinho empinado de quem sabe que está a lidar com mansarrões de onde mal nenhum lhe virá.
A comunicação social, servil e veneranda, permitiu que fosse vendendo o seu peixe como muito bem quis. Quando confrontada, no Parlamento ou nas Comissões de Inquérito, com as mentiras, mantinha o sorrisinho, e, qual coelhinha bunny-bunny, santinha, santinha, dizia que não tinha dito aquilo que tinha dito. Bajuladora de Bruxelas e, em especial dos alemães, dizia lá fora que era definitivo o que cá dentro dizia que era provisório.
[Já agora: o seu comportamento no processo BES ainda um dia deveria ser escrutinado. Nunca percebi quem lhe deu a cobertura para fazer o que fez na maior impunidade. É uma das história muito mal contadas da governação passista e não percebo como é que ninguém lhe segue o rasto.]
Pois bem. Agora sabe-se que, enquanto ministra, a nossa diligente Marilú vendeu créditos do Banif a um daqueles fundos que sugam a alma das vítimas -- e que, surprise, surprise!, é justamente para lá que agora trabalha em funções que a fazem estar do outro lado da divisória.
Maria Luís Albuquerque, atualmente deputada do PSD, vai desempenhar funções de diretora não executiva e fará parte do comité de auditoria e risco da Arrow Global, empresa que se dedica à gestão e recuperação de dívidas e que comprou em 2014 carteiras de crédito ao Banif.
No relatório de gestão e contas de 2014, o Banif dizia que em 30 de junho e 30 de setembro desse ano "foram assinados os contratos de compra e venda de créditos compostos pelas carteiras de Portugal e Espanha à Arrow Global Limited e à Arrow Global Luna Limited, respetivamente".
(...) Em Portugal, a Arrow Global comprou, em abril do ano passado, a empresa de gestão de créditos Whitestar e a empresa de serviços de tratamento e aquisição de dívidas Gesphone, pelas quais pagou 56 milhões de euros. No final do ano passado, o grupo britânico tinha 6,8 mil milhões de euros de ativos sob gestão em Portugal.
Quando confrontada com a falta de moral, de ética e de vergonha na cara que esta sua descarada atitude revela, Maria Luís Albuquerque faz aquele arzinho de inocente que tão bem lhe conhecemos e diz que não tem nada de mais, que, ora, ora, lá estão a fazer aproveitamentos políticos.
Perplexos (nós, os poucos que ainda acreditamos no Pai Natal), interrogamo-nos: Período de nojo? Não trabalhar para empresas com quem se fez negócios enquanto governante?
"Bahhh... Querem lá ver que agora até acham que há conflito de interesses...? Tanto pruridozinho... Gentinha mais picuinhas!"
(pensará ela, que não é dada a profundidades morais).
É que, para aquelas bandas, parece que bom mesmo é a promiscuidade completa, a desbunda, tudo ao molho e fé em Deus.
E, como se fosse pouco, imagine-se ainda o cúmulo da desfaçatez: parece que, ainda por cima, quer continuar a receber o ordenado de deputada.
Sempre que a televisão a foca na Assembleia, vê-se que a biscateira está desatenta em relação ao que lá se passa ou, de vez em quando, levanta a cara do computador e faz um sorrisinho a fazer de conta que está atenta mas, logo a seguir, como se não tivesse tempo a perder, lá está ela a trabalhar, pimba, pimba, no teclado -- sabe-se lá a fazer o quê. Estará a analisar a créditos e dívidas? Não sei. Pergunto.
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Contou-me um Leitor, por mail, que Manuela Ferreira Leite, na TVI 24, arrasou a Madame Albuquerque. Não vi. Estava a escrever isto e esqueci-me de a ver. Mas os jornais já estão todos a dar conta disso:
Manuela Ferreira Leite não poupa a homónima. Acusa-a de falta de "transparência" e de falta de "bom senso", por ir para uma empresa que causou "prejuízos" ao país, "quase sem tempo nenhum de nojo".
Nem mais.
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E, antes de passar para o momento de humor e para outras pequenas anotações, permitam que daqui mande um alôzinho para o António, o cioso maridão:
Olhe, seu mauzão, não leve a mal o que eu acabei de dizer, ouviu? Sou boazinha, franzininha, coitadinha, não me faça mal, está bem...?
Mas olhe, se quiser vir cá partir-me os cornos (pardon my french), bata antes à porta e peça para falar com o meu maridão, valeu?
E pronto, é isto. Ficamos assim. À espera.
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E que entre a Olívia Costureira e a Olívia patroa, que esta, sim, tinha (e tem) graça, não viveu à nossa custa e nunca ofendeu a inteligência de ninguém
Ivone Silva
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As imagens que usei para enfeitar o texto provêm do saudoso We Have Kaos in the Garden
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(Agora uma coisa pergunto eu: será por ter um body guard mauzão que à Marilú nunca apontaram um rato morto à cabeça ou enviaram um laser por correio como parece que fizeram à atilada Paulocas?)
Ah, sim... ainda mais uma coisinha: porque é que todos os arguidos do processo Rota do Atlântico ou lá o que é, aquele do José Veiga e do Paulo Santana Lopes, ficam todos proibidos de falar com o Vai-Estudar-ó-Relvas e com o 007 Sérgio Monteiro (o tal ex-vendedor a jacto da TAP e de outras miudezas e que foi contratado pelo Carlos Costa do Banco de Portugal para vender o Novo Banco)? O que é que estas duas distintas, e certamente impolutas, figuras têm a ver com os outros? Agora até o Manuel Damásio foi proibido de os contactar. Mas porquê, senhores? Alguém me diz?
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Já cá volto - ou daqui a nada ou de manhã. Quero contar-vos uma coisa mesmo do caraças. A sério. ....
No post abaixo homenageei alguns dos grandes do meu País que enobrecem o que nele é grande. De vez em quando há assuntos que me deixam feliz. Espero que também gostem.
Mais abaixo ainda, o espaço é de humor. Foi atar e pôr ao fumeiro: os Leitores a enviarem e eu a partilhar convosco.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. É tempo de falar de Justiça, ou melhor, do nosso fantástico super-Justiceiro.
Ele está em todas. Numa mesma semana avia buscas, inquéritos, numa tarde produz um despacho de 250 páginas, sei lá: um verdadeiro Speedy Gonzalez.
Depois, a seguir, embrulha-se tudo, muitas vezes provas mal paridas, suspeições infundadas, trapalhadas, recursos, e geralmente nunca nada dá em nada. Mas isso não interessa. O super-Justiceiro deve mover-se por objectivos: revirar 50 casas por semana, fazer 100 horas de interrogatório por semana, produzir 600 páginas de despachos. Se isso vale de alguma coisa, ora abóbora, problema dos outros que ele já fez a parte dele.
E vá de Música, por favor.
Vou já avisando: não o conheço, não tenho fontes directas nem de alguma forma tenho inside information. Apenas sei o que leio nos jornais e ouço e vejo na televisão - mais nada.
Isto dito, deixa-me lá voltar à cold cow.
Não há dia que passe que o Super-Alex não dê nas vistas. Super-Mediático chama-lhe Proença de Carvalho e não o podemos negar: ele tem um comportamento super-sónico e as câmaras de televisão esperam-no para onde quer que ele vá. [Como é que as câmaras chegam lá antes dele é outro pormenor que também não interessa].
O super-Justiceiro Carlos Alexandre, o grande moralizador da sociedade portuguesa, aplica mão pesada em quem cospe no passeio ou diz palavrão, em quem dá pum, em quem esconde o bolo do primo ou apalpa o rabo da vizinha e, com um bocado de sorte, talvez se ocupe ainda de alguns criminosos a sério.
É que ele está em todas, senhores. Ora interroga o Ricardo Salgado para perceber para onde mandou ele os milhões que sumiram do BES, ora revira a Administração Pública a ver onde se escondem os malandros que aceitam garrafas de vinho a troco de favores a chinocas, ora revista farmácias e laboratórios a ver se descobre onde é que guardam as coisas que não apareceram nas primeiras buscas meses atrás, ora prende Sócrates e tenta descobrir em que gaveta da sua casa é que ele guarda as cartas que troca com a mãe ou manda revirar a garagem onde ele guarda os papéis a ver se descobrem quem o corrompeu (porque, caraças, alguém há-de ter sido), ora, alguns meses depois do alerta, volta à carga com o BES a ver se alguém deixou alguma prova esquecida - e por aí anda ele. Esta quinta feira parecia ir tudo de arrastão, casas do Salgado e de mais não sei quantos, banco, escritório de advogados, e sei lá que mais, trinta e quatro sítios revistados, uma festa.
De cada vez que as noticias dão conta de que o Super-Alex anda pela cidade com 200 agentes à solta, a gente pensa: quem é que será que vai dentro desta vez? O que é que ainda falta passar pelo crivo do Castigador Super-Alex? Quem é que ele vai punir desta vez? E como vai ele exercer as punições: chibatadas, pimenta na língua, solitária, câmaras de televisões em tempo real apontadas à cara?
E a gente interroga-se ainda mais: mas será que são sempre os mesmos agentes ou há-os por aí aos montes, aos cachos, em resmas, paletes? É que, dia sim, dia não, a gente ouve que há nova investida, ouve que foram largados nada mais nada menos que 200 ou mais agentes e mais uma dúzia de magistrados. E, quando ouvimos isso, já sabemos: aí andam o super-Alex e o infalível Rosário Teixeira em nova surtida (aquele tal que, até hoje, ainda não acertou uma, umazinha que seja - pelo menos de entre as que se lhe conhecem). Uma dupla gira esta, Alex & Rosy.
É certo que com tanta busca, tanta prova, tantas horas de gravações, tanto material recolhido por tanta centena de agentes, tanto processo, tanto arquivo, tanta trapalhada, a coisa não poderia correr bem: cometem erros, dá ideia que se metem em tanta coisa ao mesmo tempo que depois não conseguem dar vazão, os processos arrastam-se durante anos, ensarilhando-se uns nos outros, uma seca. Ao longo de anos, chocam, chocam mas a gente nunca vê nascer nenhum pinto.
Outra coisa, ignorância minha: ainda não percebi bem - com esta coisa da separação de poderes e esta frase que não há papagaio que não repita, à política o que é da política e à justiça o que é da justiça - se cada um depende de cada qual, quem é que articula esta tropa e gere esta barafunda toda?
Será que uns são geridos pela Loura da Cruz e outros pela Vidal de Saias ou nem isso e estão em roda livre?
E será que as duas se coordenam entre si para ver se a coisa corre bem ou a tal da separação de poderes passa por aí? Não sei, pergunto.
O Super Alex e o fofinho do Rosarinho pertencem a filmes diferentes que apenas se juntam na ponta final ou andam unidos a ver se tramam bem tramados os suspeitos? O segundo apura provas e o outro, imparcialmente, vê se o Rosarinho não se excedeu? Ou estão sempre em sintonia? Pergunto, e perguntar não ofende.
A questão é que me preocupo com estas coisas, é claro que me preocupo, que eu cá sou lerdinha das ideias e não percebo nada disto.
Ponho-me à varanda a pensar nestas coisas complicadas, e só ouço as sirenes lá fora a cruzar as ruas, a cidade em estado de sítio, banqueiros e reguladores, polícias e notários, ex governantes e secretários gerais, farmacêuticos, enfermeiros e analistas, toda a gente suspeita, toda a gente a ser revistada, toda a gente de pulseira electrónica.
Bem que me ponho à varanda, uma catatua no corrimão a cantar-me cantigas de amor, e eu a tentar distrair-me, a imaginar que o super-Alex me vai aparecer aqui, me vai tirar para dançar, e eu linda, formosa, XL e fogosa, e as mangas desaparecem e transformam-se em alças e o decote insinua calientes desmandos e os cabelos crescem e tornam-se louros e ele põe um chapéu e arranja tempo para me fazer rodopiar no salão. Ah, que bom seria, que bom.
Sonho impossível, o meu? Porquê? Se ele arranja tempo para tanta coisa porque é que não há-de arranjar um tempinho para vir aqui ter comigo, dançar no salão, os 200 polícias a guardarem o nosso slowzinho gostoso, o nosso segredo, o senhor do SIS a vigiar, e nós, ternurentos, a sussurrarmos palavrinhas doces*?
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* Fugas de informação? Quem é que falou em fugas de informação? Eu disse palavrinhas doces e, de resto, isto sou eu a imaginar, que eu, como é sabido, sou uma moça muito imaginativa, ora essa. O Super-Alex tem lá tempo para bailaricos e outros devaneios.
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As imagens representam pinturas de Fernando Botero. Mas a primeira imagem, a do senhor que está lá em cima a pensar se há-de dar uma perninha de dança, é o Super do Ticão, ou seja, o Juíz Carlos Alexandre a quem eu, porque sou dada a carinhos, aqui trato por Super-Alex.
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Tinha ideia de falar ainda no Estado Negreiro em que este desGoverno está a transformar Portugal, pegando em desempregados e pondo-os a trabalhar por tuta e meia. A indignidade a que esta gente obriga os desprotegidos e indefesos parece não ter limites. Mas já não consigo, estou muito cansada. A ver se amanhã.
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Relembro: no post já a seguir, o palco é dado, muito justamente, a gente muito boa que faz coisas muito boas, coisas que são Património Imaterial da Humanidade. Mais abaixo ainda é tempo de desbunda, de gargalhada e de humor (ainda que talvez a atirar para o humor negro)
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Tenho sono demais e não consigo reler o que escrevi. Por isso, por favor relevem barbaridades que encontrem.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.
Ora bem. No post abaixo dei-vos conta da carga de trabalhos que foi para Passos Coelho arranjar um substituto para Miguel Macedo. Não foi fácil. Como ali se pode ler, dos que ele tinha em mente, ninguém quis.
Uma loura e uma morena lutam na lama
(futurologia, claro)
Até que, de cabeça à nora e sem saber a que porta bater, o Aguiar Tinto (sorry: Branco) lhe sugeriu Anabela Rodrigues, professora com um belíssimo currículo na área académica.
Anabela Rodrigues, a nova Ministra da Administração Interna
Mas vamos com o Marco Paulo, que vamos bem acompanhados
A professora universitária de Coimbra, onde nasceu a 5 de dezembro de 1953, é docente de Direito e Processo Penal, doutorada em Ciências Jurídico-Criminais, e na sua carreira assumiu funções como presidente da Comissão para a Reforma do Sistema de Execução de Penas e Medidas e também da Comissão de Reforma da Legislação sobre o Processo Tutelar Educativo. Tem várias publicações nestas matérias.
Curriculum Vitae completo de Anabela Rodrigues aqui.
Vinha no carro e ouvi dizer isso mesmo, que o CV de Anabela Rodrigues - a poucos dias de completar 61 anos, bonita, bom ar - é muito bom, que acabou o curso com uma boa nota, que tem feito trabalhos e estudos e que a carreira académica é exemplar. Muito bem.
Contudo, do que percebi, não tem experiência política nem actuação que se conheça fora da sua área de estudo. Ora isso parece-me um problema na pasta para que vai.
A rapariga que está na recepção do piso em que trabalho tem um um CV fantástico: o que ela sabe fazer, a sua maneira de ser e as boas referências dos sítios por onde passou são invejáveis, não há quem não o reconheça. Mas como recepcionista. Extrapolar que, se o CV e as referências são inatacáveis, então daria certamente uma boa MAI, vai uma grande distância.
Pôr Anabela Rodrigues a gerir polícias, guardas republicanos, bombeiros e respectivas reivindicações, polícias de fronteiras, alguns dados a esquemas e sei lá a que mais, deve ser, para ela, uma realidade paralela.
No entanto, pode ser que nos surpreenda até porque pode ser que aquela malta, no princípio, tenha uma certa deferência para com ela, até por ser mulher e inexperiente (e como também a coisa não é para durar mais que uns meses, pode ser que não dê tempo a azedar de vez).
Paula Teixeira da Cruz, a loura do governo do PC
Agora onde me parece que a porca vai mesmo torcer o rabo é nos conselhos de ministros, no confronto com a Loura da Cruz. Sendo jurista de formação e tendo uma vida profissional em torno do direito, nomeadamente direito penal, palpita-me que a Anabela (Belinha para a família?) vai bater de frente com a outra destravada. Ouvi que a nova MAI é reservada. Ora, sendo inteligente e reservada, tem tudo para ouvir petrificada e em silêncio as aberrações que a outra profere para, a seguir, a frio, lhe aplicar estocadas fatais.
Portanto, a ver se a corda não vai partir mais cedo, não por causa dos homens fardados que costumam ser cavalheiros e estão habituados a ser pacientes nos primeiros momentos, mas por causa das refregas que se adivinham entre a loura e a morena.
Aliás, pode até acontecer que o putativo barítono, quando as duas se pegarem à estalada e ao puxão de cabelos, não sabendo o que fazer, se ponha a cantar 'Eu tenho dois amores...'
Tirando isso, desejo muita sorte à nova ministra. A sério.
[Nem ela sabe no que se veio meter mas isso é outra coisa: é apenas a primeira manifestação da sua inexperiência]
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A coisa pode acabar assim: Paulinha versus Belinha (a Loura vs a Morena)
No post abaixo, relembro Manoel de Barros, poeta de minha afeição, que neste dia 13 se foi embora. Deixou-nos, no entanto, palavras que mais do que chegam para nos irmos lembrando da sua agramática, da sua simplicidade e do seu amor pela língua portuguesa. Gostava que descessem até ao post seguinte pois o Manoel de Barros que ali tenho veio pela mão do Cine Povero, e isso, sabemos bem, é sinónimo de qualidade e sensibilidade.
Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra. Aqui deixo a poesia porque a conversa é prosa e da seca.
Esta quinta-feira fomos surpreendidos com mais uma: uma razia de detenções. Isto é todo o santo dia: ou é uma desgraça, ou um escândalo, ou uma bacorada governamental. Não há um dia de folga. Mesmo que eu queira vir para aqui dar largas à minha imaginação, acabo sempre por não ter oportunidade pois não consigo passar ao lado destas maçadas correntes.
Mas vamos com música que vamos melhor.
Story of my life pelos The Piano Guys
Transcrevo excertos desta notícia e destoutra, ambas do Expresso:
de Edvard Munch
A Polícia Judiciária deteve esta quinta-feira 11 pessoas - incluindo altos quadros do Estado - por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos gold.
Os 11 detidos pela Polícia Judiciária vão passar a noite na prisão e são presentes ao juiz de instrução criminal esta sexta-feira. Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) explica ainda que "foram também realizadas seis dezenas de buscas em vários pontos do país, incluindo nos ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia".
Entre os detidos encontram-se o diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Jarmela Palos, a secretária-geral do Ministério da Justiça, Maria António Moura Anes, e o presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo.
de Paul Klee
O caso que está a ter maior impacto e a causar maior estupefação na sociedade portuguesa é o do diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos, que ocupa este cargo desde 2005. Palos entrou para o SEF em 1993, ou seja há 21 anos, e fez aquilo que se costuma chamar 'carreira de sucesso' dentro desta força policial.
A detenção de Maria Antónia Moura Anes, 56 anos, é quase tão surpreendente quanto a de Palos. Nomeada a 1 de novembro de 2011 para o cargo de secretária-geral do Ministério da Justiça, pela atual ministra Paula Teixeira da Cruz, Maria Antónia foi coordenadora do sector de formação do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) entre julho de 2010 e setembro de 2011.
de Edvard Munch
É aqui, no IRN, que esta licenciada em História que iniciou a vida profissional como professora de liceu, até entrar para os serviços de documentação do Centro de Estudos Judiciários em 1987, se cruza com um outro dos 11 detidos: António Figueiredo, presidente do IRN desde 2007.
Refira-se ainda que a secretária-geral do Ministério da Justiça, entre outras funções, foi funcionária da Polícia Judiciária e adjunta de José Pedro Aguiar-Branco, durante menos de três meses, quando o atual ministro da Defesa tinha a pasta da Justiça.
Albertina Gonçalves, secretária-geral do Ministério do Ambiente e sócia do escritório de advogados do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, foi ouvida no âmbito da operação vistos gold. Não foi detida, mas o seu gabinete foi objeto de buscas.
O Expresso apurou que três cidadãos chineses e três funcionários do IRN estão entre os 11 detidos.
A inexplicavelmente ainda ministra
Há bocado vi também Paula Teixeira da Cruz, lourésima melena descendo quase até ao rabo, toda destravada, deitando foguetes. para ela todos estes são culpados e deveriam apodrecer no quinto dos infernos ao contrário do que acontecia com os ladrões, corruptos e criminosos de toda a espécie que, antes dela, andavam aí pela rua roubando a pensão dos velhinhos, surripiando o subsídio de desemprego aos desempregados.
Paula Teixeira da Cruz falava à agência Lusa quando questionada sobre o eventual afastamento do cargo da secretária-geral do Ministério da Justiça (MJ), Maria Antónia Anes, e do presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, hoje detidos âmbito de uma investigação sobre a atribuição de vistos "gold".
"Qualquer pessoa que ponha em causa uma instituição deve imediatamente apresentar o seu pedido de demissão ou o seu pedido de suspensão de funções em função daquilo que é a imagem das instituições e da instituição que dirige. Portanto, seguirei a minha linha, como sempre segui", afirmou a ministra.
.... & ....
Ora, face toda esta cegada, o que tenho a dizer é o seguinte:
de Velazquéz
1 - O País não tem dinheiro. A dívida privada é descomunal, bem mais preocupante que a pública. O País precisa de investimento como de pão para a boca e não tem investidores. Antes da crise financeira, viviam todos em cima de financiamento bancário e não queriam saber de misérias. Qualquer um via que não tinham como alguma vez pagar mas vá de pedir dinheiro ao banco e os bancos vá de emprestar. Claro que, com a troika e com imposições europeias, os bancos tiveram que reconhecer que jamais receberiam essas dívidas e, portanto, viram-se forçados a registar imparidades (e daí os prejuízos que vêm apresentando).
Por isso, porque cá não há empresários com dinheiro que se veja, é uma boa política que se faça captação de investimento e que haja qualquer coisa de atractivo para que isso aconteça.
Claro que se admite que não se acolherão foragidos, que o país não será transformado numa lavandaria de dinheiro sujo.
2 - O investimento de que o País precisa é de investimento reprodutivo. Um bom investimento é aquele em que há criação de riqueza, criação de postos de trabalho, pagamento de impostos.
3 - Vender casas a estrangeiros não é um investimento do tipo dos que são necessários para ajudar o País a tirar o pé da lama.
de Paul Klee
Mas, admitindo que se está a falar de gente honesta e que o dinheiro é limpo, comprarem casas devolutas ou em mau estado não é mau. Pode até ser razoável, se houver lugar à reconstrução ou arranjo das casas - sempre haverá alguma relativa animação a nível da construção civil, sector que está nas ruas da amargura e que bem precisa de algum estímulo. O que é, é pouco. Seria bom se fosse um pequeno complemento; é curto, muito curto, se for só isto. Mas, repito, o desejável é que venham investimentos como os da Auto Europa ou outros, indústria de preferência.
4 - Não interessa, pelo contrário, se o que vier for gente obscura, com dinheiro em notas dentro de malas, que usará o Visto Gold para poder circular livremente na Europa em vez de trazer actividades que criem valor e que paguem impostos em Portugal. Também não interessa fomentar a proliferação de bazares chineses, que só vendem produtos importados, que não criam postos de trabalho, que não vendem produtos portugueses.
de Paul Klee
5 - Nisto dos Vistos Gold não faço ideia se houve ou não corrupção invadindo a máquina de Estado como uma gangrena, devorando a integridade de pessoas que se imaginariam honradas como o Director do SEF ou todas as outras pessoas que passam esta noite na prisão. Não faço ideia. Acho preocupante se é verdade e acharei delirante se tudo isto não tiver passado de um indesculpável excesso de zelo.
O que espero é que - com o tão pesado manto de desconfiança que isto lança sobre a máquina de Estado, com o lodaçal em que pareceria que Portugal se estaria a transformar se isto fosse verdade - se apure rapidamente a verdade e se faça justiça. Rapidamente, repito.
Paula Teixeira da Cruz
que, infelizmente, já ninguém consegue levar a sério
6 - Por outro lado, fico incomodada com as afirmações inacreditáveis da Ministra da Justiça que já dá todas aquelas pessoas por culpadas, afirmando que quer que os indiciados que trabalham no Ministério da Justiça se demitam e, em mais um surto histérico e paranóico, declarando que agora, sim, acabou a impunidade ao contrário do que antes acontecia.
É certo que não precisou a que período histórico se referia, poderia estar a reportar-se ao tempo de algum reinado em particular. Não se sabe. Da boca daquela transtornada senhora - que, não nos esqueçamos, não se ensaiou nada para enlamear dois técnicos de informática, que viram os seus nomes espalhados pela comunicação social, como se fossem uns perigosos sabotadores - já espero tudo.
de Paul Klee
Em síntese - Depois da destruição económica, parece agora a vez da destruição moral. A loucura, o destempero, a irracionalidade, a podridão cívica e ética parecem vir alastrando de forma preocupante.
As notícias que se sucedem a um ritmo alucinante e que provêm invariavelmente dos lados das mais altas instituições de Estado levam a que a população desacredite da bondade do Estado Democrático.
Tende a parecer que isto é tudo uma corrupção pegada, um fartar vilanagem, que tudo foi tomado de assalto por uma seita desqualificada. E este pensamento é do pior que há: abre a porta a populismos, a autoritarismos.
Poderíamos esperar que o Presidente da República pusesse água na fervura, mostrasse sensatez, sensibilidade, pulso, sentido de Estado. Infelizmente não. De cada vez que fala, com aquelas mensagens criptadas e crispadas, toda a gente encolhe os ombros desejando é vê-lo pelas costas.
A continuar assim, neste clima malsão e com esta sucessão de destrambelhamentos e desgraças, neste ano que falta até às eleições o país ver-se-á transformado num manicómio ou num decadente prostíbulo (e, por falar em meio mundo de perna aberta e tudo à venda por dez réis de mel coado, ainda me apetecia falar da venda da TAP mas é muito tarde e já não tenho energia para isso).
de Botero
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Alonguei-me, eu sei. As minhas desculpas. Para atenuar a aridez do tema não sei se as pinturas que escolhi ou a música lá em cima foram suficientes. Por isso, deixem-me que ainda partilhe convosco um surpreendente vídeo de dança.
Horses never lie
Bailarina e coreógrafa: Caroline Richardson
Filme de Kathi Prosser
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Manoel de Barros deixou-nos esta quinta-feira e eu relembro-o no post abaixo, socorrendo-me dos belos vídeos do Cine Povero. Se conseguirem, gostava que se juntassem a nós em volta das belas palavras do Poeta. É que, quando tudo arde, salva-se a arte.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira.
Todas as semanas há um novo membro do desGoverno a fazer-se de elefante.
A semana passada foi Pires de Lima - sobre quem as opiniões se dividem (será que estava etilizado? será que soltou a bicha maluca que tem dentro dele? será que mostrou que é parvo todos os dias? what...?).
Antes tinha sido o Crato a atirar tempos verbais para os olhos dos deputados e isto depois de ter deixado as escolas, os professores, os alunos e os respectivos pais com os nervos em franja e os cabelos em pé.
E não nos esqueçamos do Machete, semana sim, semana sim, a pôr a boca no trombone a a divulgar o que as secretas andam a vigiar na moita, deixando os colegas a bufar pelos cantos e a cochichar alternativas possíveis para o irem encaminhando (uma residência para idosos? um lar para taralhoucos?).
E a Albuquerca, a verdadeira chefa da banda, a mestre-escola do pau oco, a narizinho enrugado de coelhinho, a pinóquia? Entre swaps e outras tintas trocadas, lá vai levando a água choca ao moinho mas volta e meia fazendo os colegas do gang rangerem os dentes, dizendo entre eles: ou bem que se range os dentes, ou bem que, se ela quer jogos baixos, se lhe desata à canelada.
O próprio Láparo, com a cena da ONG e da Tecnoforma, já se tinha armado em big elefante, levando a que o padrinho lhe tivesse puxado as orelhas em público e que o cão com pulgas começasse logo a manobrar na sombra para arranjar um novo grande líder. E isto já para não falar nas intervenções que faz sempre que lhe põem um microfone à frente, uma conversa enrolada em que nada bate com nada, nem o tema em si, nem a gramática. O vice até deve ficar com os pêlos do peito arrepiados cada vez que ouve o chefe a calinar.
E o Maçães, esse pequeno galaroz, esse prodígio da natureza, que gosta de se armar no talibã dos liberais e deixa os outros a olharem para o tecto a fingir que não o conhecem...?
E as saudades que eu tenho do Lombinha dos Briefings, esse fofo, que dava cabo de todos os que se sentavam ao lado dele naquelas saudosas sessões de tomba-ministros e secretários de Estado...?
E sei lá quem mais. Tantos casos, tantos, que a gente lhes perde as contas.
E não incluo aqui o Vice-Irrevogável porque senão roubava o brilho aos outros que esse não é um elefante, esse é uma manada deles, cada qual engalanado de sua personagem, todas aperaltadas e de voz colocada como se fossem actuar no D. Maria II, um verdadeiro coro de vozes:
Por esta linha vermelha eu não passarei...!
E eu também não, e irrevogavelmente, perante vós, o declaro!
E essa inferior mulher ao meu lado...? Jamais...!
E, se dou o dito por não dito, é por uma e duas e três razões
e todas vivem dentro de meus três corações!
Todos, à vez, bisando, trisando, ali andam a brincar aos elefantes.
Ora tanto forrobodó tinha que dar nas vistas. A coisa tem vindo a ser falada, claro. Um pouco por todo o mundo, como não podia deixar de ser. Há coisas que a gente sabe fazer à grande, então não há?
Veja-se o caso da legionella, o bem posicionados que vamos no ranking mundial.
Pôr a legislação desleixada, não obrigando a controlar as coisas como deve ser, nomeadamente a qualidade do ar, é no que dá. E bem pode o Coelho vir agora limpar as mãos ao pêlo, que a culpa não é de quem altera as leis para as deixar permissivas mas, sim, de quem vai na conversa. Ora, ora. Conhecemos bem essa sua faceta de Pilatos.
Mas adiante.
Nisto, então, de haver sempre um elefante na sala do governo não há pai para nós.
Ora bem. Já no outro dia o The New Yorker tinha feito capa com o Conselho de Ministros de 18 horas.
Agora é a capa do mesmo The New Yorker, na edição da próxima semana, que vai trazer 'O Elefante à Vez no Governo Português'.
Desta vez o elefante é, claro, a lourésima Paula Teixeira da Cruz que toda a gente espera que se demita já que os bugs naquela cabeça são tantos que já lhe saem pela boca a torto e a direito.
Depois de ter parido a sabotona contra os dois pobres informáticos que quer à viva força despromover a bodes, agora, como os da PGR a mandaram bugiar - que vá chatear outros, que nem indícios há - numa de maluqueira completa, não desiste de os perseguir e quer pôr-lhes processos disciplinares.
Como também não vão dar em nada, ainda havemos de vê-la a atirar bichas de rabiar aos pobres coitados.
Ou então, ainda atiça o Pires de Lima para cima deles num daqueles dias depois do almoço ou quando estiver com um daqueles surtos.
(A ver é se isso não acontece quando ele estiver à beira de alguma piscina senão ainda tem mais uma alucinação com a Catherine Deneuve e se atira com eles lá para dentro).
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Já agora, porque o tema de tão triste, vos deve ter posto com uma lagriminha no canto do olho, deixem que termine com uma coisa mais levezinha: uma sugestão de brincadeirinha, com um elefante dentro, para que os que nos desgovernam se possam entreter durante os conselhos de ministros.
Em vez de tomarem mais decisões parvas, podiam antes jogar ao Procurar o peixe.
Todos à procura! Onde estará?
Debaixo da mesa? Ainda dentro do armário? Dentro do soutien de uma das ministras? Dentro das cuecas de um dos ministros? Quiçá das do Poiares?
Busca, busca... - podia ir incentivando à distância o rei das cagarras que riem. E eles todos à procura.
Peixe...! Peixe...! Onde estás tu, peixinho...?
Uma cena assim:
[Monty Python: Find the Fish]
Sendo que o elefante é, nitidamente, a Bug Peixeira da Cruz, será que aquela jeitosa de cabelo pink é o Pintas de Lima a fazer-se de Catherine Deneuve? Pergunto.
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Permitam que vos informe: no post abaixo há uma história com o humor enviado pelos Leitores. Desta vez temos uma história que deve fazer arrepiar os cavalheiros. Mas não há razão para isso, o post é apenas pedagógico e não apenas para cavalheiros. Mas, mesmo assim, para as madames não acharem que ficam a perder, escolhi um belo exemplar para ilustrar a prosa. Com 60 anos no ramo, como é que podia falhar?
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira!
Um sistema que começou por ser desenvolvido por um curioso, uma coisa que foi sendo replicada com pinças e presa entre si com clips, que cresceu sem que tivesse base de sustentação ou estruturas adequadas à arquitectura da organização, que às tantas, se vê obrigado a dar resposta a uma reforma que implica migração de uma massa imensa de ficheiros e a redifinir acessos adequados às novas comarcas. Isto, do que percebi, é a história da vida do Citius que, por milagre, uma vez mais, conseguiu sobreviver a mais uma série de pontapés e safanões.
Do que se sabe, todos os técnicos responsáveis têm vindo a avisar que aquilo estava por arames, que dificilmente se aguentaria face a uma reviravolta daquelas, tanto mais que os acertos da reforma iam sendo redefinidos aos bochechos e quase até às vésperas.
Pela forma amadorística e leviana como todo o processo da reforma estava a ser conduzido, sem atender às restrições de ordem prática, demitiram-se um ou dois dos envolvidos, senão mais. Estavam apreensivos com a ligeireza que presenciavam, ninguém os ouvia ou levava a sério. Ao longo do tempo, a tudo a ministra continuou a fazer orelhas moucas ou, então, não percebeu boi do que lhe estavam a dizer.
Isto é o que se vem lendo nos jornais.
Como venho defendendo desde há algum tempo, a minha teoria para as tropelias, nabices, aselhices, macacadas, trampolinices, vermelhinhas, trapaças, maluqueiras, etc, etc e tal, a que se assiste na Justiça, na Educação, na Economia e por todo o lado, é que tudo resulta da inabilidade, incompetência, ignorância, etc, etc, e tal de quem vem levando por diante tamanha desgovernação.
Sem perceber nada do que estava a acontecer, Paula Teixeira da Cruz levou as coisas por diante, gerou o caos nos tribunais, deu com a cabeça daquela gente em doida, e o melhor que se conseguiu dali foi que pedisse desculpa pelos transtornos.
Depois, quando viu que tinha metido a pata na poça, eis que a esperteza que lhe sobra num canto daquela cabecinha transtornada foi usada para inventar dois bodes expiatórios. Bem, bodes não. Cabritos, cabritinhos, inocentes cordeiros. Ou seja, olhou à roda a ver quem havia de sacrificar e assentou o olhar em cima de dois técnicos que, no meio daquela barafunda, e apesar da incompreensão política, ainda conseguiram arrancar com aquilo. Pois bem, em vez de lhes agradecer publicamente, a malandreca achou que podia enganar meio mundo: lançou um labéu contra eles. Sabotagem. Suspeita de sabotagem. Nem mais.
Quem tem dois dedos de cabeça soltou uma ruidosa gargalhada.
Os bugs agora andam a dar-lhe para dançar o vira ou quê?
Os dois profissionais que avisaram, que se viraram do avesso para não deixar aquilo cair, ainda são acusados na praça pública...? Só mesmo da cabeça daquela transtornada criatura podia vir uma ideia peregrina destas.
Mas, claro, a palermice tem a perna ainda mais curta que a mentira e aí está o caso já arquivado. Não há provas, não há indícios, nada, apenas mosquitagem na cabeça da ministra. Nem é na outra banda, é dentro da cabeça que ela tem mosquitos. Bugs. A ministra Paula Teixeira da Cruz tem a cabeça cheia de bugs.
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E ainda ela não descobriu estes malucos aqui em baixo que parece que têm sido vistos por aí a farejar o rabo do Citius.
Consta que são uns perigosos comunas que fingem que querem salvar a nação mas que parece que o que querem mesmo é sabotar o dito da ministra.
Manuel João Vieira - A solução para sairmos do buraco
No post abaixo conto uma história muito católica e, mais abaixo, mostro um calendário sexy.
Agora, aqui, continuo na mesma onda e, tal como a que se segue, esta história foi-me enviada por uma outra Leitora a quem agradeço. Numa sexta-feira à noite, com um sono que mal me permite manter-me de olhos abertos, não tenho cabeça para mais.
A loira e o “O Noiazita”
Durante um espectáculo, um ventríloquo estava a contar todo o seu repertório de piadas de loiras com a sua marioneta “O Noiazita”.
De repente, uma loiraça levantou-se e começou a reclamar:
- Já ouvi o suficiente das suas piadas a denegrir as loiras, seu idiota. O que o faz pensar que pode estereotipar as mulheres dessa maneira? O que tem a ver os atributos físicos de uma pessoa com o seu valor como ser humano? São pessoas como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, que nos impedem de alcançar o nosso pleno potencial como pessoa. Por sua causa e por causa das pessoas da sua laia, perpetua-se a discriminação, não só contra as loiras, mas contra as mulheres em geral… tudo em nome desse pseudo-humor!
Perplexo e envergonhado, o ventríloquo começou a desculpar-se:
- Minha senhora, não foi essa a minha intenção…
E a loira, em tom raivoso, interrompe-o:
- Fique fora disto, se faz favor! Eu estou a falar com esse rapazinho desprezível que tem aí na sua mão!
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NB: Como é bom de ver, as imagens não têm nada a ver com a inocente historiazinha - não só a ministra da Cruz é conhecida pela sua incrível inteligência como Marques Mendes é conhecido pela sua absoluta independência face a Cavaco Silva ou ao PSD em geral. Foram apenas as que encontrei que me pareceram ilustrar razoavelmente bem a história. Depois, para dar alguma consistência, modifiquei o nome do boneco, de Zezinho para Noiazita.
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Relembro: por aí abaixo há mais dois posts e eu tenho tanto sono que já não consigo dizer sobre o que são.
No post abaixo já vos mostrei um vídeo feito pelos Verdes europeus na despedida do cherne. Fartam-se de gozar com o peixe balofo, tadinho dele, que até já estou com saudades do nulo-zeo. Agora em quem é que a Merkel vai limpar os pés quando se apresentar em Bruxelas? E será que o Juncker já apagou o número de telemóvel dele? Aposto que sim. Para que é que o Juncker ia precisar de falar com um cherne fora de prazo?
No post mais abaixo fiz-me eco de uma notícia que corre na rádio alcativa e que tem a ver com o regresso do saudoso Relvas.
Mas tudo isso é a seguir.
Aqui, agora, vou inquietar-me com mais outra que estes inconscientes que nos desgovernam, se não forem travados a tempo, podem estar a preparar-se para fazer.
Inquietação - Camané
Poema e musica de José Mario Branco
Camané interpreta com Dead Combo;
Animação de Ryan Woodward;
Edição Rui Ramusga
Com a ligeireza de quem não sabe nada na vida, vão fazendo e desfazendo, não deixando pedra sobre pedra. A Albuquerque até, sem querer, já deixou cair que vão ser precisos não menos de 10 anos para reconstruir o que têm vindo a destruir. Desta feita, a propósito do OE 2015, deu-lhes para anunciarem alterações no regime do IRS em cima do joelho e umas atrás de outras.
À medida que os jornalistas e consultores vão fazendo simulações e exprimindo dúvidas sobre o que saíu da pornográfica sessão contínua de 18 horas, eles vão tirando laparotos fiscais da cartola. Tudo facilidades. Simulações, vários regimes disponíveis para cada um experimentar qual o regime que melhor lhe assenta, uma limpeza.
Ouço isto e só penso: tal como não perceberam a origem da crise nem porque é que a receita aplicada não resultou, também não perceberam porque é que o Citius baqueou e porque é que a contratação para a bolsa de escolas deu o berro em toda a linha.
E, portanto, não sendo capazes de somar dois e dois, continuam a anunciar coisas que implicam muito trabalho e trabalho bem pensado, provavelmente investimentos cuja concretização leva tempo, como se fosse canja de galinha; pela burrice que toda a conversa revela, temo que, na altura, nada daquilo esteja a funcionar.
Poder-se-ia pensar que, com esta minha preocupação, só posso ser masoquista. Pois não sou. Apesar de largar mais de metade do que ganho em impostos e contribuições, sei bem que é por eu (e todos os que podem) pagar impostos é que os que não podem pagar poderão usufruir de escola e saúde públicas, ter segurança nas ruas, etc. Por isso, eu quero pagar impostos, sim (embora, queira pagar muito menos, se faz favor).
Rui Morais, que liderou o grupo de trabalho da Reforma do IRS, acha que a cláusula de salvaguarda no IRS anunciada ontem por Passos Coelho vai ser uma "salganhada".
Rui Morais garante que este mecanismo de cláusula de salvaguarda compromete um dos pilares do novo IRS, que é a simplificação do imposto, e defende que uma reforma tem de ser feita a pensar no universo dos cidadãos a quem se dirige e não tendo em conta casos particulares.
Também o presidente do Sindicato dos Impostos tem “sérias reticências sobre a exequibilidade” desta cláusula. Paulo Ralha lembra que a idade média do parque informático do Fisco é de 12 anos e que a medida prometida pelo governo irá exigir maiores necessidades de processamento do sistema informático. E se o sistema já agora sofre quebras dificilmente terá capacidade de responder perante as necessárias alterações de programação que o tornarão ainda mais pesado.
Paulo Ralha admite mesmo um cenário similar ao bloqueio que afetou recentemente o sistema Citius do Ministério da Justiça.
O fantasma do colapso informático foi também levantado por José Tribolet, conselheiro do governo na área informática. Em declarações à TSF, o professor universitário revela que já avisou para o risco de colapso e exaustão do sistema informático do Fisco. Mas que estes alertas não foram até agora acolhidos. “Falar com a autoridade tributária é como falar com uma parede”.
Paulo Núncio, o actual chefe do governo em exercício
(de um governo em roda livre)
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E se pensam que estou a ser pessimista, que estou a exagerar, eu e todos os que antevemos mais uma porcaria em preparação, se acham que não há cisnes negros e coiso e tal, então vejam, por favor, o vídeo abaixo.
Black Swan
Saturday Night Live (com Jim Carrey)
E que o humor nunca nos falte. __
Relembro: já a seguir tenho a festa de despedida ao Cherne Barroso e as boas vindas ao Senhor do Esquentador (que, segundo ele informa, vem aquecer os motores da Europa).
Mais abaixo, tenho de volta ao UJM o Vai-estudar-ó-Relvas. Momento grande.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.