Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, janeiro 14, 2020

Astrologia e ciência. Uma vela que diz que cheira à vagina dela. Um robot vivo feito a partir de células de sapo. E os camelos que bebem água que faz falta às pessoas e que, por isso, já eram.

Hei-nos chegados ao admirável mundo novo.





Alguém fez um estudo usando as Big Data desta vida para estabelecerem correlações entre o que diziam os astros e os desenvolvimentos científicos. Gostei de ler. Há mil anos, nos tempos em que ninguém fazia ideia de que viria a haver dados a potes, já eu andava à volta de algoritmos e de correlações e a ler livros que analisavam as previsões baseadas em astrologias com estatísticas e probabilidades. 

E mais. Só para se ver o desaparafusamento aqui da je: andava eu enredada em modelos que me punham a cabeça em água, tantos os milhares de restrições e condições que se empecilhavam umas nas outras, fui uma vez à Buchholz para espairecer, como tantas vezes ia, e dei lá com uma coisa sobre construção de cartas astrais através de uma aplicação. E o livro trazia uma disquete. Coisas que hoje parecem do além. Aos jovens que nasceram nos tempos modernos talvez isto das disquetes soe e pré-história. Mas sou pré-histórica mesmo. Até cassetes eu tinha gravadas para ouvir música no carro. Tudo coisas assim, palpáveis. Portanto, em casa tinha um computadorzão, com um monitor maior que sei lá o quê, e enfiava lá a disquete. E punha-me a registar data e hora de nascimento, local, e mais não sei o quê. E aquilo dava o retrato da pessoa. E parece que batia sempre cedo. E já não me lembro como mas aquilo também dava para fazer previsões. Mas, às tantas, eu já nem lia os resultados, já dizia por mim. Aquilo dava-me pica. Não sei explicar porquê mas dava. E, portanto, andava por um lado a construir modelos que reproduziam a realidade com um rigor que eu aferia até à quinta casa, modelos que detectavam tendências e calculavam ocorrências futuras, a apresentar as minhas conclusões a gente incrédula, e, em casa, a fazer cartas astrais que, se necessário fosse, como se fosse uma brincadeira, apresentava depois às mesmas incrédulas pessoas. E tudo isto aconteceu mesmo. Parece que foi numa outra encarnação, num outro tempo. Mas era eu que ali estava, disso não tenho dúvida.

E isto era dizer qualquer coisa que, entretanto, se me varreu.

Só sei é que hoje, entre um dia e outro, aqui chegada, à noite, fui espreitar as notícias e ou é que estou vesga ou está tudo maluco. Ah, já sei o que ia dizer. É que fui em demanda dos astros: é refúgio que conforta. A gente afogada no presente e vem um horóscopo gentil e leva a gente para o futuro. Mas isto é karma, sempre notícia de novos projectos, de trabalhos que se abrem deixando para trás obstáculos de longa data. Até tremo porque até pode ser. Estou entre reuniões e temas que fazem abalar os meus alicerces e eu nem quero pensar no que pode aí vir. Mas se o que os astros têm para me oferecer é projectos e trabalhos do caraças então batatas. Quero outra coisa, rêverie, poesia, coisinha boa. 

O pior é que só aparece pepino, abacaxi, macacada.

Por exemplo: a  Gwyneth Paltrow está a vender uma vela perfumada.

Até aí tudo bem. Se lhe deu para vender cenas é lá com ela. Mas a que é que ela diz que a vela cheira? Se o nome da vela é literal então cheira à senaita dela (agora que aprendi o neologismo, não vou largar). This Smells Like My Vagina - é o nome da vela. Esgotou. Como a malta não tem oportunidade para chegar o nariz à boca do corpo da Gwyneth, então vai de ir a correr comprar a vela. Na literatura que acompanha o produto lê-se que a dita cuja cheira a gerânio, bergamota, cedro e rosa damasco. E só não fico a pensar que deve ser assim que cheiram as perseguidas -- outro bom nome -- das nossas senhoras ou das divas de hollywood porque me palpita que é jogada de marketing. Ademais parece que esta loura anda armada em médica ou paramédica ou paradoida e dali só sai mezinha maluca. Já em tempo tinha vindo com banhos de vapor, coisa capaz de depenar qualquer passarinha, mas agora veio com ovos vaginais de jade. Segundo ela são para ser usados todo o santo dia, apertadinhos, coisa para muscular os interiores da coisa. De tal maneira a recomendação deu brado que foi multada e desmentida pelos médicos, que aconselharam as mulheres com dois dedos de testa a não irem na conversa de gente maluca. Agora uma coisa é certa, a vagina da Paltrow inspira-a e é uma fonte de rentabilidade.

E li ainda outra do além: cientistas fizeram um robot vivo a partir de células estaminais de sapo. Li não. Aflorei. Aflorei e fugi a sete pés. Não quero saber. Pode até vir a ser uma grande coisa. Mas os riscos são tantos de que a coisa derrape para o lado cretino da existência que mais valia que estivessem quietos. Qualquer dia esta bicheza inteligente, carregada de inteligência artificial, tem mais poder do que nós, humanos marretas que para aqui andamos. Agora que os oceanos estão a dar mostras de estar a aquecer mais rapidamente que o previsto e que o aquecimento já está a fazer o que se sabe, os humanos já nem sabem que fazer com animais que se reproduzem mais do que a falta que fazem e que bebem água que é tão preciosa e, vai daí, vão matá-los. Li: 10.000 camelos vão ser mortos. Estorvam. E eu penso: chegará o dia em que os robots, feitos de célula de sapo ou de barata e possuídos por algoritmos, vão matar humanos aos magotes. Os humanos também se reproduzem, também bebem água. Melhor dito: também nos reproduzimos, também bebemos água. Daninhos, raça magana. Bons para abater.

Virei-me para os blogs do lado e sai-me outra. Um comunicado do Livre que é de uma pessoa se atirar para debaixo da mesa. Conta o Linguagista que a desgraça bateu no fundo. Grau zero. Uma moção apresentada por cinco intrépidos militantes reza assim:
Hei-nos chegados a um ponto em que as causas defendidas pelo LIVRE parecem não conseguir sobrepor-se ao ruído constante provocado pelos faits divers mais estapafúrdios; em que o coletivo parece soçobrar numa desmedida exposição mediática do indivíduo; em que o partido se arrisca a ver a sua própria sobrevivência posta em causa. Assim sendo, no caso de a deputada não se dispuser [sic] a renunciar às suas funções, o LIVRE não tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a confiança política.
Um desgosto ler uma anormalidade destas. O Livre vai acabar não tarda. Coitado do Rui Tavares, acho que não merecia uma palhaçada destas.

Enfim. Só, só desgraças. Mas desgraças pífias, coisas parvas, abaixo de macacadas. E não me refiro ao fim do Livre que isso, apesar de tudo é para o lado que durmo melhor, mas à ignorância crescente da malta. Na volta a coisa resolvia-se era com um implante de células de macaco na cabeça deles, daqueles cinco. E dos outros todos também. E por todos quero dizer a humanidade. Contudo, acho que menos de mim que não preciso: já cá tenho os genes todos, obrigada. Dependo de bonobo com muita honra. E, sobretudo, com muito prazer.


Preferia notícias simples e só me sai disto. Vou mas é deslargar-me de ler o que não devo e procurar artigos sobre decoração, culinária, jardinagem. Não há pachorra. Na volta está é na hora de me entregar à escrita de um novo folhetim. Desta vez um erótico. Hot, hot. A fumegar de bom.

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Fiz as fotografias no domingo, enquanto passeava por Lisboa e observava as suas belas montras -- ao Príncipe Real, Chiado, Camões -- e as flores da florista da Garrett. Lá em cima, Kate Woolf interpreta Poet's Heart sobre fotografias de Henri Cartier-Bresson.

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Desejo-vos um belo dia.

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Paulo Cardoso, Alexandre Silva e Gimba na Prova Oral com o Alvim e a Xana Alves.
E o João Habitualmente que parece ser do caraças.
E, tirando isso, qual o desporto para cada signo.





Agora que estou a começar a escrever, está o Paulo Cardoso, com papéis na mão, a ler previsões para cada dia do ano, para cada signo. Tem graça. Pena não o ouvir a fazer previsões que se me apliquem.  O Fernando Alvim, entretanto, está com umas calças do além. Há uns anos seriam calças de pijama, agora é capaz de serem fashion. Encaixam bem nele -- e estou a falar a sério. Nele e no programa. Quando venho para casa, no intervalo dos telefonemas diários à família, ouço a Prova Oral e, quanto maior é a maluquice dele ou dos ouvintes que lhe telefonam, mais eu gosto. Na televisão também tento não perder. 

Entretanto, preguiçosa que estou depois de ter estado duas horas a pesquisar aquilo que me ultimamente me prende, fui espreitar as notícias e, tirando alguns temas sérios e outros disparatados, nada me fez tocar campainhas. Mas o que poderia ter feito tocar também não fez. Tarde demais para campainhas.

E agora entrou o Gimba, outro ser iluminado -- e também não estou a brincar. Pelo meio, entrou o Alexandre Silva, que é muito bonito, muito simpático, com um encantador sorriso tímido, e que, segundo aprendi, um inspirado chef. Até contou que fez um perfume para a namorada a partir de flores de laranjeira que estavam caídas nos passeios de Vila Viçosa. Coisas especiais. Coisas que verdadeiramente importam.

Bem, isto para dizer que, tal como quando estou a querer desopilar vou a uma loja de roupa ou a uma perfumaria e experimento tudo o que me dá na bolha, aqui vou para as Vogues desta vida.

E, lá está, apareceu-me uma daquelas que acho uma macacada mas que não viro as costas antes de ir ver o que me toca. Qual o desporto a seguir em função do cada signo. Pimbas. Lá caidinha. É parvoíce? Ah pois é. Mas eu curto parvoíce, fazer o quê? 

Transcrevo o que a ciência recomenda aos caranguejos:
Signe d’eau
Planète : La Lune, les émotions 
Véritable éponge émotionnelle, vous êtes plutôt d’une nature créative et artistique que sportive. Le sport est pour vous une manière de libérer vos émotions et d’écouter votre corps. Pas d’agressions, vous suivez le ressenti et les besoins de votre être. Vous avez besoin de vous sentir en contact avec la nature. Signe d’eau, la mer est un besoin vital, une seconde nature. Sports conseillés : natation, yoga, course à pied, paddle, aquagym, danse.  
© Gilles Bensimon pour Vogue Paris
Traduzo com o Translator para ver se tem mais graça:
Sinal de água
Planeta: A Lua, emoções 
Uma verdadeira esponja emocional, você é mais uma natureza criativa e artística do que um esporte. O esporte é uma maneira de você liberar suas emoções e ouvir seu corpo. Sem agressão, você segue os sentimentos e as necessidades do seu ser. Você precisa se sentir em contato com a natureza. Como sinal de água, o mar é uma necessidade vital, de segunda natureza. Esportes recomendados: natação, ioga, corrida, remo, hidroginástica, dança.
© Gilles Bensimon para a Vogue Paris
Também vi por lá outro artigo, este com as previsões para o ano todo, signo a signo. Mas lá me aparece outra vez que vou finalmente poder fazer aquilo por que tanto ambicionei, que um grande projecto vai ser a minha consagração e o escambau. E que vou ter tumultos mas dá-me ideia que são dos bons porque a onda é de reestruturação na minha vida e que a minha força interior vai dar boa conta do recado. Mas não transcrevo esse porque o texto é longo e, de resto, tirando eu e a Gina, não sei se há mais caranguejos aí desse lado.

Ah o que estou a rir com a boa onda daquele grupinho ali na Prova Oral. Não sei como é que alguém tem paciência para outro tipo de programas. Futebol? Comentário Político? Bahhhh.... Já eram.

Tirando isto, posso acrescentar que antes disto, apanhei a recta final de outros dois bacanos, um dos quais o João Habitualmente. Só a cara dele já é todo um programa. Aliás, o nome também. Quando se levantou pensei que todo ele, de alto abaixo, era um programa. Alto e magro como uma haste ao vento. E, em cima, no topo, aquela carinha. E, por causa do dito vento, o cabelo todo no ar. O sentido de humor dele deu-me vontade de ir conhecer a poesia. Não deve ser poesia romântica. Com aquela cara ninguém escreve poesia romântica. Está lá, na livraria, um livro dele e, por algum motivo, ainda não me saltou para o colo. Mas, agora que o vi e ouvi, talvez leia os poemas de outra maneira. Parece que nas horas livres é médico. Quiçá cirurgião. Pelo menos foi o que deduzi. Fiquei a gostar dele. 

Mais? 

Bem. Só se for que estava eu, justamente, a ver onde poderia gastar o dinheiro que, segundo uma sms recebida, tenho no cartão quando, por mero acaso, encontrei uma pessoa que me é muito querida. De imediato desatámos a conversar, resolvemos ir almoçar e fomos, sempre a conversar, acabámos de almoçar e continuámos a conversar e, tarde e más horas, saímos -- e a conversar fomos para o parque de estacionamento. Claro que cheguei tarde. Um daqueles casos em que se costuma dizer que a noblesse oblige.


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E lamento informar mas acabei agora de ler uma notícia tenebrosa e juro que estou a falar muito a sério. Tenebrosa. Devia apagar tudo o que escrevi e escrever sobre isso. Mas não dá. Prefiro alienar-me. Há coisas estúpidas demais. Podia ser ficção, pesadelo, coisa de terror. Mas é verdade. Tem a ver com camelos e com a Austrália e nunca imaginei ler uma coisa assim. Devia ser dia 1 de Abril para eu ter esperança que fosse mentira. Mas Abril ainda vem longe. Prefiro ir enfiar a cabeça debaixo dos lençóis. 

Ah, e agora também o Irão a atirar mísseis para cima de bases americanas no Iraque. Aquele Trump fê-a bonita. Estupor. Não há pachorra. Fónix.

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As fotografias são de Laura Okita

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Um dia feliz para si

quinta-feira, agosto 15, 2019

O segredo por detrás dos dons divinatórios de Dave, o mago.
[Ou como os mágicos, cartomantes ou espiões têm agora a vida facilitada]
Ora vejam, por favor.
Ah, e já dei nome ao meu folhetim: 'A Agente Secreta'.




Andava sem saber que nome dar à minha história. E chamo-lhe história sabendo que história não será bem o termo. Folhetim. Talvez folhetim como nas vezes anteriores em que me deu para ficcionar. Não sabia que nome dar a este folhetim. Ao escrever cada episódio nunca sei onde vai dar e, por isso, não sabia se ia contar a história do Manel, a da Clara, a do roubo de informação sensível, ou a de viver uma vida de segredos ou o quê. 

Mas hoje acordei com um nome. Como tantas vezes, é no escurinho de uma noite de sono que se me faz luz. E foi, de novo, o caso: acordei a pensar que lhe ia dar o nome de 'A agente secreta'. Simples. Sem rodeios. Claro que o título, em si, encerra uma subtileza mas isso é coisa que, cá para mim, é muito bem capaz de ficar só para mim. Neste momento ainda não sei se conte mais uma ou outra coisa ou se já chega. A bem dizer nem sei se, de facto, até já não disse demais. Mas já disse, está dito. 


E conto-vos mais: já me chamaram a atenção para que me estava a esticar, que tivesse cuidado, que há coisas que não são para ser reveladas. Não acho. E sou assim: se sinto que tentam constranger-me, esperneio. Esperneio às claras, dou um chega para lá. Preciso de espaço e sei o que faço. Podendo parecer que digo demais, na realidade só digo o que considero que faz sentido ser dito. E o que contei no meu humilde folhetinzinho é coisa pouca, nada, só efabulações. Nada daquilo aconteceu. Pelo menos não a pessoas com aqueles nomes.

Enfim. Agruras cá minhas.

É como eu saber, quase antes de se saber, que o Pardal não é flor que se cheire e que é bom que quem tem o caso em mãos se despache para que quem ainda não percebeu o que ali está fique rapidamente a saber quem é o 'artista' que está a armar toda esta baderna. E não é que tenha pena do Bloco de Esquerda ou do PSD ou de todos quantos ingénua ou oportunisticamente apoiam o Pardal e as suas 'habilidades': tenho, isso sim, pena dos motoristas, dos trabalhadores honestos que não sabem com quem se meteram e a quem esta brincadeira vai sair cara.


Mas o tema deste post é outro. Tem a ver com a forma como nos movemos, como agimos. Tem a ver com a forma como nos colocamos a jeito. Como nos tornamos vulneráveis. E aqui uso o nós  -- que não é majestático mas, apenas, humilde -- apenas para que não pareça que me sinto acima das armadilhas que aí estão a cada passo. 

Vejam, por favor, este vídeo. Vejam com atenção. E aceitem, por favor, a minha sugestão: pensem.


Facebook, Instagram, até o WhatsApp: a vida toda exposta, tudo registado, partilhado -- conversas, fotos. Mesmo o LinkedIn. Tudo. O que se faz, por onde se anda, por onde se andou, aquilo de que se gosta,  as pessoas com que se dá. Dir-se-á: há coisas que são privadas, apenas para quem faz parte do grupo. Pois, pois. Poderia explicar como um amigo passa a outro que passa a outro... até que vai parar onde não se faz ideia. Mas acho que não são precisas muitas explicações.

Poderia ainda referir a vida facilitada que agora têm todos os que, por um motivo ou por outro, pretendem obter informação sobre alguém. Mas também acho que não são precisas grandes explicações. Dá para perceber.

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E agora vou pensar se acrescento mais algum bocadinho de prosa à 'Agente Secreta'. Mas não é fácil: como dizer o que não pode ser dito sem que me desnude?

E espero que gostem das pinturas de Jason Anderson tal como espero que gostem de ouvir Leonard Cohen com Hey, That's No Way To Say Goodbye. É que, por vezes, não há maneira de dizer adeus.  E eu detesto dizer adeus. Por isso, não vou dizer. Nem agora nem amanhã, ao acordar. Se calhar, nem nunca.

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quinta-feira, agosto 01, 2019

Qual o filme que melhor descreve o seu signo?


Claro que, no meu íntimo, penso que não há racionalidade nenhuma nisto dos signos. 

Mas a verdade é que não sei cruzar a física com a astronomia e com a psicologia e, ainda, com a data de nascimento de cada um e, a seguir, da intersecção dos quatro planos, fazer nascer uma teoria sobre os traços de personalidade de cada um -- nem, muito menos, a partir do alinhamento astral diário, derivar para a previsão dos acontecimentos vindouros. Gostava de de saber mas não sei. É muita sabedoria para os meus lassos neurónios. E, como não sei, não posso aferir da veracidade e do rigor de quem o sabe. Portanto, por via das dúvidas, mantenho-me agnóstica.

Em suma, se é certo que a metade da minha cabeça dada à parvoeira se péla por espreitar os horóscopos, especialmente os que me parecem elegantes e que se apresentam em francês, e que a outra metade até tem vergonha de o confessar, é também certo que o resultado destes mixed feelings é que, se vejo artiguinho com ar de engraçado a acasalar tema com signo, caio lá direitinha (ainda que meio à socapa).

E assim foi que hoje, por aqui me arrastando em total estado de indolência e não vendo hora de ir de vacances, fui dar com uma coisa que não lembra ao careca (e uma vez mais clarifico: nada contra os carecas que, por acaso, até aprecio): na Revista Bula, lugar onde se encontra de tudo um pouco, encontrei De Áries a Peixes: 12 filmes que descrevem perfeitamente os signos do zodíaco

Como tenho a mania de me armar em adivinhadora, antes de abrir a caixa, tentei adivinhar o que de lá ia sair, isto é, qual seria o filme que melhor me iria descrever. E pensei naqueles de que mais gostei, isto, claro, na medida do que a minha limitada mente conseguiu alcançar. E, então, cliquei, pensando: vamos lá a ver qual destes é, soi-disant, a minha cara.

E, espanto dos espantos, outro. Nem de tal me tinha lembrado. Gostei, é verdade. Gostei até bastante. Mas não me tinha ocorrido que fosse o filme que melhor encaixasse num caranguejo, ascendente caranguejo, caranguejo dos quatro costados. Uma Mente Brilhante (2002), Ron Howard. 

E quando fui ler a razão da escolha, encontrei a verdadeira gola inflamável, no caso, inflamável de egos. Fora eu dada a combustões a frio e a seco e até ficava a sentir que os meus neurónios adormecidos desatavam a reluzir, tanto o piropo:
Com um dos signos mais delicados do zodíaco, os cancerianos são simples, destemidos e dispostos a se adaptar pelo bem dos outros, desde que isso não fira seus valores. Nem todos entendem as profundezas da mente dos cancerianos, mas eles são brilhantes. Além disso, possuem uma sabedoria notável.
Querendo ver se também dizem coisas tão lisonjeadoras para o vosso signo e qual a vossa alma gémea em forma de filme, ide até lá. 

Eu, pela parte que me toca, só digo: let-aze luke at de treila.


Uma mente brilhante 

com o Russell Crowe a fazer de John Nash, o fabuloso matemático


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Os bebés fofinhos e dentudinhos são obra de Amy Haehl e cacei-os no Bored Panda

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[E agora vou ver se me ponho a dormir ou se vou relembrar a maravilhosa teoria dos jogos. Ou isso ou a ver uma apresentação para a reunião que tenho à primeira da manhã que isto é bem verdade que toda a gente tem uma cruz para carregar.

terça-feira, dezembro 04, 2018

Que presente de Natal para cada signo do Zodíaco?


Tem graça isto que acabei de ler na Vogue parisiense: o presente ideal para cada signo.
Isto dos signos é aquela coisa cuja defesa não abona a meu favor. Mas eu não defendo, só espreito. E sou racional: penso que há milhões de caranguejos, incluindo os que se comem (bem, dependendo da interpretação, todos se comem -- mas isso agora não vem ao caso) e nem todos hão-de ser iguais a mim pelo que não pode ser que estas coisas dos horóscopos batam certo para toda a gente. Mas o meu lado racional tem momentos. Ou seja, volta e meio questiono-me -- mas na volta e meia em sentido contrário estou-me nas tintas para raciocinar e acho graça a qualquer parvoíce. No outro dia, uma pessoa dizia-me: exponha o que tem a dizer sem emotividades, use apenas o seu lado racional. Isto porque eu estava destemperada, a disparatar por tudo o que era canto e esquina, sem poupar vivalma, disposta a pisar a pés juntos a linha mais vermelha de todas as linhas vermelhas. Ouvi aquilo e fiquei cheia de vontade de rir: então uma pessoa desbocar-se à cara podre é sinónimo de ser irracional? Emotivazinha? Adiante.
Bem. Dizem os oráculos que há que atender que os Caranguejos são assim:
Você adora ficar enroscado em casa, no seu interior reconfortante. Sua criatividade é inerente à sua personalidade e você não pode imaginar uma vida sem arte, cultura ou criatividade. Você precisa de se revigorar num local de aconchego com materiais envolventes.
E, assim sendo, são estes os presentes de sonho: uma aula de ioga, uma assinatura cultural, uma jóia de talismã que a proteja da agressão externa, um perfume que lembre a infância, uma vela, uma manta.
E isto tem graça porquê? Pois bem. Tenho paixão por mantinhas. Há sempre uma mantinha para um just in case. No outro dia quando a minha filha aqui esteve à noite com os meninos, pediram logo uma mantinha. Fui buscar uma ultra macia, quentinha. Adoraram. Há nos sofás, há perto da salamandra, há na cama. E, por onde passo, quando ando às compras, se vejo uma, logo vou passar a mão para sentir o toque. Se vou com o meu marido, puxa-me logo pelo braço: chega de mantas. Mas o ano passado viu-me tão encantada por uma ultra leve, ultra macia, de um veludo quase intangível em verde turquesa, que se deve ter sentido arrependido de não me deixar trazer e, então, voltou lá e surpreendeu-me completamente no natal. Quando abri o saco e vi aquela maravilha até me comovi. 

E velas. Agora parei por já não ter onde colocá-las. Tenho vários castiçais, várias velas, de vários tamanhos, de várias cores. E aqui ao meu lado tenha aquela grande de que gosto tanto e que foi presente do meu filho: 'Under a fig tree'. Nem a acendo para não a gastar. Gosto de fazer render aquilo de que gosto. (Será que isto significa que, na volta, tenho em mim, oculto mas bem vivo, o meu lado conservador?)

E perfumes. Aquela minha demanda por um que seja pura essência de violeta como aquele que, quando era miúda, ofereci à minha mãe? De vez em quando, entro numa perfumaria e, se vejo cara nova a atender, tento: 'tem algum perfume baseado na essência de violeta?'. Nunca têm. Mas não sou esquisita. À falta de melhor, qualquer Chanelito me serve. Este nº 5 em edição natalícia, o frasco perigosamente vermelho, é uma tentação escandalosa. O pior é o preço. E aí o meu lado racional fala mais alto. Mas a verdade é que este frasco que já de si é tão sobriamente elegante, agora em rouge, parece que chama por mim. Que querem? Tenho este meu lado feminino, coquette, fraca, sempre tentada a ceder às tentações.

Jóias que sirvam de talismã, todas. Aliás: jóias, todas, sirvam ou não de talismã. Não ando sem uns fiozinhos, sem um brilhante como piercing, sem colares, pulseiras, brincos. Discretos. Não forçosamente tudo ao mesmo tempo. Ou indiscretos. Jóias verdadeiras ou de meia dúzia de euros. Tudo serve. 

Ioga é sabido que ando com essa curiosidade. Não fosse aquilo de uma pessoa estar sossegada a fazer posições e já estaria mais convencida. Mas é coisa que vem trabalhando na minha cabecinha.

E assinatura cultural claro que sim. Mas enquanto andar nesta minha vida de escravatura não dá. Mas não vejo a hora. Ainda hoje, ao fazer a nossa caminhada, viémos a falar nisso. Bem. Não exactamente. Eu disse: 'Quando tiver o tempo por minha conta vou aprender a tocar piano'. Ele disse: 'Acho bem, era só mesmo isso que te faltava'. Gozão. Mas afinei a ideia: 'Melhor: violino. Mais fácil de ter em casa para praticar'. Ele disse: 'Isso. Devia ter graça'. Acrescentei: 'E tu também'. Disse uma brejeirice que não posso aqui transcrever. Não é dado a cenas artísticas, é escusado. E eu só para ouvir. Tocar nem pensar. Se fosse uma pessoa dada à erudição iria aprender grego (mas do clássico) e piano.  Haveriam de me ver depois, tal e qualzinha a Khatia Buniatishvili a tocar uma valsinha de Chopin.

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E queiram descer para espreitar um cheirinho do Calendário Pirelli 2019

quarta-feira, agosto 08, 2018

Cenas fora da caixa




Por alguma estranha forma de distopia -- e é se distopia for a palavra adequada para isto -- tudo o que é muito bonitinho e perfeitinho me desagrada. Uma paisagem muito feita ao boneco, uma carinha demasiado laroca, uma pessoa muito boazinha, um livrinho cheio de lindos pensamentos -- tudo isso me parece prova de mau gosto.
E agora, por livro com lindos pensamentos, lembrei-me do que uma vez um sujeito que eu tinha por inteligente e de pensamento escorreito me perguntou com o ar iluminado de quem tinha tido uma epifania: 'Já leu O Alquimista?'. Eu não tinha lido. Ele, superior, feliz por me aconselhar: 'Leia. É a sua cara.'. Nestas ocasiões tento apôr a minha melhor poker face a ver se não deixo transparecer que a minha consideração cai a pique de forma irreparável. Nunca mais fui capaz de olhar aquela cara ou conversar como o fazia antes. Impossível. Não é apenas por ele gostar de Paulo Coelho ou achar que aquela filosofia é coisa que se aproveite. É também pela dificuldade demonstrada na avaliação: o que é que eu fiz ou disse que o tenha levado a crer que o alquimista do paulo coelho era a minha cara? Não disse que se fosse catar porque sei conviver elegantemente com desaforos mas nunca mais a convivência foi a mesma, isso não. 

Para mim, tem que haver nas pessoas um grão de mau comportamento, o gosto indisfarçado por pisar o risco, a capacidade de me fazer ver as coisas de outra maneira, e o livro tem que ser capaz de me levar pela mão e, de quando em vez, trocar-me as voltas, e as palavras têm que ter uma vida nova, e a música tem que ser surpreendente, tem que me transportar para outras paragens, tem que me fazer ter vontade de fechar os olhos para melhor a ver e a pintura tem que ser quase louca, imprevista, nunca vista. E tudo assim. Naquele caso do alquimista a coisa podia ter corrido bem se, depois de me ver com ar de quem comeu e não gostou, ele tivesse gozado comigo por eu ter caído na esparrela, por eu ser tão burra que tivesse achado possível que ele tivesse gostado daquilo. aí eu teria desatado a rir e alguns pontos teriam sido somados na consideração que tinha por ele.

Enfim.

Os meus dias não têm andado muito fáceis. Quando a coisa parece sair dos eixos, eu gosto de ir ver o meu horóscopo. Podia rezar, fazer promessa, fazer jura, acender vela. Mas dá-me para ver o horóscopo. E cá está, confirmado com todas as letras: o Julho viria feito besta, alarve, pulha.

E foi. Quase me deixei abalar. Quase deixei que a onda me passasse por cima. Dormi mal. Pensei: é do calor. Mas de noite ficava a pensar no que me tinham proposto, no que estava a ser quase intimada a aceitar. Como sempre faço, tento dar a volta: comecei a tentar descobrir uma forma de melhor me habituar, de melhor aceitar, de minimizar, de fazer com que até me fosse agradável. 


Mas, sei lá eu como, uma noite dormi bem. Pela primeira vez desde há dias, foi sono de pedra. E, mal acordei, era dia 1 deste mês, como se o sono me tivesse dado a volta ao miolo, pensei: vão dar banho ao cão, comigo não, violão. Fui todo o caminho a pensar que ia partir a louça. Mas á bruta. Na base do rais ta parta. E assim foi. Logo nesse dia. A mesa virada, coice que até ferveu. Não que me tivesse armado em mula. De mula não tenho nada. Égua talvez. Coice de égua selvagem. E, de aí para cá, uma força brava parece ter tomado conta de mim. Virei a mesa e, desse modo, virei o jogo. Inteira onde os outros se dividem. Viraram-se para mim, espantados: Não?! Não...?! Cuidado... está a entrar por caminhos muito complicados...

-- Ai é? Explique lá bem isso. O que é que está a dizer-me? Está a ameaçar-me? - devolvi.

Esta segunda-feira nova conversa muito complicada. Decisiva. Um não redondo. De frente. Sem vacilar: não.

Agora não sei qual o caminho à minha frente. Nem sei se, à frente, ainda há caminho. Ou se há mas são caminhos muito perigosos. Não sei. Não sei mesmo. E, curiosamente, não quero saber.

O que for soará.

Mas continuo inteira. Mal comportada, fora da caixa, incontrolável, desalinhada. Mas inteira.


Já agora: o horóscopo diz que em Agosto viro a mesa, que o Agosto vem em meu socorro e abre-me as portas do futuro e que, a seguir, vêm as férias e que o regresso será radioso.

Tomara. Como gosto de acreditar no que me convém, vou acreditar -- até porque isso me dá ainda mais força para enfrentar o pelotão de fuzilamento que ousou encostrar-me à parede.


Eis aquela que parou em frente
Das altas noites puras e suspensas.

Eis aquela que soube na paisagem
Adivinhar a unidade prometida:
Coração atento ao rosto das imagens,
Face erguida,
Vontade transparente
Inteira onde os outros se dividem.

[Sophia]
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Reparei agora que comecei o post com uma em mente e que, a meio, quando fui buscar imagens para aqui intercalar e quando fui escolher uma música, regressei ao post e, como se não tivesse escrito nada antes, comecei a escrever num registo que nada tinha a ver com o anterior. Claro que agora poderia apagar a primeira ou a última metade para a coisa não ficar incoerente. Mas fica como está. Desculpar-me-ão. É como se estivessemos a conversar e, depois de eu interromper para ir buscar um copo de água, voltasse com outra conversa. Acontece.

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As fotografias são de Michael Goldrei e têm a ver com essa coisa boa que é a serendipidade. Andreas Scholl interpreta de Antonio Vivaldi: Cantata "Cessate, omai cessate" - " Ah, ch'infelice sempre"

sábado, abril 30, 2016

Não são 20 anos, são alguns mais, mas até podiam ser só dois -
Palavras na praia ao fim do dia e divagações nocturnas




Podia pôr-me para aqui a descrever o meu dia mas, se fosse fiel aos factos, achariam que estou a ficcionar. Uma vez descrevi quase ipsis verbis um cena decorrida numa guest house fantástica onde tinha passado o dia. No meio encaixei um príncipe árabe só para introduzir uma pitada de ficção. Pois parece que ninguém estranhou o príncipe árabe mas acharam que o resto era invenção, tenho ideia que até falaram em mania das grandezas, ou nova-rica, uma coisa nessa base, que me punha a inventar situações que jamais em tempo algum poderia viver. 

Desde essa altura, em certas situações, passei a ter cuidado com a minha sinceridade: não vale a pena que pensem que sou uma deslumbrada que se põe para aqui a inventar que frequenta alguns ambientes. Não tenho necessidade de inventar, tal como não tenho necessidade de ouvir remoques ou dúvidas sobre a minha sinceridade. Pode ser que um dia, esperemos que ainda com a memória em bom estado, me dê para contar algumas memórias. Acho que são de tal calibre, que a coisa é muito bem capaz de ter público.

Já pensei até em inventar histórias decorridas em alguns dos lugares que, volta e meia, frequento, e misturá-las com situações reais. E, se me permitem a sinceridade, penso até que poderia escrever histórias eróticas e depois filmá-las nesses lugares que são geralmente inacessíveis ao público e que são lindos para além da conta. Se a história ou os artistas não fossem grande coisa, salvar-se-ia o décor.

Adiante. Já estou a delirar.

Assim sendo, passo por cima do que vivi hoje desde que me levantei, bem cedo, até que cheguei a casa ao entardecer, calcei uns ténis e, com o meu namorado, zarpámos para a praia ainda a tempo de ver o sol a pôr-se e os pescadores da arte xávega a venderem, no areal, o produto da sua pescaria.


Por lá andámos até há pouco, jantámos, passeámos. Há mil anos atrás também andámos pela praia, não nesta mas numa outra igualmente bonita.

Tirei fotografias ao mar, aos pescadores, aos passeantes solitários e ao meu namorado. Ele também me fotografou a mim. Agora, ao ver as fotografias, ainda pensei fazer um corte vertical, meio corpo de alto abaixo, a começar no pescoço, e, desta forma, mostrar-vos um pouco de mim. Mas depois achei que ideia mais estúpida não podia haver e, portanto, rapidamente me esqueci. Mas tive uma outra ideia parva, quando estava por lá. Pedi para o meu marido se pôr ao meu lado, que eu ia fazer uma selfie. Não queria, claro, diz que não é maluco. Mas dada a data especial, resolveu fazer a gentileza. No entanto, fazer uma selfie com uma máquina fotográfica, grandona, às cegas, só podia dar uma xaropada. Apanhei-nos aos dois, vá lá, mas perto demais, a cara meio distorcida, um desastre. A nossa primeira selfie e isto, parece que nos pusemos em frente de um espelho deformador. Estive vai não vai para apagar mas depois achei que não, afinal é um documento histórico.

Reparem nas nuvens densas, compactas, que se tinham depositado sobre Lisboa que, na fotografia mal se vê


Agora que estou em casa -- a milhas mentais do meu dia tão incrivelmente preenchido, vivido naquele ambiente lindo, lindo, lindo, tão lindo que amorteceu os momentos complicados que aconteceram -- mas ainda com as imagens da praia ao anoitecer (tão linda a praia nestes momentos) bem presentes, já passei as fotografias para o computador; mas estou tão verdadeiramente cheia de sono que acho que hoje não consigo mesmo dizer muito mais do que este nada que para aqui estou a escrever.

Não sei se há novidades no país, não ouvi notícias e tenho preguiça de as ir procurar, não consigo ir ler os jornais online, imagino que seja treta sobre treta, nem quero saber da pancada dos jornalistas que parece que andam e enfiar a cara em sacos de plástico para cheirarem cola e que, por isso, alucinados, em vez de quererem saber das medidas concretas que estão a ser equacionadas no plano A, preferem navegar na maionese e andam, de lanterna em punho, a ver se descobrem gambozinos para os irem plantar num qualquer plano B. Não há pachorra para tanta palermice. Por estas e por outras é que, apesar de a política ser coisa que me interessa, não consigo imaginar-me a exercer cargos públicos: é que não teria paciência para aturar tanta parvoíce, ou da parte de deputados que parecem atrasados mentais ou vulgares trauliteiros ou da parte de jornalistas que parece que padecem de qualquer coisinha má que não os deixa pensar normalmente.


Pronto. Para não ir para a cama sem ter passado os olhos pelas novidades, fui à Marie Claire. Ao menos, por ali, nunca dou com nada que me faça afinar. Como estamos a entrar num mês novo, têm o horóscopo. Não sendo eu lá muito boa da cabeça, volta e meia gosto de ler os horóscopos.

Portanto, reza assim para o meu signo, para este mês de Maio:

Sentimentos

Filosofia, espiritualidade: Vénus reserva-lhe contactos ricos e reencontros inesperados. Eles criarão amizades... ou mais, consoante a sua vontade.



Vida social

Vão discutir-se projectos nos quais você vai aplicar força e fantasia. Com sucesso, na condição de evitar o psicodrama. Mantenha-se confiante.


Parece-me credível pelo menos na parte que reconheço. No que se refere a reencontros inesperados, ligou-me no outro dia um grande amigo meu, de quem já falei aqui várias vezes e com quem não estou há algum tempo. Como para a semana que passou já tínhamos ambos a semana muito carregada, combinámos que vai ligar-me esta semana para combinarmos irmos almoçar e pormos a conversa em dia.

No que se refere a projectos, ando no meio deles, enfiada até ao pescoço, e imprimo-lhes criatividade e vontade de ir além do que os que trabalham comigo esperariam. E, esta semana, uma pessoa que trabalha comigo e que está com uma depressão tramada, sobretudo por grandes problemas pessoais, entrou-me no gabinete, num pranto compulsivo, a pedir-me que a ajudasse, e durante um tempão chorou, desabafou, desabou, e, fez-me, ao longo de todo esse tempo, desarrincar argumentos para a convencer a que visse a vida com esperança, que relativizasse, etc. No fim já sorria e dizia que se sentia melhor. Em contrapartida, eu fiquei extenuada (mas, claro, não lhe disse que tinha ficado, eu, de língua de fora).

Bem, já chega de conversa. Já devem estar fartos. Credo que, mesmo com sono, desato a escrever e pareço uma tagarela, senhores.

Tenho ainda que agradecer os comentários e os mails. Não tomem por falta de educação eu não agradecer a cada um de vós mas estou a dormir enquanto escrevo, dou por mim a escrever de olhos fechados. Mas, a sério: muito obrigada a todos.

Amanhã logo respondo ao comentário do notário ou do conservador. Eu explico (se é que há explicação) mas, primeiro, quero perguntar uma coisa à minha mãe.

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Para terminar em beleza:

Lunge da lei - De' miei bollenti spiriti

La Traviata - Verdi; Anna Netrebko, Rolando Villazon

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Na praia, enquanto jantávamos, lembrei-me dos 20 anos do Patxi Andión e pedi que ele me dissesse. Disse. Gosto tanto que me digam palavras assim. E, nesta sexta-feira, soube-me bem ouvi-lo a dizer :

20 años de estar juntos
Esta tarde se han cumplido
Para ti flores, perfumes
Para mi, algunos libros
(...)
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.
Desejo-vos as maiores felicidades.

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sexta-feira, março 04, 2016

Coisas do caraças.
Vejam com os vossos próprios olhos:
como é que o eclipse solar de Março vos vai afectar.


Bem. No post abaixo já falei da ainda deputada laranja Marilú, que encarna com desfaçatez o que é a verdadeira desvergonha PàFiana, já aflorei a questão Teixeira da Cruz e os ratos na testa, já me interroguei sobre a questão Veiga & Paulo Santana Lopes & Damásio e a respectiva proibição de falar com os outros e com mais duas impolutas figuras -- e, porque gosto de um bom tempero,  tudo isto foi devidamente condimentado com a Ivone Silva patroa e costureira e, of course, tinha que ser, com os Monty Phyton e com a rabecada da Manuela Ferreira Leite. Um post feito também para ver se o Tozão Albukas, o maridão mauzão, vem cá a casa partir-me os c... (que ele trata assim aqueles que se metem com a sua fofa Marilú).

E a verdade é que umas coisas foram puxando outras e acabei por me alongar para além do que queria e agora já é tarde e não sei se consigo fazer o que queria.


Mas, se não se importam, para todos quantos se pelam por uma bela chaconne, que entre uma bem colorida.

Lully: Cadmus et Hermione 


Então, deixem que vos conte.

Não fazia a mínima ideia: vai haver um eclipse solar no dia 8. E menos sabia que isso é coisa para afectar a vida das pessoas. Não sabia e ainda não sei. Tenho com isto da astrologia uma relação daquelas que não se explicam. Sou agnóstica, já aqui o disse várias vezes - e sou agnóstica em relação a isto de deuses, religiões e tudo o que me cheire, ainda que vagamente, a esoterismos de qualquer espécie. A minha área de formação académica e as várias outras formações que adquiri a nível profissional giram todas em torno de números, de ciências exactas, de cenas assim que metem modelos, coisas concretas, mensuráveis. E, quanto muito, estatísticas. E, portanto, nada de froufrous, delíquios, semânticas ou semióticas, filosofias, sociologias, poesias ou rebeubéu pardais ao ninho. Nada. Tudo na base do pão-pão, queijo-queijo: só existe se puder ser comprovado, demonstrado. Esta é a minha matriz formativa e o meu mind set. Se por aqui me vêem frequentemente em rêveries ou passeios pela estratosfera em geral, já devem saber que é pura diletância, ousadia, falta de tino. 

E, no entanto, vá lá eu saber porquê abro caminho para a astrologia. O que eu já li sobre o tema... De tudo o que mais me interessou foi um estudo levado a cabo por matemáticos. Fizeram estatísticas e, sem que soubessem (ou sequer tentassem) explicar, comprovaram que existe coincidência de características e outras cenas entre pessoas do mesmo signo e que, em relação a previsões feitas com base em cartas astrológicas, havia uma consistente coincidência de eventos entre pessoas do mesmo signo. Achei piada.

E, portanto, sem saber dizer se acredito ou deixo de acreditar, volta e meia espreito o horóscopo e upssss... parece que aquilo foi feito para mim.


Conto-vos mais. 

Ando com imenso trabalho e numa fase de mails e mais mails, telefonemas e mais telefonemas, conference calls e o escambau, e sem saber bem para que lado me hei-de virar. E exausta. Pode parecer que não já que produzo diariamente lençóis de texto mas sou mesmo assim. Escrever aqui, à noite, enquanto ouço música, descansa-me a cabeça e prepara-me para uma noite retemperadora.

No entanto, apesar desta minha vida, talvez porque preciso de ter sempre pontos de fuga, ando aqui a encasquetar numa: acho que é indispensável haver um novo órgão de comunicação social. Já o disse aqui várias vezes. A actual comunicação social está manietada pelos direitolas matarruanos, manipulada, medíocre, fraquinha, fraquinha. Há espaço para um meio de qualidade, abrangente, com uma vertente cultural, aberta, arejada, p'ra frentex (mesmo que contemple os clássicos). Claro que acho que o desejável seria haver uma coisa integrada: rádio, televisão, jornal online mas isso já requereria um investimento vultuoso. Porém, já um jornal online me parece coisa relativamente comportável. Claro que seria preciso montar um projecto, fazer contas, estudar todas as vertentes e, claro, arranjar capital. Mas até já baila na minha cabeça o nome de um investidor e tudo, que eu cá não brinco em serviço. Tenho, no entanto, a plena consciência que desconheço o milieu e que uma coisa a sério não se faz com amadores. Mas uma pessoa a sonhar tem disto: uma insustentável leveza do ser. E, portanto, ando carregada de trabalho, sem um minuto livre mas, em simultâneo, em background, tenho aqui a roer-me a consciência este bichinho tentador.

Pois bem. Ao espreitar há pouco a Harper's dou com aquilo do eclipse e leio o seguinte para os Caranguejos -- e vai em inglês mesmo porque não tenho tempo para traduzir.


It looks like you are now on the precipice to reach a larger audience through publishing or broadcasting as this Eclipse in Pisces will usher you into a new field of communication. Run with it. You may decide to team up with a partner and it can be an ideal time for that as the opportunity arises. March overflows with emails, conference calls and text messages. With all of the flurry and excitement, you will also need to take care of your health as Saturn squares the Eclipse, reminding you that you have a body and need to sleep sometimes. Regardless, you will soar with the new opportunity to share your message.

Bolas. Não é mesmo do caraças? Não parece ter sido escrito para mim? Fogo...!


Antes havia a explicação genérica:

A Solar Eclipse in Pisces will occur on March 8. This is a rare and powerful cosmic event that generally only happens twice a year. Following that will be a Lunar Eclipse on March 23. A Solar Eclipse is comparable to a whole year's worth of New Moons all rolled into one. This is a portal for you to transform your life in a profound sort of way. Eclipses are famous for pushing you out of ruts that you didn't even know you were in. This eclipse in Pisces will be a lights-on wake-up call for you to commit to your truth and abort all that is not in line with that truth. Often, when we try to keep things status quo during eclipse season, external events will happen that work magically to usher you into the new and improved landscape. But it can often be a rocky ride getting there, as eclipses are total non-negotiables. Create lots of breathing room and don't book your schedule too heavily because this month will be full of surprises. During the week of March 8, you will be initiating a brand new soundtrack for the year to come. Let's welcome in Eclipse Season!

Se quiserem ver os vossos signos, está aqui.

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E é isto. 

E agora, a quem ainda não leu, sugiro, então, uma visita ao mundo do regabofe laranja. É já a seguir e há matéria para chorar e outra para rir. Ou para ir às lágrimas, vá.


sábado, outubro 10, 2015

Ó Prof. Marcelo, olhe que o último a dizer que queria pagar ao País o que o País lhe tinha dado, não se deu nada bem. Falhou em tudo e acabou por se demitir. Foi o colossal Vítor Gaspar que, depois de ter não ter percebido porque é que a receita aqui lhe corria tão mal, foi experimentar para outras bandas

E um planeta com um céu azul para quem quiser estar mais perto de mim.


Não posso fazer de conta que ando muito bem informada porque não ando. Os meus dias têm sido marados de todo, e o que sei é o que ouço no carro ou, agora, numa espreitadela à pressão depois de ter chegado a casa depois da meia-noite (cineminha, meus Caros, e o bem que me soube O Estagiário...).




Mas basta-me ter visto o título das notícias para achar que o Marcelo das Vichyssoises virtuais não está a começar bem.

Diz que está disposto a servir como presidente para pagar dívida a Portugal. Mas daqui eu lhe digo: se o País lhe deu muito, acho que ficamos assim, a malta é desinteressada, a malta não está à espera de retribuição, fique lá o que lhe demos, senhor.


Depois de, compulsivamente durante anos, fazer intrigas, depois de manipular tudo o que lhe ocorre, seja por uma causa, seja só porque sim, de falar de livros da treta à mistura com livros bons, de colectividades de beira de estrada à mistura com coisas sérias, augurar resultados eleitorais e se deitar a fazer palpites para jogos de futebol, fazer propaganda a telenovelas, aparecer em capas de revistas a fazer de conta que anda a paqueirar a Judite, a dar entrevistas à Cristina Ferreira ou a fazer ele entrevistas já nem me lembro a quem (seria ao Ronaldo?) ou a meter conversa com quem quer que lhe apareça com um microfone à frente, eis que, depois de andar há um ano a bater perna pelo país a fazer pré-campanha, aí o temos, finalmente, a cumprir o sonho de uma vida: ser candidato presidencial.

Já antes tinha tentado ser presidente da Câmara e espalhou-se ao comprido, já tinha tentado estar à frente do PSD e pouco tempo lá se aguentou. Nos comentários falava dessa sua experiência como líder da oposição como se tivesse sido coisa de décadas: qual quê, pouco tempo, uma aventura, só peripécias, tendo saído pela porta baixa como um vulgar mentiroso. Parece que é bom como professor e tem graça como entertainer. Tirando disso, não se tem dado bem*. 

É certo que, ao fim de tantos anos, todas as semanas na televisão, o povo já se lhe afeiçoou. É como o cão da minha vizinha, vejo-o sempre aqui na rua, um cão simpático, parece que já me afeiçoei ao bicho. Mas será que vejo o cão da minha vizinha como o sucessor do tal das cagarras? Não sei. Não digo que não. Só digo que não sei. É que para ser melhor que o tal das cagarras não é preciso muito mas, ainda assim, teremos mesmo que deixar qualquer um entrar em Belém? Não sei.

Digo isto sem ser capaz de dizer qual me pareceria na mouche. O Nóvoa é um querido, um intelectual despojado, um idealista, mas ainda não me convenceu. Da Mariazinha de Belém também não me chegam bons presságios, não me convence, acho-a muito seguradinha. Não sei. A coisa não está famosa. Mas o Prof. Marcelo não me parece. Acho que mal, por mal, mais vale deixar-se estar ali no renhonhó com a Judite.

Até ver, o meu voto ia era para o Candidato Vieira. 
Vai Vieira, avança! Estou contigo!



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As imagens são do extraordinário We Have Kaos in the Garden.


* - Chamo a vossa atenção para o comentário já aqui abaixo do Leitor Fernando Ribeiro no qual ele fala justamente dos feitos e desfeitos do Professor Marcelo.

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É tarde e eu, para variar, estou cansada. Mas não quero ir sem uma palavra mais pessoal.
Por isso, com vossa licença. mudo de registo, agora.


Quando se escreve aqui sem saber quem está aí desse lado, não se sabe se alguém recebe isto como sendo para si, em especial. Eu gostava de saber escrever de forma a que cada um de vós sentisse que as minhas palavras lhe eram destinadas. Mesmo que nem todos sentissem, que ao menos alguns sentissem. Ou, pelo menos, que uma pessoa, uma única, sentisse. Mas não sabemos, escrevemos como se soltássemos sonhos no ar, palavras aladas cruzando um céu infinito e, em segredo, desejamos que elas pousem no coração de alguém, que floresçam, que lá criem raízes, as nossas palavras a perfumarem de afecto o coração de alguém especial. 
E, hoje, é a pensar que ao menos um pessoa sentirá que é para ela que aqui venho, tão tarde -- e que escolho a música, a imagem -- que vou ao céu buscar um pequeno planeta. 
Este é um planeta que esconde gelos e véus, grutas e outras vidas, mas que se veste de azul de propósito para os poetas amorosos que embalam recordações boas não esqueçam o dia de céu azul em que, numa varanda florida, sob árvores suspensas, desceu ao seu encontro alguém que trazia sorrisos e silêncios, carinhos, surpresas no olhar. É para tocar o coração desse alguém que aí está desse lado que aqui estou. 
Não sei de que partículas é feita a atmosfera deste pequeno planeta, uma atmosfera talhada em mistérios e palavras azuis, não sei de Cinturas de Kuiper, nem consigo pegar nas minhas mãos para agora depositar nas vossas nem Éris nem Ixion, sequer Varuna, mas posso, sim, posso, trazer-vos este que aqui vos mostro, simples como eu gosto de pensar que sou, distante como sei que sou, cercado de azul como gostava que me imaginassem - e pedir-vos que o guardem convosco, num recanto secreto da vossa vida. 
Quando o virem, saberão que nele estarei eu, convosco, tão perto de vós, aqui tão perto de vós, tão perto que talvez consigam sentir a minha respiração azul.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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sábado, maio 16, 2015

Kam'astro: saiba qual a posição sexual adequada ao seu signo - instrutivo para mulheres e para homens que queiram agradar às mulheres. E, para começar bem, com as minhas desculpas ao próprio, na cama de Frederico Lourenço.


No post abaixo já mostrei um vídeo que ilustra bem o que é o desgraçado desgoverno deste láparo que, por pouca sorte (ou culpa nossa) nos saíu na rifa. Não deixem de ver e, por favor, divulguem. Se fosse coisa que eu pudesse imprimir aos milhares (com animação e tudo) e colar nas árvores todas do País, como quando se perde um gato ou um cão, fá-lo-ia. Podia ser que, na próxima sondagem, já aparecesse a malfadada coligação com uns míseros 3% nas intenções de voto.

Mas adiante que isso é no post seguinte. Aqui, agora, a conversa ginga para o lado, twista a toda a força, quase faz um cavalinho.


Um Kama Sutra astrológico 

ou, uma vez mais, Um Jeito Manso em registo de serviço público




Turn me on, se faz favor



Mas, para que os meus Leitores mais severos, atilados ou dados à filosofia não me rifem de imediato, vou socorrer-me de Frederico Lourenço (que, coitado, se ele soubesse que estava a ser chamado para aqui, era ele que me rifava a toda a força...) para introduzir um toque de seriedade nisto. A vossa atenção que o assunto não é para brincadeiras.

Bom, mas se há coisa que toda a gente sabe é que, no fundo, as questões de hardware não são determinantes. O que decide tudo é a química. Esqueça-se de uma vez por todas a banha da cobra sobre se o tamanho conta, porque toda a gente que tenha alguma experiência no terreno sabe perfeitamente que só há um factor que, na cama, decide o êxito ou o fracasso: o grau em que gostamos da pessoa com quem estamos. Se gostamos muito - mas mesmo muito - tudo o resto é irrelevante. Até esquecemos que alguma vez tínhamos afirmado termos um 'género' ('ele não é o meu género...'), porque, por muito que gostemos teoricamente de olhos azuis ou de peitorais esculpidos ou de seja o que for, na pessoa amada gostamos simplesmente de tudo. O amor é, felizmente, muito mais forte do que quaisquer preconceitos atinentes à atracção física. (...)
O que é que interessa, então? É tão difícil explicar. Será a pele, será o cheiro, serão os gestos que sentimos a dialogar com os nossos gestos? A cama é também um acto de leitura, no sentido em que temos de saber ler o que o outro nos está a dizer sem que sejam utilizadas as tão anafrodisíacas palavras. (...) A expressão inglesa the proof of the pudding is in the eating aplica-se ao amor na esfera da continuidade. Ir para a cama com alguém uma vez - mesmo que dê certo a 100% - em si mesmo não é nada. O que vai decidir tudo serão as próximas vezes. Em rigor, o que vai decidir tudo não é a cama. São tantas coisas. Que acontecem, todas elas, fora dos lençóis. (...)

Ora bem. Vejam o que leram como um disclaimer. Não quero que se pense que uma boa posição é garantia de uma relação feliz. Não é. Mas, enfim, ajuda.

E, as ressalvas transmitidas, sigamos então para bingo.


A mulher Carneiro é enérgica, detesta a passividade e preza a sua independência. O ideal é uma posição que corresponda ao vosso carácter e que, ao mesmo tempo, permita ver bem o corpo do vosso parceiro. Por cima, claro está.

Touro, vocês gostam de ter tempo, gostam de capitalizar e detestam perder embalagem. Para vocês, o conselho é o de adoptarem os grandes clássicos do Kamasutra. O missionário espera por vocês. Os astros vocês vê-los-ão quanto estiverem a chegar ao sétimo céu! Olé!

Ah, as Gémeos! Vocês sabem o que dizer na altura certa, insuflar energia e bom humor à vossa volta. É por isso que as posições são de cumplicidade e de bem-estar. A posição da Amazona (vulgo, o cavalinho, upa la-la) promete romantismo, união e sorrisos ao longo da vossa vida amorosa.

As Caranguejos têm necessidade de romantismo e uma visão simples mas idealizada do amor. Por isso, precisam também de ternura na altura do sexo. Sem hesitação, a mulher Caranguejo e o seu parceiro vão envolver-se e unir-se na posição do gato, que os excitará bastante graças a um corpo-a-corpo particularmente sensual e terno. Miau.
(Lá está)

A mulher de Leão é deslumbrante e busca reconhecimento, que a empurra para a superação. Então, naturalmente, elas preferem posições que são um desafio. A posição do acrobata é perfeita para elas. Fazer a pirueta vai dar-lhes tanto prazer como o próprio acto. E sempre com ar de vencedoras! (confesso que aligeirei um pouco o texto porque, enfim, era um bocado explícito demais...)

As Virgens são discretas e organizadas. Este seu lado de controleiras fá-las querer conduzir a festa sob os lençóis. Como para tudo o resto, a Virgem gosta que os planetas estejam alinhados e é assim, bem alinhadinhos, que ela quer estar como se fosse uma via verde para o orgasmo. Sortudas!

As mulheres Balança cultivam o lado misterioso mas são extremamente justas. Preferem a posição da oferenda secreta (seja lá o que isso for). Com este movimento, a mulher Balança apreciará a mestria do seu parceiro e a destreza dos seus membros. As senhoras deste signo são apaparicadas pelo signo!

A mulher Escorpião adora o movimento! Extravasa dinamismo. Ela precisa de uma posição sexual que lhe permita aproveitar plenamente o espaço. O desenho ilustra bem uma hipótese e eu nem vou descrever os ângulos e os movimentos para não me espalhar ao comprido ou cair de costas, credo.


A mulher Sagitário é sincera, optimista e determinada. Estas qualidades fazem dela uma mulher activa que faz tudo para atingir os seus objectivos, na vida e na cama. Por isso, se ela se decidir a atingir o orgasmo nada a impedirá. Pode escolher uma posição confortável como a da tartaruga para não se distrair dos seus propósitos. Como o nome indica, esta posição pode durar eteeeernidaaaaades. 

As Capricórnios gostam de se armar em frias, altivas - mas atenção que elas são exigentes. Uma pressão para os parceiros, é o que é. Mas elas também são capazes de pedir ajuda para algumas aventuras pelo que pode haver aqui um face a face erótico que pode ser bastante gratificante. Pode até acontecer que, com o tempo, o parceiro possa vir a sentir-se menos pressionado...

Ei Aquárias! Vocês alimentam-se de liberdade, independência e confiança. O vosso amante deve respirar mistério e despertar a vossa curiosidade. A posição da conchinha sob os lençóis vai apimentar a vossa relação. Não vou falar de ângulos e tal e coiso, vou saltar por cima dessa parte do texto porque este blog é um blog de família. Mas vejo aqui gostos requintados, sim, senhoras!

A mulher Peixes é atenciosa e sonhadora. O seu sentido criativo puxa-a incessantemente para novas experiências. Por isso, propõe-se posições originais, acrobáticas, muitas requerendo verdadeiros golpes de rins. Se puder fazer de conta que é um peixe voador, tanto melhor.

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Espero que tenham achado útil este Kam'astro, porque a mim me deu uma trabalheira fazer isto a partir do artigo da Elle francesa, trazendo as imagens, traduzindo (livremente) os textos, etc. Mas, enfim, fi-lo de gosto, a bem da felicidade ou da cultura geral de todos os meus Leitores. 

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O texto de Frederico Lourenço faz parte da crónica Na cama do livro O Lugar Supraceleste, um livro rigorosamente a não perder.


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Mas, não obstante e não querendo estragar o climinha, recomendo que espreitem a perfídia do coelho do post abaixo - para estarem prevenidos, claro.

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E desejo-vos a todos, meus Caros Leitores, um excelente fim-de-semana. 
Sejam felizes, está bem? 
Não compliquem, não exijam demais, não chateiem os outros, tudo na boa, ok?

E atenção que este sábado é a Noite dos Museus!!!!!! 

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