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sexta-feira, janeiro 05, 2024

Os grandes agentes da bandalheira

 

Hoje queria que o meu marido escrevesse qualquer coisa sobre a palhaçada do recurso do MP a propósito da palhaçada do chamado caso Influencer, tudo uma palhaçada em que não se acredita, um desconhecimento total do que é o mundo real, uma subversão total do que é o papel do Ministério Público, um disparate sem tamanho. O que dizem ali só me dá vontade de perguntar se não há maneira de os mandar prender pois são perigosos para a sociedade tal a deformação que vai naquelas cabeças e tal o real poder que detêm. 

António Costa, na entrevista a Nuno Santos, disse que continua a achar que este modelo de funcionamento da máquina da Justiça é o correcto e acrescentou que pressupõe um funcionamento hierárquico.

Pois, aí está a questão: o modelo poderia ser bom num mundo perfeito, por exemplo se a Procuradora-Geral percebesse qual a sua função, tivesse alguma visão ou prática hierárquica. Mas não, é uma nulidade absoluta. Acontece que se poderia dizer que não seria grave pois a malta do MP é tudo gente escorreita, atinada. Errado. Não apenas andam em roda livre como acham que podem justicializar a política e lançar lama sobre quem lhes apetece, apeando politicamente quem lhes apetece.

Portanto, estamos entregues a um bando de incompetentes, lunáticos, doidos varridos, vingativos que andam por aí fazendo o que querem e, certamente, divertindo-se à tripa forra com os abalos que causam na democracia.

E Marcelo Rebelo de Sousa caladinho, assistindo passivamente ao que esta gente anda fazer, nomeadamente a minar a credibilidade do nosso regime. Marcelo, Marcelo, que mal lhe fica este silêncio...

Mas o meu marido anda engripado, cheio de tosse, não teve paciência para escrever.

E o pior é que, logo depois de ter ouvido excertos do recurso, ouvi um histérico e descompensado Montenegro não apenas a querer que a gente se esqueça do tema da sua casa, como que a gente se esqueça da porcaria a granel feita pelo governo de Passos Coelho que ele tanto defendeu (e que fez porcaria e da grossa e em toda a linha, nomeadamente com as privatizações, incluindo a malfadada privatização dos CTT), como ainda a querer que a maltosa que vota sempre nos populistas mais populistas, os que são contra tudo e todos, nos que tanto votam no PCP, no BE como no Chega, agora votem nele, o grande líder da bandalheira.

Pedi ao meu marido que, então, falasse nisto. Tosse, tosse e tosse e diz que não está com saúde para falar de gente desqualificada. Caraças para esta gripe que não desgruda da gente. Bem, ele não usou aquelas palavras para se referir aos desqualificados mas, como este blog é um blog de família, estou a traduzir usando palavras bem comportadas.

Ora eu, que ando com a cabeça feita em água, a caminhar sobre um chão minado de brasas, em que todos os dias acordo bem cedo com um nó no estômago, tentando (por vezes debalde) depois adormecer por mais um pouco, também não estou com cabeça para zurzir a valer como a tropa do MP e o Luís Montenegro merece ser zurzida.

Fico-me, pois, por aqui. 

Mas a Penélope está em grande forma. Não fala do totó da cara alegre, porque o tema é o da Justiça, mas não poupa os outros. Ide até lá, é o que tenho a dizer: Ao Ministério Público: há limites para a não admissão de um erro grave. A Procuradora-Geral continua alheada


quinta-feira, novembro 16, 2023

Quem é que anda a fazer de tudo para que voltemos aos tempos (AC) em que se dizia haver, por aqui, um povo que nem se governava nem se deixava governar?

 

Na sequência da última inventona, no outro dia, no balneário da piscina, uma senhora que, quase de certeza, não paga um cêntimo de IRS e que, do que percebo, também nunca deve ter descontado um cêntimo para a Segurança Social, queixava-se dos governantes, que são todos uns corruptos, uns ladrões, que só lá estão para encher os bolsos enquanto ela e 'nós' (leia-se, as presentes no balneário) não temos direito a nada.

Na sequência desta conversa, e em total incoerência, relatou que há uns três ou quatro anos teve um enfarte e que esteve num hospital público e que foi muito bem tratada e acompanhada, que não tem nada a apontar.

Chamei-lhe a atenção: mas era um hospital público e foi bem tratada... (isto sem nunca ter contribuído com um cêntimo). Portanto, de que se queixa? Disse-me, taxativamente, que se fosse hoje deixavam-na morrer à porta. Respondi-lhe que não, que o nosso SNS até funciona bem, como ela constatou, e que não há notícia da população andar toda a morrer à porta dos hospitais. Falou-me das notícias. Um caso de alguém que teve essa pouca sorte entre centenas de casos (senão milhares) por dia é uma infelicidade mas é uma insignificância estatística.

Dir-me-ão que, se a senhora não pagou impostos, é porque tinha baixos rendimentos ou, mesmo, zero rendimentos. 

E eu responderei que talvez não. Neste caso em concreto, do que nos conta, passeia pela Europa, faz cruzeiros, etc. Não vou entrar em pormenores mas posso dizer que, do que percebo, terá sido mais um daqueles infinitos casos de 'pequena' economia paralela. Agora percebo que o marido já não trabalha mas, do que vou ouvindo, intuo que devem ter vivido à margem das suas reais obrigações.

Uma outra dizia que tinha tido um cancro, que se tinha tratado no IPO e que tinham sido impecáveis, amorosos, atenciosos. Não tinha pago um cêntimo. E, no entanto, fazia coro com a outra, quanto à 'ladroagem que por aí anda nos governos e no parlamento' fazendo com que 'nós' tenhamos que pagar tudo, e tudo cada vez mais caro, e 'eles' nada, só a ficarem ricos. Quando a interpelei: mas os tratamentos no seu caso, com cirurgias, tratamentos, etc, devem ser bem caros e não pagou nada. Ficou a olhar para mim muito admirada como se tudo aquilo tivesse caído do céu, ou seja, como se nunca lhe tivesse ocorrido que usufruiu de dinheiro que outros descontaram e que os ditos governantes (e respectiva máquina administrativa) administraram.

Num outro dia, era uma outra que dizia que não ia levar vacinas, que estava farta de levar vacinas (gripe e covid) e que o que corria nos grupos de facebook de que fazia parte era que isto das vacinas é só para uns quantos se andarem a encher de dinheiro à nossa custa e que já estava farta de dar para aquele peditório. Perguntei-lhe se alguma vez tinha pago alguma coisa e ficou também admirada com a minha pergunta. Que não... E eu disse-lhe que levar vacinas era uma questão de saúde pública e, ao mesmo tempo, de defesa individual e que era um serviço gratuito para todos os utentes, que saía do orçamento do SNS. Vi que estava espantada e quase aposto que concluiu que eu devia estar 'feita' com os que só querem roubar. Isto quando usufrui gratuitamente dos serviços.

Num desses dias, cansada de ouvir tanta alarvidade, falei-lhes nas estradas, nas esquadras, nas escolas, nos hospitais e centros de saúde, por exemplo, em que se usufrui de vias de comunicação,  de saúde e de ensino gratuitos e que temos muita sorte em que assim seja e ainda mais porque mesmo as pessoas que não pagam impostos ou que não descontam para a segurança social, ou descontam muito pouco, tenham todos os seus direitos assegurados.

Ora, o que constato é que muitas pessoas, sendo usufrutuárias líquidas de benefícios não negligenciáveis, em vez de estarem agradecidas, mostram-se revoltadas como se alguém estivesse a roubá-las.

E isto, creio eu, deve-se a esta campanha orquestrada (deliberada ou não) entre o Ministério Público, os populistas como o Chega, as franjas mais ignorantes, embrutecidas e fundamentalistas do BE e do PCP,  alguns trogloditas do PSD e a comunicação social que, de manhã à noite, convocam para o palco da maledicência toda a espécie de jornalistas/comentadores que parece que, para assegurarem a sua avença, apostam no bota-abaixo, no discurso da desgraça e da fatalidade. Isto, exponenciado, pelas redes sociais. Vejo pelos grupos de whatsapp de que agora faço parte como cai lá todo o lixo possível e imaginário. Notícias falsas, truncadas, memes ridicularizando e caluniando políticos e governantes -- em permanência.

Há pouco, uma jornalista falava do 'caso' Data Center de Sines. Tudo o que ela dizia eram banalidades sem um pingo de suspeição. Tudo o que ouvi tinha a ver com aquelas pessoas quererem resolver encalhamentos, entraves, descoordenações, tretas irrelevantes. Contudo, ela lia a notícia com um tal ênfase e com um gesticular de mãos que, quem não conseguisse descodificar o que ela dizia, julgaria que ela estava a destapar uma caldeira de corrupção ou a desvendar uma perigosa teia. 

Sobre a deriva paranoica, persecutória e justicialista do Ministério Público quer o meu marido quer eu já aqui falámos bastamente (post anteriores). Cinjo-me agora à divulgação noticiosa da 'inventona'. Ora, desde quem escreveu a notícia que ouvi, a quem a aprovou e a quem a leu apenas revela que não fazem ideia do que é gerir investimentos. É que é isto mesmo que se espera de quem tem prazos e orçamentos a cumprir: que, dentro do respeito pela lei e pelos bons costumes, não descanse, que escave debaixo dos pés, que levante pedras, que salte muros, que vá atrás de tudo o que permita que se chegue com o projecto a bom porto. 

Tudo o que ouvi neste 'caso' foi gente que lutou pela prossecução de objectivos e não de vantagem pessoal. Ninguém ali, que se tenha ouvido, recebeu um tostão.

Fala-se em almoços ou jantares como se fosse obtenção de vantagem ou lá que treta é que é. Disparate. Toda a minha vida presenciei os meus colegas a tratarem do que calhava durante refeições. Quando se tem uma agenda cheia, por vezes encaixam-se novas reuniões no espaço livre para o almoço ou jantar. Por acaso, eu sempre fugi disso a sete pés mas não foi por achar que alguém me iria corromper ou que eu poderia ser acusada de querer corromper alguém, foi apenas porque não tenho pachorra para tratar de assuntos de trabalho durante o que considero ser um direito meu a um período de descanso. Mas, note-se, eu era vista como uma excêntrica por precisar de intervalar e precisar de descansar a cabeça enquanto como.

Mas pela cabeça de que tarado ou fora-de-lei é que passa que alguém, tendo que tratar de projectos de milhões, se deixa influenciar ao tratar de assuntos de trabalho durante um almoço de vinte ou cem ou duzentos euros? 

Que procuradores, que inspectores, que agentes e que jornalistas temos que não saibam discernir tais evidências e que, para cúmulo dos cúmulos, achem por bem destruir, na praça pública, reputações... por nada?

É absurdo, ridículo.

A que ignorantes e a que gente mal intencionada estamos nós entregues?

O que me chateia é que é isto que está por aí instalado. E não venham dizer-me que estou a exagerar ou que, sendo todos gente tão bronca, são inócuos. Não são. Foi este ambiente e estes agentes -- que medram no clima malsão que criam -- que conseguiram interromper uma legislatura, deitar abaixo um governo de maioria absoluta, insinuar infâmias, atirar lama para cima de pessoas que estavam apenas a zelar pelo bom andamento dos projectos (o que, diga-se, só beneficia o País).

Não falei até este ponto no nosso Presidente. Mas muita da responsabilidade disto tem o cunho de Marcelo. Ao comentar tudo a toda a hora, ao 'mandar bocas', ao estar sempre a insinuar remoques ao Governo, ao ameaçar durante meses com a dissolução da Assembleia, banalizando esse gesto, ao colocar-se frequentemente ao lado dos baderneiros, ao não fazer a pedagogia da análise séria, ao não se demarcar das análises cegas e populistas dos assuntos, alimentou este ambiente.

Tenho pena. 

Aquilo de Portugal ser uma terra em que a gente não se governa nem se deixa governar parece que está outra vez na ordem do dia. E está-o pela mão dos acima referidos.

terça-feira, novembro 14, 2023

PR + MP + Comunicação Social: a troika que está a dar cabo do País --
uma vez mais, a palavra ao meu marido

 

Foram hoje conhecidas as medidas de coação estabelecidas no processo "Influencer". 

A única acusação que se manteve foi a de tráfico de influências e os arguidos saíram em liberdade (felizmente que não foi o Carlos Alexandre pois era capaz de, mesmo com pseudo provas tão pífias, decretar prisão preventiva). 

Assim, parece não ter qualquer sentido manter o inquérito sobre o PM e fica demostrada a loucura dos comentadores e dos jornalistas que baseados numa mão cheia de nada conseguiram provocar alarme social internamente e denegrir no exterior a imagem de Portugal, contribuindo para desmotivar potenciais investidores estrangeiros.

Quanto a grande parte dos jornalistas e comentadores já sabemos há muito tempo o que a casa gasta. Não valem nada! São acríticos, não têm noção do mundo real, não contextualizam os problemas, são correias de transmissão dos interesses a que estão ligados. São completamente dispensáveis! Julgo que ninguém terá dificuldade em considerar, por exemplo, o José Gomes Ferreira completamente dispensável. Um tipo que só diz barbaridades e até lê tweets falsos em direto não faz falta, é um ativo tóxico, e deve ser dispensado. Obviamente, existem alguns jornalistas e comentadores de grande qualidade que me merecem o melhor apreço  e cujas posições respeito (Pedro Sousa Carvalho ou Anabela Neves, por exemplo, são dois dos que considero bons jornalistas, tal como Luís Paixão Martins é um comentador que ouço sempre com bastante interesse).

Existem outros dois intervenientes neste processo que têm ainda mais responsabilidades que os jornalistas: são o MP e o PR.  

O MP indicia cinco cidadãos de crimes de corrupção, prevaricação e tráfico de influências. Prendem as pessoas durante quase uma semana antes de serem ouvidas. Trocam nomes (propositadamente?) nas escutas e num caso desta gravidade apontam erradamente para o PM, referem Portarias que não têm a ver com o processo em curso, invadem a casa das pessoas pela manhã e devassam a privacidade de cada um e ainda por cima aparecem nos jornais as situações que mais podem denegrir os visados. Depois de tudo isto, os crimes de corrupção e prevaricação caem. 

Que mal terá feito, por exemplo, o autarca de Sines para merecer tudo isto? É demais! É uma falta de respeito para com os portugueses! 

Alguém tem que acabar com este estado de coisas. 

Hoje também veio a público uma notícia em que, numa investigação  a vários autarcas, o MP não fez as inquirições devidas e o processo voltou à estaca a zero. Depois de tudo isto não há sanções para estes senhores?

Em minha opinião, o principal culpado da situação atual é o PR. 

Na aparente ânsia de correr com António Costa e com o PS, não teve o devido discernimento para avaliar a situação. Não ponderou  a melhor solução face ao empate verificado no Conselho de Estado, não esperou o tempo suficiente para ter mais dados sobre a situação e decidiu sem o devido suporte. E que não venham os amigos do PR dizer que ele se preocupa muito com os Portugueses e com Portugal. 

Objetivamente, e tendo em conta a atuação do PR, o que ele fez, mais uma vez, foi desencadear uma situação que em nada contribui para o bem estar dos portugueses e para o desenvolvimento de Portugal. Dissolver a AR na qual existia uma maioria sólida eleita há menos de dois anos com base num 'golpe de estado de três procuradores' (a expressão não é minha) e mergulhar o País num novo período eleitoral é tudo o que não devia acontecer. E aconteceu pela mão do PR.

Respondendo a PGR perante o PR, o mínimo dos mínimos é que o PR, após o que aconteceu,  tivesse a atitude de demitir a PGR. 

Com tudo o que tem feito, se, ainda por cima, permitir a continuação em funções da actual Srª PGR, o Sr. Presidente, que já vai ficar tão mal no julgamento da história, ficará ainda pior.

Como notas finais:

1 - Será que, no que se refere ao "Influencer", em vez da montanha parir um rato, como se antevia, afinal ainda é menos que isso, menos ainda que a formiga de que se fala: a montanha não vai parir coisa alguma?

 2 - Será que o PR teve uma premonição e, quando foi visitar o Beco do Chão Salgado, estava  a pensar no MP atual?

3 - Segundo Luís Paixão Martins, Costa sugeriu ao PR quatro nomes para eventual PM, tendo Marcelo recusado dois, sendo que um dos dois admitidos como viáveis era o de Centeno. Aliás, LPM chamou a atenção para que, quando Costa, no sábado, disse que tinha a aquiescência do PR para sondar Centeno (nota: sondar e não 'convidar' como, talvez por lapsus linguae Centeno tenha referido), Marcelo não desmentiu. O diabo está nos pormenores. 

domingo, novembro 12, 2023

A comunicação de António Costa ao País, o Ministério Público, o Presidente Marcelo e os jornalistas-comentadores -
de novo, a palavra ao meu marido

 

Agradeço os comentários enviados. São muito interessantes. Obrigado.

Já aqui escrevi que, na minha opinião, neste momento, os três maiores problemas do País são: o PR, a Justiça e a maioria dos jornalistas-comentadores dos órgãos de comunicação social.

O inquérito do MP que originou a demissão do  PM e que, pelas notícias conhecidas, só pode resultar de incompetência, desconhecimento do mundo real ou interesses escondidos, também resulta da atuação do Prof. Marcelo e dos jornalistas-comentadores. 

A banalização pelo Prof. Marcelo da possível dissolução do Parlamento, o apoio que deu à luta dos professores, nomeadamente, quando os professores ultrapassaram todos os limites de decoro e decência para com o Primeiro Ministro, a forma como suportou atividades passíveis de inquérito criminal dos jovens ativistas do clima, os constantes "recados" para o governo sobre tudo e nada,... também respaldaram  a atuação do MP, pondo os Procuradores  "à vontade" para atuarem como atuaram e, assim, fazerem um enorme estrago na reputação  e no desenvolvimento do País. 

O discurso  dos jornalistas-comentadores, que transmitem  a ideia de que somos um País de corruptos, condiciona a opinião pública e confortam atuações justicialistas que têm como finalidade criminalizar o processo politico -- o que é inadmíssivel.

Ouvi hoje a comunicação de António Costa ao País que focou aspetos muito importantes, a saber: 

  • o investimento estrangeiro é muito bem vindo, 
  • o governo existe para atuar, optar e gerir a coisa pública 
  • e os funcionários públicos não se devem deixar intimidar e devem continuar a agir e a decidir de acordo com a lei. 

São mensagens importantes nesta altura e podem  ajudar a limpar a porcaria "made in" MP. 

Disse também que nunca falou sobre o projeto de Sines com Lacerda Machado e isso é relevante para o caso em questão.  

Claro que os comentários dos jornalistas-comentadores, imediatamente após, seguiram, como é costume, os interesses defendidos por cada um deles, focando aspetos acessórios. 

Será  que não têm capacidade para perceber  que a atuação do MP destruiu em poucas horas a boa imagem do País que tinha sido construída nos últimos anos, o que nos prejudica a todos? 

De fato, só estão interessados neste momento  em promover  a direita  e denegrir o António Costa e o PS, o que é lamentável.

Resta-nos a esperança de que algum dia esta espécie relativamente recente, a dos jornalistas comentadores, seja varrida dos canais de televisão. Oxalá!

sábado, novembro 11, 2023

Obviamente, demita-se. E outros breves apontamentos. -
Uma vez mais a palavra ao meu marido

 

Agradeço os comentários ao que escrevi ontem que muito apreciei.

Parece cada vez mais evidente que, mais uma vez, estando ou não respaldado na legislação, o MP atuou com uma enorme falta de bom senso e não como faria "um bom pai de família", expressão utilizada em muitos contratos em que estive envolvido e que significa que as partes devem atuar com boa fé, com bom senso e da forma com atuaria um bom pai com a sua família.

A atuação do MP parece-me o mais criticável possível. Então prendem-se, julgo que cinco pessoas, e mantêm-se estes nossos concidadãos presos durante uma semana antes de serem ouvidos e conhecerem as medidas de coação? Por que razão não iniciaram de imediato as diligências para que as pessoas não estejam detidas, se calhar indevidamente? 

Está em causa o sagrado direito da liberdade de pessoas que ainda não foram acusadas de nada e de cujo passado, que se saiba, não consta que tenham praticados crimes. Porque não notificam as pessoas para serem ouvidas, num prazo curto, em vez de serem presas? Para o MP mostrar que faz o que quer? Poderá estar suportado pela lei este tipo de comportamento do MP; mas será socialmente legítimo numa democracia? Não, não é obviamente legítimo!

E a violação constante do segredo de justiça em todos os processos mediáticos, crime para o qual nunca houve castigo? Numa democracia, é socialmente admissível, nestes casos,  punir os envolvidos, presumivelmente inocentes,  com envios seletivos de informação para os jornais que a publica da forma a enxovalhar o mais possível os arguidos? Não, não é obviamente admissível!´

É aceitável numa democracia dar cabo da vida de pessoas, inocentes ou culpadas, com ataques continuados efetuados por determinados órgãos de informação aos quais é fornecida  informação em segredo de justiça, com o óbvio interesse em fazer julgamentos na praça pública? Não, não é obviamente aceitável!

É razoável numa democracia que o MP demore anos e anos para investigar os processos gastando provavelmente muito mais dinheiro do que deveria? Não, não é obviamente razoável!

É concebível numa democracia que o MP não preste esclarecimento sobre as ações que desencadeia mesmo que estas afetem o funcionamento e a imagem externa do País? Não, não é obviamente concebível!

É pelas razões apontadas -- e provavelmente pela incapacidade de gestão intrínseca -- que  a responsável pelo MP devia obviamente demitir-se (e já o devia ter feito, por vontade própria ou por sugestão, há muito tempo).

Outros dois apontamentos. 

O inefável Presidente anunciou ontem o que já tinha sido anunciado pelos seus porta-vozes. É mais uma tentativa para que haja um governo de direita quando ele for pregar para outra freguesia. Parece, segundo um conceituado constitucionalista, que o discurso escrito do Presidente tinha várias incorreções em termos constitucionais. É de pasmar! Volto a dizer: o Prof. Marcelo não vai ficar bem quando se fizer a história do período em que foi Presidente. Só não digo que será, para ele, "azar dos Távoras" porque a fraca avaliação será justa e merecida.

O António Costa e outros políticos de vários partidos estão a ser, foram e serão  vítimas de nunca terem alterado a legislação que suporta a atuação do MP. Deviam tê-lo feito. Espera-se que, de futuro, alguém pegue no assunto de frente, com coragem e sem medo de afrontar o corporativismo instituído nesta área. A Justiça não pode continuar a ser o pilar mais fraco e carunchoso da democracia.