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segunda-feira, outubro 13, 2025

E mais alguns apontamentos sobre as autárquicas
--- A palavra ao meu marido ---
: 4º post no rescaldo das Autárquicas 2025 :

 

O PSD ganhou as autárquicas. Não terá sido uma vitória tão expressiva como ambicionavam nas capitais de distrito mas ganharam os distritos mais populosos que provavelmente não pensavam ganhar. 

O José Luís Carneiro após três meses à frente do PS e tendo, na minha opinião, feito um trabalho sério e persistente, conseguiu, ao contrário do que desejariam alguns grupinhos do PS e certamente pretendiam alguns comentadores encartados, repor o bipartidarismo e recolocar o PS como um partido de alternativa de poder à AD. Foi uma derrota mais doce do que amarga e foi também a consolidação da liderança que eu espero que tenha bastante sucesso do José Luís Carneiro. 

A derrota da Alexandra Leitão em Lisboa deve ser a derrota final do Pedro-Nunismo. Se olharmos para os resultados freguesia a freguesia percebe-se que as freguesias onde tendencialmente residem os mais abastados tiveram medo do "radicalismo" da Alexandra e das companhias mortáguas com que se rodeou. 

O Moedas que nunca quis discutir Lisboa, apostou sempre na mensagem do radicalismo e isso, como se constata, fez o seu caminho. Uma coisa é certa: fui recentemente passear no Chiado, na Baixa  e na zona ribeirinha e fiquei chocado com o estado da cidade. Estive também em Alvalade e a quantidade de lixo no chão é uma vergonha. No entanto, parece ser este estado de coisas que os lisboetas preferem. É o que é! 

O Ventura ganhou dez por cento do número mínimo de câmaras que tinha como objetivo ganhar e ficou atrás da CDU e do CDS, coisa que ele tinha declarado impensável aqui há dias. Como populista que é, veio cantar vitória quando na verdade teve uma derrota estrondosa só (relativamente) comparável  à da IL que ontem tentou passar por entre os pingos da chuva e parece-me que nem falou à malta.

Sobre a CDU já aqui escrevi ontem, não atingiu os mínimos mas ainda não foi totalmente corrida. Percebi ontem, depois da intervenção do Raimundo, que são como a ministra da saúde, definem estratégias que só dão porcaria mas insistem no erro para fazerem ainda mais porcaria. Um apontamento, a esquerda unida, incluindo a CDU, tinha ganho Lisboa e Porto. 

Quanto ao CDS alguém tem que dizer ao Nuno Melo que já basta de dizer tanta parvoíce.

Há uma outra conclusão, o pessoal está-se nas tintas para questões éticas e para comportamentos eventualmente duvidosos. Que o digam o Montenegro, a Maria das Dores Meira e o rapaz de Braga. 

E viva o Isaltino! Espero que tenha comido um belo lavagante.

quarta-feira, setembro 24, 2025

Existem surpresas surpreendentes que surpreendem. Outras nem tanto.
-- A palavra ao meu marido --

 

É raro o dia em que não temos, nas notícias, uma surpresa que, nuns casos, é verdadeiramente surpreendente, noutros só aparentemente. Vejamos o que aconteceu nos últimos dias.

Verdadeiramente surpreendente é o preço da habitação ter subido 17,2% no segundo trimestre deste ano, venderem-se casas que nem pãezinhos e a quantidade de casas vendidas a estrangeiros ter atingido um mínimo. Provavelmente vai ser necessário "inventar" uma nova teoria económica para explicar este paradoxo. No entanto, a surpresa diminui se pensarmos na quantidade de pessoal que ganha muito e paga poucos impostos e nas medidas que o governo criou que, em vez de promoverem o acesso á habitação das pessoas com mais dificuldade, originam o aumento dos preços e só beneficiaram quem tem  mais poder aquisitivo.

Também verdadeiramente surpreendente é uma semana depois do ministro da educação garantir que praticamente não haveria alunos sem professores, ter sido noticiado que 78% das escolas tem falta de professores. A surpresa diminuiu se pensarmos que o ministro não consegue acertar uma e habitualmente efabula sobre a realidade.

Aparentemente surpreendente é o Moedas ter agendado uma reunião importantíssima para aclarar as responsabilidades na tragédia do elevador para depois das autárquicas. Se pensarmos que estamos perante um populista cobarde e sem escrúpulos, este chutar com a barriga já não surpreende. É o modus vivendi do Carlinhos.

E surpreende que o Conselho de Finanças Públicas venha dizer que o custo do rendimento de inserção está descontrolado depois de tudo o que o Luís e a malta que o acompanha disseram sobre este assunto durante o governo anterior? Não, não surpreende. Este governo não tem como objetivo controlar gastos, segue apenas uma política eleitoralista em que vale tudo.

Embora surpreenda o número de partos efetuados em ambulâncias e a falta de capacidade para combater incêndios, se analisarmos com mais cuidado constatamos que também não é surpreendente. Ter responsáveis políticos que não percebem nada das áreas que tutelam é no que dá, em vez de resolverem agravam os problemas.

Surpreendente é a falta de qualidade da malta que governa o País. Não se aproveita um para amostra.

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Vi na televisão as respostas da ministra da saúde na AR e foi confrangedor, quase pungente. Como é possível uma única mulher ter sido ungida com tanta incompetência, tanta falta de capacidade de discernimento e tanto despudor? A questão das urgências de obstetrícia que não fechavam mas que estão fechadas ainda aumentaram mais os desequilíbrios da ministra. Primeiro acusou o Pedro Azevedo de a ter enganado, ele é que era o culpado por haver e afinal não haver obstetras, depois, como ele não deve querer perder o tacho e ela teria dificuldade em encontrar outro figurão para o substituir, parece que fizeram as pazes com ónus para ela própria que assumiu que se enganou (já se enganou tantas vezes que mal faz mais um engano?). A seguir ameaçou a malta do Barreiro com transferência compulsiva para Almada (que o PM corroborou). O pessoal não gostou e lá teve a Aninhas que dar o dito por não dito. Afinal estava a preparar um decreto, corrigindo a oposição que falava em despacho (que disparate, a Aninhas sabe lá despachar o que quer que seja) mas que o mesmo seria negociado e last but not least até haveria uns incentivozitos (leia-se uns dinheiritos adicionais) para os doutores. Aqui, finalmente, esteve bem porque incentivos são música para os ouvidos dos doutores. Receia-se, no entanto, que haja um problemazito de somenos. Afinal, 5 dos 7 obstetras do Barreiro têm mais de 55 anos e já não fazem urgências. Será possível que a ministra se tenha enganado outra vez e se tenha esquecido de verificar este pequeno pormenor?  É mais uma cerejinha em cima do enorme bolo de incompetência da ministra. O costume. 

Para finalizar uma adivinha. Qual foi a ministra que aumentou para 60€ o valor da hora paga aos médicos tarefeiros, desequilibrando ainda mais as contas do SNS e, en passant, causando sérios problemas também aos Privados? Vou dar uma ajuda, o primeiro nome é Ana, o segundo começa por P e o terceiro nome é Martins. Conseguem adivinhar?

terça-feira, setembro 16, 2025

Governo Montenegro: uma cambada de mentirosos ou de incompetentes profundos?
-- A palavra ao meu marido --

 

É difícil compreender que o ministro da educação tenha afirmado e reafirmado um ou dois dias antes do início das aulas que este ano praticamente não haveria alunos sem professores. Azar do costume, afinal haverá pelo menos mais de 90.000 alunos sem professores (o PS fala em mais de 100.000) e as escolas também se queixam de falta de pessoal auxiliar. Só vejo duas hipóteses o ministro da educação é mentiroso ou é profundamente incompetente. 

A ministra da saúde anunciou com pompa e circunstância que tinham contratado 7 ginecologistas para o hospital de Almada e que a partir de agora haveria sempre urgência de obstetrícia e ginecologia abertas na margem sul (alguém deveria investigar quais as condições em que estes médicos foram contratados. Será que vão trabalhar também como tarefeiros para "comporem" o vencimento?). Azar do costume, afinal todas as urgências da margem sul destas especialidades têm estado fechadas. Só vejo duas hipóteses: a ministra da saúde é mentirosa ou é profundamente incompetente.

Hoje foi noticiado que o secretário de estado da agricultura estava a ser investigado por contas "pouco transparentes" de empresas do setor imobiliário em que participou. A história do costume, o Montenegro, a exemplo do que fez no caso Spinunviva, veio dizer que o homem deve continuar no governo. O Montenegro está-se sempre nas tintas para a decência em política.

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Adenda: Hoje vi uma parte do debate das autárquicas de Lisboa. Na parte que vi, o Carlitos Moedinhas virou um "fofinho" embora não pareça ter perdido o gosto de mentir. O costume, qualquer populista que se preze diz o que convém dizer numa determinada altura, tenta portar-se melhorzinho se julga que isso lhe dará votos, mas tem sempre uma péssima relação com a verdade. Carlitos, por esse andar ainda te tornas um Ventura de segunda categoria.

terça-feira, setembro 09, 2025

Considerará o indigno Moedas que o Paulo Portas e a Mariana Leitão são seus sicários?
-- A palavra ao meu marido --

 

O Moedas, na entrevista à SIC, esquecendo-se que estava a fazer-se de coitadinho, e após dizer que nem pensava nas eleições, atirou-se com ignomínia ao PS, chegando, entre outros "mimos", a chamar a quem o atacava, sicário da Alexandra Leitão. 

Seguindo essa analogia, será que o Moedas também considera que quem tem tentado salvar a sua pele -- com argumentos estapafúrdios, é certo --, como, por exemplo, o Paulo Portas e a Mariana Leitão, são seus sicários, certo? 

O Moedas tem demonstrado ser reles e ignorante, mas, como já deve, entretanto, ter sido esclarecido, sicários são criminosos contratados que, no início, usavam adagas escondidas debaixo das togas com as quais perpetravam os assassínios. É óbvio que não são os métodos usados em democracia mas vê-se bem o calibre do personagem quando é capaz de fazer este tipo de afirmações. Pior ainda e de uma baixeza insuportável é o que afirmou sobre a demissão do Jorge Coelho quando ocorreu o acidente em Entre Rios. Um tipo que mente descaradamente e que mostra ser tão reles não é confiável e não merece qualquer tipo de consideração ou respeito. Não vale tudo, certo?

segunda-feira, setembro 08, 2025

(Actualizado) Obviamente, pirem-se!
-- A palavra ao meu marido --

 

O presidente da Carris e o Moedas não podem continuar. O que soubemos ontem no inquérito preliminar é gravíssimo. Um equipamento de transporte público que funciona há 140 anos, com todos os riscos que acarreta um período tão longo de funcionamento, e transporta centenas e centenas de milhares de pessoas por ano num percurso com inclinação de 17 por cento, não tem sistemas de travagem que atuem no caso de falha no cabo que suporta o equipamento e permite  que este trave. É inconcebível!  Como é  possível que um equipamento cujas condições de segurança são tão precárias transporte pessoas? 

O dirigente principal da empresa tem que se demitir porque não garantiu que a empresa cumprisse a sua missão principal que é assegurar o transporte dos utentes em segurança. 

O Carlos Moedas também devia ir-se embora por indecente e má figura: não só porque a CML tutela a Carris mas também porque vai para a SIC fazer figura de poucochinho e consegue dizer que tudo funcionou bem, dizer que não pensa em eleições, e, enquanto isso, põe-se a dar bicadas na concorrente eleitoral, e continua apelando aos sentimentos mais primários das pessoas e quase chora para conquistar votos. E porque ao longo deste processo demonstrou que tem zero de capacidade de liderança. Uma triste figura. 

Além disso, depois de andar a pregar contra a insegurança na cidade, mostrou que se esqueceu de um aspecto tão fundamental como garantir a segurança de quem usa veículos de transporte, ainda por cima talvez dos veículos mais usados na capital. Afinal o grande problema para a segurança de Lisboa não são os imigrantes mas a falta de condições dos elevadores turísticos da cidade. 

Indecente e má figura do Carlos é  também seguir a cartilha do Montenegro e, quando tudo está a correr a mal, vir dizer que se gastou mais dinheiro com o problema e que ninguém se demite porque "estão lá para resolver os problemas" que de fato agravaram. É uma cartilha que, de tão gasta, fede.

Eu sei que vivemos num País cujo governo atual mandou a ética às urtigas. O PM, com a Spinunviva às costas, diz no Governo o contrário do que dizia na oposição,  consegue dizer sobre o mesmo assunto três coisas diferentes no mesmo dia (foi o que fez quando falou sobre o acesso à matriz das propriedades que possui), mente quando lhe convém,... O ministro das finanças é o rei das cativações que tanto criticava nos antecessores. A ministra da saúde mantém-se no cargo apesar das sucessivas tragédias que têm ocorrido, mostrando que pensa que não tem nada a ver com as desgraças da área pela qual é responsável... 

Só falta mesmo que, depois do horrível acidente que ocorreu em Lisboa, ninguém assuma a responsabilidade pela inconcebível situação em que a empresa que transporta milhões de passageiros por ano colocou os seus utentes.  Mesmo no estado a que as coisas chegaram parece impossível.

Nota: quem é que garante que os outros equipamentos da Carris são seguros e não põem em perigo os utentes?

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Post scriptum

Ontem quando escrevi o post ainda não tinha ouvido as declarações do Moedas em 2021 a pedir a demissão do Fernando Medina. Depois de ter dito o que disse, o Moedas tinha que se demitir de imediato. É preciso descer muito baixo para utilizar os argumentos que ouvi ontem na SIC para justificar a sua continuidade no cargo. 

É vergonhoso! Não vale tudo! Um comentário de ontem, muito consistente, que agradeço, refere que o que aconteceu pode configurar um crime de homicídio por negligência ou dolo. Assim, parece que seria mais prudente o Moedas preparar a defesa em vez de andar por aí esganiçado, qual beata histérica, a tentar chutar para canto. Cada vez mais estes dirigentes do PSD me parecem aquela cambada que rodeia o Trump: impreparados, sem nenhuma ética, mentirosos e viciados em "fake news".

domingo, setembro 07, 2025

O relatório preliminar
-- Porque aconteceu a tragédia do Elevador da Glória? --

 

Estamos em território minado em que ninguém divulga documento nenhum sem que, primeiro, os advogados o mire à lupa, com mil olhos. 

Sabemos que o tema da responsabilidade civil* e as respectivas consequências é o que agora estará a envolver todos intervenientes, e, quando falo em envolver, é isso mesmo: há que ter mil cuidados, pois qualquer ponta que se deixe solta será usada pelas seguradoras, pelos advogados das partes envolvidas, pela comunicação social, pelos partidos, para triturar impiedosamente o primeiro que se deixe apanhar 'a jeito'. É, pois, a altura de mitigar os efeitos dos danos de toda a ordem, nomeadamente os financeiros, os reputacionais, os políticos. Claro que em background estará sempre o drama dos mortos, dos acidentados. Mas isso já aconteceu. Já não há nada a fazer. Portanto, isso estará presente, claro que sim, mas em background. Quem não está habituado a isto, dirá que há muito cinismo, muita hipocrisia nisto. Talvez, sim. Mas não sei se é isso ou se é o instinto de sobrevivência dos intervenientes. Sei bem o stress que, em situações deste tipo (e nunca passei por nenhuma tão grave, nem nada que se pareça), costuma existir sobre todos: reuniões e mais reuniões, com os circuitos todos da gestão de risco a serem seguidos ferreamente.

Quanto ao relatório sobre o que aconteceu, mais do que saber que foi o cabo solto ou a ineficiência dos freios, é importante detectar a verdadeira causa-raiz que levou a que isso acontecesse. Seja o que for, da minha experiência, o que me parece óbvio é o seguinte: por muito que o relatório preliminar seja prudente e tente dar a entender que o que se passou foi uma fatalidade, pois os procedimentos de manutenção foram todos rigorosamente cumpridos e o condutor agiu como devia, uma coisa é certa: em acidentes desta natureza não há fatalidades -- há, sim, uma ou mais ocorrências como, por exemplo, desgaste dos materiais que não foi devidamente acautelado, falta de adequação dos materiais ou dos sistemas às funções, falta de manutenção com a profundidade, a tecnicidade ou a periodicidade devida, ou a não substituição atempada de peças, equipamentos ou sistemas. E um ou vários desses aspectos serão a causa directa. E é preciso identificá-los.

Mas depois há as segundas derivadas: ou seja, porque é que isso aconteceu? Sub-orçamentação, inexperiência ou inaptidão dos técnicos (quer os da Carris que fizeram o caderno de encargos ou que monitorizam a execução do contrato quer os da empresa externa que efectua o serviço), inadequação organizativa (quem monitoriza ou quem decide sobre falhas ou decisões a tomar), inaptidão da gestão da Carris?

Numa perspectiva séria, para apurar todas as razões (e não para alimentar o espectáculo da comunicação social mas, sim, para evitar que voltem a acontecer acidentes desta gravidade), haveria uma comissão de gente séria, experiente e objectiva, a varrer todas estas vertentes.

Não podem ser totós que embarquem em banalidades, que não vão ao fundo da questão, tem que ser gente que saiba desmontar os argumentos, que saiba pesquisar, averiguar:

- Faz sentido manter aqueles elevadores, lindos, com aqueles materiais, com aquela tecnologia, ainda estarem em funções? Não seria mais seguro haver réplicas perfeitas mas robustas, tecnologicamente modernas, seguras, monitorizáveis e controláveis?

- Faz sentido os serviços de Manutenção continuarem externalizadas? Em caso afirmativo, quem define os moldes em que é executada, quais as fronteiras de responsabilidade entre os serviços internos e os externos (por exemplo, quem assegura os serviços de Oficina, a gestão de peças, quem efectua inspecções periódicas, quem assegura a transmissão de conhecimentos e a formação dos técnicos)?

- etc...

E isto de que tenho falado é uma vertente. Mas há outra: não nos esqueçamos, uma empresa tem accionistas que nomeiam a administração e é a administração que leva ao terreno as orientações que recebe. É o accionista que aprova as linhas estratégicas, os orçamentos, as grandes decisões programáticas. No caso, o accionista é a Câmara de Lisboa. E quem está à frente da Câmara de Lisboa não é uma dinastia ou uma família: são pessoas eleitas, são políticos. Logo, antes de qualquer outra responsabilidade, há a de carácter político.

Carlos Moedas não pode esconder-se atrás das saias do falecido Papa, não pode encostar-se a Marcelo ou a Montenegro nem pode continuar a andar a correr atrás da comunicação social para se gabar de tudo o que mexe ou não mexe. Carlos Moeda, por uma vez, tem que se portar como um homenzinho. A menos que não saiba o que isso é.

* Num comentário abaixo, que agradeço, levanta-se a possibilidade de vir a haver também uma questão criminal. Não a referi por admitir que esse caminho não será trilhado pois, a haver responsabilidades dessa natureza, elas provavelmente seriam de tal forma partilhadas que não se chegaria a lado algum. Mas, de facto, nunca se sabe. Estou a lembrar-me de um caso que não tem a ver com acidentes ferroviários ou afins  mas com saúde pública e o tema foi aí parar, com muitos dos responsáveis da empresa envolvida sentados no banco dos réus. Portanto...

sábado, setembro 06, 2025

A tragédia do Elevador da Glória -- a infeliz ilustração prática do que é a Lei de Murphy?

 

Tenho cá os meninos em casa em regime de pernoita e, em dias assim, tenho dificuldade em mudar o chip para falar de coisas sérias. 

Antes de se ir deitar, o meu marido deixou-me várias sugestões para o que eu poderia abordar no que fosse escrever no blog. Concordei e disse que sim, que o faria. Simplesmente, as minhas mãos estão com dificuldade em falar de concursos públicos, em externalizações, em planos de manutenção, em escassez de mão obra especializada, em gestores políticos de meia tigela. 

É que, tal como ele, também eu posso falar destes assuntos, não do caso do Elevador da Glória em particular, que não conheço, mas destes temas em geral. Mas, para eu falar disto, porque só consigo falar com seriedade e rigor, teria que me alongar. E a esta hora, com os meninos a dormirem nos quartos ao fim do corredor, não sei se consigo forçar as minhas mãos a temas sérios quando só me apetece falar da graça das crianças, do menino que chegou a casa, do treino, já às dez da noite, e, depois, ainda foi tomar banho e, depois, jantar, para pouco depois ter que ir dormir pois este sábado tem que estar a pé cedo já que tem reunião e treino antes das dez da manhã, ou do mais novo, arisco, que me deixa abraçá-lo e dar beijinhos, revelando ser um falso arisco, ou a menina, mais alta que eu, já não criança mas uma bela adolescente, que veio carregada com uma valise dentro da qual se encontram dois necessaires, um com produtos para o cabelo, outro com maquilhagens, sempre toda decidida, toda organizada, e que me faz recordar-me de mim com a idade dela.

Por isso, como conseguir fazer a agulha para os temas que estão na ordem do dia e que, de uma maneira ou de outra, farão parte da causa-raiz da tragédia?

Bem.

Vou tentar. 

Mas vou ver se abrevio. 

Externalizar? 

Sempre fui totalmente contra quando se trata de áreas críticas, de utilização permanente e em que a retenção de conhecimento é relevante. Era a favor em sectores indiferenciados, de utilização sazonal, em que não é requerido conhecimento específico do 'entorno' ou da função. 

No caso da manutenção, em que os técnicos são sempre necessários ao longo do ano, em que é importante reter o conhecimento para que exista um historial de avarias, do que as provocou, da forma como se resolvem, para que acompanhem os novos investimentos e recebam formação no seu manuseio, sempre fui a favor da não externalização. 

No caso da Carris, tendo sido tomada essa decisão há uns anos, e ainda não tendo havido a coragem de a reverter, a única forma de assegurar uma boa manutenção é haver internamente, na Carris, quadros técnicos altamente experientes e conhecedores, que consigam plasmar no caderno de encargos do concurso público, todos os requisitos e, depois, que acompanhem o seu escrupuloso cumprimento: Por exemplo, quais os planos de manutenção preventiva, qual o plano de inspecções, tempos de chegada ao local em caso de manutenção correctiva (e, se já estiverem evoluídos, planos de manutenção condicionada e preditiva). Coloquei entre parêntesis pois temo que os equipamentos do elevadores não estejam ainda sensorizados para emitirem alertas em situações de desgaste, de perda de tensão ou outras situações críticas. Mas o caderno de encargos deve ainda prever de quem é a responsabilidade por gerir os stocks de peças de reserva ou de consumo corrente e de quem é a responsabilidade pelos trabalhos em oficina (está também externalizada? se não, como se integra a sua gestão, num fornecimento externo?). E nos planos dos trabalhos deve estar bem definido o que fazer e com que periodicidade bem como quais as habilitações, formação profissional e experiência dos técnicos que integrarão as equipas. Tudo isto tem que ser, depois, contratualizado e rigorosamente monitorizado.

Como o meu marido referiu ontem, se isto estava tudo bem definido e se nenhuma empresa apresentou proposta no concurso que entretanto decorreu, é porque as empresas concorrentes acharam que, pelo valor base do concurso, não era possível fazer o trabalho. Atendendo a que esse valor é cerca de 20% superior ao que estava a ser praticado, das duas uma: ou a empresa que andou a fazer a manutenção até ao fim de Agosto andou a perder dinheiro, muito dinheiro, ou andava a cortar as unhas, mas a cortá-las muito rentes, ou seja a não fazer o trabalho que devia ser feito, pelo menos de acordo com os requisitos do concurso que ficou deserto. 

O meu filho, no dia do desastre, dizia que parecia ter acontecido o worst-case scenario, aquele cúmulo de azares que, quando a coisa dá para o torto, parece que os azares se atraem uns aos outros: parece ter falhado o cabo, o freio, e sabe-se lá mais o quê. Mas vamos ver se, em cima de tudo isso que se traduziu num número tão elevado de mortos e feridos, não aconteceu ainda um outro. Não nos esqueçamos que, quando acontecem acidentes desta natureza, as indemnizações e os gastos de reparações e outros são exorbitantes. As empresas têm uma responsabilidade civil que, geralmente, está segura (leia-se, coberta por um seguro). Mas, para não pagarem prémios excessivos, limitam a responsabilidade coberta. E está tudo bem... até ao dia em que deixa de estar. Portanto, vamos ver qual o tecto da responsabilidade civil da empresa responsável pelo que aconteceu. Vamos ver se, a seguir a toda a desgraça que aconteceu, não começam a surgir outros dissabores. Claro que não há maior dissabor do que uma vida ser ceifada num acidente destes mas, a seguir, começam a surgir as consequências e, neste capítulo, vamos ver se estava tudo bem acautelado.

E aqui um tema que será certamente avaliado: supostamente, a empresa externa que fazia a manutenção vai ser chamada à pedra e vai averiguar-se se os planos contratados foram cumpridos. Se não foram cumpridos, estará encontrada a empresa responsável. Mas se os planos foram cumpridos e o que se conclui é que os planos estavam mal feitos, aí a responsabilidade reverterá para quem os definiu. E aí entrarão as contendas jurídicas, os pareceres, as complicações que, às tantas, se transformam em complicados enredos.

Mas há ainda um outro aspecto: pelo que vi, a empresa MNTC que fazia a manutenção dos elevadores de Lisboa terá sede num prédio residencial na Margem Sul, um capital social de apenas 15.000€ e 30 trabalhadores. Não consegui encontrar o site, talvez não tenha. Não posso questionar a competência e a estabilidade da empresa e dessas 30 pessoas pois delas nada sei. E também não sei se os trabalhadores que faziam a manutenção pertenciam mesmo à MNTC ou se seriam subcontratadas. É que o que frequentemente acontece, nesta perversidade de externalizar e contratar pelo menor preço, é que as empresas a quem é adjudicado o trabalho, para o conseguirem fazer por tão baixo custo, recorrem à mão de obra mais barata que arranjam (muitas vezes pagando parte do ordenado por baixo da mesa, para pouparem na Segurança Social e nos impostos). Não faço ideia se é o caso mas não me admiraria se fosse.

E ainda um outro aspecto: li que o contrato com a MNTC acabou no fim de Agosto. Não havendo empresa para a substituir (dado o concurso ter ficado deserto), a Carris terá feito um ajuste directo com a MNTC para mais 5 meses. E pergunto: fez contrato? Quais as cláusulas do contrato? O contrato está assinado? Em vigor? Certinho. direitinho? Ou foi na base do 31 de boca? É que, numa situação como a que aconteceu, tudo isto faz a diferença -- e as Seguradoras e os advogados das diferentes partes não costumam condoer-se, é o business deles, costumam defender-se com unhas e dentes, e todas as pontas soltas são boas para desmontar pretensões com pés de barro.

Só espero que o worst-case scenario não se aplique também a estes aspectos, senão a dimensão do problema alastrará e de que maneira. 

Claro que há muitos intervenientes que, de uma maneira ou de outra, têm a sua quota parte de responsabilidade no que aconteceu: no que se refere a questões técnicas, a questões jurídicas, a questões administrativas, a questões de organização e, claro, a questões de gestão.

Mas, acima de tudo, e convém não a relativizar, há a responsabilidade política. Na forma como as empresas sob responsabilidade municipal se organizam, na aprovação do plano de investimentos e do orçamento de gastos correntes, nas prioridades, nas linhas vermelhas, a primeira e última palavra vai para a Câmara que, no caso, funciona como o accionista, o grande decisor.

Estar à frente de uma autarquia não é ser como o Moedas, esse oportunista que parece achar que se nos aparecer, televisão adentro, a toda a hora, em todo o sítio, como um emplastro, sempre a gabar-se, sempre em bicos de pés -- é ele que faz tudo, é ele que pensa em tudo --, uma figurinha ridícula que se acha o máximo. Não. Ser responsável por uma autarquia é tomar as grandes decisões, é garantir que o que é crucial é seguido à risca (por exemplo, é alguém que traça linhas vermelhas como 'nunca por nunca pôr em risco a vida humana'), é assegurar que há medidas de controlo para monitorizar o cumprimento dos planos. Ser responsável é saber gerir prioridades como por exemplo, ser capaz de dizer: 'não vou cortar na manutenção de equipamentos de utilização pública nem na higiene urbana nem no apoio à recuperação de consumidores de droga; pelo contrário, vou aumentar, nem que, para isso, tenha que cortar em dispêndios exagerados como os das Jornadas da Juventude ou outros folclores de utilidade duvidosa'. 

Não sei o que vamos ficar a saber da responsabilidade da tragédia mas temo que conheçamos apenas uma versão superficial das coisas e temo que o Moedas, na sua hipocrisia travestida de beatice, ainda tente reverter o problema, tentando capitalizar a seu favor. Quando, em cima do desastre, o ouvi dizer que Lisboa nunca tinha sofrido uma tragédia desta dimensão (ah não? o terramoto de 1755 não lhe diz nada?) só me fez lembrar o Trump que, na estupidez do seu narcisismo exacerbado, consegue gabar-se da porcaria que faz só porque é uma grande (huge, fantastic) porcaria.

Enfim.

É tarde, daqui a nada a minha maltinha está a pé e, portanto, é bom que eu esteja antes deles. Portanto, fico-me por aqui.

Desejo-vos um bom sábado.

sexta-feira, setembro 05, 2025

Compreender bem o que aconteceu
-- A palavra ao meu marido --

 

A tragédia que aconteceu em Lisboa, no elevador da Glória, é absolutamente chocante e difícil de admitir. Um acidente como este no centro da cidade ultrapassa a perspectiva que temos do que nos pode esperar no quotidiano. É terrível! 

Espero que esta tragédia tenha resultado de uma falha fortuita e imprevisível no sistema. Espero também que o inquérito aponte conclusões para percebermos o que falhou e quais as razões da(s) falha(s). 

Ao ouvir hoje uma parte da conferência de imprensa do presidente da Carris, houve dois aspectos que me chamaram a atenção. 

  • Primeiro, afirmou que os custos de manutenção tinham aumentado 25 por cento, não me lembro se em 3, se em 5 anos, mas só após a pergunta de um jornalista informou que os custos com a manutenção dos elevadores tinham sido os mesmos nos últimos 3 anos (995.000 € por ano). Parece que queria dizer só meia verdade. 
  • Mas o que me suscitou mais dúvidas foi ele ter dito que o concurso para prestação do mesmo serviço para 2025 tinha como valor base 1,2 milhões de euros, e nenhuma empresa tinha apresentado proposta. Quando um concurso fica deserto, geralmente isso significa que nenhuma empresa achou que conseguia fazer o trabalho pelo valor base. E, ainda assim, comparando com o valor que vigorou até agora, estamos a falar de uma diferença para cima, de mais cerca de 20 por cento (mais de 200 mil euros) -- e mesmo por estes valores bem mais altos ninguém apresentou proposta. Face a isso, a Carris vai ter que lançar novo concurso por um valor superior. Admitamos que o valor passará para 1,3 milhões de euros. 

A minha dúvida é: como é que a empresa a que foram adjudicados os trabalhos nos últimos três anos podia prestar um serviço de qualidade, parecendo que o valor que recebia era manifestamente insuficiente. A Carris pagava 995 mil euros, e, de um ano para o outro, o serviço vale mais de 1,2 milhões de euros, provavelmente 1,3 ou mais milhões de euros. Esteve a empresa prestadora do serviço disposta a perder centenas de milhares de euros por ano? Ou, porque o valor não era suficiente, fez algumas economias na prestação do serviço? Gostava de ver esclarecido este ponto.

O Moedas está sempre na televisão a gabar-se do que faz e, especialmente, do que não faz. Devia ter sido homenzinho e ter estado hoje ao lado do presidente da Carris, empresa tutelada pela Câmara, e assumir a responsabilidade política. 

O Marcelo veio dizer que era preciso apurar rapidamente a responsabilidade por esta tragédia. Concordo. O problema é quando se apuram as responsabilidades para nada, ou seja, apesar de conhecidas, ninguém as assume -- e o caso da Saúde tem sido sobejamente paradigmático disso, com a agravante de isso acontecer perante a conivência de Marcelo.

quarta-feira, julho 16, 2025

Sobre a demolição de barracas

 

Vi, estarrecida, imagens horríveis de barracas a serem destruídas sem que qualquer solução fosse apresentada aos seus habitantes e destruído ficou o meu coração ao pensar na aflição daquelas pessoas. 

Fotografia de José Fonseca Fernandes

Hoje disse aos meus netos que se me saísse muito dinheiro no euromilhões, pegaria em parte do dinheiro e estudaria em conjunto com algumas das autarquias em que o drama é maior qual a forma mais expedita de dar casas com conforto e dignidade às pessoas que vivem em condições miseráveis.

Custa-me conceber que, por exemplo, se arranje dinheiro a rodos para a Defesa ou dinheiro para jorrar sobre os médicos do SNS (médicos ditos 'tarefeiros' num daqueles expedientes para fugirem ao fisco e a todo o tipo de controlo -- enquanto estupidamente se continua sem se perceber que o tema da Saúde tem que ser 'agarrado' a sério por gente competente) ou dinheiro aos montes para fazer cartazes que poluem as estradas e as rotundas de cada vez que há eleições ou, nas autarquias, dinheiro a perder de vista com assessores e parasitas partidários e, depois, não há dinheiro para encontrar uma solução para estes pobres coitados que não conseguem um tecto seguro e legal para se acolherem.

Não há muito vi fotografias de um parque de campismo gigantesco na Costa da Caparica. Não parecem tendas, parecem casinhas, ou tendas de campanha, não sei bem, todas iguais. Disseram-me que muitas pessoas vivem ali todo o ano. Perguntei se não poderia ser uma solução para instalar com um mínimo de conforto e dignidade as pessoas que hoje vivem em bairros clandestinos. Responderam que o problema destas soluções é que, em vez de provisórias, soluções assim tendem a ser definitivas. Claro que não sei qual a melhor solução mas parece-me que qualquer solução é melhor do que a indiferença perante a aflição de quem não tem onde viver, de quem não tem uma morada, de quem não tem onde se lavar ou de quem não tem um mínimo de condições decentes para ter filhos.

Não sei se o PRR previu verbas para alojar as muitas pessoas que, tantas vezes vindas de longe, tantas vezes completamente desenraizadas, desaculturadas, vulneráveis, e, ainda assim, trabalhadoras, não têm outra solução senão juntas chapas, cartões e o que encontram para fazer um abrigo mais do que frágil, mais do que impróprio para um ser humano. Se previu, previu pouco e virá tarde de mais. Se não previu, os irresponsáveis que não pensaram nisso deveriam ser corridos.

Há tempos vi uma reportagem com prédios devolutos que pertencem ás Forças Armadas. De que se está à espera para lá instalar pessoas? E quem diz isso diz muitas outras casas do Estado. Ou da Igreja. 

Marcelo, que tanto falava dos sem-abrigo, já se esqueceu? Ou só se lembra quando as televisões o filmam a distribuir a sopa dos pobres? Quanta hipocrisia.

E já nem falo no cagalhoças do Moedas, essa anedota que para aí anda a armar-se em bom. Mete-me nervos de cada vez que o vejo: um saquito cheio de nada, um daqueles sacos pequenos para apanhar o cocó de cão. Obra feita, zero. Real sensibilidade e capacidade de acção para o que é preciso, zero. Só conversa fiada, só, só.

E o de Loures, com aquela vereadora, insensível, empedernida, gente desalmada, que nervos que também me dão. Caraças.

Enfim. Fico-me por aqui. Sinto-me verdadeiramente impotente perante a desgraça desta pobre gente que precisa urgentemente de habitação social. Estão a trabalhar para nós. Não podemos ignorá-los nem deixar que vivam como animais. Neste caso o tema não é o arrendamento acessível nem sem ser acessível pois estamos a falar de pessoas que primeiro precisam de se organizar, de se estabelecerem decentemente, só depois se pensa em como poderão pagar alguma coisa -- neste caso o tema é mesmo alojamento social, urgente, dar tecto e meios de higiene, dar uma morada e uma ajuda àquelas pessoas, permitir que sejam cidadãos de pleno direito.

quarta-feira, abril 30, 2025

Ainda o apagão e o spinunvivo também conhecido por Montenegro (Continuação)
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Em continuação do que escrevi ontem, ao fim da noite:

Confirma-se, uma vez mais, o que tenho escrito. O Montenegro tentou aproveitar o apagão para estar nas televisões, fazer propaganda eleitoral e passar por alguém que sabe gerir crises. Borrifou, como é costume, para os Portugueses e, segundo percebi, instruiu a Proteção Civil para não informar, como é habitual em situações de crise, a população do que estava a acontecer e o que se podia esperar. Assim,  por responsabilidade do Montenegro, o caos aumentou e ocorreram muitas situações que poderiam ter sido evitadas. 

Outro que, também completamente a despropósito, aproveitou o apagão para fazer campanha eleitoral  foi o Moedas, o que não é de estranhar porque são farinha estragada do mesmo saco. Em política não devia valer tudo, mas, para os dirigentes do PSD, vale. Infelizmente as redes sociais, a forma como uma parte da comunicação social transmite a informação, as fake news e a falta de atenção e cuidado com que as pessoas acedem às notícias não lhes  permite  distinguirem o trigo do joio. É pena. Provavelmente esta forma de percepcionar o que se passa não vai mudar rapidamente -- mas há-de mudar e os que nos tomam por parvos não terão lugar de destaque na sociedade.

sexta-feira, janeiro 31, 2025

Qual a pressa em descobrir já quem vão ser os candidatos a Belém? Está tudo deserto por se ver livre do Marcelo, é isso?

 

Não percebo. Que eu saiba, antes disso, ainda há as autárquicas. 

Ora, a este nível, há objectivos relevantes a ter em atenção. Por exemplo, há que correr com o cagalhoças papagaio que anda a dar cabo da reputação da cidade em vez de trabalhar. Em Setúbal, há que voltar a ter Maria de Dores Meira que, enquanto lá esteve, fez ressuscitar a cidade. Por exemplo. 

No entanto, em Lisboa, tomara que venha a verificar-se que Pedro Nuno Santos teve razão ao apontar Alexandra Leitão. Como já referi, tenho muiiiitas dúvidas. Do que lhe conheço, é coisa para a qual não terá um perfil por aí além. Palradora como é, uma palração redonda em que tudo começa e acaba no mesmo sítio, dando várias voltas in between, duvido que os eleitores a vejam como a 'fazedora' que se impõe quer para a função em geral, quer para Lisboa em particular.

Mas não é só nas autárquicas que o Pedro Nuno anda a navegar na maionese. Para as presidenciais, para além do chupa-chupa que deu ao Seguro e que o fez embandeirar em arco achando que a malta ainda não se esqueceu do zero à esquerda que é, continua a dar tiros para o ar como se não tivesse ideia nenhuma do que quer.

Não sei o que vai na cabeça de quem diz que o Vitorino será um bom candidato. A sério... Acreditam no que dizem ou estão apenas a querer parecer-se com ele, dizendo piadas secas atrás de piadas secas?

Não quero saber de sondagens nesta altura do campeonato mas vou já avisando (e já o disse algumas vezes): no Seguro obviamente não votarei, no Marques Mendes obviamente não votarei, no Vitorino obviamente não votarei, no Ventura, escusaria até de dizer: jamais votarei. A única circunstância em que votaria em qualquer dos três primeiros seria se estivessem a ir a jogo contra o Ventura. Aí, entre o diabo e os nhec-nhecs, taparia o nariz e engoliria as minhas convicções, e, pronto, lá votaria neles.

Volto a perguntar: a Elisa Ferreira não teria um bom perfil? Diria que sim. Se for o caso, não haverá quem a convença a sacrificar-se por mais uns anitos? Eu percebo que a ela lhe apeteça sopas e descanso mas, face à exiguidade de candidatos, não seria de alguém lhe falar ao coração? É que seria uma candidata digna, forte, vencedora.

A não avançar e a termos o Vitorino, o Marques Mendes ou o Ventura na corrida, obviamente terei que averiguar qual é a do Almirante pois, por exclusão de partes, pode acontecer que seja a única hipótese razoável.

segunda-feira, outubro 21, 2024

Sobre o comício do Montenegro, do (pouco) que vi pouca coisa tenho a dizer até porque o que vi foi coisa poucochinha. Só se for congratulá-lo por, no meio daquele empolgamento todo, não se ter posto a gabar o tamanho do pénis de alguma figura conhecida de Braga, por exemplo de algum arcebispo.

 

Se calhar é porque, apesar de tudo, o Luís tem algum controlo sobre o que diz. Não muito, não muito... já o Marcelo se queixou disso ao dizer que ele dá muito trabalho. Mas, apesar de tudo, sempre é mais atinado de boca que o Rangel e o Moedas, duas coisinhas histriónicas que estão bem uma para a outra e que abrilhantariam com alegria os comícios do Trump. 

Por isso admirei-me por essas duas coisinhas não o terem feito. Se calhar não viram o Trump em Pennsylvania, senão talvez tivessem seguido os seus bons exemplos ao gabar os dotes físicos e a 'macheza' de um certo falecido Arnold Palmer natural do sítio em que estava a decorrer o comício. 

Mas, para a próxima, como qualquer deles -- deles todos, Mentenegro incluído -- não tem nada de jeito a dizer e como parece que se limitam a desavergonhadamente apropriar-se de ideias já legisladas e postas em prática pelo PS (ou que estavam em vias disso, não fosse a Gago e o Marcelo terem arranjado maneira de correr com o Costa e, logo, com o Governo) e a despudoradamente apregoá-las como se fossem suas ou a cavalgar ideias do Chega, talvez os vejamos mesmo a subir ao púlpito para gabar a pila gigante de algum ilustre brácaro. E, sendo Braga um sagrado coito de arcebispos, ficar-lhes-ia bem destacar algum  deles. 

Aqui fica o vídeo para aprenderem como é. 

Bizarre moment Trump talks about golf legend Arnold Palmer's manhood at Pennsylvania rally

Trump was campaigning in Latrobe, Pennsylvania, where Palmer was born in 1929 and learned to golf from his father, who suffered from polio and was head pro and greenskeeper at the local country club. Politicians saluting Palmer in his hometown is nothing new, but Trump spent 12 full minutes doing so at the top of his speech.


sexta-feira, setembro 27, 2024

Acho que o Moedas aprecia o estilo Trump mas faltam-lhe algumas coisas para poder ser o Trump

 

Dou exemplo de alguns aspectos a que o Moedas deverá estar atento caso queira tentar mimetizar o Trump -- isto se quiser, como parece que quer, ser mesmo visto como o Lisbon Trump: 

  • ele que não pense que, lá por ter voz de gaitinha, pode dispensar a boquinha de botão de rosa
  • apesar de ser todo mignon, ele que não pense que isso o dispensa de ter mãozinhas de boneca
  • apesar de já ser capaz de dizer parvoíces em barda, provocadoras e quase arrepiantes, ele que não pense que pode passar sem dizer que agarra as mulheres pela passarinha
Portanto, aqui ficam estas little dicas para os assessores inteligentes que o aconselham. Ali o menino ainda tem muito que aprender, muito, muitozinho que treinar. Ah pois é bebé. 

Para mais, disponham, é só pedir.

domingo, novembro 26, 2023

O do costume + heaven, oh so beautiful.

Ponto. Parágrafo. Espaço. (para não contaminar o resto do post)

Os passistas, os moedistas, os rangelistas, os cavaquistas, as galinhas histéricas e a múmia que foi abençoar os mencionados mais o risonho Montenegro com o seu pouco saudável bafo

 

Havia um ténue cheirinho bom a queimada. Quase parecia um cheirinho a lareira vindo de longe. Tudo bom, tudo bonito. Adoro lá estar. Adoro, adoro.

Mas tivemos que vir. 

Lanchámos com parte da família. Chegar e abancar soube-me bem. Tínhamos pensado parar algures para não aparecermos de mãozinhas mas recebemos indicações de que era para levar nada, nada. Portanto, foi isso. O meu marido disse: 'Bom, se já lá há lanche, só se formos comprar menus do mcdonalds...'. Informei, não fosse isso causar algum mal-estar. Mas também fomos impedidos. 

Portanto, de mãozinhas mesmo, foi mesmo apenas lanchar. E o lanche bem bom.

O pior foi o telefonema. A crise, o desespero, o alarme, o drama de sempre. Depois, ao tentar perceber o que se passava, já não era bem aquilo, era coisa que, a meus olhos, é menor. Ainda por cima, omite indicações que ajudam a dimensionar o que diz. Reporta as coisas descontextualizadamente, exageradamente. E, na cabeça dela é, como sempre, como todas as vezes, uma situação terminal. Para a equipa clínica deve ter valido zero pois não me ligaram e o médico nem a foi ver. Já devem estar a perceber o que se passa pois nos primeiros dias ligavam-me sempre. 

A verdade é que, apesar de ser o mesmo todos os dias de há bastante tempo a esta parte, fico num stress, preocupada, sem saber o que devo fazer, sempre no receio de que desta vez seja a valer. Bem que a família me diz que agora já não sou eu que tenho que fazer alguma coisa pois por alguma razão ela agora está num sítio com equipa clínica diária. Mas como o médico não a vê todos os dias (porque já deve ter percebido que nada daquilo corresponde ao drama que ela pensa que é), fica ainda mais insegura, exponenciadamente aflita, com medo de estar a ser descurada. E então ainda mais empola e dramatiza, certamente para conseguir que o médico vá lá amanhã de propósito (como já aconteceu no fim de semana passado).

Bem posso tentar relativizar mas é uma pressão tão, tão, permanente, tão, tão, em crescendo, que a minha cabeça não tem tempo para se restabelecer antes do drama que se segue (porque não há um dia, um só dia, em que ela não pense que está em estado gravíssimo, sem retorno, e que aja como se quisesse convencer-me de que devo tomar imediatas providências -- mas quais...? quais, senhores...?).

Mas, enfim, adiante. Adiante. Adiante. Adiante. (Tenho que me puxar da fossa em que parece que estou a enterrar-me). ´

Entretanto, ligou-me há pouco uma amiga que, ao contar-lhe eu esta situação, me perguntou se não seria já uma forma de demência. Os meus filhos e o meu marido acham que é. Eu não. Mais me inclino para depressão, paranoia, coisa assim. O raciocínio dela e todo o discurso bem como a memória estão intactos, tudo funcional, surpreendentemente bem. Dizem-me todos que pode ser algum tipo de demência em que não controle as emoções nem consiga raciocinar para relativizar os medos. 

Contou essa minha amiga que o pai, um dia, do nada, saiu-se com uma conversa desprovida de sentido deixando todos sem perceber o que era aquilo. E que, a seguir, se tornou agressivo, desconfiado, via coisas, imaginava coisas, tornou-se uma ameaça. 

Ora isso corresponde ao tipo de demência que se identifica enquanto tal, ao passo que, no caso da minha mãe, se é demência, nunca de tal tipo ouvi falar.

Mas, pronto, vou parar com isto. Stop. Stop. Stop. Interrompam-me, digam-me que não volte a falar nisto, enfiem-me numa camisa de forças.

Vá, adiante. 

Cá vou.

Já em casa, a jantarmos uma pizza que comprámos pelo caminho, vimos parte das notícias.

E não dava para acreditar no que via. Em Almada, o encontro dos festivaleiros laranjas. Tudo gente datada, fora de prazo. Montenegro, sorrisinho matreiro, a dizer insanidades, disparates atrás de disparates. Depois vi o Rangel a fazer olhinhos e trejeitos enquanto o Montenegro esparvoava. Provavelmente, também falou e imagino bem os trocadilhos, os esgares, a vozinha escaganifada. Ou seja, a barraquinha ainda deve ter sido maior. E, se calhar, enquanto falava, estava o Montenegro com aquele seu sorrisinho de quem não percebe nada do que se passa à sua volta pelo que mais vale sorrir a ver se disfarça.

Ouvi também o Moedas e é outro daqueles esganiçados que não dá para levar a sério. Cantam de galo mas não passam daqueles galinhos da Índia que fazem muito barulho mas a que ninguém, na capoeira, presta qualquer atenção.

Para cúmulo dos cúmulos, vi que apareceu por lá a célebre múmia que, de vez em quando, aparece a dar à mandíbula, parece que quer ganhar balanço para bolsar a azia em forma de palavras, com aquele arzinho ressabiado de quem não consegue conviver com a vida real. Falou, falou e não conseguiu dizer uma que se aproveitasse. Contudo, atrás dele, o Montenegro parecia satisfeito por ter recebido a visita daquela assombração e isso diz muito sobre ele. Se fosse eu corria a sete pés. Foge. 

A seguir, a televisão mostrou o omnipresente Ventura a troçar, de alto, do Montenegro e do PSD no conjunto.  Não sendo nada, o Chega, fruto de ser permanentemente levado ao colo pela comunicação social, consegue parecer que é alguma coisa. Um partido fascistóide, populista, vazio de propostas concretas, constituído por gente desclassificada, vários a contas com a justiça, e aí anda sempre nos écrans das televisões. Uma aberração parida sobretudo pelas televisões.

O IL a desfazer-se, o CDS inexistente, o Chega que não passa de um populista com um bando de saudosistas de outros tempos atrás, e, para ajudar à festa, um PSD que mais parece um conjunto de salvados de um naufrágio qualquer. Até a Marilú dos Swaps eu lá vi naquele circo que montaram em Almada. 

Face a este pindérico panorama, teria o PS que se pôr a dormir na forma para não agarrar uma maioria confortável nas próximas eleições -- e isso não vai acontecer. 

Tomara é que a abstenção, em especial por parte das pessoas que têm neurónios, não dê cabo da lógica. 


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As fotografias, como é bom de ver, foram feitas in heaven. Como poderão reparar, apesar de não serem um luxo, não as quis contaminadas pelo bafo do Cavaco nem pelo dos seus descompensados apoiantes. Por isso, coloquei-as fora dessa parte do texto. 

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Isto está um bocado maçador, não está?

Se estiverem de acordo, vamos mas é dançar. Boa?

Paolo Conte - It's wonderful - Via con me


Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Ânimo. Paz.

quarta-feira, abril 05, 2023

Moedas, o porta chaves que diz que é ucraniano

 

E note-se que o digo sem qualquer conotação, preconceito ou segundas intenções. 

Almocei depois das duas e meia e lembrei-me de ligar a televisão. Deparei-me com uma cena engraçada. Moedas portava a chave de Lisboa que entregaria a Vitali Klitschko, o calmeirão que preside ao burgo de Kiev e, excitadíssimo (o Coins), naquela sua vozinha fofa, afirmava que estava na Ucrânia e que é ucraniano. Parecia empolgado. Parecia, até, querer convencer Vitali que assim era. Só faltou confessar-se irmão gémeo de Vitali.

Ele falava, certamente, em sentido figurado mas eu, ao reportar o sucedido, estou a ser literal.


E só me ocorreu que ainda bem que o ucraniano Moedas é bem comportado pois, senão, ainda correria o risco de rodopiar na ponta da mão do lisboeta Vitali.

Por exemplo, Vitali Klitschko vs Shannon Briggs



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Fotografia do Público
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Um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, fevereiro 10, 2023

Onde o ChatGBT nos 'fala' de sismos (incluindo, sobre quais as zonas mais críticas de Portugal), dos riscos a nível dos nossos edifícios, de quais as zonas de Lisboa mais problemáticas, do que se deve fazer para reforçar as estruturas... e até faz um poema sobre um falastrão chamado Moedas que ficou conhecido como 'o rei dos sismos'

 


Quais as zonas de Portugal em que o edificado é mais vulnerável a sismos de grande intensidade?

As zonas de Portugal que são consideradas mais vulneráveis a sismos de grande intensidade incluem:

A região centro-oeste do país, especialmente na zona do Estremadura e no Ribatejo, que estão situados sobre uma zona de falhas tectônicas ativas.

A região do Algarve, que é conhecida por ter uma atividade sísmica moderada.

A região do Alentejo, que também está situada sobre uma zona de falhas tectônicas ativas.

É importante destacar que, apesar destas zonas serem consideradas como sendo mais vulneráveis, os sismos podem ocorrer em qualquer parte do território português. Por isso, é importante que todas as edificações sejam construídas de acordo com as normas de segurança contra sismos para minimizar os riscos de danos e colapsos em caso de sismos.

Referia-me a concentração populacional e edifícios cujas estruturas não são anti-sísmicas

Entendo, neste caso, as cidades mais vulneráveis são aquelas onde a concentração populacional é maior e onde há um elevado número de edifícios antigos ou sem retrofit anti-sísmico. Algumas das cidades em Portugal onde esta situação é mais comum incluem:

Lisboa: é a capital de Portugal e uma das cidades mais antigas do país, com uma grande quantidade de edifícios antigos e sem retrofit anti-sísmico.

Porto: é a segunda maior cidade de Portugal e tem uma concentração populacional elevada, bem como uma grande quantidade de edifícios antigos.

Coimbra: é uma cidade universitária com uma grande quantidade de edifícios antigos, incluindo muitos prédios históricos.

Estas cidades, bem como outras cidades do território português, requerem medidas de retrofit anti-sísmico e outras ações para melhorar a segurança sísmica das suas edificações.

É possível efectuar o retrofit anti-sísmico em edifícios antigos? Em que consiste?

Sim, é possível efectuar o retrofit anti-sísmico em edifícios antigos. O retrofit anti-sísmico é uma técnica que consiste na modernização das estruturas de edifícios antigos para melhorar a sua resistência a sismos. Algumas das técnicas comuns usadas para retrofit incluem:

Adição de reforços estruturais: adicionar reforços estruturais, tais como vigas, colunas, tirantes e outros elementos, aos edifícios antigos pode aumentar a sua capacidade de resistência a sismos.

Melhoria da conexão estrutural: melhorar as conexões estruturais entre as diferentes partes da estrutura de um edifício pode ajudar a impedir o colapso do edifício durante um sismo.

Adição de amortecedores sismicos: adicionar amortecedores sísmicos, tais como dispositivos de amortecimento viscoso ou elastomérico, pode ajudar a reduzir as forças sísmicas que atuam sobre a estrutura do edifício.

Melhoria do solo: melhorar o solo em torno do edifício, por exemplo, através de vibração controlada ou adição de material de enchimento, pode ajudar a reduzir as forças sísmicas que atuam sobre o edifício.

Estes são apenas alguns exemplos de técnicas de retrofit anti-sísmico que podem ser usadas em edifícios antigos. A abordagem mais apropriada dependerá das características específicas de cada edifício e do grau de risco sísmico da localização.

Quais as zonas de Lisboa que mais rapidamente deveriam ser alvo de retrofit anti-sísmico?

Em Lisboa, a vulnerabilidade sísmica é influenciada por diversos factores, incluindo a idade do edifício, o tipo de estrutura, o material de construção e a localização geográfica. Em geral, as zonas de Lisboa que apresentam maior risco sísmico são aquelas que foram construídas antes do estabelecimento de regulamentações anti-sísmicas, ou que foram construídas com materiais de construção fracos ou com estruturas inadequadas.

De forma mais específica, os bairros históricos de Lisboa, tais como Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Baixa, são geralmente considerados como mais vulneráveis a sismos de grande intensidade devido à sua antiguidade e ao tipo de construção utilizado. Além disso, as áreas localizadas em zonas de instabilidade geológica, tais como o bairro de Belém, também apresentam um risco sísmico elevado.

Em resumo, a priorização do retrofit anti-sísmico em Lisboa deveria ser baseada na avaliação rigorosa do risco sísmico de cada zona, tendo em conta as características específicas de cada edifício e a concentração populacional.

Por exemplo, a maior parte dos edifícios da zona das Avenidas Novas em Lisboa não foi construída antes do estabelecimento de regulamentações anti-sísmicas?

Não posso afirmar com certeza a percentagem exata de edifícios nas Avenidas Novas em Lisboa que foram construídos antes ou depois do estabelecimento de regulamentações anti-sísmicas, mas é provável que muitos dos edifícios nesta área tenham sido construídos antes do estabelecimento de regulamentações mais rigorosas de construção anti-sísmica. Em Portugal, as regulamentações anti-sísmicas foram actualizadas várias vezes ao longo dos anos, incluindo em 1977, 1985, 1997 e 2013, a fim de melhor proteger as pessoas e as estruturas contra os danos causados pelos sismos. Portanto, é possível que alguns edifícios nas Avenidas Novas não sejam construídos de acordo com as regulamentações anti-sísmicas actuais e, portanto, possam apresentar uma vulnerabilidade sísmica elevada.

Segundo a lei das probabilidades quando será mais provável que volte a haver um sismo de grande intensidade em Portugal?

Não é possível prever com precisão quando ocorrerá um sismo de grande intensidade em Portugal ou em qualquer outra região do mundo. A ocorrência de sismos é influenciada por muitos factores, incluindo a actividade tectónica, a profundidade da falha sísmica, a distribuição de pressão e tensão nas rochas subterrâneas, entre outros.

A lei das probabilidades pode ser usada para estimar a probabilidade de um sismo ocorrer em uma determinada área em uma determinada janela de tempo, com base em dados históricos de sismos passados e nas características geológicas da região. No entanto, a previsão precisa de sismos é extremamente difícil e ainda é um campo em desenvolvimento na ciência.

Portugal está situado em uma região sismicamente activa e, como tal, é importante que as pessoas estejam sempre preparadas para responder a sismos e que as estruturas sejam construídas de acordo com regulamentações anti-sísmicas rigorosas. Além disso, é importante que a população esteja informada sobre como reagir em caso de sismo e que tenha planos de emergência em vigor.

O sismo de 1755 em Portugal tinha que pontuação na escala de Richter?

O sismo de 1755 em Portugal é amplamente considerado um dos mais intensos da história europeia. Embora não existam medições precisas da magnitude do sismo na época, estima-se que tenha tido uma magnitude de aproximadamente 8,5 na escala de Richter*. O sismo causou um grande tsunami e destruição em Portugal, especialmente em Lisboa, e teve um impacto significativo na sociedade e na cultura do país. Até hoje, este sismo é usado como referência para estudar a actividade sísmica na região e para compreender a importância de se preparar para futuros sismos.

Muito obrigada. Foi esclarecedor. 

De nada, sempre estou aqui para responder às suas perguntas e ajudar com informações precisas e confiáveis. Como modelo de linguagem treinado por OpenAI, não tenho preferências ou emoções, e meu único objetivo é fornecer informações precisas e úteis. Se houver algo mais em que possa ajudar, por favor, não hesite em perguntar!

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Faz um poema divertido em que entre um homem chamado Moedas que fala do que não sabe e que fala de sismos e de segurança sem saber do que fala

Claro! Aqui está um poema divertido sobre um homem chamado Moedas que fala sobre sismos e segurança, mas não tem ideia do que está falando:

Havia um homem chamado Moedas
Que sempre gostava de causar espanto
Ele falava de sismos e de segurança
Mas pouco sabia, era uma grande ingenuidade

"Eu sei tudo sobre construções anti-sísmicas"
Ele dizia, orgulhoso, sem mínimas técnicas
"É só uma questão de colocar algumas moedas"
Mas todos ao seu redor apenas sorriam e abanavam as cabeças

"Eu tenho a solução para todos os sismos!"
Exclamou Moedas, sem se importar com o abismo
"É só construir tudo com ouro maciço"
Mas não percebia que a segurança não está no preço do metal

Mas mesmo assim, Moedas não desistia
Ele falava e falava, sempre com alegria
E todos o ouviam, rindo sem parar
Porque era divertido ouvir o que ele tinha a dizer

E assim, Moedas ficou conhecido como o rei dos sismos
Mas todos sabiam que ele não era um especialista, só um falastrão ismo
E mesmo assim, ele seguiu adiante, sempre alegre
Sempre falando sobre o que não sabia, mas sempre com um sorriso no rosto.

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* - Para se poder comparar face ao recente sismo da Turquia e da Síria:


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Como em posts anteriores, em itálico e a bold as minhas questões. Abaixo de cada uma, a resposta do ChatGBT, a sedutora e preocupante potentíssima ferramenta de Inteligência Artificial ao dispor do mundo. Como é óbvio não tenho conhecimentos técnicos para ajuizar se as respostas mais técnicas estão correctas. Do pouco que sei diria que sim mas se houver por aí, desse lado, quem queira contribuir com esclarecimentos adicionais, cá estarei para os divulgar.

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sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Um amendoim verde entalado no cu do padre

 

Remeto-me à dimensão caseira: greve de professores, tamanho dos palcos e da pacóvia mania das grandezas -- tudo na mesma. O tempo passa, o ano lectivo avança e os alunos vão tendo aulas quando têm porque, no resto do tempo, voltam para casa ou andam aos caídos ou no forró durante os furos; e, não tarda, está a chegar o Papa e mais a multidão de pecadores que aí vem danada para se confessar e curtir e a malta ainda por aí anda a cacarejar acerca dos projectos, dos orçamentos, sobre quem é o  coordenador e sobre toda a barafunda que se armou. Até a múmia parece que continua na mesma, a aparecer quando a gente já nem se lembra dela. Deve vir dar mais uma lição daquelas dela, daquelas com que ninguém aprende o que quer que seja e em que toda a gente fica indisposta. Toda a gente menos a sua senhora, dona pespenica excelentíssima, que essa, habituada ao fel que escorre da boca do amado esposo, acha sempre tudo o máximo e, na volta, até parirá inspirado poema. Ámen.

Portanto, não havendo novidades a festejar, depois de atirar papelinhos dourados para cima do fantástico Tom Ball, agora dou a palavra a quem quase morreu duas vezes sem que alguém tivesse dado por isso. Se fosse essa a hora, teria ido mesmo, uma afogado à beira de água entalado entre um caiaque e uma lata de cerveja e outra asfixiado com um amendoim verde entalado no cu do padre*. Entalanços como sina. O tema, tendo o seu quê de religioso, aconselharia a alguma fé mas, ainda assim, acho que é mais de ver e ouvir para crer.

Augusto Madeira quase morreu duas vezes e ninguém viu! 

| Que Historia É Essa, Porchat?

* Melhor escrevendo:  'Cu do Padre' -- e agora não sei se o cu do padre fica melhor com ou sem aspas...

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E queiram, por favor, descer mais um pouco, ok?

sexta-feira, janeiro 27, 2023

Dois palcos marcelistas, um patriarcado à beira de um ataque de nervos, um atrevido Moedas a nadar em cifrões e vestidos de pernas para o ar

 



Um asteroide vai passar mais perto que nunca antes da Terra. Não se pode dizer que seja uma rasante tout court mas, à escala a que estas coisas se passam, é bem perto, mais perto do que alguns satélites. Chama-se 2023 BU (que também poderia ser o nome de um dos filhos do Elon Musk) e, segundo a Nasa, no big deal. Não vai ser por aí. Não só não consta que venha cair-nos em cima da cabeça como o provável é que se desfaça em fanicos na atmosfera e que uns calhauzecos se despenquem por aí. Sorte.

Não ligamos a isto e talvez seja a atitude mais inteligente. Estarmos a ralar-nos para quê? Se um dia um deles, um asteroide em versão gigante, qualquer coisa como um Big BU (quiçá com bacon, pickles e cheddar derretido), resolver vir embirrar connosco, o mais certo é que, sem darmos por isso, nos tornemos os novos dinossauros do futuro, uma espécie meio burra que antes habitava o planeta e da qual pouco ficará. E, se assim for, azarinho.

Também com a cena de a Terra ter o seu íntimo a girar em sentido contrário, a malta está manifestamente a caguar-se (de novo: caguar, com u, que eu, se não sou beta, sou, na mesma, menina fina).

Tem razão, Ccastanho, o que interessa à malta é se o Cravinho não teria feito melhor em caguar de alto para os doentes Covid em vez de deixar que arranjassem o hospital. Inteligentes. 

E agora é o altar. Claro que me estou também a caguar para o altar em si pois, como é óbvio, é tema que não me aquece nem arrefece. Que o Papa Francisco (que me desiludiu com aquela de  homossexualidade ser pecado) venha a Portugal e que, em torno disso, se junte um milhão de pessoas, é coisa que nada me diz. Não sou fã. Nem de igrejices nem de ajuntamentos em geral.

E que arranjem aquela zona da cidade, se for coisa bem pensada e inteligente como foi o caso de toda a zona da Expo, parece-me até bem.

Mas já não me parece nada bem que num altar se gastem cinco milhões. Dizem que vai ficar forever, que vão rentabilizá-lo. Mas como? Vão usá-lo para quê? Para a IURD? Para comícios do Chega? Ou para festivais de rap? Para gravarem o Domingão? Não sei. Nem imagino. 

E parece que no Parque Eduardo VII vai também haver um palco, que se desmontará depois dos festejos, e que vai também para milhão e meio de aereos. Não percebo. A cidade nada em dinheiro? A avioneta não apenas despejou haxixe em cima do Alentejo mas também notas sobre Lisboa? 

E é que, se os milhões viessem dos cofres da Santa Madre, eu não tugia nem mugia. Mas, por espantoso que possa parecer, não é a Igreja que entra com o carcanhol mas sim, uma vez mais, o zé pagode, quer através das autarquias quer do Governo. Pode uma coisa destas? Eu acho que não.

E agora ouvi que o sistema de som e de vídeo vai também para uma mão cheia de milhões. Tudo à grande.

Não sei se foram os requisitos que foram estratosféricos (pode ser, a malta mais pequena, perante a perspectiva de deixar obra, às vezes perde a cabeça, fica desvairada), se são os fornecedores que viram que o Moedas & Companhia (o Moedas era o dono da obra? Pergunto) estão numa lógica de sempre a abrir e, sem rebuços, puseram a pata no acelerador e lá vai disto, ou se há meninos lá pela Câmara, daqueles chico-espertos que mal ouvem as moedas a tilintar começam logo a mostrar os bolsos a ver se lhes toca algum. Adjudicações directas e o escambau. Podia ser pior, diz o fofo do Moedas. Então não. Pode sempre ser pior, pode-se até cair e partir uma perna. 

Não sei. O que sei é que receber o Papa Francisco no meio desta gastação destemperada parece coisa de gente perturbada.

Claro que o imparável Presidente Marcelo não podia perder a oportunidade de cavalgar a onda. Onda que é onda tem o Prof Marcelo a surfá-la. Imagine-se se é uma onda benta, como é o caso desta que, não apenas é benta, como, cereja em cima do bolo, é papal. Marcel Surfistinho upa lá-lá na onda papal. Tá certo, não tem como enganar.

Neste momento, se o Moedas era o dono da obra já não o é. Num salto cataventista Marcelo tornou-se ele mesmo o dono e gestor da obra (até quer estar ao corrente das reuniões de obra, quiçá até conferir os autos de medição), mas mais que isso: tornou-se o negociador com os fornecedores, quer descontos, o urbanista, o arquitecto de obra, o engenheiro civil, o decorador, creio que, até, o promotor turístico. É obra. 

Neste ínterim, arranjou uma bronca com o Patriarcado que o desmentiu, dizendo que ele não se fizesse de anjinho porque já sabia muito bem que se ia gastar os olhos da cara. Ele ofendido. Que é lá isso? Não sabia nada. A gente a rir com a revista à portuguesa. Mas eis que, logo a seguir, veio um Bispo, creio que auxiliar e américo, armado em santinho magoado, a branquear a baderna que estava ali a armar-se e limpar a barra do Marcelo, que, aos microfones (sempre na ribalta, o bom do Marcelo), não escondeu o alívio. É muito jogo.

Os asteroides a rasar os ares e a malta entretida a brincar aos organizadores de arraiais e cavalhadas com preces, orações e muitos milhões à mistura. Só falta mesmo um traveca musculado, mascarado de padre com cueca de fio dental, saltar para o estúdio, invadir as televisões, pegar no microfone e expulsar os apresentadores dizendo que só ele tem competência para falar de tão sagrado tema. Ámen.

Portanto, não sabendo eu já onde está o alfa e o ómega disto tudo, muito menos sabendo traçar a bissectriz entre vectores tão sagrados e tão profanos, todos divergentes entre si, alieno-me e deslizo até outras paragens. Bora comigo?

E é assim que, com vossa licença, vou mas é partilhar uma passagem de modelos que se situa num outro patamar. Os vestidos estão ao lado ou à frente ou, até, de pernas para o ar. De vez em quando, oh surpresa, vão no sítio. E eu, olhando-os e achando-os lindos, fico até a pensar se não estará na hora de me casar vestida de noiva, quiçá até aproveitando o cenário das Jornadas do Marcelo. 

Casada e com a bênção do Papa...? -- perguntarão vocês, disfarçando a ironiazinha. 

Qual Papa? - perguntar-vos-ei eu.

Mas, antes que me esclareçam, logo vos responderei: Ná. Pelo próprio Santo. Pelo São Marcelo.

Viktor & Rolf turn Paris Fashion Week upside-down

Um dia bom

Saúde. Cabeça no lugar. Paz.