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quinta-feira, julho 20, 2017

Sócrates, Hugo Soares, Rocha Andrade e os outros Secretários de Estado, António Mexia, Comandantes variados, Miguel Abrantes et al.
-- ou como o Caso Marquês se cruza com o Galp Gate, com o assalto a Tancos, com as rendas da EDP, com o caso Zeus, com o caso dos bloggers da seita socratina e etc. --
(ou como, na verdade, isto anda tudo ligado)


Os três ex-Secretários de Estado foram constituídos arguidos e vão ficar sujeitos a termo de identidade e residência. O suposto crime que os investigadores do DIAP vão tentar comprovar prende-se com terem ido à bola a convite de um dos patrocinadores da Selecção. É daquelas ficções em que se conhece, à partida, o crime. O suspense prende-se com o making of

Como é que receberam os bilhetes? Como é que foram para o avião? A pé ou de taxi? Se de taxi, quem pagou o taxi? E como é que compensaram o ofertante por tão imensa prebenda? Perdoaram dívidas de milhões? Foram passadas concessões de exploração de petróleo em Massamá? Se não foi isso, então o que foi? 
Muitas pistas a seguir, muitas linhas de investigação. Muito agente disfarçado, muito infiltrado, muita escuta, muitas provas a coligir. Volumes e volumes de informação a tratar. Dossiers infinitos. Coisa para Joana Vidal ir perdoando adiamentos e deixar rolar a coisa durante dez anos. Percebe-se: o caso é grave. Devia era ter-lhes posto pulseira electrónica que o caso não era para menos.

Entretanto, a Operação Marquês soma e segue. Mais dois arguidos. Agora é malta das Estradas e nova frente de investigação foi aberta: agora também o TGV. Aquela malta que trabalhava com Sócrates e que o dizia um trabalhador incansável, não dando descanso a ninguém, não devem ter percebido que ele, afinal, tinha um clone que, enquanto o genuíno tinha reuniões e visitas oficiais, o outro andava a tramar esquemas para sacar uns trocos a toda a gente possível e imaginária. E, trocos a trocos, o manganão foi enchendo o papo, alugando, como cofre, a barriga do anafado amigo.


Portanto, certamente, mais uns meses de investigação. Também se percebe. Aquilo é um novelo. Não há cabeça que aguente tanta pista. Nem o algoritmo da google daria conta de tamanho emaranhado.


E eu, com pena de tão diligentes cromos a quem chovem pistas como cães e gatos em dia de enxurrada e a quem, por cada pedra que levantam, lhes saltam minhocas, suspeitos e crimes às mãos cheias, vendo os anos a passarem sem que, pobres, pobres coitados, consigam deslindar coisa alguma, aqui me predisponho a dar uma ajuda. É o meu lado de musa de Tiepolo: santinha, santinha, santinha. Assim, para que não continuem a aparecer aos olhos da opinião pública feitos baratas tontas ou a aparentar que têm tempo de sobra ou severa carência de neurónios, daqui levanto o véu sobre mais uns quantos factos que, cá para mim, têm tudo a ver.


Read my lips:
1 - É ou não verdade que os três ex-Secretários de Estado conhecem Sócrates? E, em caso afirmativo, que tipo de conhecimento é esse? O bíblico penso que está fora de questão mas, então, que expliquem tudo muito bem explicadinho. 
2 - É ou não verdade que, por trás da manobra dos convites para a bola, está, afinal, a mão emboscada do silencioso amigo de Sócrates? 
3 - É ou não verdade que, no avião, como leitura, as hospedeiras distribuíram aos passageiros livros do Sócrates? 
4 - É ou não verdade que no camarote, no célebre dia do fatídico jogo, foi avistada uma mulher que alguns juraram ser a cara chapada da ex-mulher de Sócrates enquanto outros, para disfarçar, disseram ser Marcelo Rebelo de Sousa disfarçado de Nossa Senhora de Fátima? E quem eram esses outros? 
5 - É ou não verdade que o primo de Sócrates foi visto de óculos escuros num carro conduzido por alguém que parecia ser o motorista Perna nos arrebaldes de Tancos? 
6 - É ou não verdade que Lalanda, Bataglia e Salgado foram avistados, em dias diferentes, em lugares diferentes, tentando simular que não se conheciam? 
7 - É ou não verdade que Mexia (o da EDP) costumava mandar sms a Sócrates a perguntar informações sobre o alfaiate como se toda a gente não percebesse que isso era código e que, na verdade, estava a referir-se às caixas de robalos que oferecia à filha do Vara, numa altura em que estava zangado com a Guta? 
8 - É ou não verdade que Zeinal Bava foi avistado a falar com um jardineiro que é compadre de um sargento que geria uma messe da Força Aérea e que, dias depois, o mesmo Bava se cruzou na autoestrada, embora em sentido contrário (para disfarçar) com Sócrates? 
9 - É ou não verdade que o SIRESP foi visto a falar ao telefone com a Fernanda Câncio, ex-namorada de Sócrates? 
10 - É ou não verdade que o Granadeiro foi ouvido um dia a insinuar que a Manuela Moura Guedes merecia que lhe reduzissem o tamanho da boca, tendo depois vindo a descobrir-se que o interlocutor era admirador da Cristina Ferreira e que, através dela, iria minar as audiências da TVI e tudo para agradar ao Sócrates? 
11- É ou não verdade que os mails do Benfica não são inocentes e contêm, subliminarmente, ordens de pagamento a favor da manicura da mulher do amigo de Sócrates? 
12 - É ou não verdade que foram avistadas umas personagens muito suspeitas a jantar numa casa de fados, parecendo estar todos com cabeleiras postiças louras e lentes de contacto demasiado azuis para serem credíveis, falando em voz muito baixa, tendo um espião que por lá pára, conhecido no bas-fond por Lima do Sótão, deixado cair para a imprensa que ouviu referir um filósofo grego e que se tratavam uns aos outros por Miguel Abrantes, Valupi e Jumento?
13 - É ou não verdade que é muito, muito, suspeito que Hugo Soares tenha sido eleito como líder parlamentar do PSD? Não seria de investigar qual a mão que manobrou atrás do arbusto para que tal inverosímil facto tenha acontecido? Não está bom de ver que é coisa deliberada para enxovalhar a honra laranja e que isso só vai servir para lançar a confusão no argumentário político e, dessa forma, baralhar os jornalistas e, por conseguinte, beneficiar a estratégia de defesa de Sócrates?


E podia continuar a dar pistas. Mas vou com calma, fico-me, para já, pelo número da sorte para não fundir a mente do nosso querido Saloio de Mação, o Super-Judge Alex, ou a do Procurador Rosarinho Teixeira, sempre tão eficaz, ou a dos outros que devotam a sua humilde vida a perseguir nobres causas e que, nessa senda, coitados, mal têm tempo para refeiçoar ou para pensar.


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A ver se com esta minha preciosa ajuda conseguimos finalmente chegar ao mega-julgamento pelo qual tão impacientemente aguardamos




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Um dia risonho a todos quantos aí estão desse lado

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sábado, fevereiro 25, 2017

Quando a brigada da limpeza prova que Natal é sempre que um homem quer
- ou como isto da embrulhada do Marquês é para esquecer
(Agora até o Zeinal Bava e o Granadeiro estão ensarilhados no processo do Sócrates? Oh la la)





A minha sexta-feira foi chata e comprida: começou cedo, acabou tarde e, nem à hora de almoço, consegui intervalar. De notar, contudo, que nem o almoço foi chato (deverei até confessar que, bem pelo contrário, foi superlativo: lugar fantástico, a melhor vista possível, comida excelente, um serviço de primeiríssima e uma companhia irrepreensível: eu e quatro homens simpatiquíssimos), nem a reunião da tarde foi desagradável (deverei até dizer que foi das melhores dos últimos tempos) nem a manhã foi das piores. Simplesmente não consegui alhear-me nem por um instante da persona que me habita quando estou a trabalhar. E também não é que eu antipatize com a dita persona, é mais que preciso de, volta e meia, deixar vaguear a mente, olhar pela janela, esticar as pernas, pensar que me estou a marimbar. Ou seja, necessito de, de vez em quando, intervalar. Fazer silêncio. Ouvir os sons íntimos do silêncio. E não consegui. 


Seguiu-se que saí pouco depois das sete da tarde a pensar que ia chegar a cedo a casa, que poderia ainda ir fazer uma breve caminhada -- e apanhei um trânsito tramado. Cerca de uma hora. Não foi dos piores dias mas, caraças, apetecia-me não apanhar nem um carro pela frente e foi o que foi. E, para fim de festa, tendo resolvido ir jantar fora, decidimos não ir à praia mas ficar por perto. O restaurante foi um dos nossos preferidos, a comida é boa, o serviço de grande cordialidade. Só que estava cheio e demorou, demorou. 

Por isso, cheguei a casa tarde, farta de estar de saltos altos, farta do colar, dos brincos, do relógio, farta de estar com camisa de seda, farta de estar de meias de lycra, farta, farta, fartinha.


Agora, já confortável, instalei-me com vontade de ver coisas boas. E, por acaso, tive sorte: dei uma volta pela net, vi as fotografias maravilhosas que mostrei abaixo e que fizeram com recordasse o nascimento dos meus filhos. 


Só que, agora, ao prestar atenção à televisão, vejo que Henrique Granadeiro e o oustanding Zeinal Bava são arguidos no Caso Marquês, suspeitos, ao que parece, de receberem dinheiro do Grupo Espírito Santo. E fico espantada. Já lá vão mais de vinte arguidos neste processo. Num país pequeno como este, parece que não há processo que não se transforme num mega-processo. Seja porque se oferecem robalos, seja porque se opina sobre o revestimento do chão do apartamento do amigo, seja por que for, é tudo metido ao barulho e um processo, em vez de durar meses, arrasta-se durante longos anos, massacrando a vida de todos aqueles que caíram nas malhas das suspeitas.


Fico admirada com isto. Não que ponha as mãos no fogo seja por quem for e muito menos o faria pelo Zeinal -- e até admito que seja do sono e do estado de saturação em que me encontro -- mas o caso Marquês não tinha a ver com o Sócrates? O que é que o Zeinal e o Granadeiro e de quem recebiam ou deixavam de receber dinheiro tem a ver com o Sócrates?


O Rosarinho, com o beneplácito do Super-Judge Alex, estão para ali a armar um enredo, um enleio que não se percebe como é que, em vida dos visados, isto tudo se vai desensarilhar tal a diversidade de suspeitas, tal o leque de visados, tal a barafunda que já está para ali armada.

Agora fiz zapping e fui parar a um programa onde andam todos nus numa praia mas onde os seios das mulheres e os genitais de todos aparecem desfocados. Se é para tapar, que lógica tem pô-los nus?

É a gota de água. Parece não haver limite para a parvoíce.


Ou seja, e para atalhar razões: não há pachorra. Ou, admitindo que o mal seja meu: não tenho pachorra.

Conto, pois, com a vossa compreensão para permitirem que intervale. Fiquemos, pois, com um momento à maneira. Prestem atenção à letra das canções. 

Cleaning Crew


(com a partipação de Cecily Strong, Emma Stone, Leslie Jones)


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A música lá em cima é The sounds of Silence, de Simon & Garfunkel, numa interpretação de Nouela.

Os desenhos com flores são da autoria de Georgie St Clair

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Pensava que ainda escrever mais um episódio da Dindinha mas é-me impossível.
Vou pregar para outra freguesia.

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E não deixem, por favor, de ver as fotografias maravilhosas do post que se segue.

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quarta-feira, agosto 19, 2015

Um cartaz mais da autoria do Um Jeito Manso: Portuguese Managers ao poder! (a bem da rentabilização dos títulos de doutores honoris causa a preço de saldo, agora que o ex-doutor-vai-estudar-ó-Relvas descurtiu de ser pafiano ministro do láparo)


Ora bem. A democracia é uma coisa mesmo boa e isto de a gente poder lançar candidaturas é mesmo fantástico. Uma vez que a malta das campanhas eleitorais anda meio falha de ideias, aqui a jeitosa chega-se à frente e lança, numa única noite, quatro apostas ganhadoras.

No post a seguir a este a aposta focou-se nas louras inteligentes, no outro nos machões inteligentes e, neste, é chegada a vez dos gestores inteligentes, nos de mão cheia, de alto gabarito, os chamados chupa-milhões, os managers que gostam muito de ser portuguese e que, à custa de tanto financiarem universidades e jornais, conseguiram o pleno de receber títulos, prémios, medalhas e artigos louvaminheiros nos social media.

Um destes experts no governo PàF-PàF (sob a inspirada liderança da dupla Láparo & vice-Portas) seria de arromba: na Economia, com o Sérgio Monteiro à ilharga, o que ele não faria a favor dos alemães, dos chineses, dos brasileiros, dos angolanos. Very much, very much. Ainda mais do que o Super-Bock de Lima. Força minha gente: é votar, é votar!




Nota: Caso o ilustre doutor que figura no cartaz não autorize a utilização da sua imagem, agradeço que me contacte que imediatamente o retirarei. Tal como nos dois cartazes mais abaixo, obtive a imagem na base de dados pública que, presumo, tenha acautelado a questão.


quarta-feira, abril 08, 2015

Zeinal Bava e Assunção Esteves, os reis do anedotório português. O primeiro é especialista em 'fazer de parving os deputados e o poving em geral'. A segunda inspira Provérbios Inconseguidos


Recebi o texto abaixo por mail sem indicação do autor. Por isso, se alguém me souber informar o nome do inspirado pai (ou mãe) da paródia abaixo, muito agradeceria para poder aqui o poder referir.


Tenho andado preocupado com esta situação do Bes/Ges e as acusações dos lesados de que desconheciam o que estavam a comprar. Ora bem, estive a ouvir com toda a atenção Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Costa do BP , CMVM, etc, etc, e sinceramente fiquei esclarecido. Fiquei a saber que houve uma take over sobre a PT, o que provocou um dawnsizing na empresa e impediu o advanced freight. Sendo assim, o asset allocation baseado num appraial report, que é o allotment indicado, provocou um average price muito baixo, reduzindo os back to back ao mínimo. Ora, o bid price provocou um dumping e uma floating rate incomportável com o funding previsto pelos supervisores. Deixou, pois de existir uma verdadeira hedge, o que levou ao levantamento de hard cash em grande quantidade. Se considerarmos que o ICVM, ao fim do período estava a deteriorar-se e os pay-out continuavam a baixar, a única solução seria o payabre to the bearer de eventuais incomes da empresa.

Voltando um pouco atrás, o pool entre Bes e Ges, fez diminuir drasticamente o portfólio dos clientes, levando inevitavelmente a um revolving credit que abrangeu a maioria dos shareholders de ambas as empresas. Como é evidente o pricecut da Rio Forte foi inevitável e a take over sobre a mesma também. O gross profit baixou significativamente, aumentando o grade period e o bank rate.

Só para terminar e em jeito de conclusão creio que estamos perante uma grande quantidade de fillhosdaputing, que utilizando a corrupting ao nível central e local, foram delapidanding os recursos do país e continuam em casa riding da situação, deslocando-se de vez em quanding à Assembleia, fazer de parving os deputados e o poving em geral. Tenho dito.»



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Já agora, para quem não se lembra de duas intervenções memoráveis do artista:



O portuguesing do Zeinal





Zeinal Bava, o amnésico





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Recebido também por mail e igualmente sem referência ao autor, aqui transcrevo tal como recebi.



As intelectualóides e repetidamente imbecis afirmações da “presidenta” da Assembleia da República Portuguesa, Assunção Esteves, poderão um dia revelar ao ignaro povo eleitor as seguintes “inconseguidas” versões de provérbios portugueses:



- “Expõe-me com quem deambulas e a tua indiossincrasia augurarei” (Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és).

- “Espécime agrícola na cavidade metacárpica supera os congéneres revolteando em duplicado” (Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar).

- “Ausência de percepção ocular insensibiliza o órgão cardial” (Olhos que não vêem, coração que não sente).

- “Equino objecto de dádiva não é possível de auscultação odontológica” (A cavalo dado não se olha o dente).


- “O globo ocular do perfeito torna obesos os bovinos” (O olhar do amo engorda o gado).


- “Idêntico ascendente idêntico descendente” (Tal pai tal filho).

- “Descendente de espécie piscícola sabe movimentar-se em líquido inorgânico (Filho de peixe sabe nadar).

- “Pequena leguminosa seca após pequena leguminosa seca atesta a capacidade de ingestão da espécie avícola” (Grão a grão enche a galinha o papo).

- “Tem a monarquia no ventre” (Tem o rei na barriga).

- “Quem movimenta os músculos suprafaciais mais longe do que o primeiro movimenta-os substancialmente” (Quem ri por último ri melhor).

- “Quem aguarda longamente atinge exaustão” (Quem espera desespera).



E, também para quem já não se lembra:



Assunção Esteves, Presidente da AR, e os inconseguimentos



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As imagens que usei para ilustrar os provérbios provêm do blogue We Have Kaos in the Garden

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sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Zeinal Bava e o tableau de bord para o qual não olhava nem tinha que olhar. De resto, parece que não sabia nada mas também não tinha que saber. "É um bocadinho de amadorismo para quem ganhou tantos prémios de melhor CEO da Europa, não é?", atirou-lhe (e bem) Mariana Mortágua, uma deputada valente que anda a mostrar à Assembleia da República o que é profissionalismo. Zeinal sorriu, confiante, e aos costumes disse nada.


No post abaixo, dou um tautauzinho ao António Costa. Ainda não é caso para dramas mas é bom que ele perceba que o País espera uma forma clean de fazer política: nada de servilismos, nada de fretes. Disso estamos nós fartos que, nestes anos de PSD/CDS, não temos assistido a outra coisa. Limpinho e direitinho é assim que a gente espera que ele se apresente ao país, sem calculismos ultrapassados, sem deambulações à toa, sem passos em falso. Para a frente é que é caminho e tem que se perceber para onde é que se vai. 

Mais abaixo ainda há anedotas e piadiolas que metem velhinhos. 

A seguir, portanto. Aqui, agora, a conversa é outra: o jetset na gestão à portuguesa.

Sobre o acompanhamento musical proposto, agradeço primeiro a leitura do que se segue.


Atenção!

Disclaimer: Este vídeo não tem nada a ver com a nata da gestão de que abaixo vou falar nem é nenhuma indirecta para nenhuma das individualidades que vou referir. Este vídeo não é adequado a um blogue de família nem deve ser visionado por menores, virgens ou beatas. Este vídeo refere-se a uma canção cuja letra pode ferir os ouvidos dos leitores mais sensíveis. Este vídeo deve ser daqueles que o blogger não gosta nem um bocadinho. Só deve fazer play quem for duro de ouvido, duro de alma e gostar de pisar o risco. 

Avisei.




Ora bem. Vamos lá, então.

Tantas vezes aqui o tenho dito. Portugal tem um tremendo défice de empresários e gestores profissionais. Ou são de tipo pato-bravo, daqueles que confundem o género humano com o Manuel Germano, ou são aprendizes de qualquer coisa. Para poderem sentir-se ungidos pela sorte divina, intitulam-se CEO, CFO, etc. Vivem de power-points, de reuniões com consultores, circulam apressadamente entre sessões de apresentação de qualquer coisa, a lançar projectos de sustentabilidade, ética, etc, ou a receber prémios, ou a dar entrevistas, ou em almoços ou no que quer que seja - actividades que, de facto, em termos objectivos, pouco têm a ver com gestão a sério.

Zeinal Bava assegura que não tinha conhecimento de quem eram os responsáveis pela decisão das aplicações financeiras da PT no BES e no GES, nomeadamente os 500 milhões de euros que foram colocados na ESI em maio de 2013, quando ainda era presidente da PT SGPS. No entanto, o gestor não esconde que sabia da enorme exposição da PT ao GES e ao BES, até porque havia um "tableau de bord" que circulava de três em meses onde estava toda a informação.

E Zeinal diz que não sabe e que nem tinha de saber. Os deputados insistem e ele sorri, habituou-se a usar o sorriso como um precioso asset, ele é a chave do seu goodwill. Pelo menos, era. E volta a dizer que tinha confiança, que era tudo sólido, que ele nem precisava de ver, confiava que alguém via por ele. E sorri. Não desarma. Mas a conclusão que se retira é que, de facto, não sabia de nada do que lá se passava.


E todos os outros também não sabiam e também achavam que não tinham de saber. E os do BES também. Recebiam milhões em variáveis e em fixos porque atingiam os goals e estava tudo regulamentado porque há comissões de vencimentos e há modelos de governance e há auditorias para todos os gostos e há tudo o que é suposto haver.
Só não há gestão profissional. E, por isso, de facto, ninguém sabe bem o que se passa nas empresas onde são ou executive ou chairman.
Habituaram-se à vida de ricos, desabituaram-se de trabalhar - confundem estar nas reuniões a olhar para os ipads ou a mandar mails irrelevantes, confundem estar sempre a olhar para o telemóvel ou a receber ou a fazer chamadas ou a enviar sms, geralmente a marcar reuniões ou almoços ou pequenos almoços, ou a marcar viagens ou a alterar planos de voo, ou a aprovar os hotéis, com trabalhar.

E participam em torneios de golf ou de ténis ou em caçadas com colegas, stakeholders ou amigos, e, pelo meio, participam em reuniões de quadros, ou em acções de team building, ou fazem a introdução em sessões de brainstorming e fomentam o voluntariado e estão em cima de tudo o que for preciso.

Só da gestão é que não.

Claro que depois há uma máquina a funcionar, direcções, coordenações, supervisões, chefias intermédias, toda a espécie de serviços, e há outsourcings para tudo e mais alguma coisa, e há informação em barda, relatórios, data mining e tableau de bord e dash board, e há KPI's para todos os gostos e há cockpits e monitorizações e há depois avaliações porque toda a gestão se faz por objectivos e toda a gente recebe prémios e, se a avaliação não é boa, há planos de acção... e há tudo o que se possa imaginar.


E, por estarem à frente de companhias certificadas a todos os níveis (voltou a estar na moda dizer 'a companhia' e não 'a empresa'), recebem prémios de excellence e doutoramentos honoris causa (concedidos pelas universidades que essas empresas sponsorizam) e as revistas de negócios e gestão (que vivem em parte dos seus anúncios) fazem artigos com eles e eles convidam jornalistas e os jornalistas entrevistam-nos e eles aparecem a falar da fraca qualidade da gestão pública e do ajustamento de que o país ainda necessita e é um círculo virtuoso em que abundam os sorrisos, a complacência, a qualidade de vida, a perfeição.

E isso tudo.

Só gestão é que não.

Cavaco Silva, com o seu olho de lince, viu logo que tão ilustre figura deveria ser condecorada, É que ele, Cavaco, ilustre economista, sabe distingui-los a olho nu.

De qualquer forma, a lista impressiona. Aos 49 anos Zeinal Bava já conta com as seguintes distinções:
  • 2009: Melhor CEO na área de Investor Relations no âmbito do “Investor Relations & Governance Awards (IRGA)”, uma iniciativa da Deloitte.
  • 2010: Melhor CEO no setor de Telecomunicações da Europa, pela Institutional Investor. Melhor CEO em Portugal pela Extel.
  • 2011: Segundo melhor CEO europeu no setor das Telecomunicações e melhor CEO em Portugal, pela Institutional Investor.
  • 2011: Melhor líder português em empresa privada, pelo Best Leader Awards, promovido pela Leadership Business Consulting
  • 2012: Melhor CEO em Portugal e melhor CEO do setor de telecomunicações da Europa, pela Institutional Investor.
  • 2014: Enquanto CFO do Grupo PT, foi eleito por três vezes consecutivas em 2003, 2004 e 2005 como o melhor chief financial officer (CFO) da Europa no setor das telecomunicações, pela Institutional Investor.

A 9 de Junho de 2014 Zeinal Bava foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial Classe Comercial.




Repito: só gestão é que não.
Sabem tudo, controlam tudo, ao pormenor. Só os milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões é que não. Desses ninguém sabe muito bem por onde andam.
E com gente deste gabarito se afundou o Grupo GES e se deu cabo do BES, e se afundou a PT e milhares de pessoas perderam economias e andam agora com cartazes à porta das agências. Choram, dizem que era o dinheiro de uma vida.

Com a PT a mesma desgraça. Uma desvalorização bolsista sem igual. Empresas a quem foram suspensos contratos, muita gente a ver-se sem emprego de um dia para o outro.

Mas Zeinal Bava continua a sorrir. Certamente pensa nos milhões que ainda tem a haver. Afinal atingiu sempre todos os seus objectivos.

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E sobre estes artistas é isto - e mais não digo para não me indispor.

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A canção que espero que não tenham ouvido e que, reconheço, está aqui completamente deslocada é, com vossa licença, o Hino das Putas numa interpretação dos Irmãos Catita onde pontua o grande Manuel João Vieira. O videoclip foi apresentado durante o espectáculo "O artista Português é tão bom como os melhores"

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Sobre António Costa e o seu deslize chinês falo já a seguir.

E, mais abaixo, há anedotas e chalaças.

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Ainda não foi hoje que acabei a história pornográfica que mete uma sessão de sexo a transbordar de adrenalina num lugar público, a saber, num centro comercial. Era mesmo para ser hoje, já estava quase pronta. Mas, entretanto, passou na televisão a reportagem das pessoas aflitas por terem perdido o dinheiro que investiram em papel comercial do GES e, logo a seguir, vi o Bava com  o seu sorriso inabalável e vi-me forçada a largar o conto inocente que tinha em mãos para me atirar ao desagradável assunto acima vertido. Enfim. A ver se algum dia a dita história sai à cena.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

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quinta-feira, outubro 09, 2014

O tempo é o novo dinheiro: férias ilimitadas. Voto na ideia. Mas custa-me um pouco falar nisto enquanto assisto quase petrificada ao que está a acontecer na PT. Uma desgraça e uma vergonha.


No post abaixo já lamentei a decisão do DN ao prescindir da colaboração do grande jornalista que é Baptista Bastos. Fez mal o DN, por todos os motivos e mais um: é que Baptista Bastos trazia público ao DN. Só espero que rapidamente algum outro jornal o contrate. Eu e todos os milhares de leitores que não perdiam as suas crónicas, segui-lo-emos para onde ele for.

Mas sobre este assunto falo no post a seguir. Aqui, agora, falo de um outro coisa.



Noches Noches La Luz - Aurora



Avishai Cohen



No outro dia a minha filha enviou-me um mail com um link


Richard Branson Is Right: Time Is the New Money. 


O tema é interessanteIn the participation age, a new form of payment is emerging: time.


Férias ilimitadas, regime de trabalho livre.

Há locais em que isto se pratica, empresas de prestígio - mas em Portugal não conheço. 

No Grupo em que trabalho não é assim, os dias de férias são os de lei. Mas, na medida do que é possível gerir de forma directa, facilito ao máximo a vida das pessoas que trabalham comigo. Têm menino com festinha na escola, pois que vão, estejam com os filhos e, nessa tarde, nem precisam de vir, trabalhem a partir de casa, como queiram. Têm assuntos para tratar e vão levar parte da manhã pois que tratem e podem vir apenas de tarde, estão com dor de cabeça e querem ir logo para casa, pois claro, que vão. E sou incapaz de fazer as pessoas estarem numa reunião, se souber que têm que ir buscar os filhos à escola ou se tiverem qualquer outro compromisso. Não concebo outra forma de gerir pessoas. O trabalho não deve ser apenas uma obrigação, muito menos deve ser um castigo. As pessoas trabalham melhor se estiverem tranquilas e felizes, se se sentirem respeitadas e estimadas. 

Aliás, tento não ocupar ninguém depois das seis. Se ficam é porque acham que precisam. Não controlo o tempo que estão no local de trabalho mas sim o que fazem. Da mesma forma, é raro o dia em que não estou um bocado à conversa com quem me procura ou com quem encontro, mesmo que na copa. Conversamos sobre tudo e estimulo que se interessem e valorizem uma vida equilibrada, com tempos livres, com tempo para o prazer.

Contudo, há muita gente noutras áreas da empresa que é ou se faz passar por workaholic. Trabalham até às quinhentas, trabalham à hora de almoço, enviam mails à noite, ao fim de semana. Na minha área desincentivo isso em absoluto.

Gosto de ter a trabalhar comigo pessoas que me falam dos livros que lêem, dos filmes que vêem, de passeios que dão, de programas que vêem na televisão. E rimos, e há alguns que são muito engraçados, e há diferentes pontos de vista, e forma-se um sentimento de equipa, de pertença a um grupo de pessoas que puxa para o mesmo lado. Não sou assim por razões interesseiras, para que a produtividade seja melhor, faço-o porque era assim que eu gostava de trabalhar quando era chefiada por pessoas que me respeitavam como pessoa, e faço-o porque esta é a minha maneira de ser. Mas, claro, sei por experiência própria que nada mata mais a produtividade e o gosto por trabalhar do que a falta de reconhecimento.

Além do mais, não é por uma pessoa estar obedientemente presente no local de trabalho oito horas ou mais por dia, que o resultado do seu trabalho é melhor. Tenho colegas que são certinhos, certinhos, certinhos e que, no entanto, para tomar uma decisão ou para produzir uma opinião levam uma eternidade.

Nem todas as empresas terão músculo ou condições para aguentar um regime mais livre mas, sempre que o possam, estou em crer que este modo de estar a nível profissional irá fazer o seu caminho. Quem trabalha por turnos, quem tem que estar atrás de um balcão ou a servir a um restaurante não poderá dar-se a estas liberdades mas, quem possa, acho que deverá fazê-lo.

A principal barreira será a mesquinhez das mentes mais apertadas. Os menos dotados são sempre os mais castradores. Sempre vi os mais fracos, os que têm mentalidade de vizinhas, fazerem da censura o seu modo de vida. Mas cabe às lideranças fortes ultrapassar preconceitos e ideias do passado e fazer valer uma nova maneira de estar.

O trabalho não deve ser tudo na vida, não deve ser uma obsessão. Pelo contrário, deve ser uma componente da vida, uma componente que traz dignidade, autonomia e sentido de realização à vida das pessoas. 

Richard Branson também acha isto e eu estou curiosa por saber como vai ele pôr em prática a ideia. E vou tentar perceber melhor o conceito.

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Falo de bem estar no local de trabalho, falo de motivação e, enquanto isto, penso no que está a acontecer na PT. É um drama difícil de descrever.


Conheço algumas das boas instalações da PT. Participei em encontros promovidos ou patrocinados pela PT, participei em visitas guiadas às suas instalações. Ouvi várias vezes falar pessoas da PT sobre os seus modelos de governance ou sobre a aplicação de novas metodologias de gestão. Não há em Portugal grande ou pequena empresa de serviços, nomeadamente consultoria das mais variadas espécies, que não tenha a PT entre os seus clientes de referência.

A PT era uma das grandes empresas portuguesas. Grande em volume de negócios, grande em números de colaboradores, grande em número de fornecedores, grande em número de clientes, grande em quase todos os indicadores.

Contudo, devo confessar - e quem lida comigo sabe bem disso - que sempre me pareceu que havia ali algum deslumbramento, muito dinheiro fácil, muita apetência por modas. Ou seja, uma gestão algo fútil.


Tenho também a ideia de que gestores florescentes, espampanantes, que primam pelo seu poder de show off, que apadrinham toda a espécie de modas, não dão sólidas garantias aos accionistas e stakeholders.

O tempo rende mais para uns do que para outros, é certo, mas a sua relatividade não é infinita. Uma pessoa que está hoje aqui, amanhã ali, depois a dar entrevistas, depois a fazer palestras, depois a almoçar com jornalistas, depois a dar uma aula, depois a fazer um road show, depois a ter uma reunião para ver apresentações e assim sucessivamente, forçosamente alguma coisa deixa para trás. E, geralmente, o que fica para trás é o cuidado na análise, é a proximidade ao negócio, é o ouvir os colaboradores, é, na verdade, a gestão.

Gestores mediáticos assim ou gestores que adquirem o vício de se sobreocupar com eventos que dão visibilidade, são gestores que, regra geral, delegam demais. E aqueles em quem eles delegam, não se sentindo muito apertados, delegam nos de baixo, e os de baixo sentindo-se importantes, delegam nos de baixo, e aos de baixo já lhes falta a competência e, então, inventam uma desculpa qualquer e contratam consultores e as empresas de consultoria para serem competitivas e terem boas margens, contratam miudagem que vai trabalhar por tuta e meia. E, assim, acabam estas grandes e aparatosas empresas por ter as decisões de gestão a cargo de miudagem das empresas de consultoria ou a cargo de estruturas deslumbradas mas pouco responsáveis. Não é sempre assim - mas é muitas vezes assim.

A gente da PT vivia entre o mediatismo da vida glamourosa do alto empresariado e os macios corredores do dinheiro e do poder.

Até um dia.

Sem que ninguém tivesse exactamente percebido como, de um dia para o outro, a equipa dos gestores excelentíssimos rebentou com um património estimável, com a reputação dos gestores portugueses, e com uma empresa enorme e desejável. 

Eu disse de um dia para o outro mas disse mal. Foi um pouco todos os dias - até que uma gota fez transbordar ao copo. Os 900 milhões aplicados não se sabe como na Rioforte foram apenas a gota de água.

Agora são cerca de 15.000 trabalhadores em pânico, são infraestruturas valiosas, é um património incrível que está à venda na rua - e uns quantos (de outros países, claro) a verem por quanto podem ficar com um saldo destes. Quem comprar vai fechar instalações, despedir pessoas. Era uma empresa sólida, rentável e valiosa, com planos de expansão. Agora, para quem quer comprar barato, é um bagaço, um fruto seco, um saco de ar.




Henrique Granadeiro saíu. Zeinal Bava foi corrido. Os brasileiros não brincam em serviço. Voz de mel mas mãos de ferro. Aos olhos do Brasil, a PT e os grandes gestores portugueses devem ser apenas os restos de uma monarquia tonta com deslocadas manias da grandeza, gente falida, uns pobres amadores.


No Grupo PT a instabilidade impera, a incerteza corrói - e não é para menos.

Perante isto, perante a ruína de tantos que nada fizeram para que uma vergonha e desgraça destas lhes caísse em cima, perante a depreciação de uma empresa tão valiosa, perante o empobrecimento que isto acarreta (porque a PT dava modo de vida aos seus trabalhadores mas também aos seus imensos fornecedores), só espero que se apurem responsabilidades. Mas a sério. Só espero que não ponham nenhuma Mónica Ferro ou outra andorinha assim a apurar responsabilidades nem no Parlamento nem na Justiça; ponham gente séria e com cabeça. E façam justiça. 

Mas, calma aí, os maiores responsáveis para além de Granadeiro, Bava e outros da PT, são os senhores do Governo que assistem a tudo imperturbáveis. Deixaram ir a golden share sem cuidarem de quaisquer cuidados, e agora deixam que tudo aconteça sem que mexam uma palha para salvar nem que sejam apenas os salvados.

Tudo isto tem que ser julgado. Há casos em que a irresponsabilidade e a incúria devem mesmo ser objecto de séria condenação - e este é seguramente um deles.


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Tinha ainda uma coisa giríssima, desta feita enviada pelo meu filho. Mas já não tenho tempo, estou só a bocejar (e temo que vocês também pois só agora reparo no lençol que já para aqui vai). Amanhã.

E há ainda a questão dos livros sobre os quais ando para falar. A ver se amanhã, também.




A ver se faço ideia de quem é o autor que vai ganhar o Nobel. Sinto-me sempre a maior das ursas quando sai a alguém de que nunca tinha ouvido falar antes.

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Relembro: sobre o afastamento de Baptista Bastos do Diário de Notícias, falo já aqui a seguir.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira!


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quinta-feira, agosto 14, 2014

A descida aos infernos de Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Luís Pacheco de Melo. Na queda arrastaram a PT que, de jóia da coroa, passou a subsidiária, a anedota. Para ter artistas destes à frente das empresas, eu por mim preferia ter bonecos da Orient Industry. Pelo menos não saíam tão caros, não gastavam tanto dinheiro mal gasto e não faziam porcaria.



No post abaixo falo do afinado Quarteto de J. Rentes de Carvalho e do desafinado desfiar de desAgrados de M. Bentes Penedo - e faço questão de marcar a diferença de estatura entre o primeiro que é grande e a segunda que, no que escreve, revela a sua pequenez. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é de outra natureza. Contudo, continuo a falar de coisas pequenas.


Ver a banda passar





A PT teria estado melhor servida na Administração/Comissão Executiva
com estas três daqui do que com os três que aparecem na fotografia seguinte


Estive a ler a notícia do Expresso onde se revela que a Comissão de Auditoria na PT envolve Zeinal Bava e compromete Granadeiro: Investigação interna na PT diz que Bava sempre recebeu tabelas com aplicações financeiras, que falavam em BES e não em GES. Granadeiro confessa que mandou contratar papel comercial. PT não queria investir em 2014 mas foi convencida... não se sabe porquê. Pacheco de Melo devia ter falado, Morais Pires não devia ter calado. Comissão de Auditoria de Mello Franco só se iliba a si mesma.




O ex-trio maravilha da PT: Zeinal Bava, Henrique Granadeiro e Pacheco de Melo



Ou seja:

Zeinal Bava estava ao corrente de todas as aplicações mas, onde se devia ler aplicações de risco no GES, lia-se depósitos no BES. De qualquer forma, aparentemente confiava nos outros e não questionou ou, então, nem deu por isso. Peanuts.
Henrique Granadeiro aprovou 200 dos 900 milhões e não recebeu informação relativa aos restantes (milhões). Peanuts.
O CFO, Luís Pacheco de Melo, não deu conhecimento do que se passava porque, do que me parece, nem ele se ralava com tais peanuts já que seria o director financeiro que se ocupava dos amendoins, parece-me que um tal Carlos Cruz, o que fazia os quadros onde se trocava GES por BES e aplicações em papel comercial de risco por depósitos.

Luís Filipe Vieira
e Luís Pacheco de Melo

(a teia dos negócios)

Intrigada com tal desgovernance, acabei a saltar dali para ir ver o CV do CFO Luís Pacheco de Melo. Vi que em 2011 Luis Pacheco de Melo foi distinguido pela Institutional Investor como o terceiro melhor CFO europeu no scetor das telecomunicações e o melhor CFO em Portugal e que, em 2010, foi eleito, pela Institutional Investor, como o 3º melhor CFO europeu no setor de telecomunicações e pela Extel como o melhor CFO para a área de Relação com Investidores em Portugal. 


Ora bem, lá prémios nunca lhes faltou. Ah, egozinho mais aconchegado...

Vi que também veio do BES, da área do Investment. Bate certo.

E, finalmente, vi que a formação de Pacheco de Melo é a mesma do financeiro Carlos Moedas: engenharia civil.


E, aqui chegada, senti-me esclarecida.

Note-se que tenho a melhor das impressões dos engenheiros civis -  acho que, em geral, são inteligentes. Mas faz-me muita confusão que à frente de áreas em que é necessária uma formação de base relevante na área da gestão, economia e finanças, esteja uma pessoa que recebeu formação em engenharia civil. Mas isso já são os peanuts mentais que me enchem a cabeça a fazerem estragos, a impedirem-me de perceber tanto do que me rodeia. 

Mas, enfim, em Portugal o mais que eu vejo são erros de casting ou o exercício de funções de responsabilidade a cargo de quem não tem formação suficiente para as desempenhar.

E, por isso, o meu ponto é outro. 

O meu ponto é que estas empresas que se viram essencialmente para o mercado e para a imagem, são empresas que vivem em função de modas, que papam tudo o que as empresas de consultoria lhes dão a comer, onde o verdadeiro sentido de negócio e boa gestão parecem não abundar. 

A PT e todas as empresas que vivem na sua órbita são o paraíso para as empresas de serviços em Portugal: não há cão nem gato que não apresente como referência a PT. Há lá, em permanência, consultores, e recorre-se a outsourcing e fazem muitos benchmarkings e patrocinam tudo o que é seminário e trapalhadas do género. E, claro, tanta benevolência para com auditores, consultores e demais prestadores de serviços é recompensada: por muito pouco que efectivamente façam, estão sempre a receber prémios e prebendas, prémios esses que os jornais amplamente divulgam (não fosse a publicidade da PT uma colossal fonte de receitas - tal como era a do BES).

A PT é, pois, aos olhos de (quase) todos, o modelo de eficiência, o modelo da modernidade, a que está na crista da onda. Tudo o que é nova tendência ou modelo de gestão, é implementado na PT.

Pois bem, a julgar pelo que agora constatamos, com tanta cagança, esquecem-se do bê-a-bá: de gerir o mínimo dos mínimos.

Não é só na PT, note-se. Do mais comum que há em Portugal é os CEO, os CFO, os CMO, os CTO e por aí fora (já para não falar nos chairman que é mesmo suposto serem meramente decorativos), andarem entretidos em reuniões da treta em que miúdos das empresas de consultoria apresentam belos power-points ou em larachas ou em almoços e jantares ou em torneios de golf ou de ténis, enquanto a gestão das empresas lhes passa ao lado.

Bem podem encomendar relatórios de sustentabilidade, terem brilhantes códigos de ética e de governance que o que é importante, o meter as mãos na massa, o querer ver e questionar (mas o que é isto? porquê isto e não outra coisa?) tudo isso é coisa que não lhes assiste. Não sabem. 

Por isso, nem posso dizer que fique admirada por a PT, uma das jóias da Coroa, ter ido para o buraco em dois ou três meses. Frequentemente o que me admiro é como é que não acontecem maiores desaires a torto e a direito.

Muitas vezes aqui o tenho dito. As elites em Portugal são um desastre: as elites políticas, as elites na gestão, a elite nos empresários, a elite na academia. Tudo um faz de conta que assusta.

Não são os trabalhadores que ganham muito ou que trabalham pouco. Não. O problema é que quem manda, em geral, não tem competência para tal.

A família Espírito Santo arrasou o prestígio familiar, destruíu o Grupo e, de caminho, deu cabo do banco, deu cabo da vida a muitos pequenos investidores e vai pôr no desemprego muitos colaboradores. Tanta gente que lá trabalhava, tantos supervisores, tantas auditorias, tantos consultores e auditores e, no entanto, todo o poder estava nas mãos de gente sem escrúpulos e sem competência - que destruíu tudo sem que ninguém desse por nada. 

O mesmo se passou na PT.

Dado que se trata de empresas que estão no mercado de capitais, deveriam ter estado sujeitas a escrutínio. E estavam. A CMVM, no entanto, no caso da PT não se apercebeu nunca que a gestão estava a cargo de um senhor qualquer algures no meio da estrutura. E, no caso do BES, o banco de Portugal também não deu por nada. Nem a Troika. Tudo uns totós. Tudo show off. 

E depois ainda me vêm falar de estratégias de comunicação. Tretas. Há por aí muito ignorante que acha que o que se deve é trabalhar com boas agências de comunicação para irem gerindo 'o que passa para fora'. Como se o problema fosse a imagem e não o conteúdo.

Não sei como é possível dar a volta a este estado de coisas.

As universidades formam pedantezecos formatados para obterem valor para o accionista, para optimizações fiscais, para tretas e embustes. Os patrões, regra geral, são fracos e, portanto, gostam de se rodear de gente ainda mais fraca. A comunicação social está empestada de papagaios que papagueiam acefalamente tudo o que as agências de comunicação lhes dão a comer. Os políticos emanam das jotas, gentinha desqualificada, que acha que pode mandar sem sequer saber falar sem dar pontapés na gramática. Como se isso não bastasse, quando nos partidos se querem ver livres de alguém, chutam-nos para Bruxelas, pelo que em lugares relevantes de Bruxelas se encontra gente do piorio, chernes, oportunistas, joguetes, capachos.

Por isso, nem sei que sugestão posso eu dar. Dizer que as elites sejam escolhidas pela competência e honestidade intelectual parece-me uma utopia. Só se for que, em vez destes indigentes, passem a estar bonecos. Aliás, acho que bonecos ainda não há. Mas é pena.




Em contrapartida, bonecas com toque de pele humana, poitrines para todos os gostos, cabelo, pézinho atrevido, é o que não faltam. Dizem as más línguas que ainda por cima têm uma grande vantagem sobre as mulheres de verdade: não falam.

Por isso, daqui lanço um apelo aos accionistas que tenham que votar administrações em próximas Assembleias Gerais: votem em dolls destas que aqui mostram. Saem baratas, não maçam os colaboradores com projectos da treta, não fazem disparates, não arruínam empresas, não dão cabo da economia do País. Só vantagens.


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Já agora um momento de cultura geral

‘Dutch Wives’ sex dolls have realistic skin, claims Japanese doll-makers Orient Industries





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Relembro: sobre a diferença que uma letra faz (Rentes versus Bentes), desçam por favor até ao post já a seguir. Ele há coisas do além. Pode uma pessoa julgar-se tão grande como aqueles de quem fala? Pode. É ver para crer. 


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A música lá em cima é A Banda, interpretada por Chico Buarque de Holanda

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.


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terça-feira, agosto 12, 2014

Será que este split do BES em good e bad bank não é, afinal, do melhor que há para o Ricardo Salgado? Paulo Morais diz de sua justiça. Quanto a Zeinal Bava, que liked so much a portugalidade, já se pôs a andar para o Brasil não vá ficar with the ass stucked. Que é como quem diz, claro está, que nestes passarões a gente não se pode fiar.


Pouco depois de acabar de publicar o post a seguir a este, recebi um sms da minha filha que, sem lhe pedir licença, passo a transcrever: 
Engravidar pela porta dos fundos??? What??? Não sei se ria se fique chocada... Onde foste inventar essa???
Com a serenidade que as mães devem ter perante as incompreensões filiais lá lhe expliquei: 
O vídeo chama-se Concepção (= Engravidar) e é da Porta dos Fundos.
Simples. 

Depois perguntei-lhe se tinha visto o vídeo. Respondeu-me:
Not yet. Fiquei-me pelo título traumatizante.
Vejam bem. Se é razão para traumas, uma coisa tão inocente.

Mas, para os Leitores que também têm cabecinhas pensadoras ou pensamentos retro, aqui fica a explicação. Espero que, com a descodificação acima, esteja bem claro - é que não quero cá pensamentos negativos. 

Entretanto, fui ver a caixa de correio e tinha vários mails (que agradeço!!!), entre os quais dois que continham vídeos bastante elucidativos.

No primeiro, o Dr. Paulo Morais transmite a sua visão de toda esta embrulhada do BES Novo Banco e do BES velho e mau e de como, com esta solução, quem ainda se sai a rir é o Ricardo Salgado benzido pelo Espírito Santo.

No segundo vídeo, o ilustre e excelentíssimo Zeinal Bava por cuja boca escorre muito jargão pseudo intelectual de management mas que, pelos vistos, com tanto CEO, CFO, chairman, tanta governance e tanto benchmarking, tanta gabarolice a favor da portugalidade, andava a ver passar os comboios (ou, então, mente com quantos dentes tem). 

E, entretanto, smart guy, já se pirou para o Brasil antes que fique com o rabo a arder. 

Ora vejam, por favor, que vale bem a pena. Ambos dão que pensar. 



Paulo Morais e Aramando Pereira na CMTV - o trânsito dos dinheiros de Angola, o BESA, as dívidas, o BES mau e o BES bom, o papel dos reguladores e o Ministério Público.


Muita lavagem será necessária para que tão suja roupa alguma vez fique limpa.





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E agora o ilustre administrador, um dos excelentíssimos, um dos que meio mundo venerou: o conceituado e internacionalmente premiado Zeinal Bava, o que agora diz que não teve nada a ver com os transvases para o BES e que, a grande velocidade, deu de frosques para o Brasil. Vejam-se os deputados da Comissão de Ética, quase em êxtase, perante tamanha sumidade, quando o god on earth  dissertava a favor da portugality.


Pois, pois, ó Zeinal. Bye, bye e vai curtir a portugalidade para Copacabana.



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Oh holy spirit, que there is no pachorra para cagões deste calibre.
Mas a culpa é nossa que papamos tudo o que nos dão a comer. 
Não houve um bendito dum deputado que fosse capaz de lhe dizer para se portar como deve ser e falar como gente.

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Relembro: o post abaixo não se recomenda para pessoas dadas a segundas intenções. Só pessoas que sejam da linha Tozé Seguro, mentalmente limpinhas e lavadinhas, é que deverão aventurar-se (já que são puras a toda a prova).

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