Mostrar mensagens com a etiqueta jornalistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jornalistas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 29, 2026

Ainda o Luís (neste caso, Neves) e a meritocracia
-- Ainda a palavra ao meu marido --

 

Uma das teses que anda por aí é que, como parece que entre os 11,4 milhões de portugueses (vamos ver se o INE não me vem corrigir) o Luís Neves é o único que sabe combater fogos, tenha ele pisado a linha ou ficado em cima dela, não se deve demitir nem ser demitido porque é competente naquilo que faz. É uma tese muitíssimo perigosa. Vou só dar um exemplo e por absurdo demonstrar onde nos podem levar as teses de quem se marimba para a ética republicana e acha que os resultados estão acima de tudo. Vejamos o nosso influencer da área da comunicação e da restauração, de sua graça Isaltino Morais. Se tivesse sido apenas julgado pelos resultados à frente da câmara de Oeiras certamente não teria sido  condenado e preso, porque teve e tem excelentes resultados como autarca. Tinha pisado o risco, mas que se lixe, o que interessa são os resultados. 

E, assim, se vai dando força ao populismo.

Ainda sobre o caso do Luís (neste caso Neves): ouvi hoje o Henrique Machado na CNN fazer uma defesa acérrima do senhor. Ouvindo-o parece que não deve haver qualquer preocupação com os bidons de amoníaco. São perigososos, podem explodir ou evaporar e originar sérios problemas de saúde pública  -- mas, para ele, o que é que interessa? O antigo diretor nacional da PJ é um tipo desenrascado, manda aquilo para um descampado e não há-de ser nada. Mas o Henrique acrescenta que, ainda por cima, a PJ não tinha verba  para destruir corretamente o amoníaco. Com certeza, pedir à Ministra a verba necessária, nem pensar! Guardar o amoníaco numa empresa de produtos químicos com condições para o armazenamento seguro do produto, que heresia! O Machado bloqueou, já não consegue pensar. Habitualmente tão castigador para com criminosos, pseudo criminosos e potenciais criminosos, tornou-se, nesta caso, um cordeirinho. Será que deve alguma coisa à PJ ou ao seu ex-diretor? Nem o advogado de defesa do Luís Neves faria uma defesa mais empoderada do seu constituinte. E já agora, aquela história de ter sido o diretor financeiro a assumir a saída do camião, para mim, é um clássico. Quando quem manda quer fazer uma coisa que não quer assumir que fez, arranja um tipo próximo e pede-lhe (isto é, manda-o) fazer o frete. Deve ter sido o que aconteceu com a entrega da galera ao construtor. Até apostava!

domingo, outubro 19, 2025

Chega -- ou como a comunicação social portuguesa deu um megafone ao populismo
-- Uma reportagem da Al Jazeera --

 

Há aquilo da atracção pelo abismo. Penso que isso é o que está na base da vertigem: mais do que o receio de escorregar e cair é o receio de não resistir à atracção pela queda. Quando tenho pesadelos, é frequente passar por situações em que vou num sítio alto, escarpado, numa estrada estreitinha em que de um lado é o abismo e parecer-me que, dê lá por onde der, a queda será inevitável. É uma sensação horrível. Lembro-me de ser pequena e de descer por uma escada muito estreita, esculpida na rocha, para irmos para uma praia que apenas tinha esse acesso. Os meus pais gostavam de ter a praia só para eles e, de facto, estando lá em baixo, era maravilhoso, parte do paraíso parecia feita só para nós: lagoinhas nos buracos das rochas, limos, algas, lapas, mexilhões, pequenos caranguejos, aquele odor a maresia, tudo do outro mundo. O sol rodava e podíamos procurar a sombra, havia sempre um rochedo que nos dava o desejado abrigo. Mas, quando se aproximava a hora de subir, já eu ficava outra vez nervosa. Sabia que quando chegasse a meio da escada e olhasse para baixo, sentiria um formigueiro na planta dos pés, aquele desamparo, aquela antevisão de que os meus pés poderiam soltar-se, de que eu iria voar sem apelo nem agravo até onde o abismo me sugasse. Nunca aconteceu mas esse medo nunca me abandonou.

Essa mesma atracção pelo abismo parece ter a comunicação social portuguesa. É impossível que os responsáveis da informação dos diferentes canais não saibam que ao promoverem o Ventura da forma como o fazem de há vários anos para cá estão a levá-lo ao colo até ao poleiro a partir do qual ele pode fazer estragos. Sabem que estão a levar o país até àquela zona de sombra onde todos os perigos estão à espreita. E, no entanto, não resistem à tentação de lhe dar todo o palco que ele quer.

Há mérito nele, não o nego: consegue arranjar sempre motivos para ter coisas para dizer. Ou é candidato disto ou daquilo, ou quer lançar o repto ou quer responder ao repto, ou quer criticar ou quer ameaçar ou quer defender-se. Quer sempre qualquer coisa. E sempre que ele o quer, e ele quer sempre, há uma câmara e um microfone ao seu dispor. Um dia inventou um chilique e as televisões foram atrás da ambulância, outro dia diz que vai ao Entroncamento e uma jornalista enfia-se no carro com ele e outros vão em carros que filmam o seu carro. Haja o que houver, aí está ele a ocupar tempo da antena, a invectivar, a insultar, a vitimizar-se. Tudo anedotas, tudo absurdos. Interesse jornalístico de tudo isto: zero. E, no entanto, porque sabem que ele, qual concorrente histriónico do BB, dá canal, não o largam. Mais do que defender a democracia e honrar a liberdade, o que os canais querem (todos os canais!) é aumentar audiências. Custe isso o que custar.

O vídeo abaixo mostra uma peça da Al Jazeera English sobre o assunto, e ali está tudo: o percurso do Ventura, desde o tempo em que comentaca crimes e futebóis até aos dias de hoje em que parece o emplastro das televisões, sempre presente. Só que não está calado, está a poluir o espaço público e a atrair os ignorantes, os incultos, os broncos, os ressabiados, os tontos, a gente má, os saudosistas dos tempos do breu, os invejosos, os criminosos, os tarados. E porque toda essa gente gosta de ser ver representada por um da mesma laia e é isso que as televisões mostram, aí está ele, cada vez mais perto de fazer estrago a sério.

Chega: How Portugal's media gave populism a megaphone | The Listening Post

O partido de extrema-direita português, Chega, já esteve à margem da política nacional, mas agora faz parte do mainstream.

O líder do partido, André Ventura, tornou-se uma das figuras políticas mais reconhecidas do país. A sua ascensão foi impulsionada pela sua experiência na televisão e pela sua persona mediática cuidadosamente elaborada. O antigo comentador de futebol tornou-se um showman político.

E ele foi amplificado pelos grandes meios de comunicação do país, que procuram audiência em vez de responsabilização.

Colaboradores:

  • Miguel Carvalho - Jornalista
  • Inês Narciso - Investigadora de Desinformação, Iscte-Iul
  • Anabela Neves - Jornalista, CNN Portugal

 

Desejo-vos um belo dia de domingo

quarta-feira, maio 14, 2025

Sobre este dia 13 de Maio

 

Depois de um dia de galdeirice, apetecer-me-ia reportar essa actividade. Mas, noblesse oblige, face à indisposição do Ventura, não me parece que haja clima para grandes bordejos. 

Direi apenas que o almoço foi composto de petiscos em versão comida de autor e que, de cada vez que vinha o prato, eu pensava: 'já foste'. Coisinhas pequeninas cuidadosamente dispostas, circundadas por nano-caules ou nano-folhinhas, tudo em versão lilliput. Muito bem confeccionado, tudo saboroso e bonito. 

Curiosamente, saí de lá bem, confortada, e, mais curiosamente ainda, cheguei à hora de jantar sem fome.

Enquanto lá estávamos -- numa mesa junto ao vidro que dá para a rua --, fui à casa de banho. Contou-me o meu marido quando voltei que, nesse ínterim, tinha passado uma conceituada jornalista, conhecida pela sua pretensa sabedoria e pela sua conhecida animosidade, diria até mau feitio, contra alguns ódios de estimação. O meu marido estava um pouco desconfortável com o que viu, disse que a senhora, a andar, quase parece meio trôpega (embora não tenha idade para isso), que tem uma figura um pouco embaraçosa, nada a ver com a pose algo superior com que se apresenta ao balcão do comentário televisivo. Cada um é como é e ninguém tem nada a ver com isso nem tem que alvitrar palpites sobre o tema. Mas, na verdade, já não é a primeira nem a segunda nem a terceira vez que, vendo ao vivo os temíveis jornalistas ou comentadores televisivos, penso: 'coitados... na verdade não metem medo a ninguém...'. É a televisão que é a arma temível, não as (por vezes) fracas figuras que por lá peroram.

Não há muito, íamos no passeio atrás de um que tem a mania que pode demolir políticos, em especial se forem mais à esquerda. Escreve e fala sempre assanhadamente como se tivesse na manga segredos e podres capazes de atirar os seus alvos para a sargeta. Ia ao telefone, a trocar informações com alguma fonte. E eu, que tenho um ladozinho um bocado infantil, ao vê-lo com ar de totó, só pensava: agora era tão fácil passar-lhe uma rasteira... e lá ia o temível jornalista com os cornos ao chão. Mas, claro, a minha mente policia-me e impede-me de concretizar essas inocentes diabruras. Aliás, acérrima polícia de costumes que também é, até me impede de verbalizar expressões mais vernaculares. Fica tudo dentro da minha cabeça.

Posso também acrescentar que, de regresso a casa, passámos pelo supermercado. Havia choquinhos na bancada do peixe e não resisti a trazê-los para os cozer com tinta. O meu marido perguntou se não ficariam bons assados no forno. Não me pareceu, eram miúdos demais. 

Lavo-os bem. Por acaso estavam carregados de areia, lavei e lavei e lavei. Não arranjo, cozo-os com todas as suas vísceras e tentáculos. Cozo-os só em água, não muita. Nem sal ponho pois eles mesmos se encarregam de salgar a água. A água fica negra, claro. Quando estão macios, junto batata doce cor de laranja e roxa, com casca, cortadas às fatias grossas. Ficam tingidas e saborosas. Depois é que arranjo e tempero.

Só que, depois de ter colocado as batatas, ligou a minha filha, ligou o meu filho, e as chamadas foram mais longas. Quando vim ter com o meu marido à sala, deu-me o cheiro. Sempre acabou por ter chocos assados. 

Felizmente, no tacho, coloco-os sempre com a prancha calcária para baixo. Por isso, o que foi à vida foi a membrana fina. Essa desapareceu, derretida no fundo do tacho. Depois as placas dos chocos ficaram castanhas, de queimadas que ficaram. Daí para cima ficou tudo bom, mas quase desfeito. Claro que o pior foi lavar o tacho. Tudo queimado, tudo negro, um cheiro a choco assado que nem vos digo nada. Caraças.

Mas estavam bons, embora quase tudo transformado em puré.

Também vi, depois, nas mensagens de um grupo de amigos, que um esteve doente e que ainda estará com um problema resultante da cirurgia, supostamente um mal menor. E fiquei como sempre fico quando sei de algum problema com os meus amigos, em especial os de longa data: parece que a modos que tolhida, talvez assustada. Tendo a pensar que eu e os que conheço de há séculos somos eternos, eternamente jovens, eternamente alegres, eternamente saudáveis. Quando constato que, de vez em quando, alguém adoece, fico triste, preocupada, com vontade de fazer ou dizer qualquer coisa para que se sintam animados, esperançosos, com optimismo, motivados para ultrapassar as dificuldades. Mas muitas vezes não digo nada com receio de que, ao transmitir uma mensagem de ânimo, deixe transparecer a minha preocupação. Mal comparado, foi o que aconteceu quando a minha mãe estava no hospital, muito mal, e, estando eu a querer animá-la, vejo aparecer um padre no quarto. Fiquei em pânico, com medo que ela percebesse que a morte estava a rondar. Lembro-me que enxotei o padre o mais educadamente que consegui mas numa aflição, receando que ele quisesse dar-lhe a extrema unção. E, de facto, no pouco que ele conseguiu dizer, houve lá umas palavras que me deixaram em transe, furiosa. Salvo erro, dirigindo-se a não sei que entidade, deus ou nossa senhora, não faço ideia, disse: 'recebe esta nossa irmã...'. Não sei se a minha mãe se apercebeu de alguma coisa mas eu fiquei traumatizada com isso. Mas, verdade seja dita, nem sei o que é que dá mais conforto a quem se sente menos bem, com incómodo físico, com receio do que por aí possa vir -- se é que tentem animá-los, tentem transmitir esperança e força, ou se é que lhes digam que se compreende o susto e o medo. Não sei. E acho que deveria saber pois posso agir desaquadamente numa altura em que alguém, estando mais vulnerável, precisaria do apoio devido.

Depois vi as imagens do André Ventura e também fiquei um bocado impressionada. Ainda por cima é bem mais novo do que eu julgava. Politicamente não posso estar mais distante dele. Tudo me separa do populismo. Mas se, a nível político, gostava que ele se estampasse nas eleições, a nível pessoal, não quero o seu mal. Se ele tem pais, imagino o medo que sentiram ao ver o filho agarrado ao peito e ao pescoço e a desfalecer. E depois o Chega é ele. Se ele se retirar de cena, nem que seja por uns dias, não há Chega para ninguém. E a ele, que de burro não tem nada, isso também deve preocupar. No seu íntimo, o seu sonho deve ser arranjar maneira de ainda chegar à liderança do PSD, um partido minimamente respeitável e não aquele aglomerado de gente desqualificada que é o Chega.

Mas, enfim, espero que melhore. 

E agora vou espreitar o instagram (@veramulanver) antes de me ir deitar. Aquilo é, verdadeiramente, um infinito caudal de cenas, uma janela de onde se vê o mundo (ou parte dele), uma imparável torrente de imagens e palavras efémeras. 

A minha filha no outro dia disse-me que deixar corações ou mensagens nas outras pessoas é importante para alcançar algum engagement -- e espero não estar a distorcer o que ela disse pois há ali uma lógica e uma semântica que ainda não domino bem. Acontece que, salvo raríssimas excepções, nunca me lembro de tal coisa. Aliás, sempre achei essa coisa dos likes uma puerilidade, uma fixação. As pessoas estarem a contar likes ou seguidores parece-me uma coisa tonta, um sinal de carência afectiva -- nem sei. Mas, na verdade, contra factos não há argumentos e tonta devo ser eu por estar tão fora destes tempos em que as redes sociais quase parece que tendem a substituir-se ao mundo real. 

Para já, tenho 251 seguidores, e, tal como ficava estupefacta por tantas pessoas descobrirem o meu blog, agora também fico admirada quando pessoas que não faço ideia quem sejam se tornam minhas seguidoras. Sinto-me agradecida. Comecei a ter conta de instagram em Fevereiro e não faço ideia se 251 seguidores é um número que não envergonha ou se é tão pouco que até dá pena. Mas, seja como for, é o meu ritmo. Não quero nem sei nem me apetece andar à pesca de seguidores. 

Também acontece que, acho eu, tudo o que ponho no Instagram vai também para o Facebook. Mas eu nunca vou ao Facebook, esqueço-me, parece que não me entendo com aquilo, parece-me antiquado, não sei. Mas, volta e meia, reparo que tenho mails a dizer que tenho notificações. Vou ver e são pessoas a quererem ser minhas amigas no Facebook. Mas, como aquilo é público, acho que não tenho que fazer nada. Se querem ser minhas amigas ou seguidoras, pois muito bem, que sejam. O pior é se eu tenho que as puxar ou dar algum ok e estou a deixá-las penduradas. Tenho que me informar. Não quero parecer desagradável ou que pensem que estou armada em coquette.

E é isto.

___________________________

Dias felizes

segunda-feira, março 10, 2025

Quando Paulo Portas fala em nome dos portugueses baseia-se em quê? Fez uma sondagem só para ele?
A que propósito enche a boca para dizer: 'Os portugueses não percebem' ou 'Os portugueses não querem'?
Ele, que nunca conseguiu nada enquanto líder partidário, sabe lá interpretar o sentir ou o pensar dos portugueses...

 

E depois, tendo engolido a cartilha da equipa de comunicação de Montenegro, o forever irrevogável Portas põe nas mãos do PS a decisão de não haver crise. E a entrevistadora, a simpática Andreia Vale, esquecendo-se de ser jornalista, não foi capaz de lhe dizer que está equivocado pois quem tem nas mãos essa decisão é o Montenegro que foi quem entregou uma Moção de Confiança, fadada à rejeição. Ele que a retire.

Só palhaçadas. 

Sinto falta de políticos sérios, cultos, eticamente irrepreensíveis, corajosos, com visão. 

Tirando alguns, poucos, que se encontram mais ou menos retirados, certamente fartos da cambada que por aí anda a trocar tintas, a vender banha da cobra e a poluir o espaço mediático, só se veem alguns decentes que parece que não conseguem falar suficientemente alto para se fazerem ouvir sobre o permanente ruído da marabunta.

Caraças.

Vou fazer zapping (vou em busca do 'Isto é gozar com quem trabalha'). Eu ainda consigo fazer algum esforço para ouvir o Portas e demais aves papagaias que por aí andam a papagaiar, mas o meu marido fica furioso, não está para ser aturar quem atenta contra a inteligência alheia.

__________________________________

E transcrevo um comentário, pertinente, e que já aqui tinha sido deixado há dias:

Volto a uma pergunta anterior: porque razão o site da Assembleia da República deixou de publicar os registos de interesses?

É ir ao site, escolher o nome de um deputado. Vê-se quantas legislaturas fez, as comissões a que pertence, a biografia, e no cantinho direito está lá uma ligação para os registos de interesses. Se tiver feito várias legislaturas vemos em que sociedades tinha quotas ou lá o que eles entendem que deve ser publicado. Abre-se para esta legislatura e zero. Porquê?

Aqui fica a dica. Alguém sabe responder?

sexta-feira, novembro 29, 2024

Afinal, aquela tanga da redução de 90% dos alunos sem profs era confirmadamente isso mesmo: uma valente tanga. E é o próprio Ministro da Educação que o assume.
E o que é que isso nos diz sobre todos os que defenderam essa tanga como sendo verdadeira?
Tudo.

 

Era óbvio, mais do que óbvio, que os números apresentados pelo stand up comedy, Fernando Alexandre, eram falsos. Não havia maneira de serem reais. Só por magia. Mas a magia está reservada a outro tipo de matérias, não a assuntos objectivos, concretos, mensuráveis.

Claro que qualquer pessoa com dois dedos de testa perceberia que não era possível que tivesse sido operado tamanho milagre. O PS veio logo desmontar a farsa e, pela explicação, logo ficou claro que a barracada que estava ali armada era inequívoca.

Pois, por muito óbvio que fosse que tudo aquilo era não apenas uma aldrabice como também bacorada da grossa, logo a carneirada cor-de-laranja veio jurar a pés juntos que os números do Governo estavam certos. Em coro, baliram loas ao Governo e, com os seus hábitos trauliteiros, atiraram à bruta sobre quem os desmentia. 

Ainda me lembro quando aqui em casa o meu marido fez zapping a toda a força quando a Maria João Avillez, naquele seu insólito papel de arauto do Governo, veio dizer que tínhamos que acreditar nos 'números oficiais' do Governo. E disse aquilo como se fosse uma virgem inocente e não alguém com idade para ter o rabo mais do que pelado, como se não soubesse que os números não mentem... excepto se andarem às cambalhotas com eles e se quem os analisa for ignorante a ponto de não perceber que as estatísticas e os rácios foram martelados ou estão de pernas para o ar.

E no meio disto, aponto também o dedo ao Expresso. O Expresso já devia estar mais do que escaldado. O João Vieira Pereira não disse que o Governo não voltava a enganá-lo? Pois... é todos os dias... Se não me engano foi justamente o Expresso que anunciou o falso milagre em altas parangonas... A credibilidade do Expresso vai-se esfumando de cada vez que os seus jornalistas são apanhados de calças na mão, a fazerem fretes ao Governo AD.

No meio disto, menos mal que o ministro veio assumir que não atina com os números e já não faz ideia de nada. Ah pois é bebé... Mas, pelo menos, veio a público assumir. Mas o facto de ter acreditado naquele milagre e de ter vindo a público anunciá-lo faz-me duvidar muito da sua inteligência, da sua perspicácia, da sua agilidade mental. 

Volto a dizer: não deve ser ministro ou secretário de estado quem quer mas quem tem competência para o ser. E, neste Governo, ainda não sou capaz de dizer se há algum competente no que anda a fazer. Em, contrapartida, incompetentes são à mão cheia, uma concentração de incompetência como não há memória.

quinta-feira, novembro 21, 2024

Alô, alô Senhores Jornalistas! Quando designam uma pessoa de 66 anos por idosa, estão cientes que a idade oficial da reforma é depois dos 66? Uma pessoa em idade activa é idosa? E porque é que a notícia é dada como 'um idoso morre na sala de espera das Urgências' e não 'um homem morre...'? Faz diferença, em termos da gravidade da situação, a idade da pessoa?

 

Pode parecer picuinhice mas não é. Da forma como se escreve ou se fala, assim se prepara quem recebe a informação para digerir o que se vai dizer.

Se uma pessoa, no dia em que faz anos, come arroz com cogumelos, tem uma intoxicação, se dirige ao Centro de Saúde que o manda para o hospital, a aí acaba por ficar 12 horas até que é encontrada morte na sala de espera das Urgências, essa é a notícia.

Mas quando se diz que "um idoso morre", quase se prepara quem vai ter conhecimento da notícia para o facto de que era alguém que, mais dia menos dia, ia mesmo morrer pelo que o incidente não terá sido assim tão grave.

Bem sei que segundo a OMS, idoso é genericamente quem tem mais de 60 anos. Mas a própria OMS refere as diferenças de condições para avaliar a 'velhice' de uma pessoa -- "esse limite mínimo pode variar segundo as condições de cada país (...) qualquer que seja o limite mínimo adotado, é importante considerar que a idade cronológica não é um marcador preciso para as alterações que acompanham o envelhecimento, podendo haver grandes variações quanto a condições de saúde, nível de participação na sociedade e nível de independência entre as pessoas idosas, em diferentes contextos."

Num país em que há cada vez mais pessoas a viver até depois dos 80, muita gente, felizmente, já acima dos 90, e estando a idade da reforma prestes a passar de novo para os 66 anos e 7 meses, é estúpido referir-se a uma pessoa não como 'pessoa' mas como um 'idosa', lá porque tem 65 ou 66 anos.

Quando tanto se fala do idadismo e do preconceito contra as pessoas com mais idade, e quando se percebe que é das 'fatias de mercado' mais interessantes em termos de consumo, seria bom que os jornalistas abrissem um bocado a cabeça e deixassem de usar expressões esteotipadas que não ajudam à compreensão das notícias.

sexta-feira, outubro 11, 2024

Os da 'bolha' acham-se porta-vozes dos 'Portugueses' e dizem, à boca-cheia, que os 'Portugueses não querem eleições'.
Azarinho.
A mais recente sondagem diz que a maioria dos inquiridos acha que, se o OE não for aprovado, é preferível haver eleições...
Conclusão: os da 'bolha' ainda não perceberam que não pescam nada do que os Portugueses pensam...?

 

Marcelo dá dois passos e, se lhe puserem um microfone à frente da boca, diz 'os portugueses não perceberiam', 'os portugueses não querem' e todas as declinações possíveis do que 'os portugueses querem'. Depois vem o Marques Mendes e com aquele seu ar sonso e bonzinho, enche o peitaça de ar e diz 'os portugueses não iam compreender' e por aí continua, repetindo o mote que o chefe Marcel lançou. E depois vêm todos os outros e outras que, dentro da bolha, esbracejam, nadam, andam de boca aberta, em carneirinho, repetindo-se uns aos outros, e o mantra é sempre o mesmo: 'os portugueses não iam compreender', 'os portugueses não querem eleições'.

Na bolha respiram o ar uns dos outros, o ar viciado, e aparentemente também se alimentam do que uns e outros mastigam. Inteligência circular -- infelizmente, sem oxigénio a evitar a putrefacção.

E depois vem uma sondagem e constata-se o óbvio: se não houver OE a maior parte da malta acha que mais vale que haja eleições.

Não é que alguém com dois dedos de testa goste de andar sempre em eleições. Não gosta -- mas também não as teme. E a isto chama-se pragmatismo. Apenas pragmatismo. 

Se estes que por aí andam, na praça pública, a insultar-se uns aos outros (catavento, mentiroso, quis negociar comigo, não quis nada negociar com ele, mente, mente) assim continuarem, sem que ninguém se entenda, uma pouca-vergonha, e, nos intervalos, se o Luís Mentenegro mais o seu Sarmento Pança continuarem a distribuir dinheiro a rodos, despejando money para cima da malta toda, aumentando a despesa pública à cara-podre como há décadas não se via, e se virmos que não passa disto, então não será preferível que se tente encontrar um quadro político mais equilibrado?

Marcelo não deveria ter previsto este caldinho, este granel, antes de andar a dissolver Assembleias, antes andar a destruir maiorias absolutas, antes de obrigar a malta a andar a votar sem necessidade nenhuma? Claro, claro que devia. A Marcelo se deve este lindo panorama.

O que eu gostava é que os directores das televisões percebessem que a malta da bolha já fede e lhes desse uma corrida em osso. É que da boca deles já só sai jaca, ainda por cima jaca regurgitada.

__________________________________

E queiram descer e, já agora, se souberem, digam quem é o mentiroso encartado: o Ventura ou o Montenegro.

sábado, outubro 05, 2024

Então como é que é? O cowboy sempre vai casar com o cavalo?
-- A palavra ao meu marido --

 

Na quinta-feira assistimos a mais um episódio da novela do orçamento, cujo guião é da autoria do comentador Marcelo. Segundo os outros comentadores deste reality show, parece que a coisa se irá compor e que vamos ter um final feliz. Segundo terminologia de antanho, finalmente o cowboy irá casar com o cavalo. O bom da fita (o Montenegro claro, quem havia de ser para os comentadores do costume?) vence o mau (o Pedro Nuno, quem havia de ser para os nossos comentadores do costume?), que no final até acaba por ter um gesto de simpatia e atira uma corda ao bom da fita para ele poder continuar a fazer o que manifestamente não sabe, que é governar.

Sendo verdade que em termos de comunicação, o Luís deu cinco a zero ao Pedro, não partilho da opinião que houve, até agora, uma vitória folgada do Luís. É certo que o que se consegue transmitir é importante, e aí o Luís venceu, mas também não é menos certo que recuou numa das medidas bandeira do governo e deu um passo atrás -- provavelmente para tentar depois dar dois passos à frente (teoria que já foi muito do agrado do Durão Barrosos) -- no caso do IRC.

Quem definiu a estratégia de comunicação do PS e pensou que  a Alexandra Leitão era quem devia transmiti-la melhor fora que, nesse dia, tivesse ido à praia tomar um banho de água gelada para refrescar as ideias. Um pessoa que diz em vinte cinco palavras o que podia dizer em cinco não é, naturalmente, alguém que pode transmitir com eficácia uma ideia. 

E o Pedro Nuno também tem muito que aprender em termos de comunicação, assim, não vai lá. Enredar-se nas questões e fazer quase tantos comentários sobre a aprovação do orçamento como o Marcelo, também não foi boa ideia. Vi, por exemplo, o Francisco César  falar sobre o assunto e deu cinco  a zero ao Pedro Nuno e à Alexandra.

Na minha opinião a coisa devia ter sido feita de forma mais simples. O Montenegro que  apresentasse o orçamento e, até lá, o PS não falava no assunto concentrando-se nos problemas do País. Será que, por exemplo, ter havido dezenas de grávidas que tiveram os filhos nas ambulâncias não deveria merecer mais atenção do PS? Mas não. Deixou-se enredar na teia montada pelo PR, pela AD e pela comunicação social e tem muito mais dificuldade em descalçar a bota. Deveria ter aguardado pela apresentação do orçamento, pronunciar-se e apresentar alternativas.

O Montenegro só agora deve ter percebido que o IRS Jovem era um burrice que não acabava e que tinha que pôr de lado esta "bandeira" que lhe traria fenomenais enxaquecas. Mas quer os comentadores queiram quer não, e aos comentadores exige-se capacidade de análise, andar em campanha eleitoral e no governo  a endeusar uma medida que se deixa cair na primeira oportunidade não é seguramente uma vitória, é uma derrota porque revela que não se pensa no que se propõe nem se cumpre o que se promete. 

Já agora, à laia de aparte, cuidado Montenegro, que, ontem, o Abel "qualquer coisa", salvo erro diretor do Observador, comentador da CNN e grande contribuinte para as notícias que desacreditavam o governo do António Costa, já começou a dizer que afinal o Montenegro estava  a fazer o mesmo que o governo do PS. 

Já agora talvez o governo pudesse começar a governar para todos perceberem ao que vem. Governar é tomar medidas e não apenas passar cheques.

quarta-feira, setembro 11, 2024

Irineu Teixeira, Mário Carneiro, Rosa de Oliveira Pinto -- o que têm em comum?

 

Nunca tive muita paciência para pessoas histriónicas, muito menos para narcisistas. 

Aprecio a contenção, a civilidade, a capacidade de escuta. Aprecio a inteligência e a perspicácia quando usadas com um propósito que não o da auto-exibição.

Muitos dos jornalistas que pululam nos nossos canais pertencem sobretudo ao primeiro grupo: não prestam atenção aos entrevistados, estão ali com ar castigador, parece que querem ajustar contas com os convidados, parece que querem apanhá-los em falso, não os deixam falar, interrompem-nos a torto e a direito. Muitas vezes apresentam-se de má catadura ou, então, com ar irónico, quase mal educados. Cansam. Cansam-me muito.

E quem diz jornalistas, diz também entrevistados: há os que gostam de se armar em espertos, exibindo a cada passo da conversa que bebem do fino, que têm acesso a inside information, que são muito bons.

Depois há uma minoria de jornalistas ou convidados tranquilos, seguros, atentos, bem educados, frequentemente com ar distendido, sereno. Sorriem muitas vezes enquanto falam, inspiram confiança, sabem manter uma conversação calma, apetece ouvi-los. 

Qualquer dos três referidos em epígrafe é assim. 

Depois do pressing das redes sociais e da concorrência entre canais em que os gestores acham que o que 'dá canal' é ser agressivo, tentar 'entalar' os entrevistados, estimular os conflitos entre os comentadores, haverá de chegar ao ponto de equilíbrio em que se perceberá que o que retém os espectadores é proporcionar espaços em que se aprenda alguma coisa, em que se deixem as pessoas falar, em que haja respeito, boa educação, em que se consiga falar de qualquer tema com amabilidade e tempo.

Poderia incluir também o Vítor Gonçalves, que também sabe ouvir e ser cordato. Se calhar há outros mas, assim de repente, não estou bem a ver.

sexta-feira, junho 28, 2024

António Costa no Conselho Europeu. Salve.
Num patamar cá em baixo, muito em baixo, muitos jornalistas e comentadores-minions das televisões portuguesas.
Como antídoto contra a mediocridade de grande parte da comunicação social, a poesia de Manoel de Barros

 

Estou contente com a eleição de António Costa para a Presidência do Conselho Europeu. Penso que a sua inteligência, a sua capacidade de trabalho, a sua energia, a sua boa atitude, a sua determinação e a sua visão serão muito úteis na gestão das suas novas funções. Estou em crer que vai dinamizar e recentrar as atribuições e as responsabilidades do Conselho Europeu.

Mas com tanto comentário em todo o lado a toda a hora nas televisões, maioritariamente com observações entre o ressabiado, o invejoso e o cínico por parte de gentinha que dá ideia que é contratada apenas pela sua mediocridade, já não consigo dizer muito mais. Tem sido uma overdose. Uma pessoa foge e, para onde quer que fuja, lá estão as vizinhas na má-língua. Dá ideia que quem contrata comentadores quer lá ter gentinha maledicente, parva, gentinha que se dá ares de importante, de superior, e que parece que está ali apenas para menorizar quem tem dois dedos de testa.  Claro que aqui e ali lá aparece alguém decente. Mas é uma minoria e, lamento, não justificam o sacrifício da estucha que é ouvir os outros.

Além do mais, levei a segunda dose da vacina contra a pneumonia e estou com o braço muito inchado, encarnado, quente, ultra dorido. Estou com gelo mas, sinceramente, estou bastante incomodada. É que não é apenas no lugar da picada: vai até ao cotovelo. Um desconforto grande. Nem consigo mexer o braço. Caraças. Levei a vacina à hora de almoço de quarta-feira e à noite até estive febril. Quando me deitei, até batia o dente. Um disparate. Agora febre não tenho mas mal mexo o braço. Dói-me, está inchado, quente. A enfermeira avisou que isto podia acontecer mas como avisam sempre e, até agora (vacina contra a gripe,  contra a covid), nunca tal tinha acontecido, nem pensei nisso. Afinal vai lá, vai... Portanto, tenho andado assim e, portanto, não consigo inspiração e disposição para mais que isto.

Agora o que me sabe bem é ouvir palavras humildes, genuínas, bondosas. Poesia de Manoel de Barros.

-----------------------------------------------------------------

Maria Bethânia lê Manoel de Barros - Ruína


Carolina Muait | Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo | Manoel de Barros


____________________________

Boa sorte a António Costa

Dias felizes a todos

quinta-feira, fevereiro 29, 2024

Marcelo & Companhia - ou entra mosca ou sai asneira -
[De novo, a palavra ao meu marido]

 

O PR, que seguramente já estava em profundo sofrimento por não aparecer amiúde nas TVs, falou e brindou-nos com mais uma pérola. 

Relativamente a mais um caso de agressão com tinta perpetrado por um jovem, resolveu pronunciar-se e dizer asneiras como já tinha acontecido em protestos anteriores idênticos. Um PR com sentido de Estado e bom senso teria dito que, numa democracia, por mais justas que sejam as causas, não se podem defender as causas praticando crimes e que os culpados devem ser punidos de acordo com a lei. Mas não. O Prof. Marcelo disse que não valia a pena continuarem a atirar tinta porque já não causa impacto, porque já não é eficaz. E disse mesmo mais, que da primeira vez tinha causado impacto, da segunda também mas depois que a coisa se banalizou e já ninguém liga. Acho que este tipo de declarações do Prof. Marcelo são graves para a democracia e espero que pelo menos alguns comentadores lhe "batam" com força. No seguimento do que, há uns dias, disseram vários médicos num programa na RTP2 sobre o sono, o facto do Prof. Marcelo pouco dormir estará a afetar-lhe as capacidades cognitivas. Temo o pior nos próximos capítulos.

Outro assunto: vi ontem uma parte das intervenções do José Gomes Ferreira e do Gaspar Macedo (julgo que é este o nome do puto que participou num painel com a Joana Amaral Dias e o Pedro Costa na CNN). Ambos (o JGF e GM) revelaram bem o que é, neste momento, a direita em Portugal: cheia de  ódio, revanchista, desrespeitadora de quem tem opiniões diferentes e desejosa de vingança. Quem pensa votar na AD devia ter também em conta esta forma de a direita e seus arautos televisivos se comportarem. Felizmente, os poucos comentadores de esquerda que ainda são convidados pelas televisões têm um comportamento diferente  e cordato. 

Tanto o José Gomes Ferreira (que é tudo menos jornalista) e o puto interviram sempre de forma colérica, não dando hipótese aos outros intervenientes de falarem e vociferando quanto a tudo e contra todos desde que não fossem exatamente da mesma opinião que eles. O Ferreira até conseguiu dizer que  a maior subida de impostos em Portugal foi a subida do IVA feita pelo PS de 21 para 23%. É uma afirmação tão estúpida que deixou os outros intervenientes de boca aberta  e a "pivot", coitadinha, preferiu passar para um discurso da campanha eleitoral. Quanto ao puto que destila ódio a tudo que não seja direita pura e dura e que não dá "uma para a caixa", qual terá sido o critério seguido pela CNN para o contratar? Será o número de seguidores nas redes socias? Se for o número de seguidores mais vale contratarem "malta" do Big Brother para comentarem a campanha eleitoral  que, mesmo eles, são capazes de dizer coisas mais acertadas do que o Gasparzinho e não indisporem tanto os espetadores. Sugiro também que a SIC substitua o Ferreira por alguém do "Era uma vez na quinta" que terá certamente maior adesão à realidade e não dirá tantas pantominices.

Também o Pedro Bello Moraes, quando participa nos painéis, deveria, pelo menos, fingir que está ali como moderador isento, e não como fanático a favor da AD. É que, sistematicamente, toma as dores da coligação sempre que alguém critica, mesmo que ao de leve, o Montenegro ou afins. Cansa. Incomoda. 

quinta-feira, fevereiro 01, 2024

Ser do contra
- A palavra ao meu marido -

 

O pessoal que afirma ir votar no Chega aponta dois motivos principais: "é contra isto tudo" e "isto está cada vez pior". E o mais grave é que estes dois argumentos tanto são apontados por quem não tem um baixíssimo nível de educação como por quem frequenta graus elevados de ensino e/ou é licenciado. Eu sei que um grau universitário não é sinónimo de formação, numa perspetiva de educação e conhecimento, mas, pelo menos, deveria ser suficiente para permitir distinguir  a verdade da mentira  e o razoável do impossível.

Os dois motivos apontadas para votarem no Chega resultam do consumo constante e quase exclusivo da informação partilhada pelas redes sociais que transmitem até à exaustão notícias falsas "plantadas" por quem tem interesse em promover ideias populistas, demagógicas e xenófobas.  Mas resultam também da promoção permanente pelas  televisões do "isto está tudo mal e pior que nunca". E, de facto, é mentira. Se os órgãos de comunicação social se preocupassem em fazer análises corretas dos indicadores de Portugal, constatariam que, ao contrário do que propagam, o País está muito melhor do que há 10 ou 20 anos. Mas, parece que o objetivo dos jornalistas e dos comentadores, sabe-se lá porquê, é apoucar-nos como Povo e como País. 

Mesmo quando se fala em corrupção, os relatórios internacionais situam-nos mais ou menos no meio dos Países da Europa e não como "reis" da corrupção como se quer fazer crer. Países com regimes autocráticos como a Hungria são, no referido relatório, classificados como muito mais corruptos do que nós. Algum órgão de comunicação social relevou esta comparação? 

As ações e intervenções do Prof. Marcelo também contribuíram significativamente para o "isto está cada vez pior". Esteve sempre pronto para, explicita ou sub-repticiamente, dar argumentos que fortaleceram este sentimento de que o Governo faz sobretudo coisas mal feitas pelo que isto está "cada vez pior". E, no entanto, crescemos 2,3% em 2023 o que nos compara muito bem com o resto da Europa. Ontem, nos noticiários que vi, a relevância que deram a esta notícia foi zero, embora, este crescimento seja muito relevante.

Mais dois pontos que gostaria de referir e que posso enquadrar neste tema. 

  • Os "profs" que, sempre que há um governo do PS, protestam que nem uns danados (recordo-me que, no tempo da troika, quando tiveram os cortes nem abriram a boca) faltam mais de dois milhões de dias por ano. E os sindicatos, aparentemente sempre tão preocupados com  a qualidade do ensino, não comentam? Ninguém fez mais para acabar com a escola pública do que os sindicatos dos professores e o seu guru Mário Nogueira. O que fizeram também foi um contributo para o "isto está cada vez pior". 

  • Os arguidos da Madeira foram detidos há uma semana e ontem ainda não tinham sido ouvidos. É mau de mais! A Justiça é de fato uma área que funciona mal e em que é preciso fazer alterações. Mas não são o tipo de alterações que os populistas querem. Curiosamente (ou não) nem sequer ouvimos o Prof. Marcelo, sempre tão interveniente, a falar nisso.

domingo, janeiro 14, 2024

A comunicação social e as mentiras do Ventura

-- A palavra ao meu marido --

 

Já aqui escrevi várias vezes que acredito que o crescimento do Chega resulta em grande parte da comunicação social levar o Ventura ao colo e da forma como o MP e a comunicação social tratam os processos ou pseudoprocessos que envolvem políticos e outras figuras mediáticas ou com poder.  

O Ventura não tem uma única proposta para o País, não diz o que faria sobre os diversos setores se fosse eleito. Cavalga o que vai mal, anuncia medidas populistas inconcretizáveis, mente e não tem uma ideia, nem aproximada, sobre o orçamento de Estado e muito menos sobre os custos  e proveitos que o compõem. 

No entanto, o que é que a comunicação social divulga sobre os discursos do Ventura? 

Divulga os sound bites, muitas vezes mentiras, sem se dar ao trabalho, que seria o verdadeiro trabalho de jornalista, de informar que o Ventura está a mentir. 

Ainda hoje, no Congresso, o Ventura avançou mais uma vez com um número sobre os gastos com a igualdade de género que já foi bastamente demonstrado que é mentira. No entanto, é um dos excertos do discurso que passa em tudo o que é notícia. O único jornalista que ouvi referir que o Ventura diz, impunemente, as mentiras que lhe apetece foi o Anselmo Crespo na cobertura que  a CNN fez do Congresso do Chega. Que raio de jornalistas e jornalismo temos que divulgam mentiras, que sabem que são mentiras, e não o referem?

Outra moda agora dos comentadores e jornalistas/comentadores é transmitirem a ideia que o Chega vai crescer muito nas próximas eleições. É mais uma ajuda para o Ventura porque  a ideia de vencedor angaria os votos de quem gosta de estar com quem vence. Seria útil que, de uma forma séria e isenta, a comunicação social tratasse o Ventura como ele merece. Se não me engano, uma análise correta das sondagens revela não haver nenhum crescimento exponencial do Chega.

O Ventura  e o Prof. Marcelo são um filão para  a comunicação social que temos. No entanto, não teriam interesse por aí além para a comunicação social de que precisamos.

Antes de terminar, ainda uma palavra para o Pedro Nuno Santos. Hoje veio com um discurso meio sem jeito sobre o governo do PS.  Assim, infelizmente, não vai longe. As pessoas querem abordagens simples e pela positiva. E reincidiu na conversa da empatia. Tem muito que aprender com o António Costa. O Pedro Nuno não se deve esquecer que, ao contrário de todos os PM anteriores, o António Costa sairá do governo com uma imagem bastante positiva. O António Costa é, aqui concordo com a maioria dos comentadores, o maior ativo do PS.

quinta-feira, janeiro 11, 2024

Sobre hospitais públicos e privados. Episódios. Histórias. E sobre o DN, o JN, a TSF, e o The Guardian, o Madame le Figaro, o Correio da Manhã Jornal

 

Nem valerá a pena a gente pôr-se para aqui a dissertar sobre as pregas e os plissados da vida. Não há nada de novo a dizer. Desde o início dos tempos que se sabe que, por fora, de repente, vê-se uma coisa mas, ao pé, com tempo, se percebe que há a parte que é ocultada pelos efeitos, e isto já para não falar nos avessos.

Tenho experiência de frequentar hospitais públicos e privados. Já passei noites no exterior sem saber nada dos doentes que tinham sido devorados pela dinâmica hospitalar, já andei entre macas onde gente grita e tosse e escarra e vomita e chora e grita, eu própria já passei uma noite e uma manhã no meio de gente em camas encostadas umas às outras, gente que gritava que estava a urinar-se ou outras cujas fraldas eram mudadas à frente de todos, onde os doentes mentais gritavam e choravam a noite inteira desestabilizando ainda mais a desgraça que ali se vivia. 

Já tive os meus pais internados em hospitais públicos e em hospitais privados.

A grande e terrível diferença está nas urgências e nos serviços de observação. Nos hospitais públicos que conheço a falta de espaço, a falta de meios e a falta de organização são gritantes e a dignidade dos doentes e o respeito pelos acompanhantes são totalmente ignorados. 

Uma vez internados, as diferenças esbatem-se. A disparidade que subsiste terá mais a ver com a privacidade, especialmente quando, nos privados, se está num quarto individual. Mas não tenho razão de queixa nos internamentos (dos meus pais) em hospital público. Para os doentes, em particular quando estão mesmo doentes, na prática nem dão muito pelo local nem se importam com existirem ou não frescuras.

Estar num hospital privado, em quarto individual, é quase como estar num hotel com todos os serviços incluídos. Sobretudo há a preocupação do serviço ao utente e à família. Há sempre alguém que atende o telefone, alguém que está disponível quando queremos uma informação sobre o nosso familiar ou um médico que nos explica a situação e as perspectivas. E isso faz muita diferença pois ter um familiar internado e não conseguir encontrar ninguém que nos informe cabalmente é frustrante.

Mas, como tudo, é relativo. E, sobretudo, é para quem pode pagar (sobretudo, que tenha um seguro com um grande plafond ou tenha ADSE e poupanças). 

Contudo, uma coisa é comum: o sofrimento de quem está doente e a angústia dos familiares.

Vejo muitas vezes os familiares de um doente internado na mesma ala da minha mãe, que está num hospital privado. Tenho impressão que estão lá quase todos os dias e, não sei porquê, estão muito na sala de espera. Vejo sempre um homem que talvez seja um pouco mais novo que eu. E vejo um rapaz e uma rapariga que presumo que sejam irmãos. Os jovens conversam, riem-se, outras vezes falam com ar sisudo, parecem reflectir e recebem e fazem chamadas. Parecem esquecidos do homem que imagino que seja o pai. Acho que nunca os vi a dirigirem-se a ele, nem nunca vi o homem a falar com eles ou ao telefone. O mutismo daquele homem faz-me muita impressão. Já calhou partilhar o elevador com eles. Os jovens conversando, o homem em silêncio, um ar muito triste. De vez em quando vejo-os a irem ao quarto mas pouco depois saem. Imagino que seja a mulher do homem e mãe dos jovens que esteja internada. Como nada sei, só posso presumir e, dada a ala que é e dado o pouco tempo que estão no quarto, presumo que a pessoa esteja maioritariamente a dormir o que nem sempre é muito bom sinal.

No outro dia falei de um homem que saiu e voltou pouco depois com um jovem que pensei ser o filho. São outros, não estes de que agora falo.

Mas a angústia dos que temem perder o seu ente amado é a mesma. Nada sei da história de cada uma daquelas pessoas que ali está internada. 

Cada um terá a sua história.

No outro dia, por alturas do Natal, num fim de semana, no átrio cá em baixo, o átrio vazio, três tias podres de betas falavam muito alto (como as ultra betas sempre fazem). Uma dizia que não ia subir e as outras duas: 'Olha agora...', 'Olha-me esta...!', 'Deixe-se disso, venha lá...'. E a beta zangona: 'Não vou! Depois do que ele disse, que não queria ver-me, acha que ia aparecer...? Nem pensar, né...?', e as outras: 'Esqueça lá isso, não ligue, venha lá...'. Nisto chegou um super beto, alto, porte real, pinta de beto de Restelo, Estoril ou Cascais, ultra-pintarudo: 'Atão? Temos reunião aqui em baixo?'. E as outras: 'Imagine que esta agora não quer subir...'. E ele: 'Ah essa tem graça, conte-me lá...'. E a beta azeda: 'Disse que não me quer ver. Acha que eu ia?' e as outras: 'E ela a dar... Ouça: esqueça. Venha lá.'. Face ao impasse, o betalindão sacou de um cigarro, fez um sorriso complacente de macho alfa e disse: 'Vocês entendam-se que eu vou até lá fora fumar um cigarro'. 

Entretanto, despachei-me da obtenção da credencial de acesso e subi enquanto o grupinho continuava naquela. Apesar de preocupada, achei um piadão.

São episódios que, mais betice ou mais pobreza, mais tristeza ou mais euforia (porque nem sempre os hospitais são locais de sofrimento, também são locais em que se nasce e em que as famílias vão em festa) pontuam sempre estes locais, fait divers com que podemos sempre distrair-nos das nossas preocupações. Os tais refegos que nem sempre se veem, que nem sempre têm relevância, mas que, de uma maneira ou de outra, fazem parte da vida daqueles locais.

Lembrei-me agora de falar disto pois, com este problema dos jornalistas com salários em atraso, tenho pensado na minha própria experiência como leitora e nas diferentes motivações que me animam quando procuro a imprensa.

Os tempos são outros, não podemos recuar aos tempos da fundação dos brilhantes títulos (DN, JN, etc) nem podemos, sequer, recuar aos tempos a seguir ao 25 de Abril. 

Falo por mim. Já não leio jornais em papel. 

E o jornal que mais leio é o The Guardian. De longe, é o jornal que, para mim, melhor cobre a informação sobre uma variedade alargada de temas que me interessam. E tem boas fotografias, vídeos interessantes. De longe, o que mais me agrada.

Depois, se me apetece a leveza, alguma fofoca, alguns temas sobre moda ou decoração ou culinária, vou para o Madame le Figaro. Há superficialidade, claro, mas há também elegância e diversidade. E também preciso disso na minha vida.

Há outros nos internacionais mas aqueles dois são os primeiros do dia e os que, mesmo quando não tenho tempo ou cabeça para nada, não passo sem espreitar.

Depois, nos portugueses, percorro, geralmente en passant (até porque, ao não ser assinante, metade não consigo abrir), o Expresso, o Público, o DN. Mas basta ver um que os outros geralmente não diferem muito. Um que agora gosto de espreitar é o CM. Desgraças e parvoíces. Mas acho uma certa graça pois há ali muito do submundo que tem muito da vida real, a vida que se vê nos hospitais públicos, nos locais onde a vida se pode ver despida de selfies e instagrams. Como também não consigo abrir os conteúdos pagos, não consigo ir ao detalhe. Mas fico estupefacta com os que se matam, se esfaqueiam, os que desaparecem, gente que vive anonimamente até que um dia vai parar a uma morgue, um homem de 180 kg que teve que ser retirado pela janela, por bombeiros, uma igreja à venda numa cidade. Coisas assim. Não leio artigos de opinião nem notícias que envolvam política ou coisa do género. Ainda assim, pasmo comigo mesmo. Mas sinto que tenho que conhecer melhor este mundo que é bem paralelo em relação àquele que frequento.

Fazendo agulha para o tema do momento, a crise mediática de momento. Lamentando muito o que está a passar-se com os trabalhadores do Global Media Group, tenho que dizer que, nos tempos que correm, ou há qualidade, diversidade, diferenciação ou não vale a pena. Não reconheço isso no DN e o JN nunca frequentei. A TSF foi durante muito tempo uma rádio de referência. Com a saída de Fernando Alves desapareceu a minha principal ligação à TSF.

Agora um aspecto quero referir: o que está mal, muito mal nisto é que empresas e marcas importantes sejam vendidas, quase às cegas, a fundos que ninguém conhece e que nada têm a ver com as empresas que compram, que estão ali apenas para ganhar dinheiro, seja por vender edifícios seja por dispensar pessoas, reduzindo custos, seja pelo que for e não para desenvolver o negócio. Depois de tantos exemplos nefastos de fundos opacos com capitais em offshores, como se explica que ainda se continuem a fazer negócios destes sem que nenhuma entidade valide previamente a lisura, a transparência, a legitimidade, o cumprimento fiscal, etc?

Penso que nada há a fazer, a nível público, para salvar estas empresas pois, a salvar estas, ter-se-ia que salvar todas as outras de qualquer outro sector, e não vejo que nem o DN, nem o JN, ou a TSF ou as outras do grupo sejam estratégicas para o país. Penso que o que há a fazer é apenas, e não é pouco, obrigar os accionistas e os gestores a cumprir a lei,  caindo a pés juntos sobre os prevaricadores.

Mas, caraças, que sirva de exemplo para:

 1- Negócios futuros, seja em que âmbito for. Tudo deve ser escrutinado antes de qualquer operação se concretizar,

 2 - Para o jornalismo que compreende que tem que se reinventar e apostar na qualidade e na diferenciação, senão inevitavelmente soçobrará.

______________________________________________

Desejo-vos um bom dia

Saúde. Alegria. Paz.

sábado, dezembro 30, 2023

Os altos voos e as estrondosas quedas dos Unicórnios....

 

Acontece-me, com alguma frequência, pensar que devo ser mentecapta por não ver o que que todos os outros parecem ver. Acontece que, quando isso acontece, sou uma verdadeira mula: obstinada. Dizem-me que o caminho é por ali, ouço louvar a maravilha do caminho e, não o vendo, não apenas me questiono sobre a minha falta de perspicácia como me recuso a encarneirar, a fazer coro. Nem consigo disfarçar. Nem consigo estar por perto.

Se não padecesse eu um pouco do síndrome do impostor em que, de vez em quando, penso que se expuser abertamente todas as minhas convicções ou pensamentos corro o risco de passar por convencida e parva, e diria que já era tempo de dizer abertamente que quando uma coisa não me convence é porque não tem pernas para andar, tarde ou cedo, a maravilha vai ao fundo.

Já me aconteceu isso com diversos unicórnios ou tendências ou negócios altamente auspiciosos, louvados, incensados, levados ao colo pela comunicação social, pelos investidores, pelos deslumbrados. 

Em tempos, lá onde eu trabalhava, convidavam um ícone da inovação e do empreendedorismo, na altura quase uma pop star. Não digo a quem me refiro pois não vale a pena bater num ceguinho que já passou à história. Mas, na altura, em reuniões mais restritas ou em encontros de quadros, lá estava a estrela convidada a dissertar sobre o sucesso dos seus métodos, dos seus negócios, de como motivava as equipas, de como todos eram o máximo. Ar blasé, ele sorria de mansinho ouvindo os elogios vindos de todo o lado. E eu agoniada, achando tudo um bluff, desde a ideia, o negócio, até ele próprio. Baldei-me a uma ou duas, sendo considerada deselegante, quiçá de vistas curtas, conservadora. Mas não aguentava. Era demais para mim.

Inclusivamente, assisti a forjaram-se joint ventures, entrar como investidores, apostar no boost, injectar dinheiro para a coisa alcançar a lua. E eu achava que devia estar tudo parvo, que eu não meteria um euro meu naquilo, que aquilo nem do sítio onde tinha nascido conseguiria sair.

E não saiu. Anos depois fui tudo ao fundo, falido, um bluff, um balão cheio de nada, uma treta. Não se aproveitou nada de nada.

O meu colega e amigo que gostava de me aconselhar e que se cansava a apelar à minha contenção e moderação, viria a dizer uma vez mais: concordo, tinha razão. Mas ter razão antes de tempo é o mesmo que não ter razão. 

O que aquilo me cansava.

No meio de néscios sempre prontos a deslumbrarem-se com quimeras e 'modernidades' (e ponham aspas nas modernidades), os chico espertos vingam que só visto. 

Agora é a Farfetch. 

Antes era o máximo. A bolha crescendo, o homem como um astro. Grandes artigos sobre ele. 

[São os mesmos jornalistas burros que não conseguem ver um palmo à frente do nariz e que se entretêm a maldizer todos os que querem genuinamente trabalhar enquanto endeusam os fazedores de unicórnios e os vendedores de banha da cobra.]

Muitos colaboradores meus falavam-me dos amigos que trabalhavam na Farfetch. Grandes edifícios cheios deles, jovens entusiasmados com o desafio da grande empresa internacional cotada em Nova Iorque. E eu abria o site e só via treta a preços absurdos e interrogava-me com a lógica e o interesse daquilo. Nunca vi um único artigo que me desse vontade de comprar. Nada. Zero. Tudo aquilo me parecia desprovido de sustentabilidade. Mesmo que visasse um público de mau gosto, que nade em dinheiro e que se pele por marcas pensava que o unicórnio tinha perna curta. 

Claro. Já foi. Os investidores ficaram a chuchar no dedo, agora a marca é coreana, vai ser injectado dinheiro a uma taxa de juro de 12,5% (imagine-se!) e vamos ver o que será feito daqueles jovens que andavam tão entusiasmados. Estão revoltados, claro. Arranjarão outro trabalho, claro. Mas, pelos vistos, também tinham embarcado, não tinham percebido que o fulano, com ar de actor de novelas da Globo, deveria ter tentado a carreira artística.

Rodrigo Lombardi, gémeo separado à nascença, é Moretti em Travessia

Mas o que fico sempre a pensar nestas situações é isto: como podemos confiar na presciência dos jornalistas económicos quando falam da economia real se já os apanhámos tantas vezes em falso? Ainda por cima nunca se retratam. Poderiam vir depois pedir desculpa, reconhecer que se tinham enganado, poderiam vir prometer que doravante seriam mais escrupulosos, mais exigentes, mais rigorosos.

Mas não.

Assim andamos. Parece que gostamos de ser iludidos, parece que mais depressa endeusamos os bluffs do que reconhecemos o mérito a quem realmente o tem. O mundo parece que é uma gaiola de malucos. Essa é que é essa.

quarta-feira, dezembro 27, 2023

A desonestidade intelectual já chateia
-- A palavra ao meu marido --

 

O António Costa fez a comunicação habitual de Natal e, como também é habitual, todos lhe caíram em cima. 

Como agora é moda, tudo quanto é  politico da oposição (não sei se alguma das chamadas Fontes de Belém também já comentou) vem dizer que o PM se esquece das dificuldades das pessoas, que vivemos pior que mal, que os portugueses não têm dinheiro nos bolsos e mais uma enorme quantidade de desonestidades intelectuais que, essas sim, têm uma fraca adesão à realidade. 

Vamos a factos. 

Se por acaso os políticos tivessem o cuidado de ler as estatísticas, tanto nacionais como estrangeiras, e fossem intelectualmente honestos verificarão que houve uma evolução muito positiva durante os anos de governação do António Costa que se reflete na evolução dos salários, no crescimento da economia, no aumento significativo da percentagem de exportações que contribuem para o PIB, na gratuitidade do pré-escolar, na baixa taxa de desemprego e tudo isto com as contas certas. Claro que isto causa um enorme embaraço à direita e  uma não menor dor de cotovelo ao Cavaco e aos seus "descendentes". A inflação parece estar controlada. E isto aconteceu com uma pandemia e duas guerras pelo meio. Se por acaso os comentadores tivessem o cuidado de se documentarem e analisarem correctamente a informação existente  ou se fossem isentos teriam um discurso diferente e consentâneo com a realidade do País. Mas geralmente são tão pouco conhecedores e tão pouco letrados nas matérias que comentam que a percentagem de disparates que dizem é enorme.

Esta ideia de penúria do País expressa nas televisões e nas rádios e escrita nos jornais quando confrontada com os factos que presenciamos no dia  a dia também não tem pernas para andar. 

Vejamos:  

    • Este ano os portugueses gastaram mais 10% no Natal do que o ano passado. Estamos em situação de penúria? 
    • Sempre que ouvimos anunciar um concerto referem na mesma notícia que o mesmo esgotou de imediato  e que o artista teve que anunciar novas datas. Estamos em situação de penúria?
    • Este ano fui várias vezes às compras  a vários Centros Comercias e estavam todos a abarrotar. Estamos em situação de penúria? 
    • Os restaurantes estão cheios, os hotéis estão cheios, as viagens vendem-se muito bem, como nunca, o número de automóveis vendido disparou,... Estamos em situação de penúria? 

Um pouco de honestidade intelectual não ficava mal aos políticos da oposição e aos comentadores. E os jornalistas melhor cumpririam o seu papel se soubessem, com lisura, competência e isenção, exercer algum contraditório.

Informem-se, leiam, estudem e transmitam a realidade e não as efabulações que congeminam. Para começar, posso sugerir, meramente a título de exemplo, a leitura de Assim vai a economia (4): Desmentindo o "ciclo do empobrecimento"

quinta-feira, novembro 16, 2023

Quem é que anda a fazer de tudo para que voltemos aos tempos (AC) em que se dizia haver, por aqui, um povo que nem se governava nem se deixava governar?

 

Na sequência da última inventona, no outro dia, no balneário da piscina, uma senhora que, quase de certeza, não paga um cêntimo de IRS e que, do que percebo, também nunca deve ter descontado um cêntimo para a Segurança Social, queixava-se dos governantes, que são todos uns corruptos, uns ladrões, que só lá estão para encher os bolsos enquanto ela e 'nós' (leia-se, as presentes no balneário) não temos direito a nada.

Na sequência desta conversa, e em total incoerência, relatou que há uns três ou quatro anos teve um enfarte e que esteve num hospital público e que foi muito bem tratada e acompanhada, que não tem nada a apontar.

Chamei-lhe a atenção: mas era um hospital público e foi bem tratada... (isto sem nunca ter contribuído com um cêntimo). Portanto, de que se queixa? Disse-me, taxativamente, que se fosse hoje deixavam-na morrer à porta. Respondi-lhe que não, que o nosso SNS até funciona bem, como ela constatou, e que não há notícia da população andar toda a morrer à porta dos hospitais. Falou-me das notícias. Um caso de alguém que teve essa pouca sorte entre centenas de casos (senão milhares) por dia é uma infelicidade mas é uma insignificância estatística.

Dir-me-ão que, se a senhora não pagou impostos, é porque tinha baixos rendimentos ou, mesmo, zero rendimentos. 

E eu responderei que talvez não. Neste caso em concreto, do que nos conta, passeia pela Europa, faz cruzeiros, etc. Não vou entrar em pormenores mas posso dizer que, do que percebo, terá sido mais um daqueles infinitos casos de 'pequena' economia paralela. Agora percebo que o marido já não trabalha mas, do que vou ouvindo, intuo que devem ter vivido à margem das suas reais obrigações.

Uma outra dizia que tinha tido um cancro, que se tinha tratado no IPO e que tinham sido impecáveis, amorosos, atenciosos. Não tinha pago um cêntimo. E, no entanto, fazia coro com a outra, quanto à 'ladroagem que por aí anda nos governos e no parlamento' fazendo com que 'nós' tenhamos que pagar tudo, e tudo cada vez mais caro, e 'eles' nada, só a ficarem ricos. Quando a interpelei: mas os tratamentos no seu caso, com cirurgias, tratamentos, etc, devem ser bem caros e não pagou nada. Ficou a olhar para mim muito admirada como se tudo aquilo tivesse caído do céu, ou seja, como se nunca lhe tivesse ocorrido que usufruiu de dinheiro que outros descontaram e que os ditos governantes (e respectiva máquina administrativa) administraram.

Num outro dia, era uma outra que dizia que não ia levar vacinas, que estava farta de levar vacinas (gripe e covid) e que o que corria nos grupos de facebook de que fazia parte era que isto das vacinas é só para uns quantos se andarem a encher de dinheiro à nossa custa e que já estava farta de dar para aquele peditório. Perguntei-lhe se alguma vez tinha pago alguma coisa e ficou também admirada com a minha pergunta. Que não... E eu disse-lhe que levar vacinas era uma questão de saúde pública e, ao mesmo tempo, de defesa individual e que era um serviço gratuito para todos os utentes, que saía do orçamento do SNS. Vi que estava espantada e quase aposto que concluiu que eu devia estar 'feita' com os que só querem roubar. Isto quando usufrui gratuitamente dos serviços.

Num desses dias, cansada de ouvir tanta alarvidade, falei-lhes nas estradas, nas esquadras, nas escolas, nos hospitais e centros de saúde, por exemplo, em que se usufrui de vias de comunicação,  de saúde e de ensino gratuitos e que temos muita sorte em que assim seja e ainda mais porque mesmo as pessoas que não pagam impostos ou que não descontam para a segurança social, ou descontam muito pouco, tenham todos os seus direitos assegurados.

Ora, o que constato é que muitas pessoas, sendo usufrutuárias líquidas de benefícios não negligenciáveis, em vez de estarem agradecidas, mostram-se revoltadas como se alguém estivesse a roubá-las.

E isto, creio eu, deve-se a esta campanha orquestrada (deliberada ou não) entre o Ministério Público, os populistas como o Chega, as franjas mais ignorantes, embrutecidas e fundamentalistas do BE e do PCP,  alguns trogloditas do PSD e a comunicação social que, de manhã à noite, convocam para o palco da maledicência toda a espécie de jornalistas/comentadores que parece que, para assegurarem a sua avença, apostam no bota-abaixo, no discurso da desgraça e da fatalidade. Isto, exponenciado, pelas redes sociais. Vejo pelos grupos de whatsapp de que agora faço parte como cai lá todo o lixo possível e imaginário. Notícias falsas, truncadas, memes ridicularizando e caluniando políticos e governantes -- em permanência.

Há pouco, uma jornalista falava do 'caso' Data Center de Sines. Tudo o que ela dizia eram banalidades sem um pingo de suspeição. Tudo o que ouvi tinha a ver com aquelas pessoas quererem resolver encalhamentos, entraves, descoordenações, tretas irrelevantes. Contudo, ela lia a notícia com um tal ênfase e com um gesticular de mãos que, quem não conseguisse descodificar o que ela dizia, julgaria que ela estava a destapar uma caldeira de corrupção ou a desvendar uma perigosa teia. 

Sobre a deriva paranoica, persecutória e justicialista do Ministério Público quer o meu marido quer eu já aqui falámos bastamente (post anteriores). Cinjo-me agora à divulgação noticiosa da 'inventona'. Ora, desde quem escreveu a notícia que ouvi, a quem a aprovou e a quem a leu apenas revela que não fazem ideia do que é gerir investimentos. É que é isto mesmo que se espera de quem tem prazos e orçamentos a cumprir: que, dentro do respeito pela lei e pelos bons costumes, não descanse, que escave debaixo dos pés, que levante pedras, que salte muros, que vá atrás de tudo o que permita que se chegue com o projecto a bom porto. 

Tudo o que ouvi neste 'caso' foi gente que lutou pela prossecução de objectivos e não de vantagem pessoal. Ninguém ali, que se tenha ouvido, recebeu um tostão.

Fala-se em almoços ou jantares como se fosse obtenção de vantagem ou lá que treta é que é. Disparate. Toda a minha vida presenciei os meus colegas a tratarem do que calhava durante refeições. Quando se tem uma agenda cheia, por vezes encaixam-se novas reuniões no espaço livre para o almoço ou jantar. Por acaso, eu sempre fugi disso a sete pés mas não foi por achar que alguém me iria corromper ou que eu poderia ser acusada de querer corromper alguém, foi apenas porque não tenho pachorra para tratar de assuntos de trabalho durante o que considero ser um direito meu a um período de descanso. Mas, note-se, eu era vista como uma excêntrica por precisar de intervalar e precisar de descansar a cabeça enquanto como.

Mas pela cabeça de que tarado ou fora-de-lei é que passa que alguém, tendo que tratar de projectos de milhões, se deixa influenciar ao tratar de assuntos de trabalho durante um almoço de vinte ou cem ou duzentos euros? 

Que procuradores, que inspectores, que agentes e que jornalistas temos que não saibam discernir tais evidências e que, para cúmulo dos cúmulos, achem por bem destruir, na praça pública, reputações... por nada?

É absurdo, ridículo.

A que ignorantes e a que gente mal intencionada estamos nós entregues?

O que me chateia é que é isto que está por aí instalado. E não venham dizer-me que estou a exagerar ou que, sendo todos gente tão bronca, são inócuos. Não são. Foi este ambiente e estes agentes -- que medram no clima malsão que criam -- que conseguiram interromper uma legislatura, deitar abaixo um governo de maioria absoluta, insinuar infâmias, atirar lama para cima de pessoas que estavam apenas a zelar pelo bom andamento dos projectos (o que, diga-se, só beneficia o País).

Não falei até este ponto no nosso Presidente. Mas muita da responsabilidade disto tem o cunho de Marcelo. Ao comentar tudo a toda a hora, ao 'mandar bocas', ao estar sempre a insinuar remoques ao Governo, ao ameaçar durante meses com a dissolução da Assembleia, banalizando esse gesto, ao colocar-se frequentemente ao lado dos baderneiros, ao não fazer a pedagogia da análise séria, ao não se demarcar das análises cegas e populistas dos assuntos, alimentou este ambiente.

Tenho pena. 

Aquilo de Portugal ser uma terra em que a gente não se governa nem se deixa governar parece que está outra vez na ordem do dia. E está-o pela mão dos acima referidos.

terça-feira, novembro 14, 2023

PR + MP + Comunicação Social: a troika que está a dar cabo do País --
uma vez mais, a palavra ao meu marido

 

Foram hoje conhecidas as medidas de coação estabelecidas no processo "Influencer". 

A única acusação que se manteve foi a de tráfico de influências e os arguidos saíram em liberdade (felizmente que não foi o Carlos Alexandre pois era capaz de, mesmo com pseudo provas tão pífias, decretar prisão preventiva). 

Assim, parece não ter qualquer sentido manter o inquérito sobre o PM e fica demostrada a loucura dos comentadores e dos jornalistas que baseados numa mão cheia de nada conseguiram provocar alarme social internamente e denegrir no exterior a imagem de Portugal, contribuindo para desmotivar potenciais investidores estrangeiros.

Quanto a grande parte dos jornalistas e comentadores já sabemos há muito tempo o que a casa gasta. Não valem nada! São acríticos, não têm noção do mundo real, não contextualizam os problemas, são correias de transmissão dos interesses a que estão ligados. São completamente dispensáveis! Julgo que ninguém terá dificuldade em considerar, por exemplo, o José Gomes Ferreira completamente dispensável. Um tipo que só diz barbaridades e até lê tweets falsos em direto não faz falta, é um ativo tóxico, e deve ser dispensado. Obviamente, existem alguns jornalistas e comentadores de grande qualidade que me merecem o melhor apreço  e cujas posições respeito (Pedro Sousa Carvalho ou Anabela Neves, por exemplo, são dois dos que considero bons jornalistas, tal como Luís Paixão Martins é um comentador que ouço sempre com bastante interesse).

Existem outros dois intervenientes neste processo que têm ainda mais responsabilidades que os jornalistas: são o MP e o PR.  

O MP indicia cinco cidadãos de crimes de corrupção, prevaricação e tráfico de influências. Prendem as pessoas durante quase uma semana antes de serem ouvidas. Trocam nomes (propositadamente?) nas escutas e num caso desta gravidade apontam erradamente para o PM, referem Portarias que não têm a ver com o processo em curso, invadem a casa das pessoas pela manhã e devassam a privacidade de cada um e ainda por cima aparecem nos jornais as situações que mais podem denegrir os visados. Depois de tudo isto, os crimes de corrupção e prevaricação caem. 

Que mal terá feito, por exemplo, o autarca de Sines para merecer tudo isto? É demais! É uma falta de respeito para com os portugueses! 

Alguém tem que acabar com este estado de coisas. 

Hoje também veio a público uma notícia em que, numa investigação  a vários autarcas, o MP não fez as inquirições devidas e o processo voltou à estaca a zero. Depois de tudo isto não há sanções para estes senhores?

Em minha opinião, o principal culpado da situação atual é o PR. 

Na aparente ânsia de correr com António Costa e com o PS, não teve o devido discernimento para avaliar a situação. Não ponderou  a melhor solução face ao empate verificado no Conselho de Estado, não esperou o tempo suficiente para ter mais dados sobre a situação e decidiu sem o devido suporte. E que não venham os amigos do PR dizer que ele se preocupa muito com os Portugueses e com Portugal. 

Objetivamente, e tendo em conta a atuação do PR, o que ele fez, mais uma vez, foi desencadear uma situação que em nada contribui para o bem estar dos portugueses e para o desenvolvimento de Portugal. Dissolver a AR na qual existia uma maioria sólida eleita há menos de dois anos com base num 'golpe de estado de três procuradores' (a expressão não é minha) e mergulhar o País num novo período eleitoral é tudo o que não devia acontecer. E aconteceu pela mão do PR.

Respondendo a PGR perante o PR, o mínimo dos mínimos é que o PR, após o que aconteceu,  tivesse a atitude de demitir a PGR. 

Com tudo o que tem feito, se, ainda por cima, permitir a continuação em funções da actual Srª PGR, o Sr. Presidente, que já vai ficar tão mal no julgamento da história, ficará ainda pior.

Como notas finais:

1 - Será que, no que se refere ao "Influencer", em vez da montanha parir um rato, como se antevia, afinal ainda é menos que isso, menos ainda que a formiga de que se fala: a montanha não vai parir coisa alguma?

 2 - Será que o PR teve uma premonição e, quando foi visitar o Beco do Chão Salgado, estava  a pensar no MP atual?

3 - Segundo Luís Paixão Martins, Costa sugeriu ao PR quatro nomes para eventual PM, tendo Marcelo recusado dois, sendo que um dos dois admitidos como viáveis era o de Centeno. Aliás, LPM chamou a atenção para que, quando Costa, no sábado, disse que tinha a aquiescência do PR para sondar Centeno (nota: sondar e não 'convidar' como, talvez por lapsus linguae Centeno tenha referido), Marcelo não desmentiu. O diabo está nos pormenores. 

segunda-feira, novembro 13, 2023

Ainda a comunicação de António Costa ao País e a reacção dos jornalistas-comentadores. E uma pergunta a propósito do passado de Paulo Portas. --
Uma vez mais, a palavra ao meu marido

 

Muito obrigado pelos V. comentários. São sempre pertinentes.

Após da comunicação de ontem de António Costa, a malta do costume, para não variar, encarniçou-se contra o PM. Esta coisa de alguém expor as suas razões e explicar minimamente o que é governar, contrariando o discurso televisivo que entende que governar é estar quieto e não fazer nada,  deixa-os loucos.  

O MP dá cabo da vida do pessoal -- qual é o problema? 

Os jornais utilizando informação em segredo de justiça, criteriosamente selecionada, enxovalham o pessoal que é politico ou tem notoriedade -- qual é o problema? 

Na opinião deles é comer e calar. Vir a público contrariar a verdade jornalística é um sacrilégio. A realidade tem que corresponder àquilo que os jornais escrevem e as televisões dizem. Quem contraria este estado de coisas tem que ser frito em lume mais ou menos brando. 

Para além do discurso dos jornalistas-comentadores encartados promovendo interesses, a impreparação de muitos jornalistas é notória. Estou convencido que quando, por exemplo,  se refere que o processo politico não pode ser criminalizado, a maioria dos jovens jornalistas não fazem ideia do que isto significa. 

No entanto, nas intervenções que fazem, não se coíbem, trocando alhos por bugalhos, de fazer afirmações definitivas sobre coisas que desconhecem. Bom seria dar também uma enorme varridela na comunicação e passarmos a dispor de órgãos de comunicação idóneos e imparciais. A liberdade de informação é um pilar indispensável da democracia mas tem que ser um pilar saudável, bem estruturado, consistente. Um pilar feito de areia colada com cuspo é pior que nada.

Para terminar: vi hoje o Paulo Portas na TVI e achei uma certa piada. Este senhor andou nas bocas do mundo por causa do caso dos submarinos e de outros casos também muito pouco edificantes mas nunca foi incomodado pelo MP nem pelos jornalistas. Porque será?

domingo, novembro 12, 2023

A comunicação de António Costa ao País, o Ministério Público, o Presidente Marcelo e os jornalistas-comentadores -
de novo, a palavra ao meu marido

 

Agradeço os comentários enviados. São muito interessantes. Obrigado.

Já aqui escrevi que, na minha opinião, neste momento, os três maiores problemas do País são: o PR, a Justiça e a maioria dos jornalistas-comentadores dos órgãos de comunicação social.

O inquérito do MP que originou a demissão do  PM e que, pelas notícias conhecidas, só pode resultar de incompetência, desconhecimento do mundo real ou interesses escondidos, também resulta da atuação do Prof. Marcelo e dos jornalistas-comentadores. 

A banalização pelo Prof. Marcelo da possível dissolução do Parlamento, o apoio que deu à luta dos professores, nomeadamente, quando os professores ultrapassaram todos os limites de decoro e decência para com o Primeiro Ministro, a forma como suportou atividades passíveis de inquérito criminal dos jovens ativistas do clima, os constantes "recados" para o governo sobre tudo e nada,... também respaldaram  a atuação do MP, pondo os Procuradores  "à vontade" para atuarem como atuaram e, assim, fazerem um enorme estrago na reputação  e no desenvolvimento do País. 

O discurso  dos jornalistas-comentadores, que transmitem  a ideia de que somos um País de corruptos, condiciona a opinião pública e confortam atuações justicialistas que têm como finalidade criminalizar o processo politico -- o que é inadmíssivel.

Ouvi hoje a comunicação de António Costa ao País que focou aspetos muito importantes, a saber: 

  • o investimento estrangeiro é muito bem vindo, 
  • o governo existe para atuar, optar e gerir a coisa pública 
  • e os funcionários públicos não se devem deixar intimidar e devem continuar a agir e a decidir de acordo com a lei. 

São mensagens importantes nesta altura e podem  ajudar a limpar a porcaria "made in" MP. 

Disse também que nunca falou sobre o projeto de Sines com Lacerda Machado e isso é relevante para o caso em questão.  

Claro que os comentários dos jornalistas-comentadores, imediatamente após, seguiram, como é costume, os interesses defendidos por cada um deles, focando aspetos acessórios. 

Será  que não têm capacidade para perceber  que a atuação do MP destruiu em poucas horas a boa imagem do País que tinha sido construída nos últimos anos, o que nos prejudica a todos? 

De fato, só estão interessados neste momento  em promover  a direita  e denegrir o António Costa e o PS, o que é lamentável.

Resta-nos a esperança de que algum dia esta espécie relativamente recente, a dos jornalistas comentadores, seja varrida dos canais de televisão. Oxalá!