Mostrar mensagens com a etiqueta Praia Fluvial do Vimieiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Praia Fluvial do Vimieiro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, março 02, 2020

Praia fluvial do Vimieiro, um lugar de um outro mundo







Há pouco tempo, um colega apareceu-me no gabinete e perguntou: Quer ver como era quando era nova? e deu uma gargalhada. Não percebi. Ele, rindo-se, acrescentou: E o Paulinho? Um menino. Chamou-me, então, que fosse ao seu gabinete. Foi à estante e, de uma pilha de revistas, escolheu uma. Era uma revista que, no tempo do papel, se fazia no Grupo. Agora ainda se faz mas, como é bom de ver, já é tudo para ver no computador, uma tremenda falta de graça. Mas, então, folheou a revista e mostrou-me: Olhe para si. E eu vi-me. Teria, naquela altura, seguramente menos uns dezassete ou dezoito anos do que tenho hoje. Pesaria cinquenta e poucos quilos e usava o cabelo bem curto, quase uma Jean Seberg. Na primeira fotografia, de grupo, estamos todos junto ao autocarro que nos levaria para um fim de semana de aventura. Tínhamos todos ar de jovens, ríamos sem saber ao que íamos. Eu estava com uns jeans, uns ténis, uma blusinha justa, decotada, sem mangas. Numa outra fotografia já tenho outra blusa, estou sentada num chão atapetado de erva, encostada a uma árvore, ao lado de outros colegas. Combinávamos uma estratégia e, pelo ar atento de todos, levávamos aquilo muito a sério. Numa outra estou com eles a fazer uma jangada e noutra já vou em cima dela com alguns deles, todos com um colete que identificava a equipa. Não apareço naquela corda oscilante, suspensa por cima do rio, onde apanhei um dos grandes sustos da minha vida, e é pena que não tivessem registado esse grande momento. Nem há fotografias das provas de orientação diurna, muito menos do festival que foi a orientação nocturna.


Nessas fotografias mal consegui localizar o colega que estava agora a mostrar a revista. Ele ajudou-me: Então não reconhece aqui o menino? Não mesmo. Agora tem o cabelo completamente branco enquanto naquela altura não apenas tinha metade do volume que tem hoje como tinha o cabelo todo preto. 

Com quem ele se divertiu mais, e eu também, foi com o Paulo, grande director da 'casa', então quase um puto, tal o ar de menino, tal o cabelinho à beto e o outfit de rapazola. Olhe aqui o nosso grande Paulinho...! E riu à gargalhada. Eu também.

Nunca mais tinha conseguido localizar onde tinha sido esse épico evento de team building. Nem ele nem o Paulinho se lembravam. Um dizia: Seria Canas de Senhorim? Pelo menos o hotel acho que era. Outro dizia: Não sei. Penela? Ou Penalva? Não nos lembrávamos. 


Pois bem. Sem querer, agora vim parar a esses lugares. Hoje, à hora de almoço, estive no Panorâmico onde, numa das vezes, tínhamos almoçado. E hoje reconheci o lugar onde fizemos as jangadas e as águas em que remámos como se tivéssemos que chegar mesmo a um certo destino. Os homens são muito competitivos e eu vi-me e desejei-me para os acompanhar para que não os fizesse perder o lugar na competição. Eles próprios, quando andávamos por montes e vales a correr, a escorregar e a trepar, quando me viam a perder a força, me davam a mão e puxavam por mim.

Tinha de memória que tinham sido lugares lindos mas, na altura, o convívio, a palhaçada, a diversão e a ocupação permanente não deixavam grande espaço para o desfrute das belezas naturais. 


Hoje não, hoje estive dedicada não à aventura e à competição mas ao encantamento. E se me encantei. Quanta beleza. A água corre, sala e canta por aqui. Para além de nós, hoje, quatro franceses. E, mais à frente, dentro de água, um pescador. Pensei na felicidade que deve ser estar assim, ali, em paz, sem pressa, sem ruído, entre verdes e sombras quase douradas na água, esperando o peixe. Um luxo. O verdadeiro luxo é isto, o contacto directo e silencioso com a natureza. Luxo e felicidade.


Maravilhada, fotografei sem parar. Andei pelos caminhos de pedra, junto às levadas de água, pelas margens do rio. Tudo tão lindo. Pudesse eu e convidava-vos a todos a virem até aqui visitar estes lugares que parecem de um outro tempo, de um outro planeta que não aquele, citadino, que habito durante a semana. Tudo tão puro e límpido e intocável, tudo tão tranquilo e belo.


Os pássaros cantam no maior chilreio e os patos deslizam pela água e, de vez em quando, vêm dar uma volta a pé, sem se importarem com a presença humana. E a sua plumagem tem umas cores que parecem perfeitas demais para não terem sido desenhadas e pintadas por alguém. Mas certamente o grande deus que é o acaso e o tempo que aperfeiçoa todas as coisas explicam o que por aqui se pode ver.

E até os cogumelos, senhores, até os cogumelos em alegre ajuntamento, estão solares, atrevidos, serzinhos brincalhões de dentinhos de fora.


Chove enquanto escrevo. Chove muito. A chuva foi este domingo uma constante. Agora ouço também o vento. Tão bom andar por aqui com este tempo abençoado. Era bom que pudesse ficar mais uns dias. Mas não dá. Fica para a próxima.

Ainda tenho outros lugares bonitos para vos mostrar, mormente, o espaço do Senhor Alfredo,  mas agora já não consigo, tenho que apagar a luz. Fica, talvez, para amanhã.

------------------------------------------------------------------------

Envio daqui os meus votos para que Luis Sepúlveda tenha consigo a imagem de Greta Garbo para que o proteja. Era dele a história de que não há muito aqui falei. Mas se não for a Greta Garbo pois que qualquer outra santo ou santo da sua afeição zele por ele.

__________________________________

Se ainda não conhecem Santa Comba Dão, não deixem de visitá-la ao vivo ou, se não puderem, aqui

________________________________________________________

Hoje não consigo comentar os comentários pois, reconheço, já estou a pisar o risco. 

Desejo-vos uma bela semana, a começar já por esta segunda-feira