Mostrar mensagens com a etiqueta Natalie Portman. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natalie Portman. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 09, 2022

Este meu sábado de outono

 


De manhã fomos à segunda aula de comportamento canino. Tranquilo, cordato (refiro-me à fera; mas o professor também é assim). O urso felpudo já interiorizou que o professor não vai atacar-nos e, portanto, já o cooptou. O prof. goza connosco, diz que o seu aluno vai ficar a gostar mais dele do que de nós. Eu já não digo nada. De tpc, mais técnicas, mais tácticas e estratégias para praticarmos, por nós, nos próximos quinze dias.

Depois da aula, passeámos no parque, visitámos outro jardim -- um lindo jardim de um palácio --, e regressámos. No caminho, pensámos que, em vez de comermos a comida que lá tínhamos em casa, melhor faríamos se fossemos buscar uma daquelas maravilhosas pizzas de forno de lenha. Bem o dissemos, melhor o fizemos.

De tarde, deitei-me no sofá do terraço e estou convencida que adormeci instantaneamente. Agora há moscas por todo o lado, incomodativas como melgas. Pois o sono foi tão profundo que nem dei por elas. Um calorzinho bom, absurdo para esta época do ano. De chuva nem sinais. Em pleno outubro, vestida à verão, dormi uma bela sesta ao ar livre.

Quando acordei, retomei  'O acontecimento'. 

Lá está: se calhar isto é literatura. Não há palavras caras, não há jogos de palavras ou de estilo, não há enredos do caraças. Nada. tudo simples. Há apenas uma escrita pessoal, sincera, tão pessoal e tão sincera que chega a ser íntima e que, de forma discreta, como se nada fosse, nos vai mantendo presos. 

Aos meus pés, dormia o meu amigo cabeludo. De vez em quando, levantava-se e ia pegar-se com o do lado que também se pica com este. Estão separados por um muro mas, totós como fingem ser, portam-se como se um pudesse invadir o território do outro.

Passado um bocado chegou o meu marido que provavelmente tinha estado a dormir na sala, quiçá enquanto via algum jogo de futebol.

Fomos, então, para a parte da frente do jardim para os trabalhos que tínhamos em carteira. A casa tem ali, naquela zona, pouca luz. Quando chegamos à noite, se não tivermos deixado a luz acesa, não é fácil. Muitas vezes tenho que ligar a lanterna do telemóvel. O meu marido recusa-se a fazer buracos nas paredes da casa para pendurar novos candeeiros ou a fazer puxadas de electricidade ou seja o que for que lhe dê mais trabalho. Ele diz que não é isso, até se ofende com a minha insinuação, que não quer é desfear a casa. Se calhar, é mesmo e, verdade, verdadinha, não lhe tiro a razão. Por isso, não quer instalar daqueles projectores com sensores de movimento nem quer substituir os candeeiros que lá estão a menos que tenham furação compatível, o que ainda não encontrámos. Mas tudo bem: se não tens cão, caça com gato ou se, te dão limões, faz limonada. Ou coisa do género. Pensámos, pois, que, nesse caso, partiríamos para o capítulo seguinte: luz solar. 

E, então, andámos a ver onde pendurar os projectores e as demais iluminações que comprámos no outro dia em sítios que apanhem sol e em que os pudéssemos prender com arame (na vedação, na armação metálica em volta de uma janela por onde cresce uma trepadeira, no tubo que está na esquina da casa e que desce do algeroz, etc). Não foi fácil. Nem sempre concordamos com a abordagem, com o processo ou com a perfeição da obra. Além do mais, nestas coisas o meu marido prende-se a minudências que não lembram ao careca (no pun intended) como não querer que eu corte o arame verde pois acha que não puxo com o cuidado devido, posso enleá-lo, ou refila porque, segundo ele, corto bocados demasiado grandes e não apenas no tamanho necessário. Depois eu quero mais acima mas, para lá chegar, só com a escada grande e pesada que está na garagem e ele não quer, diz que não é preciso ser tão acima, e eu acho que tem que ser. Visto de fora não sei se não parecemos os marretas. 

Estivemos ainda a pôr uns arames a partir de uma rede para ver se a glicínia se orienta por ali, criando um túnel florido no corredor lateral, e estivemos a puxar umas guias gigantes que já vão pelos ares no jardim da vizinha para ver se seguem estas novas orientações.

A seguir, já ao fim da tarde, fomos fazer uma caminhada alargada. Gosto de caminhadas longas, sem pressa, gosto de ver as casas ao fim do dia, as luzes já acesas, gosto de ver os jardins já com ar de outono, alguns muros cobertos por vinha virgem, linda, rubra. Há plantas que exalam um perfume agradável, doce, bem aventurado. Não sei quais são mas creio que ainda haverei de descobrir.

Regressámos já de noite. 

E, milagre, as luzinhas já estavam acesas! Não estávamos à espera pois mal apanharam sol. Fiquei surpreendida e contente. O jardim iluminado, os sensores de movimento em acção, tudo funcional e bonito. O meu marido também gostou, notei isso. Por mim punha mais umas luzinhas mas ele é conservador, diz que não é natal para enfeitar o jardim com luzes. Seja. (Também já não falta muito para o natal).

Aliás, ontem, quando estava no shopping, ao passar pelo Gato Preto nem queria acreditar: árvores de natal, pais natal, presépios. Pensei: já estamos no natal. Entrei para me certificar de que não estava a ter visões (e, confesso, para ver se havia algum presepiozinho pequenino, fora da caixa, daqueles que não têm nada a ver, de que gosto). Saí sem figurinhas mas com a sensação de que o tempo anda acelerado e que a vida mal consegue acompanhá-lo.

Tirando isso, o que sei é que já é domingo. 


----------------------------------------------------------------------------------------------------------

E agora vou partilhar um vídeo que acho o máximo, uma daquelas coisas que me enche as medidas. Vejam bem e, se vos apetecer, aproveitem também para dançar. É do caraças. E tem um final feliz.

Haute saison com Gordon Tracks & Giorgio Poi, dirigido por Natalie Portman e produzido por Rob & Jack Lahana


___________________________________

Desejo-vos um feliz dia de domingo
Saúde. Sorte. Afecto. Boa sorte. Paz.

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

A minha Valentina enquanto ainda é Dia de S. Valentim



A importância que reconheço ao Dia de S. Valentim é zero. Se o festejo? Claro que não. Nem me lembro. Hoje vi andarem a distribuir rosas a mulheres e nem percebi o que se estava a passar até reparar que os jovens distribuidores tinham um coração nas costas. Aí caíu a ficha. Fiquei até sem saber se a noiva negra que tinha visto, com uma gabardine pelas costas sobre o vestido branco, era noiva a sério ou se era coisa do dito Valentim.

Não tenho ideia de quando chegou esta moda a Portugal. Quando eu namorava ou nos primeiros tempos de casamento presumo que não houvesse e, quando veio, deve ter-me passado ao lado. Não faz falta.


Mas não interessa. Não preciso de mostrar-me assim tão desalinhada, não ganho nada com isso. Mais vale dizer que sim, que é lindo, peace and love, beijinhos na boca, effe-erre-á. E, portanto, sendo a Santa UJM uma verdadeira padroeira do sex and love, aqui fica a homenagem. Mas uma homenagem no feminino. Não é Valentim, é Valentina, a minha mana santinha, a namoradeira-mor.


E curtam, minha gentes, curtam que é bom. 
Ou namorem apenas que também é bom.

quinta-feira, setembro 06, 2018

Olha o espertinho do algoritmo do YouTube com indirectas, insinuando que careço de um lifting...




Já estou de volta ao campo. Hoje o dia foi um pouco mais tranquilo mas, como sempre, cheio de cenas. Num momento em que tudo parecia sereno -- o bebé a dormir, os mais crescidos estranhamente aquietados -- aparece o meu marido que, tenho ideia, tinha acabado de se deitar no sofá, a dizer: 'Acho que uma gaivota se enfiou outra vez na varanda' e, todo irritado, foi buscar uma vassoura.

Ouvia-se o barulho de alguma coisa a bater contra o estore da porta de vidro que dá para a varanda. Fui levantar a persiana no canto onde se ouvia e lá estava ela: grande, branca e assustada. Mas havia mais: um monte escuro, penugento. Aí a coisa perturbou-me. 'Não sei se não está lá um pombo morto'. Entretanto, toda a gente veio a correr. Gritos. 'Que horror! Um pombo morto!'. Depois o meu filho: 'Um ovo'. Fui ver. De facto, um ovo. Depois reparei: não sei se terá havido um ninho. Uma confusão de palhas. Foi agora nas férias que aconteceu. O meu filho enojado com a cena do pombo morto. Eu que, na outra vez, consegui acalmar a gaivota e, com uma vassoura a servir de alavanca, a elevei até voar., desta vez não me afoitei. Aquele monte de penas ali repeliu-me um bocado. Teve que ser o meu marido. Só que ele não leva jeito como encantador de gaivotas. Portanto, aquilo foi uma refrega, basicamente uma luta à vassourada, ele a querer que ela saisse do canto e a pobre da gaivota completamente assarapantada. A varanda é estreita e não tem largueza para uma gaivora abrir as asas e ganhar balanço para voar. Tentava mas as asas batiam de lado e gritava de dar dó. O meu filho foi, então, à loja do chinês ali perto para ver se arranjava uma pá de lavoura ou outra coisa que desse para tentar passar por baixo dela e levantá-la. Não havia. Regressou com uma pá do lixo de chapa e cabo alto e outra coisa que não percebi o que era, uma espécie de vassoura. E luvas e sacos pretos grandes. Então o meu marido começou por apanhar o pombo morto e o lixo que havia em volta. As crianças, do lado de dentro, observavam, excitadas. No entretanto, apanharam um pacote de bolachas e, enquanto gritavam de susto, comiam bolachas. Por fim, não sei como, ele lá conseguiu que a gaivota se empoleirasse na pá e lá a atirou para voar por cima da varanda, com toda a gente a gritar de susto e alegria. A seguir foi pôr o saco com o pombo lá abaixo, ao lixo, depois pôs a roupa para lavar e foi tomar banho. Enfim. É o que dá morar num andar muito alto perto do rio.

Bem.


Entretanto, as crianças mais crescidas foram pôr-se a brincar aos presos e aos ladrões e polícias. E ela era a polícia e mandava prender os ladrões. Mas faziam uma barulheira incrível. E eu, que não queria que acordassem o bebé, ameacei: 'Se continuam neste chinfrim, ponho-os mas é no isolamento'. Pois bem. Instantaneamente, desataram a gritar ainda mais, a rir, e a reivindicar: 'I-so-la-men-to! I-so-la-men-to!'. E, acto contínuo, pegaram nas mantinhas e nas almofadas que encontraram e ela foi pôr-se atrás de uma estante e eles na casinha de banho de apoio à sala. E eu, aparvalhada com aquilo: 'Mas esperem lá. Não desarrumem ainda mais a sala! Isolamento não é acampamento!'. Mas já ela tinha ido buscar um telemóvel e eles outro, para ficarem a ouvir música. Depois ela foi buscar o coelho de peluche que tinha sido do pai: 'Já fui buscar um animal de estimação!'. E eles foram buscar o telefone fixo. E ela quis um cofre. E de repente ali estavam a ouvir músicas no youtube, a cantar. E eu a tentar explicar: 'O isolamento na prisão não é isto... Caluda. Acordam o bebé..'.

E acordaram mesmo.


E pronto, eles ainda jogaram à bola e o bebé, de cada vez que dá um pontapé, levanta os dois braços e grita 'Golo....!' e depois brincaram às lutas e ela, no meio da confusão, fingiu que estava a dormir e que era sonâmbula. Depois o irmão irritou-a e ela irritou-se com o irmão e gritou com ele e eu: 'Schiuuuu... Mas que é isso? Parece que estás histérica...' E ela, 'Não estou nada! E quem diz é quem é!'. E pronto.

A seguir foram lanchar. E depois o bebé pôs um chapéu meu e ficou a parecer um mexicano -- e lá se foram na maior alegria. E nós fomos levar o outro pimentinha a casa da minha filha. Mal entrou no carro, deixou-se dormir. Quando chegámos, já lá estava o mais velho que teve o seu primeiro dia de escola. 'Muito mais liberdade...' disse ele, orgulhoso. E eu lembrei-o: 'Mais liberdade, mais responsabilidade'. Estava feliz. Crescido, ar já de rapazinho.

E depois da conversa em dia com a minha filha, pusemo-nos a caminho. Novo carregamento no supermercado e cá estamos. Claro que, no percurso para cá, foi tiro e queda: dormi o sono dos justos. Mesmo bom. 


Agora aqui, sossegada da vida, vendo a televisão (quatro canais e mais o canal parlamento, a rtp3 e o canal memória), estou a ver a nova telenovela da sic e é sempre aquela coisa agradável de ver. Não me lembro como se chama mas, apesar de estar no começo, já vai se apegando. Agorinha mesmo um casal se formando: a cozinheira Cacau com o negão-todo-o-serviço. Embeiçaram-se e logo ali mesmo a coisa pintou e rolou. Nada de perder tempo. E, enquanto vejo, espreito se há novidades que se aproveitem e, ao abrir o youtube, desta vez uma novidade: conselhos de massagem facial, ioga facial e outros conselhos para tirar os vestígios de stress da cara. Não sei onde foi ele achar que estou precisada de um trato facial mas a verdade é que, pelo sim, pelo não, já me levantei e já fui observar-me ao espelho. Será...? Na volta... Voltei a pôr um video e, enquanto a Deborah Secco tenta dar o golpe da barriga num bonitão que nunca vi antes e que está a fazer de um tal ex-cantor cuja família está a facturar à conta de o mundo pensar que morreu, fui fazendo os movimentos de lifting que a senhora exemplificava.

Daqui por uns dias, quanto fizer a minha gloriosa rentrée no trabalho, vou estar vinte anos mais nova, sem uma ruguinha, sem um papinho, toda esticadinha, toda descansadinha. E isto com zero botox, só com os conselhos de mon ami algoritmo.

Só não digo a referência dos vídeos para os meus Leitores -- em especial os mais ingénuos, os que ainda acreditam que esta que aqui vos escreve talvez seja a modos que um bocadinhozinho intelectual -- não ficarem decepcionados demais. Telenovelas da Globo ainda vá que não vá... agora vídeos de massagem facial... puxa vida, essa não.


........................................................................................................................

As imagens mostram algumas caras conhecidas no Festival di Venezia 2018 

A última mostra uma cria de leão das montanhas descoberta em Santa Monica 

A música lá em cima é Maksim interpretando Somewhere in time de John Barry.

Não sei se dizer se há alguma relação entre as imagens, entre elas e a música ou entre qualquer delas e o texto -- mas isso também não me parece preocupante. 

quarta-feira, julho 15, 2015

Caminhar


Sobre a entrevista do Passos Coelho que não vi e sobre o Joaquim Aguiar que a comentou e que disse coisas bizarrésimas que quase tiraram o José Miguel Júdice do sério e sobre o Augusto Santos Silva que foi outra vez desfeiteado pela TVI falo a seguir. 

Aqui, agora, se me permitem, mudo de registo porque isto de andar com o láparo colado aos dedos há alguns dias já me está a causar brotoeja.

Tempo de rêverie, de palavras perdidas, de pedrinhas na palma da mão e sorrisos, de sons doces como suaves embalos, de afinidades, de descobertas. Tempo de boa onda em tempo de verão.




Vista de longe a vida pode parecer uma via única, sem obstáculos, sem imprevistos. Uma pessoa foi posta a caminho e as oportunidades vão aparecendo e a pessoa vai escolhendo, esta sim, esta não, e vão-se cruzando outras pessoas e umas nós vêmo-las, outras não, e das que vemos, com umas simpatizamos e tornamo-nos amigas e de outras não, e por umas sentimos uma empatia especial e por outras não e vamos continuando a caminhar que a vida é um percurso contínuo -- até que um dia o percurso há-de chegar ao fim.

Certo é que, por vezes nos enganamos, voltamos atrás, desviamo-nos, corrigimos a trajectória; mas, à distância, vistos de cima, pareceremos simplesmente uns pequenos seres a caminho de um qualquer sítio.

E, no entanto, vendo por dentro de nós, quantas hesitações, quantos segredos, quantos espantos, sobressaltos, surpresas, alegrias. Quantos acasos inexplicáveis, quantas mil vidas antigas convergindo em momentos únicos, quantos mistérios, sonhos escondidos, desejos inexplicáveis, quantas maravilhosas descobertas, quantas mil vidas suspensas à espera de serem vividas.

Não serão quatro caminhos mas muitos mais, e todos, um dia, parecem convergir e tudo parece desenhar-se de forma perfeita, estranhamente perfeita. E nós no centro dos misteriosos mundos que convergem.

[E há tantos exemplos de encontros inesperados e tão perfeitos. Esta Gota de Água é um exemplo disso]





E surgem então palavras que parecem ter asas, palavras que escavam taças que recolhem outras palavras e as palavras falam de dor e de alegria, mas talvez sejam apenas sonhos, talvez pequenos milagres. E, sem que o consigamos perceber, tudo parece fazer sentido. 

Um olhar, um sorriso, uma proximidade, tudo tão inexplicável, tudo tão imprevisto, tão efémero. São palavras. São gestos inocentes. São  histórias.

Mas eu esqueço as palavras, esqueço. Habituo-me a esquecer. O que esqueço não existe. Só me interessa o que ainda não descobri, as palavras que vou ouvir, o que vou receber de oferenda: rosas azuis que são uma toada inventada que me leva nos braços, o olhar insubmisso de um tigre que nunca será visto, o livro ou o pensador de que nunca ouvi falar, um abraço que um dia se pressentiu, a voz baixa de um poema dito em surdina, uma igreja alucinada ou outra douradamente alumiada, uma sombra de que ainda ninguém falou, uma litania longínqua, um sorriso que apenas um certo espelho conhece.

Labirintos, espelhos, palavras ditas depois de alguém as ter dito iguais, incompreensões que se tornam irrelevantes, para quê perceber tudo quando o mundo é o lugar de todos os mistérios?, a vontade de que a magia não se dissolva, de que as nuvens tão suaves não se dissolvam. Quero ouvir falar de mosteiros, de caminhos, de acordes, de cânticos, de cantos, de poemas, de acordes infinitos, de corações que estremecem. E eu rio. Rio. Eu feita de mil rios que se juntam dentro do meu peito, rio, rio. Não sei de nada, não quero saber de nada, quero apenas continuar a sentir a inocência que vive dentro de mim, quero apenas continuar a deslumbrar-me pelo que não compreendo.


Limites - por Jorge Luis Borges




Desvenda-se-me o pensamento como um manto que, devagar, se vai desdobrando. Mas parte do manto fica sempre nas pregas de dentro, invisível. Não chego a saber com o que se pareceria se visse a luz do dia. Mas talvez um dia, quando desdobrado de uma outra forma, eu veja essas partes e julgue que nunca antes as tinha visto. Não sei. Desconheço-me. Penso que sou de uma maneira e, embora saiba que há muito de mim que ainda nunca vi, julgo que as partes secretas não me serão completamente estranhas. Mas não sei. 

A parte de mim que desconheço é-me mostrada quando ouço nomes de que nunca ouvi falar, conjugações inesperadas de palavras ou pontos de luz: poemas, nomes de lugares, músicas, nomes de pinturas, misteriosas manchas de cor. Como se uma janela aberta sobre uma paisagem completamente nova se abrisse diante de mim e, ao fundo, um espelho com a minha imagem rodeada de mil coisas desconhecidas. Olha, abre os olhos, vê como é longínquo o horizonte e como, até lá, é vasto e diverso o mundo – é como se eu escutasse. E olho, vejo mil tons de muitas cores, mil acordes de muitas músicas, mil perfumes por inventar, mil carícias por sonhar, mil palavras infinitamente conjugadas. Extasiada vejo o muito que tenho para ver e é ao ver-me assim, inexperiente, inocente, que me descubro nas pregas do tempo que ainda não vivi.




Ventos silvando na noite, ariscos lobos, serranias e sons encantatórios, pássaros transparentes de infinitas asas, sonhos. E depois surgirá, branca e limpa, a luz.

Abro a janela à manhã que me traz um dia novo com um tempo que pertence ao futuro. O rio, o mar, o azul que me lava o olhar, as palavras, as palavras. 

E a vossa respiração aí lendo estas palavras estranhas que vos escrevo. Onde o sentido? Onde a razão? Compreendem o que vos digo? Sabem porque as escrevo? Tomá-las-ão nas vossas mãos? Ficarão algumas na vossa memória? 

Eu esqueço-me do que escrevo. Não sei porque escrevem as minhas mãos palavras tão desprendidas da minha vida, palavras que nem sei se são minhas. Talvez sejam apenas palavras que se desprendem de um espelho. Pétalas de uma rosa feita de mar azul. Não sei. Nem quero saber.



...





E agora vou dormir. Já estou a dormir.

.....

[Estou já incapaz de incluir a 'ficha técnica' das imagens e vídeos aqui incluídos]. 

....

Não é que me pareça adequado mas permitam que vos relembre que, no post abaixo, o registo é outro: a entrevista do PPC, o Tiro-ao-lado-Aguiar, a TVI que se anda a portar descabeladamente, etc.

....

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

...

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Miss Dior ouve Janis Joplin


Muito dancei eu ao som de Janis Joplin. Em várias circunstâncias. 

As primeiras vezes aconteceram teria eu uns doze anos. Aos treze a coisa começou a refinar. De cada vez que um de nós fazia anos, havia festa. Como o grupo era grande, havia festa quase todas as semanas. Para além disso ainda havia os convívios do liceu que também eram bons e mais alargados, com uma população com a qual a ligação era mais longínqua. Mas eu preferia as festas de anos. Dos rapazes do grupo, grande parte viria a formar-se em engenharia, mais concretamente engenharia electrotécnica. Portanto, pelavam-se por montar aparelhagens, amplificadores, luzes a piscar e toda a espécie de habilidades próprias para simularem um dancing club, uma boite, qualquer coisa de clandestina e gostosa.

Foi uma época de grandes músicas, muitas delas ainda actuais. Descobri quase todos esses fantásticos músicos nessas calientes festas de anos, nas quais, na nossa maior inocência, descobríamos a nossa sensualidade e aprendíamos o sentido da palavra amor, desejo, ternura. A primeira vez que estive nos braços daquele que o meu coração amava foi numa dessas festas, e como ele me abraçava, e como ele afastava para um dos lados os meus longos cabelos para me beijar a nuca, deixando-me completamente arrepiada, rendida.

Por essas alturas eu adorava dançar, levada nos braços do meu amor até a todas as nuvens que ele inventasse para mim, ao som de Leonard Cohen. Eu adorava a Joan of Arc que tinha uma parte que eu queria dançar como valsa e que ele começava por me fazer a vontade para logo me abraçar com força e me prender entre os seus braços.

O que fazia de Dj intercalava e volta e meia apareciam coisas que não justificavam os slows em que gostávamos de passar a tarde. Susie Q, por exemplo, e todos cantávamos então, alto e bom som. Ou Black Magic Woman. E eu ficava à espera que a coisa sossegasse de novo. E lá vinha o Bridge over Troubled Water. Mas eu gostava mesmo era da Janis Joplin. Dançávamos separados, o corpo à solta, e depois juntavamo-nos e depois toda a gente cantava. Por exemplo, Me & Bobby McGee e os rapazes todos a cantarem muito alto 
Hey, feeling good was good enough for me, hmm hmm,
Good enough for me and apalpa-me aqui  
Na na na na na na na na, na na na na na na na na na na na
Hey now Bobby now, apalpa-me aqui, yeah.
Guardo de todas as fases da minha vida as melhores e mais doces recordações. Da infância guardo a liberdade da rua, do campo, dos meus amigos de brincadeiras, e, em especial, do meu grande, grande amigo, das longas conversas que espantavam os nossos avós. Da minha adolescência guardo as descobertas, a alegria, os amores, o meu grande amor e depois, mais tarde, um outro não tão grande e, a seguir, o amor maior, e as grandes amizades, a partilha e cumplicidade, a intimidade partilhada. E daí para a frente tem sido ainda melhor. Mantenho-me a mesma menina, a mesma adolescente e tenho ainda mais liberdade e tenho ainda mais afecto, o afecto de todos os que nasceram de mim e se vêm multiplicando.

Mas isto derivou para aqui nem sei porquê, já que o que eu queria mostrar não tem muito a ver com nada disto.


Anton Corbijn realizou, Natalie Portman interpretou. A música é Piece of my heart na potente e desbragada voz de Janis Joplin.


Miss Dior



....

sexta-feira, setembro 12, 2014

Cenas da vida conjugal: umas vezes muito perto, outras muito longe, umas vezes fantasiando, outras concretizando. Ora Lado a Lado, ora Extremely Close, ora com os olhos Wide Shut. Uma dança, portanto.



Este é o terceiro post da noite (e desculpem-me estas minhas introduções mas é que, como já aqui expliquei, uma certa pessoa sempre muito apressada e distraída, se eu não o agarro logo pelos colarinhos, pira-se antes de percorrer todo o caminho das pedras; por isso, mal entra num post que não é o primeiro, não vai ter desculpa se disser que não reparou que abaixo havia mais).

A seguir falo de Manuela Ferreira Leite, essa mulher que se tem revelado um verdadeiro carro de combate, e das interessantes revelações que fez na TVI. A não perder.

Mais abaixo ainda tenho mais uma divertida cena da Porta dos Fundos - coisa de mulheres, é certo, mas que interessará também aos homens pois quem, senão os homens, para se divertirem à custa das mulheres. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

___


Depois da Manuela e depois do meu marido se ter ido deitar, pus-me a ver a telenovela nova da SIC, uma bem engraçada de que não me lembrava o nome.




Fui ao youtube e vi que se chama Lado a Lado com a cada vez mais bonita Patricia Pillar que aqui faz uma fantástica Baronesa Constância que é uma mulher elitista, pedante, inconveniente e que usa uns vestidos e uns chapéus de uma pessoa morrer de inveja. Para ilustrar, escolhi a fotografia acima na qual aparece com a toilette usada no casamento da filha. Uma perdição de toilette.


Vi o trailer no youtube e achei-lhe piada, coloco-o aqui. Recebeu um Emmy em 2013 esta telenovela. Há que séculos que eu não via uma e estou a gostar. Reencontro caras que não via há muito e reencontro o prazer das boas novelas da Globo.






Mas, ao abrir o Youtube, apareceram, entre as sugestões habituais, a de um bailado da Companhia Hubbard Street Dance Chicago, companhia que bastante aprecio. Fui procurar outras coreografias, aquela não me dizia grande coisa. E fui parar a um que aqui vou colocar, "Extremely Close", uma coreografia de Alejandro Cerrudo.

Mas, então, a partir desta expressão, extremamente perto (ou próximo) - que é uma das características de uma vida a dois - ocorreu-me procurar excertos de filmes em que se vejam alguns episódios da vida a dois: fantasias, hesitações, desconfianças, seduções, traições, ciúmes, perdões.


São algumas destas cenas da vida conjugal que hoje coloco aqui, a começar com excertos de um dos filmes de que francamente gostei de ver, Closer.



Aqui baixo, uma cena de sedução e atracção entre Anna (Julia Roberts) e Dan (Jude Law) - e que românticos eles são, que envolvente é o momento. Uma inspiração.




**


Do mesmo filme, Larry (o abrasador Clive Owen) e Alice (Natalie Portman), num momento de sedução e desejo sem freio. Um desafio.




**


E, depois das cenas acima com os casais trocados, a cena entre marido e mulher, Larry e Anna: a cena que todos os casais gostariam de ser capazes de evitar ou ultrapassar. Uma atrapalhação. Um momento para esquecer se fosse na vida real. Assim, no cinema, uma cena marcante.






**

Mas há também as fantasias, tão ou mais marcantes na vida de uma mulher do que um caso concreto.

Alice e o marido, Dr. William Harford - de facto Nicole Kidman e Tom Cruise (então ainda casados antes do seu casamento cair de borco depois deste filme) - juntos numa inesquecível cena de descrição de uma fantasia. Um devaneio. Um suplemento de ânimo ou uma semente de insegurança.





**


E esta matéria daria pano para muitas mangas mas a verdade é que estou cheia de sono e amanhã é dia de aquartelamento parcial aqui ao jantar com dormida incluida e, portanto, não posso partir para um dia com reuniões e mil coisas para fazer e ainda uma noite repleta, logo a cair de sono. Por isso, abstenho-me de filosofar e parto já para o bailado: Extremely Close.





_____


Fico-me por aqui porque já não dá mesmo mais, tenho que ir dormir. Não vou rever e peço que relevem as letras trocadas, a menos ou a mais, as vírgulas a mais ou a menos.


Relembro: Abaixo encontrarão a Manuel Ferreira Leite e, logo a seguir, a Porta dos Fundos.


____


Desejo-vos, meus Caros Leirores, uma bela sexta-feira.


quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Quanto ao tal Dior, o Blooming Bouquet, não dei com ele mas fui testar as três versões de Miss Dior e o que tenho a dizer é que aquilo não é para princesas coisas nenhuma, aquilo é para tias velhas e empoeiradas.


Tal como ontem referi, ao ver ontem aquele filme floral e fresco, admiti que estivesse a ser preconceituosa. Fui mesmo a uma perfumaria e coloquei mesmo um espirrinho de cada uma das fragrâncias de Miss Dior, da mais fresca à mais densa, passando pela mais doce.

Ná. Tal como a ideia que eu tinha em mente, não tem aquela sumptuosidade desconstruída, fresca, harmoniosa e limpa dos perfumes Chanel, especialmente os que uso, o Chance e o Nº5.

Os Dior impõem-se (e os perfumes não se devem impor: quem os usa é que sim), e não são modernos, abertos, suaves. Fazem-me lembrar as professoras chatas, mulheres antigas, bafientas - uma coisa assim. Aquelas mulheres matronas que parece que têm um cheiro impregnado há anos demais. Estou a ser exagerada, claro, mas a ideia que me fica é essa. Sou esquisita com perfumes, está bem de ver.

Além do mais, dado que me perfumei com o dito Miss Dior, estou até agora à espera de me ver rodeada de cavalheiros sedutores e românticos, quiçá de joelho em terra, a oferecerem-me um botão de rosa... e está quieto.




Para aqui estou eu ainda, com uma única rosa na mão - aliás: na boca -  mas tive que ir eu própria colhê-la; é que cavalheiros atraídos pelo meu perfume está quieto. Nem um.

Publicidade enganosa, é o que é. 


Olha eu: primeiro pinto a manta com aulas de etiqueta para o Relvas e coiso e tal e a seguir, como se não fosse nada comigo, armo-me em princesa. Mas aqui a UJM não é uma princesa qualquer, ah pois não. Não é que seja Dior (que eu cá sou mais Chanel), mas nas rebaldarias da princesa da Porta dos Fundos é que eu não me meto. Assim como assim, antes ser a princesa Miss Dior Blooming Bouquet.


Pois, no post abaixo tenho uma professora francesa, Mariele de seu nome, a ministrar uma aula de etiqueta para o senhor doutor empresário vai estudar ó e para quaisquer cães com pulgas que queiram aproveitar a minha boa vontade. Saber estar à mesa não é para qualquer um e eu, que sou umas mãos largas, não poupo nos ensinamentos para a nossa classe dirigente que, saída das jotas, não teve tempo para se instruir.

Bem que vos tinha avisado que, ao mudar de visual no UJM, estava aqui imbuída das melhores intenções, toda eu ecológica, higiénica, bem comportada - um miminho. E estou a cumprir, ou não estou?

Bem, mas isso é no post a seguir a este.

*

Aqui, agora, a conversa é outra. Aqui a conversa tem a ver primeiro com uma jovem mulher branca como a neve, uma princesa com vida dupla como tantas que por aí há, com gostos especiais. A seguir derivo para uma menina também muito linda, uma menina muito perfumadinha e mergulhada numa romântica cama de rosas.

Nada disto tem a ver comigo, que eu nem sou parecida com a Princesa da Porta dos Fundos, nada, nada, nada (que é isso? anõezinhos...?!.... nada!), nem sequer com a Miss Blooming Bouquet, aqui interpretada por Natalie Portman, já que eu sou Chanel e ela é toda Dior. Mas, enfim, posso dar palco à concorrência.






*

Mas deixemo-nos de coisas complicadas. É chegada a vez de falarmos de coisas leves. Perfumes bem cheirosos, um belo vestido cor de rosa (se eu me casasse outra vez e fosse vestida de noiva, queria ir assim tal e qual; não ia de branco a fingir que ainda era virgem, não é?), um semblante sonhador, um romance delicodoce em perspectiva, certamente o amor com que todas as meninas sonham, la vie en rose.


Miss Dior Blooming Bouquet - Making-of film


Natalie Portman durante as filmagens no interior da Casa Dior, na lendária escadaria do nº 30 da Avenue Montaigne.





E agora o resultado final: o filme. A realizadora é Sofia Copolla.

E eu amanhã vou ver como é o perfume, quem sabe não tenho uma agradável surpresa. Estou para aqui cheia de preconceitos e quem sabe não ponho uma gota disto e, acto contínuo, me vejo rodeada de cavalheiros a oferecerem-me rosas. Vou experimentar, nunca se sabe.




**

Amanhã a ver se estou mais atinadinha para vos falar dos meus livros novos não vão vocês pensar que a ecologia varreu a minha sólida intelectualidade. Nada disso. Sou uma verdadeira académica, honoris causa na Lusófona versada sobretudo em Relações Internacionais, ora essa.

Bem. Adiante. Entre os meus livros novos tenho 'A herança perdida' de James Wood. Cada vez ando de pior boca no que a livros se refere, tudo me parece uma pincelada, uma frouxidão, uma sucessão de banalidades, um déjà-vu insuportável. Mas há excepções. Ler James Wood, por exemplo, é um prazer. Lê-lo a falar sobre livros, então, é o néctar decantadado. talvez amanhã transcreva um pouco para que, quem o não conheça, fique com uma ideia.

Mas a ver se vos falo também de José Sereto e vos transcrevo um dos seus poemas... do Carvalho.



José Sereto no seu dia de casamento com Maria do Carmo



'Se vou à praça, dizem no café:
- Olha, lá vai o nosso Rabelais,
o Zé Ximenes, águia da chalaça!'

*

E agora, depois desta cena de princesas de toda e espécie, sigam, por favor, para a Mademoiselle Mariele, a professora de etiqueta que aqui deixo à disposição dos jotas com pulgas.


*

Muito gostaria ainda de vos convidar a virem comigo até ao meu Ginjal e Lisboa onde hoje tenho mais um dos belos vídeos do Cine Povero. Desta vez Manuela de Freitas diz António Botto sobre música de Bernardo Sassetti. Uma beleza. Fala-se do que é importante na vida e eu, armada em parvinha, daquelas que não têm noção e se põem em bicos de pés ao pé de gente importante, digo também de minha justiça.

*

E agora vou-me deitar. Continuo sob efeito do pequeno comprimido que tomei durante três noites. Um sono... Além disso amanhã tenho que me levantar mais cedo pois tenho um programão logo às primeiras horas do dia de trabalho. 


Desejo-vos, meus Caros leitores, uma bela quarta feira.

..

segunda-feira, agosto 19, 2013

E, a propósito de calores, minhas senhoras, vamos aprender a tirar a roupinha com alguma classe. Aula prática de striptease: 3 casos práticos. Natalie Portman, Demi Moore e Kim Basinger ensinam como é. [Como vêem, eis o Um Jeito Manso uma vez mais a cumprir a sua vertente de serviço público]


No post abaixo falei da lição de humildade de Judite de Sousa ao reconhecer que se excedeu ao entrevistar o jovem milionário Lorenzo Carvalho. Talvez nesse dia estivesse com os azeites, ou talvez naquela altura lhe tenham dado uns calores. Não sei nem isso interessa. Correu-lhe mal e já o reconheceu. E para a frente é que é caminho. 

Mas numa noite quente de Agosto, como a de hoje, falar de calores, não é uma boa coisa. Hot, hot, hot. Uma pessoa nem consegue pensar em ter roupa em cima.

E, vai daí, ocorreu-me que mulher que se preze não deve tirar a roupa de qualquer maneira. Mas nem todas terão em si a intuição certa para as guiar na tarefa. Então, para as que precisam de uma ajudinha, aqui deixo três casos práticos. E agora é só imitá-las. Não sei se todas terão um varão em casa para o caso mais artístico mas talvez se possa improvisar - agora não me está a ocorrer como mas vou pensar no assunto. De resto, parece-me tudo muito fácil.


  • A oscarizada Natalie Portman parte para o processo já com pouca roupa em cima pelo que, tecnicamente, nem sei se é correcto inclui-la aqui nas aulas práticas de descascamento mas, ainda assim, porque, se não dá para aprender nessa matéria, há-de dar para aprender noutras, fica aqui na mesma.


  • A Demi Moore apresenta-nos um clássico, que será portanto a versão adequada às minhas Leitoras mais convencionais.


  • Pessoalmente, acho a Kim muito acelerada, prefiro um registo mais lento mas, enfim, eram os loucos anos 80, tudo a correr. 



(Esta agora do 'tudo a correr', fez-me lembrar um amigo meu, um brincalhão, que, quando tem grelhados para o almoço, me pergunta: queres na brasa? ...ou preferes devagarinho...?)

Adiante.

Num ritmo mais acelerado, mais atlético ou mais provocante, é só escolherem. Tudo isto, claro, para ver se suportam melhor esta canícula. Outra alternativa é um duche de água fria, uma mergulho na piscina, umas braçadas na praia. Agora, para quem tenha que estar entre paredes, o striptease é capaz de ser mesmo uma boa opção. Excepto se estiver a trabalhar, claro.




Natalie Portman em Closer, um grande filme



Demi Moore em Striptease



Kim Basinger em Nine and 1/2 Weeks


***

Relembro: sobre a Judite de Sousa e o ser reconhecimento humilde de que se excedeu ao entrevistar Lorenzo, o Tatuado, é descerem um pouco mais, por favor.

***

E, por hoje, é isto. O que me vale é que tenho ar condicionado no gabinete, senão lá teria que ser.

Desejo-vos, meus caros Leitores, uma grande semana a começar já por esta segunda feira. 
Divirtam-se, está bem?

quinta-feira, novembro 17, 2011

Amores e desamores: ficção e realidade, ligações perigosas, neuroses e humor, alguém tem de ceder e mais perto. Que falem os mestres.


No seguimento do texto de ontem sobre o casamento (ou sobre os relacionamentos a dois, em geral), hoje temos uma aula prática ou, melhor, um workshop em seis actos ou, melhor ainda, um conjunto de case studies. Escolham. Ficarão em boa companhia, seja com quem for.

Alguns dos filmes já aqui apareceram mas repito-os inseridos neste contexto. Pela qualidade, espero que me desculpem o déjà-vu.

Faço o aviso como se faz em relação a alguns números arriscados: não devem ser repetidos em casa (pelo menos sem o apoio de especialistas). Estão aqui mais para ilustrar situações - e, sobretudo, estão aqui porque são belos filmes, belos actores, belas realizações, belos argumentos (uns mais que outros, claro, mas tem que haver oferta para todos os gostos).


A amante do tenente francês com Meryl Streep e Jeremy Irons


Ligações Perigosas com John Malkovich, Glenn Close, Michelle Pfeiffer



Annie Hall com (e de) Woody Allen e Diane Keaton


 

Alguém tem que ceder com Diane Keaton e Jack Nicholson




Closer com Julia Roberts, Clive Owen, Jude Law e Natalie Portman




As Pontes de Madison County com Meryl Streep e Clint Eastwood


 

Tenham um belo dia. Esqueçam a crise. Nada podemos fazer senão viver o melhor que conseguirmos.

Be happy!

  

quinta-feira, agosto 25, 2011

Love is an accident waiting to happen

Penso que já aqui falei deste filme de que tanto gostei. É a história, são os intérpretes (Clive Owen, Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts), é a realização, é a banda sonora, é tudo muito bom.

Querem rever?
Closer.

(Se tiverem oportunidade de ver o filme inteiro, não percam, vão gostar)