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sexta-feira, maio 03, 2024

Quais as semelhanças entre o Governo e o MP? Respondo: não têm ética nem competência
-- A palavra ao meu marido --

 

O Ministro das Finanças (industriado pelo PM? ou em roda livre?), com o objetivo de não cumprirem o que a AD prometeu na campanha eleitoral sobre os aumentos das condições de vários sectores da administração pública e, provavelmente também, por ainda não ter percebido quais são as diferenças entre tesouraria e orçamento veio, com as habituais rudeza, arrogância e má fé que têm sido apanágio da AD, dizer cobras e lagartos do anterior equipa da finanças omitindo os factos e utilizando mais um dos subterfúgios que têm sido típicos nas chico-espertices desta malta que está no poder. 

O Fernando Medina respondeu-lhe de forma clara e concisa. De facto, só podemos estar perante uma mentira, má fé ou uma manifesta impreparação técnica da equipa das finanças da AD. 

Dia sim, dia sim o Governo e quem o suporta dão mostras de uma impreparação e de uma má fé a que os portugueses deveriam ser poupados. 

Ainda estávamos perplexos com a forma absolutamente deselegante como foi feito o saneamento político da Provedora da Santa Casa e vem o Sarmento arranjar mais lenha para se queimarem. 

Vamos ver como corre a ida da Provedora da Sta Casa ao Parlamento mas será que o descarrilamento da Misericórdia de Lisboa não começou no tempo do Santana Lopes? Veremos.

Mas qual a semelhança entre o Governo e o MP? Na minha opinião têm o mesmo padrão de comportamento. Falta de ética. Não olham  a meios para atingirem os fins e, em tudo, são incompetentes. 

Pasmo ao ver que, ao fim de todos estes anos, o Moita Flores foi ilibado e o próprio MP confirme que não tem provas de que tenha havido um saco azul no caso Luís Filipe Vieira. Mas como, neste último caso, o MP tem a "convicção" que existia um saco azul, pugna para que o caso seja julgado. 

Fiquei perplexo. Então, afinal, para julgarmos e eventualmente condenarmos pessoas, não são precisas provas? Bastam as convicções de um Procurador do MP? 

Pensava que já tínhamos batido no fundo, mas receio, para mal da Justiça em Portugal, que tal ainda não tenha acontecido. 

O que mais iremos saber? Veremos se, no final do caso Sócrates, não confirmaremos que  as motivações do MP são outras que não as de se fazer Justiça.

De facto, a AD não está preparada nem sabe ser Governo. De facto, o único bom serviço que  a PGR faria ao País seria demitir-se. Estão bem uns para os outros.

sábado, julho 10, 2021

O Vieira, o Berardo e todos os outros, incluindo os deputados que são advogados nas Sociedades que prestam suporte jurídico ao Vieira, ao Berardo e aos outros

 

Daqui

Nisto do Vieira, tal como no caso do Berardo e tal com vários casos anteriores, o que me surpreende é que se continue a falar de casos isolados que se vão avolumando à vista de toda a gente que deveria ver (Assembleias Gerais dos Bancos ou de Sociedades de que tipo forem, Conselhos Fiscais, Revisores de Contas, Auditores externos e/ou Reguladores) sem que ninguém dê por nada.

E interrogo-me: se não vêem nem percebem nada, se não alertam nem actuam... então para que servem?

E não há legislação que enquadre estas actividades e que determine sanções quando notoriamente se perceba que todas estas camadas de controlo não funcionam e não agem segundo as melhores práticas e princípios éticos?

E quem tanto se insurge contra estes casos avulsos não percebe que enquanto o circo se arma e se foca exclusivamente em torno destes casos mediáticos, em muitos outros casos igualmente pouco lineares se continua a agir na maior impunidade?

Por exemplo, não deveria haver uma análise sistemática à actividade de todas sociedades, rastreando movimentações financeiras entre sociedades sem actividade económica, ou seja, empresas instrumentais e/ou de fachada (offshores ou não)?

Uma vez mais, as televisões estão em delírio com os supostos esquemas do Vieira tal como há uma ou duas semanas estavam com os supostos dislates do Berardo. E as justiceiras-mor da Assembleia estão em grande, sentindo que as suas sessões inquisitórias produziram efeito. E eu volto a dizer: efeito zero. Limitaram-se a alimentar o circo.

Enquanto os deputados (e o poder político em geral) não perceberem que há um trabalho de fundo a fazer -- e que tem a ver com a criação de mecanismos de rastreio e controlo efectivo sobre tudo o que há de ilícito e que, em regra, se passa à vista de toda a gente -- nada mudará. 

Estou a parecer ingénua ao dizer isto mas não sou (ou, pelo menos, não completamente) porque sei bem que a Assembleia da República está infestada de advogados ligados a Sociedades (de Advogados) que, por acaso, prestam consultoria na optimização fiscal e prestam assessoria com vista a assegurar o respaldo jurídico a todas as jogadas que por aí se praticam, tendo, pois, como interlocutores os donos ou gestores dessas empresas usadas como veículos por toda a espécie de meliantes encartados.

Portanto, quando se incluirá no código de ética da Assembleia alguns pontos de exclusão, nomeadamente a ligação a Sociedades de Advogados? 

Claro que, para se ser deputado, também deveria ser obrigatório testes ao QI para evitar que tanto burro por ali ande armado em doutor -- mas isso talvez já fosse pedir de mais.