Mostrar mensagens com a etiqueta Passenger. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Passenger. Mostrar todas as mensagens

domingo, maio 17, 2020

As fantásticas mulheres que querem casar com uns fantásticos agricultores




Fomos e viémos. Tínhamos coisas a fazer e eu queria estar com a minha mãe e ver o outro pessoalzinho. Mas a cidade, numa situação como a que vivemos, condiciona os nossos movimentos.

Imagino o sufoco que tem sido o confinamento para quem está fechado num andar com crianças pequenas. O contacto com a natureza parece-me fundamental, cada vez mais. E, para suportar a perda de liberdade, nada como a largueza do campo. 

Saímos na quinta feira ao fim do dia, debaixo de chuva, e regressámos este sábado com um calorzinho bom.

Uma luz bonita de fim de tarde. Se não estivesse com preguiça ia buscar a máquina fotográfica para ver as fotografias que fiz. Os meninos sorriam e brincavam em contra-luz e eu via-os através da lente, encantada com a luz que vinha deles. Deles e da mãe deles.

Agora que já todos se acomodaram para o descanso, estou aqui. Estou com um pouco de dor de cabeça. Acordei cedo a pensar no muito que tinha que fazer e com a pressa nem dei tempo a acordar como deve ser. E não me passou. Por vezes passa-me ao longo do dia mas hoje ainda não. Nada de mais mas é uma presença desnecessária. 

Depois de jantar. estivemos a ver a Frankie e a Grace, dois episódios de seguida. Até o meu marido gosta de ver.

Mas agora estou na base da digital terrestre, circunscrita aos canálios nacionálios e, depois de vistoriados os demais, foquei-me na sic, nos agricultores. Chega a ter graça de tão extraordinário que é. Não sei como recrutam os agricultores-candidatos nem as candidatas a putativas mulheres dos ditos. Mas repito: tudo fantástico. Este mundo encerra infindáveis surpresas. Eu não acho bem nem mal, apenas fico beige com o que vejo, estrangeira num mundo em que as pessoas falam a mesma língua que eu mas onde tudo me surpreende.
Por exemplo, um António, já não especialmente jovem, com um brinco e ar marialva, parece que sempre a fazer-se à câmara, com três jeitosas com idades compatíveis com a dele e que funcionam num comprimento de onda idêntico ao dele. Ele, que mais parece um puto apalermado,  fá-las cair e elas rebolam-se no chão, anafadas e divertidas. Um triunvirato feminino de alto lá com o charuto a ver se cativam um barrigudo pintarolas que, diria eu, não interessa nem ao menino jesus. Mas há gostos para tudo e ainda bem e, se estão todos divertidos, melhor para eles.
Em Rio Maior um outro curioso pintarolas, empertigado, cabeludo, com um boné com pala para trás e que a toda a hora diz que é bom demais, com uma Mafalda assanhada e uma loura apardalada que está para ali a chorar porque acha que os outros gozaram com ela por ser gorda. E o curioso é que não é gorda. A outra, a Mafalda, tem uma vozinha do caneco e, para se desculpar, alega que chama porta-chaves ao cabeludo. E o cabeludo diz que também lhe chamam micro-ondas e outras coisas, concluindo que lhe chamam mais nomes que ao tabefe. E eu olho para aquilo tudo e acho que, na volta, estão a representar alguma peça de Beckett. 
Um mundo paralelo àquele em que vivo. Olho-o com curiosidade. Ao mesmo tempo penso que é gente corajosa, que não teme expor-se, que não teme envolver-se emocionalmente perante o olhar das câmaras. Na volta são aventureiros e sentem-se felizes assim.


Mas estou a ver isto e com a cabeça noutra coisa: tenho participado em reuniões e visto relatórios e planos a prepararem o regresso. Encaro-os com sentimentos mistos. Não consigo entusiasmar-me com essa perspectiva. Se pudesse, ficaria a trabalhar remotamente durante mais uns tempos. Haveria de aprender a dosear, a não trabalhar até me esgotar. Talvez fosse melhor do que voltar ao trânsito, à confusão. E pior ainda há-de ser tudo já que vai ser isso mas misturado com máscaras, com desinfecções de mãos, com medo de tocar aqui, ali e acolá, com receio de que esteja contaminado. E eu, que não sou disto, distraio-me e toco em tudo e, a toda a hora, me chamam a atenção e, às tantas, já estou desorientada, enervada, impaciente.

Mas, sobretudo, não sei se vou conseguir viver longe do canto dos pássaros ou da luz pousada nas folhas e nas flores.

Enfim. Tempos de perplexidade.


______________________________________________________

Já agora, deixem que vos diga que as pinturas são de Rafael Martínez Padilla e que partilhe convosco um vídeo muito bonito, com apontamentos destes tempos de recolhimento


E a todos os que aí estão desse lado desejo um feliz dia de domingo

quarta-feira, abril 01, 2020

Os momentos da perplexidade, descoberta e reaprendizagem antes do recomeço





Vamos experimentando novas astúcias. Um passo um dia, hesitações, dois passos num outro dia, uma ousadia ao terceiro.

Sem rede e sem quem possa abeirar-se de nós para nos ajudar, adquirimos novas competências, auto-suficiências.

E, até para emular as formas tradicionais de exprimir afectos, descobrimos teledemonstrações do que for preciso -- e o nosso cérebro aprende novas línguas, não apenas as dos abraços e beijos mas também as das palavras, as das imagens, as que se constroem em cima das saudades, as que cimentam com débeis e inseguras esperanças.


Passaram duas ou três semanas e o distanciamento social começa a entrar no nova normalidade. Aproximamo-nos de outra maneira. Trocamos mensagens, sorrisos, alentamo-nos mutuamente. Pelo menos, teremos pela frente mais quase três semanas idênticas. E o mais provável é que depois venham mais duas semanas ou talvez ainda mais duas, talvez então já com algumas nuances. E talvez depois comece o abrandamento. Ainda com distância, talvez todos com máscaras.  E talvez sabendo que pode ser uma liberdade condicional e relativa. É que pode acontecer que, de Setembro a Novembro, voltem as recomendações mais apertadas. E talvez, então, com sorte, por essa altura, já haja vacina ou tratamento e tudo se resolva -- e embora o covid continue por aí já não meta medo a ninguém.

Mas, quando isso acontecer -- e mesmo que, por um bambúrrio de sorte, já daqui por um bom par de meses, haja ventiladores com fartura e tratamento para grande parte dos casos --, nessa altura já seremos outros.


Ao termos passado por este regime de inoculação diária de números diários de contagiados, ventilados e mortos, durante largas semanas confinados e amedrontados, estaremos conscientes da nossa vulnerabilidade, teremos aprendido que o espirro de um pangolim no distante mercado de Wuhan pode prender-nos em casa, pode afastar-nos dos que amamos, pode ceifar vidas, esvaziar ruas, derrubar empresas, empobrecer tudo à sua passagem, pode deitar o mundo abaixo.


Estaremos, pois, nessa altura, conscientes do respeito que o equilíbrio da natureza nos deve merecer, estaremos conscientes de que, por milhões de conhecimentos que adquiramos, nada nos salvará se uma gotícula invisível que se tenha evadido da expiração de um qualquer anónimo entrar em nós.

Teremos aprendido que há formas mais saudáveis e racionais de viver, teremos aprendido que somos todos agentes de saúde pública, teremos aprendido que o melhor para todos nós é se formos também guardiões do planeta azul e verde.


Seremos outros e o mundo será outro, mais limpo, mais natural e acolhedor. Ter-se-ão reinventado ocupações, criado novas actividades, adquiridos novos hábitos. Hoje ainda não sabemos quais, ainda não sabemos como faremos, como seremos. Hoje desconhemos aqueles que seremos. Hoje estamos a iniciar a construção do que seremos no futuro, um futuro que queremos que seja próximo e bom.


_________________________________________________________

1. Recomendo a leitura de algumas sementes das chaves que abrirão a porta ao novo mundo: Oxford firm to screen 15,000 drugs in search for coronavirus cure. Exscientia to use AI to hunt through compounds which have passed human trials


2. Recomendo que vejam e ouçam a prova de quão resilientes somos, de quão generosos poderemos ser




3. Recomendo que vejam um dos vídeos que provam como a natureza tem horror ao vazio


________________________________________________________________________

As pinturas são de Otto Dix e vêm ao The way that I love you, segundo o Passenger

_______________________________________________________________________

E agora, se me permitem, vou ver um bailado de um coreógrafo que o Paulo B. me deu a conhecer, Alexander Ekmman, que cria bailados na fronteira entre o mundo actual e o mundo novo


_______________________________________________________________________

E agora, com vossa licença, vou ouvir poesia e, se descobrir alguma que me face arrepiar ou ouvir de olhos fechados, volto aqui para partilhar convosco

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Love is blind?
Ná. Não me parece. Sou mais pelo amor em Paris. Paris, Texas, obviamente.





Há um lado de mim que tenta manter-se à margem. Acontece com alguma frequência não conseguir participar na conversa por não conhecer o mundo que descrevem. E já nem falo nos Faces ou nos Instas, coisas que haverão de passar à história antes que eu sinta necessidade de me arregimentar. Idem o Twitter. Dizem-me: razões profissionais. Mas eu nunca senti necessidade ou, sequer, curiosidade de perceber a vantagem de saber o que uns quantos pensam, exprimindo-se em meia dúzia de palavras. Presumo que seja coisa que também passe de moda. Só vejo vantagem nisso para quem está em contexto de guerra ou de isolamento e não tenha como se comunicar com o mundo senão por esta via. 

Mas, mais recentemente, pior mesmo é a cena do Netflix ou HBO ou sei lá o quê. Todos falam das séries, todos se confessam devotos, viciados, experts... e eu zero. Os mais cépticos já se renderam, já não há quem não. Excepto eu. Já olham para mim com incompreensão.

Mas resisto e creio que, enquanto puder, continuarei a resistir. 

Aliás, se eu soubesse o que sei hoje acho que nem ao mail eu teria aderido. Ainda agora, neste momento, recebi um mail com questões e, logo a seguir, plim, plim, um atrás do outro, um com uma apresentação para eu validar antes de ser enviada. Uma permanente intrusão. 

Cartas escritas com tempo, revistas, isso sim. Ou, vá lá, faxes. 
No outro dia, uma jovem disse-me que no banco estavam com um problema qualquer e que tinham dito para se mandar um fax. Fiquei perplexa: 'Fax? Mas ainda há disso? Nós cá acho que já não temos'. Mas uma secretária que ouviu a conversa sossegou-nos: 'Então não há? Claro que há!'. E lá se enviou um fax. Pareceu-me coisa próxima de ter mandado um dos motoristas montado num cavalo com um rolinho de papel na mão.
Mas pessoas que considero legítimas (seja o que for que isso quiser dizer) falam-me de séries que me fazem pensar que talvez eu gostasse de ver. Só que não quero arranjar mais coisas a que possa ficar agarrada. Eu quero é rodear-me de verde. Ou de azul. Ou de branco. Eu quero é rodear-me de silêncio. Eu quero é descobrir por mim. Não quero que me sirvam aquilo a que eu, rendida, fique presa. Também me seria mais fácil comprar comida feita. 
Tenho amigos que, para mais de seis pessoas, falam para empresas de catering e recebem em casa a comida que servem. E acima de dez, junto com a comida, contratam empregados. E, para mais de quinze ou vinte, contratam comida, empregados e mobília. Eu sou animal antigo. Faço comida, lavo a louça, vou buscar bancos à varanda, cadeiras onde as houver. 
Por isso, para encher o meu tempo livre, que é absurdamente escasso, eu prefiro pegar num livro, procurar vídeo, escolher música, pôr-me a escrever, deitar-me a divagar, espreitar a televisão. Não quero ser invadida por posts ou fotos ou stories dos outros nem ficar agarrada às séries dos canais de streaming.


Mas isto porque, eu que gosto de saber o que por aí há, que filmes estão para ser dados à luz, agora passo a vida a dar com o nariz na parede: lançamentos Netflix. Portanto, vai chegar o dia em que vivo do lado de cá de uma parede e o que vai aparecendo de novo está do outro lado. Por exemplo, andava a passar ao lado de um falatório sobre uma qualquer que parece que acha que voz sexy é voz de bebé e, às tantas, fui tentar perceber de que é que estavam a falar. Pois bem: Love is Blind. Na Netflix, claro.


Fui espreitar ao YouTube. Ao princípio lembrei-me do Paris, Texas, filme tão infinitamente precioso.  A perspectiva de dois estranhos se comunicarem através de palavras, neste caso através da voz, parece-me apelativo. Mas afinal, do que dá para perceber, aqui a coisa rapidamente descamba e parece virar um banal reality show. Não se percebe, parece que há uma atracção pela banalidade. Teria sido impossível fazer aquilo mas com os participantes a manterem-se intangíveis, invisíveis? Creio que não. Mas não, foram pelo caminho mais fácil: desfazem o mistério e banalizam o contacto e, claro, desfaz-se o encanto, sacrifica-se a magia. Do que se vê, há zaragata, macacada, zero romance.

Ou seja: não vai ser por isto que vou deixar-me tentar pela Netflix. Melhor assim.



Já agora:

______________________________________________________________________

Desta vez apeteceu-me ir buscar obras de John William Waterhouse que retratava mulheres com tempo para serem mulheres. E, para meu agrado, Passenger & Gregory Alan Isakov interpretam Kathy's Song. 

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

E queiram descer um pouco mais para poderem ouvir Thanks for the Dance. Cohen, eterno.

E uma feliz quinta-feira

segunda-feira, abril 15, 2019

Mergulha comigo






Por muito que possa parecer o contrário, por vezes apetece-me o silêncio das palavras escritas, como se me apetecesse conceder-me o direito à sua rarefacção. Apenas olhar, pensar, ouvir música. Ou nem isso.

Where's somewhere I can cross the sea
In a land that's lost and free
With my darling close to me
At least where I'm supposed to be

Yeah somewhere on the ocean breeze
And around the swinging trees
You're the only one for me
That is where I long to be

Someday

You're somewhere out upon the beach
Out of range and out of reach
With the truest love of mine
Underneath the bluest sky

Yeah far away from any time
We'll watch the lazy sun go down
With my sweetheart I lay down
That is where I will be found

Um céu em azul real que resolvi tingir com um azul virtual

quinta-feira, abril 04, 2019

Ser avó



Nobody can do for little children what grandparents do.  
Grandparents sort of sprinkle stardust over the lives of little children.  
– Alex Haley


Gostava de ter tido irmãos. Durante anos pedinchei à minha mãe que tivesse mais um bebé. Queria um irmão, de preferência mais velho do que eu. Contudo penso que não foi pela dificuldade na concretização do pormenor cronológico que tal não aconteceu. Penso que terá sido por o meu nascimento ter sido tão atribulado e assustador, quase me mandando desta para melhor e identicanente quase deixando a minha mãe fora de combate, que ela deve ter apanhado um medo de morte, resolvendo não arriscar outra vez.

Tinha primos e amigos sempre por perto pelo que nunca cresci solitariamente mas, claro, ter um irmão teria sido outra coisa. Já ter tido uma irmã poderia ter reduzido ainda mais a paz de espírito lá de casa. Digo eu. 


Our grandchildren accept us for ourselves, without rebuke or effort to change us, 
as no one in our entire lives has ever done, not our parents, siblings, spouses, friends,
and hardly ever our own grown children. 
– Ruth Goode


Depois foi a minha vez de ter filhos. Mal acabei o curso e estando já casada há dois anos, achei que não havia mais razão para protelar. Não me sentia jovem demais para isso. 
Aliás, ia parir apenas uns meses mais cedo que a minha mãe e bem mais velha do que as minhas avós tinham tido os meus pais. O meu avô paterno, quando soube que eu me ia casar aos vinte, disse que achava bem, que assim é que era mesmo, que a minha avó, por exemplo, tinha sido mãe aos dezoito. Já a minha avó materna teve a minha mãe aos dezassete, perdida de amores por um rapaz um pouco mais velho. E, quando morreu e se encontrou o seu registo de nascimento, ficámos a saber que toda a vida tínhamos festejado o aniversário dela na data errada porque, de facto, tinha parido ainda aos dezasseis e não quis que ninguém o soubesse. Portanto, sou filha e neta de jovens parideiras.

There is no grandfather who does not adore his grandchild.
– Victor Hugo

Veio, pois, a minha filha e algum tempo depois veio o meu filho. Já contei tantas vezes que não vou repetir o salsifré que foram aqueles dois partos. Presumo que aconteceu o que tinha acontecido vinte e poucos anos antes, quando nasci. Só que, nessa altura, ninguém se lembrou de usar fórceps para me puxar cá para fora, tal como não haveria meios para detectar que eu estava já em sofrimento, sem oxigénio suficiente, coberta de limos verdes, inanimada. Quando nasceram os meus filhos, sabia-se que estavam bem, os partos foram induzidos e eles tirados a ferros (a sangue frio), tendo chegado cá fora em bom estado. Felizmente, felizmente, felizmente. E tão feliz e eternamente agradecida fiquei que todos os dias aqui poderia descrever os partos, o prazer de senti-los a saírem de mim, o prazer de tê-los nos meus braços, o prazer de vê-los crescer, o prazer de vê-los felizes e a construirem as suas famílias.


It is as grandmothers that our mothers come into the fullness of their grace. 
– Christopher Morley

Como já contei muitas vezes, tivesse eu tido, na altura, uma vida mais fácil, com algum apoio familiar, e teriam vindo mais uns poucos. Sentia a necessidade de ter uma casa cheia de crianças. Assim, foram só dois.

E estar grávida e tê-los foi daquelas coisas que me marcaram, me realizaram, me encheram de orgulho e felicidade. E tudo de forma permanente. Preocupo-nos com eles, por vezes aborreco-nos, mas o aborrecimento é sempre superficial porque o afecto que por eles sinto é profundo e indelével. E eles são parte de mim e só estou bem quando os sei bem.

Mas o tempo passa muito rapidamente. Tempus fugit. 


Grandchildren are God’s way of compensating us for growing old. 
– Mary H. Waldrip

Ainda estava eu a digerir o facto dela sair de casa para ir viver com o namorado, já ela estava a casar-se. E foi um casamento lindo (contei-o em vários posts lá mais para trás). E a seguir foi o meu filho a ir viver com a namorada. E quando estava eu a digerir também isso, já aí vinha o primeiro bebé. E aí eu senti uma felicidade ainda mais imensa. Ver a minha filha, já mãe, com o seu bebé ao seu lado, foi mais do que consegui suportar. Chorei por não conseguir conter tamanha emoção. Já o contei: quis dar a notícia ao meu marido e o que consegui foi pregar-lhe um susto pois só chorava, não conseguia falar. E a seguir foi um bebé que se fez anunciar do lado do meu filho e a seguir um casamento e também um casamento lindo, a noiva a entrar pelo braço do pai, barriguda e feliz, e o meu filho emocionado a ver a a sua jovem mulher com a sua bebé na barriga. E pouco depois veio essa menina e eu fiquei, de novo, perdida de emoção e ternura e ver o meu filho com a sua filha pequenina ao colo encheu-me de uma felicidade que voltou a parecer inaugural. Mas já vinha outro bebé a caminho e foi outra alegria imensa e depois mais outro e a alegria não foi menor. Até que, depois de um pequeno intervalo, veio mais outro e a felicidade continua absoluta, infinita.


Grandma always made you feel she had been waiting to see just me all day, and now the day was complete.
– Marcy DeMaree

E os meus filhos queixam-se que, ao contrário do que acontecia com eles, com os menininhos eu deixo tudo, por eles faço tudo, e que comigo eles fazem tudo o que querem. E eu gostava de poder rebater mas não rebato, fico calada, sei que é verdade. Por eles eu perdi as reservas e só sobrou ternura, uma ternura imensa. E isto porque sinto um tal amor por cada um deles que não consigo fazer outra coisa senão amá-los perdidamente. E sei que falar nisto assim, tão excessivamente, pode parecer um exagero. Mas não é. É verdade, verdade em estado puro, e fica aquém, muito aquém do que sinto.

E, é verdade, agora já tenho a casa cheia de crianças.


Perfect love sometimes does not come until the first grandchild.
– Welsh Proverb

 _________________________________________________________________________


As fotografias tal como as citações provêm do post Gift of Grandparents do blog de Steve McCurry . 

[Como é bom de ver o tema da canção Helplessly Lost do Passenger não tem nada a ver com o tema do post. Está aqui porque é bonita]

________________________________________________________________________

Recomendação: evitem descer para não darem de caras com o Cavaco. 
Avisei.

----------------------------------------------------------------------------------------------

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Em vez da metafísica, a logística doméstica e mais não sei o quê.




Nunca me aconteceu sentir dúvidas existenciais -- e não sei se isso abona ou desabona a meu favor.

Gostava de ser psiquiatra e não fui para não ter que estudar medicina e não quis estudar medicina para não ter que lidar com mortos ou estropiados porque só de pensar nisso já me apavorava. Depois pensei que podia ser psicóloga mas, na altura, havia dúvidas sobre o reconhecimento oficial dos cursos. Não havia internet e o conhecimento não circulava como hoje. Nem me lembro já de como era. Ia-se aos sítios, perguntava-se, tentava-se cruzar a informação. Hoje sei que gostaria de ter exercido qualquer das duas profissões. Mas também arquitectura. Gostava muito de ter sido arquitecta. Na altura nem me ocorreu. Pensei trabalhar numa empresa, Não sei porque não escolhi uns cursos. Tanto me diziam que devia tirar o curso que tirei, que acabei mesmo por ir por aí. Disseram-me que, com aquele curso, podia fazer tudo. Sem saber bem quais as hipóteses e com os meus amigos todos com vocações muito definidas, deixei-me ir. Ia morrendo com o pesadelo que eram aquelas cadeiras e, pior ainda, com o pesadelo que eram os alunos daquele curso. Para mim, entrar para a universidade era alcançar um atamar de liberdade pelo qual tanto ansiava. Queria ir ao cinema, ao teatro, passear, namorar, descobrir tudo o que houvesse para ser descoberto. E, afinal, só me apareciam pessoas que queriam estudar, exclusivamente estudar. Um horror.

Razões de sobra para ter dúvidas existenciais não me faltaram.

Tinha querido sair de casa para viver em absoluta liberdade, travei uma longa e intensa luta com os meus pais para, com dezassete anos acabados de fazer, me deixarem viver por minha conta, e, afinal, tendo acabado por vencer tão dura batalha, não encontrava parceiros para a minha caminhada.

Não sou solitária e, naquela altura, sentia-me tristemente sozinha. Nada naquele tempo me agradava: nem o curso, nem os colegas, nem o sítio onde estava (mais vigiado do que eu admitia), nem o estar longe do meu namorado que naturalmente continuou a viver em casa dos pais e andava a estudar na outra ponta da cidade.

Poderia ter pensado que mais valia mudar de curso, mudar de sítio, mudar tudo. Não me ocorreu.

No entanto, poucos meses depois, o mundo à minha volta mudou. Tudo mudou. A vida é assim, feita de imprevistos que condicionam as nossas circunstâncias.

A minha vida desenhou-se nestes tempos: acabaria por escolher uma variante do meu curso que viria a ser-me muito útil, arranjei outro namorado, arranjei outros amigos, vi teatro e cinema e passeei como se não houvesse amanhã. 

Nunca fiz um daqueles testes vocacionais. Acho que um dia ainda vou fazer. Gostava de saber o que poderia ter sido a minha vida se tivesse sabido de outras hipóteses. Não sei se ainda vou a tempo de recomeçar. Não agora mas um dia que tenha o tempo por minha conta. Se pensar em abstracto, ocorrem-me várias possibilidades mas, sendo objectiva, tenho que admitir que já não dá. Só coisas pequenas, só minhas. E nem vale a pena pensar nisso porque a vida vai andando sempre cheia de solicitações, constrangimentos e nós vamos sendo puxados para aqui, empurrados para acolá.

Este meu fim de semana foi bom mas, como sempre, muito preenchido. A minha mãe diz-me sempre que tenho que descansar, ir de férias, ir para longe. Mas não consigo. Estive lá. Gosto de estar com eles todas as semanas. O meu pai tão débil, a minha mãe tão incapaz de se afastar dele e eu, também, tão incapaz de me afastar deles.

E depois o campo. Tão bom. Mas tanto trabalho. O meu marido queixa-se: tanta luta minha para plantar árvores, para fazer com que vingassem, tanta luta, tanta luta contra as pedras, contra os calores e os ventos, e agora tanta luta para as desbastar, tanta luta para domar o crescimento desabalado da natureza. Podamos e serramos e arrancamos e depois transportamos para o local da queima. É um pedaço de terra que tem tanto de nós. Muito de nós vive ali.

E depois à noite, de novo, a casa cheia. Liguei à minha mãe e, às tantas, disse 'estão a chegar, já estou a ouvi-los' e a minha mãe disse: 'mas como é possível, ao domingo à noite, e agora ainda isso? tu descansa, tira férias' Mas eu descanso junto deles, a casa virada do avesso com as brincadeiras das crianças, com a alegria ruidosa de todos eles. A mesa era tão grande, parecia gigante quando éramos só quatro, e agora já mal chega. O meu marido anda a querer resolver isto, quer que se pense numa extensão para a mesa mas, sinceramente, não estou bem a ver. Doze. Seis estão, de dia para dia, mais crescidos, mais volumosos. Quando vêm mais pessoas já eu fico atrapalhada. Agora estamos para combinar um dia no campo para mais nove ou dez ou doze, nem sei bem. Já ando a pensar na logística. No verão, ainda se montam mesas cá fora mas, com tempo frio, não se pode. Vinte e tal pessoas das quais mais metade crianças é coisa que não pode ser de improviso, como geralmente são as coisas comigo.


Bem. Isto para se ver. É que, francamente, só visto. Não sou de dúvidas existenciais. Só questões práticas deste tipo. Começo o post a apontar para a metafísica e acabo preocupada com a logística comensal. Básica todos os dias, é assim que sou (e, na volta, ainda bem). Não me dou problemas.

E de tal forma estou, capaz é de ir dormir, que agora que aqui cheguei, já depois de ter escrito este big lençol é que me lembrei que, quando comecei, vinha com ideia de falar noutra coisa. Mas é como começar uma nova profissão depois de me reformar: a certa altura do campeonato mais vale tirar daí o sentido. Ou seja, se ainda não falei do que aqui me trouxe, também não é agora que vou começar. Paciência.

Digo só que tinha a ver com a noção de 'casa', de ter vontade de estar em casa, com sentir-me bem em casa, de a minha casa ser uma segunda pele para mim, de haver muito dos outros em mim e muito de mim na minha casa, de haver anjos a vigiarem por mim na minha casa, nesta onde estou agora, na outra onde estive até há pouco. E tinha fotografias de casa para vos mostrar mas também não é agora que vou buscar a máquina para as escolher. Fica para outro dia, não é? E agora chove enquanto escrevo e isso é tão bom.

.............................................

Uma vez uma pessoa disse-me que o poema If de Rudyard Kipling era um poema de esperança. Fiquei na dúvida. Apeteceu-me ouvi-lo agora e, ouvindo-o, apeteceu-me partilhá-lo convosco.


----------------------------------------------------------------------------

Uma boa semana a todos, a começar já por esta segunda-feira.

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Conversa de gaja


Alexander McQueen - 1 990 euros


Vivendo eu num meio maioritariamente masculino e até em casa, agora, com uma família predominantemente masculina (e focando-me apenas no núcleo mais restrito: por exemplo, dos cinco pimentinhas, quatro são rapazes), a verdade é que, desde que me lembro, sempre me dei melhor com rapazes do que com raparigas.

Michael Kors, 1 390 euros
Os meus melhores amigos sempre foram do sexo masculino e se há momentos que me são desconfortáveis é quando há encontros de casais (por exemplo, em contexto profissional mas, na realidade, não só) e sentindo-me, espontaneamente, com mais vontade de me juntar ao grupo dos homens, não tenho outro remédio senão engrupar-me com as mulheres. Acontece que todas as que conheço -- e são muitas -- não fazem ideia do que eu faço (de onde depreendo que também não fazem bem ideia do que os maridos fazem) nem mostram qualquer interesse por isso. E ainda bem. Mas, mal se encontram, entabulam, de súbito, aquele tipo de conversa fluida, onde, en passant, se fala de tudo com aquela ligeireza em que, quando uma pessoa pensa que a coisa vai aprofundar, já se saltou para outra: de empregadas, das suas peripécias na escola (muitas são professoras), de saldos, de lojas fantásticas, de outras.

Não posso dizer que não gosto disso mas, durante muito tempo, cansa-me. Se for uma tarde inteira ou se for pela noite dentro, esgoto-me. 

Gucci, 3 500 euros
Estou agora a lembrar-me de um dia, não há muito tempo, passado em casa de um colega, uma casa muito bonita, com um largo alpendre--  onde almoçámos vagarosamente um belo peixe grelhado que foi a única coisa normal numa refeição onde fomos surpreendidos com uma série de imprevistos acepipes -- e com um grande relvado com árvores frondosas. A seguir ao almoço, já a tarde ia a meio, cada homem pegou num copo e numa cadeira e foram sentar-se em círculo, na relva, e ali ficaram conversando até a noite cair. Nessa altura, acharam estava uma noite boa demais para ser interrrompida. Dois foram comprar carne e carvão e mais bebidas e trataram de organizar um cheiroso barbecue. Saímos de lá às quinhentas e eu vinha exausta. Até que nos voltássemos a sentar todos à mesma mesa, eu estive no grupo das mulheres. Dá-se a coincidência de duas falarem ininterruptamente, divertidas, interessantes, mas umas verdadeiras gralhas, de uma outra ser meio aluada e ser capaz de estar uma tarde inteira a dizer coisas ao lado, de uma outra ser a atirar para o coquette e ser capaz de estar uma tarde inteira a encontrar oportunidades para se armar ao pingarelho e apenas uma outra ser mais ou menos como eu, mais contida. Nem sei quantas vezes tive vontade de pegar na cadeira e ir sentar-me no grupo dos homens.

Christian Dior, 2 500 euros
No entanto, não se pense que sou do tipo maria-rapaz. Não. Nunca fui, nunca serei. Tenho, de resto, algumas coisas tipicamente femininas, daquelas coisas mesmo de gajas. Por exemplo: carteiras. Gosto imenso de carteiras (ou malas, como queiram). Tenho algumas que são tão lindas que as tenho apenas por serem lindas, não porque tencione dar-lhes uso. Tenho até uma que está ali na estante, como se fosse um bibelot. Tenho outra em forma de borboleta, toda coberta de pedrinhas. Um dia que organize o meu closet a la Kondo, hei-de ter uma secção só para as minhas malinhas, saquinhos, envelopes, clutches. Tenho amarelinha, azulinha, rosa choque, rosa velho, beige e azul, preto, branco, cortiça, pele mesmo, restinhos de tecido, patchwork em veludo, veludo bordado. Lindonas a dar com cada coisa. Mas depois ando temporadas com a mesma porque ficam tão cheias de tanta coisa miúda e avulsa que o melhor é não mexer, não mudar, deixar estar.
Uma vez, o telemóvel estava a tocar dentro da minha carteira que estava afastada de mim. Entretanto, eu estava com uma chamada no fixo. Um colega perguntou se queria que eu o tirasse da carteira para mo dar mas outro, malandreco, desaconselhou-o, que ele não se arriscasse, que nunca se sabe o que poderia lá estar, que meter a mão dentro da mala de uma senhora era um risco. O prestimoso assustou-se e desistiu de querer ser simpático.
Chanel, preço sob consulta
Em tempos que já lá vão, as malinhas eram um balúrdio: eram de pele genuína, feitas à mão, peças de arte.

Agora a beleza proletarizou-se e há carteiras e sacolinhas elegantes, bonitíssimas, a bom preço. De perder a cabeça. Preciosidades e belezuras a preços demasiado tentadores.

Aqui meio a dormir, que estes meus dias não me dão grande folga, pus-me a ver as modas na Vogue. E fui dar com umas bem bonitinhas, outras meio amalucadas. Mas, caraças, que preços mais despudorados. Escolhi aqui umas quatro para verem a maluqueira de valores.

Mas aquela que me tirou do sério, não pela cor nem pelo modelo mas pela excepcional ideia -- uma sacola dupla que me resolveria os quotidianos problemas de falta de espaço e arrumação -- foi a Chanel. Um jeitaço.

E isto que nem de propósito. Eu a falar do meu lado feminino e ele aí. Vinha para falar no bunda velha que é o Santana Lopes, todo prosa, conversa mole e da treta, populismo oco, verbo fácil e inflado para disfarçar a vacuidade. E queria dizer que foi uma graça ver o Miguel Sousa Tavares na TVI a desmascarar a vazieza do bunda velha, a fazer-lhe perguntas concretas e a gozar o pratinho do outro a patinar em seco, o PSL a disfarçar o populismo oco com um tom comicieiro. Mas, aqui chegada, toda eu bem intencionada, desafinei, desviei-me, deixei que o espírito santanete descesse em mim. Deu-me para isto, para falar de valisettes.

E, acreditem, já estou é completamente a dormir, agarrada ao computador e aparentemente acordada mas, believe me, a dormir. Tenho que deixar que os olhos descansem.


----------------------------------

E como ando numa de Charlot, é com ele que me despeço. Não tem nada a ver com nada do que aqui antes se passou, nem com malinhas e maletas nem com santanas e santanetes. Mas quem disse que os posts têm que ser coerentes? (Eu não fui)



-------------------------

A Glenn Close está pronta para entrar em cena: é só descerem um pouco mais.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Breves apontamentos sobre o meu fds in heaven





Devo dizer que este meu fim de semana foi deveras cansativo. O que serrei de ramos, o que podei, o que atirei de ramos lá para baixo e transportei até ao terreiro onde ardeu uma fogueira gigante nestes dois dias nem vos digo. Agora estou com a barriga cheia de borbulhagem, a dar-me comichão. Cá para mim foi a sacana da ramagem da azinheira. Faz-me alergia. Não sei se é a ramagem, se é aquele pó da floração. Quando ando a trabucar nestes trabalhos violentos fico com calor e ponho-me toda à fresca, nomeadamente apenas com um top de alças, Ora, como pego nos ramos e os puxo e empurro, roçam em mim. Pensei que a lycra fina do top me protegia mas, afinal, protegeu foi água. Já pus fenergan mas acho que não fez nada porque só me apetece coçar-me. O pior é que também nos braços. E até nas palmas das mãos tenho comichão. Que maçada. Querem ver que tenho mesmo que começar a usar luvas? Não há pachorra.

De sábado para domingo estava dorida a cansada pelo que dormi como uma pedra. Acordei às nove e tal com um sonho parvo: estava na praia a tirar fotografias e, às tantas, vi uma deitada a ler um livro. Fiz zoom e vi que era a Michele Obama. Imagine-se. Passado um bocado, ela desatou a cantar e já parecia mais a Madonna que a Michelle. E apareceu imensa gente dom holofotes, microfones, assistentes disto e daquilo. E eu pensava: estão a gravar um videoclip.

Penso que só pode ter sido com aquilo de uma das vices do menino guerreiro dar pelo nome de Advogada da Madonna.

A verdade é que acordei mal, com dor de cabeça que abrandou mas não chegou a desaparecer ao longo do dia.

Também me fartei de cozinhar, este fim de semana: caldeirada de raia, arroz de cachola e rojões, peixe grelhado, molhinhos, sopinha, etc. Gosto imenso de cozinhar, já sabem. E no campo ainda gosto mais. 

 Li pouco. Fiz tapete. Fotografei. Visitei a família. Trouxe laranjas de casa da minha mãe. Gostava de saber fazer um doce de laranja, com casca, e com chocolate. Gosto de ripinhas de casca de laranja caramelizada envolta em chocolate preto. Um dia ainda hei-de descobrir doces que possa fazer de improviso.


Estive a escolher a roupa  para vestir esta segunda-feira e, ao olhar para o meu roupeiro, deu-me vontade de ter tempo para fazer uma arrumação quase a la Kondo.

A minha meminininha mais linda pediu para eu abrir as gavetas e as portas da sua cómoda e roupeiro. Estavam arrumadíssimas e tudo a la Kondo. Fiquei espantada. Bem mais eficiente e e as coisas mais fáceis de localizar. Um dia que tenha o tempo por minha conta, vou dedicar-me a isso.

Hoje sugeri ao meu marido que, com a tanta lenha que lá temos, nas horas livres se dedique a fazer casinhas para pássaros ou banquinhos rústicos. Inventou logo uma série de derivações meio malucas para desvalorizar a ideia. Mais a sério disse que não tem horas livres. E reconheço que não.

Depois lembrei-me da palavra goiva e pensei que eu poderia tentar fazer uma esculturinha. Será que consigo esculpir a madeira? Tenho que experimentar.


............................................

Espera-me uma semana cheia de coisas. Começos, recomeços, cenas. Numas coisas acredito e aposto todas as fichas, noutras assim-assim, noutras nem sei bem o que pensar. Mas a verdade é que nem sempre nos deixam usar o tabuleiro ou jogar com todas as peças e, portanto, tudo é relativo. Por isso, vamos andando.

E, aqui chegada e depois de ter escolhido as fotografias de Brigitte Niedermair para fazerem companhia às minhas palavras e as palavras do Passenger para me embalarem, fico com aquela sensação de que agora devia ir escrever um post a sério. Já escrevi sobre o novo partido, Aliança, que nos fazia tanta falta como a fome e agora estive para aqui a desfiar nem sei bem o quê. Palavras sem rumo.

Por isso, despeço-me com mais um pequeno vídeo de Charlie Chaplin, uma graça intemporal. Espero que gostem.


---------------------------

Desejo-vos uma bela semana a começar já por segunda-feira.

Enjoy.

--------------------------------------------