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sábado, dezembro 20, 2025

Dia pré-natalício com três dos meus crescidos e queridíssimos ex-pimentinhas

 

Dia de ida às compras com os meninos. Quando eram pequenos, irrequietos, traquinas, truculentos, brincalhões, referia-me a eles como pimentinhas. Agora já não faz sentido, estão crescidos, enormes, bem comportados, responsáveis, sossegados. 

O mais pequeno não foi, ainda tem colégio e, de resto, não teria paciência para este programa. E um dos guarda-redes (são três) está com uma valente gripe, com febre. Por isso, também não foi. Tem que se pôr bom até ao Natal... (já para não dizer que está proibido de contagiar alguém da família).

Foi o mais crescido, a menina e o seu mano, ambos também já crescidos. De qualquer forma, ocuparam-se também das compras para os não presentes. Gostam de escolher a sua roupa, os rapazes aconselham-se entre si, a menina opina, ajuda, decide, organiza. Já é a opinião deles que prevalece. Sabem o que querem, têm bom gosto, têm bom senso. Sinto gosto em estar no meio daquela dinâmica.

Claro que, no caso dos rapazes, ainda me custa a perceber a estética das calças baggy. 

Mas, como já as há super baggy, quase já acho as primeiras ligeiramente  normais.

Para se perceber o estado da arte a nível da evolução destes meus fofos, cumpre-me ainda reportar que o mais crescido, com o seu próprio dinheiro, foi depois comprar um presente para a namorada. Como a menina-namorada não me lê, posso adiantar que se tratou de um anel. Contudo, disse que não queria que fossemos todos atrás. Percebemos, claro. No entanto, condescendeu a que o primo o acompanhasse. A prima ficou um pouco desconsolada. Eu aproveitei para ir à casa de banho e o meu marido ficou à minha espera. Face a isso, a minha menina resolveu que, assim sendo, ia ter com os rapazes. E foi.

Depois, quando fomos comprar a roupa dela, os rapazes ficaram no sofá cá fora, creio que a jogarem qualquer coisa ou a discutirem futebol, tema que os convoca em permanência, muitas vezes em animadas picardias (um do Sporting e outro do Benfica).

Dali partimos para a segunda parte do programa de festas: uma ida até às almôndegas do IKEA. Claro que nem eu nem o meu meu marido alinhámos na mesma ementa. Almoçámos bem. Eu comi bacalhau com migas, o meu marido pernil, e, para ambos, uma fatia partilhada de cheesecake de mirtilos. Bem bom. As mesas estavam cheias, mas o menino mais crescido sabia da existência de uma sala no piso superior e, portanto, estivemos à larga, na maior. Começo também a gostar desta parte do programa. 

Depois, para o menino doentinho não ficar com pena de não participar no repasto, levámos-lhe um saco de almôndegas congeladas e uma embalagem de molho. Em princípio, a minha filha terá preparado o petisco para o jantar.

Ainda demos uma volta por lá e, a seguir, fomos entregar os meninos e buscar o fofo cãobeludo que tinha ficado na creche dos dogs e que, como sempre, ao ver-nos, fez uma festa entusiasmada, saltando e andando em nossa volta, a dar-nos turrinhas e beijinhos, parecendo mesmo que se ri.

Claro que, depois disto, não tenho grande pachorra para falar das habilidades do Marques Mendes, o facilitador, o espertinho, o optimizador dos seus próprios impostos. Nem tenho disposição para falar do debate do taberneiro com o Cotrim. Aquele taberneiro cansa-me.

Depois, adormeci. 

Agora, antes de me retirar para os meus aposentos, vou ver se os ficheiros libertados do Epstein não estão todos tingidos de preto.

E um bom sábado!

quarta-feira, junho 18, 2025

Uma aventura no IKEA


No fim de semana, estávamos aqui à mesa, diz um dos meninos: 'O que eu gostava era de ir ao Ikea comer almôndegas.'. Ficámos estupefactos. Ao Ikea?! Almôndegas do Ikea?!?!?!

Toda a gente o contestou. Quem é que quer ir ao Ikea? E quem é que, ainda por cima, quer ir comer almôndegas? Dahhhh....

Mas o menino dizia que gostava mesmo de ir. Perguntei à minha filha porque é que não satisfazia o filho, se era coisa que ele queria assim tanto. Respondeu que pagava para não ir ao Ikea. E muito menos iria lá comer almôndegas.

E a conversa ficou por ali.

No dia seguinte, intrigada, perguntei à minha filha de onde conhecia ele as almôndegas do Ikea. Disse que, dantes, a sogra costumava ter em casa almôndegas congeladas e, quando apareciam os netos para almoçar, descongelava-as. Se calhar não era sempre, se calhar aconteceu algumas vezes. Mas as suficientes para o menino sentir saudades.

Acresce que está de férias e, tirando os treinos de futebol, pouco tem que fazer. Um dos primos do menino também está de férias.

Então, ocorreu-me o seguinte: 'E se fossemos buscar um e outro e fossemos com os dois  ao Ikea comer almôndegas?'

O meu marido foi categórico: não, não e não. Nem Ikea nem almôndegas. Segundo ele, um disparate sem sentido. Nem pensar em ir enfiar-se no Ikea, nem pensar ir para o restaurante do Ikea, nem pensar em almôndegas. Não e não e não. Assunto encerrado.

Fui ver o menu do restaurante e vi que há outras iguarias. Li-lhe.

E falei-lhe no prazer que daríamos ao menino que estava com saudades das almôndegas. E o primo, certamente, ficaria feliz por ir também.

Auscultei os respectivos pais. Por eles, sim. 

Mas o mano do primeiro também quis ir. E a menina, que eu pensava que estava com aulas, afinal esta terça-feira não as tinha, pelo que também estava livre e também quis ir. 

(O mais novo se calhar nem chegou a saber desta aventura... Está ainda na escola.)

Pôs-se, pois, o tema logístico. O carro só dá para cinco... 

Então fomos buscar dois, depois eu e a menina ficámos no Ikea e o meu marido e o outro menino foram buscar os primos.

Foi, pois, dia de festa. A alegria de estarem juntos num programa tão fora da caixa...

Todos contentes, com carrinhos, lá fomos buscar a comida. Comeram wraps de salmão para entrada, os rapazes comeram almôndegas, dose maxi, 12 almôndegas cada, com puré de batata, bolo, água (o mais crescido bebeu coca-cola, já se sente um rapaz crescido...). Quis que levassem salada mas disseram que não, que a alface do wrap era suficiente... Dois dos meninos levaram uma peça de fruta, os outros não quiseram. Ficaram a deitar por fora, todos contentes com o pitéu... Eu comi lombo de salmão, o meu marido e a menina comeram pernil estufado. 

Depois, surpreendentemente, na saída, entusiasmaram-se com os peluches. 

Já crescidos... mas parece que lhes deu a nostalgia dos peluches. Ela trouxe um alien, o mais crescido um pinguim que diz que é para oferecer à namorada pois estão quase a fazer 6 meses de namoro, outro trouxe um macaco e disse que era para o irmão e o menino que teve a ideia inicial das almôndegas trouxe uma bola de futebol mas ficou com pena de não ter trazido também um macaco (ficou prometido para a próxima). 

Os pais, quando viram as fotografias que lhes tirei a andarem com os peluches nem queriam acreditar. Mas eles estavam radiante. Um dos meninos disse que aquilo deveria passar a ser uma tradição, nas férias irmos todos almoçar ao Ikea (não sei se sempre almôndegas ou se a tradição admitirá variantes).

Depois um dos meninos pediu para ficar em casa dos primos, os três sozinhos em casa. Obtidas as devidas autorizações, assim foi, lá ficou. A menina ficou um pouco tristonha mas tem exames, tem que estudar, e logicamente não tinha levado os livros, tinha mesmo que ir para casa. 

Para o lanche, ainda lhes comprámos lá, ao lado do snack, umas panquecas congeladas e bolachas. Os anfitriões não queriam, que há muita comida em casa, que não, que não. Mas depois, na perspectiva das panquecas e daquelas belas bolachas, aceitaram. Disseram que poriam as panquecas no microondas e as comeriam com mel.

Soube depois que, enquanto o mais crescido estava a estudar para o exame, o menino que está de férias foi com o primo, os dois sozinhos, ao supermercado comprar nutela com o seu próprio dinheiro.

Claro que o pior foi o trânsito que depois apanhámos, uma seca das valentes. Fomos pôr a menina a casa que, imagino eu, não deveria estar com grande vontade de ir estudar... Os exames deveriam acontecer no outono ou no inverno ou no início da primavera. Agora exames no verão é um sacrifício para os jovens...

E ainda fomos comprar tinta para pintar o resto do muro e mais ácido muriático e mais uma série de coisas. Um calor dos diabos. 

Mas foi um dia muito bom. Gostei muito. E o meu marido também estava contente. Não é preciso muito para as pessoas se sentirem felizes.

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Uma boa quarta-feira

Be happy

quinta-feira, agosto 20, 2020

O dia foi bom. A casa começa a mostrar-se uma casa feliz.
Pior mesmo só o que se relaciona com o IKEA. Muito mau.




Já estou quase a sentir-me a dona do pedaço. Fiz duas máquinas, estendi a roupa no estendal que há logo ao sair da porta da cozinha. E fiz peixe cozido para o almoço com feijão verde, batata, cenoura, ovo. Quase como se estivesse a viver normalmente em minha casa. Esta começa a ser a minha casa e não a casa nova. Pelo meio, arrumei mais uma porção de sacos e caixas. Uma delas, bem grande, tinha material que me deixou passada: montes de livros 'estrangeiros'. Agora que eu tinha concluído a empreitada.

A sala ainda está um caos: falta arrumar os ensaios, os clássicos, as entrevistas, os diários, as correspondências. Não sei por que ordem arrumar nem sei em que estantes pois, no local para onde estavam destinados, parece que o espaço já escasseia. E as caixas de artes: cheias E as arquitecturas: tantas, todas cheias. Em grande parte, livros grandes, altos, de dimensões irregulares. Mas a ficção estrangeira, que eu pensava que estava esfolada, aparece-me agora ainda com aquilo tudo para encaixar. E isto já para não falar dos 'livros não livros' (como o rapaz das mudanças leu os 'livros não lidos') que ainda não sei como fazer. 

Mas o dia teve um momento menos bom: aconteceu uma coisa que me deixou deveras descoroçoada. Estava há tanto tempo a imaginar uma salinha toda com portugueses, só com portugueses. Tinha aquela dúvida que, por fim, ultrapassei decidindo que seria toda a língua portuguesa. E não só a prosa mas também a poesia. A estante dos portugueses da outra casa era do ikea em branco acinzentado metalizado e eu idealizei complementar com mais uns módulos, iguais, para ficar tudo em clarinho. Só que, para não ir lá, porque nem tenho tempo, encomendei online. O cinza do site causou-me alguma dúvida, não fiquei certa de que não seria mais cinza do que o meu branco acinzentado. Mas não havendo nada mais para além do branco-branco, admiti que fosse distorção cromática da fotografia. Hoje, como previsto e dando cumprimento ao meu 'cravanço', o meu filho veio montar as ditas cujas. Contou com a prestimosa colaboração da mulher que, surpreendentemente, tem um jeitão para aquilo que me deixa espantada e, confesso, com uma certa invejinha (mas invejinha das brancas, inocentes) já que eu não me acerto nada com aquilo. 

Depois de a semana passada não terem aparecido e de ter suado as estopinhas para saber o que se tinha passado e para conseguir reagendar -- coisa que só com a ajuda da minha filha consegui pois só lá foi via chat e facebook já que, por telefone, está quieto -- ficou para esta quarta-feira. Das 9 às 13:00. Eram quase duas da tarde e nada. Pensei que ia ser um déjà-vu. Mas não. Apareceram. Sem máscara, com má cara, sem uma explicação para o atraso, sem um pedido de desculpa, um deles só a tossir. Perante tão desconfortável panorama, pedi que deixassem as big caixas à porta, não os quis dentro de casa. 

Quando o meu filho e a minha nora chegaram expliquei porque é que aqueles pesadelos não estavam no sítio. Ele disse logo: 'Já percebi, as caixas estão cheias de covid' e, portanto, desembalaram tudo, deitou-se o cartão fora, desinfectaram as mãos. Não me senti nada confiante com aquela dupla mal amanhada de entregadores, nada como ter todos os cuidados. 

Mas o pior foi a má notícia que o meu filho e a minha nora me deram quando viram a cor daquilo. Cinza rato. Fiquei para morrer. Nada, nada a ver com o branco platinado da outra. O meu filho chama-lhe cinzento urbano mas eu, desconcertada, só me apetecia era chamar-lhe cinzento de m.... Aquilo diz cinza metalizado e, na fotografia, parece cinza bem claro. Nada a ver com o que recebi. A minha vontade é dizer que venham buscar. Só que, para isso, teria que gastar horas e horas e horas a ouvir música sem que ninguém me atendesse, haveria  de passar por chatices e mais chatices, haveriam de dizer que agora não dá para trocar porque já se deitou fora tudo o que é embalagem. Ficámos ali a olhar para aquilo, sem saber o que fazer. Cansada do ikea e do péssimo serviço com as entregas e do péssimo (ou, melhor, do inexistente) atendimento, resolvi que se montasse. Isto na esperança que, quando montadas, a apanhar a luz, a cor se mostrasse aclarada. Mas aclarada uma ova. O meu filho diz: agora que foi montada já não dá para devolver. Uma chatice. A minha filha diz que não lhe parece mal, que, como tem portas de vidro e como vai estar cheia de livros, não vai ficar mal. O meu marido, por seu lado, quando lhe pergunto o que acha, diz que não acha nada. O meu filho e a minha nora dizem que eu troque as portas por portas brancas. E, por isso, não montaram as que vieram. Mas não sei. Fundo cinza com portas brancas ao lado de uma em branco acinzentado capaz de parecer uma coisa que nem é carne nem é peixe. Que raiva. É o inconveniente de fazer compras online. Nada como ver ao vivo.

Enfim. Adiante.

E puseram-se mais uns quantos quadros, sempre debaixo da embirração do meu marido, porque, depois de posto, se percebe que ficou mais acima ou abaixo do que devia e ele não quer arrancar e fazer outro furo, porque diz que nas paredes onde queremos (eu e a minha filha) é betão e não se consegue furar, porque fura e não cobre o que está por baixo e, ainda por cima, fica zangado quando me zango com ele. Desde que me lembro que pôr quadros na parede é esta cena.

E a minha filha andou nas decorações, em parte em conjunto com a sobrinha. Está a ficar muito bonita, a minha casa. Clara, ampla, luminosa.

Os miúdos organizam-se, correm, brincam. Uma festa. Penso que sentem que é também já a casa deles. 

Tirando isso, trabalhei. Ainda não estou de férias. Portanto, não foi fácil. Telefonemas, mails. Como muita gente está de férias, tenho conseguido ter uma vida um pouco mais facilitada. Mas esta quinta-feira já vou estar com reuniões e, portanto, o equilíbrio tem que ser mais esforçado. E à noite tratei do que não consegui fazer durante o dia. Nunca sobra trabalho para o dia seguinte, isso é ponto de honra. Tenho é muita coisa para tratar a nível pessoal como, por exemplo, mudar a morada em tudo o que é sítio. Devia ter uma semana sem mais nada que fazer, só para pôr estes assuntos em ordem. Mas nunca disponho desse tempo.

E a ver se sossego e se tenho tempo para ler notícias e ver televisão para, ao menos, ter assunto.  E já nem falo em não cair a dormir mal aqui me sento. A querer despachar trabalho e só a sentir-me adormecer. Senhores.

Mas calo-me já. Imagino como deve ser fastidioso ler estes longos relatos sobre temas que, sendo importantes para mim, a vocês nada vos devem dizer. Sorry.

Amanhã a ver se vou às compras que há alguns dias que nem daqui saio. Tenho o frigorífico quase vazio. Tenho a casa cheia e, chegados à hora de jantar, cada um vai à sua vida pois nada tenho para lhes oferecer. Uma coisa que, em mim, é contranatura. 

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As imagens pré e com sorriso são uma graça, não são? Obtive-as através do Panda Chateado (Pics Of People Before And After They Were Asked To Smile).

Acompanha-nos a bela Nè men con l'ombre d'infedeltà de Handel na interpretação de Sophie Junker

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E votos de um dia feliz. Saúde a esperança em dias melhores. 

[E a quem está mal de amores o que digo é que há mais marés que marinheiros. Se o actual marinheiro é fraco e aparentemente não é capaz de levar o barco a bom porto, então pouco há a perder. E isto, obviamente, é válido para marinheiros e marinheiras. A vida não deve ser desperdiçada com quem não sabe ser a companhia que desejaríamos. A vida é para ser vivida em amor. E, se ainda não o encontrou, então é de ir à procura dele. Amores à espera de serem encontrados é o que não falta]

domingo, outubro 14, 2018

Estantes, decorações, arrumações.
Estou na cidade enquanto ouço sinais de que a Leslie está a passar ao largo mas que, ainda assim, se faz ouvir.




Sábado atípico. Contudo, bom. Mas todo na cidade: nem campo, nem rio, nem mar. Cidade da cabeça aos pés.
[E isto para não falar na sexta-feira, ainda mais atípica, com um acontecimento que prova que isto a gente não deve desistir de nada por achar que é tão improvável que jamais acontecerá. Aconteceu-me e, no momento em que estava a acontecer, só pensei: Não é possível, isto não está a acontecer, não pode ser. Mas aconteceu. E não foi bom. Mas há coisas piores e eu sacudo para trás das costas tudo o que não me agrada. Não alinho em teorias da conspiração, não alimento paranóias, não fico a achar que 'só a mim...', não desanimo nem deixo que a apreensão me tolha os movimentos. Em bom português, e pardon my french: cago para as malapatas. Bola para a frente.]

Na sexta à noite cheguei a casa ainda meio apardalada mas, em vez de ir enfiar-me na cama ou de ir acender velas a pedir protecção a quem quer que fosse, fui pôr-me a fazer medições -- a móveis, a paredes --, a tirar livros de uma estante para a mudar de sítio só para ver se ficava bem ali, para o espaço ficar livre para outra maior. O meu marido passado. Não concordava com nada daquela mudança. Não queria sequer pensar em ir para o Ikea. Não percebia como tinha eu ainda disposição para andar naquilo. Eu a precisar de ajuda para ensaiar, para perceber se aquelas trocas resultariam, e ele contrariado, mal-disposto.

Depois, não apenas porque era tarde para fazer jantar como porque nos apetecia laurear, resolvemos ir jantar à praia. Uma humidade boa, a maresia bem activa, cheirosa. Não deu para ir passear à beira de água porque me tinha esquecido de levar um agasalho e o frescor das noites de Outubro estava a fazer-se anunciar.


Hoje de manhã o meu marido comunicou-me: acordei a pensar nessa coisa das estantes e tive uma ideia. Sobressaltei-me: pensei que ia ser uma parvoíce daqueles dele em que inventa tudo o que lhe vem à cabeça para não ter que ir ao ikea.

Mas não: uma ideia disruptiva. Acabar com o escritório até porque raramente é usado. Levar a secretária grande para o espaço de estar na zona fechada do terraço, perto do cadeirão americano, da conversadeira e dos banquinhos baixinhos. E, na parede da secretária, colocar uma big estante. 

Adorei a ideia. Boa. Fiquei mesmo contente.


Almoçámos lá, no Ikea, e fomos às compras a seguir.

Escusado será dizer que mal entrou no parque de estacionamento o meu marido entrou logo em desespero. Estava cheio. Por ele, dava logo meia volta. Mas lá o convenci a ficar. Depois, mal chegámos ao restaurante e vimos aquelas longas filas, disse outra vez que não tinha nada que aturar aquilo, que não foi feito para estes números. Mas lá ficámos. E foi bem bom. Ficámo-nos pela sopa, pelo wrap de salmão, pela salada de cuscuz, salmão, queijo, passas, tomate e rúcula, depois almôndegas vegetarianas com um arroz de legumes, para mim um sumo de cenoura, maçã e gengibre e, para rematar, uma tarte de frutos vermelhos. Muito bom. E arranjámos uma mesa junto à galeria, quase isolados, agradável. Quem diria que iríamos gostar de almoçar no ikea?

A seguir lá nos dirigimos às estantes. Tanta gente. Até eu me impaciento no meio da barafunda, de caminhos labirínticos. Mas, enfim, é o que é e thanks god there is ikea. Trouxemos a estante grande mas também uma estreitinha, de quarenta centímetros de largura mas com dois metros de altura, para encostar à coluna aqui da sala da televisão. A comodazinha que agora lá estava foi para um pequeno recanto no hall dos quartos. E ainda mais uma estante-cubo, com quatro compartimentos, para pôr ao lado de um dos maples.


Quando nos dirigimos ao piso de baixo para recolhermos as caixas, o meu marido bufando em contínuo, vimos aquilo que esperávamos: volumes grandes demais para o carro. Já tínhamos dado como adquirido: tem que ser com entrega. Só que, ao tentar retirar da estante a primeira das caixas, percebemos que era um peso bruto. Ele fulo, claro, que ia dar cabo das costas, que não comprasse eu tanto livro e não tinha ele que andar sempre a acartar e a montar estantes, etc, etc. Lembrei-me: mas será que não podemos simplesmente dizer o que queremos, sem termos que andar a levar as caixas para o balcão dos despachos?

Fui informar-me: têm esse serviço, sim senhor, mas pago. E assim fizemos: pagámos. O levantamento das embalagens, o transporte e a montagem. Portanto, só tivemos que fazer a encomenda detalhada do que queríamos e levá-la à caixa para pagar. Claro que agora vou ter que esperar um pouco mais de duas semanas quando estava mortinha por me pôr já a virar a biblioteca toda do avesso para arrumar numa nova disposição os livros que por aqui andam a monte. Mas não havia outra alternativa: era um peso, um tamanho e um trabalho de que só eu e ele não daríamos conta.


Antes de regressarmos a casa ainda me apeteceu um gelado. Depois, cá, deitámos mão à obra. A secretária ainda tinha as gavetas cheias de tralha do meu filho e de mais nem sei já bem o quê. E havia para lá mais uma data de coisas. Tudo passado a pente fino e muita coisa para o lixo. Transportá-la para o outro lado da casa foi um bico de obra. Em tempos, numa era pré-ikea, havia perto da minha casa uma loja de móveis muito bons. O dono negociava em antiguidades e tinha uma loja especializada em fornecimento de mobílias e decoração de embaixadas. Grande parte dos móveis da minha casa provém de lá. A secretária também. É enorme, pesada, em nogueira, com o tampo em pele verde. Se me lembrar, um dia destes fotografo-a. Para conseguir tirá-la de lá, o meu marido teve que tirar um outro móvel e os dois andámos com ela às voltas, tombada, para conseguir passar pelas portas e dar curvas. Arrumei também as gavetas da pequena cómoda que agora está no hall. A grande cesta onde tenho a juta dos arraiolos e as lãs também foi arrumada e mudou de sítio. Idem com os desenhos dos vários tapetes que já fiz.


Claro que não fiz outra vez jantar. Mandámos vir uma bela pizza em forno de lenha que comemos quentinha e saborosa. 

Agora estou aqui, meio a dormir (como de costume...), contente com a perspectiva de ir ter estantes novas e de conseguir ter esta sala minimamente arrumada, sem livros a transbordarem por todos os cantos, sentados em cadeiras, cadeirinhas e sofás, encarrapitados em cima da mesa redonda, das estantes baixas e das mesinhas de apoio, em pilhas ao lado de tudo. 

Cheia de preguiça e mais lá do que cá, à falta de notícias estrepitosas, tenho estado aqui entretida a ler 'O caminho estreito para o longínquo norte' de Matso Bashô; e, pelo meio, quando sinto que vou adormecer, ponho-me a navegar à bolina entre imagens de decoração quer da Madame Figaro quer da Elle parisiense; e repesquei umas quantas para acompanharem o texto, ao som de Finn Andrews que interpreta ‘Nobody Gets What They Want Anymore' de Marlon Williams.

E, para já, é isto que tenho a reportar. E domingo será um novo dia. E que seja, para todos, um dia feliz.


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E não me lembro se, no outro dia, vos mostrei uma coisa belíssima. Podia ir verificar mas estou tomada pela indolência. Por isso, pelo sim, pelo não, mostro. Une merveille.

Sarah Lamb e Steven McRae do The Royal Ballet ensaiam Mayerling


segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Ir ao IKEA e sobreviver.
E depois voltar lá para devolver o que se comprou antes.
E sobreviver outra vez.
Muita sorte, portanto. Também gostavam, não era...?





Pois, então, muito bem. Tudo em ordem. Roupinha lavada, comidinha feita, o que havia a arrumar, arrumado. Presentation despachada, relatório enviado. Tudo jóia. Sossegada aqui na minha salinha. 

Há bocado, quando me instalei aqui no meu sofá de estimação, puxei o saco do Expresso. Pesado. Pensei: continuam a ser mais as nozes que as vozes. Ou seja, quilos de papel. O livro do Estaline, o suplemento da Saúde, o da Economia (que ainda não abri), o Principal (que despachei, sem curiosidade, em três penadas), de novo a Revista. E, surpresa!... afinal também uma laranja. Ontem, antes de me vir embora, andei à laranja. Pelo caminho para cá, comi logo duas. Boas, boas. Só sumo. Docinhas. Nem pingo de tratamento. E bem que aquelas pobres laranjeiras precisariam de qualquer coisa. Parece que as folhas estão amareladas. Mas gosto que as coisas ali medrem por si. E também já aprendi a aceitar que, volta e meia, não vingam. É a natureza.


As amoras, as laranjas, as nêsperas, os figos são sempre uma maravilha. Já morreu um limoeiro e uma figueira. Não sei porquê. Maleitas, falta de rega. Talvez. Mas aprendi a não dramatizar.

Portanto, havia uma laranja no saco do Expresso e essa foi a melhor novidade desta edição.

Depois andei a ver blogs. Descobri outro. Encaro isto da blogosfera como encaro a natureza. Entram uns, saem outros. No outro dia, fiquei completamente desagradada com o que uma pessoa escreveu no seu blog. Deu-me uma veneta, tirei-o logo da minha galeria. Hoje, através do Ouriquense, descobri o Elogio da Derrota e já o incluí ali ao lado (se não o faço esqueço-me: há tantos blogs). Quem tenha tempo, pode passar o dia inteiro a descobrir blogs a partir de outros blogs, novas escritas, novas maneiras de ver a vida. E pode recuar no tempo, ler no tempo antes deste tempo, deixar-se surpreender.


Mas, então, adiante que vinha eu aqui para contar das minhas compras matinais e me distraí. Adiante, adiante.

......

No sábado, à tarde,o meu filho enviou-me uma mensagem perguntando se estavamos por perto pois os dois mais crescidos, com a chuva, fechados em casa, estavam que já não atinavam, se podíamos ir dar uma volta com eles nem que fosse para um centro comercial, só para ver se deixavam de embirrar um com o outro. Mas não deu, estávamos longe e já com os minutos contados até ao fim da noite. Mas, como tínhamos que ir ao ikea este domingo de manhã, podíamos levá-los. Assim ficou combinado.

Andamos há algum tempo a pensar mudar de colchão e um domingo de manhã podia ser uma boa altura. Durante a semana quase não há tempo e está sempre lá muita gente. Domingo de manhã devia ser tranquilo.

Quando íamos a chegar ao carro, para ir apanhar os meninos, lembrámo-nos que não tínhamos medido o colchão. Mas já não dava tempo de voltar atrás pois a combinação era estarmos de volta à hora do almoço e, de resto, eu tinha a ideia que era o tamanho mais pequeno. A cama é tradicional, cabeceira alta em raiz de nogueira, nada daquelas camas actuais, maravilhosas, onde duas pessoas podem estar deitadas como se não se conhecessem, sem aquele drama dele prender a roupa ou vir deitar-se com a cabeça também na nossa almofada,  

Lá fomos. Para começar, parque de estacionamento a deitar por fora. Fiquei logo incomodada. O IKEA cheio de gente é de fugir. Com duas crianças pequenas pior um pouco. Os meus filhso acham que eu fico stressada nestas situações e, se hoje me tivessem visto, teriam constatado que têm razão. Tenho medo de perder algum. Mal chegaram, os meninos ficaram com calor. Portanto, lá andava eu com a trench coat dela e a samarra dele nos braços. Depois ele enfiava-se numa tenda e ela fugia para se sentar numa secretária. O meu marido dizia-me: não tires os olhos dela que eu fico com ele. Mas está bem, está. Logo já ele se tinha esgueirado da tenda e se tinha enfiado noutra casinha e já ela tinha voado da secretária para fazer um puzzle num monitor que estava numa parede. Nestas alturas eu penso que uma pessoa austera talvez conseguisse impor algum respeito, trazê-los pela mão. Mas não. Não só sou contra a austeridade como o meu próprio facies desmentiria tal vocação. Portanto, foi assim, esgueirando-se um por aqui e outro por ali até conseguirmos chegar aos colchões. Lá chegados, uma festa. colchões de latex, de molas, de molas ensacadas, de espuma, de firmeza elevada, de firmeza média. Várias combinações. Com sobre-colchões ou sem, de solteiro ou casado. Lá me informei. Melhores os de molas ensacadas. Em circunstâncias normais, talvez tentasse saber que coisa vem a ser essa de molas ensacadas. Assim, acriticamente, aceitei. Cada um deitado em sua cama, mudando de cama em cama, e eu aflita, uma multidão de gente a experimentar colchões e eles a correrem de cama em cama. 
Percebemos, então, que havia uma promoção justamente para colchões. Daí aquela barafunda.
No meio daquela confusão, até o meu marido se deitou numa para confirmar: de molas ensacadas, firmeza elevada. Depois o tamanho. O mais pequeno: 140x190. Só podia ser essa a medida. Nada de 160 ou 180, essas larguezas paradisíacas. Tirar código, corredor, secção. Fotografar para não enganar.

Depois a odisseia de ir buscar ao armazém. Os colchões vêm enrolados, um big e pesado rolo. Os meninos queriam ir dentro do carrinho. Pôr lá o colchão foi obra. Lá fomos, a custo, então, para a caixa.

Quando estavamos na fila, olho para o colchão e vejo: espuma. Não dava para acreditar. Era para ser as ditas molas ensacadas. Tínhamo-nos enganado. A custo, o meu marido lá foi trocar, aquilo a pesar toneladas. Lá regressou com outro big chourição, coisa para quase trinta quilos, 

À saída, quiseram ainda um cachorro. Os pais odeiam que eles comam porcarias mas, enfim, um dia não são dias e não será uma salsicha que há-de fazer mal. Lá fomos. Estafados.

Depois ainda pior. Enfiar aquele monstro no porta bagagens com o banco de trás ocupado com duas cadeirinhas foi outra odisseia. A parte de trás do carro teve que ser quase desmanchada para se conseguir a proeza.

Mas, pronto, meninos entregues a horas. E lá andei outra vez com o bebé ao colo, fofinho, fofinho. Ia a sair de lá, mensagem da minha filha, que iam ver o bebé daí a nada, se não queríamos ir também lá ter. Bem que gostava, há uma semana que não vejo os outros pientinhas mais lindos mas com o que ainda tínhamos para fazer, não dava.

Lá fomos, então, para casa, o meu marido com aquele canhaozão nos braços. Quem já lá comprou um colchão sabe que aquilo parece que é dobrado em vácuo. Quando se tiram as fitas, aquilo desdobra-se, enche-se de ar ou lá o que é, expande-se, e fica um colchão normal. Felizmente não o fizemos. Lembrámo-nos de medir o actual colchão. Pois. Ia-nos caindo tudo. 1,30*1,85. E sem margem para um centímetro a mais já que a cama tem aquela parte dos pés para cima, a travar o colchão. O meu marido disse: Pois, não me admiro. Se me esticar, fico com os pés de fora. Ficámos passados a olhar para aquilo. Solução: voltar lá, devolver.

Voltar lá...?

Nããããããoooooooo....!


Outra vez com o canhão nos braços, outra vez a enfiar no carro. Desta vez mais simples, deu para rebater parte do banco de trás.

Fatalistas com aquilo tudo, já íamos a temer o pior. Não. Tudo na boa. Ninguém nas devoluções. Ficaram com o colchão, devolveram o dinheiro. Não vendem lá colchões da dimensão do nosso. O meu marido já queria ver-se livre da cama. Por ele trazia uma cama larga, um colchão largo. Era o que faltava, uma cama tão bonita.

Com isto já passava das três. O meu marido perguntou: 'Será que a esta hora, lá em cima, ainda servem almoços?'. Achei que sim, aquilo é gente com olho para o negócio.

Quando lá chegámos só nos apeteceu fugir. Uma multidão, muito pior do que de manhã. O restaurante a deitar por fora. Filas e filas. Mas ir a outro lado? Àquela hora...? Ficámos.

Almoçámos lombo de salmão com legumes grelhados, ele salada, eu caldo verde, cheese cake com mirtilos. Agradável. Saímos de lá às quatro da tarde. 

De lá, resolvemos ir, então, a casa dos meus pais. Pelo caminho fui compondo o post abaixo que já tinha começado em casa. Em casa dos meus pais recebi uma mensagem da minha filha com um dos flhos com o bebé ao colo. Mais tarde, o mano também com o primo ao colo. A seguir os habitantes da casa iam para casa da outra avó pois havia outra festa de anos. Imagino que o bebé, que fez este domingo à noite uma semana, lá deve ter continuado a andar de colo em colo. Nem protesta. No meio da confusão  e de colo em colo e a dormir descansado. Menino mais lindo.

E pronto, foi isto. Uma trabalheira doida, uma estafadeira no meio de uma multidão e resultado zero.

No entanto, tenho a dizer que fico sempre com vontade de ir um dia ao ikea, um dia em que milagrosamente haja pouca gente e em que eu tenha muito tempo.


Aquilo ali há de tudo e coisas fantásticas. Mesmo assim, de manhã, no meio de todo aquele fuzuê, ainda consegui trazer um saco de molas para fechar embalagens, que as anteriores levaram não sei que descaminho, uma garrafa com tampa, para a água, e uma caixa de vidro com tampa de plástico para guardar comida no frigorífico. Mas deitei o olho a mil outras coisas que me dariam um jeitão. Em relação a algumas teria, antes, que perceber qual a sua função mas, estou certa, quando a descobrisse pasmaria de ter sobrevivido até aqui sem elas. E não estou a brincar.


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Lá em cima The Lumineers interpretam Sleep On The Floor. Nem mais.

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E desçam, por favor. Em baixo, o ambiente é mais tranquilo.

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