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domingo, julho 20, 2014

Keira Knightley, Rihanna, Vanessa Paradis e outras celebridades falam da Moda Chanel Pronto a Vestir Outono/Inverno 2014/2015. Nelo e Idália também falam, ele com o Zé Carlos sobre moda e ela, coitada, com a mãe sobre telenovelas ou lá o que é. E isto tudo por culpa do Sabadabadão, das bailarinas da Ágata, da trança no cabelo da Júlia Pinheiro e das perguntas parvas do Palmeirim em plena praia.


Estou in heaven, tranquilamente. Já li o Expresso, já borreguei e agora hesito entre pegar no livro que trouxe ou deixar-me ficar por aqui, a escolher filmes ou músicas. Claro que podia já escrever qualquer coisa para não ir de madrugada para a cama mas parece que a minha cabeça se habituou a funcionar no registo da escrita apenas por volta da meia noite ou depois e ainda é cedo, 22h30m, quase hora é do lanche.

A partir de hoje estamos a fazer baby sitting à Joaquina já que a sua família de criação está a banhos no Algarve. Pois não é que, apesar de tão pequena, já é esperta? Falo com ela, bato nas paredes, e ela toda se arrebita, cabecita espevitada a olhar com atenção, uma gracinha. 

Adiante. 

Agora, como aqui só temos os 4 canais, estou a ver o Palmeirim na praia com conversas apalermadas com uns moços de fato de banho. Não percebo o objectivo da coisa, dá ideia de ser um concurso mas as perguntas são parvas demais. E o pior é que não há alternativa melhor. Será que todos os programadores consomem substâncias alucinogéneas ou é gente que veio do hospício? É que não acredito que seja disto que a população gosta. Se gosta é porque está estupidificada com tanta injecção de porcaria. 

Agora o meu marido fez zapping e está na SIC com a Júlia Pinheiro com um penteado do além, uma trança à volta da cabeça, não sei se isto é na brincadeira ou se faz parte do décor. 


O Baião faz a festa do costume e é uma animação mas a verdade é que olho e não percebo o que é isto. 


Agora vejo o anúncio da Ágata à procura de bailarinas. Uma cena cómica, verdadeira britcom.


Agora estamos no noticiário da RTP 2 com o Alberto João Jardim a dizer umas lérias datadas e que já não têm a graça de antes.

Hoje sou eu que quero que o meu marido faça zapping e é ele que não quer, diz que é tudo a mesma coisa, que não vale a pena andar a cirandar. De facto, uma indigência. Ele diz que já sente a falta do futebol a toda a hora. Eu sinto falta de programas de qualidade em horário nobre nos canais generalistas.

Bem, vou virar-me para o Youtube.


No outro dia mostrei aqui a alta costura Chanel; hoje viro-me para o pronto-a-vestir.

A colecção foi mostrada num supermercado, uma inovação. Mas foco-me nas celebridades que acompanham o desfile. Fiquei com pena por não ouvir Mario Testino que estava ao lado da Keira, uma verdadeira Coco.

Mas há várias caras bem conhecidas, gente elegante e pouco espalhafatosa como é timbre da moda Chanel.








Para os que acham que sou elitista, armada ao pingarelho, metida a besta, sempre com Chanel, Chanel, Chanel, mostro que estão muito enganados: volta e meia sou até muito Massamá (sítio que não tinha antes nada de mal mas que agora tem más conotações - e tudo por causa do casal Coelho). 

É o caso. Num verdadeiro momento Massamá, no seguimento do desfile de celebridades e modelos Chanel, temos o Nelo e a Idália a falarem de moda e, claro, com picardias envolvendo a sexualidade do garanhão. Uma graça. Pena que a gravação não seja grande coisa mas, enfim, não se pode ter tudo.




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sexta-feira, março 28, 2014

"Amo-te tanto que não te sei amar" - o emocionado testemunho de Maria Rueff sobre o pai e sobre o seu médico, António Lobo Antunes, o escritor-psiquiatra


Abaixo poderão ler vários posts, 

  • um sobre a conversa de treta que é isto do passo em falso que terá sido o briefing das Finanças com a Comunicação Social - e que, para dizer verdade, mais me parece uma manobra de diversão para irem passando informação que revoltaria as hostes, mas de uma maneira que as hostes nem se apercebam bem disso, concentradas que estão na barraquinha armada ou encenada
  • outro sobre Stieglitz e Rentes de Carvalho (a dívida, a austeridade e a ostentação)
  • e, finalmente, um sobre a reeleição de António Saraiva à frente da CIP


Mas isso é a seguir. Aqui, agora, quero deixar-vos com um vídeo que não pode deixar de nos tocar. 

No Dia António Lobo Antunes (ALA) no Centro Cultural de Belém, o escritor foi 'visto' pelos seus leitores, entre os quais Maria Rueff.


Falou ela do seu pai, à data do relatado, internado no Miguel Bombarda onde ALA era médico, falou da gentileza do médico a cuja porta bateu, falou do médico que era giro todos os dias, falou do livro que tantas vezes a salvou. 

Assim é o poder das pessoas que trabalham com palavras - e não me refiro apenas a ALA mas também a Maria Rueff que é uma artista ímpar e que usa as palavras com uma vibração e contenção notáveis. Diz que controla a sua esquizofrenia com metáforas em vez de lítio. Mulher inteligente e com quem não se pode deixar de sentir uma imediata empatia.

No vídeo não se ouve António Lobo Antunes. Parece um pouco ausente e isso deixa-me um bocado inquieta. Mas talvez seja por alguma timidez.



***

Continuem a descer, por favor.


terça-feira, julho 17, 2012

Sobre o amor conjugal (palavras de António Lobo Antunes e o exemplo de Nelo e Idália). E, ainda, Adelaide dita pelo autor


Estou casada há vinte e quatro anos e não sei se gosto ou se me habituei. Não morro de entusiasmo com a ideia do meu marido voltar todos os dias para casa às seis e meia sete mas também não é desagradável. Não me apaixona o facto de passar o mês inteiro de férias com ele e os pequenos mas também não me arrependo por aí além. Fazer amor não é a coisa mais apaixonante do mundo mas também não posso dizer que seja um frete.
(...)
Chego a pensar que gosto se o comparo com outros homens, com os maridos das minhas amigas por exemplo, com os meus cunhados, chego a pensar que me habituei quando vejo um filme com o Robert de Niro. Não é que o Robert de Niro seja bonito ou assim: é o sorriso, é a maneira de olhar, é o vazio que fica em mim ao acenderem as luzes e em vez do Robert de Niro, o Zé Tó ao meu lado no automóvel, o Zé Tó a perguntar-me em português se a mulher a dias lhe passou as calças cinzentas, a torneira do quarto de banho a correr, eu deitada, e o Zé Tó, em pijama, quem se estende à minha esquerda com aquelas revistas de jipes todo-o-terreno que ele adora ler, é o Zé Tó quem me dá um beijo, quem apaga a luz, é o calcanhar do Zé Tó que me toca a perna, é o Zé Tó que adormece com uma rapidez que me irrita e me deixa sozinha no escuro a olhar o tecto à espera do sono que não vem, que não há maneira de vir, que demora séculos a chegar. Claro que se o Robert de Niro aqui estivesse não o queria para nada.
(...)
  a ausência de discussões, o bom feitio do Zé Tó, ainda bem que você julga que não me devo questionar sobre se gosto dele ou se me habituei, ainda bem que me convidou para jantar só que eu jantar não posso, doutor, que desculpa ia dar ao Zé Tó diga-me lá, podemos mudar para um almoço sexta-feira num restaurante que não seja perto nem do seu consultório nem da minha casa, de preferência sem pessoas conhecidas, eu até sinto que você tem qualquer coisa do Robert de Niro, o sorriso, a maneira de olhar, mal entrei no seu gabinete pensei logo
  - Este psicólogo tem qualquer coisa do Robert de Niro aposto que nos vamos dar bem
  e agora sou capaz de jurar que nos vamos dar bem, sou capaz de jurar que a seguir ao almoço nos vamos dar lindamente.

*


*

Não sei há quanto tempo estou aqui sentado à tua espera. Um quarto de hora? Meia hora? Mais? Penso: se passarem dez automóveis encarnados e ela não vier, vou-me embora. Penso: conto de uma a trezentos e se, chegando aos trezentos, não apareceres, peço a conta. Passam doze automóveis encarnados e fico. Cheguei aos quatrocentos e vinte e três e continuei à espera. Recuo dos quatrocentos e vinte e três para o zero na certeza que aos cento e cinquenta te vejo chegar, acenando entre as mesas da esplanada, um problema no emprego, um telefonema da tua mãe, o drama de arrumar o jipe no parque de estacionamento. Mas como o baton te escorrega da boca para a bochecha e me dá ideia que, para além do perfume, cheiras a loção de barbear, tenho alguma dificuldade em acreditar em ti. Digo
    - Trazes o baton na bochecha
    os teus olhos mudam sem deixar de olhar-me, tiras o espelhinho da carteira, verificas a bochecha, pedes-me um lenço de papel, limpas o batom, procuras o tubo prateado numa confusão de chaves e agendas, refazes a boca mais devagar do que o costume em busca de uma justificação, guardas tudo na carteira, sorris porque encontraste uma mentira, os teus olhos mudam de novo, a tua mão poisa na minha, pedes não sei quê ao empregado, a mão troca a minha mão pelo teu queixo, explicas que devido à suspensão do jipe o baton errou o alvo (...). A mão abandona-me o queixo, belisca-me a orelha e ao beliscar-me a orelha quase acredito em ti. A parte que ainda não acredita insinua
    - Cheiras a uma loção de barba diferente da minha
    a mão que me esfregava o lóbulo hesita, ofende-se, a tua cadeira afasta-se indignada, reparo que te farejas a pretexto de fungares, que tropeças no cheiro, que te afastas um pouco mais para que eu deixe de sentir a loção, que tentas uma ironia qualquer
    - Estive a rapar o bigode
    que, como de costume, te defendes atacando-me
    - Não é possível viver com um homem que desconfia de tudo
    que tentas resolver o assunto ofendendo-te
     - A tua falta de confiança magoa-me
(...)
Aproximo a cadeira da tua e peço-te perdão. Logo, se estiveres para aí virada
     raramente estás para aí virada
     é possível que a gente tal e coisa, e a seguir tu de nariz no tecto numa espécie de careta
     e eu, sem reparar no teu chupão no braço
     nunca consentes que te chupe o braço
     eu, apesar do teu chupão no braço, a acomodar-me melhor na almofada, sentindo-me
     como direi?
     satisfeito, Fernanda, satisfeito.

*


*

O primeiro excerto pertence à crónica 'O amor conjugal' do Primeiro Livro de Crónicas. O segundo pertence à crónica 'Não ligues às minhas picuinhices' do Segundo Livro de Crónicas. Lembro que António Lobo Antunes, a nível de crónicas, já vai no quarto volume. 

Pessoalmente acho as crónicas de António Lobo Antunes uma excelente leitura (e acho os seus romances, desde há algum tempo, uma seca. Acabo por os deixar de lado ao fim de uns dias de luta).

*

E, vocês, meus Caros Leitores, desculpem esta minha onda de transcrições. Não tenho paciência para falar do Relvas (e, a sério: a bem da consciencialização de quem ainda não percebeu o desastre que é este Governo, acho que Passos Coelho faz mesmo muito bem em aguentá-lo porque aquilo é tudo tão irremediavelmente mau que é bom que haja bem visível, à vista de toda a gente, uma caricatura como o Relvas) e quase tudo o que vejo na televisão me maça.

Hoje ouvi que o Moita Flores suspendeu o exercício da função de presidente do município de Santarém. Invocou razões de saúde e pressões literárias. Como?!?!?!? Fiquei aqui de queixo caído durante um bocado. Isto só visto. Razões literárias...?

Por aqui, pelas televisões, pode ele andar sempre que há um qualquer crime para comentar. Para isso tem saúde e agenda livre (agenda livre face aos compromissos literários). Entretanto, anunciou que está disponível para se candidatar por Oeiras. Ou seja, entre as idas à televisão e os livros e as séries de televisão, faz umas perninhas nas Câmaras. É este o espírito destes fantásticos políticos.

No outro dia tinha visto um rapazola qualquer a dizer que a culpa do Relvas se ter portado como um chico-espero era do Mariano Gago e que mau mesmo era o que Sócrates tinha feito, desculpabilizando de forma bacoca e disparatada o seu correlegionário Relvas. Ora isto seria apenas estúpido se o rapazola fosse um qualquer apanhado à má fila, no meio da rua, por um repórter daqueles que gostam de ouvir opinar quem quer que passe na rua; mas não, parece que é o líder da Jota (JSD, claro), ou seja, um secretário de estado, quiçá directamente ministro, em potência. Deprimente.

Depois vejo a revolta nas ruas de Espanha e vejo a bonomia passiva dos portugueses, muitos ainda a apoiar estas políticas de miséria. Não que eu apoie a violência, claro que não. Mas defendo a indignação, a manifestação da indignação. Esta bovinidade mansa dos portugueses às vezes chateia-me. A empobrecer e a estupidificar... e tanta gente ainda tão conformada.

Por isso, para não vos maçar com a minha chateação, prefiro dar a vez a quem escreve bem.

*

E ainda: gostaria imenso de vos ter lá no meu Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras são m´suica em volta de um belo poema de Eugénio de Andrade. E, porque se fala de música, há festa: inicio hoje a semana dedicada a Béla Bartók e a vibração está no ar.

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E, assim sendo, desejo-vos uma bela terça feira. Alegria e muitas bebidas frescas!

sábado, outubro 29, 2011

Dia de entrevistas: António Lobo Antunes que é melhor como entrevistado do que como escritor de romances; Clarice Lispector, a fantástica escritora brasileira; Pedro Paixão, that crazy guy e, porque é fim de semana e humor é coisa boa, para finalizar numa apoteose de cultura: Cátia na Casa dos Degredos com os fantásticos Manuel Marques e Maria Rueff


Não gosto dos romances do António Lobo Antunes, mas gosto muito das Crónicas, género no qual o acho uma maravilha.

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Clarice Lispector, uma mulher escritora muito especial



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Pedro Paixão no 5 para a meia-noite com outro crazy guy, o Alvim



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Manuel Marques e Maria Rueff tão bons que apetece nem ver os originais, a Cátia e a Teresa Guilherme



   Enjoy!!!!