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quarta-feira, abril 30, 2025

Ainda sobre o Apagão -- resposta a um Comentador e outras breves considerações
-- A palavra, claro, ao meu marido --

 

Em continuação do que tenho escrito e relativamente aos comentários que um Leitor fez, quero esclarecer que uma coisa são as questões técnicas relacionadas com o apagão, outra coisa é a forma como o governo atuou -- e é isso que eu critico. 

E a coisa piora de hora para hora. As declarações do ministro Castro Almeida a dizer que o PM andou a gerir o gasóleo dos carros dos ministros para garantir o fornecimento de gasóleo à MAC é assustador a todos os níveis. Fica claro que o PM não sabe o que tem que fazer e como deve atuar e que não há planos de emergência para situações críticas. 

Relativamente ao que chama politiquices sugiro que ouça as declarações do  Moedas, do Pinto Luz, do Leitão e do Montenegro: isso, sim, é verdadeira politiquice. 

E não será também politiquice terem ido 11 ministros ontem às televisões para tentarem limpar o que lhes correu mal?

Já agora, uma outra pergunta: a eletricidade ainda não chegou a Belém? Ou o Marcelo está afónico?

Ainda o apagão e o spinunvivo também conhecido por Montenegro (Continuação)
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Em continuação do que escrevi ontem, ao fim da noite:

Confirma-se, uma vez mais, o que tenho escrito. O Montenegro tentou aproveitar o apagão para estar nas televisões, fazer propaganda eleitoral e passar por alguém que sabe gerir crises. Borrifou, como é costume, para os Portugueses e, segundo percebi, instruiu a Proteção Civil para não informar, como é habitual em situações de crise, a população do que estava a acontecer e o que se podia esperar. Assim,  por responsabilidade do Montenegro, o caos aumentou e ocorreram muitas situações que poderiam ter sido evitadas. 

Outro que, também completamente a despropósito, aproveitou o apagão para fazer campanha eleitoral  foi o Moedas, o que não é de estranhar porque são farinha estragada do mesmo saco. Em política não devia valer tudo, mas, para os dirigentes do PSD, vale. Infelizmente as redes sociais, a forma como uma parte da comunicação social transmite a informação, as fake news e a falta de atenção e cuidado com que as pessoas acedem às notícias não lhes  permite  distinguirem o trigo do joio. É pena. Provavelmente esta forma de percepcionar o que se passa não vai mudar rapidamente -- mas há-de mudar e os que nos tomam por parvos não terão lugar de destaque na sociedade.

O governo não existe - só existe o Montenegro, aka Spinunvivo, no seu pior
-- A palavra ao meu marido --

 

O apagão de ontem demonstrou várias coisas. 

A primeira é que não temos governo. Apareceu-nos um PM titubeante e impreparado que demonstrou uma enorme falta de liderança e de incapacidade para transmitir informações úteis e pertinentes ficando-se, como aliás é habitual, por generalidades ocas e sem qualquer utilidade face à situação que o País atravessava. Passou sempre ao lado daquilo que era importante e, ainda por cima, na intervenção que fez à noite, parecia que estava num comício, o que foi completamente despropositado. Os ministros que estão à frente dos ministérios que mais envolvimento teriam nesta situação nem apareceram. Claro que ninguém teve coragem para pôr a MAI ou a da Saúde a botar discurso porque seria mais que certo que ou entrava mosca ou saía asneira. A ministra do Ambiente apareceu em "pé de página" porque ninguém acreditaria que era moça para tomar qualquer tipo de decisão numa situação urgente. O Lentão Amaro, para não variar, não disse nada que se aproveitasse e o Castro Almeida, também para não variar, disse o que não devia dizer. Se tivéssemos esta malta no governo em tempos de COVID tinha sido bonito. Este é mesmo um governo sem cu nem pé nem bico.

Em segundo lugar tornou-se claro que as infraestruturas estratégicas deveriam ser acompanhadas pelo governo (e não estão a ser). E, ainda por cima, depois do que se passou ontem, somos levados a concluir que os contratos de venda da REN e da ANA feitos pelo Passos Coelho, ao preço da uva mijona, aparentemente não defendem os interesses de Portugal e dos Portugueses. Se defendessem, haveria instalações de produção de energia de reserva que permitiriam repor o fornecimento de energia num período muito mais curto. Identicamente, o caos instalado no aeroporto de Lisboa não teria acontecido. Assim se constata como o mais querido da direita se preocupou com os interesses dos Portugueses.

Em terceiro lugar, a Proteção Civil esteve mal. Do que soube hoje, terá sido o Governo a privilegiar a comunicação política (ainda por cima, oca e tardia) em detrimento de informação concreta, operacional, técnica, útil. Talvez por isso, a Proteção Civil não transmitiu aos Portugueses a informação que devia ter transmitido e que teria contribuído para acalmar a população e prevenido situações desnecessárias. Parece que só emitiu alertas quando a situação estava resolvida. 

Em quarto lugar, os contratos de concessão com as operadoras de comunicações têm que definir garantias de fornecimento do serviço em situações de crise. Não é admissível que, poucas horas depois do apagão, as comunicações colapsem, não permitindo efetuarmos contatos quando é mais necessário. Terá havido outras situações inadmissíveis como no caso do INEM, em alguns casos de dificuldade no fornecimento de combustíveis para os geradores nos hospitais, o caos em que ficou o trânsito em artérias críticas, e a completa desorganização dos transportes públicos. 

Com este panorama, ainda há um marmanjo, de seu nome Luís Montenegro, que vem a público dizer que correu tudo bem. É preciso ter lata! Mas, de facto, lata não lhe falta. Não nos esqueçamos do que disse sobre a Spinunviva, sobre o cimento para a sua casota, sobre a gasolineira, sobre o choque fiscal, sobre o plano dos 60 dias para a saúde,.... O que lhe sobra em lata, falta-lhe em ética republicana e em capacidade para ser PM.

terça-feira, abril 29, 2025

Um mundo a diferentes velocidades. Por um lado a Inteligência Artificial a dar passos de gigante e, por outro, de repente, falta a 'luz' e o País pára

 

Comento muitas vezes que o mundo evolui displicentemente assente em pés de barro. Por exemplo, em todo o lado temos que dar o nosso endereço de correio electrónico, que passa a ser praticamente o único meio de contacto, e, no entanto, temos as nossas contas em empresas com as quais temos uma relação muito frágil. O gmail, usado pela maioria das pessoas, só para dar um exemplo, é gratuito pelo que dificilmente haverá margem para exigir o que quer que seja. O que é que as pessoas sabem sobre os locais em que o seu correio está alojado ou o que fazer sem ficarem sem acesso a ele? Mas o correio electrónico apenas está disponível se houver comunicação de dados. Não havendo, não há correio.

Ou, na maioria, temos acesso às nossas contas bancárias através do homebanking que assenta em comunicações que são também vulneráveis. Veja-se o que aconteceu esta segunda-feira com o apagão, em que muitas pessoas ficaram incomunicáveis. O dinheiro físico praticamente já só é disponibilizado via Multibanco mas, como se viu, o sistema ficou inoperacional e, em grande parte do comércio, sem terminais de pagamento, apenas faziam compras a dinheiro.

E não vou aventurar-me a falar de sistemas de chamada como o Uber ou outros serviços que ficam indisponíveis quando as comunicações falham ou quando falha a alimentação elétrica. 

E hoje ficámos a perceber que, estando a energia a ser importada, quando falou em Espanha, ficámos nós todos 'às escuras'. Ainda não se sabe exactamente o que se terá passado mas as causas, para este efeito, são irrelevantes: o que é relevante é que tanta inteligência artificial, tantos avanços tecnológicos, tanta tecnologia gratuita ao dispor de todos... e afinal, uma borboleta bate as asas com mais força num qualquer outro país e, de súbito, tudo cai por terra. 

Ninguém sabia o que estava a passar-se, começaram a surgir explicações para todos os gostos, não se sabia se íamos ficar às cegas e isolados por horas ou por dias, a malta correu para os supermercados sem saber o que fazer, não conseguíamos comunicar-nos uns com os outros, não se conseguia abastecer os veículos, o primeiro-ministro fechou-se em S. Bento sem falar à população e, de repente, parece que tínhamos voltado à pré-história tecnológica.

Ocorria-me que as casas deveriam ter pequenos geradores e reservas de combustível, painéis solares, qualquer coisa para garantir um mínimo de autonomia. Estamos completamente dependentes de tecnologia e ao mesmo tempo completamente vulneráveis.

Pela parte que me toca, fiquei sem conseguir contactar filhos e netos até à noite (e a minha filha esteve sem saber do mais velho durante horas). Em vão tentei contactá-los por todas as vias e só por volta das nove da noite comecei a ter notícias. Preocupava-me pois pensava que, mesmo se fosse ver se a minha filha precisava de alguma coisa (pois o fogão e forno são eléctricos e, portanto, não tinha mesmo como cozinhar), não tinha como chegar até ela pois a campainha do prédio não funcionaria e, mesmo que eu soubesse o código da porta, também não funcionaria. E preocupava-me pois, mesmo que os miúdos fossem a pé para casa, sem terem a chave da porta de baixo e sem campainha e sem telefones, como entrariam? 

Mas, enfim, estão todos bem, em casa, sem problema, e já com energia em casa.

Concluindo: é isto, um progresso que, vendo bem, tem pés de barro.

Há uma reflexão a fazer sobre o que se passou. E espero bem que não seja como sempre acontece: mal tudo fica tranquilo mais ninguém quer saber de coisa nenhuma.