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terça-feira, junho 25, 2019

As inteligentes perguntas do PSD a Sócrates.
As úteis e inteligentes Comissões Parlamentares de Inquérito


Ouvi na televisão que os deputados da Comissão de Inquérito à CGD querem lá o Sócrates e, não querendo ele oferecer-lhes o pratinho e optando por responder por escrito, vão enviar (ou já enviaram) perguntas.

Uma coisa meio maluca. Tudo isto é maluco, desprovido de senso. Ao fim de não sei quantos anos, os deputados resolvem acordar para a vida e, virgens de primeira viagem, ficam numa excitação, coisa adolescente, pueril, parvoíce de juventude retardada e bobinha.

Nos tempos áureos da alavancagem financeira, em que as universidades (e polvilhem tudo de um bom catolicismo) ensinavam que bom, mas bom mesmo, era as empresas endividarem-se, endividarem-se até ao tutano, com ou sem garantias palpáveis, em que a publicidade invadia todos os espaços com empréstimos para toda a gente, empréstimos a perder de vista, até para quem não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego  -- nessas alturas, os senhores deputados não viram nada, não juntaram dois e dois. Olhinhos wide closed, como é seu costume. Nem o fizeram os comentadores económico/financeiros que sabem tudo mas só depois de toda a gente o saber. Nessa altura, os senhores deputados haveriam de andar entretidos com outras questões póstumas porque só reagem muitos anos depois, quando do morto já nada resta, só memórias esfumadas.

Nesta altura há questões presentes, profundas, que se não agarradas a tempo impactarão intensamente os tempos futuros mas que é lá isso...? Não são temas mediáticos, não são a espuma dos dias. E os senhores deputados só se interessam pelo que já lá vai. 

Agora que os bancos até já estão razoavaelmente sanados, em que os tempos dos créditos à tripa-forra já lá vão e em que os bancos até se uniram para tentaram, pelas vias normais, ressarcir-se dos buracos causados pelos grandes caloteiros do regime, é que os deputados acordaram e querem saber, ao pormenor, quem é que fez ou desfez nos idos de já nem sei quando. 

Não digo que não haja coisas a saber agora. Há. Por exemplo, seria interessante como foi possível dissolver um grande banco da forma como foi, com ministros de férias e a assinarem de cruz. Ou como foi aquela divisão entre o bom e o mau, em que o bom ficou cheio de coisas más que parece que não cabam e que, agora que o banco foi vendido nem sei bem a quem, é preciso continuar a meter lá dinheiro. Isso seria interessante saber. E não foi assim há tanto tempo. Agora é que seria de questionar a Marilú e o Láparo, ou até a Cristas, amiga, assina lá, enquanto a memória deles ainda estiver fresca. Ou a nulidade do Carlos Costa, esse que passou por todo o lado em que houve buraco sem nunca se ter dado conta de nada e indo acabar no Banco de Portugal onde elevou a sonsice até a um nível de manhosice insuportável.

Mas não. Os senhores deputados armam-se em investigadores, em juízes fora de água e, para ali estão, horas a fio, entretidos com um exercício de auto-exibicionismo e onde também oferecem palco a exibicionistas falhados, a gente que já não se lembra de nada (* e já vos explico porque é que acredito que não se lembrem mesmo), um exercício que volta e meia é de pura prepotência, maldade gratuita e humilhação dos inquiridos, um exercício que dá canal, que garante partilhas nas redes sociais, que alimenta a indústria do comentário político, que alimenta a rábula, a graça fácil -- e que, em termos práticos, não passa disso.

E tudo isto culmina na parvoíce mais completa ao quererem que Sócrates, que deixou de ser primeiro-ministro há oito anos e que, desde então, tem sido escrutinado, virado do avesso, inquirido, inspeccionado, trespassado por raios x e ressonâncias magnéticas, scanneado, espiolhado, bisbilhotado, trespassado, passado a ferro, posto atrás de grades, vigiado à distância e à lupa, agora responda a puerilidades como esta:
Sr. Eng. recebeu quantias monetárias ou outros bens por parte do Grupo BES, Grupo Lena ou Vale do Lobo?
Agora, meus Caros, digam-me: isto não é de gargalhada? Estarão à espera de que resposta? 

Olhem, só me ocorre isto: LOL 😂😂😂😂😂 (a ponto de ir às lágrimas)


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* Por razões que agora não vêm ao caso, não devo conseguir escapar de ser testemunha de um caso que se passou há uns quatro anos. Quando chegou a notificação, chutei para canto. Quando me perguntaram o que sabia eu do caso, a minha primeira reacção foi que pouco ou nada sabia, que tinha acompanhado a coisa já no rescaldo. Foram-me fazendo perguntas e eu fui puxando pela cabeça e, aos poucos, fui-me lembrando de alguns episódios. No outro dia, numa reunião com advogados, tentaram que me lembrasse de mais coisas. Às tantas eu disse que só tinha tido algum envolvimento já o caso estava consumado, para aí a partir do verão de há uns três anos. Uma das advogadas olhou-me como se não acreditasse, dizendo-me que não lhe parecia provável que no prazo de um ano não tivesse havido nada e que eu não soubesse de nada. Um hiato de um ano? Fiquei a pensar que, de facto, era estranho. Mas não me ocorreu nada em que eu tivesse participado nesse período. Fiquei de procurar mails antigos. Pois bem. Resmas, paletes. Tive conhecimento, participei durante o dito ano em que juraria ser-me totalmente alheio. Estive a reler os mails e fiquei perplexa. Não me lembrava de nada de nada de tudo aquilo. Ao reler, claro que as memórias se foram reconstruindo mas, antes, juro: zero. Como explicar isto? Penso que é simples. Para mim, aquilo era marginal. Sendo caso grave, muito grave mesmo, para os lesados e para os directamente envolvidos, para mim aquilo era coisa em que participava sobretudo como expectadora. E, de lá para cá, todos os dias acontecem coisas. Quantas outras crises, quantos outros problemas? Mal de nós se mantivéssemos vivos todos os registos de tudo o que fazemos em todos os dias da nossa vida. Acho que até tenho boa memória e, no entanto, apesar de todo o meu envolvimento naquele caso durante um ano, só me recordava, e sem grande pormenor, do que se passou de há três anos para cá e apenas porque passei a ter intervenção na primeira pessoa. Portanto, acredito e mais do que acredito que aquela gente que vai à Comissão e que não se lembra do que se passou há oito ou dez anos, em reuniões iguais às que se têm todos os dias de todos os meses e de todos os anos, está a falar verdade.

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As duas últimas imagens provêm do mui saudoso We have kaos in the garden

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domingo, fevereiro 03, 2019

E o que é um tomate roxo?
[E isto para não me alongar com a auditoria à CGD, com aquelas denúncias de cenas que se passam nas autarquias PCP, com a baderna que para ali vai na Venezuela, com a extraordinária Elizabeth Holmes, com a criminosa greve dos enfermeiros ou, mesmo, com as minhas andanças nocturnas in heaven, preferindo, com a vossa licença, deleitar-me com Jane Goodall]
-- E sim, um ponto verde no canto da sala é uma ervilha de castigo --




Claro que, na volta, eu devia era falar dos créditos e das imparidades da Cixa Geral de Depósitos. Mas, para falar disso, porque não falar tambem das do BPN, do BES, do Banif, do BCP, etc? Que disso, upa, upa, há por todo o lado e, de uma forma ou de outra, todos temos tido que lá meter dinheiro. E não que com isso esteja eu a querer branqear a coisa. Zero. Não. Mas há os créditos dados a ver se se salva uma fábrica, uma actividade que conjunturalmente está a passar um mau bocado e há os dados por vã ambição, ganância, mania das grandezas. Quem, ignorantemente, ponha tudo no mesmo saco vai por mau caminho. A avaliação técnica de um crédito tem mil e uma vertentes e não é num comentário apressado que se pode tecer opinião. 

Por isso, passo adiante.


Também podia falar da avalancha de notícias sobre os compadrios nas autarquias geridas pelo PCP. Não atiro pedras e não porque ache que o PCP não tem telhados de vidro mas porque prefiro ter a certeza da veracidade de tudo o que está a aparecer. É que há tal coincidência nas pedradas que a coisa parece orquestrada e eu de orquestrações prefiro as musicais. A ter havido abuso de confiança, uso e abuso de recursos autárquicos para fins partidários, dolo na gestão de dinheiros públicos ou infracção de regras claro que acharei mal e que defenderei que não estejam, como ninguém pode estar, acima da leia. Mas, até que para mim esteja claro o que se está a passar e se há fundamento nas denúncias, manter-me-ei expectante e de bico calado.

Sobre a Venezuela é diferente: não quero cá saber do nome que os próprios dão às coisas como se o nome fosse rótulo que garante imunitade. República bolivariana o escambau. Um atraso de vida é o que é. Há populistas, parvalhões e abusadores para todos os gostos e este Maduro é um deles. Que a Venezuela está entregue à bicharada é inegável e o PCP mostra que tem um cordel agarrado ao pé e às ideias quando não é capaz de se desdogmatizar para apreciar as coisas como elas são. Não faço ideia de qual é a do tal de Guaidó pelo que, às cegas e sem o conhecer, custa-me defendê-lo. Nem sei como ficará a Venezuela depois de correrem com aquele parvalhão, prepotente e atraso de vida que é o Maduro mas sei que alguma coisa tem que ser feita. Um país daqueles não pode estar naquela penúria, naquela regressão, naquela indigência a todos os níveis. Mas falta-me competência -- e disposição -- para me pôr para aqui agora a dissertar sobre tema tão sério.

E digo-vos uma coisa: não fora este meu mau hábito de apenas me dedicar ao blog quando a noite vai alta e a minha energia escasseia, aquilo de que eu falaria mesmo seria de Elizabeth Holmes, 35 anos, aquela a quem se augurou ser a próxima Steve Jobs, ex-CEO de uma brutalmente valiosa empresa. E se emprego o qualificativo brutalmente é porque tudo aquilo era uma fraude. Mais um caso em que o mundo ilustrou a célebre doença da cegueira injustificável. Uma história fantástica a que prestaremos atenção quando o filme que já está por aí a rebentar com Jennifer Lawrence aparecer. Agora que é apenas uma história real, não queremos saber. E, no entanto, apesar de não conhecer Elizabeth, juraria que consigo adivinhar como é que aqui se chegou. E adivinho não porque detenha dotes divinatórios mas porque já vi uma história assim. E é tudo tão inacreditável e a cegueira colectiva tão difícil de compreender que não me espanto ao ver como a fantástica e valiosa empresa Theranos se despenhou tão facilmente.


Mas não falo de Elizabeth, hoje não me apetece -- até para não fazer associações a coisas de que nem é bom falar.

E há a criminosa greve dita cirúrgica dos enfermeiros mas acho-a tão aviltante para quem trabalha na área da saúde que, só de pensar nisso, sinto vergonha alheia. Só espero que a justiça arranje maneira de pôr um ponto final na actuação degradante daquela gente que deveríamos respeitar mas que, com o que andam a fazer, só nos fazem sentir repulsa e medo de algum dia virmos a ser vítimas de gente tão perigosa. Passo adiante para não me sentir agoniada.

E, portanto, estando numa de passar ao largo de tudo o que é assunto, poderia limitar-me a contar como andámos até ser noite enfiados no meio das árvores a podá-las, a desramá-las, a dar fim a pés bastardos. Podia contar como os nossos olhos se vão habituando à visão nocturna, como, depois de pensarmos que não vamos conseguir ver nada e que o melhor é ir para casa, nos vai sabendo bem perceber que afinal nos orientamos, como o que sobra de luz  -- e que não sei se era algum vislumbre de luar, se uma réstea de luminosidade de alguma estrela longínqua ou de quê -- é suficiente para ali continuarmos a serrar, a cortar. Ou poderia, ainda, limitar-me a contar como o ar foi ficando cada vez mais frio, como há sons que esperam pela noite para aparecer. E o cheiro das árvores e da terra acentuado pela frialdade nocturna, como é bom.


Mas nem para isso me está a dar para falar. Enquanto escrevo, estou a ver e ouvir Jane Goodall, uma maravilhosa jovem de 84 anos que ama a natureza, que é indomável e que sorri enquanto fala.


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E, assim sendo, volto a perguntar: o que é um tomate roxo?

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[As imagens mostram a exposição Until de Nick Cave]

terça-feira, março 21, 2017

Doidas, doidas, doidas andam as galinhas
para tirar a Caixa lá do buraquinho.
[E ainda o fatalismo da Ana Lourenço, a prostituição da Fátima Campos Ferreira (salvo seja, claro) e o apicultor na rua da minha mãe].





Não tenho novidades do Stephen Hawking. A verdade é que, mal acabei de escrever o post sobre quem parece fadado para não conseguir experimentar a felicidade, caí para o lado. Deve ter sido a profundidade do tema que me deixou arrasada.
(e eu devia agora incluir aqui um smile, três eheehehe e mais um lol para ter a certeza que todos percebem que estou a gozar -- senão ainda ficam a pensar que sou parva, como se acreditasse mesmo que aquilo que escrevi tivesse alguma profundidade). 
Adiante.

Acordei com o meu marido a levantar-se do sofá, meio a dormir, e a ir para a cama. Mas ele tem razão em estar assim pois madrugou e, antes, ainda foi fazer uma caminhada. (Não estou eu já farta de confessar que gosto de malucos?) Mas, portanto, lá acordei. Arrastei-me até aos comentários para agradecer e agora, ainda patati-patata, apeteceu-me voltar a abrir uma página em branco.

Não que tenha alguma coisa para dizer porque não tenho. 

Não tenho paciência para as cenas da CGD. Parece que fica tudo maluco quando o tema é CGD. Como é que é possível que alguém consiga gerir uma empresa, que é coisa que se rege por princípios racionais, com meio mundo a meter o bedelho? Era a mesma coisa que eu, lá no meu estaminé, fazer as contas para ver como manter lá uma cena qualquer equilibrada e saltarem-me em cima as temíveis manas Mortágua, o walking dead Láparo, a Cristas enxertada em kiwis, o Carlos César a reboque, e, pasme-se, até o ubíquo Marcelo -- todos a alvitrarem isto, aquilo e o outro. Havia de ser giro.


Está tudo mas é passado, oh caraças.


Manter um banco vivo e de boa saúde passa por geri-lo com seriedade, com sentido de inovação, e com os pés na terra (e as mãos, que se querem limpas, sempre à vista). Não passa por sujeitar cada decisão a plenário nacional. 

Se há actividade que maior reconversão sofreu e há-de ainda sofrer é a da banca. De negócio de proximidade passou, sobretudo, a negócio virtual. E isto tem que ser encarado com pragmatismo. É assim e cada vez há-de ser mais.

Claro que nas aldeias, nas vilas, em lugares de população envelhecida, isso não existe, o que existe é o balcão e a pessoa que se conhece e em quem se confia. Então não vejo pela minha mãe? Ou somos nós que tratamos de alguns assuntos pela net ou é ela que vai ter lá com a amiga da CGD. 

Só que a verdade é que não faz sentido manter um balcão em cada canto e esquina só para movimentar meia dúzia de contas e atender uma pessoa de vez em quando. Mais vale haver lojas de cidadão com pessoas disponíveis para ajudar na utilização de meios informáticos e que apoiem na consulta a saldos ou a fazer levantamentos ou depósitos.

E o que faz ainda menos sentido é esta histeria colectiva em que mergulham os políticos (de A a Z) de cada vez que o tema é Caixa.


Tirando isso não sei de mais nada. No telejornal, durante o bocado que vimos, só se falava de mortos, quer de mortos por acidente, por briga ou por doença. Depois ouvi a Ana Lourenço a perguntar sobre o aumento de capital já nem sei de quê, devia ser da CGD: 'e o que é que pode correr mal?. Parece que toda a gente se viciou na desgraça. Sobre um tema destes, um aumento de capital, a pergunta que lhe ocorreu foi aquela. Se eu estivesse lá e a pergunta me fosse dirigida acho que poria o meu ar mais sério e diria: 'pode vir uma onda maior e levá-lo' ou outra parvoíce qualquer que cheirasse a tragédia.


Mudámos logo de canal. Depois passei para a prostituição na RTP 1 mas, ou porque já estivesse com sono ou quiçá até mesmo a dormir, pareceu-me que a única que disse coisas interessantes foi a profissional do sexo. Os outros nem percebi bem quem eram. Isto do sexo ser discutido por gente que parece que nem sabe bem o que isso é nunca pode dar grande coisa. 


Depois a televisão desligou-se e, embora tenha o comando ao meu lado, não me apetece ligar. Gosto é de ver programas sobre bichos raros do fundo do mar, ou expedições a aldeias perdidas no meio de inóspitas montanhas, ou entrevistas a pianistas ou pintores. Coisas assim.

Uma coisa engraçada que tenho para contar é esta: ontem, quando estava à porta a despedir-me da minha mãe, vi um vulto do além a fazer-lhe adeus e a dizer-lhe 'tudo resolvido, já as tenho aqui comigo, vou levá-las à serra' e apontou para qualquer coisa dentro de um jeep.

A minha mãe contou-me, então, que de tarde, um vizinho tinha visto vir pelos ares uma nuvem escura, uma coisa estranha, e que essa nuvem tinha ido para dentro do quintal duma outra vizinha. A medo e já suspeitando, o vizinho foi espreitar. Eram milhares de abelhas. Por sorte, sabia de um apicultor. E era esse apicultor, todo coberto, que eu ali tinha visto. Só tinha visto antes na televisão e nunca esperaria ver um ali, na rua da minha mãe. Chapéu, máscara, colete, mangas, luvas. Achei graça a ele dizer que as tinha apanhado a todas e ia levá-las de volta para a serra. As malucas tinham vindo dar uma volta à cidade.


E agora calo-me. Tenho em carteira mais uma coisa sobre a inteligência artificial e uma coisa qualquer que me ocorra sobre casamentos porque vi umas fotografias com uns vestidos de noiva mesmo ao meu gosto e estou até capaz de fazer uma dieta que me ponha com dez quilos a menos para caber dentro de um modelito assim para depois convencer o meu marido a renovar os votos, e isto só para o ouvir disparatar, até porque isso dos votos deve ser só para quem casou por igreja, o que não foi o nosso caso, e porque ele não tem o mínimo de pachorra para essas coisas (e eu ainda menos que ele).

Mas fica para outro dia. A ver é se no dia em que estiver para virada para esses temas esotéricos não me aparece o Marcelo a opinar sobre a pessoa que querem substituir no balcão da CGD de Alguidares de Baixo, coisa que, justamente, nem a dona leal ao coelho nem a dona galinha nem as manas amazonas acharão nada bem e isto para já não falar nas pessoas que serão interpeladas na rua por uma chusma de jornalistas exorbitantes e que dirão, para as câmaras, que fulano de tal é muito boa pessoa, sorri para toda a gente e que nunca antes ninguém tinha desconfiado que batesse na avó.

Mas, pronto, partindo do princípio que isso não vai acontecer, pode ser que eu, para a próxima, arranje oportunidade para falar de temas relevantes.


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As fotografias claro que não têm nada a ver com o assunto, estão aqui só porque gosto delas. Fazem parte das selecções das Fotos do Dia do The Guardian

Lá em cima Benjamim Clementine interpreta I Won’t Complain.

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E, caso queiram conhecer três casos verídicos de quem nunca conseguiu relacionar-se bem com a felicidade, é só descerem um pouco mais.

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quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Alô, alô Maria Luís Albuquerque! Para curares a tua irritação, bebe lá uma pinguinha de água.
Mas vê lá, Marilu, não te engasgues, não vá acontecer-te o mesmo que ao grande economista da nossa praça, o ilustre José Gomes Ferreira.
E vê lá este videozinho do grande Vargas para ver se percebes o que é um Ministro das Finanças a sério.

[Uma pergunta: em que momento é que o descaramento se torna amoralidade?
E em que momento é uma criatura amoral se torna psicopata?]

(Pergunto. Só pergunto).


Vocês, meus Caros Leitores, já devem ter percebido: sou um coração de manteiga. Não me importo de desancar nos poderosos mas apiedo-me na hora de criticar os fracos. 

Por isso, desculpar-e-ão por ser tão branda com o láparo, com a madame da coxa grossa e com todos esses tristes. Tenho pena deles. Tenho este meu lado caridoso. 
Órfãos do lado do cavaco, com os factos a demonstrarem todos os dias que andaram a fazer porcaria enquanto governaram, sem argumentos, sem causas, sem nada a que se agarrem para além do seu próprio rabo, com os números que atestam os bons resultados da so called Geringonça a serem-lhes esfresgados na cara por tudo o que é organismo nacional e internacional e, até, pasme-se, com comissários europeus a reconhecerem o mérito da estratégia seguida pelo Governo de Costa com o apoio dos 'acólitos' (Montenegro dixit) Cataraina e Jerónimo, estas pobres abéculas por aí andam a rabiar, querendo fazer alarido atrás de tudo o que mexe, mas, coitados, sem conseguirem mais do que o efeito dos estalinhos de carnaval.
E, queiram eles ou não -- inventem eles comissõezinhas de brincadeirinha para andarem a espiolhar os sms que um ressabiado com alma de alcofinha e escrúpulos de alcoviteira por aí anda a espalhar -- a verdade, verdadinha é que os cães ladram e a geringonça passa. E soma e segue mostrando bons resultados.


E é no seio do deserto intelectual que caracteriza a oposição pafiana, no meio do desatino esparvalhado em que estrebucham, que, volta e meia, nos aparece a funcionária da Arrows, a Miss Pinókia Swaps, bastamente conhecida pela seu fraco apego à verdade, a fazer declarações à comunicação social. Com o que diz, a dita madame poderia ilustrar na perfeição o que são factos alternativos


[Quiçá Madame Albuquerque seja, afinal, a inspitarix de Kellyanne Conway, a grande defensora do palhaço Donald (a tal menina que, se necessário for, usa os ditos factos alternativos) -- e que, de passagem, faz propaganda à linha de vestuário produzida pela infanta Ivanka. Uma mulherzinha de alto coturno, portanto.]

E os portugueses -- que conhecem as bacoradas governativas da Marilu, as suas inconstitucionalidades orçamentais, os desaforos constantes, os descaramentos doentios, as inverdades patológicas, as sabujices schäublianas, os incumprimentos sucessivos, as comprometedoras distracções, as faltas de atenção para com o subordinado paulinho espertalhão -- pasmam com a sua cara de pau e interrogam-se: Madame Maria Luís da Arrows não tem espelho? Não tem decoro? Não tem memória? Não tem um neurónio que seja? Não tem censura interna? Não tem vergonha na cara? 

Mas são perguntas retóricas. Os portugueses, que a conhecem de ginjeira, sabem bem a resposta. É uma resposta simples: não. Não a todas as perguntas.
(A senhora não perdia nada em ser analisada por algum especialista em desordens mentais. Chega a dar dó. Mas lá está -- é o meu lado piedoso a falar).

Mas chega de desabafos. Vamos mas é ao nimas. O filme hoje é dos bons. É entrar enquanto há lugares livres.


Estas coisas acontecem 

- mais um vídeo do inigualável Luis Vargas 


O comentário de Miguel Sousa Tavares sobre os resultados de 2016 e a reacção imperdível de José Gomes Ferreira



[Produções Geringonça]


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(Oh Excelentíssimo Professor Doutor Economista Sapateiro José Gomes Ferreira, V. não me leve a mal mas a gente olha para si todo engasgado com isto tudo e tem mesmo que fazer um esforço do caraças para não chorar a rir. E ponha lá os óculos a ver se a gente o vê como deve ser, com essa carinha de inteligente a que já nos habituou. Já agora, e vai desculpar a curiosidade: ainda ninguém o convidou para o departamento de estudos da Arrows? Não? Oh que pena... Mande uma candidatura espontânea, quem sabe. Ou para aí ou para cassandra-adjunta do Dr. Medina. Ou para assessor cultural do Láparo, coitado dele, tão mal aconselhado que anda. Um mar de oportunidades à sua espera, Sr. Dr. Prof. Comentadeiro, já viu?)



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Já agora, antes de ir pregar para outra freguesia, permitam que dê a palavra à insuspeita Manuela Ferreira Leite. 


Fala da CGD, de Centeno, dos SMS de Domingues, fala da oposição e do partido de que já foi líder.


Ouçamo-la, meus Caros, ouçamo-la.


Tiros no Porta-Aviões 

-- pelo grande Luís Vargas




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 E agora, sim, é descer para ver o bem dotado Trump.
(Cala-te boca)

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quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Lobo Xavier, os SMS entre Centeno e Domingues
-- e Monica Lewinsky e as manchas brancas no vestido azul


Quando rebentou o escândalo Monica Lewinsky, algumas coisas me chocaram.

Não me chocou o que aconteceu entre Bill e Monica, dois adultos maiores e vacinados -- ela rendida ao efeito afrodisíaco do poder que transpirava de todos os poros dele e ele, adrenalina em alta, rendido às formas radiosas de uma jovem mulher disponível. Cada um sabe de si e, tratando-se de práticas consentidas, é coisa que não me diz respeito. Que ele fosse casado, que ela soubesse que ele era casado, que isto, aquilo e o outro, a mim nada me convence ou desconvence. A intimidade entre dois adultos, sejam quais forem os laços entre eles, é assunto privado sobre o qual não opino.

Mas chocou-me saber que a jovem Monica chegou a casa depois de ter estado na brincadeira com Bill e não apenas foi relatar à mãe o que se tinha passado como foi mostrar à mãe as manchas de sémen que caíram no seu vestido, o célebre vestido azul. 

E chocou-me ainda mais a reacção da mamã que, se queria agir para bem da filha, em vez de lhe recomendar que, para a próxima, usasse avental ou, no mínimo, babete ou, então, que fosse bem educada (e aqui peço desculpa mas, dado este ser um blog de família, não vou explicar-me) --  não senhor. Resolveu que não lavariam o vestido e o guardariam para um just in case. E o just in case aconteceu e a senhora e a senhorita mandaram analisar as manchas brancas do vestido azul para Monica poder vir a público pôr a boca (desta vez) no trombone e entalar o Bill.

Por essa altura, fiquei igualmente chocada pela atarandadice de Clinton que, vendo-se acusado, em vez de dizer simplesmente que não tinha nada que comentar actos da sua vida privada, resolveu ensarilhar-se nas palavras, começando por assegurar que não tinha tido relações sexuais com aquela pessoa para depois, perante as evidências, vir explicar que não tinha havido penetração e, na sua cabeça, isso era sinónimo de não haver relações sexuais. Mal. Mais valia ter ficado calado.

A partir daí a acusação passou a ser que tinha mentido, perjúrio, um caso sério.

E, no meio da confusão que se armou, Bill Clinton ainda conseguiu apanhar um estalo de Hillary -- o menor dos males no meio do furacão que se formou à sua volta.

Contudo, para os destinos do país tudo ficou igual pois aquilo não tinha passado de um banal fait divers empolado por gente coscuvilheira e ociosa.

António Lobo Xavier, nesta história que envolve um personagem que já passou à história e um ministro das Finanças que tem conseguido feitos notáveis mas que provou ser politicamente desasado, é a mãe da menina Lewinsky.


António Domingues, no affaire CGD, rendimentos e o escambau, tentou dar a volta ao Centeno e, de certa forma, até o fez cair na esparrela. E, vendo que tinha nos sms matéria que poderia servir para sacanear o ministro, foi mostrar ao amiguinho de alcova lá no BPI o que deveria ser matéria privada, não transmissível.

E Lobo Xavier, macaco de rabo pelado, mestre da concupiscência que deita na mesma cama política, leis e negócios, parecendo querer evidenciar uma certa vocação para a prostituição ou para a alcoviteirice, começou por dar a entender, na Quadratura do Círculo, que estava sabedor de matéria quente e, de seguida, quando instado a esclarecer a insinuação, pegou nas mensagens e foi mostrá-las a Marcelo.


E eu, esperando que lhe tenha feito bom proveito, devo dizer que estes actos estão, a meu ver, ao nível do vómito. Penso nisto de um banqueiro guardar mensagens trocadas com um ministro, por sinal um verdinho na arte da manha, e ir mostrar a um sabido de primeira água, por sinal conselheiro de Estado, e de este se prestar ao acto vergonhoso de ir mostrar mensagens alheias ao Presidente e fico agoniada. Asco. A palavra que reflecte o que sinto á a palavra asco.

E que Marcelo se tenha prestado a isto de ir ler mensagens alheias, privadas, choca-me.
Bem, não sei se o fez. Tomara que não. Pelo que leio nos jornais, diria que sim. 
Mas, a tê-lo feito, sinto vontade de fazer write off sobre o capital de confiança que tem vindo a conquistar.

Marcelo, se fosse o homem que eu gostava que ele fosse, ao aparecer-lhe Lobo Xavier, qual vizinha coscuvilheira, com as mensagens alheias, ter-lhe-ia dado uma corrida em osso, 

'Rato! Rato de esgoto! Por quem me toma para me aparecer aqui com fofocas e relatos de conversas privadas? Desapareça-me da vista e não volte a aparecer-me à frente. Vou destituí-lo de conselheiro e é já, que não quero cá tipos que, ainda sem ter chegado o Carnaval, já por aqui andam disfarçados de ratos de esgoto, muito menos sentados à mesa do Conselho de Estado. Xô!'
E agora andam os mesmos de sempre, cada vez mais a aparecerem aos olhos do país como vermes, os mesmos que ao longo de anos viveram sobre a podridão governativa de Passos Coelho e Paulo Portas, armados em virgens ofendidas, em ratas de sacristia, exigir a publicação dos sms, a demissão do ministro e sei lá mais o quê. Gente sem memória, sem respeito pelos outros, sem vergonha na cara. E as televisões a darem palco a estes parasitas.

Domingues, a Monica Lewinsky portuguesa, não apenas quase fornicou o Centeno (que é como quem diz, claro) como guardou os sms -- como a outra guardou as marcas de sémen sobre o vestido. 


Mas Domingues já foi à vida. Já acabou. A Caixa já está com outra gestão e há muito trabalho a fazer. Já chega de tricas. Já enjoa tanta chachada que tem como único intuito lançar confusão, denegrir os bons resultados alcançados pelo governo, chatear, chatear, chatear. Já não se aguenta tanta má fé, tanta calhandrice.


Aqueles tristes pàfs, armados em destituídos mentais, não percebem a triste figurinha que andam a fazer alimentando, até à náusea, a polémica em volta deste assunto que fede a sonsice, a traição, a dominguice? 

E Marcelo não é capaz de vir a público dizer que já é tempo de aqueles -- que deveriam estar numa CERCI e não na Assembleia da República -- arranjarem algum programa ocupacional e deixarem de brincar aos políticos de meia tigela já que não fazem outra coisa senão conspurcar o espaço público? A bem do interesse nacional (que é o oposto do interesse dos PàFs e dos balcões onde se serve comentário a copo), Marcelo não é capaz de lhes pôr um par de patins? De lhes dar um valente pontapé no cu? Ou, se quer fazer uma pose presidencial, um murro na mesa, vá? Ou acha bem o que se está a passar? Agora já gosta de ler sms alheios? Já deu em andar a espreitar pelos buracos das fechaduras?

......

domingo, fevereiro 12, 2017

O chorajoãozinho do CDS, o desatinado láparo e a madame cristas da coxa grossa.
Quanto mais as sondagens se lhes baixam mais, eles, quais galinhas sem cabeça, andam às voltas.
Já o Domingues abalou e ainda eles andam atrás do assunto, incapazes de verem para além da ponta dos dedos.

[Chiça que já cansam!]

(Em actualização)




Há aquele ditado oriental que diz que, quando uma pessoa inteligente aponta para as estrelas, uma mentecapta põe-se a olhar para a ponta do dedo. E, se não é bem isto, é qualquer coisa nesta base.

Quando a equipa do Governo andava ensarilhada a ver se conseguia formar uma Administração para a CGD eu falei nisto aqui. Achei que o Centeno e o verdinho do primo Mourinho estavam a demonstrar não ter o savoir faire necessário para gerir um processo desses (é necessário muita diplomacia, muita politiquice, muito rabo pelado para formar uma mesa de jogo que agrade a todas as sensibilidades). Achei que Costa tinha que se chegar à frente. Depois também. Quando aquilo das declarações de rendimentos do Domingues & Cia. começou a ser empolado pela oposição (e já o Tribunal Constitucional metido ao barulho) voltei a falar nisto aqui: a turma dos PàFs é uma turma ressabiada, meninos que não descansam enquando não dão cabo de tudo, e o Centeno é menino do coro ao pé daqueles malandros encartados.
A CGD está-lhes atravessada há que tempos, quando mais puderem escaqueirar mais a desvalorizam, mais barata ela fica. E, se puderem causar danos graves neste governo, que continuam a achar que é ilegítimo, não se ensaiam nem um bocadinho. Cuidado com eles.
Costa e Marcelo, dizia eu, nessa altura, deveriam sair a terreiro para neutralizarem os danos que o PSD e CDS pudessem causar, para ver se a equipa das Finanças conseguia desarrincar uma solução alternativa a Domingues e a Caixa podia avançar com as operações necessárias ao seu reequilíbrio financeiro.

Felizmente, assim aconteceu embora, infelizmente, a alternativa que arranjaram fosse pouco mais que medíocre. Macedo não é flor que se cheire e, nos actos que pratica, é mais a fama que ele alcança do que o proveito real que se divisa. Mas, enfim, o problema foi estancado, arranjou-se uma administração e a famigerada recapitalização pode começar.


Só que os PàFs são mais tinhosos que a peste suína. Não largam. Não largam, não deslargam, não descansam enquanto não virem sangue a escorrer.

O Domingues já se foi embora e eles aí continuam. Caniches raivosos, ladram por tudo o que é canto e esquina. 

Mário Centeno tem provado ser um ministro das Finanças competente. Os resultados que tem alcançado são extraordinários dado o ponto de partida e dada a adversidade que tem encontrato, não apenas por cá como, inicialmente, pelos bafientos corredores europeus.

Agora que o seu mérito é reconhecido e o seu trabalho elogiado não apenas cá mas também junto dos anteriores cépticos, continuam aquelas fracas figuras presas a tretas que não interessam nem ao menino jesus.

Que o Centeno mostrou ser aselha a resolver questões que metem sensibilidades de divas e prima-donas já todos o sabemos, que se enredou, atrapalhado, a querer ver se acalmava o chinfrim crescente em torno da questão mas sem atinar bem com a saída do labirinto, isso já todos estamos fartos de saber.

Mas já acabou. 

O assunto está ultrapassado. 

O Domingues já se foi embora.

Agora há mil desafios pela frente. O PSD e a CDS deixaram a banca no lindo estado que se sabe. Devem saber, melhor que ninguém, o quanto há a fazer para arrumar a casa. Ou nem isso conseguem perceber...? Caraças. Incompetentes e inconscientes.


Há que consolidar a estabilidade financeira dos bancos. Há que olhar para a dívida. Há que relançar em força a economia. Mil desafios. E em vez de incentivarem o Governo, esta porcaria de oposição não faz outra coisa senão andar às voltas atrás do próprio rabo ou a cheirar o rabo uns aos outros.


As sondagens mostram bem o que os portuguesas acham do lindo trabalhinho que andam a fazer mas nem isso estas tristes almas penadas conseguem perceber.

Mentecaptos como são nem me admiraria muito de um dia destes, descerebrados como andam, ainda desatassem às bicadas na Maria Luís dos swaps e da Arrow, no Gaspar não-Acerta-Uma, no Vai-estudar-ó-Relvas ou no irrevogável vice-Portas. Quiçá o láparo se lembre até de levantar o assunto do seu esquecimento de pagar a segurança social ou outras das suas várias louváveis proezas. 

Que gente esta, caraças. Raios os PàFam.

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Lá em cima, António Manuel Ribeiro e Carlão interpretam, com a União das Tribos,  do seu CD "Amanhã", Só eu Sei Porquê 




[A propósito: grande concerto hoje da União das Tribos em Almada. Casa esgotada e rendida.]


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quinta-feira, janeiro 05, 2017

E sobre os sms do Domingues, não vai nada, nada, nada...?
NADA.
E sobre a jeiteira que o Centeno tem revelado para lidar com caldinhos destes, também não vai nada, nada, nada...?
NADA.




Não ando para muitas conversas e, muito menos, para comentar parvoeiras. 

  • Que o Centeno gere dossiers políticos com os pés é um facto, 
  • que dos dois Secretários de Estado que lhe conheço também, quando têm que gerir temas que deveriam ser geridos com pinças, os gerem à pazada é outro facto 
  • -- e que o flop António Domingues e todo o caso da nomeação de uma administração para a CGD só mostram que o Centeno é bom a gerir números ou a traçar estratégias e a segui-las mas um nabo a gerir temas que metem pessoas e respectivos egos, é outro facto.

Dizer mais o quê? Nada.

Se há alturas em que um chefe tem que se chegar à frente e suprir as lacunas dos subordinados, esta é uma delas. Costa tem que se chegar à frente de cada vez que o Centeno se ensarilha nestes assuntos. Caso contrário, é uma festa.

Claro que tudo poderia passar mais ou menos despercebido se o verdinho do Centeno tivesse pela frente um fulano low profile, que não se desbroncasse todo à primeira pergunta. É que este António Domingues, parecendo querer cultivar a imagem de um banqueiro excelentíssimo, é tudo menos discreto. É uma goela escancarada. Conta tudo: ele disse-me isto, eu respondi-lhe aquilo e eu, então, disse isto e vai ele e diz aquilo. 

Agora uma coisa é certa. Que, sempre que alguém vai ocupar um lugar qualquer público, deve fazer prova do seu património antes para que depois possa fazer prova de que não enriqueceu de forma inexplicável, acho óbvio.

Que essa declaração deva ser pública parece-me lamentável. Bem podem as vizinhas quererem espreitar para dentro da casa dos mais ricos para depois, entredentes, especularem pelas vielas como foi que eles enriqueceram  e depois, sonsas, disfarçarem e arvorarem-se em castas -- que a mim me dá igual. O património de cada um, em particular quando o obteve depois de uma vida de trabalho em organismos privados, não deve ser matéria susceptível de aparecer avacalhada na primeira página do Correio da Manhã ao lado de histórias envolvendo proxenetas e polémicas protagonizadas pela Luciana Abreu ou pela Cátia Aveiro.



Falo por mim e não tenho, certamente, património que se compare ao do Domingues: se algum maluco tivesse a ideia peregrina de me convidar para um lugar desses, eu não pensaria duas vezes: é o ias.
E não é apenas porque não me apeteceria ver o meu património exposto para que tudo o que é olho gordo salivasse: é, sobretudo, porque não me apetecia nem um bocadinho aturar a pelintrice mental daqueles deputados de aviário ou a arrogância pesporrenta de meninas com cara de más, armadas em implacáveis justiceiras. Não tinha pachorra. Juro que não.
Tirando isso, nada mais tenho a acrescentar. Poderia dizer que isto da Caixa tem sido, a todos os títulos, uma dor de alma e que para lá ir o manhoso do Macedo é sal em cima das feridas mas, francamente, não me apetece falar mais nisto. 

Se não se importam, acabo como comecei: com protagonistas de quem gosto mais do que dos do mau romance que envolve o Domingues ou o Macedo.


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PS: E nem me apetece falar no dinheirão que o Sérgio Monteiro, aquele artista dos tempos do láparo e da marilú de má memória, anda a ganhar há que tempos para não conseguir vender o Novo Banco nem por mais uma. Só espero que o totó do Costa do Bdp desista de o vender por tuta e meia a qualquer chinês mal enjorcado ou a qualquer fundo mal parido e que obrigue o dito Sérgio a devolver a dinheirama que tem andado a empochar. E se o totó do Carlos Costa não for capaz de ver isto (e não vai ser capaz pois todos já sobejamente lhe conhecemos a incapacidade de ver ou perceber o que quer que seja) pois que o Costa do Governo lhe dê um abre olhos. E se o António Costa o não conseguir, pois que o Marcelo, em vez de se limitar a atirar-se de mergulho para o Guincho, se atire também de cabeça para dentro desta caldeirada e ponha um ponto final nesta maluqueira de querer vender um banco bom como se fosse lixo de quinta categoria.



sexta-feira, dezembro 02, 2016

Paulo Macedo para a CGD...? Ó senhores do PS, poupem-me, está bem?
(em actualização)
- E, igualmente parva, a notícia da não-candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa
Valha-nos a notícia pela qual todos esperávamos:
afinal as mulheres têm asas!


E não tenho mais nada a dizer do que isto: poupem-me. 


E, de caminho, deveriam ter-se também poupado já que o Paulo Macedo, se estou a ver bem a coisa, é uma furada.

Mas, face ao embrulho que arranjaram, a situação de desespero era tão grande que qualquer sonso ungido de má-fama já serve. 

Vamos ver no que dá. Mas devo dizer que esta solução me desagrada. Nunca achei que Paulo Macedo fosse grande espingarda como gestor e, para além disso, não gosto dele como pessoa. Sonso demais para o meu gosto. 

Não é só o láparo que gosta de dar tiros nos pés. Esta equipa das Finanças também tem dado alguns e o Costa, perante o caldinho armado -- ou melhor, completamente entornado -- perdeu um bocado a margem de manobra e o tempo necessário para arranjar alguém decente que não corressse o risco de ser abatido na primeira hora ou cozido em lume brando pelos PàFs; e deu nisto. 

Não gosto e não tenho confiança em Paulo Macedo. A ver se, ao menos, o Costa anda de olho nele para não o deixar pôr o pé em ramo verde já que os maçaricos das Finanças são ingénuos demais para lidar com situações mais rebuscadas.


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Esta notícia do Paulo Macedo na Caixa, apesar de recorrente, parece-me tão estúpida como a não-notícia, também recorrente, da não-candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa. A nulidade a inundar os interstícios da vida pública. Só falta mesmo aparecer a notícia bomba de que o Super-Juíz Alex e o inspector Rosy Karamba descobriram finalmente os indícios de que o Sócrates não é mesmo flor que se cheire já que, escutas de anos passadas a pente fino, revelaram que, volta e meia, o perigoso suspeito não lava os dentes antes de ir para a cama.



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As imagens são provenientes do saudoso Kaos e ilustram quer algumas dangereuses liaisons daquele que parece transportar uma nuvem negra à sua volta, quer a sagrada liaison de Santana Lopes a quem saíu a taluda ao ser nomeado para a Santa Casa.

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E, para acabar com alguma coisa que valha a pena, uma notícia-notícia: 
a confirmação de que afinal as mulheres têm asas.

É vê-las a desfilar ao som de Lady Gaga com Million Reasons no Victoria Secret Fashion Show



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira muito boa.

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segunda-feira, novembro 28, 2016

António Domingues demitiu-se da CGD e eu tenho umas perguntinhas para ele e um recadinho para António Costa


Na fase em que andavam há meses para desarrincar um elenco para a CGD e, no fim, apareceram com um magote deles que mereceram dúvidas ao BCE, já eu aqui tinha criticado o Secretário de Estado Mourinho Félix e o Ministro das Finanças Mário Centeno e, consequentemente, António Costa. O Primeiro-Ministro deixou que a coisa se arrastasse daquela boa maneira para, no fim, aparecer um Conselho de Administração que era uma turma absurdamente excessiva.


A coisa passou. Mas logo a seguir rebentou a castanha do ordenadão de António Domingues e, pior, a de não querer (ele e os colegas) reger-se pela lei do comum dos mortais nestas funções, apresentando a declaração de rendimentos.

Também já aqui várias vezes disse que a trupe pafiana não ia descansar enquanto não visse a CGD de pantanas. Tem sido um fartote. Campanhas negras, interpelações, a comunicação social encharcada das notícias que os pafs não se têm cansado de plantar.

Face às ameaças, era da mais elementar prudência que António Costa percebesse que esta não é matéria para verdinhos. Mário Centeno e o Mourinho Félix podem ser competentes mas não passam de uns meninos do coro quanto têm pela frente macacos de rabo muito pelado. 


Agora as televisões anunciam o pedido de demissão de António Domingues que pode ter as suas razões mas que, perante a opinião pública, nos apareceu como uma diva caprichosa. 


Ora a Caixa não vai aguentar mais uns meses deste carnaval. Um banco vive da confiança dos clientes e necessita imperiosamente de estabilidade. Tem que haver uma equipa sólida à frente do maior banco público nacional. E tem que haver não é só para calar a boca à comunicação social e a alguns deputados mais histéricos - é, sobretudo, para pôr em prática o plano de recapitalização e é para transmitir aos clientes a necessária confiança..

A última coisa de que o País precisa é de mais um filme de tipo BES. Na SIC N, o José Gomes Ferreira já está a agitar o papão das contas com mais de 100.000 euros -- e daqui até a uma corrida aos depósitos pode ser um instante. 


Por isso, a coisa tem que ser estancada de imediato. Tem que ser António Costa a encabeçar a resolução deste imbróglio: tem que nomear uma boa equipa, agilizar todo o processo de aprovações, pô-la a agir o mais urgentemente possível. E, se necessário for, que Marcelo o ajude. Parece que já há um nome ou alguns nomes. Não faço ideia quem seja mas gente capaz e que aceite um tratamento dentro da lei é o que não falta. Pois bem, que se avance de súbito, dando todos os passos com segurança e rapidez -- e tranquilizem os depositantes.

Mário Centeno, António Costa e Marcelo têm que anular o efeito pernicioso que tudo isto está a ter na confiança dos portugueses. Façam-no o mais rápida e eficazmente possível.


NB: Não me parece que Mário Centeno deva ser demitido. Tem alcançado resultados que não devem ser subestimados, resultados ímpares. Nem digo que Mourinho Félix está a precisar de um par de patins. Não lhe conheço as competências. Admito que o Secretário de Estado seja bom em algumas coisas e que, apenas, tenha falta de tacto político ou de capacidade para lidar com situações mais complexas. António Costa é que sabe se é de segurá-lo ou não. Mas o que tem, em qualquer circunstância, é puxar o assunto CGD a si. Já.


...   &   ...

Agora uma pergunta a António Domingues: se era para isto, porque é que se não se demitiu logo? Se queria um regime de excepção e se viu o ensarilhanço que isto estava a causar, ou cedia e era logo ou saía e era logo. Agora meses deste chove-e-não-molha para, no fim, se vir demitir...? Ora abóbora. Que vá participar em regatas, estudar filosofia ou aprofundar o conhecimento dos gregos que, ao que parece, é o que está mortinho por fazer -- que vá e não chateie mais.


E que sirva de lição a António Costa: gaitas destas não podem voltar a acontecer. As crises têm que ter respostas imediatas. Há situações que não vão lá com sorrisos e ironias. Há ATR (assuntos que o tempo resolve), lá isso há. Mas este, seguramente, não é um deles.

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quinta-feira, novembro 03, 2016

A malta do PSD e do CDS é bué de boa de contas.
Com eles, os bancos sempre foram bué de bem de geridos.
Temos até bué de banqueiros da linha cagarrenta ou pafiana emoldurados ou em vias disso pela limpeza que fizeram nos bancos.
Por isso, atenção com eles que não vão descansar enquanto não limparem também a Caixa.


Bem pode Centeno dizer Camões, bem pode falar-lhes da Cativa que nos traz cativos, que isso é música para os ouvidos da seita pafiosa. Menino do coro é o que ele é ao pé dos laparianos encartados. A miss swap, a pinokia amoral que se viciou em dizer o que lhe vem à boca, tenha ou não aderência com a realidade, por aí anda a fazer de conta que é deputada e virgem quando todos sabemos quem é que lhe paga os alfinetes. Bolsa aleivosias contra a actual equipa governativa, esquecendo-se que os portugueses que a ouvem não têm todos um QI ao nível dos antigos coleguinhas de governo. O chefe dela, por seu lado, não sabe o que diz mas é assertivo na sua nulidade e há quem confunda uma voz bem colocada com neurónios ginasticados. Tivesse ele o físico do catraio garganta-funda-do-regime e uma voz de flautinha e a ver se alguém lhe dava ouvidos. Desdiz-se e ataca nos outros o que ele próprio fez e, pela cara com que nos aparece, ou anda sempre a morder a língua venenosa ou o Dr. Ben anda a examiná-lo a toda a hora. E esses dois tristes mais a flausina cristas e mais uns quantos espalha-brasas por aí andam a agitar os balcões das televisões e dos jornais -- e a barraca está armada. Os riscos de que o circo da CGD esteja prestes a pegar fogo são reais. 

Começaram com o ordenado do tal Domingues, agora querem espreitar as intimidades do homem. E daí até à chafurdice nas contas da Caixa foi um ar.

Aguentar fábricas em Sines, sejam da La Seda ou de tanta outra empresa, é sempre daquelas que só um néscio acha que é apenas coisa de ânimo leve a cargo de amigos. Já aqui falei disso e hoje não me apetece ser eco de mim própria. Néscios. Deputados que mais parece terem sido lobotomizados -- e isto porque custa a crer que sejam apenas ignorantes -- por aí andam a lançar a confusão, a fazer crescer a desconfiança numa instituição como a Caixa. Se um dia destes acordarmos e alguns milhões tiverem voado para outros bancos e os rácios começarem a vacilar, não nos admiremos.

Cambada de ignorantes, de estúpidos.

E o que anda o Marcelo  fazer? Está à espera de quê para mandar calar os inciendiários que por aí andam a ver se incendeiam a CGD para os salvados ficarem à mercê de qualquer abutre, mesmo que de trazer por casa?

Quantos nomes são precisos dizer para se perceber o que fizeram ao país os banqueiros cavaquistas, os amigos, os trafulhas, mais a súcia financeira que se aproveitou dos tempos em que a escória mandava?

E, enquanto esses banqueiros de pacotilha por aí andavam a ostentar condecorações, a distribuir prendas e prebendas a tutti quanti  e a fazer fintas às auditorias, o que fizeram essas luminárias pafianas?
Ou fecharam os olhos, ou empurraram com a barriga ou implodiram bancos. Coisa fina, portanto.
Por isso, alguém me diz o que leva a comunicação social em dar-lhes ouvidos?
Interesses comuns? Masoquismo? Pura burrice?
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E, a propósito de banqueiros da linha 'banco ao fundo', deixem que vos mostre um dos bons:


The Merchant Banker - Monty Python's The Flying Circus




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As duas imagens que usei provêm, como é bom de ver, do Kaos in the Garden.

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E agora, por favor, queiram fazer a agulha e descer até ao post seguinte em que se fala de inspecções periódicas e da vantagem para os homens em que o médico de família seja de confiança.

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sexta-feira, janeiro 10, 2014

30% dos Seguros portugueses (Fidelidade, Multicare, etc) foram parar às mãos da Fosun. Mais uns chineses à frente de sectores fundamentais (estes sem experiência em seguros na Europa e para quem a Moody's alerta para o risco). Isto no dia em que o Governo confirma um corte maior e mais alargado nas pensões através da ignóbil CES e dá sinais de querer avançar para as reformas plafonadas, com recurso a seguros privados. 周围有一家中国领先的兔子远离葡萄牙,先生们?


Há pouco Manuela Ferreira Leite explicou na TVI 24, com Paulo Magalhães, que a decisão de venda da CAIXA SEGUROS, a componente seguradora da CGD, é mera decisão política já que não havia, neste momento, quaisquer recomendações da Troika nesse sentido. Explicou que os rácios que existiam à data do memorando já não se verificam agora pelo que não havia qualquer imposição ou recomendação no sentido de vender parte da actividade da Caixa.


Manuela Ferreira Leite explicou também, e bem, que o sector segurador da CGD é lucrativo e que, vendendo-o, o Governo de Passos Coelho desvaloriza a componente que fica nas mãos do Estado e, claro, sendo lucrativo, aquele era um conjunto de empresas que contribuía positivamente para o orçamento de Estado. Vendendo estas empresas existe, a partir de agora, menos receita para o Estado. Ou seja, entram agora uns milhões de euros (que provavelmente vão direitinho para o exterior, para entidades financeiras), enquanto que, a partir de hoje, para fazer face a este buraco nas receitas, lá o Governo irá certamente, viciado que está nisso, buscar mais dinheiro aos pobres e exauridos portugueses.



Mas, vejamos o que diz o Económico sobre a Fosun, o Grupo de chineses a quem o Governo vendeu esta componente da CGD e que se traduz em nada menos do que 30% dos seguros portugueses. Transcrevo:

A Moody's diz que a oferta de compra da Fosun é 'credit negative' para o grupo chinês, devido ao actual nível de endividamento.


A par da gestora de fundos norte-americana Apolo Management, a Fosun entregou na semana passada uma proposta de compra do negócio segurador da Caixa Geral de Depósitos. O montante da proposta ainda não é conhecido, mas a agência de rating sublinha que, a concretizar-se, a operação poderá ter impacto negativo no rating da dívida da Fosun, que actualmente é 'Ba3'.

"Embora a aquisição proposta se insira na estratégia de expansão global da Fosun, que está focada no negócio segurador, existem incertezas no que toca ao plano da companhia para operar e integrar o negócio segurador português, dado que [a Fosun] não tem 'track record' na actividade seguradora na Europa", referiu Alan Gao, vice-presidente da Moody's, numa nota citada pela Reuters.



Risco Ba3 é risco acentuado de incumprimento, é notação geralmente associada à especulação.

A Fosun foi formada em 1992 por um conjunto de jovens acabados de sair da universidade, entre os quais Guo Guangchang, nascido em 1967, que é actualmente o principal accionista do Grupo, bilionaríssimo.


Recentemente a Fosun comprou por centenas de milhões de dólares uma torre construída por David Rockefeller em Chase Manhattan Plaza. Aliás a Fosun tem-se caracterizado por uma política agressiva de investimentos. 

A Fosun está actualmente nos ramos do imobiliário, farmacêutico, aço e o que mais calhar, nomeadamente jóias.

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Por isso, que posso eu dizer mais? Numa de hospitalidade, 歡迎您,先生。郭廣昌,使自己在家裡。


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E, assim, sem que ninguém questione o Governo, sem que se conheçam os pormenores da operação ou a sua fundamentação, já temos a Fidelidade e a Multicare nas mãos dos chineses. A isso deve somar-se a EDP e a REN. E várias Águas. Sectores estratégicos nacionais nas mãos ou da República Chinesa ou de especuladores chineses. Sectores estratégicos e não só: também muitas casas, prédios, muitos prédios. E comércio que nunca mais acaba. E sabe-se lá que mais. Poderia ser apenas o Governo português a brincar ao Monopólio só que, infelizmente, isto não é a brincar.


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E isto, meus Caros, no dia em que o Governo aprovou que as pensões acima de 1000 euros brutos já vão ser abrangidas pelo imposto CES e que esta mesma TSU dos pensionistas vai ser ainda mais pesada para quem ganhar mais. 

Enquanto todos os pensionistas não forem transformados em pedintes este Governo não descansa. 

É um corte em nome da convergência, é a contribuição extraordinária, são os impostos que sobem, é o que lhes passar pela cabeça. Tudo junto. Começo a pensar que a ideia desta gente desalmada é mesmo que os pensionistas e reformados não tenham dinheiro para medicamentos nem para irem ao médico - para se poupar no Orçamento da Saúde; e que morram rapidamente para nem ter que se lhes pagar a pensão. Dizem aqueles cínicos e hipócritas que uma percentagem grande de pensionistas não é penalizada com esta TSU. Ah pois não. São os que já mal têm dinheiro para comer. De facto, há um número considerável de pessoas que já vive no limiar da indigência. Como é que sobrevivem é que ainda admira. 

Marques Guedes anunciou ainda que isto das pensões vai ter que ser revisto, que o Governo vai estudar alternativas e que se terá que pensar em 'esquemas' (sic) alternativos. Ou seja, a ver vamos se a 'cena' das pensões geridas por seguradoras privadas não é o que já está na calha (e, claro, ... mais negócio para os chineses).

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 E eu, revoltada e angustiada com o grau de desmando a que assisto, pergunto:

  • Será legítimo que um Governo possa pegar em seguros, nomeadamente em PPRs de pessoas que aplicavam as suas poupanças numa Seguradora que era sólida, estatal, e vender tudo isso a uma empresa de chineses? A troco de quê o fizeram? Que garantias as pessoas têm, quando a própria Moody's levanta dúvidas tão pertinentes.
  • Será normal que um país da Europa possa ser vilipendiado desta forma, estraçalhado, vendido a retalho? Será normal que qualquer dia sejamos todos funcionários de empresas chinesas? E não sabemos nós o que a China pensa dos direitos dos trabalhadores (já para não falar dos direitos humanos)?
  • Será legítimo que um Governo constituído por gente que enganou os eleitores possa fazer isto a um País com séculos de história?
*

Nota: Lá em cima no título, se traduzirem aquilo em chinês, obterão: Rodeado por um líder chinês no coelho longe de Portugal, senhores? mas, claro, é mais uma nabice da Google pois o que eu disse originalmente foi: Não há por aí um chinês que leve o coelho para bem longe de Portugal, senhores? Escrevi-o em chinês de propósito na esperança de que o Senhor Guo leia este meu apelo e, uma vez que já meteu o coelho no bolso, desapareça com ele, o leve para a Cochinchina ou para o raio que o parta.


A sério. Que um chinês qualquer o contrate para uma coisa qualquer, para chefiar um aviário, para carregar tijolos, para dar cursos de aviação a costureiras, qualquer coisa, que o leve para longe da nossa vista.

*

Escrevo isto tudo e chego aqui e fico com pena. Ando com vontade de vos falar de outras coisas e de contar sobre a exposição de Noronha da Costa e dos livros que comprei, tão lindos. Mas acontece tanta coisa revoltante... como posso eu falar do que me agrada e esquecer a destruição que está a ser levada a cabo no meu pobre Portugal? Não posso, não é?


Parte de tela da Exposição de Luís Noronha da Costa
no Centro de Arte Manuel de Brito no Palácio Anjos


A ver se esta sexta feira aquelas sinistras criaturas do Governo não fazem outra, para ver se posso falar de assuntos mais agradáveis. Vocês podem não acreditar mas fico tão enervada com isto, tão enervada. Estou a escrever e tenho que me conter pois fico tão revoltada e tão impotente, tão triste, tão assustada. É a vida das pessoas de idade da minha família, é o desemprego que já bateu à porta de pessoas próximas, é o futuro dos meus filhos, é o meu futuro, é o vosso futuro, é o futuro dos vossos filhos ou dos vossos pais, é o futuro do nosso país, é a nossa dignidade, é tudo, tudo tão inquietante. 

Custa-me pensar que posso estar a preocupar-vos ainda mais. Mas também me custa ficar calada, a assistir passivamente a tanta maldade, tanta vileza, tanta indignidade. Temos que nos revoltar com isto, temos que tentar impedir esta desgraça.

Para ver se nos animo um bocadinho, vou colocar aqui o vídeo que um Leitor generosamente ontem me deixou. 



O grupo japonês Enra juntando dança e luz


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Apesar de isto já estar tão longo, muito gostaria de vos convidar a virem até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa onde hoje tenho poesia dita pela fantástica  Hilda Hilst.

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E, por agora, por aqui me fico.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta feira muito boa. 

Por favor, não se deixem desanimar nem fiquem tristes. 
Eu, pela minha parte, vou ver se consigo descobrir coisas que me animem um bocadinho porque ando assustada com a falta de moral e de humanidade destes estupores.