O PSD ganhou as autárquicas. Não terá sido uma vitória tão expressiva como ambicionavam nas capitais de distrito mas ganharam os distritos mais populosos que provavelmente não pensavam ganhar.
O José Luís Carneiro após três meses à frente do PS e tendo, na minha opinião, feito um trabalho sério e persistente, conseguiu, ao contrário do que desejariam alguns grupinhos do PS e certamente pretendiam alguns comentadores encartados, repor o bipartidarismo e recolocar o PS como um partido de alternativa de poder à AD. Foi uma derrota mais doce do que amarga e foi também a consolidação da liderança que eu espero que tenha bastante sucesso do José Luís Carneiro.
A derrota da Alexandra Leitão em Lisboa deve ser a derrota final do Pedro-Nunismo. Se olharmos para os resultados freguesia a freguesia percebe-se que as freguesias onde tendencialmente residem os mais abastados tiveram medo do "radicalismo" da Alexandra e das companhias mortáguas com que se rodeou.
O Moedas que nunca quis discutir Lisboa, apostou sempre na mensagem do radicalismo e isso, como se constata, fez o seu caminho. Uma coisa é certa: fui recentemente passear no Chiado, na Baixa e na zona ribeirinha e fiquei chocado com o estado da cidade. Estive também em Alvalade e a quantidade de lixo no chão é uma vergonha. No entanto, parece ser este estado de coisas que os lisboetas preferem. É o que é!
O Ventura ganhou dez por cento do número mínimo de câmaras que tinha como objetivo ganhar e ficou atrás da CDU e do CDS, coisa que ele tinha declarado impensável aqui há dias. Como populista que é, veio cantar vitória quando na verdade teve uma derrota estrondosa só (relativamente) comparável à da IL que ontem tentou passar por entre os pingos da chuva e parece-me que nem falou à malta.
Sobre a CDU já aqui escrevi ontem, não atingiu os mínimos mas ainda não foi totalmente corrida. Percebi ontem, depois da intervenção do Raimundo, que são como a ministra da saúde, definem estratégias que só dão porcaria mas insistem no erro para fazerem ainda mais porcaria. Um apontamento, a esquerda unida, incluindo a CDU, tinha ganho Lisboa e Porto.
Quanto ao CDS alguém tem que dizer ao Nuno Melo que já basta de dizer tanta parvoíce.
Há uma outra conclusão, o pessoal está-se nas tintas para questões éticas e para comportamentos eventualmente duvidosos. Que o digam o Montenegro, a Maria das Dores Meira e o rapaz de Braga.
E viva o Isaltino! Espero que tenha comido um belo lavagante.
Pior ainda quando Alexandra Leitão, com o apoio do PS da altura, resolveu ressuscitar parte da Geringonça, atracando-se à tóxica Mariana Mortágua. Com isso, não foi um tiro, foram dois tiros. A vitória do insignificante e pantomineiro Carlos Moedas conseguiu ser expressiva quando, com o desastre que foi o seu primeiro mandato, facilmente qualquer outra pessoa -- que não Alexandra Leitão (com a Mortágua à ilharga) --, o bateria.
Aliás, basta ter ouvido a nulidade do discurso de derrota da palavrosa Alexandra Leitão para perceber a vacuidade e a inconsistência daquela pessoa. Uma nulidade de discurso que envergonha. Por comparação, atente-se no brilhante, embora humilde, comovente até, discurso de Pizarro, um grande democrata.
Tenho a certeza de que fosse José Luís Carneiro a ter feito a escolha e outro teria sido o resultado de Lisboa.
Mas agora foco-me no PS. O PS tem gente muito boa. Duarte Cordeiro ou Mariana Vieira da Silva, por exemplo, tirariam a Câmara de Lisboa de letra. E reconquistar a Câmara de Lisboa era importantíssimo pois Carlos Moedas, para além de um caguinchas e um oportunista, é uma lástima como presidente da maior autarquia do país.
O que me anima é pensar que o Pedro Nuno Santos já não fará mais disparates em nome do PS. Felizmente agora temos um pragmático, um determinado, um assertivo, um lutador, um trabalhador incansável, uma pessoa decente, um líder muito capaz. Sempre defendi que com José Luís Carneiro outro galo cantaria no PS, e a sua actuação enquanto líder tem vindo a comprová-lo. O PS voltou a erguer a cabeça e acredito que o País só tem a ganhar com pessoas sérias e competentes como ele.
Quanto a outras autarquias tenho ainda a dizer que algumas vitórias que não apreciei foram mais demérito de alternativas de fraquíssima qualidade do que mérito dos fracos autarcas que ganharam. Há ainda um caminho de maturidade democrática por alcançar, desde logo na conquista de prestígio ao exercer cargos autárquicos. Não faz sentido que em algumas listas, um partido grande como o PS, que tem gente altamente qualificada, avance com gente pouco convincente, fraquíssima.
Finalmente o Porto. Teria ficado contente se Manuel Pizarro tivesse ganho. Gosto dele. É um verdadeiro democrata, humanista, republicano de gema. E simpaticíssimo. Mas acredito que o Pedro Duarte vai ser um bom presidente de Câmara. Pelo seu discurso de vitória e pela forma como se referiu a Manuel Pizarro confirmou ser um tipo decente. E tenho-o em conta de um tipo capaz, enérgico. Por isso, acredito que o Porto vai ficar bem. Foi uma boa escolha de Montenegro. E desejo-lhe boa sorte.
De resto, claro que o PSD ganhou inequivocamente. E não há dúvida que Montenegro, apesar das suas trapalhices spinunvívicas e das grandes debilidades em algumas áreas relevantes da governação, tem conseguido sobrevoar os escolhos e seguir adiante. É resiliente e dúctil e isso são qualidades físicas que conferem resistência e durabilidade a qualquer material. Disso não tenhamos dúvidas. Portanto, chapeau.
Quanto aos derrotados destas eleições são, de forma muito clara:
a CDU, que, de derrota em derrota, caminha cega e resolutamente para a absoluta irrelevância,
o BE, que me parece que já não existe,
o simpático Livre que, autarquicamente, se dilui e desaparece,
a IL, que autarquicamente é invisível,
e o Chega, o partido que alavanca a fanfarronice do Ventura e que, sem a lábia dele, vale menos do que um .... (ai a palavra que me ia saindo...)
De cada vez que ouço falar na expedição em que a Mariana Mortágua se meteu, la flotilla, largando o partido do qual é a responsável e a única deputada, mostro-me estupefacta.
Um conjunto de 'maduros' capitaneados por Greta Thunberg meteu-se em barcos a caminho de Gaza para levar mantimentos. Não percebo sequer a lógica desta brincadeira. Certamente gente bem intencionada mas sem noção da realidade. O que levam na flotilla não deve chegar para matar a fome a uma dúzia de pessoas durante uma meia dúzia de meses. No meio da desgraça de toda a ordem e das incomensuráveis carências de que padece a população naquele lugar tão duramente chacinado, que diferença faz o que aquela malta ali leva?
Dizem-me que nem é pelas latas de feijão que levam, que é mais para chamarem a atenção. Estupidez. Atenção?! Mas Gaza precisa de mais atenção? Não se fala noutra coisa em todo o mundo. O que faz falta é forçar Israel a parar com aquele genocídio. Tudo o resto é conversa. O efeito prático daquela expedição hippie é zero. Bola.
Que a Greta Thunberg ali vá não me admira. Que a Sofia Aparício ali vá também não me espanta. Que Miguel Duarte também lá vá parece-me normal, do que se lhe conhece tem como actividade o ser activista, passe o pleonasmo. Agora Mariana Mortágua....? Líder de um partido político? A única deputada desse partido...? Larga o partido, larga os problemas nacionais, larga os temas da actualidade portuguesa e aí vai ela, activista, kufiya ao pescoço, no veleiro a caminho de Gaza... Há não sei quanto tempo que para ali anda (e ainda não chegaram), numa expedição inútil, lírica, mais coisa de teenagers que não pensam do que de políticos responsáveis.
Supostamente, depois há de ser outro tanto tempo para regressarem. Lá para o Natal talvez esteja de volta. Todos zangados uns com os outros, malta que tem um egozinho grande e pontiagudo. A Greta já se zangou com os do barco português, na volta ensarilhou-se com a Mortágua: fez birra, marimbou-se para a coordenação da flotilla e mudou de barco, já não atinava com a malta do barco português. Qualquer dia é a Aparício que dá de frosques, também de candeias às avessas com os outros. Lindo. Coisa de teenagers, como digo.
Li que, finalmente, a menina Mortágua decidiu ser substituída na Assembleia da República. Já não era sem tempo. Era um absurdo que, num partido com um único deputado, nem esse deputado lá pusesse os pés.
Só por curiosidade fui ver quem é.
Andreia Galvão.
Uma jovem licenciada em Ciências da Comunicação, com especialização em Cinema e Televisão, atualmente mestranda em Teatro. Faço ideia a experiência política, a experiência de vida e o conhecimento que tem da sociedade e da economia portuguesa e europeia...
Se Mariana Mortágua, desde que é líder do BE, tem provocado uma erosão que já levou o partido até à insignificância de um único deputado, com toda esta mais recente estupidez galopante, vai, com certeza, acabar com ele de vez.
Assim vai a esquerda à esquerda do PS. Uma verdadeira desgraça.
Há coisas que a gente pode ser levada a pensar que são objectivas, inequívocas. Mas não. Do mais subjectivas e flexíveis que há.
Para começar, a saúde. Perante a mesma situação, cada médico diz a sua coisa. Uma pessoa pode ficar sem saber para que lado se há-de virar. Sobre os meus joelhos já ouvi de tudo. Já fiz artroscopia porque, segundo o ortopedista, era imprescindível, e já ouvi vários médicos dizerem que tinha sido uma estupidez, que não havia qualquer critério para isso. Sobre a conclusão que se retirou da observação lá dentro, as conclusões foram igualmente díspares, contraditórias. E as recomendações para a prevenção de crises são igualmente para todos os gostos. Parece mentira mas é verdade.
Outra coisa que é que tal e qual é a legislação. Dir-se-ia que deveria ser fraseologia destinada a regular a existência, sem desvio, sem equívocos. Mas não. Por cada frase é preciso ouvir um monte de juristas e cada um fará a sua interpretação.
Perante a questão do dia, se o que vale é a coligação ou se é cada partido que a compõe, já ouvi de tudo. E confesso que não sei quem tem razão pois os constitucionalistas opinam como tendo conhecimento de causa, mesmo para defenderem posições contrárias e eu, pobre de mim, sou leiga na matéria.
Também há aquilo de ainda faltarem os votos dos emigrantes que, face à escassa diferença existente, poderem vir a alterar os resultados, em especial se o que valer for a contagem dos partidos e não a da coligação.
Contudo, entre as opiniões de uns e outros, Marcelo já começou com as audições. Não faço ideia se faz bem se faz mal. Diria que, uma vez mais, está a falar antes de pensar. Mas isso sou eu.
Mas que está aqui um caldinho, está. Marcelo, na ânsia de correr com o PS, fez de tudo para o concretizar. Sempre embrulhou as suas intenções na desculpa da estabilidade. Mas sempre foi ele o principal agente de instabilidade e, como se isso não fosse suficiente, este seu lindo serviço da dissolução da Assembleia da República conduziu ao que se vê, um resultado que é do mais assimétrico e instável que há.
Tal como tenho aqui dito, face ao ponto a que chegámos, se entramos todos em histeria -- cada um a espingardar para seu lado -- não vamos a lado nenhum.
O PCP, como sempre sem perceber nada do que se passa à sua volta, já nos presenteou com uma rejeição precoce. Ainda a coisa não começou e já eles estão a (não direi a ejacular mas a...) disparar.
É que, em termos concretos, ainda ninguém sabe a composição do Governo e, muito menos, o seu programa. Mas isso não é coisa que incomode o bom do Raimundo que, por via das dúvidas, já anunciou que vai avançar com uma moção de rejeição. Por causa das tosses, diz ele (ou se não é por causa das tosses é por causa de outra coisa qualquer).
A Mortágua, bem longe da imagem de sombria cruella, parecendo querer que a gente se esqueça dela armada em vingadora e dominatrix, aparece-nos agora toda sorrisos e vestuário colorido, patética, a bandear-se, armada em chefe das cheerleaders da esquerda. É vê-la por aí a lançar desafios aos que ela acha que podem, com ela à frente, animar os saudosos da geringonça. Caso para dizer que já o carapau tem tosse. Não percebe que, o mais que faz, é estatelar-se ainda mais perante o eleitorado que, em tempos, lhes deu algum crédito.
O PS parece que lhe disse que sim mas espero que tenha sido só por uma questão de boa educação e, sobretudo, por inexperiência. É que não sei se o PNS já aprendeu a mandar banho ao cão por outras palavras ou se ainda tem que comer muito pão com broa. Mas o Raimundo, um fofo, tão naïf, parece que a levou a sério e disse que sim. Sim... mas calma aí. Sim mas só se a Mortágua não estiver a pensar passar-lhe a perna, dilui-lo. Essa é que era boa, diz o Raimundo a fazer biquinho de valentão. Ora. Aprendam com ele.
Atilado, como tem sido seu apanágio, o Livre. Valha-nos isso.
Do outro lado, a IL já saltou fora do que poderia ser uma aliança alargada, AD+IL. Palpita-lhes que a coisa pode não ir longe e não querem ficar conotados.
E o Ventura, por seu lado, desdobra-se em entrevistas em que, perante a opinião pública, se mostra como o santo pronto a sacrificar tudo para o deixarem sentar-se à mesa dos grandes. Diz que, se for preciso, cede em tudo. Na prática, pretende encostar a AD à parede: ou a AD aceita negociar com eles ou chumbam-lhes os Orçamentos. Mas, claro, tudo a bem da estabilidade.
Felizmente o PS tem estado sereno, a ver no que isto vai dar. Só espero que aproveitem o compasso de espera para reflectir, para se reorientarem.
Portanto, resumindo e repetindo-me. Moral da história: é deixá-los poisar. Isso é que é inteligente.
Entretanto, partilho um vídeo que me parece interessante.
It doesn’t matter if you fail. It matters *how* you fail. | Amy Edmondson for Big Think +
O que eu digo, disse-o hoje António Costa. As legislaturas, em princípio, são para cumprir. Nesse sentido, não me parece que, a menos que a AD esteja a propor asneira da grossa, o PS se coloque ao lado do Chega para deitar o Governo abaixo. Se a AD estiver a executar o seu programa, para o qual supostamente terá legitimidade e, do que propõe, não houver consequências gravosas para o País, penso que é mais inteligente o PS abster-se do que andar feito baderneiro a votar contra só porque sim. O papel de chantagista e arruaceiro deve ser deixado para o Chega.
O PS deve portar-se com idoneidade, com inteligência, com respeito pelos cidadãos e percebendo que, em aspectos críticos e estruturantes, pode ser vantajoso para o País que haja, com o PSD/AD, pontualmente, pactos de regime.
Chamo ainda a atenção, e repito-me, para o facto de que o PSD está a herdar uma situação assaz confortável podendo fazer flores que agradarão ao eleitorado. Quem impeça o governo de as pôr em prática será forçosamente mal compreendido por grande parte da população. O PS pode e deve chamar a atenção para o que for pertinente mas, se as medidas estiverem no programa do Governo e não forem de lesa majestade, será preferível que se abstenha e as deixe passar.
Esta é a altura para a cabeça fria, para a inteligência racional. Repito: não é altura para revanchismos, para pensamentos regados a testosterona, para clubites ou ajustes de contas.
Esta é a altura para interiorizar que o primeiro milho é para os pardais.
O Chega, se lhe dermos corda, vai mostrar, mesmo aos mais cegos, que é um bando de oportunistas, de vira-casacas, de gente impreparada, ressabiada, reaccionária, muitas vezes boçal. A população que votou neles precisa de perceber que votar em gente que diz uma coisa e o seu contrário, que promete tudo e um par de botas, e que assenta a sua actuação no princípio de que os 'outros' não prestam, vai acabar por perceber que a os do Chega não apenas fazem parte dos tais 'outros' como são do pior que a sociedade produz, são o verdadeiro rebotalho.
Outro aspecto: não é claro para mim que o PSD tenha mais votos que o PS no final da contagem mas é claro para mim que, se o PS formasse Governo, a AD, o Chega e o Presidente Marcelo não o deixariam governar.
E ainda outro aspecto: concordo que quem tramou tudo isto foi Marcelo. E foi o Ministério Público. Mas foi também a Comunicação Social. E foi a campanha massiva das redes sociais capitaneadas pelo Chega e pelos movimentos que o apoiam (e era bom que tal fosse investigado). E foi o movimento corrosivo dos professores, dos médicos, dos polícias, movimentos corporativistas, certamente infiltrados por gente que, cavalgando o legítimo descontentamento dos seus profissionais, quer a baderna, a confusão.
E quando, lá em cima, me refiro a 'isto' refiro-me à instabilidade sistemática, explícita ou implícita, que os acima referidos foram instilando na opinião pública, refiro-me ao clima de suspeição malsã contra incertos (todos os 'poderosos', todos os 'políticos' em geral), refiro-me à maledicência generalizada, refiro-me à omissão pelos inquestionáveis bons resultados que os Governos de António Costa obtiveram apesar da conjuntura desgraçada.
Mas se houve um caldo social que criou a apetência, por parte dos eleitores, pelo voto num partido que é um saco de vento e de sound bites populistas e incendiárias, a verdade é que há, e isso há que humildemente aceitá-lo, um fundo real de justificação para que parte da população tenha votado no Chega e isso deve ser escalpelizado e estudado com objectividade.
Não valerá tanto a pena perder muito tempo com os ignorantes, os burros e os ressabiados crónicos, gente de todos os estratos sociais, já que são, na maioria, casos perdidos, mas vale a pena perceber os fenómenos de não inclusão, de marginalização, de grandes dificuldades que parte da população enfrenta bem como os casos de jovens que não valorizam a democracia e a liberdade nem o bem comum e que, acefalamente, vão atrás de quem mais parece um dirigente de uma claque futebolística. E compreender isso e avaliar a melhor forma de lidar com isso é trabalho a que o PS deve dedicar-se.
A Mortágua, toda sorrisos, esquecida do seu lado de justiceira castigadora e esquecida das vezes em que o Bloco se juntou a quem calhou para impedir o PS de governar ou para vetar orçamentos socialistas, agora anda a bandear-se para o lado do Pedro Nuno Santos, a querer conversinhas com a CDU, com o Livre e com o PAN. Espero bem que o PS a mande dar uma grande volta. Há que não esquecer que quem gosta do BE e da CDU vota neles e que, no conjunto, valem 7% dos eleitores. São, de facto, dois pequenos partidos, partidos de nicho. Não é com eles que o PS deve perder tempo.
O PS deve reorientar-se por si. Como aqui o tenho defendido, deve abrir-se à sociedade, perceber como melhor colher os reais anseios da população e como melhor comunicar com ela nesta era das redes sociais e da comunicação directa e em tempo real. Dos agentes políticos actuais, vejo, e repito-me, que seria proveitosa uma aproximação com o Livre.
Não tenho falado muito na AD que, aparentemente, vai formar Governo. Não sei o que vai sair dali, não sei quem vão ser os ministros, não sei se vai ter pernas para andar. Espero que não vá desencantar múmias, gente de má fama. Seja como for, se um eventual Governo AD for cumprir o programa com o qual ganharam os votos, é legítimo e democrático para quem está na oposição fazer uma política séria, construtiva e civilizada.
A par do Crescimento Económico e da Fiscalidade, temas basilares e centrais que tem inúmeras derivadas, há os temas emergentes. Os temas da Saúde, do Ensino ou da Segurança estão longe, muito longe de se extinguir nas questões sindicais: há temas de fundo, de organização, de modernização, de reformulação de práticas. E são temas que têm que ser agarrados de forma séria, racional, ponderada, urgente e, não menos importante, musculada. A AD terá as suas ideias e é bom que sejam válidas e, se o forem, que seja bem sucedida a implementá-las. Mas o PS, mesmo que na oposição, tem a obrigação de estar na linha da frente do estudo de soluções para tão graves problemas. O País saberá reconhecer quem se interessa pela resolução séria dos seus problemas.
_____________
Podem tresler o que escrevi, podem acusar-me de tudo e mais alguma coisa mas já sabem que me dá igual. Penso pela minha cabeça e, perdoem-me a imodéstia, não me considero mentecapta.
Pelo contrário, vê-se o resultado que conseguiram os que acham que o caminho é o da viragem à esquerda (ou seja, convergir com os 7% do eleitorado). E, quanto aos que acham que, a partir de agora, a actuação correcta é o bota-abaixo, em concorrência com o Chega, também acho que estão altamente equivocados. O Chega, afinal, também apenas obteve 18%. Há todos os outros eleitores que não vão nas cantigas e não se reveem nas práticas do Chega.
Posso não ser ilustrada ou bem-falante, posso não ter canudo de Relações Internacionais ou de Ciências da Comunicação. Mas posso dizer o que me vai na alma, ou não posso?
Portanto, com vossa licencíssima, aqui vai.
Vi um bocado de Paulo Raimundo e Rui Tavares.
Se eu fosse comentadora diria que o Paulo Raimundo é um fofo. Parece que anda sempre um bocado ao lado mas isso ainda aumenta mais a sua fofura. Perguntam-lhe se aquela posição fofa sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia não estará a contribuir para o afastamento dos eleitores do PCP. E ele, com aquele seu narizinho arrebitado de menino que se quer atrevido, diz que há uma questão central que é a legislação laboral.
O Rui Tavares de vez em quando inclinava um bocado a cabeça, certamente preocupado, a pensar que o Raimundo não tinha percebido a pergunta. O moderador também a fazer um ar apreensivo sem ver onde é que o raciocínio do Raimundo o ia levar, ensarilhado que parecia estar com a conversa da legislação laboral.
Finalmente lá voltou ao tema. Com ar valentão, disse que não queria fugir a ele. E lá veio outra vez com a das forças da paz. O Putin invade a Ucrânia e, para o PCP, a solução é a malta querer paz. Só isso. Coisa simples. Quiçá a Ucrânia pôr-se à janela com um lencinho branco na mão. Uma pombinha fofa, o Raimundo.
No outro dia, num outro debate, parecia que ia virar a mesa, mudar o rumo da conversa. Lançou, imagine-se, que ia dizer uma coisa a talhe de foice, uma coisa de que ninguém falava: a cultura. Mas, em vez de desenvolver o tema, não senhor, disse que era para ver se alguém lhe pegava. Uma coisa inédita, a dar tópicos para outros brilharem. E fez aquele seu sorrisinho que pretende ser ladino mas que é apenas muito fofo.
Hoje o Rui Tavares disse que ia agarrar o tópico lançado pelo Raimundo: a cultura. E desenvolveu. O Raimundo, coisa mais fofa, fez um sorriso todo contente. Afinal alguém estava a agarrar o tema que ele tinha lançado.
Mas lançou só por lançar pois, a bem dizer, que se tivesse percebido, o tema da cultura para ele, e desenvolveu só para não ficar atrás do Rui Tavares, tem sobretudo a ver com os precários da cultura. É que, não esqueçamos, seja qual for o assunto, guerra ou cultura ou whatever, para o Raimundo a malta não deve desviar-se do tema central que é um e só um: a legislação laboral.
Uma palavra para a elegância de Rui Tavares ao referir o que tinha em comum com o PCP quanto à política internacional (União Europeia, Nato, etc). Disse que o PCP é um partido coerente: ao menos sabe-se o que pensam e, como pensam sempre o mesmo, não há que enganar.
O Raimundo sorriu com ar agradecido, pensou que o outro estava a fazer um elogio. De uma enternecedora naïveté, o Raimundo. Uma fofura.
Sem ofensa e com toda a consideração, acho que, quando ele fala, as televisões deveriam aplicar-lhe um filtro daqueles que põem asinhas nas pessoas, asinhas com penas fofas e branquinhas, um anjinho mimoso com uma aura a pairar-lhe sobre aquela cabecinha ovalada, e coraçõezinhos a palpitar-lhe na carinha laroca. Depois de um bailarino simpático -- Jerónimo, o último moicano -- temos agora o símbolo perfeito para o Dia dos Namorados, o fofíssimo Raimundo.
Também vi a Mortágua com o Ventura. Se fosse comentadora teria dificuldade em comentar. Como resumiu o Paixão Martins, foi uma peixeirada. Ora, como se comenta uma peixeirada: quem é que atirou mais peixes à cara do outro? Não sei. Sei é que o Ventura é execrável. A todos os títulos. Portanto, nem consigo comentar.
A Mortágua é de um outro campeonato. É gente educada e que sabe estar à mesa da democracia. O trauliteiro-mor não, é gente que nunca deveria ter conseguido pôr o pé no Parlamento. Que não haja confusão. Mas, verdade seja dita, o BE tem sido um partido a quem o chinelo puxa muito para o populismo e para a facada nas costas dos supostos aliados e, claro, o que tem feito mina o terreno que pisa. Portanto, ao estar frente a frente com um arruaceiro, ela teria sempre dificuldade. E teve.
Provavelmente, quer um, quer outro, conseguem extrair dali sound bites para as suas redes sociais. Como é meio que não frequento, passo à frente.
Só um aparte relativamente à Mortágua: aquele seu sorriso que afixa e congela não lhe é natural. Mais vale que se apresente com aquele seu ar de castigadora e deixe o papel de fofinho para o Raimundo
No balneário da piscina, as minhas colegas encarniçam-se contra 'isto' e dizem que no dia 10 de Março é preciso ir votar para 'acabar com isto tudo', 'para os tirar de lá'. Tentei contrariá-las, contrapondo factos mas percebi que é escusado. Eu falo de números que confirmam o óbvio, não fujo do registo da objectividade, enquanto elas falam de uma fotografia que alguém lhes mandou com pessoas a dormirem à porta de um centro de saúde. Não sabem onde e muito menos sabem se a fotografia é verídica. Nem querem saber. Outra contrapõe com uma idosa que morreu à porta do hospital. Pergunto se a pessoa se salvaria se estivesse dentro do hospital ou se chegou lá já sem salvação. Não sabem nem querem saber. Sabem é que 'são todos uns gulosos' ou que 'há mais crimes violentos por causa dos brasileiros', 'uma vergonha'.
Quem vai votar no Chega não quer saber o que é que o Ventura fará se um dia chegar ao poder. Isso é coisa que não lhes ocorre. A única coisa que sabem é cavalgar a onda da maledicência e do deita abaixo.
Os meus filhos contam que colegas e amigos, técnicos superiores e gestores, pessoas em cargos relevantes e escolaridade elevada, dizem que vão votar no Chega pois acham que 'já chega de tantos anos de status quo' e que 'está na altura de rebentar com isto'. Uns são religiosos, frequentam missas e retiros, outros praticam muito desporto e têm muitos amigos. Não têm tempo nem pachorra para ouvir notícias, para ler artigos. Nasceram depois do 25 de Abril, só conheceram a democracia, não valorizam o que têm e, por desfastio e porque é cool, 'querem rebentar com esta porcaria toda'.
Numa entrevista, com pasmo, ouvi o pobre do Raimundo a apelar aos que antes votavam no PCP e agora vão votar no Chega. Diz, com ar de quem percebe que está a bater no fundo, que o PCP também é um partido de protesto. Já não quer saber de ideologia nem de coerência nem de nada. Desde que votem no PCP, tanto se lhe dá que seja gente que nem sabe o que faz e tanto vota na esquerda como na direita desde que seja do 'contra'. Demonstra que populismo é populismo, pinte-se de esquerda, pinte-se de direita.
Aliás, num grande cartaz Ventura diz que 'é preciso acabar com isto tudo' e põe cruzes em cima de Ricardo Salgado, Sócrates, Medina e Costa. E, ao lado, Mariana Mortágua, num cartaz igualmente grande, diz 'Não lhes dês descanso'. Populismo igual a populismo.
Quando a minha mãe morreu, a senhora da agência funerária perguntou se queríamos serviço religioso. Sendo a minha mãe crente, respondo que sim, mas uma coisa breve, simples. Pois, para meu espanto e, confesso, desconforto, já para não dizer mesmo desagrado, o padre falou que se fartou, um verdadeiro comício. Só faltou apelar ao voto no Chega. Disse que o país não está preparado para receber tantos imigrantes e por isso que não nos admiremos por haver tanto roubo e tanta desgraça, que cada vez se ouve falar mais em miséria e nem sei mais o quê. Eu estava como estava, prestes a despedir-me de vez da presença física da minha mãe e a ter que ouvir um homem que, em vez de dizer umas palavras simples alusivas ao momento, resolveu pregar contra o sistema de uma forma básica, quase boçal. Não consigo reproduzir mais pois, se antes já estava triste e enervada, às tantas comecei a ficar mesmo revoltada. Pois devo dizer que vi algumas colegas e amigas da minha mãe a acenar com a cabeça, a concordarem, como se ele estivesse a dizer coisas acertadas. Escusado será dizer que os meus filhos e primos se mostraram, depois, incomodados, quase incrédulos com o que se tinha passado. Naquelas circunstâncias não me pareceu correcto interrompê-lo para o mandar calar e limitar-se ao que seria suposto. Mas fiquei a pensar que se, ali, junto a uma urna, numa capela mortuária, fez um tal comício, imagino o que será quando está à larga, nas homilias. E isto foi numa zona central de uma grande cidade. Imagino o que não será por essas igrejas afora... quanta lavagem ao cérebro será feita por estes padres, inchados de reaccionarismo...?
E enquanto o PS não perceber bem isto, este caldo de gente desinformada, que não quer informar-se, que não está nem aí, enquanto não perceber bem a forma como o Chega está a manobrar e a manipular as opiniões, e enquanto não conseguir encontrar um antídoto eficaz, o risco de a democracia sair seriamente beliscada vai continuar a aumentar.
Seria também interessante que a gente do SIS andasse em cima das movimentações de bastidores pois não me admirava nada que a longa mão de Steve Bannon, quiçá alimentada por Putin ou afins e sei lá por mais quem, essa gente obscura que tem vindo a manobrar nas catacumbas para manipular as opiniões públicas e para conseguir levá-las a perder a confiança nas instituições democráticas. Não estou a alucinar. Basta fazer meia dúzia de pesquisas sobre a erosão que as democracias liberais ocidentais vêm sofrendo ao mesmo tempo que o populismo mais descarado e destruidor vem subindo para se perceber que este não é um mundo inocente, habitado por piedosas virgens.
E, no entanto, ao contrário do que dizem o Ventura, o Montenegro, a Mortágua, o Raimundo e toda essa gente que tem alimentado a opinião pública com o insistente discurso de que 'isto está tudo mal', a verdade é que não está tudo mal. Pelo contrário, na verdade é francos sinais de que as coisas estão a melhorar e que já não estão nada mal.
Passo a palavra a três ilustres bloggers que sigo pela sua coerência, inteligência, e objectividade, esperando que não levem a mal que puxe, na íntegra e com as formatações de origem, posts seus que me parecem ser exemplares, muito esclarecedores.
1. Para quem, como eu, há muito anos considera essencial a frugalidade orçamental e a contenção do endividamento público - desde logo, porque fica caro! -, só posso saudar vivamente a notícia de que, apesar da grave crise da pandemia, voltámos a uma dívida pública bem abaixo dos 100% do PIB e que baixámos mesmo o stock da dívida pública em termos líquidos, retirando o país do clube dos países mais endividados. Um notável triunfo político!
Para além de confortável seguro contra qualquer crise orçamental superveniente, esta notável redução do peso da dívida pública traduz-se numa substancial poupança orçamental em juros, proporcionando maior flexibilidade na gestão da despesa pública aos governos que vêm.
2. Com este importante desempenho orçamental do governo do PS, um dos melhores da UE, ficamos menos longe e mais bem posicionados para atingir o objetivo do Pacto de Estabilidade da União, que é de 60% do PIB. Ponto é que os próximos governos não enveredem de novo pelo laxismo orçamental e pela "desbunda" na despesa pública ou num demagógico corte da receita, como deixam temer muitas das promessas eleitorais neste momento irresponsavelmente apresentadas por quase todos os partidos.
Neste quadro, é especialmente preocupante o programa do PSD, que, entre aumentos de despesa e um maciço e aventureiro "choque fiscal", propõe um rombo de mais de 5 000 milhões de euros nas contas públicas -, ou como um partido de governo outrora financeiramente responsável, passou a acreditar irresponsavelmente em operações de prestidigitação orçamental.
Como se não bastasse a pouco recomendável novela política sobre o governo regional da Madeira e a inquietante especulação sobre uma possível aliança de governo do PSD com o Chega nos Açores, no plano nacional acumulam-se as notícias pouco propícias, como a dos números sobre o crescimento do PIB em 2023, o maior da UE, ridicularizando a acusação de Montenegro sobre o "ciclo de empobrecimento" do País (como já havia mostrado AQUI).
Em condições normais, o PS deveria obter uma vitória folgada nestas eleições. Mesmo que o PS pareça não querer explorar excessivamente os resultados económicos da sua governação de oito anos, os portugueses não podem deixaram de notá-la, no emprego, nos rendimentos e no poder de compra. Não se vê como é que o PSD pode contrariar eficazmente este panorama daqui até às eleições.
Com o país a crescer acima de média da União Europeia, a Segurança Social com um excedente de 5,46 mil milhões de euros, a dívida pública abaixo dos três dígitos - 98,7%, Portugal como o sétimo país mais seguro do mundo, o partido da taberna vai passar a campanha eleitoral a berrar nas ruas "Isto é monhés por todo o lado! Alguns até rezam virados para Meca!", "Um gajo quer sair à rua e não pode que é logo assaltado!", e o irmão gémeo Ilusão Liberal a martelar contra a carga fiscal, a AD - Anedota de Direita, contra o "gonçalvismo" que nos esbulha com impostos, coadjuvados pelos ex líderes partidários, agora comentadores "independentes", nas noites de domingo da televisão do militante n.º 1 e na CNN Portugal, mentira azar, a "carga fiscal foi de 38% em Portugal em 2022, abaixo da média europeia". Daqui até 10 de Março vai ser terrível com os "Goebbels" de pacotilha nas televisões.
Quando cheguei a casa de uma caminhada de cerca de uma hora que me custou mais que eu sei lá, vinha exausta. Enquanto andava, não sei se era do calor, se era da nuvem de poeiras carregadas de cinzas e de monóxido de carbono, estava cada vez mais cansada.
Na noite anterior, querendo levantar-me muito cedo e andando já em carência de sono, forcei-me a ir para a cama um pouco mais cedo. É sempre a pior asneira que posso fazer. O meu biorritmo é o de uma noctívaga, e noctívaga que é noctívaga só vai para a cama quando a noite começa a aproximar-se da madrugada. Ou seja, fui para a cama sem sono. E, quando isso acontece, é ver as horas a passar... Só adormeci, e mal, quando estava na hora de me levantar.
Por isso, tudo junto, ao chegar da caminhada, arrastei-me até ao sofá e caí redondamente num sono profundo. O que me valeu é que o jantar estava feito.
Quando o meu marido me chamou para jantar, arrastei-me. E, mal acabei, voltei para aqui e foi, de novo, tiro e queda.
Se isto é do calor, de é das poeiras, se é de algum cansaço justificável ou se é ainda do pós-covid não sei.
O que sei é que é isto.
Entretanto, descobri que uma colega de liceu foi, afinal, minha vizinha quando éramos bem pequenas e, ao comentar isso com a minha mãe, descobri que duas tias dela se casaram com primos, um do meu pai e um da minha mãe. E só o descubro agora, dois séculos depois de andarmos juntas no liceu.
E ainda não contei uma coisa e agora vou apenas aflorar pois é coisa que me deixa um bocado sem saber que chão piso. É isto. Numa história que escrevi e na qual contei três eventos estranhos e reais passados comigo e com o meu marido, no início de andarmos juntos, introduzi um personagem também bem real que, uma vez, a propósito desses três eventos estranhos, produziu um comentário também assaz estranho em que parecia mostrar que estava ao corrente.
Na história relato isso e a seguir prossigo numa trama ficcionada em que esse meu amigo se transforma em personagem. E, às tantas, na história, a personagem feminina da história sabe que ele morreu. Fica chocadíssima pois custa-lhe acreditar que o seu amigo de longa data morreu.
Pois bem, depois de o ter escrito, poucos dias depois, inusitadamente, sei que o meu amigo, de facto, morreu. Podem imaginar o meu choque. Duplamente choque: por um lado por saber que ele morreu e, por eu, insolitamente o ter dado como morto na minha história. Quando contei ao meu marido que o nosso amigo tinha morrido, ficou também surpreendido e chocado. Mas não fui capaz de lhe contar que ele estava na minha história e que na minha história ele tinha morrido.
Como sempre, no fim, pedi ao meu marido para ler a história.
Nesse dia, quando me levantei, encontrei-o calado, incomodado.
Ao ler, reconheceu os eventos reais, reconheceu o nosso amigo e ficou muito admirado por ele estar morto na história. Estava admirado. Quis saber se eu, quando escrevi, já sabia que ele tinha morrido (pois achava que não, pois eu só tinha sabido isso para aí uns dois ou três dias antes e, nessa altura, a história já estava praticamente toda escrita). Confirmei que não. Ficou ainda mais incomodado.
Por vezes, ele fica impressionado por achar que eu adivinho ou antecipo as coisas.
Eu própria, ao rever a história para corrigir gralhas ou para ajustar algumas coisas, fi-lo com desconforto, quase com receio de que mais coisas que ficcionei se materializem.
E é isto.
Bizarro, não é?
___________________________
Mas, mudando de assunto: depois da quase obsessiva perseguição do Marcelo ao Governo, no que mais parecia um pré coup, e depois de a fraquíssima oposição e a mais do que medíocre comunicação social cavalgarem a ondulação causada pelas sucessivas bocas presidenciais, eis que agora o tema é se o Costa vai ou fica.
Não há cão nem gato que agora não ande nessa. Gente mais parva e mais fútil não há. Como se fizesse algum sentido lançar a confusão com um tema destes numa altura destas.
E eu, vendo a Mortágua de má catadura, o da IL de que não me lembro o nome nem sei qual a dele, o Montenegro eternamente aos papéis apesar de não perder o sorrisinho deslocado, e o Ventura que vende a banha da cobra que quer que a malta da comunicação social papa-a toda, só penso que são como os meus amigos Monty na cena da escalada. Parece ele que se esfalfam, que dão o duro para lá chegar. Só que não atinam. Só fazem porcaria. Vêem os filmes todos ao contrário. São irrelevantes, inúteis, malucos. E a comunicação social atrás, a fazer a reportagem, a entrevistá-los como se alguma coisa daquela fizesse sentido.
É que das duas uma: se é para a gente se rir, então que se apresente como uma rábula cómica. Se não é, então é a miséria intelectual mais absoluta e é como tal que a devemos encarar.
Monty Python - A escalarem as ruas como se não houvesse amanhã
Quando foi anunciado que a Mariana Mortágua ia ser a nova coordenadora do BE, embora não tenha ficado surpreendido, pensei que, de facto, a "esquerda caviar" não mudou.
Como é possível terem escolhido para coordenar o BE uma Senhora que desde há muito faz parte do círculo dirigente do Bloco, o que naturalmente implica que apoiou as políticas que levaram o BE de mal a pior?
Basta analisar a evolução dos resultados eleitorais nas eleições para, admitindo que o objetivo do BE é conquistar a maior número possível dos lugares a que se candidata, constatarmos que a estratégia política do BE está longe de ter sido um sucesso.
Também podemos admitir que a eleição da Mariana Mortágua resulta de os dirigentes do Bloco serem pessoas que decidem em circuito fechado, convencidos da sua omnisciência, que se marimbam para os resultados eleitorais e que, no limite, sendo necessário, tentarão "mudar o povo".
Também é possível que o Francisco Louçã considere a Mariana a sua delfim e tenha sido ele a fazer a gestão da situação.
Acresce que a Mariana Mortágua passa a imagem de alguém sempre de mal consigo própria e com o mundo, com zero de empatia, antipática, arrogante e sem qualquer jeito para dialogar e fazer pontes.
Nunca sorri, e o pior é que não sabe sorrir. Quando se força a fazê-lo, causa ainda mais incómodo em quem a vê.
Não descortino como, a manter a política actual e com uma líder com estas "qualidades", o BE conseguirá crescer.
Em minha opinião é necessário que existam partidos à esquerda com força suficiente para garantirem uma maioria de esquerda no Parlamento. O problema é que com este BE e com um PCP cristalizado -- e que continua sem verdadeiramente conseguir pôr na sua agenda novas causas (ambiente, digitalização,...) -- não me parece que o barco chegue a bom porto.
Assim, não vamos lá!
________________________________________
Imagem captada da televisão, quando a sua irmã falava na Assembleia da República. Mariana, atrás, revelava uma postura informal, como se estivesse espreguiçada no sofá da sua sala o que, convenhamos, parece muito pouco adequado para a líder de um partido que possa ser levado a sério
Dia tranquilo e produtivo. Começo a pôr em marcha o que espero que venha a ser, em parte, a minha segunda vida. Estas fases em que começo a pôr-me em campo, a aquecer os motores e a estudar as pistas são muito motivantes para ti. Vibro agora como vibrava aos dez, aos vinte, aos trinta anos. Ainda sou aquela que gosta de avançar destemidamente em territórios desconhecidos.
Outro momento especial aconteceu quando, a meio do dia, calhou estar com uma pessoa que esteve a contar-me a sua vida. Aquele fenómeno que tanto me acontece, de uma pessoa que não me conhece e que chega ao pé de mim e começa a contar-me a sua vida -- os momentos mais marcantes, a descida aos labirintos mais profundos do desgosto e do medo --, voltou a acontecer. Fico sempre muito impressionada. E fiquei também muito impressionada com a capacidade de superação e com a forma inteligente e positiva como encara a vida.
Do que se tem passado por cá, no burgo, na política nacional, lamento dizer: nada me inspira.
Vi há pouco um pobre homem a ser interrogado há mais de cinco ou seis horas numa comissão de inquérito. E parece que ainda dura. Uma aberração.
O meu marido contou que viu a Mortágua a inquirir o senhor em moldes que lhe pareceram pidescos (com quem ele falou, o que disseram, etc), irrelevâncias que não se percebe em que contribuem para alguma coisa.
Eu já não consigo.
Aliás já nem percebo o que é que andam para ali a fazer, a fazer perder tempo a uns e outros. Alguma vez são precisos estes show-offs para se perceber que o Pedro Nuno Santos levava aquilo tudo pela rama, whatsapp e o escambau, delegando coisas importantes num esdrúxulo como o Huguinho? Precisa-se disto para se saber que na TAP sempre se viveu à tripa-forra, à grande e à francesa? Acho que não. Mesmo com a malta a ter que lá meter carcanhol para a empresa se aguentar, continuaram a tratar-se como nababos (grandes ordenados, grandes prémios, grandes indemnizações, grandes compras). Qual a novidade disto? Com verdinhos que têm como experiência profissional serem gente aparelhística ou académicos ingénuos, como querem que os que têm rabo pelado mudem um milímetro nas suas práticas? Como querem que estes verdinhos tenham competência para enquadrar gente experiente ou sabida ou para tratarem de assuntos complexos?
Impossível.
Por isso, que carnaval é este destas comissões de inquérito? Serve para quê? Só se for para épater les bourgeois ou, mais portuguesmente falando, para entreter o pagode.
Não tenho pachorra.
Só me apetece é deslocar-me para a minha nova actividade que tanto anda a absorver-me e que tanto prazer me dá.
Isso e, ao fim da tarde, ir regar. O urso cabeludo arrancou (e escavou em volta) vários aspersores da rega automática. Por isso, pego na mangueira e rego eu as zonas que não levam água da rega. Adoro andar ali, quase ao pôr do sol, a regar, a ouvir e a ver os pássaros.
A pessoa de quem acima falei esteve a contar-me sobre as suas múltiplas actividades e sobre os seus passeios. Um dia destes vai para Barcelona para assistir a um evento e, quando se aproximar o verão, larga amarras e vai fazer praia para a beira do Mediterrâneo ao longo de um ou dois meses. Sente que está na hora de gozar a vida, livre de peias e obrigações. Contei-lhe que, desde que deixei de trabalhar, tive um joelho inflamado, covid, a minha mãe internada, e que, agora, tenho que acompanhá-la em médicos e exames. Por isso, a única coisa que me apetece é estar sossegada, desfrutar a casa, os momentos de quietude, de tranquilidade, coisas simples. Lá virá o tempo em que voltarei a ter vontade de sair por aí, de viagem. Agora fico feliz com o que houver de mais simples.
_______________________________________________
Lá em cima, Maxwell Thorpes tem uma incrível actuação no Britain's Got Talent
As pinturas são, respectivamente, de Anna Ancher, Sunlight in the blue room,Summer evening at Skagen de Peder Severin Krøyer e Waterlilies Morning with Weeping Willows de Claude Monet
Estou a ver o noticiário e pasmo com a hipocrisia, com a sucessão de mentiras e com a permanente manipulação da informação por parte das desagradáveis dirigentes bloquistas. Tão arrogantes são que não percebem que os portugueses já as toparam faz tempo.
Não são uma maneira nova de estar na política como, de início, tentaram parecer. Pior ainda que isso: não querem o bem dos portugueses.
Por duas vezes, em momentos críticos, juntamente com os comunistas, deram o braço à direita para deitar abaixo um governo socialista.
Da primeira vez, abriram a porta ao pior período da era democrática, o período em que o Láparo, de braço dado com Portas, quis ir mais longe do que a troika (o Alberto João chamou ao período passista um período de genocídio social e de um aventureirismo que consistiu em dar cabo da economia supostamente para pôr bem as finanças e, em que, obviamente não melhoraram as finanças e estraçalharam a economia). E quem abriu a porta para que Passos Coelho e Paulo Portas quase aniquilassem o País foi o PCP, o Bloco de Esquerda, de braço dado com o CDS e o PSD. Não nos esqueçamos nunca disto.
Desta vez espero que lhes saia o tiro pela culatra e não consigam o que pretendem (embora, mentirosamente, digam que não): colocar a direita no poder.
As do Bloco de Esquerda praticam uma política rasteira, falsa. São demagógicas. São populistas. E são capazes das maiores deslealdades e traições. Já aqui o disse e volto a dizer. Em Portugal seguimos a velha máxima romana de que não pagamos a traidores. Portugal não lhes perdoará (tal como não perdoará aos comunistas).
Até que desaparecerão. Renascerão, mais tarde, noutra qualquer agremiação de ex-trostkistas, ex-maoistas, ex-marxistas-leninistas, sempre com ar blasé, armados em doutores da mula russa, com uma suposta grande paciência para explicar coisas ao povo. Só que o povo já os topa à légua, já não lhes liga peva.
As pessoas que votavam no Bloco e que eram decentes irão votar no PS e os que votavam nelas apenas porque lhes apreciavam a veia populista e demagógica, vão votar no Chega.
Se fossem inteligentes, percebiam isto e faziam um esforço para perder a cagança e para assimilarem o que o povo pensa. Mas como não são inteligentes e como se estão a cagar para o povo, iremos continuar a vê-las a andar por aí, uma a representar, toda sorrisos, feita Marine le Pen a falar para as massas, outra, feita doutora-urubu, a falar de alto, a dar lições não se sabe bem a quem.
Enquanto isto, o Chega vai alegremente recebendo os dissidentes do Bloco, do PCP, do CDS e do PSD. As sondagens já os dão com 10%, já a terceira força política do país. Uma vergonha. Sobretudo uma vergonha para o Bloco e para o PCP.
(Nem falo do PSD e do CDS que esses, autofágicos e destrambelhados como andam, se encarregarão de se devorar a si próprios)
Tenho a reconfessar que estas eleições não mexeram comigo. Do pouco que vi na televisão ou do que li, nomeadamente em alguns programas eleitorais, foi o que referi há dias: mais do mesmo.
No entanto, acredito que a vitalidade da democracia se mede também através da qualidade de vida nas cidades (ou vilas) e, para isso, é relevante a competência, a dedicação, o profissionalismo e a visão estratégica das equipas que conduzem os destinos autárquicos. E, talvez por isso, ouço o que dizem os candidatos e acho que deveriam ser todos (ou quase todos) rifados.
No que se refere ao Porto, não vivo dentro nem tenho acompanhado: não me pronuncio, pois.
Mas sobre Lisboa tenho opinião. Lisboa está magnífica. Pode ter pontos de imperfeição ou pode ter coisas que não funcionam bem. Mas, no cômputo geral, está magnífica. É magnífica.
A reviravolta no bom sentido começou antes do Medina. Vem de Sampaio, vem do Costa. Mas o Medina executou a estratégia e não desgraçou tudo. Pelo contrário, continuou a melhorar a cidade. Não falo dos bairros históricos transformados em alojamento local. Foi tendência geral, cá e em todo o lado onde o turista gosta de andar. Chama-se gentrificação e é fenómeno global. Não vale a pena armarmo-nos em beatos, querendo ver culpa no vizinho do lado, neste caso no Medina. Não. Voo barato e, portanto, muita procura tem esta implicação: aumenta a oferta. É o mercado, nada a fazer.
Para mim, o pior mesmo, o que o fez perder as eleições, foi a colagem excessiva à imagem do aparelhista bem comportado, o socialista linha soft, menino apertadinho, que vai à televisão falar em nome do PS. Mas quem fala assim, sem garra, fugindo assustado de problema, desfazendo-se em desculpas e mais desculpas mesmo do que não tem culpas, renegando o que for preciso para continuar na primeira fila, dedinho no ar, não pega. Junto do público feminino, então, não pega mesmo. Mulher não gosta de homem com espírito fraco. Ainda por cima, imagem televisiva semanal e monocordicamente gasta a desfiar comentário morno sobre tudo e sobre nada, cansa. A gente quer pensar que na autarquia está um gestor eficiente, um executivo incansável e não um principezinho bem comportado que se dedica ao comentário e ao falatório político.
E depois tem aquilo das ciclovias. A Penélope explica tudo muito bem. Concordo. Ciclovia é, obviamente, uma boa ideia. Cidade limpa, ecológica, toda a gente gosta. Mas uma coisa é haver avenida larga, passeio largo, coisa planeada ab initio: o peão ou a bicicleta ser quase o rei ou a rainha e os carros um acessório. Isso é bom. O pior é quando o carro está por todo o lado, na estrada, no estacionamento (quando não no próprio passeio), e a estrada é reduzida ou o passeio é cortado ou cruzado por ciclovia e a gente nem saber bem se pode pôr o pé ou deixar criança andar à vontade.
E há mais: do que se comenta por aí, subsiste na Câmara o que de pior existe da velha escola dos boys socialistas, as assessorias pagas a peso de ouro que mais não fazem do que alimentar a intrigalhada partidária e a manha e a amizade ao trabalho de faz-de-conta. Ora isso já não está com nada. Isso e as mordomias que a Guida gorda gosta de ter. O eleitorado já não tem pachorra para isso. O eleitorado castiga.
Pode tudo isto não ser extraordinariamente significativo mas foi o suficiente para Medina ter perdido a Câmara. Como ele disse, por um voto se ganha, por um voto se perde.
A vitória caiu de bandeja no colo do Moedas. Uma ave-rara que promete aos lisboetas, em tempos de paz e de progresso, "sangue, suor e lágrimas", em condições normais levaria uma corrida em osso. Só um wanna be desfasado do realidade se lembrava de tal disparate.
Dizem que foi um bom Comissário e até acredito. Mas foi também um fiel homem de mão de um inqualificável Láparo e disso eu não posso esquecer-me. Pode não ser totalmente incompetente, pode não ser gatuno, corrupto ou analfabeto. Menos mal. Mas parte do seu passado é negro e o seu presente não revela golpe de asa, visão fora da caixa ou sentido de modernidade. Tomara que consiga fazer um trabalho que não desmereça o legado dos seus antecessores na Câmara. A bem dos lisboetas e de todos quantos cá trabalham ou cá estão de visita, é bom que faça um bom trabalho e, nesse sentido, só posso desejar-lhe boa sorte.
Tirando isso, tenho pena pelo Bernardino. Não sei como foi a sua gestão mas tenho-o em boa conta.
O mundo vai andando, umas vezes para a frente, outras para os lados, a maior parte das vezes aos tropeções. Mas ninguém suportaria que andasse para trás. E o PCP tem isso: quer ficar preso ao passado, à conversa do já era, aos ideais que já tombaram faz tempo. Pode até ser gente honrada e bem intencionada -- aliás, não tenho dúvida que o é. Mas são sectários ao porem-se do lado errado da trincheira, e errada porque a guerra já é outra. A população já não quer ouvir falar de coisas que já não lhes dizem nada. Aqueles a quem a conversa do PCP ainda diz alguma coisa já estão velhos e em minoria. O eleitorado, na sua maioria, já está noutra. Tenho pena, em especial pelo Jerónimo, o último dos moicanos, um homem digno e sério. Mas é a vida.
As grandes lutas agora já não são as sindicais, com os sindicatos da função pública à cabeça, a luta agrária, esses temas de antigamente. As grandes lutas agora são as do ambiente, as da luta pela felicidade, pela qualidade de vida, as da demografia, as da diversidade e da inclusão. O PCP não sabe estar nessas lutas. Mesmo quando quer estar, usa um vocabulário de tempos passados. O PCP e essa abstracção chamada CDU voltaram a perder e o pior é que não sabem interpretar as derrotas. Para eles, as derrotas são sempre por culpa alheia. Aos poucos vão caminhando para o próprio fim.
O Bloco de Esquerda também perdeu e é natural que tenha perdido. Com o viço com que apareceram há uns anos anunciando a diferença, atraíram os que estavam cansados de partidos velhos. Sol de pouca dura. Com esta direcção, Catarina & Manas Mortáguas, o BE vem revelando à saciedade que é sangue populista o que lhes corre nas veias. Num local, não sei onde, perderam um vereador e o Chega ganhou um. Um populista substituiu outro populista. É natural: populismo é populismo, vista-se de esquerda ou vista-se de direita. Não vão acabar bem.
Do CDS não vale a pena falar. Aliás, não há nada a dizer. O perfeito nulo.
Quanto ao PSD, o que tenho a dizer é que as hostes laranjas sabem mexer os cordelinhos autárquicos. Ou não fosse o burocrata Rio um homem do aparelho. Mas o aparelhismo tem perna curta e o ar de quem está permanentemente fornicado com qualquer coisa, seja lá o que for, faz com que a malta queira é vê-lo pelas costas. O ambiente fica pesado com o Rio por perto. Portanto, este balão de oxigénio é coisa que não cura o estertor, apenas o adia.
Mas adia o tempo suficiente para que a galinha cacarejante tivesse cacarejado, uma vez mais, antes de tempo. Numa campanha de relançamento em que valeu tudo, até sair mediaticamente do armário, Rangel deixou-se embalar pelos que anteviam uma demissão de Rio na noite das autárquicas e, destravado como só ele sabe ser, atirou-se para a frente das luzes da ribalta. Correu-lhe mal. Portanto, dupla sensação de vitória para o sempre aziado Rio.
Mas vai ser coisa efémera.
Não sei se sobra alguém mas acho que não. Mas, mesmo que sobre, não teria mais nada a dizer.
Faz falta sangue novo, um olhar novo, um pensamento novo. Enquanto isso não aparecer, isto das autárquicas é uma grande seca.
________________________________________________
Volto para responder ao comentário sobre o Santana Lopes. Não sei bem que diga. Vida mais errática não há. O que ele já fez e desfez, a forma como se lança e depois se cansa, tornam-no não apenas imprevisível como pouco confiável. Há funções para as quais a determinação e persistência são fundamentais e a de presidente de uma câmara (ou de um governo) é uma delas. Ora, determinação e persistência são coisas que a ele não lhe assistem lá muito. Dá ideia que se move pela adrenalina, pelo prazer da novidade.
Contudo, apesar de toda a aleatoriedade no seu percurso, ao chegar aos sessenta e cinco e continuar a ser assim, abalançando-se para estas coisas, voltando a percorrer uma etapa que já tinha ficado lá para trás no percurso da sua vida, há que lhe reconhecer algum mérito. Mostra que é sobretudo um personagem literário de que um dia alguém fará um filme. É um romântico. Deve ser respeitado enquanto tal. Um dos últimos românticos.
_____________________________________________
Para ver se conseguia amenizar a aridez do texto, usei fotografias de Niki Colemont
e trouxe Birdy com Evergreen para nos fazer companhia