Hoje de tarde a reunião correu bem. Uma reunião tranquila com opiniões convergentes e sem atritos numa sexta-feira à tarde só pode resultar de um alinhamento astral virtuoso.
A seguir, troquei umas mensagens com um dos participantes, depois vi e enviei uns mails e ainda consegui sentar-me cá fora a apanhar um pouco de sol. Comigo, a pequena fera.
Tentei penteá-lo e quase consegui. O pêlo está cada vez mais farto e comprido e ele cada vez maior e mais forte. Ele gosta de ser penteado mas não consegue estar sossegado: rebola-se, tenta morder a escova, torce-se, tenta apanhar a minha mão. Tudo a brincar, sem magoar... mas a obrigar a algum cuidado pois com aquela bestinha nunca se sabe.
A patinha da frente que foi rapada quando esteve internado (por causa da lagarta do pinheiro) já está outra vez a ficar peluda.
Depois de escovadinho ficou ainda mais fofo.
A professora diz que ele é um mimado, que não deveríamos dar mimo gratuito: só deveríamos mimá-lo quando ele obedece a ordens, mesmo que tenhamos que dar-lhe ordens gratuitas, só mesmo para que ele obedeça. Mas esqueço-me. Dou por mim a dar-lhe mimo só por dar, só porque ele merece e merece só porque existe e é inocente.
Agora, enquanto escrevo aqui na sala, está deitado no chão, a cabeça encostada a uma almofada que tomou como sua. Um grande tufo de pêlo, respirando na maior paz. Cãozinho sortudo. Não sabe o que são maus tratos, sustos, maldades.
Entretanto reparei que a glicínia está florida. Não sei como, não dei pela evolução. Às vezes não reparamos nas coisas importantes e belas que estão mesmo ao pé de nós. Damo-las por adquiridas, já nem lhes prestamos atenção. E, no entanto, como as pessoas que estão debaixo de guerra deveriam gostar de ter disponibilidade para reparar nas flores que despontam pela primavera. Talvez até as flores por lá tenham sido arrasadas. Será que ainda há flores nas cidades bombardeadas e esventradas da Ucrânia?
Só hoje reparei como já está em flor, lilás, delicada, primaveril. Fotografei, encantada. Que bom.
Dali resolvemos ir passear para a praia. Nestas sextas-feiras assim sinto-me como se estivesse a entrar em férias. Não estou, é só um fim de semana. Mas, para mim, sabe-me a férias.
Estava uma temperatura amena, um ambiente agradável, umas cores fabulosas. Muita gente, muitos jovens, muitas crianças. A paz é isto. Podermos passear descontraidamente à beira da água, desfrutar a tranquilidade de uma tarde em que o sol se dilui no mar, em que as pessoas fazem ginástica, as crianças andam de skate ou de bicicleta, um homem toca trompete, outros passeiam o cão, conversam, correm -- fazem o que querem, em liberdade, sem medo, alheados de preocupações. Paz.
Fui fotografando, sentindo aquela felicidade que sabe melhor por se sentir que é frágil, que pode ser efémera. Fui captando momentos, tentando registar a beleza da luz, a ternura de um abraço, a cumplicidade de um amor.
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Entretanto, à noite, de regresso a casa, voltei às notícias. Voltei a procurar sinais, explicações, sinais de esperança, testemunhos na primeira pessoa, gestos imprevistos. Partilho-os.
Alexandra Tolstoy Shares How Life Is Inside Putin's Inner Circle | Lorraine
With the Ukraine war entering another week, and horrific images and reports continuing to dominate the news - we're turning our attention to the man who is behind the invasion - Vladimir Putin.
Alexandra Tolstoy is a former partner of Russian oligarch Sergei Pugachev, who was a one-time close ally of Vladimir Putin, even acting as his personal banker, and Alexandra has been in close quarters with Putin and his confidantes.
She tells us what he was like, what she thinks about the rumours about his health, and how she feared for her life when her ex-partner was cast out from Putin's inner sanctum
She also shares her fears for Russia, and whether she thinks the sanctions will have any impact - and revealing the truth about the rumours behind Putin's motives, and the many questions about his health.
Ukraine War: Rescue workers locate a survivor under rubble after phoned for help
Rescue workers were alerted of a survivor under the rubble of a destroyed building in Kharkiv by a phone call for help.
Using saw, shovels and their bare hand in the freezing cold - the emergency workers found and freed the man.
War Photographer Lynsey Addario: “They Were Killed Before Our Eyes” | Amanpour and Company
New York Times Pulitzer Prize-winning photojournalist Lynsey Addario has covered every major conflict and humanitarian crisis of her generation. In Ukraine, she captured an image that shocked the world and became one of the defining images of this war: a mother, her two children, and a friend, all killed by Russian mortar fire when fleeing Irpin, a village on the outskirts of Kyiv. In a week that saw four journalists killed while covering the war, she speaks with Hari Sreenivasan about what it means to witness history.
Hospitalised teen becomes emotional meeting Ukrainian president Volodymyr Zelenskiy
A teenager was overwhelmed when Ukrainian president Volodymyr Zelenskiy shook her hand and gave her flowers during a visit to people wounded by Russian attacks at a Kyiv hospital on Thursday.
Sixteen year-old Katya Vlasenko, who was wounded when the car her family was travelling in came under fire, told the president he was a hero on social media platform TikTok, to which Zelenskiy responded: 'Oh yes? So we have occupied TikTok?'
Katya's family was trying to escape fighting in the area north-west of the capital Kyiv when their car came under fire near Hostomel
E ao fim do terceiro dia abre-se uma clareira na qual a crise e os malucos que a causaram não têm cabimento. Pode ser que amanhã ou depois ou depois volte à carga. É muito provável que sim. Motivos para me divertir ou arreliar não vão faltar. Mas hoje, sexta-feira virada e o sábado já caminhando, não estou nem aí.
A minha praia esta noite é outra. Lá fora deve estar uma noite feia e toldada mas, aqui dentro de casa, reina a acalmia.
Durante o dia, o pequeno urso aprendeu o que é o vento e a chuva. Sentado, empertigado, à porta da cozinha que estava entreaberta para o pátio, olhava com espanto para estes elementos da natureza. Nem queria ir ao jardim. Agora à noite, levei-o lá fora para ver se fazia alguma necessidade. Veio uma rabanada de vento e eis que o pobrezinho largou a fugir para o pé de mim, de novo sentado, intrigado, olhando para mim. Expliquei: 'É o vento. Não faz mal'. Não sei como interpreta o que lhe digo. Nasceu no verão, desconhecia até hoje outra coisa que não o bom tempo.
Haverá de se habituar. Ele tal como todos nós acabamos sempre por nos habituar a tudo. Que remédio.
Como referi na devida altura, nesta quarta-feira entrámos em blackout: nem internet nem televisão nem telefones.
Veio o técnico, ligou, desligou, fez bypass, auscultou, fez boca a boca... e nada, nem pio para dentro nem pio para fora. Saiu a dizer que o mal devia ser no exterior. Coisa para outra equipa. Ao segundo dia nada aconteceu. Em cada uma das três chamadas, deu para perceber que nada estava a acontecer. Diziam que o assunto estava a ser acompanhado. O terceiro telefonema fui eu que o fiz: quando é para partir a louça, avanço desencabrestadamente. Avisei o jovem que o telefonema só acabava quando ele contactasse a equipa técnica e me transmitisse o que estava programado. Interrompeu e regressou com uma informação: que na sexta de manhã, antes das 10:30, haveríamos de receber uma chamada para confirmarmos que o serviço estava restabelecido. Mas que eu descansasse que o assunto estava a ser acompanhado. Deve ser o que lá têm escrito para dizer. Zanguei-me: não quero que o problema esteja a ser acompanhado, quero é que seja resolvido.
Mesmo assim, tive esperança. Sou confiante. Ao primeiro dia acontece isto, ao segundo aquilo, ao terceiro aqueloutro. Sou crente. Fazer o quê?
Só que, à hora da prometida revelação, nem telefonema nem serviço. O milagre não se tinha dado. Voltei a ligar e pedi para me passarem ao supervisor. O supervisor disse que me compreendia, que me pedia desculpa, depois ofereceu-me três canais de borla durante um mês, coisa que eu disse que não queria, queria era o problema resolvido. Disse-me, e pediu que eu acreditasse, que ia fazer o seu melhor. E insistiu na oferta dos canais, fazia mesmo questão.
De tarde, por milagre, apareceu um técnico. Depois de verificar o que o outro tinha verificado, informou que o colega anterior não percebia nada do assunto. Não sei o que foi. Estava ainda em reunião, foi o meu marido que o aturou. Mas, quando acabei a reunião e lhe perguntei se já estava tudo a funcionar, estava mal disposto, chatices lá no trabalho dele. Por isso, quanto tentei perceber qual o problema da falta de internet, telefone e televisão, disse-me que se estava nas tintas, que estava farto destes gajos todos, queria era que o deixassem em paz. Não sei bem de quem estava ele a falar pois o telefone não parava de lhe tocar.
Resumindo: no que interessa, problema resolvido. Voltei a estar ligada ao mundo.
E, assim sendo, relembrando como funcionam as notícias e os comentários, a televisão voltou à vida. Vi um bocado do noticiário e um bocado do Expresso da Meia-Noite. Um bocado não. Um bocadinho. Talvez menos de cinco minutos. Desistimos. Mais do mesmo. Um bocado antes, quando lhe tinha aparecido o Louçã, o meu marido bufou: 'Eh pah, este gajo é que não'. Pedi para deixar ouvir, estava curiosa, sempre queria ver. Contrariado, cedeu. Ao fim de poucos minutos, resolvemos ao mesmo tempo: 'Já chega. Porra.'. É que ninguém merece.
Agora decorre uma novela da globo e está bom assim. Bobeira de alto a baixo, coisa de não torrar miolo nem dar arrelia. E com um plus que é dos bons. O Fagundão, tentador que só ele. Envelhece com qualidade, melhor que em barrica de carvalho. Todo ele, a cara, o físico, a voz, a graça com que fala: tudo um apetite. Olha-se e o que se pensa é que só de ver, mesmo que de longe, já se sente o perfume daquele pedaço de homem.
Olha. Acabou. Coisa mesmo só para dar água na boca. Eu à espera de cena bonita com o sempre e eterno amadaço Fagundão e afinal já era, a coisa já passou para outra. Uma novela em que parece que todos ciciam. Não tem graça. Não se percebe isto.
Portanto, agora passei para o Governo Sombra. Só o RAP é que está bem encarado. Bronzeado. Os outros parecem-me macilentos. O Vaz Marques, desde que emagreceu, ficou com ar pendurado. O Mexia parece-me mais gordo e com más cores. Ou foi a maquilhagem que se distraiu nas cores ou devia fazer análises para ver se ataca a tempo. O João Miguel Tavares continua como sempre foi: baderneiro, confusionista, maledicente e mal jeitoso. Terei que voltar a fazer zapping.
E o mais aborrecido é que não sei quais os canais que o outro fez questão de oferecer. Nem sei como descobrir. Pobre e mal agradecida, vê se pode.
Portanto, sem canálios extra, a penúria do costume. Vou mas é desligá-la que fico melhor sem ela.
Com licença que vou ver se há alguma coisa que se aproveite na Netflix.
Parece-me que não. Não sei se sou eu que não sei pesquisar ou se é mesmo tudo mais para fraquinho. Já vi o Estorninho, já vi O Escavador. Desses gostei mas agora não descubro nada que me desperte atenção. Ando biquenta, é o que é. Tudo me parece a tender para o rasteirinho, envolto em plástico. Ou é tudo excessivamente colorido ou excessivamente escuro.
Pronto. Já descobri. Uma comédia com a Meryl Streep. Luminosa como sempre é, há-de ser uma boa companhia. Estou é na dúvida se já não a vi. Se já vi, terei que ir dormir. Vou averiguar.
Bem. Fico-me por aqui. O dia foi puxado. Aliás, estes dias, puxa vida, têm sido puxados, coisa mesmo do bêleleu. Vou mas é descansarecos. Mas, antes, permitam que vos deixe em boa companhia.
Caetano no TikTok
Segue em primeira mão a nova coreografia e versão de Leãozinho: Gosto muito de te ver, Caetaninho (mão por cima da cabeca 3x). Caminhando com o Porta (andada em câmera lenta). Gosto muito de você, Caetano (movimento de coração com as mãos). Para desentristecer, Caetano (mão fechada em baixo dos olhos, simulando choro). A minha Porta tão só (sai de costas e olha pra câmera dramaticamente)
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As imagens são photoshop a pedido, trabalhos de James Fridman
Lá em cima Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa interpretam Volver a los 17