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terça-feira, outubro 30, 2018

Antes de crucificarmos a Isabel Moreira, reflictamos um pouco.
Pintar as unhas na Assembleia da República ou, mais genericamente, no local de trabalho: sim ou não?


Obtive a foto na net e, do que vejo, não garanto que seja
a Isabel Moreira.
Mas dizem que sim pelo que admito que estejam certos
Argumentos a favor de pintar as unhas no local de trabalho: 

1. Não é preciso ter a preocupação de as pintar em casa
2. É mais fácil secá-las porque se pode ficar com as mãos sossegadas sem correr o risco de roçar em alguma coisa e dar cabo de tudo

Argumentos contra:

1. Ter que levar acetona, algodão e verniz para o trabalho
2. Ter que aturar os olhares invejosos de quem, fingindo estar incomodado com o cheiro da acetona e/ou do verniz, está apenas com pena de não ter tanta lata.

Só acrescento um ponto a desfavor e que não é pequeno: o risco de abrir uma caixa de pandora. Pensemos: a passar a ser prática comummente aceite,
quem poderá levar a mal se a Madame Cristas, na próxima vez que for debater com o Costa, sacar de toalhitas desmaquilhantes e, ali mesmo, tratar da sua higiene facial para, em casa, não ter que perder tempo com isso? 
quem poderá dizer alguma coisa se, em pleno debate, a Heloísa Apolónia se entretiver a fazer trancinhas à Mariana Mortágua? 
quem poderá depois criticar o Hugo Soares se ele, enquanto o Negrão esbraceja no Parlamento para se manter fora de água, se descalçar, tirar as meias, alçar da perna, pondo o pé em cima da bancada para, com um corta-unhas, ali mesmo aparar as unhas que lhe estão a esburacar as meias?
Mas, enfim, incumbe ao nosso Presidente da Assembleia decidir sobre qual o código de conduta a adoptar no hemiciclo. Eu, por mim, só posso dizer que a mim, no meu trabalho, não me dá jeito. Mas isso sou eu.

terça-feira, outubro 16, 2018

Manuela Moura Guedes, uma procuradora que está a tornar a SIC uma bandalheira.
Do caraças também a zaragata entre a Raquel Varela e a Isabel Moreira nos Prós e Contras em torno do #MeToo.
E até lá vi um artista a insinuar que quando quero dar um beijinho a um dos meus pimentinhas estou a assediá-lo e a abrir a porta a futuras violências domésticas.
Foge. A televisão está a tornar-se um verdadeiro manicómio.


Isto, depois dos flamingos, é dose. Mas acho que tem que ser. Eu não queria. Mas sinto que é uma questão de dever. É que estava eu escrevendo sobre aqueles passarinhos cor-de-rosa armados em bailarinas de can-can de perninha de canivete e, na televisão, um pesadelo.

Já antes, ao jantar, querendo paz e sossego, sem querer, fomos dar com uma procuradora a fingir, uma jararaca armada em populista, pré-candidata a qualquer coisa. E atenção ao sinónimo de jararaca porque isto não foi metáfora, não, foi mesmo alerta. Já avisei antes: quando se traz um ovo de serpente para o ninho e se aceita chocá-lo é só esperar a hora em que o bicho vai partir a casca e desatar a sair por aí espalhando veneno, mordendo incautos, fazendo vítimas.

Foi uma luta, incluindo comigo mesma. Queria perceber a dimensão da porcaria que estava a ser aquele espaço de comentário mas, por outro, fui incapaz de suportar tão nauseabundo espectáculo. Não se consegue ver uma coisa assim: é mau demais. Não são apenas os trejeitos, a desbragada desbocagem, os olhares de doninha matreira: é o linguajar, o querer ter a fala do povo, é o avacalhamento da análise política. Se daqui por algum tempo se apresentar a votos, vai ter votos. Haverá sempre gente ignorante que vai achar que ela é frontal, que não tem medo, que vai pôr os safados na linha. E, sabido é, gente ignorante não sabe votar, só sabe é dar tiro no pé. A base eleitoral dos populistas é a gente que eles vão 'fornicar' em primeiro lugar. Cordeiros inocentes.

Vejo o ar apatetado do Rodrigo Guedes de Carvalho e tenho pena. Aposto o que quiserem em como deve interrogar-se mil vezes se tem mesmo que aturar aquilo. Estar ali a fazer o triste número de compère com aquela mulherzinha mal informada e, do que se percebe, mal formada é coisa que uma pessoa decente como o Rodrigo não deveria ser obrigada a fazer. Se alguém da concorrência quer ir buscá-lo é agora a altura certa. Estar ali, no jornal da noite, a dar palco a uma pessoa como a Moura Guedes suja qualquer carreira pelo que acredito que ele esteja mais do que disponível para se mudar para ambientes menos poluídos.

A SIC acha que contratando gentinha como a que tem vindo a contratar -- gente que diz mal gratuitamente de tudo, mesmo das coisas boas, gente que manipula, distorce, 'abandalha' a conversa por tudo e por nada -- vai ganhar audiências, mas daqui aviso: engana-se. Para bandalheiras já há outros canais e, mal por mal, quem gosta mesmo de bocas javardolas, prefere atascar-se na lama a sério. É que, parecendo que não, ter ali o Rodrigo Guedes de Carvalho de ar acabrunhado ainda nos faz perceber que aquilo ainda não bateu completamente no fundo e ainda nos dá alguma esperança que ele, em directo, um dia ainda se levante, atire com os papéis ao chão (os papéis ou o iPad) e diga alto e bom som: 'Bardamerda para o populismo'.

Não consegui ver toda a intervenção da dita procuradora. Não aguentámos. Aquilo é mesmo abaixo da linha de água, aquilo é mesmo uma vergonha.

E, tendo feito zapping à Bocas Moura Guedes, eis que, passado um bocado, chego à sala e dou com um duelo de titãzitas: Raquel Varela e Isabel Moreira em animada zaragata por causa do #MeToo. 

Na assistência, uma criatura do sexo masculino de longa e lisa cabeleira, óculos redondinhos e ar a atirar para o alucinado saíu-se com uma de que a violência começa logo com a família a fazer com que as crianças sejam vergadas a ponto de darem beijinhos às avós. Se estivesse ao pé dele dava-lhe logo um puxão de cabelos. Criatura mais doida. Ou teve uma avó com bigode à escovinha e verruga cabeluda cujos beijos o deixaram traumatizado até hoje ou foi assediado por alguma velha que lhe fazia lembrar a avó. Só pode. 

No balcão, uma senhora loura, vestida de branco e uma rosa encarnada e espumante ao peito, mostrou-se logo insurgida. Béu, béu, não sei quê. Não sei quem era nem ao que ia mas, pelo ar e pelo tom de voz, palpita-me que seja do movimento Pró-Vida. Se bem que não sei o que é que o Pró-Vida tem a ver com o MeToo. Na volta são movimentos rivais e aquilo ali era mas era um campeonato.

No meio disto a Isabel Moreira, irritada com a Varela, já mal escondia a raivinha estrepitosa que subia dentro dela. E a Raquel Varela, com aquela pose superior, mal disfarçando que dentro dela existe uma feroz fräulein, uma dominatrix de bota de tacão e chicote na mão, levantava o queixo e lançava farpas venenosas às virgens ofendidas encabeçadas pela Moreira.

Não sei quem ganhou porque fugi dali a sete pés. 

No meio daquela luta de galinhas -- rapaz de longa melena incluído -- não faço ideia quem ganhou nem sei bem qual a causa que aquelas ali defendiam. Penso que a Raquel é mais da linha ajoelhou tem que rezar e a Moreira é mais na base do querido foi tão bom até aqui mas agora já chega, faz favor de sair

Também estava lá um senhor com alguma idade e uns papos nos olhos que percebi que devia ser psiquiatra e que, do que vi, atirou algumas ao lado. Mas, lá está, no meio daquela confusão, não sei se a ideia não era mesmo atirar bolas para o pinhal. Só sei que, às tantas, um jovem, não sei se cientista, mostrou umas folhas, uma por cada assediador: um cientista rodeado de mulheres que me pareceu que tinham pouca roupa e um glaciar ou nem sei bem o quê que até mudou de nome para evitar conotações assediantes. Parece que o padrinho que lhe tinha dado o nome tinha tentado meter o bedelho onde não devia. 

Uma maluqueira pegada.

Também reparei na Fátima Campos Ferreira: estava atónita e sem conseguir ter mão naquele cri-cri todo que para ali ia. Dá para perceber. Eu ainda tinha um comando para fazer zapping mas ela, coitada, teve que gramar aquele descabelamento até ao fim. 

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Salvou-me a noite o Zé de Abreu. Anda a dar um belo abre-olhos à tonta da Regina Duarte -- que deve estar toldada das ideias para apoiar o palhaço Bolsonaro -- e não se deixa papar pela safada da Carola e pelo inútil do Remy. 

E disse.

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E queiram deslizar e ir de visita até a um exército de flamands roses. Uns verdadeiros galãs que sabem ter graça na forma como se exibem. 

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sexta-feira, abril 17, 2015

Esta violência que nos devora






Os dias andam incertos. Uns dias quentes de sol, e logo outros cinzentos, frios. Parece que isto deixa uma camada de desalento sobre as coisas, uma neurastenia que parece coalhar-se sobre tudo. 

Lê-se os jornais e poucas notícias boas se encontram. Ainda lá aparece uma ou outra paródia mas coisa pouca que até parece deslocada. 

As notícias falam de mulheres mortas por qualquer motivo. Não se percebe como é que toda a gente tem uma arma. E como é que tanta gente tem tanta violência dentro de si. Pode uma pessoa amar outra e, porque se sente contrariada, esquecer esse amor e deixar que o que antes era um bom sentimento se transforme em raiva, violência, desatino? A mim custa-me perceber isso, acho que temos que nos agarrar ao que temos de bom e não deixar que o que de pior aparece se sobreponha a tudo – mas a verdade é que a natureza humana tem buracos negros e, sem explicação, deles saem demónios acossados que, sem controlo, destroem tudo à sua passagem.

Marta Nogueira, 21 anos, Joana Nogueira, 23. Primas. Anteontem de manhã, na pastelaria onde trabalhavam, no Pinhão, Trás--os-Montes, um homem entrou e apontou a arma para matar, para apagar, para desfigurar: cara, pescoço, cabeça. Joana morreu, Marta está em coma. Os jornais - este jornal - titulam: "Ciúme levou Manuel a disparar." Manuel, parece, tivera namoro com Marta. O crime passa logo, então, à categoria "passional". Como quem diz de amor, de sentimento, "que levam a". 

É sempre assim: homem mata mulher? Coitado, gostava demasiado dela, e ela ou o "deixou", ou ele tinha medo que ela o "deixasse", ou ela "portava-se mal", ou ele tinha medo que ela se "portasse mal". Mesmo, note-se, quando uma das mortas é prima do alegado objeto de amor; estamos perante o crime passional por afinidade. Porque será, então, que o homicídio do bebé de 5 meses que o pai esfaqueou há uma semana depois, diz-se, de ligar à mãe da criança a ameaçá-la, não é "de paixão"? Será porque a desculpabilização implícita, a "naturalização" e "contextualização" que induz, não é aceitável na morte de crianças? Porque nada pode justificar que se mate uma criança enquanto uma mulher, tantas mulheres, é outra coisa? (...) 
A desculpabilização "passional" substituiu a da "honra"; subsiste a ideia de que "elas dão motivos" - como diziam os que à porta do tribunal aplaudiam Palito, o homem que há exatamente um ano, a 17 de abril de 2014, matou a ex-sogra e a irmã desta e feriu a ex-mulher e a própria filha: "Lá teve as suas razões." A própria justiça o admite, em acórdãos vergonhosos nos quais nunca se invoca isso que o Brasil no mês passado tipificou no Código Penal como feminicídio - o ódio às mulheres que mata. Cá não, é por amor. Em 15 semanas de 2015, já foram, de tão amadas, mortas onze. Somos assim românticos.

Este ano já vai em 11 mulheres. E crianças. Até contra crianças esta onda de violência se está a abater. E vizinhos que matam os que antes eram amigos. Ou mortes por engano. Não sei se as televisões e jornais deveriam divulgar isto. Esta violência quase parece uma praga que está a espalhar-se sobre as pessoas. Talvez se fosse ocultada fosse mais fácil contê-la.

E mesmo quando não há esta violência física levada ao extremo há violência verbal, escrita. E está por todo o lado, onde menos se espera.

Manuel Maria Carrilho nem sei a que propósito saíu do buraco em que, com as suas atitutes, se tinha enfiado para propor que o PS, o seu partido, expulse Sócrates, um seu correlegionário. 


Fazendo-o, menoriza-se ainda mais perante a opinião pública, aparecendo a pretender exercer um ajuste de contas contra uma pessoa por quem sempre mostrou não ter apreço e que, estando presa, está numa posição de fragilidade.

Mas menorizam-se também as outras pessoas do partido - como, por exemplo, a deputada Isabel Moreira - que aparecem para o atacar a ele, como se também não fossem seus correlegionários, usando expressões relacionadas com o triste caso de violência doméstica em que ele está envolvido e usando outras expressões desagradáveis, deselegantes, com uma desconfortável carga de agressividade. E o que fica é o sarro da maldade humana que, a toda a hora, parece pronta a saltar cá para fora.


E é só disto. Em vão percorro os jornais tentando descobrir notícias boas. Mas só vejo coisas estranhas.

Agora é o Governo a fazer de conta que está a começar um mandato e a aparecer com medidas para os próximos quatro anos. Que nos próximos quatro anos repõe ordenados, que acaba com a taxa extraordinária, sei lá. Uma anormalidade. Uma demagogia completamente obnóxia que corrói a dignidade de quem assiste a isto. Como se não estivessem para ocorrer eleições dentro de meses. Mas depois quem é que eu vejo a denunciar a má fé desta gente? O PS...? Não, qual quê. O PS deixou de existir, só aparecem para dar pretextos de achincalhamento à coligação e aos comentadores. Quem eu vejo a fazer oposição a sério e este governo indigente é Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira. 



Volto a percorrer os jornais. Hei-de encontrar uma notícia boa. Mas não. Só coisas tristes que me deixam ainda mais triste.

Um barco vindo da Líbia com cerca de 100 emigrantes clandestinos chegou à Sicília. De África, para a Europa. Na viagem, de muito os desesperados não sabiam: se chegavam, e, se chegados, seriam recebidos, e, se recebidos, quanto tempo passariam num campo de trânsito, e, se um dia entrassem mesmo na Europa, encontrariam trabalho, direitos e vida normal que justificassem o risco... Mas sabiam que a viagem era de África para a Europa. Por favor, deixem-me ficar com esse dado simples, porque não tenho soluções para o grande drama que é a fuga de desesperados de África e para o problema que é chegada à Europa de imigrantes clandestinos. Sei o que é compaixão, mas não tenho soluções para os desesperados africanos, sei o que é bom senso, mas não tenho respostas para os assustados europeus - resumindo, para o grande problema não valho nada. Por isso não o trago para aqui. O que trago é aquele barco de 100 passageiros clandestinos entre a Líbia e a Sicília e um pormenor terrível que lhe aconteceu. Diziam os jornais italianos, ontem, que 15 passageiros foram presos por terem deitado ao mar 12 passageiros. E que quem matou era muçulmano e quem morreu era cristão. E que, segundo vários testemunhos, foram motivos religiosos que levaram aos assassínios. Volto ao pequeno saber por todos conhecido, incluindo os 15 alegados assassinos: o destino da viagem, a terra de acolho, era a Europa. Além das mortes, há nisto qualquer coisa extraordinária.


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Não encontrei boas notícias. Pode ser que esta sexta-feira alguma coisa boa surja. Milagres. Boas notícias. Tomara.

Até descobri que no outro dia foi o Dia do Beijo e nem dei por isso. Não ligo a isso de Dias de mas o Dia do Beijo talvez merecesse aqui uma celebraçãozita. Para tentar compensar, adocei este texto com uma canção que fala de um beijo. Não é a versão de Armstrong mas de Al Somma - A Kiss to build a dream on.

Também para não sobrecarregar ainda mais o texto, resolvi não usar imagens alusivas ao que lá se diz mas, sim, imagens sem nada a ver. Escolhi fotografias tiradas por Tim Walker para a Vogue. A vida já está suficientemente cinzenta para que tenhamos que contribuir ainda mais para isso. Um pouco de rêverie para introduzir aqui algum oxigénio, foi o que resolvi.

O primeiro texto em itálico é parte da crónica de Fernanda Câncio para o DN, Ódio de Estimação.


O segundo é a crónica de Ferreira Fernandes para o mesmo DN, intitulada Há nisto qualquer coisa extraordinária.


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Permitam que vos diga que, no post abaixo, há um poema dito pela voz que melhor os diz: "A Psalm of Life" de Henry Wadsworth Longfellow (lido por Tom O'Bedlam)

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira. 
Vivida em paz e harmonia. 

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domingo, fevereiro 08, 2015

A nudez frontal de Kim Kardashian para a revista Love, a dança sexy de Steve Carell, Jon Stewart e Stephen Colbert e a pinta do 'sexy, porra' Yanis Varoufakis: é desta que a internet vai aterrar?


Há uma mulher cujo nome encharca as redes sociais e as capas das revistas um pouco por todo o mundo sem que se lhe conheçam maiores méritos do que a dimensão estratosféricoa das ancas e das nádegas. Chama-se Kimberly "Kim" Kardashian West, mais conhecida apenas como Kim Kardashian, tem 34 anos e 1,60m mal medidos.

Há pouco tempo dizia-se que queria parar a internet com as suas imagens de rabo alçado, o champanhe a jorrar sobre a sua fonte de rendimento. Posava, então, para a Paper e a coisa quase parecia fora de escala. Disso dei devida nota aqui no Um Jeito Manso pois tento não passar ao lado de coisas do além, especialmente quando são o exemplo acabado dos tempos que correm.

Pois eis que, de novo, Kim Kardashian voltou à carga, agora com maior frontalidade. Para a revista Love não esteve com meias medidas: despiu-se toda ou, quando o não fez, espetou o rabo e mostrou o seu inquestionável ponte forte. 


Na foto da direita nem sei qual a intenção da fotografia: fazer de conta que é um cão a urinar na flor? Ou não arranjaram forma mais subtil de exibir tamanha desconformidade? E aquelas meias pelo meio da perna, que lindas que são. Senhores.

Mas o que ainda é mais curioso no que rodeia esta moçoila é que, afinal, parece não ser assim de origem ou seja, de facto está é toda quitada, transformada para uma realidade aumentada. Implantes e remodelações deram nisto já que antes mais parecia uma iraniana ocidentalizada sem nada de peculiar, apenas mais uma daquelas que se vêem por todo o lado carregadas de compras em Paris e noutras capitais ocidentais.

O vídeo abaixo mostra-a antes e depois e uma pessoa pasma com aquilo a que algumas pessoas se sujeitam para, depois, ficarem com um aspecto disparatado. Mas, enfim, se depois a contratam para desfilar a bunda, seja em festas seja em capas de revistas, se calhar tem razão e eu é que não tenho jeito para o negócio.

E isto sem ofensa porque não a conheço de lado nenhum, capaz de ser excelente rapariga. Apenas acho um piadão uma mulher fazer carreia a exibir o rabo. 

E provavelmente é mais feliz assim, de rabo alçado ou toda nua, besuntada de óleo a descer escadas do que muita intelectual que por aí ensimesmada e a arrastar a melancolia pelas estreitas ruas da vida. E, portanto, nada contra. E siga o baile.




Enfim, é o que é.

E, se da outra vez a internet não aterrou, desta vez em que é tudo tão assertivamente atirado à cara de quem nela tropeça já não sei. 




Quem gosta de gozar com ela e com a todas as kimzinhas desta vida é um trio de maraus: Steve Carell, Jon Stewart e Stephen Colbert. Juntaram-se, fizeram-se filmar e dizem que, com o seu topless e a sua dança sexy, são eles que vão fazer aterrar a internet. Talvez. Mas eu acho que a coisa apimentava a sério se em vez do trio do Daily Show tivéssemos um quarteto em que o 4º elemento fosse the wild card Yanis Varoufakis.


Um à parte: por todo lado vejo referências ao aspecto de garanhão caviar-chic com olhar felino do economista da solidariedade radical. A coisa está a tornar-se viral. Se em tempos o Zidane era considerado o homem mais sexy do mundo, quase aposto que, se a eleição fosse hoje, ganhava o tie lessblue collar Yanis.

O Ministro das Finanças Alemão Wolfgang Schaeuble  e o Ministro das Finanças grego Minister Yanis Varoufakis
em Berlim - Fev. 5, 2015


E faço notar que Portugal já tem a sua representante oficial para a dita eleição. É que até no Euronews se dá conta do grito de alma da deputada Isabel Moreira - e passo a transcrever:

Portuguese socialist MP Isabel Moreira voiced her approval of Varoufakis in a Facebook post saying “The Greek Minister is so damn sexy” (O ministro das finanças grego é sexy, porra) although it’s not clear whether she was referring to his left-wing policies or his physical appearance.


Não é claro...? Então não?


Mas, enfim, mesmo sem o sexy Yanis, cá estão eles, o trio de folgazões:



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E, com ou sem o rabo da Kim, o que eu desejo é que a internet se anime que anda muito pasmacenta. A ver se aparece para aí mais algum escândalo, se o Hollandinho arranja mais uma namorada, se algum paparazzi o descobre com a mão na perna da Angela debaixo da mesa de algumas negociações, ou se se descobre que afinal o motorista Perna transportava envelopes era para o Jacinto leite Capelo Rego, ou que o Tony Carreira afinal se separou da sua Fernanda porque tem um caso com a Madonna. Coisas assim com picante que se veja, não insignificâncias como aquela de os especialistas portugueses em transcrever e interpretar escutas afinal serem uns totós que não ouvem bem ou, se ouvem, não percebem nada do que ouvem, frioleiras que parece que só encanitam a Ana Gomes, deixando o resto do país no bocejo. Já não vamos lá com banalidades ou infantilidades de tipo aiceps go go go, blackouts do Bruno de Carvalho, notícias pouco empolgantes como a nova gravidez de Fernanda Serrano ou outros déjà-vu. Ná, tem que ser coisa mais cabeluda. 

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Hoje tenho que me ficar por aqui. Estou aqui a deixar-me dormir entre cada frase. A noite de sexta para sábado não foi extraordinariamente descansativa e o sábado foi bom, bom, bom - mas bom ao ponto de chegar ao fim do dia mais de gatas do que outra coisa. Quatro pimentinhas supersónicos e esfomeados derrubam qualquer um, é o que vos digo. Por isso, se tinha antes outros assuntos em mente para aqui falar já tudo se me varreu. E a ver é se consigo ir daqui até à cama.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo!

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terça-feira, outubro 07, 2014

O aumento do salário mínimo e os idiotas de serviço - e a crise segundo Nuno Júdice


No post abaixo falei do Ébola e da forma - que parece óbvia - como este terrível vírus deve ser travado. Hans Rosling (outra vez ele), com os seus gráficos, é claro quanto a isto.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, quero falar de um tema que já é de há uma semana ou mais e do qual não falei porque o meu tempo é escasso e os temas sobre os quais me apetece falar nem sempre são os que flutuam sobre a espuma dos dias.

Leitor atento (e atencioso) a quem muito agradeço enviou-me um texto publicado num blogue de que eu nunca tinha ouvido falar. 

[Há milhares de blogues! Não sei como se consegue ter uma ideia de quantos, quais, de que é que vale a pena. Provavelmente não se consegue mesmo, vão-se descobrindo pouco a pouco. Volta e meia vou parar a alguns que pouco mais têm do que passarinhos e gatinhos e florzinhas e ideiazinhas de perlimpimpim - e fico espantada. Penso cá para mim: Mas porque é que alguém se dá ao trabalho de fazer uma coisa assim? Mas não deveria pensar. A blogosfera é uma porta aberta para um mundo infinito e toda a gente é livre de dizer o que lhe vai na alma; e um passarinho a ter pensamentos floridos pode dizer mais a algumas pessoas do que um texto chato e comprido sobre o salário mínimo como o que me palpita que vou escrever.]
Adiante. 

O artigo que me foi enviado chama-se A direita punitiva desconhece o fundamento do salário mínimo nacional, é da autoria de Isabel Moreira e o blogue o Aspirina B.



É um tema que me é caro, o da mão de obra barata. (Dito assim até parece um trocadilho a la Teresa Guilherme mas não é um trocadilho, é a verdade)



Song for my brother



Avishai Cohen with strings




No âmbito do programa de formação anual que tínhamos na empresa, participei durante uns anos num Jogo de Gestão que creio ser patrocinado, na altura, pela Cegoc e por mais umas quantas empresas. Mais tarde fiz o Jogo de Gestão da Católica que era parecido, senão igual, ao anterior.

O princípio é sempre o mesmo. Cada equipa é como se fosse uma empresa e as equipas devem ser constituídas por elementos que tenham as valências de gestão que existem nas empresas. Na minha equipa tinha vários colegas meus. 

O jogo consiste em tomar decisões a vários níveis sobre a gestão da empresa, sendo que nos é dado que estamos a actuar no mercado de um certo produto (automóveis, por exemplo) e relativamente ao qual nos é fornecido material de base como estudos de mercado, estudos estatísticos relativos à população, etc. Temos, no decurso de cada jogada, que decidir que produtos vender (gama alta, média, baixa, por exemplo), que quantidades se admite que se venda de cada produto, quanto se gasta em publicidade, quantos vendedores se quer ter, quanto se paga ao pessoal, se vamos gastar dinheiro em formação ou não, se vamos formar turnos ou reduzir pessoal, investir ou não investir, com capitais próprios ou financiamento bancário, etc, etc. Ao fazermos isso, vamos obtendo como que uma antecipação de resultados, aquilo que nas empresas designamos por um forecast.

Depois de todas as equipas em jogo (que, portanto, é como se fossem empresas a actuar no mesmo ramo de negócio) fazerem as suas jogadas, o computador simula as consequências e a seguir recebemos os resultados.

Quando recebemos os resultados vemos se conseguimos se ficámos atascados em stock, ou se, pelo contrário, vendemos tudo e entrámos em ruptura (nesse caso, os clientes vão à procura de alternativas e perdemos quota de mercado), se tivemos lucro, se os trabalhadores estão satisfeitos ou se fizeram greve (e nesse caso reduziram a produção), qual a percepção que o mercado tem de nós, etc. Tudo medido e sopesado, é feito um ranking das empresas e inicia-se nova jogada.

Escusado será dizer que gosto imenso destes jogos. Para além do objectivo do jogo em si, há a alegria de jogar, toda a gente opina, discute, quase anda à tareia, e conta anedotas, e eu, claro, farto-me de rir.

Um dos meus colegas é um somítico do caraças e portanto, quando jogava, só queria cortar nos custos (menos vendedores, menos pessoal, ordenados baixos, menos prémios de produtividade, menos formação); outro é um optimista enervante e vá de expandir à maluca, mais fábricas, mais escritórios de venda, campanhas na televisão como se não houvesse amanhã (e caras como elas são!); eu, por exemplo, tendo a preferir ter um produto gama alta, dinheiro para investigação, formação e marketing para cima, vendas em números reduzidos mas preço de venda alto.

Todas as estratégias são possíveis assim como a combinação delas. Claro que cada uma delas não é boa de per se pois tem que ser vista em perspectiva face ao posicionamento das outras empresas. Se eu apostar num produto tipo linha branca e as outras empresas também, ficará o mercado inundado de fancaria, a preço da uva mijona, sobrando stock que nunca mais acaba.

Ou seja, a melhor estratégia será a que vai crescendo, com inteligência e consistência, a partir das diversas interacções das empresas presentes no mercado.

Uma coisa é certa: raramente é bem sucedida uma empresa que aposte na indiferenciação, nos custos espremidos, na exploração da mão de obra barata. Para isso, haverá sempre concorrência com fartura e os trabalhadores só não mudam de empresa se não puderem, e têm baixos níveis de motivação e de produtividade. Quando íamos na cantiga do meu colega forreta, tínhamos sempre os trabalhadores à perna, greves e baixos níveis de produtividade e tínhamos sempre os nossos concorrentes com produtos mais apetecíveis e vendedores mais motivados.

Em contrapartida, com o meu colega mãos largas, ficávamos com produto excedente e um endividamento de três em pipa que nos impedia de ter dinheiro para as matérias primas ou pagar ao pessoal.

Estes jogos são réplicas da realidade.

Sei bem do que falo.

É bem sucedida uma empresa em que haja um bom equilíbrio entre todas as peças que contribuem para o resultado e para a sustentabilidade da empresa.

É essencial haver uma estratégia bem definida e flexibilidade para a ir adaptando, é essencial que todos saibam bem qual o seu papel e se sintam valorizados, é essencial que se entenda que uma empresa é um organismo vivo, em que a vontade e o saber das pessoas é o que mais conta.

Se o produto pode ser diferenciado, deverá sê-lo; se não, então é o serviço que deverá ser valorizado. 

Boas cabeças e cabeças motivadas geram boas ideias, fazem bons produtos, serviços aprimorados.

Empresas que apostam no sacrifício dos trabalhadores, nos trabalhos forçados, nos baixos salários e nas fracas condições, são empresas condenadas ao fracasso. Podem conseguir contratos, à peça, para outras marcas, mas são empresas a prazo, empresas que, faltando-lhes as encomendas dos clientes para quem trabalham a façon, se vêem obrigadas a fechar portas.

Admito que no pequeno comércio, em que a subsistência mal é garantida para o patrão quanto mais para os empregados, não haja como pagar mais do que o salário mínimo. Mas isso apenas deveria acontecer em situações quase marginais, de comércio de subsistência.

Sei também como é perversa esta coisa do outsoursing, dos call centers e de todos esses negócios terceiro-mundistas em que se exploram as pessoas até à última pinga de suor. As empresas, querendo aliviar os seus próprios custos, suprimem os seus postos de trabalho trocando-os por subcontratação. Claro que isso só é rentável para quem contrata se pagar menos do que o custo de ter pessoal próprio. Ora, atendendo a que a empresa contratada também tem a sua margem de lucro, isso só é possível se se pagar muito pouco a quem trabalha.

E há as enormes cadeias de supermercados em que, apesar de todos os bons rácios económicos, pagam miseravelmente às pessoas que estão nas caixas de supermercado. Poderia fazer algum sentido se pensasse que é uma forma de, por exemplo, os estudantes ajudarem ao pagamento dos seus estudos, um part time. Contudo, o conceito foi subvertido e o que acontece é termos lá gente formada que tem que se sujeitar a isso por não arranjar outro trabalho.

Ter parte da população a viver com um salário mínimo tão miserável não é apenas uma questão humanitária, ou, pelo menos, não é apenas uma questão directamente humanitária em relação aos abrangidos: é uma questão mais ampla. Quem recebe tão pouco, não paga impostos. Logo, outros terão que pagar por eles. Quem recebe tão pouco, pouco consome, logo o pequeno comércio local sairá lesado, quem recebe tão pouco, se puder emigra (e, logo, não paga cá impostos), quem recebe tão pouco, se estiver em idade de ter filhos, se calhar não os tem. Enfim, mil outros argumentos eu poderia aqui referir para evidenciar como um país não se desenvolve com parte da população a viver no limiar da pobreza e todos, mesmo os que mais ganham, pagam por isso.

Uma sociedade que vive assente em atitudes miserabilistas e com uma vistas curtas não é uma sociedade justa e feliz. 

Um país que se deixou esventrar, acabando com a sua indústria a troco de patacos ou que, em vez de aproveitar os fundos europeus para se modernizar, os usou para os meter ao bolso, é um país de gente idiota.

Empresários de faz de conta, gestores de meia tigela, governantes ignorantes, uma elite política abandalhada. E uma comunicação social maioritariamente nas mãos de vendedores de produtos da loja de 1€ que esvaziam a cabeça do público de manhã à noite. Quando vejo a programação da televisão generalista, lixo e mais lixo, quando vejo os analfabetos que as televisões por cabo convidam para opinar sobre tudo e mais alguma coisa,  quando vejo que fecha uma empresa aqui, outra ali, e toda a gente já acha normal, quando vejo a gentezinha fútil e de cabeça oca que pulula nas comissões de inquérito do parlamento ou que discursa como se soubesse alguma coisa da vida, tenho vontade de que alguém faça uma série de disparates que abane este miserável e estagnado status quo

Não falo em violência física mas actos simbólicos que atrapalhem ou envergonhem os visados, como aqueles que também já caíram em desuso, de se cantar o Grândola ou o Acordai ou desatar a rir quando todos esses idiotas falam (ou coisas do género).

As elites são uma desgraça. Aos anos de negrume seguiram-se anos de euforia, aos anos de euforia seguiram-se anos de quebranto, a esses sucederam-se os de mediania, depois os de mediocridade. E abulia. E para aqui estamos, a cabeça entre as orelhas, mais espantalhos do que gente, aceitando tudo, tudo.

Simon O'Connor






Comecei a escrever isto a propósito do miserável aumento do salário mínimo de que um badameco falando em nome da Comissão Europeia (nos estertores de um cherne fora de prazo) disse ser um sinal errado -  e de que os papagaios de serviço passivamente logo se fizeram eco.

Em vez de termos um primeiro-ministro e um presidente da república que mandassem esses palermas de Bruxelas meterem-se na vida deles e na da prima deles e que tivessem vergonha na cara pois não sabem o que é viver com 500 euros por mês - e que o dissessem com todas as letras e em linguagem muito pouco de salão - o que tivemos? Pois bem, uma vergonha: meio mundo a papaguear, a carpir ou a tirar partido do que umas nulidades pagas a peso de ouro resolveram bolsar.


Raios partam esta praga de inúteis que nos rodeia.

Bem podíamos era escrever por todo o lado Save the portuguese a ver se alguém nos acudia já que nós próprios parece que gostamos de ser os carneiros mal mortos deste filme de quinta categoria.


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Isto já para não falar nos sindicalistas ineficazes e igualmente inúteis que nos calharam na rifa.

E já também para não falar neste hábito de comadres que temos, cada um para seu lado, uns a fazerem, outros a desfazerem.


by Banksy

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Adiante.


Estive a tirar fotografias a livros novos que estão aqui a desafiar-me e tinha ideia de apresentá-los um a um, transcrevendo um bocadinho de cada; mas passa da uma e meia da manhã e eu não descansei o suficiente durante o fim de semana e ando cheia de sono. Por isso, por agora, fica apenas a fotografia geral.






  A Crise

- Não é caso para ter razão, disse o racionalista.
- Também não é caso que faça impressão, respondeu o impressionista.
- Talvez seja caso para duvidar, disse o agnóstico.
- É mas é caso para acreditar, gritou o crente.
- Se for caso é casual, comentou o materialista.

E quando o criado chegou à mesa com o vinho,
já todos estavam à pancada.

- Eu bem disse que isto acabava mal, suspirou o pacifista.



[de Nuno Júdice in O fruto da gramática]



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Relembro: o tema que se segue não é muito mais animador mas, ainda assim, acho que deve ser levado em atenção. O ébola deveria ser atalhado nas próximas semanas. Hans Rosling explica porquê.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.


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quinta-feira, março 06, 2014

Catarina Martins fez uma pergunta a Passos Coelho, acrescentando - face aos factos - que a palavra deste não vale nada e o dito cujo que, em pleno Parlamento, na mesma sessão mostrou várias vezes que tem uma língua de trapos e uma palavra mais rota que nem sei o quê, num arroubo de parvoíce anti-democrática, recusou-se a responder à questão da deputada do BE. Passos Coelho, o barítono frustrado, em mais uma das suas óperas bufas. A inconseguida ficou a patinar em seco, com umas calças que não lembravam ao diabo. E eu, daqui, dou uns conselhos aos deputados que queiram pôr o Láparo à prova.


O troca-tintas-mor, Passos Láparo, aquele que se diz e desdiz com uma limpeza que até dá medo, um trauliteiro que fala como um vulgar arruaceiro (vulgar não; corrijo: um arruaceiro disfarçado de moralista), hoje deu-lhe para se armar-se em maria-amélia, em tininha-enjoadinha, em linguiça-amuadiça e, com aquela cara de quem está prestes a entrar em rigor mortis, resolveu amuar e marimbar-se para a resposta devida à deputada Catarina Martins.


Não admira. A inteligência começa a ficar-lhe esgotada e, portanto, não espanta que se sirva de estratagemas para se furtar às respostas incómodas.

Corta nos rendimentos onde já não há para cortar, percebe-se que são cortes definitivos onde tinha dito que eram provisórios, diz que o que custa é a primeira pancada, e todo ele se desdobra em infâmias, aldrabices, grosserias, brutalidades.

Estou-me nas tintas para as respostas dele pois, com pessoas assim, nem vale a pena a gente dar-se ao trabalho de prestar atenção ao que dizem. Se eu tivesse algum cargo em que me visse na contingência de ter que falar com ele, recusava-me. Há limites que não devem ser transpostos e conceder crédito a alguém que se tem portado como este Láparo-Cantor se tem portado é coisa que não deve sequer ser considerada.

No entanto, no cargo em que ele está, ele deve explicações à Assembleia da República e, se fosse um democrata, saberia que algumas verdades frontais ou, mesmo, alguns excessos de linguagem, fazem parte do confronto democrático. Além disso, se se visse ao espelho todos os dias, saberia que, tantas e tão más tem dito e feito ao longo destes últimos anos, que a ele próprio deveria provocar indignação.

E depois parece que tem um certo gosto em ser malcriado com deputadas. Na sua boçalidade, deve achar-se superior ao género feminino.

Assim sendo, o que daqui aconselho a todas as deputadas e a todos os deputados a quem o comportamento deste sujeitolas incomode, é que, sempre que a criatura vá ao parlamento, se apresentem numa das três versões seguintes.



1. Ou como a inteligente Cretina Ferreira, digo Cristina ex-Goucha, na versão electric blue (diz ela que assim se sentiu cheia de energia - e de mulheres energéticas é o que o Lápa-roto precisa de ter pela frente) - e até parece que já estou a imaginar a Isabel Moreira a dirigir-se a ele, acutilante e enfurecida, fuzilando-o com o olhar, toda neste azul perigoso. 


A ver se ele se armava em bom com ela... é o armavas. 

Miufa, miufa. Deve ter mais medo da Isabel Moreira que o diabo da cruz. (Pudera, ela tem mais inteligência a dormir do que ele acordado e rodeado de assessores, de relvas e de maçães por todo o lado)



2. Ou então, podem ir vestidas como a inocente moçoila aqui ao lado (e até parece que já estou a imaginar a Heloísa Apolónia nestes preparos a desafiar a destituída criatura). 

Ele, com aquele seu típico fácies de néscio, não respondo, não respondo, não respondo e ela, de mão na anca, 'ó filho, anda cá que és meu', pronta para o praxar bem praxado.
Não vou, não vou, não vou. Estou indignado.
E ela, poderosa, Estás, estás. A ver se não te agarro, ó láparo.

E claro que o pegava, que a Heloísa não desiste nem por mais uma. 

Pegava-o nem que fosse de cernelha.





3. Já os cavalheiros poderiam ir vestidos como estas gentis matrafonas aqui ao lado. Aquela rapaziada jeitosa do PCP mais o Galamba e mais uns quantos, todos assim, a questionarem o outro. Então, pá, os esbulhos são provisórios ou definitivos? e vá de martelo ao alto.


Então e a pancada vai doer, ó láparo? Vais continuar a dar pancada, ó láparo? Vá lá, ameaça lá... E o martelo bem à vista.

A ver se ele não se encolhia e não respondia como deve ser.


4. A menos que a inconseguida Sãozinha ache que só ela é que pode ir mascarada para o Parlamento e nenhum deputado possa entrar vestido como estou a aconselhar. Mas aí seria uma pena.


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As fotografias foram obtidas no DN e referem-se ao Carnaval 2014.


sexta-feira, setembro 27, 2013

A Isabel Moreira (deputada independente do PS) é que os tem no sítio... Estive há bocado a vê-la na SIC com o deputado António Rodrigues do PSD e até tive pena do senhor, coitado, até acabou o programa todo corado. Trucidado. O Tozé bem que podia aprender com ela a fazer oposição sem medo - e tanto que há a denunciar, senhores... (E a pouca vergonha das autárquicas? O Seara e o Menezes, olha que dois. Uma indigência. Se receberem mais que dois votos cada um fico perplexa. Gentinha desqualificada, senhores)


No post a seguir a este pronuncio-me sobre o tratamento por tu que alguns leitores utilizam quando falam comigo. E, de caminho, ponho-me a conversar convosco, vou falando à medida que a conversa me ocorre, conto-vos algumas coisas sobre mim para que melhor me percebam. 

Mas isso é lá em baixo. Aqui, agora, a conversa é outra. 



Isabel Moreira na SIC - uma guerreira
(uma guerreira que usa lingerie muito feminina,
a alcinha do soutien descaíu, uma alça branca com bordadinhos)


O tema do arranca-rabo na SIC Notícias era, claro está, mais uns chumbinhos do Tribunal Constitucional. Este Governo é um fora de lei, pensa que isto é um Far West sem xerife. Só que, de vez quando, é confrontado com a dura realidade. Ultimamente, aliás, tem sido uma coisa demais.


Nem vou pronunciar-me sobre isso. Não vale a pena. Qualquer governo formado por gente decente já se tinha demitido há muito tempo. Estes levam na tromba e nem se enxergam (e vocês, por favor, desculpem lá este linguajar mas, já sabem, estes fulanos tiram-me do sério). Não têm vergonha nenhuma, apanham e voltam a apanhar e voltam a reincidir. Uns delinquentes.

Armam confusão por onde passam, um diz uma coisa, o outro diz o contrário, um que a economia está a crescer e que já vai escada acima, o outro a dizer que tão mal isto está que tem que vir mais um resgate. Resultado de toda esta baderna: zero. Qual zero? Abaixo de zero, negativo, muito negativo, um buraco sem tamanho. As agências de rating já estão a ver o que qualquer pessoa que faça contas percebe facilmente: com esta economia e com este governo a governar com as patas, a fazer tudo ao contrário, vamos pagar a dívida mas é nunca.

Mas eles continuam na deles, a assobiar para o lado, a fazer de conta que não é nada com eles.

Agora apareceu-me aqui o Paulo Portas, todo bronzeado como de costume - mas onde é que ele arranja aquele bronze, senhores....? - a dizer que apesar dos chumbinhos, o melhor da lei tinha passado e que isso era do mais importante que há para estimular a economia. Ó santa ignorância... Mas alguém vai formar negócios ou admitir pessoas, com a economia de pantanas e com este bando de incompetentes a dizerem e fazerem disparates ininterruptamnete, só porque despedir pessoas é quase limpinho...? São doidos.


Os patrões, aqueles que interessam, fazem de tudo para não despedirem as pessoas, não gostam de o fazer, não querem atirar os seus colaboradores para o desemprego. A lei laboral não é nem nunca foi (mas isto desde há décadas) entrave para o que quer que seja. O entrave são as medidas que, ao longo dos tempos, têm desincentivado a indústria, são as medidas deste governo para enfraquecer o ensino, é a aleatória e estúpida política fiscal.

Só gente muito burra é que acredita que andar a maçar toda a gente com isto do código do trabalho, reuniões e mais reuniões em sede de Concertação Social, tudo para enfraquecer os direitos dos trabalhadores torna a economia mais competitiva.


Entrave e atraso de vida - para além de termos um (des)Governo que não é amigo nem do crescimento, nem do emprego, nem dos portugueses - é, também, termos tanto autarca (e candidato a autarca) estúpido, a querer gastar dinheiro à tripa-forra em coisas que não interessam nem ao menino jesus.

As parvoíces que tenho ouvido nas reportagens da TSF... Parece coisa do além. 



O Cacos, o Tortas e o ex da Judite, o engatatão das dúzias, o Seara:
podiam ser os 'bons malandros' se fossem bons.
Assim são apenas más companhias.


Hoje o Seara dizia, naquela sua voz de tia histérica, que ia fazer trinta por uma linha e tudo até ao dia 1 de Abril e, interrogava ele a audiência, mas porquê o dia 1 de Abril? por ser Dia das Mentiras? E respondia, ufano, logo de seguida: Não. Porque é o dia dos meus Anos.


Se estivesse ao pé dele acho que lhe faria um sonoro daaahhh... ou seja, uma daquelas novas interjeições que revelam que a gente está a falar com um anormal. Mas o que é que a gente tem a ver com o dia dos anos do Seara, ó sorte malvada?

Já antes tinha ouvido o outro artista, o Menezes, também a prometer mundos e fundos e mais um par de botas e, ainda, por cima, a anunciar guerra do Porto a Lisboa - a reacender o mais primitivo bairrismo. Ó gentinha desqualificada.


Não tenho paciência. Gostava de ter mas não tenho. Isto é de uma indigência verdadeiramente under dog. Parece que é gente que vive noutro mundo.

Mas o que me deixa perplexa é como é que é possível que, depois de o PSD e o CDS andarem a fazer porcaria, mas porcaria da grossa, há tanto tempo, ainda haja alguém que dê ouvidos a gente destas. Como é possível, caraças...?!?

Por isso limito-me a dizer ao Tozé que ponha os olhos na Isabel Moreira. Sem medo, a falar claro, raciocínio ágil, língua afiada. Dá gosto ouvi-la. Não fica a pensar com olhar de gato pingado, não tem medo de responder na hora. É uma política de mão-cheia e, de dia para dia, tem-se vindo a auto-construir. Tivesse o PS uma boa meia dúzia de Isabeis Moreiras e outro galo cantaria. Assim, com este Tozé, a oposição quase não passa de um exercício de piu-pius.


*

Relembro: abaixo há mais (muito mais... é que, uma vez mais, escrevi para além da conta). Falo de mim, de como sou - para vos explicar o que sinto quando me tratam por tu.

*

Hoje é daqueles dias em que o sono que se foi acumulando desde o fim de semana até agora e em que estou a escrever meio  a dormir. Volta e meia cabeceio e, nem sei como, ainda não caí da cadeira abaixo. Por isso, fico por aqui. Mas vocês desçam até ao post seguinte. Se encontrarem gralhas, olhem, deixem-nas a cantar que eu amanhã, quando puder, logo faço uma faxina aqui no texto.  

*

Desejo-vos, meus caros leitores, uma bela sexta feira!

sexta-feira, setembro 13, 2013

Manuela Ferreira Leite fala na TVI 24 sobre o inqualificável corte das pensões de reforma da Função Pública e diz que isto é imoral, inaceitável, diz que as forças vivas do País deveriam impedir que isto venha a concretizar-se, diz que este governo é liberal para os que trabalham mas socializa os reformados, diz que este governo está a criar guetos para os pobres e para os reformados. E explica que isto não tem nada a ver com a sustentabilidade do sistema de pensões mas é apenas para tapar os buracos gerados pelas políticas erradas de Passos Coelho. E insurge-se pela reacção titubeante de António José Seguro. E eu daqui também grito ao Tozé: aprenda a ser oposição ou vá-se embora! Aprenda a ser oposição com ela, com Pacheco Pereira, até com o Lobo Xavier (estou a ouvi-los na Quadratura do Círculo). Ou, se não consegue, vá-se embora e dê o lugar ao António Costa. Bolas para isto.


Que este Governo é formado por gente mal formada, incompetente, ignorante, gente sem escrúpulos, sem preocupações sociais, sem moral, isso acho que já quase toda a gente percebeu.

Estranho é que ainda haja seres com dois dedos de testa que ainda achem que esta gente é gente de bem mas, enfim, a natureza humana é um poço de insondáveis surpresas. 

Manuela Ferreira leite na TVI 24 com Paulo Magalhães,
há pouco, enervada:
o Governo de Passos Coelho deixa-a fora de si,

'Esta tabela de idades é perfeitamente chocante'

Mas o que eu não percebo, mas ó senhores, é que não percebo mesmo, é que tenham que ser as pessoas do PSD, inclusivamente os ex-lideres, a fazer oposição a este governo miserável?



Manuela Ferreira Leite com cristalina clareza explicou agora na TVI 24, ao Paulo Magalhães, que o  raciocínio está todo viciado, aldrabado, explicou como deixaram de alimentar o sistema da Caixa de Aposentações para agora virem dizer que não chega. 




Gente de má fé! Ela até tremia a falar, revoltada, furiosa.



Manuela Ferreira Leite, há pouco na TVI,
perguntava que direito tem este Governo
de determinar a partir de que idade pode sonegar
aquilo a que as pessoas têm direito? 

E alertou: para ler números é preciso competência e honestidade. Coisa que, digo eu, falta a este malfadado governo.


Tudo o que esta proposta de lei significa é chocante, imoral, estúpido, injusto.

E tudo sob uma capa de justiça, de igualdade, etc. Mentiras miseráveis, inadmissíveis.

Manuela Ferreira Leite alerta que os guetos que o Governo
 (de Passos Coelho e Paulo Portas)
agora estão a criar, não tardam
 serão alargados ao pensionistas do sistema privado


Face a tudo isto,  dá para perceber que raio de oposição anda o PS a fazer?








Não sabem denunciar, não sabem falar com clareza e verdade, não sabem dar um murro na mesa - mas com vigor, não com cara de meninos copinhos de leite. Não há ninguém no PS que os tenha no sítio, ó valha-me Deus...?

Agora que estou a escrever estou a ouvir Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo e pasmo por ser mais uma pessoa do PSD a denunciar a imoralidade, a mentira e a maldade deste governo.


Tem que ser o Pacheco Pereira a denunciar o ridículo que é o Paulo Portas a instalar-se num palacete enquanto nos ministérios nem há dinheiro para terem água (Lobo Xavier dixit), e a falta de vergonha de dizerem mentiras, de as dizerem repetidamente, de usarem palavreado oco e aldrabão, de atentarem persistentemente contra a inteligência das pessoas, de empobrecerem a vida das pessoas a troco de nada?

Estou a ser injusta: agora está o António Costa a falar e a falar bem, a falar claro e a falar grosso. Mas o António Costa não manda no PS nem é a voz da oposição ao PSD. 


Grave, grave é o Tozé e a sua entourage que não denunciam as coisas com todas as letras. Até o Lobo Xavier diz que esta coisa da requalificação é um gag, uma coisa orwelliana, que a política de austeridade falhou redondamente, que essa gaita da austeridade virtuosa é uma treta em que já ninguém acredita. Até o Lobo Xavier!


Caraças para isto.

Com a oposição que temos, como nos vamos livrar da praga infecta que é este governo? O PCP repete a mesma argumentação sem a adaptar a cada situação - agora estão a ser comidos em toda a linha pelo Rosalino, até um qualquer Rosalino desta vida mete os sindicatos no bolso! - e o BE dispersa-se em palavreado retórico que não mobiliza nem convence ninguém. E não sobra nada.  


Claro que, para além do António Costa, no PS há um Galamba, uma Isabel Moreira (que acho que ainda é independente) - mas que podem dois ou três no meio do caldo morno que é este PS nas mãos do Seguro?


Foquei-me no desavergonhado atentado contra os reformados da Função Pública mas poderia dizer o mesmo sobre a forma desacarada e maldosa como pretende atentar contra a vida dos que estão no activo e tenham a pouca sorte de ser colocados na dita mobilidade ou requalificação (esses abjectos eufemismos que estes espertos inventam para camuflar a perfídia).

Que chateada que estou com isto. Um Governo de vendidos, de ignorantes, incompetentes, imorais à solta, sem oposição. Um perigo, isto! Só estão bem a desgraçar a vida das pessoas, corja de estúpidos - e não há quem lhes barre a passagem. 

O que é que eu posso fazer para ajudar a deitar abaixo este governo diabólico? Digam-me, por favor. Eu faço.

*

A ver se ainda cá volto para descontrair que estou aqui que nem imaginam, furiosa, furiosa. 

Se me aparecesse agora à frente o Passos Coelho ou o Tozé não respondia por mim, ai não respondia não.

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(Sobre o que me têm enviado para eu analisar a letra, falo no post abaixo).

sexta-feira, maio 17, 2013

As lágrimas felizes de Isabel Moreira, uma verdadeira Mulher-República, na aprovação da coadopção por casais homossexuais. Isabel Moreira, a deputada independente do PS, é uma mulher de causas e uma vencedora. A democracia portuguesa deve-lhe momentos importantes e o de hoje é um deles. Está de parabéns ela, a Assembleia da República e Portugal.


Tenho lido que todas as pessoas têm em si uma parte homossexual e outra heterossexual. Uma dessas partes, geralmente, é dominante. Depois há os que são bissexuais, se calhar os mais afortunados.

No entanto, pensando nisso, não reconheço em mim nenhuma tendência homossexual. Desde que me conheço, sinto atracção pelo sexo masculino. 

A heterossexualidade é, pois, em mim, uma coisa intrínseca. Não me esforço para sê-lo: é uma coisa que me é natural. Não me orgulho nem me envergonho de o ser porque isso não depende da minha vontade. Mesmo que me esforçasse, acho que não conseguiria ser nem um bocadinho homossexual. Se me forçar a imaginar-me numa situação homossexual, sinto uma rejeição incontornável. Não dá.

Mas podia ser naturalmente diferente. Podia ser homossexual e, acho eu, pensaria a mesma coisa: nem me orgulharia nem me envergonharia. Provavelmente sentiria a mesma repulsa se me forçasse a imaginar-me numa relação hetero.

Tenho filhos e tenho orgulho em tê-los. Tenho em mim um sentido maternal muito forte e, desde que os concebi e até hoje e para todo o sempre, sinto um dever de protecção em relação a eles. Mas sinto isso por ser eu e não por ser heterossexual.



As mães Mariana e Marta e o filho Matias - uma família com razões para festejar 


Se fosse homossexual quereria, na mesma, proteger os filhos que tivesse, protegê-los o melhor que pudesse e soubesse.

Dito isto, tenho que confessar que me faz um bocado de impressão pensar numa criança a dizer que tem dois pais homens ou duas mães. Imagino que poderá não ser fácil para essa criança.

Mas sei também que isto é uma questão de habituação à ideia, e todos os processos de aculturação são uma luta, um processo de assimilação do desconhecido.

Se eu fosse lésbica e tivesse um filho e vivesse uma relação estável com outra mulher, estou certa de que quereria que o meu filho tivesse a protecção oficial das duas, sentir-me-ia mais segura do seu futuro sabendo que, se eu falhasse, ele não ficaria órfão pois teria a outra mãe. Soa estranho mas, bem vistas as coisas, é isto e faz sentido.



O mais importante para uma criança
é que cresça num ambiente em que haja amor, respeito, amparo


Seja uma criança concebida no seio do casal (homo ou heterossexual), seja uma criança adoptada, penso que é melhor para todos, nomeadamente para a criança, que tudo seja transparente, aceite com naturalidade, e que tudo decorra em ambiente de afecto e partilha.

Por isso, embora me cause ainda alguma estranheza, acho que o que hoje foi decidido no Parlamento foi um passo importante no sentido da inclusão, da aceitação da diferença, do reconhecimento do direito de todos ao aconchego de uma família.



Isabel Moreira na AR: 99 votos a favor, 94 contra e  9 abstenções
A emoção de uma mulher forte e com razões para se sentir feliz


Vi há pouco na televisão as imagens de Isabel Moreira na Assembleia da República e emocionei-me com ela, por ela. 

Isabel Moreira é uma verdadeira Mulher-República: corajosa, livre, lutadora, generosa. E é inteligente e lúcida, uma mulher de grandes batalhas, uma mulher determinada. É também uma mulher moderna. 



Isabel Moreira já tinha tatuado no braço a data da aprovação do casamento gay.
Talvez uma nova data vá parecer em breve no seu braço


Há nela, para além dos seus traços fortes e bonitos, um toque de modernidade. O seu Pai, Adriano Moreira, deve, certamente, ter muito orgulho nesta sua filha tão valorosa.

Para ela envio um abraço e um agradecimento. Mulheres assim engrandecem a condição feminina e enobrecem o exercício da política.