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domingo, junho 16, 2024

Filho de Betty Grafstein ainda não pagou conta hospitalar de cerca de 50 mil euros e está a tentar negociar a dívida
Diz o bem informado Correio da Manhã. E a turma da Noite das Estrelas comenta

 

Ao pesquisar uma coisa no google no meu telemóvel, aparecem-me notícias. Desta vez, a primeira, nem que de propósito, era que a Teresa Guilherme estava muito admirada por Lady Betty ter deixado uma dívida de 60.000€ na CUF

Nem de propósito. Quando entrou, certamente, Lady Betty, ou alguém por ela, teve que pagar uma caução. Provavelmente qualquer coisa na ordem dos 2.500€. Portanto, dos 50.000€, na volta, a CUF apenas viu esses 2.500. Isto, a propósito do Caro Comentador Ccastanho ter dito, e eu percebi que estava escandalizado com isso, que, quando foi internado, solvo erro para uma cirurgia, teve logo que pagar uma caução. Pois.

Agora, segundo li, o filho da Senhora Dona Lady está a tentar negociar... Não sei o que é que há para negociar numa conta de hospital. Na volta quer pagar a prestações ou está a pedir desconto. E este é um dos problemas com que os hospitais (tais como muitas outras empresas) se debatem: os calotes.

Abri o vídeo que me aparecia mas, salvo erro, só consegui ouvir até um comentador, de nome Rui Figueiredo, falar pois não consegui ouvir mais. Tirando a Teresa Guilherme que conheço e a apresentadora Maya, não sei que dois são aqueles que ali estão. Qualquer gato-sapato é chamado à televisão para opinar. Assim se (de)forma a opinião pública. Mas, então, dizia o rapaz que não compreendia porque é que a CUF não tinha cobrado logo à saída ou a tinha deixado sair sem pagar. Falava como se quem fosse de censurar não fosse quem se prepara para deixar uma dívida mas, sim, quem vai ficar a arder.

Ora bem.

Em termos práticos. Verbas desta ordem (esteve internada mais de um mês, deve ter feito inúmeros exames, deve ter feito fisioterapia, foi acompanhada até aos Estados Unidos por um médico e por um enfermeiro, etc,, pelo que os gastos devem mesmo ter sido exorbitantes) frequentemente não se conseguem pagar via multibanco. Pode também acontecer que não se tenha toda essa verba à ordem e tenham que mobilizar depósitos a prazo ou outras aplicações. Claro que quem tem um familiar internado num hospital privado deve tratar de tudo isso antes que a pessoa tenha alta. Mas sabemos que este caso é atípico. De qualquer forma, com gente séria, é normal que mandem a factura para casa e que as pessoas as paguem. Mas há gente que não é séria.

Mas, voltando ao espanto, de terem deixado a senhora sair sem ela pagar... O que sugeriria o dito Rui Figueiredo? Que a CUF não lhe desse alta? Que a forçassem, se fosse preciso sob ameaça, a dar o código do multibanco... ? Que a forçassem a ficar internada? A fazer mais despesa...? 

Claro que não. Quando a pessoa tem alta tem que se deixar sair até porque as camas fazem falta para outros doentes e, de resto, nestes casos, ficar mais tempo é incrementar a dívida.

Acho que desliguei quando ouvi alguém a interrogar-se porque é que a senhora não tinha um seguro. Mais uma vez, uns pseudo-comentadores demonstrando que não têm vida, mundo, conhecimentos do que quer que seja. Não sei se a Dona Betty tinha seguro, se não tinha. Mas um seguro de saúde tem um tecto para cada tipo de despesa. Para algumas, nem sequer há cobertura. Se ela tivesse seguro, poderia, por exemplo, não cobrir internamento. Ou poderia ter e o limite já ter sido excedido com internamentos anteriores. Ou poderia excluir internamentos por certas condições como, por exemplo, por violência doméstica. Além disso, os seguros são caríssimos para pessoas de idade e algumas seguradoras nem têm sequer seguros para pessoas com mas de 60 anos. Podem ter planos de saúde, que dão descontos em algumas coisas mas não cobrem internamentos.

Ou seja, sabendo que uma pessoa de idade tem algumas probabilidades de ter internamentos e cirurgias o que pode vir a traduzir-se em muita despesa, as seguradoras, que também são empresas que não querem ir à falência, também se cortam.

Ou seja, só o SNS não se previne contra calotes, contra despesas desmedidas. Na prática, é sempre a abrir. De cada vez que há pessoas a fazer cirurgias caras, a fazer tratamentos muito caros, a ter que estar internadas nos cuidados intensivos durante muito tempo, etc, etc, aparece sempre dinheiro para fazer face a qualquer despesa, aparece sempre dinheiro para aumentar médicos, para pagar horas extraordinárias, para pagar fortunas pelos contratos de manutenção dos equipamentos médicos em especial os mais caros como os de imagiologia, para pagar medicamentos, alguns dos quais caríssimos. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o dinheiro não sai de um saco sem fundo.  Os montantes de que o SNS dispõe para fazer face a todos os imponderáveis não são ilimitados. Parecem... mas não são. 

Não será por acaso que uma das maiores fatias dos impostos cobrados vai para a Saúde: 22% 


Com uma população envelhecida e felizmente a viver muitos anos (mas com pluri-patologias e a requerer frequentes cuidados médicos), se a área da Saúde não for criteriosamente gerida não apenas vai ter falhas permanentes e cada vez potencialmente mais graves como vai ser um incrível sorvedouro de dinheiro.

[A componente da Protecção Social também é preocupantemente alta. Aqui a demografia é também um desastre: com uma natalidade continuadamente muito baixa, com muita gente nova a emigrar e com uma população muito envelhecida, é imprescindível que haja mais gente a fazer descontos (TSU), mais imigrantes a trabalhar e a fazer descontos em Portugal, é preciso que a economia se aguente e dinamize para haver poucos subsídios de desemprego, é preciso que se auditem bem as actividades que não descontam para a Segurança Social (ou que descontam pelos mínimos dos mínimos) e que se traduzirão em pensões e subsídios para os quais não existiu a contrapartida dos descontos]

Enfim. Um tema inesgotável.

Mas é fim de semana e não vos maço mais. Conto apenas mais duas coisas:

1 - A andar por aqui, sempre encantada (embora levemente apreensiva pois a natureza, quando pujante, tem uma força difícil de controlar), encontrei uma flor inacreditável. 


Nunca tal tinha visto. Já coloquei o pé que veem numa jarra aqui na sala. Recorri à app que permite a identificação de espécies e aqui está: lomelosia stellata

A perfeição, a delicadeza, a beleza desta flor parece-me uma coisa do outro mundo

2 - E andava nisto quando vejo, a meu lado, um esquilo a descer do pinheiro ao lado do qual eu ia, depois a andar à minha frente e, logo, a subir o tronco de um cedro mais à frente. A meio do tronco parou, ao alto, e ficou a olhar para mim. Com a atrapalhação, levei tempo demais a desbloquear o ecrã do telemóvel e a encontrar o botão da  câmara. Quando estava a postos para disparar já ele tinha subido. Estava lá em cima a olhar para mim. Fofo. Ainda o chamei, bsch-bsch-bsch, como se fosse um gatinho. Mas não o convenci. Não desceu.


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Enquanto escrevo, vejo Marcelo na Suiça e, como sempre, está a dizer coisas. Atrás dele, um a imitar o emplastro. Não sei se viram. Se viram, digam-me se não parecia mesmo.

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Desejo-vos um belo dia de domingo
 

quinta-feira, março 21, 2013

Fim do passeio à Serra da Estrela. Covilhã e Castelo Branco. Um passeio muito bonito que recomendo a todos os meus Leitores


Férias...? Pois é... foram-se. 

Uns diazinhos apenas, curtinhos, não mais que uma escapadela. Saborosos mas tão curtinhos. Não importa. Não dá para mais, não dá. Aproveita-se cada minutinho e quando for possível lá gozaremos mais uns dois ou três dias. Como dizia uma vez um homem de idade que namorava uma mulher bem mais nova, 'o que é bom, pouco basta'. Pois, pode ser. Ou, como costuma dizer a minha mãe, 'até onde chega não é curto'. 

De volta à realidade, aqui estou apenas para dar conta da vinda. 

De manhã, ainda assim, mais uma caminhada. Temos este hábito e não há férias que o interrompam. Quando a caminhada é também passeio, tanto melhor.



Edifício antigo reflectido num espelho de água (Covilhã)


Depois, paragem em Castelo Branco. É uma cidade que não recordava tão grande. Entrámos por um lado e eu queria ir a um jardim do extremo oposto. Tivémos, pois, que atravessar a cidade. Uma cidade sóbria, movimentada, casas bonitas.

Queria ir ver o Parque Urbano mas fiz confusão e pensei que se chamasse Parque Municipal. Vi no smartphone a morada e, portanto... foi ao Parque Municipal que fomos parar.

Claro que mal lá cheguei percebi logo que me tinha enganado no nome mas depois de termos atravessado a cidade e com o GPS meio baralhado a mandar-nos sair na 2ª saída da rotunda em sítios onde não havia qualquer rotunda e outras que tais, não deu para abusar da sorte. 

Mas também não faz mal. Das vezes em que por ali tinha andado acho que me tinha ficado pelo Jardim do Paço. Não me lembro de alguma vez ter visitado o Parque Municipal e vale bem a pena. Não é grande mas é muito bonito.



A cidade que se eleva sobre o Jardim do Paço do outro lado da rua até ao castelo,
vista a partir do plano de água dentro do Jardim Municipal


O Jardim tem muita água, fontanário, repuxos, tanques, muito bonito mesmo. Um jardim onde deve ser muito agradável estar. Eu, que gosto tanto de jardins, espanto-me sempre quando vejo o pouco uso que as pessoas dão aos jardins, ao contrário do que acontece noutras cidades europeias em que os jardins são pólos de vida.



Ler um livro, conversar, namorar ou simplesmente estar - aqui deve ser um lugar ideal


E, depois, vim encontrar aqui um recanto que me fez lembrar Barragán, o repuxo entre muros coloridos. Mas não. Era-me familiar mas só depois vi porquê.



Tanque e repuxo no Jardim de Castelo Branco - Azulejos de Cargaleiro


É uma presença inesperada neste jardim mas uma presença muito bem enquadrada, um lugar inspirado, feliz.


É, pois, uma obra relativamente recente como se pode ver pela assinatura:
Cargaleiro - 2003


No painel lateral, um poema de João Roiz de Castel-Branco (e os senhores especializados na matéria me dirão se está correcto 'tã' tristes quando todos os outros são 'tam'):



Senhora, partem tão tristes


Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d' esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.



Edifício da Misericórdia (se não estou em erro)


E, assim, voltei. Não parti triste porque não era caso para tanto e porque lá voltarei muitas mais vezes. 

O País é lindo e vê-se tão pouca gente na rua. As pessoas ficam em casa, não saem. E passear é tão bom. Porque se deixam ficar fechadas em casa? Porque não vêm ver as flores, as árvores, o céu, porque não vêm  usar o que a natureza nos dá e ver o belo património que temos? Porque não vêm ler para a rua, conversar com outras pessoas? As ruas são bonitas, os jardins são tranquilos, espaços de paz. Porque não estão cheios de gente?

Não sei.


Agora aqui estou, de regresso ao trânsito, à confusão das grandes cidades, à minha mesa pejada de livros. Mas, apesar da curta duração destas mini-mini-férias, vim carregada de fotografias, de natureza, de ar muito puro e ainda trago nas mãos e no olhar a pureza da neve.



A Serra da Estrela junto à Torre

*

(A ver se ainda escrevo aqui acabo uma coisa que há pouco deixei a meio sobre a felicidade)