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quinta-feira, outubro 03, 2024

Se empatia é calçar os sapatos dos outros, então, santa paciência, não sou nada empática

 

Para começar não sei se empatia é isso dos sapatos. Tenho dúvidas. Segundo o Priberam, empatia é a forma de identificação intelectual ou afectiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa. E não vejo aqui qualquer referência a sapatos. 

Mas, ironias à parte, tenho que confessar que me faz impressão calçar sapatos usados por outra pessoa. Roupa, desde que limpa, não me importo. Mas mesmo assim prefiro conhecer a pessoa que a usou. Usar roupa sem saber se a pessoa que a usou era limpinha, lavadinha, isso faz-me alguma impressão. Ou seja, não sou o público ideal para as lojas de roupa usada. 

Quanto à empatia, tenho ideia que sou empática. Os assessments a que fui sujeita enquanto trabalhava (e com muito gosto o fui, pois ser analisada, escrutinada, avaliada e etc. sempre foi pratinho que me soube bem) diziam que sim, era empática, sim senhor. 

Mas, afinal, pelo menos na minha vida civil, não sei se sou assim tanto. Ou melhor: se ainda sou. 

Por exemplo:

  • A minha capacidade para me identificar com os tontos do Governo que se papagueiam uns aos outros, mesmo que seja para papaguearem disparates e nulidades, é limitada. 
  • A minha capacidade para achar graça à humilhação a que a Joana Marques gosta de infligir às suas vítimas, em particular quando o faz em público, expondo o humilhado à multidão enquanto goza com ele, é muito, muito limitada. 
  • A minha capacidade para perceber o ponto de vista da Ana Moura que, numa cerimónia (que pode ser questionada pelo seu valor, pelo seu préstimo, pela sua credibilidade mas que, para todos os efeitos, é uma cerimónia -- em que quem lá vai deve respeitar o dress code), se apresentou em trajes menores, zero de confecção, zero de côuture, zero de bom gosto, com os seios e os próprios mamilos à vista, é muito limitada. 
  • Identicamente a minha capacidade para tolerar o desbocamento torrencial da fonte de Belém também se esgotou. Desde há muito.
  • E a minha capacidade para aturar a histeria presidencial, da AD, das televisões e de tutti quanti que querem à viva força obrigar o PS a enfiar o Orçamento pela goela abaixo, seja o que for que ele contemple, é deveras limitada. Deveras.
  • E, agora, até o FMI vem dizer que o IRS Jovem é a ideia mais burra que alguma burra algum dia pariu. Face a isso, o Montenegro vai tirar o tapete ao Sarmento? Não, senhor. Em vez disso vai fazer de conta que está a fazer a vontade ao PS, através de uma proposta irrecusável. E eu, perante isto, aqui confirmo: a minha capacidade para aparar chico-espertices destas já foi ultrapassada há algum tempo.

Por isso, em dias como o de hoje, um dia cinzento, uma persistente chuvinha molha-tolos, interrogo-me: seria eu capaz de calçar os sapatos do Montenegro, da Senhorinha da Administração Interna, da baderneira-mor da Saúde, do Lentão que até dá dó, do inteligente Sarmento, do Dissolvente... e por aí vai...? Ou seria eu capaz de calçar sapatinhos como os que aqui mostro?










Resposta à pergunta lá de cima: Não, não creio.

(Mais sapatinhos aqui)

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E não vale a pena virem aqui dizer que este post é disparatado. Eu sei que é. Mas vou falar ajuizadamente a que propósito? Ah pois é, bebé. 

Portanto, passo já para a secção musical.

In Hell I´ll Be in Good Company 

(metal cover by Leo Moracchioli)


Dias felizes para todos

sexta-feira, janeiro 19, 2024

Coisas e loisas

 

O meu marido de vez em quando vinha dizer-me que, na cave, ainda há sacos com coisas que vieram da outra casa e que ficaram para arrumar quando eu tivesse tempo. Era aquele tipo de coisas que, na altura, não sabia bem onde pôr talvez porque eram de utilização dúbia.

E o tempo foi passando e a vontade para abrir os sacos, ver o que lá está dentro, decidir o que fazer, não apareceu.

Primeiro era porque estava a trabalhar, tinha mais que fazer. Depois deixei de trabalhar e ainda tive menos tempo livre.

E o meu marido sempre a picar. Para ele parecia-lhe inconcebível que havendo aquilo por fazer eu não me importasse e fosse deixando estar. 

Então, resolveu ele deitar mãos à obra. Só que descobre coisas que ou não sabe o que são ou não sabe o que lhes fazer nem onde guardar. 

Eu sei o que são mas também não sei o que lhes fazer. 

Por exemplo, termos. Um para líquidos, outro para sólidos. Ou uma caixa tabuleiro em madeira com uma grelha também de madeira que acho que é para cortar o pão, se calhar para as migalhas caírem para o tabuleiro. Ou um rechaud. Coisas assim. Coisas que na altura devem ter tido uma justificação mas que depois caíram em desuso. Por acaso o rechaud até teria dado jeito no outro dia. Puxei pela cabeça para tentar perceber onde estaria até que deduzi que lhe tinha perdido o rumo. Afinal apareceu. 

Poderia guardar na cozinha se os armários não estivessem cheios ou se a despensa não estivesse identicamente repleta. E pior que isso. Nesta cozinha, num dos lados, o armário de cima vai até ao tecto. Mesmo que me ponha em cima daquele banquinho desdobrável do ikea, não chego lá. Ou seja, não faço ideia de que é que o meu marido para lá encafuou. 

Trouxe as coisas para cima e depois deixei de vê-las. Devem ter ido fazer companhia às coisas lá de cima.

Veio também dizer que havia uma coisa que não sabia o que era e que estava toda cheia de bolor. Fui ver. Uma toalha de mesa de renda, grande, rectangular, feita por mim. Não com bolor mas com ferrugem. O tempo que levei a fazer aquela toalha... Rosetas e rosetas de crochet em linha branca. E nunca mais a usei e nunca mais de tal me tinha lembrado. E o espaço que aquilo ocupa. As gavetas já estão cheias. Agora, ainda por cima, tenho que ver como se tiram as manchas de ferrugem. Ainda mais essa.

Quando lá fui ver a toalha vi uns jogos turcos de toalhas de casa de banho, ainda na embalagem. Houve uma altura em que a minha avó materna me levava turcos e mais turcos, coisas para o enxoval. Também não sei onde pôr. Mas custa-me desfazer deles tendo sido presente da minha avó.

Outra coisa que lá estavam eram lençóis bordados, outros com grandes rendas. O trabalho que deram. A minha avó materna e a minha mãe faziam rendas enormes, numa linha finíssima. Depois contratavam uma senhora que fazia bordados e que pregava as rendas. Obras de arte. Nunca usadas. Onde é que eu ia pôr lençóis daqueles na cama? Não dariam jeito nenhum. Nem podem ser usados sem ser passados a ferro. Os que uso são muito maiores do que aqueles, as camas agora são bem maiores, e não precisam de ser passados a ferro. Portanto, onde é que os ponho aquelas peças de arte? 

Tralha, tralha, tralha. Na prática é o que tudo aquilo é.

E já sei que mesmo que queira impingi-los aos meus filhos, não vão nessa. Têm as coisas deles, não querem coisas que nada têm a ver com o seu gosto e com o seu estilo de vida. E também não têm espaço. Compreendo-os. Fazem bem.

É um assunto que me incomoda: a quantidade de coisas que tenho cá em casa. Quando via alguns programas de reabilitação de casas nos Estados Unidos ficava admirada ao ver que as pessoas compram as casas mobiladas e, quando vendem as casas em que viviam, vendem-nas mobiladas. É mais fácil do que andar com a tralha atrás.

Nestas alturas lembro-me do meu amigo que morava num andar em que ele e a mulher tinham comprado o direito e o esquerdo e feito obras para unir. Ficou um mega-mega-apartamento. Segundo ele dizia, carregado de toda a espécie de tralha. Não conheci essa casa, só a casa que tinham no campo. Aí, era uma moradia grande. Ela era o cúmulo da vitalidade, de entusiasmo, e isso abarcava também a sua actividade de decoradora. Andava por antiquários e lojas de velharias e arranjava peças fantásticas. Carradas de coisas fantásticas. Carradas. Em Lisboa devia ser a mesma coisa. E por cima do giga-apartamento deles, de um dos lados, morava a sogra. Quando a sogra morreu, a casa ficou para eles. A senhora tinha um belo apartamento requintadamente mobilado. Ele estava doido com tanta tralha. Dizia que só tinha vontade de comprar um apartamento minúsculo no Chiado e mudar-se para lá, deixando tudo para trás, tudo.

Eu também acho que uma bela coisa poderia ser mudar-me para a casa quase vazia, a casa dos sonhos do meu marido. E esta ficava como casa-museu. Quando os meus netos, bisnetos e trinetos quisessem descobrir raridades do passado, vinham até cá.


Mas, enfim, também não é caso para lágrimas. 

Caso para lágrimas é ver como jovens estudantes, gente supostamente não totalmente burra, adere ao Ventura. Não consigo perceber se é mérito do Ventura, que é capaz de ser perigosamente inteligente, ou se é demérito da malta que se deixou enredar nas conversas muito elaboradas do aparelhismo partidário e se mostra demasiado instalada, afastando a malta que é jovem e rebelde, ou se é uma idiossincrasia desta juventude que parece alienada e não aprendeu a dar valor à democracia e à liberdade. Uma tristeza e uma preocupação.

Mas é o que é. Face a isso, saibamos agir com inteligência. E bola para a frente.


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Um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.

sexta-feira, janeiro 12, 2024

Choninhas e baldas. E etc.

 

Volta e meia, em cima de tudo o resto há as coisas que se estragam. Ontem houve uma coisa que se partiu e que tem que ser arranjada. Onde pensávamos que resolveriam o assunto, disseram que não e deram o contacto de um homem.

Hoje, estava a chegar do hospital, atrasada pois estive lá mais tempo do que esperava e o trânsito também estava pior do que desejável, apareceu o dito. O meu marido ficou no jardim a suster a fera que ficou desaustinada e eu entrei com o expert.

Caraças. Se há coisa para a qual eu não tenho paciência é para nhonhinhas, nheco-nhecos. Mediu e remediu, apontou e tornou a apontar, pediu-me para eu segurar a lanterna, pediu para eu espreitar a ver se via não sei o quê, deu exemplos para validar as suas teorias, queria mostrar-me vídeos para justificar o que dizia. Eu já só queria que o homem se calasse. E ele não se calava. Depois estava demasiado perfumado. Não suporto homens demasiadamente perfumados. 

Às tantas o meu marido ligou-me. Não percebia o que se passava. Eu poderia ter dito as medidas por telefone mas o homem disse que um milímetro a mais ou um milímetro a menos poderiam ser a morte do artista pelo que tinha que ser mesmo ele a vir tirar as medidas. Mas, julgava eu, era coisa para uns cinco minutos no máximo. Qual quê? Não cronometrei mas mais de meia hora foi. Espreitava para dentro daquilo, oferecia-se para fazer uma limpeza às entranhas da coisa, mas tudo em slow motion, tudo com longas pausas entre palavras. Um desespero. Pessoas assim levam-me à loucura. Já só me apetecia correr com o homem de qualquer maneira. Que choninhas do caraças, senhores.

Acabei por me pôr a andar e ele, que remédio, a andar e a falar atrás de mim, depois saí porta fora e ele a querer atrasar o passo. É que, no meio disto, dizia que não ia conseguia fazer um orçamento exacto pois se alguns parafusos se partissem ao retirar, tinha que pôr parafusos novos, ou se os parafusos novos não fossem exactamente iguais, poderia ter que fazer furação nova. Por isso, não sabia. E eu, impaciente de todo: 'Faça assim. Diga o valor aproximado e diga quanto pode ser mais, no máximo, caso surjam esses imprevistos'. Ele olhou-me como se não percebesse, como se eu estivesse a dizer uma coisa impossível. E queria voltar a colocar dúvidas e entraves a um orçamento exacto. 

Eu já só pensava que nem pensar voltaria a ter um tal patarata em casa. Ah, às tantas, ao mexer, ao desmontar para ver se tirava as medidas exactas, deixou cair um pouco de pó. Ficou aflito, pediu uma vassourinha e uma pázinha. E eu que ele deixasse, que eu já limpava, que não se importasse. Mas gente assim não desiste. Viu os apetrechos da lareira e pôs-se a varrer e a limpar.

Lá fora, ao frio, às escuras, o meu marido e o cão. Claro que poderia ter ele entrado e deixado o cão na rua. Mas a perspectiva de ir aturar um empata daqueles era ainda pior do que ficar à seca na rua.

Lá vim, então, a andar, abrindo o portão, o homem ainda a querer explicar cenas, a justificar e a sustentar teorias sobre as cenas. Creio que o interrompi e lhe disse: 'Está bem. Mande o orçamento que conseguir. Obrigada.' e bye bye. Há com cada um.

Também há uma fuga de água num dos tanques da caldeira. Há uns dois meses. Veio cá um que disse o que era e que ia mandar um orçamento. Até hoje. No princípio do mês passado, estava noutro país, não sei se de férias se em trabalho. Depois no fim do ano estava a banhos, de férias, num país africano. Depois que não sei o quê. Até que finalmente era hoje. Sim, sim. É o veio. Tipo mais baldas nunca vi. Sempre altas conversas, grandes desculpas e grandes promessas. Um bocas. Caraças.

Só espero que apareçam mais uma catrefada de imigrantes que venham compensar a falta de mão de obra que há em todos os sectores. 

Tirando isso, só se for o que a funcionária do hospital que estava a ocupar-se da minha mãe conversou comigo. Uma simpatia. Não sei como já estava a falar-me da sua ansiedade, dos seus ataques de pânico, de como gostava de não ser tão magra, já estava a fazer-me confidências. Qualquer dia pergunto se me permitem que filme e publique. Depoimentos avulsos sobre a vida de pessoas desconhecidas.

De manhã também liguei para uma amiga da minha mãe que lhe tinha ligado. Não sei como, passado um bocado, já estava a falar-me das suas maleitas, do que faz, do que não faz, das doenças prevalentes na sua família, em como todas as da sua geração estão a ir desta para melhor. Isto dito sem dramas, entre sorrisos.

Também tenho mais histórias do balneário da piscina mas ficam para outro dia.

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Os fantásticos sapatos são apenas algumas das modas de gosto duvidoso que podem ser vistas em 30 Questionable Fashion Choices That Have Been Shared On This Instagram Page

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Um dia bom

Saúde. Boa sorte. Boa onda. Paz.

quarta-feira, janeiro 03, 2024

Estas fotografias não são metáforas do Marcelo

[E sobre a charla de Ano Novo não vai nada, nada, nada? -- Lamento mas não. Só lugares comuns, cá para mim não se aproveita nada]

 

Ouvi, a posteriori, a conversa de Marcelo na televisão, supostamente a mensagem de Ano Novo. Depois vi, também a posteriori e um pouco por todos os canais por cabo, uma chusma de comentadores a opinar sobre o que ele disse. Nos onlines a mesma coisa, tudo com conclusões sobre o mesmo. 

E eu pasmo. Fui ler o discurso, não fosse ter-me escapado alguma coisa. Confirma-se: uma mão cheia de nada. Banalidades. Nada que justifique qualquer interpretação. 

O senhor sente-se apeado, acossado pela opinião pública, as notícias trazem-lhe provas e contraprovas de que, uma vez mais, interpretou mal os acontecimentos, de que, uma vez mais, fez asneira, de que, uma vez mais, ficou provado -- e isso é muito claro -- que o que ele quer não é o que os portugueses querem. E, então, sem saber lidar com o balde de água fria que os factos teimam em despejar-lhe em cima, mostra-se desinspirado, desinserido da realidade, perdido. Portanto, mesmo quando tem oportunidade para se preparar e apresentar uma mensagem asseada, o que lhe sai são lugares comuns, redacção da 1ª classe. Por isso, santa paciência, a malta vê que é ele que está na televisão e faz zapping.

É claro (sim, que tudo isto é mesmo muito claro) que a trupe dos comentadores, em especial os muitos que ganham a vida a falar sem reflectir, não podem chegar à televisão e dizer o que é óbvio: o que o senhor disse, coitado, não tem nada que se lhe diga, portanto façamos a caridade de passar adiante.

Mas eu -- que não sou comentadora e não dependendo a minha sobrevivência de vender bacoradas a metro -- posso dizer: a bem do País, alguém convença o senhor a tratar-se.

Portanto, vou antes mostrar algumas fotografias a que acho uma graça. E volto a dizer: nada têm a ver com o Marcelo. Haverá gente criativa que consiga ver nelas fantásticas metáforas relativas aos comportamentos dele. Mas eu não sou tão criativa assim. Ou haverá os brincalhões que acharão que, a partir delas, se poderiam fazer uns belos trocadilhos a propósito do referido senhor. Mas eu também não ando com grande disposição para brincadeiras. Portanto, que cada um pense o que quiser e honi soit qui mal y pense.

by Carlo Ferara


by Jimmy Marble


by John Hedgecoe


by Thomas Mor


by Prashant Godbole


by Margarita Mavromichalis


by Maciej Dakowicz

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Mais fotografias destas aqui.

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Bom humor. Paz.

sexta-feira, abril 28, 2023

Sobre o vídeo com Augusto Santos Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e outros: nada.
Prefiro os trabalhos de Gerhard Haderer

 

Mais uma vez tivemos um caso a preencher o dia. Todos os dias as televisões têm que ter casos para terem pretexto para nos enxamear os ecrãs com comentadores e toda uma chusma de opinadores que tanto opinam sobre finanças como sobre companhias de aviação como assuntos jurídicos ou sobre o preço das batatas. 

E, quando não há casos, a comunicação social cria-os. A seguir, cinicamente, vêm sugerir a dissolução da Assembleia por causa da sucessão de casos e casinhos. Claro que, a bem verdade, há que dizer que, a seguir, vem Marcelo também alimentar o tema 'dissolução'. Um círculo vicioso.

A divulgação do vídeo feito na Assembleia da República quando Augusto Santos Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e outras pessoas conversavam, entre eles, informalmente, é de uma imperdoável canalhice. 

Recuso-me a comentar uma conversa breve e inócua entre pessoas que se conhecem há muito tempo e acho uma coisa de vizinhas, de gente desocupada, tudo o que se diga em torno do que eles conversavam entre eles.

E concordo que se apurem as responsabilidades para se descobrir quem fez a pulhice de divulgar uma conversa cuja gravação e divulgada não foi autorizada.

Quanto às reacções do Chega e do IL são o que são, são aquilo a que nos vêm habituando, populismos exacerbados, palhaçadas, cegadas que poluem o espaço público, que visam minar a credibilidade da democracia. 

O que penso sobre isso já aqui o tenho vindo a dizer: não digo que se lhes corte o pio senão vão vitimizar-se. Digo apenas que, em minha opinião, pela vacuidade e pelo desrespeito que mostram pelas instituições democráticas, o pio deles merece desprezo e não palco.

A bem de uma respiração saudável no espaço público, os círculos viciosos têm que ser travados.

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O que me parece digno de realce são os trabalhos do caricaturista e cartoonista austríaco Gerhard Haderer. O mundo actual passa todo por aqui e melhor faríamos todos se parássemos para pensar um bocadinho no que andamos para aqui a fazer.











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Desejo-vos uma bela sexta-feira

Saúde. Cabeça fria. Olhos abertos. Paz.

terça-feira, fevereiro 07, 2023

Moda? Modernidade? Provocação? Falta de bom senso? Desarmonia? Mau gosto?

 

Qual a diferença entre moda, modernidade e provocação?

Moda refere-se ao estilo popular de roupas, acessórios, cabelo e maquilhagem numa determinada época. A modernidade refere-se às características e tendências sociais, tecnológicas e culturais associadas ao período atual, enquanto a provocação é a ação ou o efeito de provocar ou estimular alguém ou algo, geralmente de forma desafiadora ou surpreendente.

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Quando o design se auto-supera 

A subir estas escadas é que não me apanham


Quem terá sido o inteligente que inventou esta retrete tipo aquário...?
Estaria à espera de lá ver peixinhos dourados a nadar...?


Urinóis para utilizadores com muita pontaria...?
Ou será que a ideia seria mesmo para enfiar a mangueirinha como se fosse para pôr combustível no carro?

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Qual a diferença entre bom gosto e mau gosto?

Bom gosto refere-se a uma sensibilidade estética refinada e a uma escolha cuidadosa de estilo e apresentação. Refere-se a uma combinação de bom senso, equilíbrio, harmonia e elegância na escolha de roupas, mobiliário, arte e outros itens. Já o mau gosto é o oposto, é a falta de sensibilidade estética e a falta de cuidado na escolha de estilo e apresentação. Refere-se a uma combinação de desarmonia, excesso, falta de equilíbrio e falta de elegância na escolha de roupas, mobiliário, arte e outros itens.

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Nos Grammy Awards


Madonna
(tanto fez para se recauchutar... e agora esconde tudo)


Sierra Ferrell que não sei quem é fantasiada não sei de quê


Harry Styles vestido e tatuado ao estilo dele


Kim Petras e Sam Smith prontos para desfilar no Carnaval de Torres Vedras

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Quando é que a moda de mau design se torna ridícula?

A moda de mau design pode ser vista como ridícula quando é considerada inadequada ou exagerada do ponto de vista estético. Isso pode ser devido ao excesso de elementos, à falta de harmonia, ao uso inadequado de cores, padrões ou materiais, ou a um design sem sentido. Quando uma peça de roupa ou acessório é tão desconexa do que é considerado bonito ou esteticamente agradável, ela pode ser vista como ridícula. No entanto, a percepção de ridículo é subjetiva e varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas podem achar que certas tendências de mau design são interessantes ou ousadas, enquanto outras as acham ridículas.

Faz sentido estar com isto enquanto as televisões mostram desastres naturais como estes sismos terríveis e a devastação da guerra?

É compreensível que a exposição constante a notícias tristes e desastres naturais possa ter um impacto negativo na nossa saúde mental e emoções. A exposição prolongada a imagens violentas e perturbadoras pode levar a uma sensação de desespero e estresse. Por esse motivo, é importante equilibrar a exposição a notícias e buscar fontes de informação confiáveis.

Além disso, é importante lembrar que, apesar desses eventos desastrosos, existem muitos atos de bondade e coragem ocorrendo ao redor do mundo. Prestar atenção a essas histórias positivas e encontrar formas de ajudar e apoiar as comunidades afetadas também pode ajudar a equilibrar as emoções e perspectivas. 

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Como é bom de ver a conversa travou-se entre mim (itálico e bold) e p ChatGPT (abaixo da questão) 

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Um dia bom

Saúde. Boa disposição. Paz.

terça-feira, janeiro 24, 2023

A falta que fazem os arquitectos

 

Um dos arquitectos da família, quando era mais novo e quando perante uma casa já construída relativamente à qual lhe pedíamos opinião, punha-se a olhar com ar crítico e, invariavelmente, concluía: deitas esta parede abaixo, aquela ali também, abres aqui uma janela de parede a parede, ali vai também abaixo

Eu até tremia... Uma pessoa a querer uma abordagem construtiva e dali tudo o que saía era destrutivo. Aliás, acho que, por ele, ia tudo abaixo.

Mas, tirando esse pequeno aspecto, tenho a melhor impressão dos arquitectos pois conseguem sempre surpreender-nos e encontrar soluções imaginativas para problemas que parecem insanáveis.

Das boas memórias que guardo, algumas das mais gostosas têm a ver com projectos de arquitectura para as sedes de duas das empresas em que trabalhei. Sempre privilegiámos algum arrojo. 

O prazer começava com o briefing em que era explicado o que, de forma global, se pretendia. Depois havia o programa com o descritivo exacto dos objectivos (quantos postos de recepção, quantos e de que dimensão e localização os espaços de arquivo, zonas de convívio, zonas de open space, gabinetes, etc). Depois as visitas das equipas de arquitectura ao espaço futuro e respectivas envolventes bem como a avaliação às dinâmicas nos espaços antigos. Depois a fase dos esboços, as discussões, o confronto das nossas mentes formatadas com soluções que transportavam modernidade, inovação e desafio; depois, mais tarde, as maquetes e, mais tarde ainda, a escolha dos materiais, e, por fim, o acompanhamento da obra e apoio à decoração (ou mesmo a concepção do mobiliário).  

A utilização de um espaço depende -- e de que maneira -- da qualidade da sua arquietctura. E isto vale para edifícios de habitação, de escritórios, de shop floor, de comércio, de cultura, de desporto, de jardins ou o que for. 

Já aqui falei disto várias vezes: é espantoso como a casa em que agora vivo tem uma arquitectura tal que, ao aqui vir pela primeira vez, me senti imediatamente acolhida. Não há uma coisa que eu fizesse diferente. O único aspecto que, ao princípio, me parecia que poderia ser diferente era a dimensão e morfologia da cozinha. Contudo, ao fim de pouco tempo reconheci que é perfeita na dimensão e na ergonomia. 

Não apenas a arquitecta foi muito feliz no seu trabalho como a dona tem um filho arquitecto que introduziu alguns arranjos que respeitaram a traça e contribuíram para uma melhor funcionalidade como foi o caso de estantaria embutida e adaptada aos recantos em que se insere na sal do piso superior. Quando vi a casa apaixonei-me logo por essas estantes e temi que as levassem. Mas não, estão embutidas. Seria difícil retirá-las e não encaixariam noutro lugar como encaixam aqui.

In heaven é diferente. Há um núcleo antiquíssimo, de pedra, em torno do qual o antigo proprietário construiu a parte principal da casa. Não lhe mexemos, com a excepção de termos transformado as janelas da sala em portas de vidro. Mas não tem uma distribuição de espaços perfeita. Por exemplo, há uma casa de banho que é enorme, maior que um quarto. Não faz sentido. Mas fazer-lhe o quê? Ficou assim. Penso que deve ter sido ele com um engenheiro que desenharam aquele acrescento. Para além das janelas, limitámo-nos a transformar a antiga garagem, que era enorme, num apartamento, ligando as duas casas com um muro e com um telheiro. 

Mas, enfim, estive a fazer a apologia dos arquitectos mas talvez seja de acrescentar 'bons da cabeça' porque se um arquitecto não tem os cinco alqueires bem medidos é mais que certo que sai asneira da grossa.

Canzana style

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Penso que já lá vai o tempo em que as construções e os projectos urbanísticos não tinham que ser obra de arquitectos. Mas quantos atentados à lógica, à funcionalidade ou ao bom gosto não se têm feito...? As imagens que aqui partilho são alguns dos vários exemplos que ilustram a falta que faz um (bom) advogado.






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E queiram descer para ver um vídeo que só visto

domingo, janeiro 15, 2023

O questionário UJM sobre esta greve dos professores
-- mais 13 das 36 perguntas e respectivas respostas

 

1 - Agora que és idosa e já trabalhaste décadas, quantas horas trabalhas tu por semana?

No mínimo 37,5h

2 - Mas nos empregos em geral, isto é, nos empregos que não o da docência, as pessoas não têm bonificação horária?

Era bom, era. Mas não.

3 - Os que têm categorias profissionais mais elevadas não trabalham menos que os outros?!

Pelo contrário. Não apenas pela responsabilidade mas também pelo exemplo, são geralmente os que mais horas trabalham.

4 - Quantos dias de férias tens tu por ano?

22 dias

5 - Mas espera lá aí. Os 22 dias são ao todo ou só no verão?

Ao todo. Ao todinho.

6 - E gozas sempre os 22 dias?

Não. Há anos em que não consigo. Devia. Mas nem sempre se consegue o que se quer e o que deve ser.

7 - Nas empresas em que tens trabalhado, toda a gente chega ao topo da carreira?

Não, nem pensar. Apenas uma minoria atinge o topo da carreira. 

(Aliás isso de 'carreira' é um conceito abstracto em que praticamente ninguém fala). 

8 - Tem razão o teu colega cuja mulher é professora ao dizer que não há melhor vida que a dela, grande parte do tempo na esplanada, na conversa com as colegas, a dizerem mal do Ministério da Educação?

Acho que sim. Por aquilo que ele conta, todos os que o ouvem ficam com inveja da rica vida da mulher. 

9 - Tinha razão a tua mãe, professora, ao achar que fizeste mal em deixar a docência por achar que não há melhor vida do que a dos professores?

Nesse sentido, sim. A minha vida teria sido bem mais flauteada se me tivesse mantido professora. 

10 - Voltando ao tema dos dinheiros: nas empresas há progressão automática?

Não, que ideia. 

11 - Os teus netos andam no público ou no privado?

Dois no público, três no privado.

12 - E que tal?

No privado têm sempre aulas e, se algum professor falta, há sempre algum outro que preenche o horário. Tudo a correr bem.

Numa das escolas do ensino público enfrentam sistemáticas faltas dos professores, baixas de professores, greves dos professores. Um desastre. Um problema a todos os níveis, para os miúdos e para os pais dos miúdos. Muito complicado..

Noutra das escolas do público, a coisa tem estado a correr menos mal, dá ideia que há muito pouca adesão a estas greves e que os professores faltam menos.

13 - Numa escala de 1 a 10 que simpatia tu e as pessoas que conheces sentem por esta greve dos professores?

0. Zero simpatia. Bola. É uma greve selvagem. Não faz sentido. O que dizem choca a maior parte dos trabalhadores. 
 
E a atitude e a conversa deles em grande parte envergonha os professores a sério. Nem se lhes ouve uma palavra sobre os alunos nem um pingo de consideração pelos danos que a sua conduta está a causar no aproveitamento escolar dos miúdos. Lamentável.

Pergunta extra: Não tem medo de ser considerada reaccionária o escrever isto, UJM?

Nenhum. Sei que não sou. E penso pela minha cabeça. 

Não que não haja temas relevantes para serem debatidos e melhorados no ensino. Há e certamente muitos. Mas não assim. Ainda por cima, assim é terreno fértil para populistas como os Andrés Venturas ou as Catarinas Martins desta vida.

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A alpinista sem rede

in “Humans Doing Human Things”

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Desejo-vos um bom dia de domingo
Saúde. Ânimo. Paz.

sábado, janeiro 14, 2023

13 das 36 perguntas já com as respectivas respostas.
Mais o homem que ouve bandas que ainda não existem e que leva um pato no carrinho do supermercado mas que não deve ser para o pôr no arroz.
E o ciclista mascarado de pombo que caiu no meio deles tendo eles ficado muito admirados, sem perceber que pombo tão grande e esquisito era aquele

 

1 - Qual a sandes preferida?

Tosta de queijo derretido, salmão fumado, tomate às rodelas e orégãos

2 - Maçã ou laranja?

Laranja

3 - Farripas de laranja revestidas a chocolate preto ou bola de berlim?

Farripas de chocolate revestidas a chocolate preto

4 - Caminhar ou correr?

Caminhar

5 - Ao pé coxinho ou de olhos vendados?

Essa agora...

6 - De olhos vendados ou mãos algemadas?

Em que contexto?

7 - Cristina Ferreira ou Sandra Felgueiras?

Brincadeirinha, certo?

8 - Raquela Varel ou Major-General Agosto Costinha?

Está boa, essa.

9 - Pintainhos ou peixinhos?

Depende da finalidade

10 - André Bolsonaro ou Jair Ventura?

Continuamos a brincar

11 - Dormir de meias ou dormir de gorro?

Meias ainda vá que não vá. Gorro já é coisa de outra dimensão.

12 - Nails ou tatuagens?

Vá lá... perguntas mais razoáveis, please....

13 - João Miguel Tavares ou Valter Hugo Mãe?

Que venha o Presidente Marcelo e escolha 

[Continua]

[Poderia ser o célebre questionário de tira-teimas ou o The Colbert Questionert ou, ainda, o Questionário de Proust. Mas não, é apenas o simples questionário da UJM]

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in “Humans Doing Human Things

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quarta-feira, janeiro 11, 2023

Banho na máquina com o rabo de fora

 

O nosso urso felpudo, agora já mais peludinho do que quando foi tosquiado, como todos os cães gosta de cheirar o rabo dos outros cães. Desta forma consegue saber o sexo deles, se estão bem de saúde, o que comeram, etc. É um comportamento normal.

O pior é quando se põe a cheirar o rabo das pessoas. Por vezes, quando vamos passear à praia, passamos por pessoas que estão sentadas nos bancos de frente para o mar. Pois bem, a indecorosa criatura, se a deixamos, vai pôr-se a cheirar o rabo de alguns. Para evitar passarmos por vergonhas, o meu marido dá-lhe um rápido puxão. E diz-me: 'Aquela senhora não deve ter o rabo lavado'. 

Presumo que foi o caso da senhora que, por razões que apenas ela saberá, se enfiou na máquina de lavar mas ficou com o rabo de fora. Na volta, no fim do programa, ficou toda lavadinha, a cheirar a sabão azul e branco ou a alfazema... excepto no rabo.

in “Humans Doing Human Things”

E não acreditam, é...? Então vejam lá esta.


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Um dia bom
Saúde. Boas vibes. Paz.


terça-feira, janeiro 10, 2023

O esteatopígico rabo é mesmo o dele.
E, ainda, o mecânico machão que usa fio dental; um fofo.

 

Pelos vistos, o excesso de rabo gordo de que tanto se orgulham a Madame Kim Kardashian e a Madame CR7 Aveiro é doença e não trunfo. Dá pelo nome de esteatopigia o mal que consiste na hipertrofia das nádegas ocasionada pela acumulação excessiva de gordura nas ditas. Mas elas gostam e, pelos vistos, muito boa gente, aka seguidoras, andam a implantar sacos com enchimento para parecer que também padecem de esteatopigia. Nada a dizer: há gostos para tudo. E isto já para não falar nos que malham até mais não poder, suando e ressuando as estopinhas, para empinar e insuflar os glúteos.

É como este aqui abaixo. De repente até se pode pensar que é a cara dele ali no espelho à frente. Mas não. São fotografias para o inspirarem, para lhe darem ânimo. Rabinho mais gordo para levar uns bons tautaus, o dele.

in “Humans Doing Human Things”

E como se a bunda reboluda do senhor ali acima não bastasse, eis que se nos junta um outro bacano, um fofo, um mecânico que arranja os carros deixando que a clientela aprecie o nadegal enfeitado por um atrevido triângulo, não da Bermudas mas de um sexy fio dental. Nem mais. Macho que é macho não quer cá saber de coisas. Ora essa.

in “Humans Doing Human Things”


E, não tendo nada a ver com os supracitados bem cuidados rabos, uma bem disposta dancinha:


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sábado, dezembro 17, 2022

Uma sexta-feira com pouco de friday

 


Chegar a uma sexta-feira e ter que madrugar é uma coisa pouco simpática. Diria mesmo: pouco civilizada.

Se há coisa que almejo é poder acordar às horas que acordar, não ter que me levantar cedo e andar em contra-relógio,  cronometrar o que faço, a contar os minutos, a ter que me aperaltar à hora em que deveria estar a entrar no segundo sono. E tudo à justa. Engolir o pequeno almoço à pressa, lavar os dentes, mal ter tempo para olhar para o espelho e... mal dou por mim já estou sentada e pronta para a primeira reunião do dia.

E, aí chegada, eis que, estando já todos, constatamos que todos menos o 'artista convidado'. Passa um minuto e nada. Passam dois minutos e nada. Fico impaciente. Alguém contacta o retardatário. Entra pouco depois, que não tinha reparado nas horas. Não consigo dizer que não faz mal. Faz. Cada vez estou menos tolerante a atrasos. Frequentemente começo as reuniões antes de estarem todos. Quem não está, estivesse. Não suporto que alguém disponha do tempo dos outros, forçando-os à inactividade indesejada. Quando chegam, está a reunião em andamento. Geralmente não voltam a atrasar-se.

Outra coisa que também me custa cada vez mais são as pessoas que falam pelos cotovelos e que, quando se apanham com direito de antena, o usam e abusam sem respeito pela paciência dos outros. Para dizer uma coisa que se diz em menos de um minuto, dão voltas e voltas ao bilhar grande e a gente tem que aguentar ´para perceber a que propósito vem tudo aquilo e até que resolvam chutar à baliza. E, então, acontece-me interromper, dizer que já percebi e que digam onde querem chegar. Outras vezes faço ainda pior: interrompo e digo eu, em três tempos, o que o outro para ali anda a rabear. 

Penso que, quem é interrompido, deve achar que sou mal educada. Se calhar, sou. 

Mas, sinceramente, que se lixe: também eu acho que são mal educados os que, sem respeito, abusam da paciência dos outros. Mas, enfim, esforço-me por me controlar. A verdade é que reuniões que poderiam duram meia hora acabam por demorar três e quatro horas.

À hora de almoço fui para junto da natureza. 

Desesperada por não ter que aturar gente faladora, procurei a companhia das árvores, dos pássaros, da aragem. 

Sol de pouca dura.

Uma sucessão de telefonemas e de maçadas forçaram-me a almoçar já passava das três. E à primeira garfada na boca chegou uma chamada pela qual esperava com uma certa expectativa.

Por isso, acabei de almoçar tarde e as restantes horas foram igualmente preenchidas. E, com isto, já ia a chegar a casa da minha mãe quando me lembrei que me tinha esquecido de uma chamada crítica na qual era suposto tratar de um assunto que me preocupava há tempo. Como foi possível? Como fui esquecer-me? Fiquei a pensar: desinteresse, cansaço? Alguma vez, antes, eu ia esquecer-me de fazer uma chamada daquelas...?

Depois, já em casa da minha mãe, e ainda estava com chamadas. Uma sexta-feira com muito pouco de happy friday. Um saco.

Sorte que, vinda de lá, tarde e más horas, fomos passear para a beira da praia. Noite. Quase sem vivalma. Frio, o ar húmido. Gosto do ar assim. O frio percorre-me e eu sinto que é uma injecção de saúde. Acelerei. Apetecia-me andar depressa. O mar imenso, majestoso, um som quase discreto. O cão feliz da vida, a correr, a andar apressadamente, o rabinho a dar a dar, a farejar as pedras, a aspirar a maresia.

Voltámos para casa tarde, o pobre do cão já deserto por dormir sossegado. Dorme agora, enroscado. E eu vou fazer o mesmo.

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Mas, antes, deixem que partilhe convosco um belo, belíssimo, jardim e, a seguir, um loft, estúdio de artista

Visitando os jardins murados isolados em Petworth House 

The World of Interiors apresenta o Livro de Visitantes com Caroline Egremont na Petworth House. Como atual guardiã da Petworth House, Caroline recebe-nos nos jardins privados murados, localizados na paróquia de Petworth, West Sussex.

À medida que percorremos a paisagem pitoresca, desenvolvemos uma compreensão de como e por que Caroline guiou o fluxo dentro do espaço por meio do uso de pérgulas e passagens habilmente definidas: “Existem três arcos alinhados, ao longo do jardim de seis acres. E a razão para os arcos estarem alinhados é porque os cavalos e as carruagens costumavam descer para pegar os produtos da horta para levar para casa. 


Esta casa é o sonho de todo o artista - ele mora num loft industrial tipo armazém gigante
Ele sonhava desde criança em morar num loft todo aberto, estilo industrial, armazém com pé direito alto, espaços amplos. Morar e trabalhar no mesmo lugar...

O artista plástico Sandro Akel recebeu-nos na sua casa incrível para mostrar o estilo de vida descomplicado e muito inspirador!
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As fotografias são algumas das belíssimas que fazem parte da série 50 Times People Snapped A Picture And It Turned Out To Be An ‘Accidental Renaissance’ e vêm na companhia de Iestyn Davies que interpreta Handel: Saul, HWV 53, Act I: "Oh Lord, Whose Mercies Numberless"

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Desejo-vos um bom sábado
Saúde. Boa onda. Paz