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quarta-feira, junho 17, 2026

Ser-se viúva

 

Toda a vida ouvi a minha avó materna dizer que era viúva. De cada vez que conhecia alguém, dizia que era viúva e há quantos anos o era. Durante muitos anos vestiu-se de preto. Para o meu casamento, quase impus que não se vestisse de preto. Fez-me a vontade. Detestava que ela parecesse achar normal resumir a sua condição à de viúva. Enamorou-se ainda menina, engravidou menina, casou menina. Toda a gente dizia, e ela sempre o afirmou, que tinha uma paixão enorme pelo meu avô. Ela não dizia assim, dizia que sempre tinha gostado muito dele, só dele, de mais ninguém senão dele. Quando ele morreu, num terrível acidente, ela deveria ter quarenta e um ou quarenta e dois anos. Ia morrendo de desgosto. E fez luto a sério, saudade profunda, durante muitos anos. Creio que só quando começaram a nascer-lhe os bisnetos é que recomeçou a viver uma vida normal. Não que tenha sido isso que a fez reacordar, não faço ideia se foi ou não, mas a ideia que tenho é que foi por essa altura.

Lembro-me também de uma amiga que era apaixonadíssima pelo marido. Andavam sempre juntos e não havia conversa em que ela não falasse dele. Não trabalhavam longe um do outro, e todos os dias ele levava-a e apanhava-a no trabalho. Ela não conduzia e, para irem para casa, que não era perto, ou apanhavam vários transportes ou iam de carro. E, portanto, iam de carro. Ele é que geria a casa, os pagamentos, o lado prático das coisas. Tinham uma casa de verão na costa vicentina que tinham reformado e redecorado. Com uma família ligada às artes, tinham obras de arte, artesanato de qualidade. Ele era muito cuidadoso, tratava da manutenção da casa e de todas as coisas. Escrevi que era casa de verão mas, claro, era de verão, de inverno, de fim de semana e de quando para lá fossem. Até que um dia, sem aviso prévio, ele teve um ataque cardíaco fulminante. E não foi só ele que morreu, foi, de facto, parte dela também. Aoa olhos de todos, era visível que era como se ela não tivesse existência própria, sem ele. E não eram só os aspectos práticos (embora tivessem um peso significativo pois, na verdade, de grande parte da vida do dia a dia ela não fizesse nem ideia do que era preciso fazer). E havia também a parte do carro: ela nunca tinha andado de transportes. Tinha carta mas não conduzia. Mas depois havia o ir para a casa da costa vicentina que já não lhe parecia fazer sentido, sozzinha. Ou ir a restaurantes, cinemas, passeios, exposições que antes tanto frequentava. Definhou. Ao fim de pouco tempo deixou de trabalhar, não era capaz de manter sozinha a casa e o trabalho. 

Perder um marido para a morte é pior do que perder para outra mulher.

Aqui onde vivo cruzávamo-nos quase todos os dias com um casal um pouco mais velho que nós. Iam dar um passeio e depois iam para a esplanada, juntar-se a outros casais. E tratavam do jardim. E viamo-los a chegar de carro, vinham das compras. Um casal normalíssimo. Um dia o senhor começou a andar mais lentamente, e passaram a andar de braço dado. Via-se que a senhora, de certa forma, o amparava. Nas últimas vezes, ele já ia mesmo devagar, parecia faltar-lhe algum equilíbrio ou energia. A senhora cumprimentava-nos com a alegria do costume mas ele parecia que já estava um pouco ausente. Ou talvez estivesse apenas concentrado na marcha e não reparasse em nós. O certo é que, desde há algum tempo, nunca mais os vimos. De vez em quando, vemos um homem novo a entrar lá em casa. O meu marido diz que acha que é o filho ou o genro. Não sabemos o que aconteceu, mas a senhora estava bem. Contudo, se calhar não quis ficar a viver sozinha numa casa grande de mais para uma só pessoa. Estou a escrever dela aqui e não sei se, de facto, está viúva. Mas estamos convencidos que, de uma forma ou de outra, o senhor se ausentou. E a senhora, tão alegre e que tratava do jardim e passeava e que se via que gostava a conviver com os amigos na esplanada, também desapareceu.

Siri Ustevedt é uma escritora conhecida, tem uma identidade própria, é uma mulher interessante. Contudo, muitas vezes era vista apenas como a 'mulher de Paul Auster'. No livro, ela conta como se apaixonou por ele e como viveram uma vida de enamoramento por quarenta e três anos. Uma vida inteira. Tiveram uma filha em comum e, ultimamente, um neto. Ele tinha um filho de um casamento anterior, no caso da também escritora Lydia Davis, e esse filho sempre foi problemático. E teve um fim muito trágico, demasiado trágico. Siri e Paul atravessaram esse drama juntos. Ou seja, unidos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Sendo ambos escritores, pisaram muitas vezes os mesmos palcos, as mesmas feiras e festas e palcos de palestras. Reviam os textos um do outro. Completavam-se. Claro que por vezes aconteceu acharem que ela usava ideias dele, quando era ao contrário. Mas reagiam solidariamente e Paul sempre se referiu a a ela como a intelectual da família. Eram felizes, na mesma medida em que os casais felizes são felizes, com altos e baixos, e muita ternura e compreensão. Até que Paul Auster adoeceu. E morreu. E Siri ficou viúva. E é sobre a sua vida em comum e sobre a perda, e sobre como tem sobrevivido a essa perda que Siri fala no livro Fantasmas. Paul Auster dizia que gostava de regressar como fantasma para ver se Siri estava bem. E ela, de vez em quando, sente o cheiro da cigarrilha de Paul. E gosta. Não é um livro melodramático, longe disso. É um livro muito factual, muito sincero, muito íntimo. Paul Auster, diz ela, morreu bem, soube morrer bem, com dignidade, ajudou a família a aceitar a sua morte. 

Depois de um período em que parecia vogar pela casa sem coordenadas, Siri voltou a ter vida própria. Esteve em Portugal agora, por exemplo. O seu livro é, também, um testemunho dos caminhos que uma viúva percorre até voltar a ser uma mulher inteira.

O livro pode parecer um bocado caótico pois a memória vai e vem em fragmentos. Mas isso é o normal. A vida não segue propriamente um guião.

Li-o de seguida, sem outros livros pelo meio, sem andar a arrastá-lo.

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Aqui Siri descreve o que também descreve no livro, uma sensação que lhe aconteceu logo após a morte do marido:

SIRI HUSTVEDT: 'Nunca me quis livrar daquele homem'

Uma conversa bonita e sincera sobre viver e amar a mesma pessoa durante 43 anos e a dor de a perder. (Para além do sexismo, da misoginia, de ter o seu trabalho creditado ao marido, o habitual!)


Desejo-vos um dia feliz

sábado, junho 07, 2025

O meu dolce fare niente, o meu pequeno almoço, a overdose biográfica de Herberto Helder servida por João Pedro George e etc.

 

A minha cabeça parece que entrou em férias. O corpo já tinha dado sinais que era o que queria mas a cabeça teimava em meter-se em trabalhos. Mas agora, para além de festejar a ausência de horários, apetece-me não ter maçadas de qualquer espécie. 

Claro que elas aparecem e não há como não enfrentá-las: uma coisa que se avaria e que custa a encontrar quem a arranje, um outro estore elétrico que não funciona, agora este problema da infecção na perna do nosso amicão, afazeres que aguardam que alguém se ocupe deles. Isso acontece independentemente da nossa vontade e, se não formos nós a resolvê-los, não haverá quem mais o faça. Mas depois havia aquilo em que eu sempre fui pródiga: arranjava sempre ocupações com objectivos apertados que me obrigavam a uma disciplina que se sobrepunha à minha vontade (ou necessidade) de descansar.

Agora não. Agora sabe-me bem, cada vez melhor, poder passar a tarde a ler, ao sol ou à sombra, a fotografar, a olhar para a copa das árvores. 

Claro que antes disso fiz uma máquina de roupa, estendi-a, fui ao ginásio, estive a varrer o terraço, a regar os vasos, fiz o almoço, recebi e estive à conversa com uma pessoa que cá veio a casa, etc. Mas, a seguir, por mim está feito! e deixo-me levar pelo prazer de estar na boa, sem mais nada que fazer. Claro também que a seguir aparece o meu marido a dizer que está na hora de irmos fazer a nossa caminhada da tarde e vou e sabe-me lindamente e, uma vez regressada, vou fazer o jantar e depois vamos fazer o tratamento ao nosso fofo, que reage mal e o meu marido tem que o agarrar com força para ele não se virar, e depois vamos todos fazer um passeio nocturno, passeio mais curto, coisa para não mais que meia-hora e que também me soube bem. 

Ou seja, não é que não faça nada. Faço. Mas, pelo meio, permito-me estar descansada sem sentir que estou a ser improdutiva. Quase desde que me conheço que tinha a pancada de fazer coisas que se vissem, que fossem úteis, que ficassem. Agora não. Estou uma ou duas ou três horas na boa e não me sinto mal por isso.

O meu marido também está muito diferente. Está um jardineiro exímio. Anda sempre com a máquina da relva ou com o corta-sebes ou com a roçadora. Antes não tinha o mínimo dos mínimos de apetência para a jardinagem. Zero, zero. Agora, nem tenho que lhe pedir. Pelo contrário, tenho é que pedir que não corte tanto. 

E, como se isso não bastasse, hoje, quando entrei em casa vinda de estar a ler, cheirou-me a bolo. Pasmei. Tinha feito um daqueles simples que se fazem numa tigela, no micro-ondas. Diz que pediu ao chatgpt a receita de um bolo saudável, rápido e simples, que se fizesse no microondas. Fez de alperce com iogurte grego, ovo, mel, uma colher de azeite e flocos de aveia. Estava bom mas com pouco sabor, talvez por estar pouco doce. Então pôs-lhe uma colher de compota por cima, levou-o mais uns segundos ao microondas. Ficou melhor. Depois fez um que improvisou, com cacau em pó, mas deixou-o cozer de mais, ficou rijo, uma bolacha dura. Mas sou de boa boca, como de tudo de bom gosto. Só que não quero alargar-me nos doces. Como nunca faço doces, a cozinha nunca cheira a bolos. Por isso, gostei imenso de sentir aquele cheirinho. O mais parecido que faço são papas de aveia . E ficam boas. O meu marido agora, ao pequeno-almoço, para além de comer uma banana, come uma taça dessas papas.

Já contei como faço mas agora introduzo uma pequena variante: num tachinho ponho água a ferver com uma pitada de sal, um pouco de canela, casca de laranja (ou de limão) e agora tenho juntado também umas três ou quatro tâmaras. E, claro, flocos finos de aveia. Vou mexendo. Quando começa a fazer bolhinhas, mexo bem e deixo estar ali em ebulição controlada durante uns dois ou três minutos. E já está. Solidifica com uma textura de que gostamos. A aveia é muito saudável. Não faço com leite nem ponho açúcar. 

Eu, ao pequeno almoço, como uma laranja e depois preparo um copo de kefir ao qual junto uma colher de sopa cheia dessas papas de aveia, um pouco de mistura de sementes e um pouco de pó de latte dourado que compro no Celeiro (curcuma, gengibre, pimenta, noz moscada). Mexo tudo bem. Adoro. Começo sempre o dia com o prazer de ter um pequeno almoço que me sabe mesmo bem. Remato com café expresso, longo, sem açúcar. O cheirinho bom do café e o prazer de o beber ajudam a que o dia seja inaugurado a preceito. Agora só bebo esse café por dia. 

Quanto à leitura: continuo (e continuarei, nem que seja intercaladamente) com a biografia do Herberto Helder. É daqueles que leio saltando frases de quando em quando. É uma overdose. É como se ele tivesse juntado referências, opiniões, recordações de outras pessoas, documentos, recortes de jornais relacionados, correlacionados e nem por isso e, no fim, tivesse vertido tudo para o livro, tudo, sem edição. Mas ouvi que, no original, era quase o dobro. Uma loucura, portanto. Mas, o que mais me chateia nem é isso: o que mais me incomoda é quando ele, o João Pedro George, volta e meia se pôe a inventar pensamentos para o Herberto Helder, admitindo que é provável que, naquelas circunstâncias, ele tenha pensado aquilo. Ora isso parece-me não apenas estulto como desnecessário, até descabido.

Bem. Isto está uma bela mescla de assuntos... É que estou a ver notícias enquanto escrevo. A macacada entre Trump e Musk é daquelas que há de dar filmes, séries, paródias, dramas, tratados de política, de psicologia, sei lá. Como só me dá para ligar o computador às quinhentas e me ponho a escrever às tantas, já perdida de sono, chego aqui e já me falta o pedal para desarrincar todo o muito que haveria a dizer. A ver se um dia destes tenho a pachorra suficiente para escrever o no blog a meio da tarde para me pronunciar sobre esta desconformidade. Entretanto, partilho um vídeo:

Donald And Elon Attend Couples Therapy


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Os meus limões andam a cair, estão pesados, maduros. Não apenas os aproveito para temperos e etc. como para servirem de modelos fotográficos. As rosas, já se sabe, estão sempre disponíveis para serem amadas, adoram pôr-se a jeito para uma sessão fotográfica
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Olhem, é isto.

Desejo-vos um belo sábado

sexta-feira, junho 06, 2025

Nem Montenegro, nem Trump nem Musk.
Hoje o tema é o meu cãobeludinho fofo que está com um problema aborrecido.

 

Volta e meia trocam-me as voltas. Pensava eu que esta quinta-feira, tirando um compromisso à tarde, teria um dia tranquilo. 

Estava eu ainda a digerir os alertas do Leitor a quem muito agradeço e cheia de receio pelos javalis, sapos, cobras e carraças quando constato que o nosso cãobeludo estava a lamber mais freneticamente do que antes uma qualquer coisa no quadril.

No domingo, tinha chegado da rua desencabrestado, como se tivesse que arrancar qualquer coisa ali naquele quadril. Não vi. O meu marido é que viu e pensou que ele tivesse alguma coisa ali presa no pêlo. Nessa manhã já tinha estado a puxar qualquer coisa de uma pata e tanto puxou e repuxou que acabou por tirar uma daquelas espigas maganas, ditas praganas. Pensámos que, fosse o que fosse, ele acabaria por também conseguir tirar. No domingo tivemos a maltinha toda cá em casa, uma animação, grande movimento e alta algazarra  -- por isso, não deu para lhe prestar grande atenção.

Na segunda-feira vimos que continuava a lamber-se ali. O meu marido disse que o pelo, naquele sítio, estava seco e duro, que, na volta, era outra vez resina. Esfrega-se em todo o lado e brinca com pinhas e, às vezes, fica com resina no pêlo. Demos-lhe banho. O meu marido disse que, se não saísse com o banho, tentava-se cortar ali o pelo. Mas, quando eu estava a lavá-lo, percebi que não era nada no pêlo. Tinha era um inchaço por debaixo. Ficámos intrigados. Pensámos que teria sido picado mas que, tal como acontece connosco, o inchaço acabaria por passar.

Entretanto, com as picardias com os cães do lado, andou sempre por fora, longe da casa, e admitimos que lhe tinha passado. 

Mas começou a comer menos. Nada de especial pois no verão tem sempre menos apetite. 

Só que hoje parecia mais murcho, mais por casa, pouco reguila, e sem tocar na comida.

De tarde, no jardim, o meu marido chamou-me para eu ver pois, com o pêlo molhado por continuar a  lamber-se ali naquele sítio, dava para perceber que havia ali um inchaço encarnado. 

Fui ver e não gostei do (pouco) que vi. Com o pêlo não dava para ver quase nada. Mas aquela pele encarnada e o inchaço causaram-me suspeitas. Fotografei. 

Mostrei a fotografia ao ChatGPT e descrevi o que se passava. Respondeu que poderia ser um abcesso, uma infecção, e que, dado que já estava assim há dias, deveríamos ir ao veterinário o quanto antes.

Claro que fomos. Mesmo que o ChatGPT não tivesse dito para irmos, iríamos pois estávamos a estranhar o sossego dele e não era normal aquele inchaço encarnado. 

Lá fomos. 

É sempre uma tourada. Temos que lhe pôr o açaime e o meu marido tem que o abraçar com toda a força para ele ficar imobilizado quando está na marquesa. Com a máquina, a médica tosquiou aquela parte. Quando vi o que estava por debaixo, fiquei mesmo incomodada. Inchado, já com pus, arroxeado, já com feridas de tanto lamber. Piedermite. Com o pêlo, não se via. Coitadinho. Como não haveria de estar incomodado...? Diz ela que deve ter sido qualquer coisa que o feriu ou picou e que de tanto lamber ali, certamente para se aliviar, a lesão infectou e espalhou a infecção. 

Desinfectou e tratou, deu-lhe uma injecção de antibiótico e outra de anti-inflamatório. E colocou o colar isabelino que ele, coitado, odeia. E agora, durante 7 dias, tem que tomar antibiótico e desinfectar e tratar duas vezes por dia. 

Um pesadelo. Vira-se, mostra os dentes, rosna, salta. Quando ponho o spray, que é frio (e, se calhar, lhe arde), fica possuído. Mesmo com a trela e com o colar, impõe respeito e dificulta muito o tratamento. 

Mas entre idas ao veterinário, à farmácia, tratamentos e outros afazeres, pouco consegui fazer daquilo que tinha pensado. Lá consegui ler o início do 'tijolo' que João Pedro George pariu sobre a vida de Herberto Helder. Provavelmente vai satisfazer alguma da nossa cusquice mas tomara que eu não sinta que estou a violar uma privacidade que o Poeta tanto se esforçou por preservar.

Fiz um vídeo que publiquei numa story lá no Instagram. Só que me distraí e o vídeo tem mais de 1 minuto. Ora ali, só se vê o que 'cabe' em 1 minuto. Por isso, não se ouve a parte em que eu dizia que, no capítulo dos últimos momentos do biografado, achava que o biógrafo inventou para ali umas cenas -- por exemplo, que ele, antes de morrer, olhou para as molduras e pensou nisto ou naquilo, o que, obviamente, é impossível saber -- se calhar para apelar ao sentimento. E isso desagradou-me. Também, no pouco que li, encontro carradas de referências desnecessárias, o que torna a leitura, nesses pontos, enfadonha. Mas estou no princípio. Por isso, não quero já fazer apreciações sobre a qualidade da obra. Até porque, assim como assim, quando acho que tanta conversa sobre a tia, a avó, a bisavó, a casa ou a loja é desnecessária, tenho bom remédio. Sigo adiante.

Mas, com isto, não vi tomada de posse nem coisa nenhuma. E, há pouco, ao ver o Eixo do Mal, deu-me a pancada e apenas fui vendo umas por outras. Por isso, não posso pronunciar-me sobre os temas da actualidade política.

Também não faz mal. Sabe-me bem, de quando em quando, dar-me algumas tréguas. Até porque tourada e da boa, à espanhola, é a que está a passar-se entre dois dos mais malucos de que há memória: Trump e Musk. Há pouco, estava a comentar com o meu marido, interrogando-me sobre como poderá um arranca-rabo destes acabar. Ele disse: 'Fazem as pazes.'. Talvez. Parece que meio mundo anda a voar sobre um ninho de cucos.

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Mais uma vez, as duas fotografias que ali acima coloquei foram feitas apenas com recurso à minha inteligência que de artificial tem muito pouco.

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Uma feliz sexta-feira