O Marcelo armou-se em bombeiro e saiu chamuscado. Quis ajudar o Montenegro e foi dizer ao jantar que estava tudo a correr bem, até a "coordenação era espetacular". Perante a evidência dos factos lá vieram, a muito custo, o Montenegro e a ministra afirmar que afinal "nem tudo tinha corrido bem". De facto, depois das catástrofes que aconteceram (entre outras coisas, fico pasmado com um dos incêndios ter durado 12 dias, parece-me quase inverosímil!), era impossível manter a tese de que tudo tinha corrido bem. Vamos ver se depois de uma análise independente da forma como actuaram os vários agentes não se chega à conclusão que, de facto, de facto, vendo bem as coisas, houve um colapso do sistema.
Para se resolver a crise a ministra anunciou a "chapa um" do governo quando há problemas: analisar os factos para "empurrar com a barriga" e deixar passar o tempo, e, entretanto, atirar dinheiro para cima. Parece-me até um pouco vexatório para os bombeiros, que todos temos por pessoas abnegadas e não venais, vir anunciar um aumento de 25% do salários aos que combateram na linha da frente. Para além de refletir a versão mercantilista do governo, põe a nu as vistas curtas da ministra e provavelmente do PM que não percebem que, em situações de crise, a retaguarda é tão ou mais importante que a linha da frente.
Mas nada de razoável se pode esperar destes governantes. Lá perdeu o Marcelo outra vez uma boa oportunidade de estar calado.
Hoje ouvi o Paulo Raimundo, que estava inspirado. Diz ele que há hoje uma "conjugação" das forças de direita em Portugal, e concretizou: a AD executa a política, a IL é a lebre ideológica e o Chega é o arrebanha. Ora apontem aí que esta é boa!
Não quero parecer tonta e insensível como o Montenegro, a banhos ou todo contente no Pontal enquanto o país arde e as populações gritam, entregues à sua sorte com o fogo a lamber-lhes e a devorar-lhes as terras. Mas, em minha defesa tenho o facto de que, ao contrário de Montenegro, eu não sou responsável por tomar medidas que previnam estas desgraças ou que, na presença delas, as ataquem. Ele é. E parece que anda às aranhas, sem saber o que fazer. Depois de tanto ter pregado contra António Costa e ter prometido resolver tudo e mais alguma coisa em três tempos, agora não apenas está tudo pior como não conseguimos ter confiança nos artolas que nos aparecem da parte do Governo. Maria Lúcia Amaral pode ser uma boa pessoa, uma boa professora e ter algumas coisas razoáveis no cv mas, caraças, não salta a olho nu que jamais poderia ser pessoa capaz para este ministério? Que experiência tem a senhora para lidar com catástrofes, que experiência tem em coordenar equipas distintas, para lidar com problemas complexos, no terreno? Não sei mas presumo que zero. Estamos entregues a isto.
Por isso, enquanto as televisões mostram Pedrógão de novo debaixo de fogo e outros céus rubros das labaredas e do fumo ardente, eu aqui estou a pensar nos meus amores e amorzinhos, tão queridos, tão alegres, todos boas pessoas. Cá estiveram e, como sempre, é aquela animação e aquele bom apetite que dá gosto. Os caranguejos gostam de alimentar os outros. Eu sou assim, o meu filho é assim, o meu pai era assim.
Entre parêntesis, confesso uma coisa de que não me orgulho, uma coisa que talvez indicie que a minha cabeça começa a desandar... Fiz uma empada de galinha, uma empada grande, familiar. Deu-me algum trabalho, claro. Quando pronta, não a retirei do forno para se manter quentinha. Depois preparei o resto, o meu filho veio para a cozinha e assumiu o comando, cozinhou escalopes e febras, preparou bifanas, e pitas, tudo saborosíssimo, juntei a isso, na mesa, o cheese naan, chamuças, etc, e é sempre aquele reboliço de se ajeitarem na mesa, de se servirem, de conversarem e rirem. E depois veio a fruta e o bolo e tudo certo, cantoria, fotografias. De repente lembrei-me: a empada! Ainda morninha, no forno... caraças...
No fim, quando saíram, lá a dividimos entre famílias, sempre a provam em casa, mas, bolas, como fui esquecer-me de uma coisa destas? Que absurdo... Enfim. Cabeça de alho cada vez mais chocho...
Mas, enfim, todos os males fossem esses. O que importa é que a convivência é sempre leve, bem disposta. E eu fico feliz por eles, por serem amigos, por gostarem uns dos outros, e por gostarem de estar cá em casa.
Ainda não contei mas no outro dia, estávamos in heaven, pergunta o mais novo, e já nem me lembro bem das exatas palavras mas foi qualquer coisa do género: 'Para quem fica isto quando vocês já não puderem tomar conta?' e depois, mais palavra menos palavra, disse que podia ficar para ele. Achei um piadão. Disse-lhe que já era o terceiro a candidatar-se. O mano dele depois dissertou dizendo que se calhar daqui por uns vinte anos eu e o avô já não poderíamos tomar conta, que ele poderia ocupar-se disso. São inteligentes, percebem que uma coisa assim tem que ter quem se ocupe dela, dá muito trabalho, e, de facto, eu e o avô já não vamos para novos, chegará a altura em que não daremos conta do recado. Fico contente por sentir neles este amor a este bocado de terra, enche-me de felicidade, talvez continue a ser um lugar no coração deles e de vindouros que nem conhecerei mas que, de alguma forma, ainda transportarão algum do meu sangue, um lugar de paz que os animais também procuram, em que nasce tudo em todo o lado, em que o ar transporta a liberdade dos grandes espaços.
Felizmente não somos eternos e, quando chegar a minha vez de sair da passadeira rolante que é a vida, já cá não estarei no day after para lamentar isto ou aquilo. Mas, apesar disso, alegra-me pensar que talvez entre eles se organizem para continuarem a usufruir de um espaço tão rural, tão selvagem mas, ao mesmo tempo, tão acolhedor.
E estava eu aqui a ver as fotografias de hoje, a pensar nisto, a pensar nos meus cinco pimentinhas, agora já tão grandes e sempre tão queridos, resolvi espreitar o youtube.
E pimbas, apareceu-me este vídeo que aqui partilho. Uma delícia, uma fofura, a graça da descoberta, a graça da inocência.
O elefante bebé Chaba pela primeira vez numa banheira
Depois do desastre que está a ser a atuação do governo nos incêndios (a manchete do Expresso é demolidora não só para o governo como também para a "coordenação espetacular" do Marcelo), o Montenegro vem com a única solução que conhece que é atirar dinheiro para cima dos problemas. E assim tem "torrado" e vai continuar a "torrar" dinheiro que devia ser gerido de forma diferente , equilibrada e conducente a desenvolver o País.
Mas o Luís e a rapaziada do governo não sabem nem aspiram a tanto. Quando perceberam que a 'malta" estava irritada com as festejos laranja no Pontal, com a permanência a banhos do Luís e com a ligeireza, o distanciamento e a falta de discernimento com que o Luís & Companhia (entende-se por Companhia os membros do governo e a malta do PSD de onde se destaca o dono deles todos, o Hugo Soares) encaram o problema dos incêndios, reuniram um conselho de ministros e anunciaram 45 medidas obviamente escritas em cima do joelho.
Até conseguiram inserir no pacote (sem segundo sentido, obviamente), que se saiba até agora, uma medida já em vigor desde 2022 (serão mais?). É obra!
Basicamente as medidas são dar dinheiro a rodos sem justificativos e não se percebendo quais os critérios. Assim, se tentam acalmar os ânimos, fazendo chegar dinheiro à população através das câmaras (vamos ter autárquicas, certo?) na esperança de que a coisa funcione e o voto vá parar ao laranjinha lá do sítio.
Hoje também ouvi que o governo vai adiantar às associações humanitárias até cinquenta mil euros sem qualquer justificativo. O argumento é que têm tido muitos gastos. As perguntas são: então não fazem orçamentos? Não preveem os gastos? Também fazem tudo em cima do joelho? O dinheiro público deve ser gerido com parcimónia e parece-me muito duvidoso que o mesmo seja gasto sem justificativos. Veremos a quantos processos judiciais vai dar este forrobodó.
Outro tema. Tenho aqui criticado ferozmente o Luís e a Ana Paula (parece um duo de malabaristas) pela política de saúde que têm praticado. Gastos e mais gastos, serviços de saúde cada vez piores com o objetivo de aumentarem o mais possível a participação (e faturação) dos privados. Hoje venho apoiar a medida que vão tentar por em prática para pôr cobro ao que aqui já referi várias vezes: os médicos abandonarem o SNS para trabalharem como tarefeiros ou acumularam o contrato com o SNS com a prestação de serviços como tarefeiros. Pode ser uma medida que garanta alguma transparência na contratação dos médicos. No entanto, ninguém se deve esquecer que o enorme aumento dos custos com os tarefeiros (com este caminho ainda temos o Gaspar de volta) resultou do enorme aumento no valor do pagamento das horas aos tarefeiros que a ministra decidiu para tentar tapar o sol com uma peneira, isto é, não ter urgências fechadas. Mais um dinheirão "torrado"!
Tenho dúvidas e vou deixar algumas sobre o objetivo da ministra e do Luís. Depois de aumentar tanto os valores pagos aos tarefeiros (tanto que puseram os cabelos em pé aos privados, a quem os ditos tarefeiros pressionam para que os privados também subam a parada), agora de repente quer tirar o tapete aos doutores? Será que os médicos vão acatar esta medida, tipo cordeirinhos, ou vão para a "luta"? Será que os amigos da ministra que foram colocados em lugares de chefia (e que, se calhar, alegadamente, também complementam os salários com o serviço de tarefeiros -- assunto que deveria ser averiguado) vão achar piada a esta história? Será que mais uma vez o objetivo da ministra e do Luís é dar mais uma machadada no SNS, "correndo" com os médicos para os privados?
Muitas empresas incorporam anualmente nas suas hostes os denominados "trainees". É rapaziada recém formada, ou em vias de o ser, na qual a empresa encontra potencial para, se as coisas correrem bem, virem a fazer parte dos quadros.
Hoje o Marcelo comentou os recentes disparates da ministra da administração interna (mai) que, como a anterior, tem demonstrado que não tem competência para desempenhar o cargo. Disse o PR que a ministra não conhecia os problemas e que tinha ainda muito que aprender, que ainda anda a descobrir os cantos à casa, etc., Resumindo, que é uma trainee.
Percebe-se a subtileza do PR: não quis dizer que a ministra é uma trainee, era chato para a ministra, para ele e para o Luís, pelo que preferiu elaborar um pouco e não dizer a 'coisa" de chofre.
Como é possível que o Montenegro tenha escolhido e o Marcelo tenha aceitado para o cargo de MAI alguém completamente inexperiente e sem conhecimentos técnicos nos domínios de atuação do ministério? Será que admitiam que a senhora iria ter tempo para aprender? Esqueceram-se que com as previsões das vagas de calor para o verão e com o tipo de tempo que tivemos no inverno e na primavera a situação no verão ia ser muito difícil e era preciso alguém experiente e conhecedor para o cargo? O desastre que tem sido o desempenho do cargo pala ministra resulta naturalmente de incapacidade da própria, de falta de discernimento do PM e da incoerência e hipocrisia do PR. A demissão da MAI e da ministra da saúde são urgentes. Não aconteceram é falta de respeito para com os Portugueses.
Nota: muitos dos comentários que nos são dirigidos pelo pessoal da direita são generalidades sem substância de quem não tem argumentos e só sabe atirar as habituais bolas "para o pinhal". Também é hábito referirem o José Sócrates, o que é uma história com barbas. Em vez de virem sempre com as mesmas requentadas alusões, sugiro que defendam as políticas do governo e refiram os sucessos que o "querido" Luís conseguiu. O problema é que isso é difícil, muito difícil, nada haveria para dizer, pois não?
Depois de um dia belamente preenchido, quando ficámos sozinhos, à noite, ainda fomos fazer a nossa caminhada. E depois estive a tratar de uns assuntos e só agora me despachei. Como ainda por cima não posso levantar-me tarde, agora tenho que abreviar.
Caso tenham a possibilidade de me seguir também no Instagram (ao que eu cheguei... eu sempre tão contra as redes sociais...), poderão saber que tenho andado aos figos, barrigadas deles. Passo por perto de uma figueira e, mostrando que a minha vocação para o sacrifício é muito limitada, atiro-me aos figos com uma gula que não tem perdão. Vivo in heaven mas o meu heaven não é o paraíso das beatas elegantes, o meu heaven é um lugar em que se pode pecar à vontade e comer até não poder mais.
Poderão também saber que parece que os coelhos estão de volta. Uma felicidade.
E ainda não vos contei mas no outro dia tive uma ideia que o meu marido abraçou com todas as mãos de que dispõe: pedirmos um parecer a um paisagista. Com a queda de cedros quando foi o vendaval Martinho, consultámos uns experts que nos disseram que os cedros são frágeis perante situações adversas como as ventanias pois as suas raízes são superficiais e, ao crescerem muito em altura, ficam com uma fraca base de sustentação. Então o que fazer? Deixara que caiam? Ou agir antecipadamente? E substituir por que outras árvores? Também há o caso das laranjeiras que querem mais água do que a que lhes podemos dar. Arrancamos? Colocamos lá o quê? Suculentas gigantes? E há o mato que não sabemos se é bom e útil para manter o solo fértil e faz sentido ou se deve ser arrancado sistematicamente (rosmaninho, alecrim, sálvia, tomilho, etc) pois, ao secar, pode tornar-se perigoso. Em suma, que ordenamento do nosso pequeno território deve ser feito para que aquilo seja auto-sustentável, seja equilibrado, requeira pouca ou quase nenhuma manutenção, fique esteticamente agradável. É que, ainda por cima, tudo rebenta por todo o lado. Folhados, por exemplo, aparecem por todo o lado. Na serra da Arrábida, por exemplo, crescem espontaneamente, são verdinhos, são bonitos. Mas aquilo é serra, é suposto estar florestado 'selvaticamente'. Será que devemos deixar que também ali, no nosso terreno, a natureza se imponha?
Ou seja, acho que está na altura de obtermos aconselhamento especializado.
Poderia agora fazer a ponte para falar da desgraça dos incêndios, da aflição das pessoas que se veem cercadas pelo fogo, impotentes, assustadas. E poderia referir que têm razão para estar assustadas (aliás, temos todos razão para termos medo: medo de precisarmos de uma ambulância e não aparecer nenhuma, medo de irmos parar às urgências e não haver médicos, medo de nos vermos rodeados por fogo e não aparecerem bombeiros -- pois nem as ministras das respectivas áreas dão uma para a caixa, só fazem porcaria, nem o primeiro-ministro tem a humildade de pedir desculpa aos portugueses que enganou ao prometer resolver tudo em meia dúzia de dias ou de meses e, agora, contatarmos que não apenas não resolveu nada como estragou ainda mais o que encontrou). Mas não vou dizer nada pois são quase três da manhã e eu já deveria estar a dormir.
Para quem apoia o Montenegro e também, claro, a quem o critica sugiro que tentem ver um vídeo que circula nas redes sociais em que se comparam duas intervenções do Montenegro sobre os incêndios (a minha mulher mostrou-me uma story na conta de Instagram do Miguel Prata Roque). O que se constata é que o que o Luís disse em 2022, quando era oposição, é exatamente o contrário do que disse agora quando falou dos incêndios. É mais uma confirmação da falta de ética e de honestidade moral do Luís.
Como é possível que, numa questão tão dramática como são os incêndios (e este ano, até à data, a área ardida já é 17 vezes mais do que a de 2024!), diga uma coisa e o seu contrário só para ganhar ou para não perder votos?
E a populaça parece que não percebe esta falta de rigor e esta indecência de o Luís (qual Trump) só dizer o que lhe interessa -- não o que é verdade.
Claro que está bem acompanhado pelo Marcelo que nestas questões é professor catedrático.
Quando ouvi as declarações da ministra da administração interna sobre os meios alocados para combater os incêndios fiquei ainda mais surpreendido com a evolução dos incêndios. A ministra afirmou que tem meios ilimitados para combater os incêndios e mesmo tendo uma jornalista sugerido que tinha sido um engano, que ela teria querido dizer que os meios eram limitados, manteve a afirmação. Estamos bem servidos com esta ministra. Também é uma coisa para que o Montenegro tem jeito, é escolher os ministros. Os expoentes máximos de acerto nas escolhas são as ministras da administração interna e a ministra saúde.
O Montenegro é um "espectáculo" populista e sem conteúdo que se aproveite.
A silly season dá cabo da malta. Que o diga o Marcelo a quem manifestamente o sol de Monte Gordo não trouxe melhoras. Ir anteontem fazer de bombeiro privado do Luís (segundo o Valupi, com base em artigo do Público) e dizer que a coordenação no combate aos incêndios tem sido "espetacular" dá que pensar.
Estando perante uma das piores semanas de sempre de incêndios, o que teria acontecido se a coordenação tivesse sido um bocadinho menos "espetacular"? Boa presidente Marcelo, boa!
Semelhante a esta só aquela do Marcelo que não ia falar da saúde porque a ministra tinha prometido resolver os problemas.
Silly season é uma coisa, hipocrisia é outra coisa. E a conjugação de uma com a outra dão um produto chamado Marcelo.
A ministra da administração interna também foi afetada pela estação que atravessamos. Informou o País que não se demite porque há dois meses fez um juramento de lealdade. Ele há cada justificação! Fica no cargo não porque tem dotes políticos, conhecimentos técnicos, capacidade de gestão, uma política para o setor,...? Não, fica no cargo porque jurou lealdade e leva esta coisa da lealdade a sério.
Se está justificação fizer "jurisprudência", estamos tramados, nunca mais nenhum governante se demite.
Quanto ao Luís, lá esteve na festa dos laranjadas. E não me pronuncio porque não ouvi o que ele disse no Pontal. Para mim um mentiroso é sempre mentiroso, e o Luís...
O que aconteceu ontem é mais uma vez inacreditável e põe Portugal no mesmo patamar que os países mais pobres que não se preocupam ou não têm condições para se preocupar com a saúde dos cidadãos. Uma mãe ter um bebe à porta do supermercado no centro de uma cidade, sendo o parto assistido pelo avô, porque ninguém atendeu no SNS24, é motivo mais do que suficiente para a ministra se demitir e o primeiro-ministro, no mínimo, pedir desculpa pelo estado a que deixou chegar a saúde em Portugal e deixar de tratar os portugueses com a arrogância habitual.
Mas o ridículo é tão grande que hoje ouvi na SIC a secretária geral da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia referir, à laia de desculpa, que a parturiente teria tido um parto muito rápido e isso também tinha contribuído para que o nascimento tivesse sido na rua. Fiquei a ouvir expectante, julgando que teria sido uma coisa de minutos. Não, segundo esta senhora foi um parto que terá demorado duas horas! Então, em duas horas não conseguiram fazer chegar uma ambulância ao local...? E agora alguém desvaloriza o problema com um parto rápido...! Haja dó que não há pachorra para tanta falta de honestidade intelectual.
Ontem o presidente do sindicato do INEM referiu que 20 por cento das chamadas são perdidas. Como é possível isto acontecer? A saúde tem piorado de dia para dia. Os resultados dramáticos da greve no INEM, os problemas com os helicópteros, o aumento dos custos sem quaisquer melhorias no sistema, as urgências fechadas, as parturientes a terem os bebés nas ambulâncias (e agora até no meio da rua!), a falta de controlo dos gastos, os valores milionários que os médicos recebem quando trabalharam como tarefeiros ou fazem cirurgias fora do horário de trabalho, o regabofe das nomeações para as administrações das ULS... são o estado a que isto chegou como resultado da política deste governo. Já passou o período dos 60 dias que prometiam, já passaram os seis meses que , a seguir, prometiam -- só o que não passa é a ministra nem a falta de vergonha do PM.
De cada vez que acontece um escândalo e já se está a perder a conta aos que já aconteceram (e, por muito, muito, menos que isto já uma ministra da Saúde se demitiu), o que faz a incompetente ministra? Um inquérito. Não sei quantos inquéritos já ela mandou instaurar. Uma acumulação de inquéritos. Depois, ou não se sabe quais as conclusões desses inquéritos ou, quando se sabem, são desvalorizadas. De uma maneira ou de outra, a ministra chuta para canto. E o Luís, como sempre, assobia para o lado.
E hoje veio o Marcelo dizer que não se pronuncia porque a ministra prometeu que tudo ia fazer para resolver os problemas. Vá gozar com a prima. Então quando se pronunciava sobre tudo e todos em questões de muito menos gravidade era porque os ministros prometiam que não iam resolver os problemas...? Vá mas é dar uma volta ao bilhar grande porque já não se consegue tolerar tanta hipocrisia.
Mudando de assunto, a questão dos incêndios também revela a incapacidade do governo para planear e resolver os problemas. Os incêndios este ano têm sido uma calamidade, a área ardida aumentou 8 vezes, e agora soubemos que os Canadair estão inoperacionais, o que tornará o combate aos fogos mais difícil. O PM partiu a banhos para o Algarve e demonstra estar-se nas tintas para o assunto (será que vai haver um clamor de indignação semelhante ao que aconteceu com o Antonio Costa quando alguém, maldosamente, lançou a notícia falsa de que ele estava de férias quando ocorreram os incêndios?). Curiosamente os bombeiros têm estado pouco reinvindicativos e o próprio presidente da liga, tão crítico em anos anteriores, agora anda manso como um cordeirinho. Será porque o governo fez com os bombeiros o que fez com outras corporações, isto é, atirou dinheiro para cima dos problemas...?
O que aconteceu com os professores e os colocou num patamar de privilégio relativamente ao resto da populaça, o que parece estar a acontecer nas FA, o que se passou com as polícias, os aumentos na saúde e etc... são bem exemplo do que é torrar dinheiro sem qualquer efeito positivo para a maioria da população e tendo apenas como objetivo garantir votos.
Quando não houver dinheiro para distribuir o que irá fazer a rapaziada do governo?
O governo, para agradar aos patrões e sem ter noção da realidade, incluiu na proposta de lei da legislação laboral limitações ao direito das mulheres amamentarem os seus filhos. A ministra defendeu convictamente que havia muitos abusos. Azar do costume, vi hoje na SIC que não existem autos dos inspetores sobre incumprimentos das mulheres que estão a amamentar. Já o contrário é verdade. Existem dezenas de autos levantados a empresas que não respeitam os direitos dos seus trabalhadores. Se todos os ministros que mentem fossem corridos, haveria remodelações dia sim, dia sim, e o Montenegro há muito tempo que tinha sido remodelado.
Outra alarvidade do governo é que para se limpar da manifesta incompetência que tem demonstrado na questão dos incêndios -- já ardeu este anos 8 (oito!) vezes mais área que o ano passado --, veio, através do ministro, anunciar que daria dinheiro a quem tinha tido prejuízos e que até dez mil euros não era necessário comprovativo porque as burocracias são uma chatice. Não sei quem vai validar o pagamento mas, se forem as câmaras municipais em ano de autárquicas, muita água pode correr debaixo da respectiva ponte. De qualquer forma, o dinheiro dos nossos impostos não é para ser desbaratado: é para ser bem empregue, e tenho muitas dúvidas que este processo vá ser exemplar. Parece-me mais uma medida populista do governo em ano de autárquicas e, provavelmente, os municípios onde tem havido mais fogos têm uma cor alaranjada.
Outro assunto: o TC chumbou a lei dos estrangeiros. Afinal não vale tudo para agradar à extrema direita, como o Montenegro imagina. Ainda há uma ou outra instituição que existe para fazer cumprir a lei. Vamos lá ver como é que a rapaziada do governo vai tentar dar a volta ao texto. Não se esperam novidades, a coisa vai continuar a cheirar a bafio.
Para terminar, um aparte: o Paulo Núncio é provavelmente o tipo mais execrável que aparece regularmente na televisão. Qual a razão para termos de levar com tal beata de sacristia com tanta frequência? Eu, por mim, mudo logo de canal.
Quando refiro a enorme incapacidade do governo para resolver os problemas do País e a falta de ética com que governa logo vêm os comentadores encartados da direita, seguindo as passadas do chefe-máximo da falta de seriedade democrática (também conhecido por PM), dizer que o pessoal de esquerda "não tem humildade" e que não respeita o voto dos portugueses.
É claro que os portugueses votaram à direita, mas não será por causa disso que não se devem apontar os erros do governo. O governo não resolveu -- e tinha prometido resoluções milagrosas num curtíssimo prazo --, os problemas da habitação, da saúde, da educação, da justiça e do combate aos incêndios que tanto criticaram no tempo do governo PS.
Pelo contrário, nestas áreas, os problemas agravaram-se, como já foi aqui várias vezes referido.
Hoje, por exemplo, com o drama dos incêndios ocorridos nos últimos dias, vi uma notícia na televisão onde o "pintas" do presidente da liga dos bombeiros se reunia com o secretário de estado para falarem sobre a estrutura e os meios de combate aos incêndios. É absolutamente de loucos. Agora que os incêndios alastram no País é que têm estas discussões. Inacreditável -- mas na linha da atuação do governo. Finge que está a resolver os problemas mas, notoriamente, não tem capacidade para antecipar os problemas e para apontar as soluções atempadamente.
A falta de ética do governo, que compara com falta de ética do PM no caso Spinunviva, voltou a atingir o inexplicável patamar já o ano passado alcançado, com a devolução dos valores correspondentes ao 'acerto' de IRS resultante da descida das taxas. O mesmo aconteceu o ano passado. Não se percebe qual o racional que justifica as diminutas taxas dos meses de Agosto e de Setembro, sem relação com as novas taxas a aplicar a partir de Outubro. Mais parece um adiantamento por conta do acerto de IRS a declarar para o ano. Parece-me que só existe um racional possível que se chama comprar votos.
Pode o governo dizer, olhando-nos olhos, que esta 'benesse' não tem nada a ver com as eleições do início de Outubro?
Pode dizer que é diferente, no essencial, do que foi feito pelo Musk na campanha do Trump? Como uma pequena mas significativa diferença: o Musk assumiu publicamente que estava a dar dinheiro para esse fim, enquanto o governo finge que está a devolver dinheiro, "esquecendo-se" de referir que o vai recuperar no próximo anos.
Assim como assim, talvez o descaramento do Musk seja mais transparente.
Em democracia não deve valer tudo. É por isso que devemos apontar os erros do governo e não ficar manietados porque a malta votou â direita. No tempo da ditadura houve sempre "alguém que disse não" e vimos depois do 25 de Abril que, na generalidade dos casos, eram e são pessoas de grande valor. São um exemplo.
Entre sexta e sábado foi limpeza a fundo: os outsides todos varridos e lavados e esfregados, nos interiores, spray de cera de abelhas nas madeiras, limpeza de vidros, tudo sacudido, limpo, lavado, spray de lixívia em uniões e juntas das casas de banho e todo um vasto etc. e etc.
Fomos também ao supermercado da vila onde têm carnes excelentes. Também costumam ter bons peixes e afins mas não tinha o que eu queria (choquinhos pequeninos para fazer com tinta). Pena o senão do vagar das empregadas que conversam com os clientes que conhecem. Uma pessoa desespera sem saber quando é que a confraternização vai acabar. Mas ninguém parece ter pressa. Olho em volta e vejo toda a gente na boa, à espera. Parece que só eu é que ainda não aprendi a aguardar serenamente.
Este domingo foi dia grande, desde cedo a maltinha toda reunida in heaven. Corte de árvores, queima. Um avanço na limpeza que foi um gosto. Tanto o trabalho que um dos jovens trabalhadores até andou, parte do tempo, em tronco nu.
E o mais pequeno já anda de bicicleta que dá gosto, por lá anda, sozinho, em caminhos estreitos, subidas, descidas, curvas. E os mais crescidos fizeram corridas de trotinete e depois todos jogaram ao Monopólio para Batoteiros, coisa que dá muita luta e que até levou à expulsão do batoteiro-mor....
E o almoço foi um regalo, com o meu filho, uma inesgotável força de trabalho, que, depois de serrar, carregar, queimar, se atirou ao barbecue.
Dia maravilhoso. Frio mas, ao sol, suportável. E em casa bem.
Mas vinha eu a pensar que já o meu pai, que era caranguejo, adorava cozinhar e ter-nos lá todos em volta da mesa. E eu e o meu filho também somos assim. Claro que o meu marido e a minha filha e a minha nora também gostam tal como a minha mãe também gostava, são todos muito bons anfitriões. Mas creio que não há aquela 'coisa' muito intrínseca de queremos dar de comer aos 'outros', parece que queremos ter a certeza de que se alimentam bem e de que temos aquilo de que gostam, 'coisa' essa que esses 'outros' nem sempre compreendem ou aceitam bem.
Pois agora, ao ver a Madame le Figaro, vejo um artigo em que se fala na relação de cada signo com a gastronomia. Transcrevo a descrição de como é o Caranguejo. Por mais surpreendente que possa parecer para alguns, supostamente existe uma ligação entre a astrologia e a gastronomia. A astróloga Amélie Weill fez dela o tema do seu primeiro livro, Astro food (Éd. Flammarion). E, segundo ela, as sete estrelas da constelação em forma de panela da Ursa Maior seriam o sinal supremo.
Caranguejo
O Caranguejo, o primeiro signo de água do zodíaco, leva-nos ao território das emoções. O que mais gosta é de unir as pessoas e fazê-las felizes. O Caranguejo preocupa-se com os outros e, para ele, a comida é cuidado. Atento, adivinha e antecipa as necessidades de todos, e até se questiona porque é que os outros não fazem o mesmo... Em suma, não se limita a cozinhar, coloca amor em tudo o que faz.
A sua fantasia secreta? Vivendo numa antiga casa de pedra, rodeada por um magnífico jardim e repleta de amigos e crianças, todos se reuniam à volta de uma mesa para saborear os bolos da avó, desde mil-folhas gourmet a tarte de mirtilos acabada de sair do forno. O pequeno guilty pleasure alimenta a sua vida diária... E se não gosta do que ele lhe preparou, não lhe diga, nem use luvas de pelica. A cozinha é como uma família, não se lhe toca!
Só neste último aspecto é que não me revejo: não me importo que critiquem. Aceito bem críticas, reprimendas e sugestões. Claro que nem sempre as sigo (porque, como é óbvio, há coisas que são mais fortes que eu) mas, enfim, esforço-me e não levo nada a mal, até agradeço.
E a todos os que têm memória e dois dedos de testa, peço que façam um exercício de comparação entre Constança Urbano de Sousa e esta senhorita que não apenas deixa que roubem computadores das suas instalações (não apenas do Ministério como agora também, mais recentemente, de um armazém da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR, em Santos, Lisboa) como notoriamente, a propósito dos incêndios, a única coisa que sabe fazer é um relato póstumo sobre números (bombeiros, carros, aeronavesnvolvidos nas operações). Para além disso, diz que não comenta. Por muitas perguntas que lhe façam, ri-se com ar meio atoleimado e diz que não comenta.
Ouve-se a senhorinha e fica-se com a sensação de que não pesca nada de nada de coisa alguma e não apenas isso como anda em estado de desnorte, sem sequer saber o que anda a fazer.
E fica-se com a noção de que a esta senhorinha bem como ao seu chefe, o Rambo de Espinho, nem lhes ocorre pensar na gestão dos incêndios, no que deve e não deve ser feito para os prevenir, para os controlar. Julgam que o problema se restringe a algumas pessoas terem tido comportamentos pirómanos? Serão tão básicos, tão limitados, tão ignorantes?
E anuncia a criação de grupos que, afinal, já existem? Que ridículo. Que reincidência.
Tudo isto é desconcertante, embaraçoso.
Marcelo Rebelo de Sousa que foi indesculpavelmente injusto para ministros tão válidos de António Costa, agora enfia a viola no saco e deixa que tantos erros de casting estejam a ocupar cargos críticos no país?
Temos um governo que, como disse o Marques Mendes 'até agora só passou cheques e baixou impostos' (obviamente que estava a incluir a baixa de impostos decidida pelo PS), um primeiro-ministro que julga que é o Rambo e um PR que é o pior dos últimos cinquenta anos como afirmou o José Miguel Júdice.
De facto, não parece haver razões para optimismos. Os que votaram AD acreditando no que o Montenegro disse na campanha eleitoral -- e rapidamente se percebeu que existe uma enorme diferença entre o que ele disse em campanha e o que (des)disse quando chegou ao governo -- não devem estar satisfeitos.
Este Verão, nas áreas em que a comunicação social e a AD mais criticaram o governo do PS e fizeram crer que tudo se resolveria com a mudança do governo, a situação piorou.
Na Saúde, a ministra, incapaz de assumir qualquer responsabilidade e originando conflitos desnecessários, criou o caos. Fecharam muito mais urgências e, no caso da pediatria e da obstetrícia, a situação tem sido desastrosa.
Na área da Justiça assistimos estupefactos à fuga, em pleno dia, de cinco presos usando escadas e lençóis, pasmámos com a demora com que a informação foi transmitida às forças de segurança e quase arrancamos os cabelos quando nos informaram que o mandado de captura foi emitido oitenta e três horas depois da fuga. A ministra apareceu passadas alguns dias culpando os serviços, falando em inquéritos mas não se pode dizer que, para variar, tenha assumido qualquer responsabilidade politica. O costume.
Na Educação, o regresso às aulas foi o que se viu. Dezenas de milhares de alunos sem professores e o PR a dizer que não percebia qual a razão de concurso extraordinário (?) ainda não ter sido lançado. Há um ano o Montenegro dizia que, para não haver problemas com o 'início das aulas', bastava mudar de governo.
Montenegro foi para primeiro-ministro e os problemas aumentaram.
Com a coerência que lhe é reconhecida, agora afirma que para resolver os problemas com a falta de professores é preciso uma legislatura. De novo, o costume.
Após várias anos em que felizmente a situação com os incêndios foi menos gravosa, nos últimos dias o País passou por situações terríveis. E faço notar que estranhei não ter havido uma presença da MAI nos media nem que fosse apenas para termos a certeza que existe e que não serve só para passar cheques aos policias, e isto independentemente de haver um conjunto de causas que também contribuem para a situação, nomeadamente atividades criminosas, desleixo das pessoas ou condições climáticas,
No meio da incapacidade dos diversos ministros, temos um PM/ Rambo que se faz fotografar em botes de borracha (uma atuação absolutamente inqualificável) e que refere, passando um atestado de incompetência aos serviços, que foi ele que, num acesso à autoestrada quando viu o fogo, mandou cortar estradas e contactou as autoridades locais (só alguém que não tem nenhuma noção de como se actua nestas situações pode ter proferido estas afirmações) e que, de punho cerrado, ameaça perseguir os criminosos que ateiam fogos qual justiceiro desrespeitador da lei.
Até o André Ventura fez comentários menos tendentes a originarem atitudes irrefletidas por parte da população. Com este discurso do PM corre-se o risco da população tentar fazer justiça pelas próprias mãos. Tomara que uma notícia que li agora de que um grupo de 20 populares perseguiu e ameaçou de morte uma mulher, incendiando-lhe a casa, não seja já fruto disso.
No intervalo, o PM vai desdizendo tudo o que disse quando era candidato a presidente do PSD sobre a aprovação do orçamento. Nessa altura referiu que jamais aprovaria um orçamento do PS. Agora pede ao PS que aprove o orçamento e que não faça o País cair numa crise política, embora, dia sim, dia sim provoque o PS e tente humilhar a oposição. O PM é capaz de afirmar com a mesma convicção uma coisa e o seu contrário (foi assim com a baixa de impostos, com a resolução dos problemas do SNS em sessenta dias e com o início do ano escolar sem problemas). Para além desta incoerência ainda é capaz de utilizar situações dramáticas para fazer política, o que deveria ser motivo de penalização por parte dos portugueses. Não tem perfil para PM.
E o PR, tão contundente para com o Governo de António Costa nos incêndios de 2017, o qual, segundo os especialistas, ocorreram em situações mais gravosas que as actuais, agora, quando a situação também não correu bem, só sabe apoiar o governo e nem consegue proferir qualquer critica. Ainda bem que está quase a chegar som fim do mandato.
Não se pode esperar nada de bom destes protagonistas.
PS 1 -- Por curiosidade, recomendo que se veja o CV do Secretário de Estado da Protecção Civil (advogado, presidente da distrital de Setúbal do PSD, com experiência num cargo qualquer do Vitória de Setúbal, num Centro de Emprego durante um Governo PSD, deputado, vereador em Palmela, etc). Ou seja, do que se vê, conhecimentos de Protecção Civil: zero.
PS: Uma coisa me espanta: não ter visto o Montenegro na Ponte 25 de Abril a chefiar os agentes policiais que detiveram os assaltantes da ourivesaria de Fátima.
Da próxima vez que for a Fátima bater no peito e pedir desculpa pelos seus inúmeros e imperdoáveis pecados, não se esqueça de pedir perdão pela brutal injustiça, pela injustificável falta de solidariedade e pela vergonhosa desumanidade que, em 2017 e em idênticas circunstâncias, demonstrou para com a ex-Ministra Constança Urbano de Sousa.
E só espero, Senhor Presidente, que, tal como eu, os portugueses em geral também tenham memória e, também tal como eu, não tenham a capacidade de perdão de Nossa Senhora de Fátima que, de resto, também já deve estar pelos cabelos de o ver sempre a pedir batatinhas, reincidindo a seguir na leviandade, no cinismo, no oportunismo político.
O mínimo que podia fazer, o mínimo, seria apresentar um público pedido de desculpas a Constança Urbano de Sousa. O mínimo.
Enquanto noutros países chove que deus a dá, levando tudo à frente, um dilúvio que deixa toda a gente assombrada com a tenebrosa força bruta das águas, por cá está como se tem visto, o fogo inclemente a devorar florestas, matos, casas, carros e, infelizmente, também algumas vidas -- humanas e, mais do que provavelmente, também não humanas.
O calor de brasido, a raiva furiosa das chamas que avançam a uma velocidade medonha, tudo é um pavor.
Por muito que se queira encontrar culpados próximos (e há-os certamente, em primeiro lugar os criminosos que ateiam os fogos), creio que não restam dúvidas de que estamos às portas do mundo que nos espera, em especial as gerações que nos seguirão.
Medidas estruturais, de fundo, disruptivas, terão que ser levadas a cabo para tentar travar estas alterações no clima pois eventos extremos de calor, de vento, de chuva não podem ser apaziguados com lenitivos.
A woman next to her home in Covelo, Gondomar, northern Portugal. Photograph: José Coelho/EPA
Com os fins de semana passados no campo, com a família toda de férias, com o trabalho a continuar, tentando retomar o hábito da leitura e estando em fase de dar início a uma nova actividade, ando como que em suspenso sobre a realidade. Pouca televisão tenho visto e o interesse que 'as gordas' me despertam é muito relativo.
Entretanto. hoje a temperatura baixou um pouco e disseram-me uns familiares que, de tarde, entre Coimbra e o Porto, apanharam alguma chuva. Menos mal. Nada do que é preciso mas, pelo menos, não agravou a triste situação de seca prolongada.
Claro que a situação dos incêndios melhorou. Mas houve dias em que se olhava para o mapa dos fogos e havia chamas por todo o lado.
No meio desta situação dramática, em que parte do país arde, duas coisas parece terem provocado uma excitação colectiva, pelo menos junto da oposição mas, estou em crer, também junto das redes sociais: a Secretária de Estado Patrícia Gaspar ter revelado que, de acordo com os algoritmos, seria expectável que a superfície ardida fosse maior em cerca de 30% e a afirmação de Mariana Vieira da Silva sobre as melhorias que espera que ocorram depois do plano que o Governo tem para a recuperação da Serra da Estrela.
Quando leio algumas reacções, geralmente por parte de gente muito burra que fala como se fosse muito inteligente, fico irritada.
Explico porquê.
Sobre o algoritmo:
Mal fora que, perante a avassaladora progressão de sinais de que as alterações climáticas já cá estão e vieram para ficar, com consequências muito complicadas, ninguém tivesse criado modelos de previsão e análise de impactos. Mal fora. O que se espera é que geógrafos, biólogos, zoólogos, matemáticos et al se juntem em equipas de trabalho e criem algoritmos que apoiem os decisores. Com medições localizadas e linhas de tendência para temperaturas, para níveis de humidade no ar, no terreno, na vegetação, índices de florestação, homogeneidade das culturas, com indicadores reais e previstos para a velocidade do vento, etc., não será difícil prever a extensão e velocidade de propagação dos incêndios caso se verifique a pouca sorte de haver a primeira chama, a infeliz faísca, a inoportuna brasa.
O facto de Patrícia Gaspar falar nisto apenas me tranquiliza. Não estou tranquila quanto ao desastre das alterações climáticas nem quanto à dificuldade de aceder a alguns locais em que os fogos avançam imparáveis. Estou tranquila é com o facto de haver algoritmos para modelizar esta triste e perigosa realidade e termos governantes que valorizam os bons algoritmos como ferramenta de apoio à decisão.
Sobre a afirmação de Mariana Vieira da Silva:
Mal fora que, perante a destruição a que se assistiu na Serra da Estrela, havendo a oportunidade de mitigar os riscos e melhorar as condições de prevenção e combate aos incêndios, tal não fosse aproveitado. Introduzir espécies vegetais mais resistentes, florestar de forma racional, criar caminhos, adoptar a sério a prática dos rebanhos sapadores, ter postos de vigia melhor localizados e preparados, ter sistemas de detecção e ataque primário mais rápidos e mais eficazes -- é o que se espera. E fico mais tranquila ao ouvir a ministra dizer que a Serra da Estrela vai ficar melhor preparada para resistir a esta tendência de haver cada vez fogos florestais mais difíceis de controlar.
Por isso, penso que só gente mentecapta ou com a mente deformada pela prática da maledicência pode achar que a afirmação de Patrícia Gaspar conflitua com a de Mariana Vieira da Silva ou que alguma delas se 'espalhou' ao dizer o que disse.
Há algum tempo, recebi um mail de alguém que dizia que eu, quando falo de gente burra, pareço arrogante. Lamento que isso aconteça pois a mim própria não me vejo como arrogante. Contudo, claro, a forma como me vejo de pouco servirá se for diferente como maioria das outras pessoas me vir. Gosto de pensar que sou humilde, que estou sempre disposta a aprender e a ouvir os argumentos dos outros. Mas há um mas, reconheço. Quando falo nos outros com quem estou sempre disposta a aprender excluo os burros, aqueles ignorantes inconscientes da sua ignorância que juntam ao seu desconhecimento das coisas de que falam o vício da maledicência.
Patrícia Gaspar e Mariana Vieira da Silva são duas pessoas competentes, preparadas para as funções que exercem, inteligentes, fortes, abnegadas na forma como se dedicam ao que fazem. Temos sorte em ter pessoas assim no nosso Governo.
Acresce que só gente com palas de lado e por cima dos olhos é que pensa que o problema dos incêndios florestais é um problema português com causas atribuíveis ao governo português. Melhor fora que assim fosse. Mas não é. É um problema que atravessa várias regiões do mundo e que, infelizmente, já entrou naquele loop em que as coisas são ao mesmo tempo causa e consequência.
Recomendo a visualização do vídeo abaixo. Tudo está muito bem explicado.
The climate science behind wildfires: why are they getting worse?
We are in an emergency. Wildfires are raging across the world as scorching temperatures and dry conditions fuel the blazes that have cost lives and destroyed livelihoods.
The combination of extreme heat, changes in our ecosystem and prolonged drought have in many regions led to the worst fires in almost a decade, and come after the IPCC handed down a damning landmark report on the climate crisis.
But technically, there are fewer wildfires than in the past – the problem now is that they are worse than ever and we are running out of time to act, as the Guardian's global environment editor, Jonathan Watts, explains
Parte da Europa a sul está a arder, aliás como desde há algum tempo se sabe que iria acontecer, e as televisões mais os seus comentadores avençados andam numa fona a ver se descobrem o culpado. Passei de raspão e fiquei estupefacta. Esta gente não tem noção.
Bastaria que se informassem para perceberem que a discussão que importa é outra: como travar a anunciada desertificação destas zonas, como travar o desastre que já aí está?
Bastaria consultar a imprensa internacional para ver que, tal como por cá, na Grécia, em França e em Espanha o calor prolongado é excessivo, as terras estão secas, a vegetação seca é o combustível infalível e os ventos são o abanico perfeito para melhor atear todos os fogos. Perante o que por aí se vê, ainda muita sorte temos tido.
Inteligente seria que estes países se juntassem (se calhar também com Marrocos) para, em conjunto, estudarem uma forma de garantir a habitabilidade humana por mais umas décadas nestas regiões que tão seriamente ameaçadas estão.
Felizmente há o Pantanal para me ajudar a ir para a cama gostosamente alienada. Aqui não há conversa fiada, não há gente inteligente que se vê obrigada a baboseirar, não há políticos que apenas dizem banalidades, não há jornalistas que querem a todo o custo atiçar todos contra o Governo. No Pantanal há vida ao ar livre, natureza, saudades, paixão, música de roda, mulheres que viram onça, velhos que viram sucuris.
Isso ou alguns vídeos de parte-a-louça ou rebola a rir. Coisa que pode não ginasticar o neurónio mas ao menos não embrulha o estômago nem revolve a entranha.
Os muito apertadinhos que fechem já a porta e voltem para sua casa que agora, aqui, a malta da Porta dos Fundos vai chegar com a língua a precisar de pimenta e as mãos a precisar de umas boas reguadas. Maltinha mais mal-comportada.
10 Mandamentos
Amar o próximo. Ok, mas quão próximo? 3 metros? Até a esquina? Ou 5 km? Seria na verdade um recado para nunca voltar com o ex? Já são 10 anos esperando Deus ser mais específico nessas orientações
Não há o que se possa dizer. Há uma crueldade profunda em todos os que condescendem com o que se passa aqui -- em todos nós. Vêem-se as imagens e percebe-se o autismo de que colectivamente padecemos ao vivermos normalmente como se ignorássemos as condições em que vive parte da humanidade. Somos todos corresponsáveis. Somo-lo tal como foram todos os que fingiam ignorar o que se passava nos campos de extermínio em tempos não muito longínquos. Podemos não ser individualmente responsáveis mas, colectivamente, não podemos deixar de ser considerados cobardes, cruéis, desprezíveis.
Não sei como é possível que se viva como se vive aqui ou em qualquer outro campo de refugiados. É tão mau, tão humilhante (para os que lá vivem e para os que ignoram), tão desumano. E é tão vergonhoso, tão, tão insuportável vergonhoso que custa a ver.
Não vou dizer mais nada. Não há palavras que se possam dizer ao ver estas imagens. É tudo de uma dimensão avassaladora. É devastador. Deixa-me reduzida a nada.
Hundreds of people missing after Rohingya refugee camp fire
At least 15 people have been killed and another 400 are missing after a fire tore through Balukhali camp near Cox’s Bazar late on Monday. More than 17,000 shelters were destroyed, leaving 45,000 people displaced. Emergency services, volunteers and Red Cross staff worked for several hours to control the blaze. The camp houses about 124,000 people, although the surrounding area shelters approximately 1 million Rohingya refugees
Ao fim de semana o meu marido afadiga-se a desbastar árvores, a podar silvas e tojo. Tem posto os sobrantes num monte que não se queimava porque ele tinha esperança que isto do covid aliviasse e que se fizesse uma grande fogueira quando cá estivessem todos. Os meninos gostam imenso de ver, sentem aquele misto de susto e vontade de vencer o medo. O meu filho também gosta.
Mas o monte de mato já era uma montanha, não dava para continuar a amontoar, e hoje decidiu produzir a sua queima. Inscreveu-se no site e, tendo obtido o ok, ao fim da tarde atirou-se a isso.
Quando foi lá para baixo, fui com ele. Estava um resto de sol, um entardecer agradável. Ele a queimar mato e eu a caminhar pelos caminhos em volta. Ia pensando: caminho por caminhar, não com o objectivo de chegar a algum lugar mas apenas pelo prazer de andar. Andar em volta como numa oração mas com a mente desocupada de palavras ou ideias.
Ouvi, então, um carro a parar lá em cima, na estrada. Desviei-me. Era o vizinho que vinha de acomodar as vacas lá em baixo. Pôs-se a falar com o meu marido. Falavam alto, de um para outro, para se ouvirem. Mas não muito alto. Sem qualquer outro ruído, a voz propaga-se bem e, mesmo à distância, ouviam-se bem. Percebi que falavam dos isolamentos e que o meu marido dizia que aqui, por estas bandas, no campo, o bicho não entra. Enquanto caminhava por entre as árvores, pareceu-me perceber que o vizinho respondia que não era bem assim, que um senhor da aldeia o tinha apanhado, que até foi levado para o hospital, que a família está toda sob suspeita. Ficaram a conversar, a espaços, com silêncios pelo meio. Quando se despediram, aproximei-me, intrigada. Na aldeia? O meu marido confirmou. Fiquei impressionada, parece-me uma coisa impossível. Tantas vezes que eu digo que por aqui, tudo tão longe uns dos outros, não há perigo algum. No outro dia, eu disse que podíamos ir à aldeia ver se por lá vendem feijão verde, cenoura e batata doce, coisa que consumo em excesso. Dizia eu que qual máscara, qual carapuça, qual cuidado, qual carapuça, aqui o ar é limpo, não há quem pegue bicheza.
Afinal.
O meu marido também estava admirado.
Depois andei a fotografar as florzinhas, os troncos lavrados das árvores cheias de vida, a descobrir outros cogumelos que, confundidos com este tempo outonal, desataram a ressuscitar. A ouvir os passarinhos.
Por acaso, por ali em silêncio, até apanhei um susto. Um restolhar ruidoso, um barulho que quase parecia uma moto aérea. Um pássaro grande levantando um apressado voo à minha passagem. Que som curioso, aquele intenso bater de grandes asasa.
Já aqui estou, de seguida, há tantas semanas e todos os dias me maravilho com o que vejo. Tantas coisas novas, tanta beleza, tanto milagre.
Ah, por falar em milagre. Hoje aconteceu-me mais um. Tomei banho e, como sempre, fui estender o lençol de banho na corda que vai do plátano ao abrunheiro. Passado um bocado, de repente, caíu uma chuvada brutal. Um daqueles aguaceiros tão violentos que pensei que até podia ser, outra vez, uma bátega de granizo. Uma coisa brutal. Estava a ter uma reunião e quase nem ouvia o que diziam tal a força da chuva. Passado um bocado, o meu marido passou ao pé de mim e, olhando lá para fora, disse: podias ter apanhado a toalha. Só então me lembrei dela. Entretanto, tinha parado de chover. Fui lá fora sem saber se a deveria trazer para dentro ou deixá-la, a ver se, com algum bocado de vento, secava. Pois bem, para meu total espanto, estava seca. Seca. Disse ao meu marido. Não acreditou. Eu afiancei: seca. Foi lá fora ver. Seca.
Não tenho explicação. Não há explicação. À noite contei à minha filha. Ela perguntou: qual é a explicação? Respondi que não há. Perguntou se estava debaixo das árvores. Não, está no espaço aberto entre as árvores. Não há explicação. É um daqueles milagres que por aqui acontecem.
Mas voltando à queima. Gosto daquele cheiro de fogueira, em especial quando se dissolve pelo ar, pelo meio do arvoredo. Na minha cabeça é um cheiro que se mistura aos perfumes do campo, leva-me até à infância, leva-me até memórias que não consigo situar.
Quando regressei a casa, quase ao anoitecer, fiz os telefonemas do costume, os familiares e mais um ou outro profissional. E depois por aqui andei, com aqueles pensamentos meio desencontrados, a querer gostar de aqui estar, apesar do confinamento e da saudade, mas sem querer assumir que gosto. Talvez porque a jornada acabou ligeiramente mais cedo e, portanto, o dia me foi menos pesado, cheguei à noite menos revoltada, muito mais tranquila.
Entretanto, já estive a trabalhar para preparar o dia de amanhã que começa cedo e vai acabar tarde e agora, aqui, como habitualmente, para descansar a cabeça, resolvi espreitar os vídeos. E, treco-lareco, na mouche. Adivinhando que a minha disposição está para peace and love, natureza e harmonia, bucolismo e tranquilidade, tinha para me sugerir daqueles vídeos em que não percebo nada do que dizem. Mas sem problema. O primeiro tem legendas mas são tão miudinhas e o meu computador tem um monitor tão pequenino que não pesco uma. Mas não sinto falta. Gosto na mesma. Já vi duas vezes. Tão bonito. A casa, a luz, as fotografias, os gestos vagarosos, as grandes janelas, as árvores, os verdes, os trabalhos manuais. Uma tal paz.
Penso: será que um dia vou ser assim, como a senhora deste vídeo? Feliz, apaziguada, vagarosa, toda eu tempo para tudo, para passar as mãos ao de leve sobre as coisas, olhando lá para fora. Fazer pão. Será que um dia me vai dar para fazer pão, para fazer compotas, para organizar as fotografias? Será que um dia vou deixar outra vez crescer o cabelo e fazer uma trança? Quando era adolescente usava muito uma trança. Uma trança de ouro velho como estava escrito num poema. Quando desmanchava a trança, o cabelo caía-me pelas costas, ondulando como fogo. Gosto dessa recordação.
E depois a Liz Qi que, por sinal, também usa uma trança. Aqueles gestos intuitivos, aqueles movimentos decididos, aquelas mistelas, flores com leite de não sei o quê, aqueles cremes com ar de serem doces, saborosos. Ela cultiva, ela colhe, ela monda, ela separa, criva, filtra, ela ferve, ela separa. E eu, sem perceber o que ela está a fazer, deixo-me dicar a ver. Gosto. Se ela morasse na serra, aqui perto, talvez eu lá fosse pedir-lhe que me aceitasse como discípula. Acho que era capaz de passar dias inteiros a aprender com ela.
Uma vez mais partilho algumas das fotografias que por aqui vou fazendo. Gosto de fotografar porque acho tudo muito bonito. Espero que, para quem vê, não seja uma seca. Gostava que também gostassem. Significaria que talvez víssemos o mundo com o mesmo tipo de olhar, um olhar embevecido, agradecido.
A realidade é fractal mas, quando nos aproximamos do que nos é familiar e perdemos a perspectiva do todo em que nos inserimos, esquecemo-nos disso e preocupamo-nos é com os nossos problemas, com os nossos sentimentos, com os looks das colegas, com as jogadas faltosas da equipa adversária ou com os dichotes das estrelas mediáticas sejam elas artistas de telenovela, deputados ou comentadores televisivos.
Acontece também que nos habituámos à fartura de assuntos: hoje é o crime que a televisão propaga, amanhã são as eleições internas numa qualquer agremiação, depois de amanhã é a negligência médica na clínica A ou a agressão à médica no hospital B.
Se um assunto destes prende as atenções, todos se atiram a ele como cão a osso. Até que o público diz que já chega. Chega-se a um ponto em que não há paciência para um mesmo assunto repetidamente sob os holofotes. Impacientes e sempre ansiando por assunto novo, por novas stories, por novo post, as pessoas facilmente se desinteressam pelos anteriores.
A futilidade tem vindo a tomar conta de nós. O foco da atenção anda rasteiro e, por isso, tudo rapidamente se torna repetitivo, déjà-vu, uma seca.
Mas, se subirmos na árvore fractal, perceberemos que mais do que a repetição das petites histoires em cada ramo, há uma denominador comum e esse denominador é uma rápida erosão das condições de habitabilidade do planeta. O clima está a alterar-se de uma forma que desestabiliza o equilíbrio do habitat que nos tem assegurado a sobrevivência.
Não é de hoje. Não se chega aqui de um dia para o outro: foi uma trajectória. Ainda é nela que estamos.
Os baixos custos, a globalização, a competitividade necessária, o consumo como motor de desenvolvimento. Que haja emissão de gases que provocam efeito de estufa, que se degradem e infestem os solos, que se poluam os rios e os mares, que desapareçam espécies e coisas assim são apenas algumas das consequências.
É este o modelo que conhecemos, é nele que nos sabemos mover. Não somos apenas as vítimas deste modelo: somos os agentes, os responsáveis.
Mas os efeitos desse modelo no planeta estão à vista.
E é bom que o percebamos para que tenhamos coragem para abdicar de convicções que julgávamos certas e inabaláveis, para abdicar do conforto em que nos movemos, para abrirmos a mente a diferentes formas de pensar, para sermos capazes de influir na agenda política.
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Inundações com uma gravidade incomum, incêndios que duram meses e que vão alastrando a outras regiões, glaciares a quebrarem e a desaparecerem, tempestades violentas -- este já não é o futuro que temíamos, este já é o presente.
Os vídeos do Guardian que abaixo escolhi são apenas uma amostra
Não há panaceias simples. Que ninguém pense que com medidas avulsas, isoladas, temporárias, se consegue inverter a tendência. Não. Temos que ter a consciência de que é preciso muito, muitas mãos, muitas medidas, muita criatividade, muita inteligência, muita coragem, muito despojamento para se conseguir travar o vendaval, o fogo, o degelo, o dilúvio.
Mas há gestos que, não sendo a panaceia, são isso mesmo: um gesto. Um gesto bom. Plantar árvores. As árvores certas, nos sítios certos.