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sexta-feira, março 14, 2014

Parem tudo! Atenção! Ouçam Tiago Bettencourt a cantar 'Aquilo que eu não fiz'. Decoremos a letra, façamos eco, gritemos, cantemos. Juntemo-nos. Sejamos solidários, fraternais. Fortes. [A propósito de fraternidade até vou mostrar a incrível amizade e emoção de dois elefantes, Jenny e Shirley, que não se viram durante 22 anos. Uma coisa muito comovente. (O Tiago que me perdoe eu trazer esta história aqui para dentro da sua canção)]


No post abaixo falo de Manuela Ferreira Leite, brava, bravíssima na TVI 24 contra Passos Coelho que, sem saber do que fala (ou sabendo bem demais?), mostra desprezo e falta de respeito por quem assinou o Manifesto dos 70. Falo ainda de Viriato Soromenho Marques, outro dos bravos do pelotão, que defende Portugal com unhas e dentes. E falo de uns insignificantes caniches que não sabem o que dizem. Mas a carruagem passa.

A seguir a esse post, entro na Casa Chanel pela mão do genial Karl Lagerfeld com Geraldine Chaplin quase assustadoramente parecida com Miss Coco.

Mas isso é lá mais abaixo, a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

*


Música, por favor: Aquilo que eu não fiz



Ia eu de manhã a chegar ao trabalho quando recebo um sms da minha filha a dizer: tens que ouvir a última do Tiago Bettencourt, 'aquilo que eu não fiz'


Ia no carro, consigo ler os sms no painel do carro mas não escrever (claro). Quando cheguei, respondi-lhe de volta: Mas porquê?

Não facilitou. Limitou-se a enviar-me novo sms: Ouve

Não ouvi na altura mas agora, com vagar, fui à procura - e percebi.

Talvez assim os jovens acordem, através de uma canção.

Tem razão o Tiago como temos quase todos: não fomos nós que gastámos mais do que devíamos levando o País ao estado em que se encontra.

Não, não fomos.

Foram os Jardim Gonçalves, os Oliveira e Costa, os João Rendeiro e outros que tais que, através de gestão danosa, impingiram crédito a rodos ganhando com isso, venderam ilusões e alimentaram vaidades próprias e alheias, foram os Berardos e vários outros como ele que se endividaram em milhões para se tornarem accionistas de empresas, dando como garantia acções das empresas que compraram, as quais, ao desvalorizarem-se, deixaram os bancos com dívidas e garantias nenhumas, foram sobretudo os Goldman Sachs ou os Citi ou outros que venderam riscos a preço de ouro.

Foram esses. Em Portugal e por todo o lado. São esses. Sempre os mesmos.

Não é por um pobre Zé-Ninguém comprar uma casa que não conseguiu comprar e que teve que entregar ao banco mantendo a dívida que o País está na situação que está.

Está assim porque o País foi exposto aos abutres e não houve ninguém que o ajudasse. O suposto escudo anti-abutre não existiu. Apenas Mario Dragui actuou mas já tarde demais, numa altura em que Portugal já estava entregue aos abutres e seus dilectos aprendizes (Passos, Gaspar, Portas, Moedas, o finado Borges, etc - mais os papagaios que gostam de se armar em crias de abutres como o José Gomes Ferreira, o João Vieira Pereira, o Henrique Monteiro, o Henrique Raposo, o Marques Mendes e outras figurinhas tristes que por aí andam a pipilar de galho em galho)


Fui à procura de uma fotografia para ilustrar este texto e descobri este apelo do Tiago. Aqui o deixo, desejando-lhe eu que seja muito bem sucedido. Tomara que consiga mobilizar muita gente, especialmente os jovens que tão desinteressados andam de tudo o que se está a passar.




Aqui está a letra para ajudar a fazer coro:

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
não me fazem ver que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
não me fazem ver que fui eu que errei 
não fui eu que gastei
mais do que era para mim
não fui eu que tirei,
não fui que comi
não fui eu que comprei,
não fui eu que escondi
quando estavam a olhar
não fui eu que fugi
não é essa a razão
prame quererem moldar
porque eu não me escolhi
para a fila do pão
este barco afundou
quando alguém aqui chegou
não fui eu que não vi 
(Refrão)
talvez do que não sei
talvez do que não vi
foi de mão para mão
mas não passou por mim
e perdeu-se a razão
tudo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
de esse amor a fingir
não me falem do fim
se o caminho é mentir
se quiseram entrar
não souberam sair
não fui eu quem falhou
não fui eu quem cegou
já não sabem sair 
(Refrão)
meu sono é de armas e mar
minha força é navegar
meu norte em contraluz
meu fado é vento que leva
e conduz
e conduz
e conduz
*

Parabéns ao Tiago e daqui lhe desejo boa sorte. Tomara que venda este seu novo CD como paezinhos quentes, tomara que toda a gente o cante, tomara que se torne um hino.


**********

E agora, embora não venha muito a propósito, mas apenas porque o vi e me apetece partilhá-lo convosco e porque, pensando bem, temos que ser fortes, amigos, unidos, solidários, como o são os animais, aqui vos deixo o filme que me emocionou: dois elefantes antigos conhecidos que se perdem de vista e, surpreendentemente, se reconhecem 22 anos depois. A alegria, o afecto deles é uma coisa surpreendente. Como eles demonstram o carinho e a alegria por poderem estar próximos, que emoção tão genuína. Os animais emocionam-me. São tão inteligentes, tão boa gente. E a amizade verdadeira de pessoas por animais também me emociona. Sei o que isso é, sei muito bem, sei as saudades imensas que se podem sentir por um animal (mesmo muito tempo depois de ele ter partido).


Dois elefantes que não se viam há 22 anos reencontraram-se num santuário para animais em Hohenwald nos EUA e provaram que a memória de elefante existe mesmo.


Jenny e Shirley trabalharam juntas num circo no final da década de 80. Depois foram enviadas para jardins zoológicos distintos, mas não se esqueceram da existência uma da outra.


O encontro aconteceu, 22 anos depois, e segundo o diretor do santuário, Carol Buckley, foi «dramático».

«Nunca vi nada com esta profundidade de emoção», comentou Buckley. Os animais entrelaçaram as trombas e começaram a passear juntos entre brincadeiras.

Quando se conheceram, Jenny era ainda uma cria e Shirley tinha cerca de 20 anos.





****

Relembro: por aí abaixo há mais dois posts de hoje. São díspares entre si mas eu também sou díspar dentro de mim. Se eu fosse uma expressão numérica seria um conjunto de números primos, movidos a música e dizendo poesia. Na volta sou uma extra-terrestre, olha que bom.


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Bem, vou-me deitar que já não estou a dizer coisa com coisa.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo POET's day, isto é uma boa sexta feira.


domingo, novembro 24, 2013

Cavaco Silva fez o inevitável: enviou para o Tribunal Constitucional, para fiscalização preventiva, o diploma da 'convergência' das pensões (estúpido eufemismo para 'corte' das ditas) e, face a isso, o Governo prepara uma alternativa (ou vingança?): novo aumento de impostos. E o violento aqui é Mário Soares...?!?! Poupem-me.



Até que nível de pobreza querem Passos Coelho e Paulo Portas conduzir Portugal?

O Ricardo Araújo Pereira no Governo Sombra é que classificou bem estas pessoas que - perante a devastação que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas sinistramente vem levando a cabo no País - criticam os alertas de Mário Soares, achando que o que ele disse no encontro das esquerdas foi um apelo à violência. Chama-lhes ele os mariquinhas da política. E diz que é como criticarem um tipo que, levando com um pingo de solda num olho, grita de dor ou solta um palavrão, ou seja, criticam o grito ou o palavrão ignorando que a causa foi o pingo de solda no olho.


Eu, que não sou do Norte, não me sinto muito à vontade a dizer palavrões e, por isso, fico-me por aqui porque, mentalmente, ocorrer-me-iam epítetos muuuiiiito menos carinhosos. Mariquinhas? Quais mariquinhas? Cobardolas - no mínimo.


Quanto mais quer Passos Coelho empobrecer-nos?
Tudo o que leio, tudo o que sei, tudo, tudo, me faz pensar que este Governo é perigoso, insensível, vingativo, e atenta contra a vida e a dignidade dos que trabalharam e deveriam ser respeitados e queridos, dos que trabalham e deveriam sentir-se motivados e confiantes e dos que deviam trabalhar mas não têm como.

Aos desempregados cortam o subsídio de desemprego, às crianças cortam o abono de família, aos doentes cortam as baixas, aos pensionistas cortam as pensões, a quem trabalha cortam os ordenados, aos jovens mandam-nos para fora do país. 


Cambada de vendidos, anti-patriotas. Cambada. Raios os partam.


Quando estaremos suficientemente explorados e pobres
 para que Passos Coelho e Paulo Portas se sintam saciados?
Toda a revolta que manifestemos é pouca. 

De facto, o que se está a passar é que o País está a ser arrasado e nós não passamos de um bando de carneiros mal mortos que não tugimos nem mugimos. E, mal alguém levanta a voz para se rebelar, logo aparecem as virgens ofendidas, as beatas de sacristia, os ratos de esgoto a protestar contra os que clamam. 

Como não clamar? Como?!

O País inteiro transformado num bando de cobardes...? Em ovelhas silenciosas a caminho do matadouro...? É isso que os Marques Mendes e os João Miguéis Tavares desta vida querem?

Ora caraças!

Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.
Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.


Bertold Brecht

PS: E onde pára o Tozé Seguro que não é capaz de vir a terreiro levantar a voz contra os Passos Coelho e Paulo Portas (que não desistem de atentar contra a Pátria de todas as pérfidas formas que lhes ocorrem) e atacar os mariquinhas da política que tão assustados estão com a violência das palavras de Mário Soares? Ou está também assustado...? Bolas.


*

As fotografias a preto e branco são da autoria de Sebastião Salgado. Desconheço a autoria da fotografia  dos homens no meio do lixo

*

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.

(Nem que, para tal,
tenham que fazer de conta que já nos vimos livres da praga de que acima falei
e que já podemos respirar de alívio)

sexta-feira, novembro 22, 2013

Os manifestantes das Polícias invadiram a escadaria da Assembleia da República: estão prestes a ser transpostas as barreiras psicológicas? Foi um aviso? A inércia paralisante começa a dar lugar à revolta? - Enquanto isso, as Esquerdas Unidas pediram a demissão dos incompetentes que tomaram conta do País. (NB: As Esquerdas Unidas com o Tozé de fora, claro, que um pequeno sacristão não se mete em rebaldarias, ora essa...)



A revolta dos polícias - o regime passista a tremer


Quando ontem de manhã cedinho, ao raiar da alba, me desloquei ao meu heaven para instalarem uma central de alarmes ligada a uma empresa de segurança, fui conversando com os dois rapazes que faziam o trabalho. Contavam-me que numa zona industrial, na noite anterior, tinham sido roubadas as tampas metálicas da estrada, todas. E, pensando que eu conhecia bem as localidades do concelho, iam-me contando, sabe da Quinta não-sei-do quê? Entraram e, mesmo com os cães e pessoas lá dentro, roubaram tudo. E na Pedra não-sei-de-que-mais, entraram na outra noite numa moradia, as pessoas estavam no piso de cima e levaram tudo do piso de baixo. A GNR não pode fazer nada, não tem gente nem carros, sabe a gente disso e sabem eles. Não fazemos outra coisa senão andar a acorrer a toda a gente que tem sido assaltada nos últimos dias.

Ouço isto e sei que nada disto é inesperado, mas sinto uma impotência terrível. 

Já de manhã tinha ouvido na TSF que na Judiciária estão em greve às horas extraordinárias para protestarem contra a falta de condições e que já há investigação de crimes entregue a estagiários.


Não lutam apenas pelas suas condições de vida: lutam também pela deficiente segurança que prestam à população. 

E nós devemos apoiá-los.

Mas não é apenas a insegurança que grassa perigosamente. É todo o País que soçobra. Um país paralisado, sem políticas de racionalização e desenvolvimento, um governo que age à margem da lei, entregue a um bando de ignorantes sem princípios, um País em que as Universidades cortam relações com o Governo, em que os professores são tratados como marginais, em que os jovens qualificados o abandonam, um país em que a demografia definha para níveis insustentáveis - isto é o Portugal de hoje agonizando às mãos de Passos Coelho, Paulo Portas e comparsas.

Enquanto isso, para surpresa de todos, o invertebrado Olli Rehn, Comissário Europeu para os Assuntos Económicos, que não tem feito outra coisa que não defender a austeridade cega, apareceu a defender que é altura de pensar no crescimento e no emprego e diz que a Europa já pode “abrandar o ritmo de consolidação”. Nada que faça estremecer o implacável Passos Coelho e os papagaios que o apoiam, nada que os faça vacilar na aprovação do aborto que é o OE 2014 que vai asfixiar ainda mais este pobre Portugal.


Isto no mesmo dia em que se sabe que, hoje, antes da privatização dos CTT, já foi ultrapassado o objectivo fixado pela troika para as privatizações - ou seja, quando ficamos a saber que a injustificável privatização dos CTT e o que mais privatizarem acontecerá por opção política do Governo e não por imposição externa. Inqualificável. Imperdoável.


O tempo passa e não se vê maneira de este pesadelo acabar já que Cavaco Silva parece que está congelado ou a brincar às estátuas. Vê o declínio e a desagregação do País e não age, caraças. Mas pode ser que não seja por muito mais tempo porque um crime destes contra um país não pode continuar impunemente por tempo indeterminado.

Bolas para isto.


PS: Ouvi agora na televisão o Pacheco Pereira a discursar na Aula Magna. Muito bem. Um homem inteiro. Vertical e corajoso. 


quarta-feira, novembro 20, 2013

Mário Soares na TVI 24 com um Paulo Magalhães (perfeito) diz que Cavaco Silva deveria demitir-se dado que não defende a Constituição e que já nem pode ir à rua sem ser vaiado de tal forma está isolado no País. E que o Governo de Passos Coelho é uma desgraça completa para o País. E que amanhã na Aula Magna reunir-se-ão pessoas que, tal como ele, defendem o País antes que este caia no abismo. À beira dos 89 anos, o velho leão ruge como nenhum outro. Salve o velho guerreiro Mário Soares.


Controverso, sempre cheio de vida, determinado, intuitivo, patriota, polémico, conhecedor da vida e do prazer de a viver, irremediavelmente humano com os seus defeitos e qualidades, corajoso, um ser solar, uma árvore de grande porte, um leão cheio de nobreza, um guerreiro, um grande Homem - assim vejo eu Mário Soares.


Mário Soares vem de um tempo em que há a coragem de caminhar pela fé na força do caminhar, em que há confiança nos próprios passos, em que não há tíbios calculismos, gestos ponderados, jogadas de sacristia, paninhos quentes. Mário Soares vai à luta sem medir os riscos, confiante na sua força e na força dos amigos que com ele caminham.

Seria bom que os tozés* desta vida e todos os bem comportadinhos que gravitam em volta de timoratos sem carisma pusessem os olhos em Mário Soares. É de gente como Mário Soares que reza a história.

E não me venham falar na descolonização mal feita e em mil outros episódios. Mário Soares não é perfeito, é aliás completamente humano, e muitas vezes vi com alguma reticência alguns dos seus actos - contudo, está por demonstrar que, se ele não tivesse feito o que fez, as coisas seriam melhores. Seja como for, foi sempre o patriotismo, o supremo amor a Portugal, à liberdade, à democracia e ao desenvolvimento que o moveu. Portugal deve-lhe muito.


A caminho dos 89 anos, na situação de calamidade social, económica e financeira em que Portugal se encontra, Mário Soares não cala a sua voz e continua a lutar por Portugal com a força e a imponência característica do grande rei da selva. Só espero que o seu grito de revolta troe de lés a lés. Bem haja, grande Mário Soares. 



Agita-se e grita e canta
para lá da fronteira que desenhámos.
É apenas uma árvore,

extensão vegetal de luz,
celebrada dor, celebrada tinta
espalhando-se na página.

Partilhamos a sua agitação,
o seu grito, o seu canto, o seu transpirar,
como quem partilha um saber ocultado
.


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O poema é de Luís Quintais e, muito justamente, tem como título 'Fantasma'. De facto, não tenho dúvida de que estes rugidos de Mário Soares soarão como uma assombração à Bela Adormecida que repousa em Belém.

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(*) Para que conste: falei dos tozés, reportando-me a este PS abúlico que me enche de irritação. No entanto, há que não esquecer, bem pior que os meninos do coro do PS (que esses são sobretudo uma seca, que não são capazes de entrar de pé em riste em lado nenhum mesmo quando é caso é para os Bruno Alves desta vida entrarem ao estalo e à cabeçada a torto e a direito) são os perigosos ignorantes e perigosos vendidos que nos desgovernam e todos os que se acoitam à pala de tamanha incompetência, disso tirando partido. 


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NB: Escrevi 'salvé o velho guerreiro' e fui verificar se é 'salvé' ou 'salve' sem acento. A verdade é que não cheguei a nenhuma conclusão e, sobretudo, receei que, escrevendo 'salve', o que escrevi tivesse difícil leitura.

Ai a falta que me faz saber mais de língua portuguesa... Se o que escrevi não está correcto, por favor alguém me corrija, está bem?


sexta-feira, dezembro 02, 2011

O triunfo dos porcos: governam e parecem pessoas mas - reparemos bem - não são! E, mesmo que achem que não tem nada a ver, recordemos o Novecento (1900) de Bernardo Bertolucci e, coisa puxa coisa, façamos coro com os escravos hebreus e gritemos 'Va, pensiero sull'ali dorate'


Hoje não estou para grandes palavreados porque há tanta coisa estúpida a acontecer, cá e mundo fora, e vejo tanta gente estúpida a fazer disparates à tripa forra achando-se empossado para tal (e, caraças! - de facto, foram-no porque quase tudo o que de pior se vê a acontecer, acontece no mundo civilizado, democrático, em que os governantes são eleitos pelo voto popular), que vou deixar-vos com três clips que dão gosto.

1. Já aqui anteriormente referido, O Triunfo dos Porcos ou a Quinta dos Animais do escritor inglês George Orwell foi escrito originalmente para parodiar o regime estalinista. Contudo, a alegoria foi tão bem urdida que pode ser vista como actual e adequada a muitas situações actuais.

A forma como os princípios que eram usados como bandeira antes de tomarem o poder foram totalmente adulterados logo que chegaram ao poder, as críticas aos governantes anteriores e as promessas que foram de imediato metidas na gaveta,  a forma despudorada como usam o poder para seu benefício pessoal, o desprezo que revelam pela população que vai sendo explorada e empobrecida - tudo isto é uma história que conhecemos muito bem. Snowball e Napoleon, dois porcos muito conhecidos.




2. O filme Novecento (1900) de Bernardo Bertolucci, 1976, com Robert de Niro, Gérard Depardieu, Donald Sutherland, Burt Lencaster, Alida Valli, Dominique Sanda, é um filme épico, que não se esquece, e que decorre em Itália num período de guerras, pobreza, exploração, revolta, luta pelos legítimos direitos.





3. Nabucco é uma ópera de Verdi (1813 - 1901) que conta a história do rei Nabudonosor da Babilónia, foi escrita durante a ocupação do norte de Itália pela Áustria. O 'coro dos escravos hebreus' tornou-se quase um hino, a música que os italianos sentiram como o seu grito de amor por Itália, contra os ocupantes. No enterro de Verdi muitos milhares de pessoas acompanharam a sua despedida, entoando as suas músicas e, muito em especial, este 'va, pensiero'. Vai, pensamento, com asas douradas. Vai, pensamento.




««««»»»»


E tenham, meus amigos, uma bela sexta-feira.

segunda-feira, outubro 17, 2011

A sociedade actual, a mediocridade que tomou conta de tudo, a nossa passividade, o movimento dos indignados e um caminho que temos que ir fazendo, caminhando


Eu tive a sorte de ainda ter conhecido gente competente nos lugares certos. Por isso tenho um padrão. Tenho também a sorte de conhecer ainda alguns (raros) casos desses.

Haver gente competente, preparada, capacitada, nos lugares que ocupa não é ficção nem é utopia.

A coisa começou, por cá, a descambar quando a política e a governação (governação em sentido geral: nas autarquias, nas empresas, etc) começaram a ser ocupadas por gente impreparada mas empossada ('empowered') como se estivesse preparada para tal.


Tal como no cinema se passou da arte, para o entretenimento e depois para a alienação, para a banalidade pintada de efeitos especiais, perseguições, gente atirada pela janela, música lamecha a impelir ao xarope emocional; tal como na literatura se passou da arte, da inteligência, do laborioso entretecer de palavras para palavras alinhadas em sound bites, para as historietas de vampiros, de anjinhos, de romances de meia tigela, embrulhados em tule com pintinhas brilhantes, para a profusão de vulgaridades básicas de auto-ajuda; tal como na música se passou da arte pura, elevada e trabalhada com esmero e inspiração para a banalidade monocórdica ou para a balada infantilizada ou para a foleirada mais bacoca, mais pimba; também na política a coisa desandou, também nas empresas a coisa desandou, por todo o lado a coisa desandou.

Como uma maionese que talha, tudo na nossa sociedade parece ter talhado. Mas a gente finge que não dá por nada. Deslassou? Juntam-se natas ou farinha que a coisa disfarça. E assim andamos, a ser governados por uma gente que é uma espécie de qualquer coisa, um remedeio, um molho deslassado, ou de pacote, a fingir que é a sério.

Na política, os grandes políticos ou morreram ou, os que ainda vivem, estão cansados, afastados. Ou então estão-se nas tintas para aturar esta maralha. Quem é que, com dois dedos de testa, se presta a ter que participar em debates com gente da 3ª divisão (a falta que agora me fazem os conhecimentos de futebol... aqueles clubes de subúrbio, a liga dos piores, como se chama a essa divisão)?

Eu às vezes penso: 'estou para aqui a invectivar... porque não me chego à frente, porque não me meto para aí num partido qualquer e vou à luta...?'.

Mas recuo logo. Alguma vez...? Ter que andar em reuniões de partido, à noite, a ter conversas parvas com gente desqualificada? Imagino os disparates que lá se dizem. Gente oportunista, ignorante, estúpida, só a ver como se safa. Ter que ir a comícios, ter que andar a participar em arruadas, em parvoíces...? Mas nem arrastada.



(Não estou a falar de cor. Conheço um ou outro caso que os meus amigos ficariam de cabelos em pé se soubessem, ao pormenor, a gentalha que por aí anda na política)

Mas vamos supor que, por magia, conseguia fazer um bypass a essas maçadas e me via directamente como deputada ou coisa do género. Imagino-me eu a ter que discutir com um Relvas desta vida? Mas nem pensar. Seria um atentado a mim própria. Só de olhar para a cara dele... aquele ar de comadre sabida, aquele sorrisinho matreiro de quem sabe os segredinhos todos (pudera, maçon, amigo de espiões). Não. Mas é que nem pensar.

Acredito que alguns dos que me estão a ler pensem, 'olhem-me para esta, pedante, elitista, a achar-se melhor que os outros'. Seja. Se calhar sou. Mas cada um junta-se ao grupo onde se sente melhor e eu, meus Caros, não me sentiria nada bem no meio desta troupe que por aí agora anda.

(Há excepções, claro que há. Há pessoas dignas, capazes. Claro que sim. Mas geralmente a essas não as vemos em lugares de destaque, vemo-las a um canto, ou em lugares decorativos, pouco aproveitadas para o valor que têm, torpedeadas pela tropa fandanga, tendencialmente marginalizadas pelo grupo em que se inserem. Mas sei que há excepções. Quando falo, falo em termos gerais, sabendo que é injusto para as dignas excepções)

A questão é esta: falando em termos gerais, estamos no ground zero da política.

E nas empresas, na economia real, como estamos? Na mesma.

Se quem forma equipa não é grande espingarda, só vai querer rodear-se de fisgas. As fisgas, por seu lado, só querem ver-se rodeadas de pedras e das pedras aos pedregulhos com olhos é um instante.


Reparemos que, ao contrário do que se possa pensar, poucos capitalistas de verdade existem no País.

Depois do 25 de Abril houve vários que quiseram recuperar as suas empresas (que tinham sido nacionalizadas) ou resolveram investir de raiz, ou formar novas empresas - mas ninguém, ou quase ninguém, tinha dinheiro, pelo que entraram em cena os outros grandes protagonistas nesta nossa história - os bancos.

Quem anda nestas vidas sabe bem o que se ensina nas faculdades - alavancagem, alavancagem, alavancagem. Qualquer Insead, qualquer Católica, qualquer Lisbon MBA, ensina que para se criar valor para o accionista o que se deve fazer é alavancar financeiramente através de crédito bancário e não arriscar capitais próprios. A própria política fiscal o incentiva.

Ou seja, com o crédito barato e os bancos com uma política comercial agressiva, as empresas endividaram-se até ao tutano. Reforçar o papel accionista? Financiamento bancário. Investir? Financiamento bancário. Garantias? As acções, por exemplo.

E agora? agora as acções valem népias e os bancos, sem dinheiro, aflitos, querem o dinheiro de volta. Claro que as empresas não o têm. Com o mercado como está, quem é que tem dinheiro? Accionam-se as garantias? Como? Não valem nada!

Ou seja, os bancos estão, agora eles também, aflitos. Como estão aflitos, também não têm para emprestar.

Mas nas empresas também ninguém viu que a trajectória era suicida?

Não. Nas empresas a gestão é, quantas vezes?, entregue a consultores, assessores, miudagem que sai das universidades, imberbe e inexperiente, para ir ditar regras nas empresas. A gestão transformada em power points.


Ou, se não é isso, está entregue a gabarolas, gente convencida que tem o rei na barriga, que recebe prémios milionários, que se entretém a mudar de logótipos, de estacionário, que vive do culto da imagem e pouco mais.

E a gente que pague estas fantasias

Claro que no meio empresarial, tal como na política, tal como em todo o lado, há excepções, claro que sim, honrosas execpções, gente de valor, que investe, que se preocupa com os colaboradores, que trabalha, que vai à luta. Mas são isso mesmo, honrosas excepções.

Na política, na economia, nas finanças, na cultura (Cultura? É que nem um Ministério da Cultura há... A dupla Relvas & Moedas deve ter achado que não se justifica), a indigência intelectual, moral, cívica campeia.

Teremos que sair disto mas não vejo bem como.


Os movimentos de indignação são, por ora, demasiado informes para que, deles, possa sair uma alternativa. Mas, talvez, neste grande movimento global de indignação se comece um dia destes a esboçar qualquer coisa.

Por agora, mantenhamo-nos atentos, exigentes, lutadores. Cientes de que pactuámos durante demasiado tempo com a medicridade, com a alarvidade, a boçalidade. Cientes de que já vimos a que é que isto conduz. Cientes de que só com gente inteligente, preparada, experiente, motivada, culta, se pode governar o que quer que seja.

Um fraco rei faz fraca a forte gente, é coisa sabida há séculos.

<>

Ou seja, pessoalmente ainda não sei como saímos desta mas, para já, uma coisa eu sei. Sou:



E isto talvez seja o princípio de um caminho.